terça-feira, 24 de novembro de 2020

Elementos de Lógica - Livro III Sobre Falácias - §14

Por Richard Whately


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[223]§14


Suposição indevida. A próxima categoria é a falsidade, ou, ao menos, a suposição indevida, de uma Premissa que não é equivalente à, ou dependente da, Conclusão; o que, como já foi dito, parece corresponder aproximadamente ao significado dos Lógicos, quando eles falam de “non causa pro causa.” De fato, esse nome pareceria implicar uma classe muito mais limitada: havendo uma espécie de argumentos que vão da causa ao efeito; na qual, é claro, duas coisas são necessárias; 1) a suficiência da causa; 2) seu estabelecimento; essas são as duas Premissas. Portanto, se a primeira é indevidamente assumida, nós estamos argumentando a partir do que não é uma causa suficiente como se ela o fosse: por exemplo, como se alguém devesse argumentar de um certo homem tendo sido injusto ou cruel, que ele certamente será castigado por algum pesado julgamento temporal, assim como chegará a um fim prematuro. Nessa instância, [224]o Sofista, após ter assumido, na Premissa, a existência (reconhecida) de uma pretensa causa, infere, na conclusão, a existência de um pretenso efeito, o que nós supomos ser a Questão. Ou vice-versa, o pretenso efeito pode ser empregado para estabelecer a causa; ou seja, inferindo pecaminosidade a partir de calamidade temporal. Mas quando os dois, a pretensa causa e o efeito, são admitidos, ou seja, admitidos existirem, então o Sofista inferirá algo a partir de sua pretensa conexão, ou seja; ele assumirá como uma Premissa, que “desses dois fatos admitidos um é causa do outro”: como Whitefield imputou [o fato] a ele ter sido atingido por uma tempestade de granizo [ao fato] de ele não ter pregado na última cidade; ou aos oponentes da Reforma assumirem que ela foi a causa dos problemas que ocorreram naquele período e, consequentemente, inferirem que ela foi um mal.

Sinal posto por causa. Muitos são os casos nos quais um Sinal (ver Rhet. Part I.), a partir do qual alguém poderia justamente inferir um certo fenômeno, é confundido com a causa dele. Como se alguém devesse supor a queda do mercúrio ser a causa da chuva; do que certamente é uma indicação, considerando que de fato frequentemente será o reverso mesmo. Por exemplo, um grande montante de dinheiro em um país é uma prova muito certa de sua riqueza; e consequentemente tem sido considerado como a causa dela; considerando que, em verdade, é um efeito. O mesmo com uma população numerosa e crescente. Novamente, o trabalho colocado em cada mercadoria (commodity) tem sido frequentemente representado como a causa de seu valor; embora cada um possa considerar uma pérola fina um artigo de valor, apesar de que ele devesse encontrá-la ao comer uma ostra. De fato, pérolas são geralmente obtidas através de mergulho laborioso: mas elas não alcançam um grande preço por essa causa; mas, pelo contrário, os homens mergulham por elas por que (because) elas alcançam um preço elevado.1 Assim, também a exposição a [225]carência e dificuldade na juventude, tem sido considerada como uma causa de constituição resistente daqueles homens e brutos que tem sido criados em países áridos de clima hostil. Contudo, os mais experientes criadores de gado sabem que os animais são, ceteris paribus, mais resistentes por terem sido bem alimentados e abrigados na juventude; mas dificuldade iniciais, ao destruir todos os delicados, asseguram a robustez dos sobreviventes; o que é a causa, não o efeito, deles terem vivido através de um treinamento semelhante. Assim, carregar um cano de arma até a boca e dispará-lo, não concede força; embora a prove, se ele escapa, que era forte.

Apelo à suposta experiência. De maneira semelhante, nada é mais comum do que ouvir uma pessoa declarar confiantemente, como a partir de sua própria experiência, que um tal e tal paciente foi curado por esse ou aquele medicamento: considerando que tudo que ele absolutamente sabe, é que ele se recuperou.

