terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Uma História da Estética - Prefácio e Índice

Uma História da Estética


Por Bernard Bosanquet


[xi]Prefácio


A teoria estética é um ramo da filosofia, e existe pelo bem do conhecimento e não como um guia para a prática. Portanto, o presente trabalho é primeiramente endereçado àqueles que podem encontrar um interesse filosófico no entendimento do lugar e valor da beleza no sistema da vida humana, como concebida pelos principais pensadores em diferentes períodos da história do mundo. É importante insistir que o filósofo esteta não comete a impertinência de invadir o domínio do artista com um apparatus belli de princípios e preceitos críticos. A opinião de que isso é assim traz muito descrédito sobre a estética, o qual seria completamente merecido se a opinião fosse verdadeira. É dito a nós que a arte é inútil; em um sentido irmanado, a estética pode bem se submeter a ser inútil também. Em resumo, o teórico estético deseja entende o artista, não para interferir com o segundo, mas para satisfazer um interesse próprio seu.

Mas além de estudantes professados de filosofia, há um público grande e crescente de leitores que são genuinamente atraídos pela exposição justamente clara e conectada de qualquer ciência filosófica cujo o assunto seja familiar a eles, seja ela lógica ou ética, sociologia ou a teoria da religião. Tais leitores estão abordando a filosofia através do assunto que já lhes interessa, em vez de abordarem o assunto particular porque ele é uma parte integral da filosofia. Eu confesso acalentar uma esperança de que, a despeito dos defeitos que privam este livro do charme que um escritor mais habilidoso poderia ter concedido a esse assunto, muitos amantes inteligentes do belo estarão felizes em se familiarizarem, através dele, com os pensamentos de grandes homens sobre esse elemento importante do mundo espiritual.

Contudo, eu tenho considerado minha tarefa como a história da estética, e não como a história dos estetas. Eu não prestei muita atenção às reivindicações de justiça histórica. Embora eu sinta-me seguro de que nenhum escritor da primeira classe seja omitido, eu não pude me aventurar a dizer que todos os [xii]escritores incluídos são mais importantes do que qualquer um que está excluído. Eu primeiro considerei o arranjo necessário ou conveniente para exibir a afiliação de ideias, e as formas mais completas delas, e apenas em segundo lugar a classificação e o mérito individual dos escritores a serem tratados.

Além disso, como o primeiro capítulo mostrará, eu não fui capaz de persuadir a mim mesmo para tratar meu tem como um mero relato de teoria especulativa. Nenhum ramo da história da filosofia pode ser adequadamente tratado dessa maneira, e a história da estética ainda menos. Portanto, meu objetivo foi exibir a opinião filosófica como apenas a forma clara e cristalizada da consciência estética ou do senso de beleza, o qual em si mesmo é determinado pelas condições que jazem profundamente na vida das épocas sucessivas. De fato, até onde possível, eu desejei escrever a história da consciência estética.

Muitos leitores poderão reclamar da ausência quase total de referência direta à arte oriental, quer no mundo antigo, quer na China e no Japão modernos. Para essa omissão há várias razões conectadas. Eu dificilmente fui convocado, mesmo se eu tivesse sido competente para a tarefa, para lidar com uma consciência estética que, para o meu conhecimento, não tivesse alcançado o ponto de ser clarificada em teoria especulativa. Além disso, era necessário limitar o meu assunto de alguma maneira definida; e pareceu natural excluir tudo que não influenciasse o desenvolvimento contínuo da consciência-arte europeia. Na medida que a arte oriental influenciou a Grécia primitiva, e novamente o desenvolvimento bizantino, uma referência a isso está implicada no tratamento de Hegel e Morris desses períodos. E finalmente, essa omissão não é sem um fundamento positivo, embora aqui eu realmente toque em um assunto que está além da minha competência. A separação da vida das raças progressivas, e a ausência de uma teoria reflexiva da beleza, certamente tem de ter uma conexão fundamental com o caráter não arquitetural identificado pelo sr. Morris na arte da China e do Japão. Portanto, sem negar a sua beleza, eu considerei-a como algo a parte, e não bem capaz de ser trazida para a mesma história conectada do sentimento europeu pelo belo. Um estudo dessa arte, por uma mão competente, à luz da teoria estética, seria um auxílio bem-vindo à especulação moderna.

Com referência ao meu uso de autoridades, embora frequentemente haja mais egoísmo do que modéstia em convocar o público para testemunhar o curso da leitura de um autor, eu sinto-me absolutamente obrigado nesse caso a avisar aos meus leitores que a confiabilidade das partes diferentes da minha obra é desigual. Para o período medieval entre Plotino e Dante e, em um grau menor, [xiii]para o período helenístico entre Aristóteles e Plotino, meu conhecimento não é, pela maior parte, de primeira mão, e representa uma viagem de descoberta em vez de uma jornada em um solo familiar para mim. Para esses períodos, eu não fui capaz de seguir a regra dourada do erudito – nunca citar de um livro que ele não tenha lido de capa a capa. Eu extraí minhas citações de obras de referência e embora eu tenha, como uma regra, verificado-as cuidadosamente e tentado julgar o contexto, minha estimativa da posição do escritor usualmente depende da autoridade, em muitos casos, History of Philosophy de Erdmann e os artigos na Encyclopaedia Britannica, os quais eu consultei em busca de informação. No caso de Tomás de Aquino, em particular, eu não professo absolutamente nenhum conhecimento original. As citações muito completas muito cortesmente fornecidas a mim pelo dr. Gildea parecerem significantes demais para não serem usadas, e a autoridade dele autorizou-me a supor que os principais materiais para formar um julgamento estavam diante de mim nessas passagens. Eu não desejo ser entendido que ele concorde comigo na estimativa que eu formei das visões da estética de São Tomás.

