Elementos
de Lógica
Por
Richard Whately
[v]Anúncio
para a Nona Edição
Na
presente edição, umas poucas inserções e alterações de
expressão foram introduzidas em alguns lugares. Nesta e na edição
anterior, várias passagens foram transferidas dos locais que elas
anteriormente ocupavam para outros que pareceram mais adequados. E
uma breve, mas eu confio que clara, exposição foi adicionada (na
Intr. §4 e L. Iv, cap. i § 1,2) do caráter insustentável
de algumas objeções que foram recentemente revividas, de uma forma
um pouco diferente, contra a utilidade da ciência de maneira geral,
- contra a teoria silogística, - contra as explicações fornecidas
neste tratado sobre o raciocínio a partir da indução.
Essas
respostas (e também algumas observações adicionais sobre alguns
dos mesmos pontos, no §4 da Introdução [vi]aos
“Elementos de Retórica”) têm estado diante do público
por alguns anos agora; e como nenhuma tentativa de resposta foi
realizada, mesmo em edições subsequentes dos trabalhos mesmos
contendo as objeções, uma forte pressuposição é proporcionada
dessa maneira da correção das minhas visões.
O
leitor deve observar que [colchetes] denotam que a palavra assim
inclusa é equivalente em significado
àquela que a precede.
CONTEÚDOS
Introdução 1
Livro I Esboço Analítico da Ciência 25
Livro II Compêndio Sintético
Capítulo
I Das Operações da Mente e dos Termos 60
Chapter
II. Of Propositions 68
Chapter
III. Of Arguments 86
Chapter
IV. Supplement to Chapter III 107
Chapter
V. Supplement to Chapter I 132
Livro
III Sobre Falácias
Introdução
168
§§1-2
173
§§3-4
177
§5
181
§6
186
§7
190
§8
192
§9
197
§10
200
§11
213
§§12-13
218
§14
223
§15
233
§§16-17
240
§§
18-20 – Final do Livro 244
Book
IV. Dissertation on the Province of Reasoning
Chapter
I. Of Induction 252
Chapter
II. Of the Discovery of Truth 262
Chapter
III. Of Inference and Proof 290
Chapter
IV. Of Verbal and Real Questions 297
Chapter
V. Of Realism 305
[ix]Dedicatória
ao Alto Reverendo Edward Copleston, D. D. Lorde Bispo de Llandaff,
&c. &c.
Meu
Querido Lorde,
Enumerar
as vantagens que eu tenho derivado das suas instruções, tanto em
preleções regulares quando em conversação privada, seria
desnecessário para aqueles familiarizados com as partes e, para o
público, desinteressante. Meu objetivo no presente é simplesmente
reconhecer quão grandemente eu estou em débito com você com
respeito à presente obra; não meramente como tendo transmitido para
mim os princípios da ciência, mas também tendo contribuído com
observações, explicações e ilustrações, relativas aos pontos
mais importantes, a
uma quantidade tão grande que eu dificilmente posso considerar a mim
como o autor de mais do que metade daquelas porções do
tratado que não são [x]emprestadas
de publicações antigas. De fato, eu poderia ter desejado reconhecer
isso mais explicitamente, marcando com alguma
nota de distinção aquelas partes são menos minhas próprias. Mas
eu descobri que isso não poderia ser
feito. Na maioria dos casos, há alguma coisa pertencente a cada
um de nós; e mesmo naquelas
partes onde o seu quinhão é o maior, não seria justo que você
devesse ser tornado responsável por qualquer coisa não inteiramente
sua. Nem é possível, no caso de uma ciência, lembrar distintamente
em cada instância quão longe alguém esteve em dívida com as
sugestões de outro. Informação, quanto a questões de fato,
facilmente pode ser referida na mente à pessoa a partir de quem nós
a derivamos; mas verdades científicas, quando completamente
adotadas, tornam-se muito mais partes da mente, por assim dizer; uma
vez que elas dependem não da autoridade do instrutor, mas do
raciocínio a partir dos dados, os quais nós
mesmos fornecemos;
elas são brotos enxertados nos troncos
previamente enraizados no nosso próprio solo; e nós estamos
inclinados a confundi-las com as produções indígenas dele.
