domingo, 2 de março de 2025

Caminhos 8 Maravilhosas Descobertas Científicas: Aspirina, Rebanhos, Comunicação Empresarial e Outras

Caminhos: Por que a Vida está Preenchida com tantos Desvios?


Por József Biró, András Gulyás e Zalán Heszberger


Prefácios e Conteúdos


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[67]Capítulo 8 Maravilhosas Descobertas Científicas: Aspirina, Rebanhos, Comunicação Empresarial e Outras.


Além de argumentos filosóficos, alguém poderia pensar em uma série de possibilidades onde todas essas observações sobre caminhos poderiam ser usadas. Por exemplo, alguma vez você já se perguntou o que acontece no seu corpo depois que você engole uma aspirina? Tão incrível quanto isso parece, essa questão foi respondida apenas 74 anos depois do desenvolvimento do medicamento. Foi em 1897 quando o jovem químico dr. Felix Hoffmann conseguiu estabilizar o agente da aspirina. Depois de ser patenteada na Alemanha em 1899 e nos EUA em 1900, a aspirina começou o seu grande triunfo e tornou-se o analgésico mais popular por todo o mundo. Até Neil Armstrong levou uma pílula de aspirina quando foi à Lua na Apolo 11. No começo dos anos de 1970, mais e mais pesquisadores fizeram a pergunta: Como e onde a aspirina funciona no corpo? O farmacologista sir John Vane foi o primeiro a demonstrar o perfil de efeito clássico da aspirina, pelo que ele recebeu o Prêmio Nobel em 1982.

Qual é esse mistério nebuloso sobre o efeito de drogas? Bem, os efeitos e efeitos colaterais das drogas são principalmente caracterizados pelo caminho das moléculas com os quais a droga interage até que ela tenha o seu efeito-alvo. Comumente, as drogas são primeiramente convertidas nos assim chamados de metabólitos, os quais, em seguida, interagem com a rede metabólica das células.1 A rede metabólica é composta pelo labirinto de reações químicas em nossas células nas quais vários materiais são convertidos uns nos outros. Um caminho específico, ou conjunto de caminhos, nessa rede pode basicamente corresponder a uma cadeia de reações químicas acontecendo depois que alguém engole uma pílula. Por exemplo, após se tomar uma pílula, ela é rapidamente hidrolisada em ácido salicílico, o qual, por sua vez, passa por reações conjugantes gerando os principais ácidos salicilúrico e glicuronídeos. E esse é apenas o caminho principal do metabolismo da aspirina, há outros caminhos menores governando o processo metabólico inteiro e, dessa forma, os efeitos e efeitos colaterais da aspirina. Interessantemente, simples caminhos mais curtos na rede metabólica nem sempre refletem os fatos bioquímicos. Tais caminhos podem introduzir [69]atalhos biologicamente inviáveis [18]. Desse modo, um entendimento mais profundo da estrutura dos caminhos pode ser usado para estimar os efeitos colaterais das drogas mais cuidadosamente mesmo antes que alguém as tome.

[68]Fig. 8.1 Uma pequena porção do metabolismo humano, por Evans Love. [Com a permissão de Evans Love]

A soma dos caminhos cotidianos tomados pelas pessoas em grandes cidades para alcançarem os seus locais de trabalho ou casas constitui a carga que o transporte público e os sistemas de estrada transportam dia a dia. O conhecimento apropriado sobre esses caminhos pode suportar o design e a operação de tais sistemas e aproximar o comportamento deles em situações imprevistas, tais como mudanças de rede programadas, obras na estrada, desastres naturais ou paralisações de protesto. Na época dos planejadores de rotas de bolso alimentados por GPS, a suposição de que as pessoas usam os caminhos mais curtos para viajarem entre suas fontes e destinos parece mais do que razoável, ela parece um pouco óbvia. Recentemente, Shanjiang Zhu e David Levinson na Universidade de Minnesota decidiram verificar essa suposição [27]. Eles avaliaram os caminhos seguidos pelos residentes da área metropolitana de Minneapolis e St. Paul e tiveram uma observação interessante. Por alguma razão, as pessoas nem sempre usam o caminho mais curto possível para as jornadas delas. Eles descobriram que, se o destino fica perto (em torno de 1,5 km), 80% das pessoas seguem os caminhos mais curtos, os restantes 20% preferem uma viagem mais longa. Interessantemente, se o destino fica mais distante, a porção maior das pessoas tende a tomar a viagem mais longa comparada ao caminho mais curto. Por exemplo, se o destino fica em torno de 16 km de distância, então apenas em torno de 17-18% das pessoas seguem o caminhos mais curto, e a maioria delas escolherá um caminho mais curto. Desse modo, a alegação dos autores é que a disponibilidade de métodos de seleção de caminho baseados na suposição do caminho mais curto não pode revelar a maioria dos caminhos que os indivíduos tomam e eles promovem esforços futuros para a construção de melhores modelos para a seleção de caminhos e o aperfeiçoamento de serviços de transporte baseados neles.