Eu considero que teria sido tolo omitir os pontos mais óbvios do desenvolvimento medieval, tanto em arte quanto em opinião, a mera menção dos quais poderia ser sugestiva para meus leitores, simplesmente porque eu tive de os tomar de escritores como o prof. Adamson, o prof. Seth, o prof. Middleton, o sr. Morris e o sr. Pater, e não de pesquisa original. Alguma divisão de labor tem de ser admitida, embora o fato de que se tenha de recorrer a isso sempre tenha de ser tornado conhecido.

Reconhecimentos por assistência são devidos acima de todos ao prof. A. C. Bradley, quem não apenas me forneceu uma lista livros que têm sido de máxima utilidade, mas emprestou-me da sua própria biblioteca muitos daqueles livros, os quais, de outra maneira, eu poderia ter tido dificuldade em adquirir. Eu também devo os agradecimentos mais cordiais ao sr. J. D. Rogers, pela permissão de incluir em um apêndice suas análises de expressão musical – modelos, como eu considero, do que tais análises deveriam ser – e ao dr. Gilea, pela informação mencionada acima. E finalmente, é apenas correto dizer que é no Council of the Home Arts and Industries Association, e em contato com seus trabalhados, que eu aprendi a apreciar, como eu espero, com algum grau de justiça os escritos do sr. Ruskin e do sr. Morris, os quais facilmente permanecem um livro selado para aqueles que não observaram em casos simples a relação do artesanato (workmanship) com a vida. Muitos leitores que são familiares com o trabalho [xiv]médio das classes dessa Associação, podem pensar que ela não revele nenhum mistério de beleza; mas eu estou convencido de que os líderes da Associação tem intuição correta, e que a experiência, em uma extensão crescente, está justificando os princípios deles.


Londres, Abril de 1892.


Prefácio à Segunda Edição


Meu dever principal na preparação de uma segunda edição desta obra foi remover tanto quanto possível, através de correções na forma de notas, os defeitos que surgiram a partir da sua publicação antes do tratado sobre Aristotle’s Theory of Poetry and Fine Art do professor Butcher. Eu não tenho pretensão de reescrever, visto que seria impossível para eu tentar seriamente a tarefa. Portanto eu deixei o texto permanecer, exceto em caso de erros de impressão óbvios, e ter admitido erros ou feito observações sobre críticas em notas adicionadas aos capítulos aos quais elas dizem respeito. Essas notas estão indicadas por letras do alfabeto, e eu espero que elas serão prontamente distinguidas das notas de rodapé indicadas por números. A encontrar uma referência “a,” o leitor apenas tem de se voltar para a última página do capítulo diante dele, onde ele encontrará a nota referida.

Eu não considero que a minha visão geral da relação entre a estética antiga e moderna seja seriamente afetada pelo tratamento de Aristóteles pelo professor Butcher, embora minha teoria estética no todo seja corroborada por ele. Como um adorador dos gregos, eu apenas fico feliz demais de o seguir em relação à atribuição no todo de uma sugestividade mais profunda às visões deles do que eu anteriormente tinha permitido a eu mesmo encontrar ali. Em minha ansiedade para não ir tão longe, eu dificilmente posso ter ido suficientemente longe. De qualquer modo, eu desejo dizer que minhas referências à obra dele não possam possivelmente desencorajar um leitor que se importa com o assunto do dever e prazer de a estudar por si mesmo.

Eu não tentei modificar minha interpretação da definição de tragédia por Aristóteles, a qual é simplesmente aquela de Bernays. O professor Butcher desenvolveu uma modificação dessa visão, a qual o estudante deveria aprender a partir da obra do professor Butcher.

Eu espero que o fato de uma segunda edição de uma obra como esta estar sendo demandada indique que, com todos os seus defeitos, ela tem um ponto de vista que é sentido ser valioso. E eu espero que esse ponto de vista logo possa vir a ser mais efetivamente apresentado por críticos mais capazes e escritores mais atraentes do que o autor.


St. Andrews, Março de 1904.