Também
você mesmo, eu tenho razão para acreditar, tenha esquecido da maior
parte da assistência que você tem me propiciado no curso de
conversações sobre o [xi]assunto;
visto que, mais de uma vez, eu tenho descoberto que ideias que eu
distintamente lembro de ter recebido de você, não têm sido
reconhecidas por você quando lidas ou repetidas. Contudo até onde
eu possa recordar, embora não haja parte das páginas seguintes nas
quais eu não tenha, mais ou menos, recebido sugestões valiosa de
você, eu acredito que você tenha contribuído menos para o Esboço
Analítico e para o Tratado sobre Falácias, e mais para a
Dissertação acrescentada, do que para o resto da Obra.
Por
outro lado, eu tomo esta oportunidade para declarar publicamente que,
por um lado, você não é responsável por nenhuma coisa contida
nesta Obra, assim, por outro lado, deva alguma vez você favorecer o
mundo com uma publicação própria sobre o assunto, a coincidência
que, sem dúvida, será encontrada nela com muitas coisas aqui
propostas como minhas próprias, não deve ser considerada como
nenhuma indicação de plágio, pelo menos não do seu lado.
Acredite-me
ser,
Meu
querido Lorde,
Seu
obrigado e afeiçoado
Pupilo
e Amigo,
RICHARD
WHATELY.
[xiii]Prefácio
O
tratado seguinte contém a substância do artigo “Logic” na
Encyclopaedia Metropolitana. Foi-me sugerido que uma
publicação separada dele poderia provar-se aceitável, não apenas
para aqueles que não são assinantes dessa obra, mas também para
vários outros que são; mas quem, por conveniência de referência,
prefeririam um volume mais portável. De
fato, um número de indivíduos já tinha formado um desígnio
(impedido apenas por esta publicação) de se juntarem para ter o
artigo impresso para seu próprio uso privado.
Portante
eu revisei-o e fiz certas adições,
principalmente na forma de notas, conforme eu considerei prováveis
de aumentarem a utilidade dele.
Quando
aplicado a contribuir para o artigo, eu perguntei e obtive permissão
do dr. Copleston (agora
Bispo de Llandaff) para fazer uso de manuscritos compilados
em grande medida a partir do que eu tinha
ouvido dele em conversas sobre o assunto, ou que ele tinha lido para
mim do caderno de notas (common-place
book) dele, intercalado com
minhas próprias observações. Eu baseei-me nesses manuscritos
e fui do hábito de os empregar para o uso dos meus próprios
pupilos.
[xiv]Ao
combiná-las em uma forma adequada para a
Encylopaedia,
e, subsequentemente, ampliando o artigo no presente volume, eu tomei
sem escrúpulo seja o que for que pareceu mais valioso nos trabalhos
de outros escritores; especialmente o tratado conciso, mas no geral
preciso, de Aldrich. Mas enquanto eu reconheça minhas obrigações
com meus predecessores, dos labores dos quais eu fiz amplo uso, eu
não professo estar completamente satisfeito
com nenhum dos tratados que ainda têm aparecido; nem, por
conseguinte, eu tenho julgado presunção não razoável apontar o
que me parecem os erros que eles contêm. De fato, qualquer
que seja a deferência que um autor possa professar pela autoridade
daqueles que o antecederam, a circunstância mesma da publicação de
uma obra sobre o mesmo assunto por ele, prova que ele considera as
deles abertas a aperfeiçoamento.
Portanto, censurando, como eu tive ocasião
para o fazer, várias doutrinas e explicações de escritores em
lógica, e de Aldrich, em particular, eu desejo ser entendido que
isso não é por eu ter formado uma baixa estima dos méritos
do Compêndio elaborado pelo autor há pouco mencionado, mas, pelo
contrário, por causa da popularidade dele, (sendo aquele mais
comumente usado em Oxford) – por causa da impossibilidade de notar
particularmente todos os
pontos nos quis nós concordamos, – e por causa da consideração
de que erros devem ser mais cuidadosamente apontados em proporção à
autoridade pela qual eles são sancionados.