Parece que não são apenas humanos que gostam de desvios. Temple Grandin, a famosa cientista autista, descobriu que o rebanho gosta de ir em rotas curvas e eles ficam relutantes para cruzarem passagens retas [11] por alguma razão. A habilidade de Grandin para pensar em imagens possibilitou que ela descobrisse os principais motivos e medos do rebanho quando colocado dentro de um sistema de curral. Os designs dela de sistemas de currais revolucionaram a indústria e hoje os padrões dela são amplamente adotados em instalações de manejo de rebanho através dos EUA. Em tais instalações, um procedimento importante é mergulhar o rebanho em um tanque cheio de água para os livrar de carrapatos. A maneira comum de fazer isso era ordenar o rebanho para o tanque através de um corredor reto feito de currais de bovinos. A despeito das boas habilidades de natação deles, muitos do rebanhos se afogavam no curso do mergulho, assim Grandin reprojetou o sistema de curral inteiro para o tornar mais confortável para o rebanho (ver fig. 8.2). Ela observou que o rebanho gosta de se mover ao longo de caminhos curvos, similarmente ao Chi. Assim, em vez de dirigir o rebanho para a cuba de imersão através de um caminho reto, ela usou caminhos levemente mais longos e curvos. Esses segmentos curvos acalmaram o rebanho, diminuíram significativamente seu nível de estresse, diminuindo desse modo a possibilidade de afogamento. Hoje em dia, é estimado que metade do rebanho nos Estados Unidos e no Canadá é manejado com equipamento que Grandin projetou.

[70]Fig. 8.2 Sistema de manejo para mergulhos de rebanhos com caminhos curvos. Como apareceu na publicação [11]. [Com a permissão de Temple Grandin]

[70]Similarmente à direção de rebanhos em sistemas de rebanho, o fluxo de informação entre os empregados poderia ser dirigido no interior de uma empresa. Por que não? Um pré-requisito da boa solução de problemas em organizações empresariais é a boa comunicação entre os empregados. Nós vimos no capítulo 7.6 que uma despercebida roda de disputa (a qual nada mais é do que um bando de empregados / entidades tomadoras de decisão usando uns aos outros como espantalho, comunicando-se entre si e passando a informação infinitamente uns para os outros) pode levar a um desastre de comunicação. A estrutura de uma organização certamente poderia ser aperfeiçoada baseada na informação sobre os caminhos de comunicação preferidos pelas pessoas. Por exemplo, as empresas poderiam empregar espantalhos de comunicação profissionais, cuja tarefa é baixar as fronteiras de comunicação entre as pessoas e assegurar uma cultura de comunicação mais fluente e menos estressante dentro da companhia. Apenas pense sobre especialistas em relações-públicas (RP), cujo trabalho é manter relações positivas entre a companhia e o público. Como nós vimos no capítulo 7.6, redes organizacionais usualmente têm uma forte hierarquia de suporte principal, no topo da qual aparecem os links informações entre empregados [3]. Em tais redes, os caminhos de comunicação e solução de problemas coincidem com os nossos achados sobre caminhos em outras redes. Embora redes sociais pareçam muito mais complicadas, há uma chance de que nós encontraremos características similares nos caminhos dos retuítes no Twitter2 ou nos caminhos de compartilhamento de postagens no Facebook. Tal conhecimento sobre caminhos em redes sociais pode ser usado para fortalecer e organizar melhor as comunidades humanas. A maneira como o cérebro humano processa informação e aprende é um dos grandes mistérios da vida. Na falta de dados relacionados a caminhos de dentro do cérebro, os neurocientistas usam principalmente caminhos mais curtos quando raciocinando sobre caminhos de processamento de informação no cérebro. Contudo, com a adoção de técnicas modernas de mensuração e visualização auxiliadas por computador (como DSI e fMRI), modelos mais realistas de caminhos [71]são propostos. Por exemplo, em um trabalho muito recente, Koenigsberger e outros argumentam que caminhos no cérebro deveriam estar em algum ponto entre difusão aleatória e caminhos mais curtos [1]. Essa observação coincide intensamente com os nossos resultados em outras redes. Embora o fim desse caminho pareça muito distante, a caracterização apropriada dos caminhos neurais dentro de cérebro pode levar-nos um passo mais perto da resolução do mistério desafiador do cérebro humano.

[71]Fig. 8.3 Visualização de uma parte do Twitter, por Elijah Meeks. [Com a permissão de Elijah Meed]


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ORIGINAL:

BIRÓ, J.; GULYÁS, A.; HESZBERGER, Z. Paths: Why is life filled with so many detours? Birkhäuser Cham, 2021. p. 67-71. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-47545-1>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


1[67]Ver fig. 8.1.

2[70]Ver fig. 8.3.

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