ÍNDICE1


Capítulo I Tratamento Proposto, e sua Conexão com a Definição de Beleza 1

Capítulo II A Criação de um Mundo Poético, e o seu Primeiro Encontro com a Reflexão 10

Chapter III The Fundamental Outlines of Greek Theory concerning the Beautiful 16

Chapter IV Signs of Progress in Greek Theory concerning the Beautiful 43

Chapter V Alexandrian and Greco-roman Culture to the Reign of Constantine the Great 77

Chapter VI Some Traces of the Continuity of the Aesthetic Consciousness throughout the Middle Ages 120

Chapter VII A Comparison of Dante and Shakespeare in Respect of Some Formal Characteristics 151

Chapter VIII The Problem of Modern Aesthetic Philosophy 166

Chapter IX The Data of Modern Aesthetic Philosophy 188

Chapter X Kant – The Problem brought to a Focus 255

Chapter XI The First Steps of a Concrete Synthesis – Schiller and Goethe 288

Chapter XII Objective Idealism. Schelling and Hegel 317

Chapter XIII “Exact” Aesthetic in Germany. Schopenhauer to Stumpf 363

Chapter XIV The Methodical Completion of Objective Idealism 393

Chapter XV Beginnings of a Theoretical Reunion between Content and Expression 441


ORIGINAL:

BOSANQUET, B. A History of Aesthetic. London: George Allen & Unwin LTD. New York: The MacMillan Company, 1904. p. xi-xiv. Disponível em: <https://archive.org/details/historyofaesthet003174mbp/page/n14/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.

Filosofia Grega. Parte I: De Tales a Platão - Prefácio e Conteúdos

Filosofia Grega. Parte I: De Tales a Platão


Por John Burnet


[v]Prefácio


A preparação deste volume foi empreendida há alguns anos, mas foi interrompida pelo meu trabalho no Lexicon Platonicum, o qual se provou uma tarefa mais formidável do que foi inicialmente antecipada. Eu tenho de agradecer ao editor desta série e às editoras por seu favor generoso nas circunstâncias.

Em alguns aspectos é lamentável que eu tenha sido obrigado a lidar com certas partes do assunto em uma forma que não admite argumento detalhado e, ainda menos, controvérsia. A segunda edição da minha Early Greek Philosophy (referida como E. Gr. Ph.2) torna isso em grande medida desnecessário no Livro I, mas há certas partes do Livro III, onde eu tive de afirmar minhas conclusões sem detalhes na esperança de que depois eu possa ter uma oportunidade de discutir os fundamentos delas. Meu objetivo principal pelo presente foi auxiliar estudantes que desejam adquirir um conhecimento em primeira mão do que Platão efetivamente diz nos diálogos da sua maturidade. Enquanto eles estiverem contentes de conhecer alguma coisa da República e dos diálogos iniciais, o platonismo tem de ser um livro selado para eles.

Eu não considerei bom apresentar os nomes gregos em uma vestimenta latina. Eu não vejo nenhuma vantagem, e muitas desvantagens, em escrever Herakleitos como Heraclitus. Isso frequentemente leva a ele ser nomeado erroneamente, como usualmente é o imperador Herakleios, [vi]quando disfarçado como Heraclius. Por outro lado, os títulos latinos dos diálogos de Platão são palavras inglesas. Theaitetos de Atenas é melhor deixado com o belo nome escolhido para ele por seu pai Euphonios, mas “o” Theaetetus é tão inglês quanto Thessalonians. Parece que nunca nós deveremos alcançar acordo sobre essa questão; eu apenas desejo explicar minha própria prática.

Eu tenho de agradecer a meu amigo e antigo colega, sir Henry James, por muitas sugestões valiosas e, acima de tudo, pelo seu encorajamento constante. O sr. Hetherington da Universidade de Glasgow foi bom o suficiente para verificar minhas referências, e as provas foram cuidadosamente lidas pelo sr. W. L. Lorimer, preletor em grego da Universidade de St. Andrews. Quanto às imperfeições que restam, eu sou o único responsável.


J.B.


CONTEÚDOS1


Introdução 1

Livro I O Mundo

Capítulo I Os Jônios 17

Capítulo II Pitágoras 37

Capítulo III Heráclito e Parmênides 57

Capítulo IV Os Pluralistas 69

Capítulo V Eleatas e Pitagóricos 82

Capítulo VI Leucipo 94

Book II Knowledge and Conduct

Chapter VII The Sophists 105

Chapter VIII The Life of Sokrates 126

Chapter IX The Philosophy of Sokrates 151

Chapter X The Trial and Death of Sokrates 180

Chapter XI Demokritos 193

Book III Plato

Chapter XII Plato and the Academy 205

Chapter XIII Criticism 234

Chapter XIV Logic 273

Chapter XV Politics 290

Chapter XVI The Philosophy of Numbers 312

Chapter XVII The Philosophy of Movement 333


ORIGINAL:

BURNET, J. Greek Philosophy. Part I Thales to Plato. London: MacMillan and Co., Limited, 1928. p. v-vi. Disponível em: <https://archive.org/details/greekphilosophyp0000burn/page/n10/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.