Semelhante é o procedimento de muitos que não são teóricos verdadeiramente, mas descobriram por experiência que a difusão de educação desqualifica as classes inferiores para o humilde trabalho pesado. Eles talvez experienciaram realmente uma deterioração a esse último respeito; e, tendo um desgosto por educação, eles fecharam seus olhos para o aumento do pauperismo; ou seja, do hábito de depender pagamento paroquial (parish-pay), em vez de esforços independentes; o que, para qualquer olho sem prejuízo, pareceria o modo mais natural de explicar o relaxamento desses esforços. Mas tais homens requerem de nós, a partir do fundamento de que eles são homens práticos, a adoção dos resultados de sua experiência; ou seja, a aquiescer às suas rudes suposições quanto a causa e efeito, (como aquela do rústico que fez dos campanários de Tenterden a causa das areias de Goodwin,) precisamente por que eles não estão acostumadas à razão.

[226]Mudanças prejudiciais atribuídas a inofensivas. Eu acredito que nós podemos referir à mesma categoria as percepções, tão frequentemente entretidas, de que uma mudança, por mais que pequena, e por mais que em si mesma inofensiva, é necessariamente uma coisa perigosa, enquanto tende a produzir inovações extensas e prejudiciais. Muitas instâncias de pequenas alterações sendo seguidas por modificações grandes prejudiciais podem ser encontradas;2 mas eu duvido de se a história inteira pode prover uma instância de uma inovação maior tendo sido, propriamente falando, causada por uma menor. É claro que a primeira mudança sempre precederá a segunda; e muitas inovações perniciosas terem acontecido; mas eu penso que todas essas possam ser referidas a um esforço equivocado para obter algum bem, ou livrar-se de algum mal; não pelo amor da inovação por si mesma. A massa da humanidade está, nas preocupações sérias da vida, devotada ao que é estabelecido e costumário; e quando eles realizam mudanças imprudentes, isso frequentemente pode ser explicado pelo adiamento demasiado longo de mudanças necessárias; as quais permitem (como no caso da Reforma) que males atinjam uma altitude intolerável, antes de que qualquer remédio seja pensado. E mesmo então, o remédio frequentemente é tão violentamente resistido por muitos, como para conduzir outros a extremos perigosos. E quando isso ocorre, é contado triunfantemente a nós, que a experiência mostra que excessos perniciosos são causados por uma vez se ter começado a inovar. “Eu disse a você que, se uma vez você começasse a reparar sua casa, você deveria ter de a demolir toda.” “Sim; mas você disse-me errado; pois, se eu tivesse começado mais cedo, a substituição de umas poucas telhas poderia ter sido suficiente. O prejuízo foi, não em ter derrubado a primeira pedra, mas em permitir que ela permanecesse por tanto tempo.”

Causa e razão confundidas. Um argumento semelhante a qualquer um desses poderia estritamente ser chamado de “non causa pro causa”; mas não é provável que os escritores em Lógica [227]pretendessem qualquer limitação semelhante (a qual, de fato, seria inteiramente desnecessária e impertinente), mas, em vez disso, eles estão confundindo causa e razão; a sequência da Conclusão a partir das Premissas sendo perpetuamente confundida com aquela do efeito a partir da causa.3 Pode ser melhor, portanto, abandonar o nome que tende a perpetuar essa confusão e simplesmente declarar (quando tal for o caso) que a premissa é “assumida indevidamente”; ou seja, sem ser evidente ou satisfatoriamente provada.