Eu
tenho de reconhecer a assistência recebida de vários amigos, quem,
em vários momentos, sugeriram observações e alterações. Mas eu
não posso evitar de particularizar o rev. J. Newman, Fellow
do Oriel
[xv]College,
quem efetivamente compôs uma porção considerável da obra como ela
está agora, a partir de manuscritos não projetados para publicação,
e quem é o autor original de várias páginas. Algumas ilustrações
valiosas da importância de conceder atenção à ambiguidade dos
termos usados na economia política, foram providenciadas pela
gentileza do meu amigo e antigo pupilo, o sr. Senior, da Magdalen
College, e agora Mestre
em Chancelaria, quem me precedeu no
cargo de professor de economia política em Oxford e, posteriormente,
foi indicado para o mesmo no King’s College, Londres. Eles estão
impressos no apêndice. Mas o amigo que está inscrito contribuiu
muito mais, e isso, nas partes mais importantes, mas do que todos os
outros juntos; de fato, tanto que embora
não haja no tratado nada dele que não tenha passado por expansão
ou modificação tão grandes que me deixam unicamente
responsável pelo todo, há um pouco do qual eu não posso
reivindicar justamente ser o autor.
Cada
edição sucessiva têm sido revisada com o cuidado máximo. Mas,
apesar de o trabalho ter passado por não apenas o exame estrito de
mim mesmo e de vários amigos, senão pelo escrutínio mais severo de
oponentes determinados, eu estou feliz de descobrir que nenhum erro
material tenha sido detectado, nem nenhuma alteração considerável
considerada necessária.
Sobre
a utilidade da lógica, muitos escritores têm dito muito
com o qual eu não posso concordar, e que tendeu a trazer o estudo a
um desrespeito imerecido. Representando a lógica como
providenciando o instrumento único para a descoberta da verdade
em todos os assuntos, e como o ensino [xvi]do
uso das faculdades intelectuais em geral, eles elevaram
expectativas que não poderiam ser realizadas e que naturalmente
levaram a uma reação. O sistema inteiro, cujas pretensões
infundados têm sido proclamadas
dessa maneira, veio a ser comumente considerado como completamente
fútil e vazio: como vários outros dos nossos medicamentos mais
valiosos, os quais, quando primeiramente introduzidos, foram,
cada um, proclamados como uma panaceia, infalíveis nas desordens
mais opostas; e que, consequentemente, em muitos casos, caíram
por um tempo em desuso total; embora, após um longo intervalo, eles
foram estabelecidos em sua justa estima e empregados de acordo com
suas propriedades reais.
Em
uma das cartas (posteriormente publicadas) de lorde Dudley para o
bispo de Copleston, da data de 1814, ele aduz
uma pressuposição contra o estudo da lógica que foi diligentemente
cultivada durante os períodos nos quais os poderes intelectuais da
humanidade parecerem quase paralisados, - quando
nenhuma descoberta foi realizada, e quando vários erros foram
difundidos e estavam profundamente enraizados: e que quando a
atividade mental do mundo reviveu, e a investigação filosófica
floresceu e deu seus frutos, os estudos lógicos caíram em
decadência e desdém. E isso eu
introduzi nos “Elementos de Retórica,” (Parte II, Cap. iii, §2)
entre outros exemplos de uma presunção
não irrazoável em si mesma, mas capaz de ser refutada
por uma presunção contrária.
Quando qualquer estudo tem sido indevidamente ou não
sabiamente cultivado à negligência de outros, e até mesmo tem se
introduzido na província deles, há uma presunção de que uma
reação
se seguirá, e igualmente excessivos [xvii]desdém,
ou pavor, ou desgosto, sucederam. E na
presente instância, o cultivo equivocado e absurdo da lógica
durante as épocas de grande escuridão intelectual, poderia ser
esperado produzir, em um época subsequente de luz comparativa, uma
associação nas mentes dos homens da lógica com a ideia de
ignorância apática, preconceito e aderência a erro; de modo que os
usos legítimos, e valor justo da ciência
(supondo-a ter algum) seriam prováveis de serem desdenhosamente
negligenciados.
Nossos ancestrais, tendo negligenciado o
cultivo de novas colheitas de milho, e contentado a si mesmo com
debulhar em vão de novo e de novo a
mesma palha
e peneirar a mesma caca,
poderiam
ter sido antecipado que, por um tempo, os descendentes deles
considerariam as operações de debulho e peneiragem com desdém, e
tentariam moer, milho, palha e
casca todos
juntos.
O
renascimento de um estudo que por um longo tempo tinha sido
considerado como uma absurdidade obsoleta, provavelmente teria
parecido para muitas pessoas, há trinta anos, como um empreendimento
muito mais difícil do que a introdução de
algum novo
estudo; - visto
que antes se assemelhando à tentativa de restaurar à vida uma das
plantas fósseis antediluvianas,
do que à
criação
de uma jovem plântula em uma árvore.