Contornos da História da Ética para Leitores Ingleses - Prefácio e Conteúdos

Contornos da História da Ética para Leitores Ingleses


Por Henry Sidgwick


[v]Prefácio


O núcleo deste pequeno livro é formado por um artigo sobre “Ética” que eu escrevi há alguns anos para a Encyclopaedia Britannica. Eu descobri que, na opinião de pessoas cujo julgamento tinha peso comigo, este artigo parecia provável de satisfazer as necessidades de estudantes ingleses desejosos de obterem um conhecimento geral da história do pensamento ético: portanto, pela permissão dos senhores Black, os editores da Encyclopaedia Britannica, eu reimprimi-o nesta forma separada. Ao fazer isso, eu alterei-o e ampliei-o consideravelmente: mas, após alguma hesitação, eu determinei-me a aderir aos contornos principais do artigo original, de acordo com o qual o capítulo (IV) lidando com o período moderno está principalmente confinado à ética inglesa, e apenas lida com sistemas éticos estrangeiros de uma maneira subordinada, como fontes de influência sobre o pensamento inglês. Eu adotei essa resolução parcialmente porque me pareceu que o mérito do meu artigo – se ele teve algum – está em uma certa unidade compacta de movimento, a qual [vi]inevitavelmente seria perdida se eu tentasse incluir um tratamento de moralistas franceses e alemães em uma escala correspondente ao meu tratamento dos moralistas ingleses: embora, ao mesmo tempo, uma porção considerável1 do que eu omiti dessa maneira pareceu-me ter um interesse distintamente subordinado para leitores ingleses, quando comparado com o que eu inclui. Eu deveria explicar adicionalmente que, por razões um pouco similares, eu tive dificuldade para manter a ética tão separada quanto eu convenientemente pude da teologia e metafísica, e também da política; contudo, essa separação é menos completa em algumas partes do assunto do que em outras; por exemplo, ao lidar com o período medieval, as relações da ética com a teologia são necessariamente mais proeminentes do que no período moderno. Finalmente, eu talvez possa dizer que, do começo ao fim, eu visei à maior imparcialidade e “objetividade” possíveis de tratamento; e, para melhor alcançar esse resultado, eu não tentei lidar com modos contemporâneos de pensamento ético – com os quais eu estive engajado em controvérsia – exceto de uma maneira muito breve e sumária.

Na maior parte do livro – ou seja, na de longe maior parte do capítulo II, em quase todo o capítulo IV, [vii]e em um pouco do capítulo III – a minha exposição está primariamente baseada em meu próprio estudo dos autores originais. Onde esse não é caso, eu tentei guardar-me do erro de comparar diferentes historiadores da filosofia, e referir-me aos autores originais sempre que essa comparação me deixou duvidoso. E por toda parte eu tentei corrigir e suplementar os resultados do meu próprio estudo comparando-os com as visões expressas em outros trabalhos históricos. Eu estou especialmente em dúvida, com respeito ao capítulo II, com a Geschichte der Grieschischen Philosophie de Zeller; mas, revisitando o capítulo, eu também derivei sugestões uteis a partir de Geschichte der Ethik de Ziegler, e de um excelente pequeno livro sobre o epicurismo pelo sr. Wallace. A explicação da moralidade cristã no capítulo III foi naturalmente derivada a partir de fontes numerosas demais para mencionar; mas para uma ou duas declarações nele, eu certamente estou em débito com History of European Morals de Lecky. A explicação da ética medieval no mesmo capítulo foi principalmente composta, no artigo original, através do auxílio de Neander e Wuttke; mas, revisitando-o, eu tive o auxílio valioso da Chistiliche Ethik de Gass2. No período moderno, eu derivei sugestões da Geschichte der Ethik, de Jödl, dos Principles of Morals, por Wilson e Fowler, de um pequeno livro [viii]do sr. Fowler sobre Shaftesbury e Hutcheson, de outro do mesmo tipo sobre Hobbes, pelo sr. Croom Robertson, e de Pessimism, do sr. Sully; assim como das englobantes histórias da filosofia por Ueberweg e Erdmann. Eu também tenho de expressar meu reconhecimento com amigos e correspondentes por conselhos que eles me concederam em várias partes da obra: especialmente para lorde Acton; para R. D. Hicks, Esq., Fellow do Trinity College, Cambridge; e para o Rev. Alexander Stewart, de Mains, Dundee, gentilmente me auxiliou lendo as provas do livro.


Ao revisar este livro para uma segunda edição, eu tentei tirar vantagem de toda a crítica que chegou à minha atenção; e, em consequência, fiz várias modificações menores em minhas declarações. Essas foram principalmente no capítulo II (“Ética Grega e Greco-romana”); mas eu também reescrevi uma grande parte da explicação da doutrina de Kant no capítulo IV. Para evitar mal-entendidos, eu talvez devesse explicar que minhas mudanças não necessariamente implicam uma admissão de que minhas declarações prévias estivessem errôneas; eu tentei evitar objeções que até me parecessem infundadas, se eu considerasse que eu poderia fazer isso sem sacrificar nada que fosse importante em minha própria visão.