Os artifícios pelos quais os homens podem enganar a eles mesmos ou a outros, ao assumirem Premissas indevidamente, de modo que a suposição indevida não deva ser percebida, (pois é nisso que a Falácia consiste) são, é claro, infinitos. Algumas vezes (como foi observado) a Premissa duvidosa é suprimida, como se ela fosse muito evidente para ser necessário ser provada, ou mesmo declarada, e como se toda a questão se voltasse para o estabelecimento da outra premissa. Dessa maneira, Horne Tooke prova, por uma imensa indução, que todas as partículas foram originariamente nomes ou verbos; e, por essa razão, conclui que, em realidade, elas ainda o são, e que a divisão ordinária das partes do discurso é absurda; mantendo fora da visão, como evidente, a outra premissa, a qual é absolutamente falsa; a saber, que o sentido e força de uma palavra, agora e para sempre, precisa ser aquele que ela, ou sua raiz, originariamente portava.

Suposição indireta. Algumas vezes os homens são aviltados a admitirem uma afirmação infundada, ao ser confidentemente dito a eles que é tão evidente que demonstraria grande fraqueza duvidar. No geral, contudo, o mais habilidoso Sofista evitará uma asserção direta do que ele pretende indevidamente assumir; pois isso poderia dirigir a atenção do leitor para [228]a consideração da questão de se é ou não verdadeiro; uma vez que aquilo que é indisputável frequentemente não necessita ser afirmado. Procede-se melhor, portanto, ao se aludir à proposição, como algo curioso e notável; exatamente como a Sociedade Real foi ordenada ao ser pedida para explicar o fato de um vaso de água não receber adição ao seu peso por um peixe vivo posto dentro dele; enquanto eles estão procurando a causa, eles esqueceram-se de determinar o fato; e, desse modo, admitiram sem suspeita uma mera ficção. Assim, um eminente escritor escocês4, em vez de declarar que os “advogados da Lógica foram derrotados e conduzidos para fora do campo em cada controvérsia”, (uma asserção a qual, se feita, teria sido a mais prontamente verificada ser perfeitamente sem fundamento) meramente observa que “é uma circunstância nem um pouco notável.”

Novamente, qualquer um que está desacreditando todo apelo à evidência em nome da Cristandade, (ver Apêndice iii. Nota) dificilmente arriscar-se-á a afirmar claramente que tal era a prática dos Apóstolos, e que eles apelavam aos homens para acreditarem no que eles pregavam, sem qualquer razão para acreditarem. Isso apresentaria um contraste muito gritante com a verdade. Ele procederia melhor ao meramente se demorar na zelosa demanda por “fé” feita pelos Apóstolos; confiando em que o leitor inadvertido esquecerá de que a base sobre a qual essa exigência descansava era evidência de milagres e profecias; e, desse modo, será levado a inferir que nós estamos imitando os Apóstolos com um procedimento de fato é o oposto do deles.

Falácia das Referências. Um dos muitos artifícios empregados para esse propósito é o que pode ser chamado de “Falácia das referências”; a qual é particularmente comum em trabalhos teológicos populares. É claro, isto é uma [229]circunstância que adiciona grande peso a qualquer declaração, que deve parecer ser suportada por muitas passagens da Escritura, ou dos Pais [da igreja] e outros escritores antigos, cujos trabalhos não estão nas mãos de muitas pessoas. Agora, quando um escritor encontra poucos ou nenhum desses, que distinta e decididamente favoreçam a sua opinião, ele pode ao menos encontrar muitos que podem ser imaginados capazes de serem assim entendidos, ou que, de uma maneira ou de outra, remotamente se relacionam ao assunto; mas, se esses textos fossem inseridos extensamente, imediatamente seria percebido quão pouco eles suportam da questão. Portanto, a estratégia comum é meramente dar referências a eles; confiando que dezenove de vinte leitores nunca se darão ao trabalho de se voltarem às passagens, mas, tomando como certo que eles proporcionam, cada uma algum grau de confirmação para o que é sustentado, serão dominados ao ver cada asserção suportada, como eles supõem, por cinco ou seis textos da Escritura, como muitos dos Pais [da igreja], etc.