Duas críticas diferentes tinham sido passadas sobre a [ix]“Consideração Geral do Assunto” no capítulo I, por escritores cujas visões merecem consideração respeitosa. Um crítico americano – sr. H. M. Stanely – diz que “o capítulo não é caracterizado por aquela objetividade de tratamento que o escritor afirmou ser o seu método. O seu espírito é dogmático em vez de histórico. Alguém que é simplesmente um historiador não deveria fornecer a sua própria concepção da ciência da ética e discutir o seu assunto de acordo, como o professor Sidgwick parece fazer.” Por outro lado, o professor Wallace (Mind, vol. xi, p. 471) fala desse capítulo como sendo “pouco mais do que um resumo abstrato dos fatos apresentado em outros pontos do livro sob o seu aspecto histórico.” Ao que eu visei nesse capítulo foi uma coisa intermediária entre essas duas descrições do que eu efetivamente fiz. Eu visei a fornecer não “minha própria concepção,” mas uma concepção que seria geralmente aceita como adequadamente imparcial e compreensiva por pensadores de diferentes escolas no presente; enquanto que, para tornar essa definição introdutória mais útil para estudantes históricos da ética, eu tentei indicar brevemente a ordem e maneira através das quais os diferentes elementos na nossa concepção presente do assunto foram historicamente desenvolvidos.

Em conclusão, eu novamente tenho de expressar minhas obrigações com o sr. R. D. Hicks pela assistência valiosa que ele me concedeu na revisão do capítulo II.


[x]Na terceira edição, a alteração principal que eu fiz consistiu em alargar materialmente as minhas explicações das doutrinas de Hume e Adam Smith. Eu também mudei a minha opinião sobre um ponto de alguma importância na história do utilitarismo: eu agora estou disposto a aceitar a postumamente publicada Deontology de Bentham como fornecendo uma explicação geralmente confiável da visão dele quanto à relação da virtude com a felicidade do agente virtuoso. Adicionalmente – além da correção de alguns erros de impressão e erros clericais, e tentar remover algumas estranhezas de expressão – eu modifiquei ou expliquei umas poucas declarações que correspondentes criticaram como obscuras ou enganadoras. Eu sou grato por tais críticas, às quais eu sempre desejo conceder atenção respeitosa.


Na quarta edição, eu fiz apenas alterações verbais; por várias das quais eu estou em dívida com a sra. Jones do Girton College, quem amavelmente me auxiliou na revisão.


H. SIDGWICK


CONTEÚDOS3


Introdução xvii

Capítulo I Consideração Geral do Assunto 1

Chapter II Greek and Greco-Roman Ethics 12

§§1-4 Pré-socráticos, Sofistas, Sócrates & Socráticos

Chapter III Christianity and Mediaeval Ethics 109

Chapter IV Modern, chiefly English, Ethics 158


ORIGINAL:

SIDGWICK, H. Outlines of the History of Ethics for English Readers. London: MacMillan and Co., Limited, New York: The MacMillan Company, 1906. p.v-x. Disponível em: <https://archive.org/details/outlinesofthehis00sidguoft/page/n10/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[vi]Eu chamo atenção para as palavras “uma porção considerável” porque elas foram desconsideradas por um analista que selecionou essa sentença para crítica severa. A omissão delas substitui uma opinião que eu deverei considerar como indefensável por uma que eu ainda considero quase incontroversa.

2[vii]Eu também devo mencionar Geschichte der Philosophie des Mittelalters de Stöckl, como um livro a partir do qual eu derivei assistência ocasional.

3Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes. Devido às suas extensões consideráveis, os capítulos II, III e IV serão divididos em postagens diferentes, através do agrupamento de seus parágrafos contíguos em subseções tematicamente contínuas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Caminhos - Prefácios e Conteúdos

Caminhos: Por que a Vida está Preenchida com tantos Desvios?


[ix]Prefácio: Os Caminhos pelos quais Nós vivemos


Durante a última geração, e com o advento da interconectividade de pessoas, instituições e ideias através de redes (webs) de computadores, metateorias baseada em rede de todos os aspectos das ciências começaram a florescer, desde mecanismos metabólicos até cocitações de autores. Agora, a ciência de redes de níveis diferentes de abstração floresce em modelos matemáticos, físicos e biológicos, assim como em teorias sociais. Há muitas estrelas brilhantes da ciência húngara neste caminho desde László Lovász, László Barabási Albert, János Kertész até Péter Csermely e György Buzsáki. Este pequeno livro, de outro trio húngaro – András Gulyás, Zalán Heszberger e József Bíró – dá outra olhada nesses desenvolvimentos. A perspectiva deles não é a rede mesma, mas as rotas pelos padrões de disparos neuronais, apertos de mão ou ativações de palavra para chegar de um nó a outro na rede.

Os caminhos (Paths) têm sido a ideia central de muitas ciências sociais por mais de uma centena de anos. Um dos métodos mais fundamentais da psicologia comparativa da cognição animal foi e continuar a ser a aprendizagem de labirinto (maze learning) introduzida em 1901 na psicologia. Por um longo tempo, nós a tratamos como um caminho para o estudo do mecanismo universal de aprendizagem. Hoje em dia, nós compreendemos que ela é a chave para entender como os mamíferos são capazes de internalizar diferentes caminhos possíveis em seu mundo cheio de pistas (cues) de orientação e valências de objetos. Os caminhos são usados por animais para organizar o conhecimento sobre as atividades deles como para onde ir e o que fazer.

Esses caminhos de pesquisa conduziram à busca de caminhos neurais no cérebro, assumindo estruturas cerebrais especializadas responsáveis pelos mapas cognitivos supostos há muito tempo. Este livro apresenta os caminhos conectando as palavras nos léxicos e na mente, os caminhos levando do corona até a morte durante a pandemia. Vários pesquisadores, incluindo György Buzsáki na Universidade de Nova York, têm esperança de que esses recentes caminhos cognitivos, baseado em significado, estejam vinculados às redes cerebrais como os caminhos da floresta dos animais.

Este livro também apresenta o terceiro sistema de caminho importante em humanos, o único que leva alguém através do passado comum: os contatos instrumentais e emocionais com outra pessoa.

[x]Este pequeno livro, legível e facilmente acessível, enche o leitor com esperanças e promessas na direção do futuro da pesquisa de redes onde caminhos devem ser encontrados para relacionarem redes pessoais, conceituais e neuronais.

3 de maio de 2020, em Budakeszi, Hungria. No meio do confinamento (lockdown) de coronavírus.


Csaba Pléh


Psicólogo e Linguista Membro da

Academia Húngara de Ciências e Academia Europaea

Budakeszi, Hungria


Prefácio: A Jornada mais Longa


Diga-me, Mestre, há uma única palavra que alguém pode seguir por toda a sua vida? – uma vez voltou-se um dos seus discípulos para Confúcio. O mestre respondeu, “Não é mutualidade essa palavra?” O discípulo curvou-se silenciosamente e saiu contentemente.

A grande e solene palavra da mutualidade também é conhecida na nossa cultura ocidental; muito frequentemente, ela denota alguma relação bilateral. Essa relação é principalmente considerada válida pelos parceiros pela duração de uma específica ação em andamento. Com a sua aplicação anunciada, eles demonstram que eles levam ao máximo aspectos um do outro em consideração. A mutualidade é principalmente usada entre você e mim, ou entre mim e os outros. (De acordo com muitos, esse bilateralismo fino está profundamente enraizado na ideia de monoteísmo.) Depois que a ação (discurso ou ato) entre as duas partes ocorre, o conceito torna-se inválido e praticamente cessa até a próxima situação.

Na interpretação de Confúcio e dos seus seguidores, mutualidade é uma palavra muito mais significante. Na antiguidade chinesa, esse termo referia-se a um rede inteira de relacionamentos mútuos, uma combinação de caminhos e desvios, decisões e escolhas, junto com as consequências e repercussões que as seguem. Em contraste com a interpretação de uso casual, semelhante à ação, no estilo ocidental, Confúcio e seus seguidores nunca tratavam a mutualidade como um relacionamento bilateral restrito. Para eles, a mutualidade era um princípio profundo subjazendo ao Universo, uma Weltanschauung.

Essa antiga abordagem asiática tem outra característica definidora: a abordagem correlativa com o julgamento lógico modal. Esse pensamento se foca no relacionamento correlacionado de coisas adjacentes e admite múltiplos julgamentos (afirmações) válidos ao mesmo tempo. Isso está em intenso contraste com a lógica binária ocidental, onde apenas uma de duas afirmações pode estar correta, rejeitando a outra como incorreta. Uma terceira afirmação (se de qualquer maneira levantada) é excluída. Esse é o princípio do terceiro excluído, por Aristóteles. Em qualquer situação de tomada de decisão, contudo, a antiga lógica asiática sempre recomenda a aplicação da lei do terceiro intermediário. Essa lei significa que três ou mais afirmações podem ser simultaneamente válidas. Essa prudência de considerar todas as mudanças surge a partir da maneira de ver as coisas como interdependentes (ou em correlação umas com as outras.)

[xii]Bem, esse é precisamente o princípio que está faltando no pensamento europeu desde tempo imemorial! Ele leva em conta a terceira e quarta afirmações intermediárias: a ideia permissiva da validade concorrente de mais de uma afirmação. Em nossas situações de tomada de decisão, desde Aristóteles, nós consideramos uma afirmação ser válida (correta) ou não, sem nenhuma opção adicional.

Eu pergunto-me por quê? Porque nós precisamos da solução efetiva em todos os casos. Decisões que não providenciam a solução mais efetiva e rápida são consideradas como desvios ou caminhos equivocados aos olhos do herói ocidental, impaciente e faminto por progresso.

Esse modo de pensar nos trouxe aonde nós estamos. Nós temos progredido, progredido indubitavelmente, mas talvez rápido demais, tão rápido que provavelmente nós já ultrapassamos a linha de chegada. E não há caminho de volta; é impossível de corrigir. A nossa única opção é desacelerar, quer dizer, se nós tivermos uma gota de inteligência, pelo menos não corrermos para um futuro absolutamente não promissor roubado por eficiência, efetividade e crescimento intensificados e quase completamente privados das nossas condições de vida física e mental.