Frequentemente, grande força é adicionado para o emprego em um trabalho declamatório, [a partir] da falácia agora diante de nós, ao amargamente censurar ou ridicularizar um oponente, como negando alguma verdade sagrada, ou algum axioma evidente; assumindo, isto é, que ele nega a verdadeira premissa, e mantendo fora de visão aquela para a qual a questão realmente se volta. Por exemplo, um declamador que está sustentando alguma doutrina como ensinada na Escritura, pode imputar a seus oponentes um desprezo pela autoridade da Escritura, e censurá-los por impiedade; quando a questão realmente era se a doutrina é escriturística ou não.

Combinação dessa Falácia com o seguinte. Frequentemente a Falácia da conclusão irrelevante [ignoratio elenchi] é convocada em auxílio disto: ou seja, a Premissa é assumida sobre o fundamento de outra proposição, algo como isso, tendo sido provado. Desse modo, ao argumentar por exemplo, etc, o paralelismo dos dois casos frequentemente é assumido a partir [230]deles serem em alguns aspectos semelhantes, embora, talvez, eles difiram no ponto mesmo que é essencial ao argumento. Ou seja, a partir da circunstância de alguns homens de posição humilde, que foram bem-educados, estão aptos a pensarem por eles mesmos acima da labuta inferior, é argumentado, que a educação universal das ordens inferiores produziria ociosidade geral: esse argumento repousa, é claro, na suposição de paralelismo entre os dois casos, a saber, o passado e o futuro; enquanto que há uma circunstância que é absolutamente essencial, na qual elas diferem; pois, quando a educação é universal, ela deixa de ser uma distinção: a qual é provavelmente a circunstância mesma que torna os homens orgulhosos por seu trabalho.

Novamente, paralelos foram traçados por Hume, (em seu Ensaio sobre Milagres) e por escritores cristãos, entre os milagres registrados no Novo Testamento, e aqueles nas Lendas dos pretensos santos; que anteriormente foram recebidos exatamente como a moeda falsificada é, a partir de sua semelhança com o genuíno.

Essa mesma Falácia frequentemente é utilizada pelo lado oposto: uma tentativa é feita para invalidar algum argumento a partir do Exemplo, ao indicar uma diferença entre os dois casos, embora eles concordem em cada coisa que é essencial à questão.

Cálculo de probabilidades. Deve ser acrescentado que nós frequentemente podemos ser enganados, não somente ao admitir uma premissa que está absolutamente sem suporte, mas também, ao atribuir a uma que é realmente provável, um grau maior de probabilidade do que corretamente pertence a ela. E esse efeito frequentemente será produzido ao se omitir o cálculo das probabilidades em cada passo sucessivo de uma longa cadeia de argumento, e sendo em cada um, (ver §11), engando pela Falácia da Divisão. Cada premissa sucessivamente introduzida, pode ter, como explicado acima, um excesso de chances a seu favor, e, [231]contudo, a conclusão final pode ter uma grande preponderância contra ela; ou seja, “Todos os Y são (provavelmente) X: todos os Z são (provavelmente) Y: portanto, todos os Z são (provavelmente) X:” agora suponha que a verdade da premissa maior seja mais provável; em outras palavras, que as chances dela são maiores do ½; digamos 4/7; e para a verdade da menor, que as chances sejam ainda maiores; digamos, 2/3: então ao multiplicarmos os numeradores, e também os denominadores dessas duas frações, 4/7 x 2/3, nós obtemos 8/21, como indicação do grau de probabilidade da conclusão; o qual é menor que ½; ou seja, a conclusão é menos provável de ser verdadeira. Ou seja, “Os relatos que este autor ouviu são (provavelmente) verdadeiros; isto (alguma coisa que ele registra) é um relato que ele (provavelmente) ouviu; portanto, é verdadeiro;” suponha, primeiro, a maioria dos relatos que ele ouviu, - como 4 de 7, (ou 12 de 21,) - sejam verdadeiros; e, em seguida, que ele geralmente, - como duas em três vezes, - (ou 8 em 12,) - repete fielmente o que ele ouviu; segue-se que, de 21 de seus relatos, somente 8 são verdadeiros.