Nós fazemos isso mais espertamente se desacelerarmos o nosso progresso, se nós escolhermos um desvio para nossos objetivos. Essa desaceleração nos concede uma chance de mantermos o sendo comum do conceito de mutualidade no sentido mais amplo, uma oportunidade para sermos atentos, espertos e mesmo para pouparmos a nós mesmos e uns aos outros (não apenas semelhante à ação). Durante a tentativa delicada, cuidadosa e o saborear agradável dos caminhos e desvios nós até podemos chegar a conhecer melhor a natureza humana. Até agora, nós absolutamente não tivemos tempo para descobrirmos se essa coisa existe. “Ciência humana finalmente seria necessitada,” suspirou Ortega y Gasset amargamente depois da segunda grande tentativa de suicídio do genus humanum no século vinte.

E se nós entendermos melhor a palavra do poeta, escutemos Constantine Cavafy, quem aconselha que “Quando você parte na sua jornada para Ítaca, ore para que a estrada seja longa, cheia de aventura, cheia de conhecimento.” A jornada longa concede a você o maior presente da cidade.

Este livro é o guia mais sábio para caminhos: um livro fácil de entender, de presença e orientação intactas, não prejudicadas, e de organização amigável no mundo arriscado de um milhão de escolhas. Ele fornece exatamente a abordagem prudente centrada no relacional da qual o pensamento ocidental mais necessita hoje em dia.


Orientalista, Escritor, Pessoa de Mídia Húngara László Sári (a.k.a. Su-la-ce)

Budapeste, Hungria

10 de abril de 2020


[xiii]Agradecimentos


Nós gostaríamos de desejar obrigados especiais aos nossos país e avós, por nos mostrarem seus caminhos e ajudarem a suavizar os nossos. Nós temos de expressar a nossa gratidão muito profunda por muitas das ideias uteis e discussões frutíferas a Zsófia Varga, Attila Csoma, Antal Heszberger, Gabriella F. Kiss, Attila Kőrösi, István Pelle, Dávid Szabó, e Gábor Rétvári. Nós somos gratos pela cuidadosa leitura atenta e comentários amáveis de István Papp, Csaba Hős, Claudia Molnár, Attila Mertzell, László Gulyás, Mariann Slíz, Alessandra Griffa, Andrea Avena-Königsberger, Levente Csikor, Márton Novák, Dávid Klajbár, Valentina Halasi, Máté Csigi, Erzsébet Győri, Tamás Csikány, István Bartolits, Alija Pasic, Alexandra Balogh, Rudolf Horváth e Mária Marczinkó.

Obrigados especiais vão para Anne Comment, nossa sempre presente Gerente de Publicação na coordenação do projeto do livro, e para Kathleen Moriarty, nossa Editora de Cópia, por sua leitura cuidadosa e ajuda inestimável na revisão do manuscrito final. Gratidão especial para Lajosné F. Kiss, pela criação de ilustrações fantásticas.


[xiv]Isenção de Responsabilidade


Este livro não intenciona comunicar nenhum consenso científico sobre caminhos. De fato, não há consenso sobre caminhos. As ideias apresentadas aqui, embora fundamentadas principalmente em dados do mundo real, refletem primariamente a imagem subjetiva (algumas vezes especulativa) dos autores sobre o mundo. Este trabalho foi intencionado para entreter, inspirar e persuadir o leitor a pensar criticamente sobre a natureza em caminhos tomados por pessoas assim como muitas outras entidades na vida.


CONTEÚDOS1


Capítulo 1 Introdução: Caminhos Longos e Sinuoso1

Capítulo 2 Todos amam Desvios 5

Capítulo 3 A Floresta de Escolhas Alternativas 11

Capítulo 4 Direto ao Ponto: Um Capítulo Curto sobre os Caminhos mais Curtos 17

Capítulo 5 Encontrando o seu Caminho através do Labirinto 21

Capítulo 6 No Rastro da Natureza: Coletando Evidência Científica 29

Capítulo 7 A Natureza Universal dos Caminhos 45

Capítulo 8 Maravilhosas Descobertas Científicas: Aspirina, Rebanhos, Comunicação Empresarial e Outras 67

Capítulo 9 Caminhos para o Modo pelo qual Nós Vivemos, Ensinamos e Aprendemos 73

Capítulo 10 O Caminho é o Objetivo! + Coda - Final 79


ORIGINAL:

BIRÓ, J.; GULYÁS, A.; HESZBERGER, Z. Paths: Why is life filled with so many detours? Birkhäuser Cham, 2021. p. ix-xiv. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-47545-1>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.