É claro, os resultados são proporcionalmente impressionantes quando há uma longa série de argumentos nessa descrição. E contudo raciocinadores fracos e irrefletidos são frequentemente influenciados pela audição de uma grande quantidade argumentada, - um grande número de probabilidades apresentadas, em suporte de alguma conclusão; ou seja, uma longa cadeia, da qual cada elo sucessivo é mais fraco que o anterior; em vez disso (com o que eles confundem-se), uma acumulação de argumentos, cada um, separadamente, provando a certeza ou probabilidade, de alguma conclusão.5

[232]Por último, pode ser aqui observado, conformavelmente com o que foi dito anteriormente, que frequentemente será deixada à nossa escolha se referir esse ou àquele argumento falacioso à categoria [233]presente, ou àquela do Termo médio ambíguo; “se o meio termo é usado aqui neste sentido, há uma ambiguidade; se naquele sentido, a proposição é falsa.”


Próxima parte


ORIGINAL:

WHATELY, R. Elements of Logic. New Edition. Boston and Cambridge: James Munroe and Company, 1859. p.223-233. Disponível em: <https://archive.org/details/elementsoflogicc00whatuoft/page/223/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

1 Pol. Econ. Lect. IX. p. 253.

2Post hoc; ergo, propter hoc.

3 Ver Apêndice, No. I. Artigo Razão.

4 Dugald Stewart.

5 A falácia conversa é tratada abaixo no §18. Quando realmente há vários argumentos distintos e independentes, não incompatíveis, e não conectados, cada um separadamente comprovando a probabilidade da mesma conclusão, nós computamos, a partir de nossa estimativa do grau de probabilidades de cada um, a força conjunta [cumulativa] deles, através do mesmo tipo de cálculo que o acima, somente invertido: quer dizer, como no caso de duas premissas prováveis, a conclusão não está estabelecida exceto a partir da suposição de ambas serem verdadeiras, assim no caso de duas (e o mesmo vale para qualquer número) indicações distintas e independentes da verdade de alguma proposição, a menos que ambas falhem, a proposição tem de ser verdadeira: portanto, nós multiplicamos as frações indicando a probabilidade de falha de cada uma, - as chances contra ela; - e o resultado sendo as chances totais contra o estabelecimento da conclusão por esses argumentos, essa fração sendo deduzida da unidade, o restante fornecer a probabilidade dela. Por exemplo, conjectura-se que um certo livro seja de tal e tal autor, em parte, 1º a partir de sua semelhança em estilo com seus trabalhos conhecidos, em parte (2º) a partir de ser atribuído a ele por alguém provavelmente de estar muito bem informado: que a probabilidade da Conclusão, como deduzida desses argumentos por si mesma, seja suposta 2/5, e, no outro caso, 3/7; então as probabilidades opostas serão, respectivamente, 3/5 e 4/7; as quais multiplicadas resultam em 12/35, como a probabilidade contra a Conclusão; ou seja chance de que o trabalho pode não ser dele, a despeito daquelas razões para acreditar que é: e, consequentemente, a probabilidade em favor da conclusão será de 23/35; ou aproximadamente 2/3.Observe-se, contudo, que, em alguns casos, um argumento perfeitamente distinto surge a partir da combinação de certas circunstâncias, as quais têm, cada uma separadamente, pouca ou nenhuma força, com respeito ao estabelecimento de uma conclusão a qual todavia poder ser inferida, talvez com uma certeza moral, a partir daquela combinação, quando essas circunstâncias são tais que as chances são muito grandes contra seu concurso acidental. Por exemplo, quando duas ou mais pessoas, pouco dignas de crédito, coincidem (onde conspiração seria impossível) em detalhamento completo e circunstancial de alguma transação. (ver Rhet. Part I. Ch. ii. §4.)