Introdução à Filosofia Matemática - Prefácio, Nota do Editor e Conteúdos

Introdução à Filosofia Matemática


[xi]Prefácio


Este livro é intencionado essencialmente como uma “Introdução,” e não objetiva a fornecer uma discussão exaustiva dos problemas com os quais ele lida. Pareceu desejável apresentar certos resultados, até agora apenas disponíveis para aqueles que têm dominado o simbolismo lógico, em uma forma de ofertar o mínimo de dificuldade para o iniciante. O máximo esforço foi feito para evitar dogmatismo naquelas questões que ainda estão abertas a dúvida séria, e esse esforço, em alguma extensão, dominou a escolha dos tópicos considerados. Os começos da lógica matemática são menos definitivamente conhecidos do que as suas porções posteriores, mas são de interesse filosófico pelo menos comparável. Muito do que é apresentado nos capítulos seguintes não deve ser propriamente chamado de “filosofia,” embora as questões relacionados estivessem incluídas na filosofia enquanto nenhuma ciência satisfatória delas existia. Por exemplo, a natureza da infinidade e continuidade pertenceu em dias antigos à filosofia, mas agora pertence à matemática. No sentido estrito, a filosofia matemática não pode, talvez, ser considerada incluir aqueles resultados científicos definidos que têm sido obtidos nessa região; será esperado que a filosofia da matemática naturalmente lide com questões na fronteira do conhecimento, quanto às quais certeza comparativa ainda não foi alcançada. Mas especulação sobre essas questões dificilmente é provável de ser frutífera, a menos que as partes mais científicas dos princípios da matemática sejam conhecidas. Portanto, um livro lidando com essas partes pode reivindicar ser uma introdução à filosofia matemática, embora ele dificilmente possa reivindicar, exceto onde ele dê passos fora da sua província, estar atualmente lidando com uma parte da filosofia. No entanto, ele lida [xii]com um corpo de conhecimento que, para aqueles que o aceitam, parece invalidar muito da filosofia tradicional, e mesmo uma grande parte daquela que é corrente no dia presente. Dessa maneira, assim como através da sua influência sobre problemas ainda não resolvidos, a lógica matemática é relevante para a filosofia. Por essa razão, assim como por conta da importância intrínseca do assunto, algum propósito pode ser servido por uma consideração sucinta dos resultados principais da lógica matemática em uma forma não requerendo nem um conhecimento de matemática, nem uma aptidão para simbolismo matemático. Porém, aqui como em outros lugares, o método é mais importante do que os resultados, a partir de um ponto de vista de pesquisa ulterior; e o método não pode ser bem explicado no interior da estrutura de um livro tal como o seguinte. Deve ser esperado que alguns leitores fiquem suficientemente interessados para avançarem para um estudo do método pelo qual a lógica matemática pode ser tornada útil na investigação dos problemas tradicionais de filosofia. Mas esse é um tópico com o qual as páginas seguintes não tentaram lidar.


BERTRAND RUSSELL


[xiii]Nota do Editor


Aqueles quem, baseando-se na distinção entre filosofia matemática e a filosofia da matemática, pensam que este livro está fora de lugar na presente biblioteca, podem ser referidos ao que o autor mesmo diz sobre esse tema no Prefácio. Não é necessário concordar com o que ele sugere ali quanto ao reajustamento do campo da filosofia através da transferência de problemas tais como aqueles de classe, continuidade, infinidade dele para a matemática, para perceber a influência das definições e discussões que se seguem sobre o trabalho da “filosofia tradicional.” Se os filósofos não podem consentir em relegar a crítica dessas categorias a nenhuma das ciências especiais, é de qualquer maneira essencial que eles devam conhecer o significado preciso que a ciência da matemática, na qual esses conceitos desempenham uma parte tão grande, atribui a eles. Se, por um lado, há matemáticos para quem essas definições e discussões pareçam ser uma elaboração e complicação do simples, pode ser bom lembrar-lhes, a partir do lado da filosofia, que, aqui como em outros lugares, a simplicidade aparente pode ocultar uma complexidade que é tarefa de alguém, ou filósofo ou matemático, ou, como o autor deste volume, ambos em um, desvendar.


H. D. LEWIS


CONTEÚDOS1


Capítulo I A Série dos Números Naturais 1

Capítulo II Definição de Número 11

Capítulo III Finitude e Indução Matemática 20

Capítulo IV A Definição de Ordem 29

Capítulo V Tipos de Relações 42

Capítulo VI Similaridade de Relações 52

Capítulo VII Números Racionais, Reais e Complexos 63

Capítulo VIII Números Cardinais Infinitos 77

Capítulo IX Séries Infinitas e Ordinais 89

Capítulo X Limites e Continuidade 97

Capítulo XI Limites e Continuidade de Funções 107

Capítulo XII Seleções e o Axioma Multiplicativo 117

Capítulo XIII O Axioma do Infinito e os Tipos Lógicos 131

Capítulo XIV Incompatibilidade e a Teoria da Dedução 144

Capítulo XV Funções Proposicionais 155

Capítulo XVI Descrições 167

Capítulo XVII Classes 181

Capítulo XVII Matemática e Lógica – Final 194


ORIGINAL:

RUSSELL, B. Introduction to Mathematical Philosophy. London: G. Allen & Unwin, 1919. p. xi-xv. Disponível em: <https://archive.org/details/introductiontoma00russ/page/n10/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


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