É
uma circunstância curiosa que a pessoa mesma a quem a carta há
pouco aludida foi endereçada devesse ter vivido para testemunhar uma
mudança tão grande de opinião pública causada (em um grande grau
através da sua própria instrumentalidade)
dentro de um curto intervalo – de fato, de uma pequena porção do
intervalo – entre [xviii]a
escrita daquela carta e a publicação dela, que o inteiro fundamento
da presunção aludida tinha sido inteiramente
removido. Durante esse intervalo, o tratado que foi composto com a
ajuda dele, e pela sua permissão inserido na Encyclopaedia,
atraiu tanta atenção quanto a ocasionar a sua publicação
separada, em um volume que tem sido frequentemente reimpresso, não
apenas na Inglaterra, mas nos Estados Unidos da América; onde, eu
acredito, ele está em uso em todos os colégios deles. Adicione-se a
isso as alusões frequentes (comparado
com o que poderia ter sido encontrado há vinte ou trinta anos) ao
assunto da lógica, por escritos sobre vários assuntos. E além
disso, vários outros tratados sobre o assunto, ou originais ou
resumos, têm aparecido com frequência continuamente crescente nos
últimos anos. De fato, alguns deles têm pouco ou nada em comum com
a obra presente, exceto o título. Mas mesmo essa circunstância
mesma é até agora encorajadora, visto que indicando que o nome
dessa ciência, em vez de excitar, como antigamente, um preconceito
quase universal, é considerado como provável de
experimentar uma recomendação. Certamente lorde Dudley, estivesse
ele vivo agora, não falaria da negligência e do desdém
gerais da lógica; embora cada ramo de ciência, filosofia e
literatura tenham florescido durante o intervalo.
Explicar
completamente a utilidade da lógica é o quê apenas pode ser feito
no curso de uma explicação do sistema mesmo. Apenas uma observação
preliminar (pela sugestão original da qual eu estou em dívida com o
mesmo amigo a quem este livro está inscrito) pode ser digna de
oferecer neste lugar. Se nós fossemos inquiridos [xix]qual
deve ser considerada como a ocupação intelectual mais apropriada do
Homem, como homem, qual seria a resposta? O
estadista está engajado com questões políticas; o soldado, com as
forças armadas; o matemático, com as propriedades de números e
magnitudes; o mercador, com interesses comerciais, etc; mas, no que
todos
e cada um deles estão empregados? – empregados, eu quero
dizer, como homens; pois há muitos modos de exercício das
faculdades, tanto mentais quanto corporais, os quais são, em grande
medida, comuns a nós e a aos animais inferiores. Evidentemente, no
raciocínio. Todos eles estão ocupados em deduzirem, bem ou
mal, conclusões a partir de premissas; cada uma
dizendo respeito à sua própria tarefa particular. Portanto, se deve
ser considerado que o processo que ocorrer diariamente, em cada uma
de mentes tão diferentes, é, em qualquer aspecto, o mesmo, e
se os princípios sobre os quais ele é conduzido podem ser reduzidos
a um sistema regular, e se regras podem ser deduzidas a partir desse
sistema, para a melhor condução do processo, então, dificilmente
pode ser negado que um tal sistema e tais regas têm de ser
especialmente dignos de atenção, - não dos membros desta ou
daquela profissão, meramente, mas – de cada um que é desejoso de
possuir uma mente cultivada. Entender a teoria daquela que é a
ocupação intelectual apropriada do homem em geral, e aprender a
fazer bem o que todos têm de fazer, se bem ou
mal, certamente pode ser considerado como uma parte essencial de uma
educação liberal.
Mesmo
supondo que nenhuma melhoria prática na argumentação resultasse a
partir do estudo da lógica, de maneira nenhuma se seguiria que ela é
indigna de atenção. A busca de conhecimento em assuntos curiosos e
[xx]interessantes,
por si mesmos, não é usualmente reconhecida como nenhum mal emprego
de tempo; e é considerada, incidentalmente se não diretamente, como
útil para o indivíduo, pelo exercício propiciado dessa maneira às
faculdades mentais. Todos que estudam matemática não estão
treinando a si mesmos para serem agrimensores ou mecânicos; algum
conhecimento de anatomia e química é até esperado em um homem
liberalmente educado, embora sem nenhuma visão para ele praticar
cirurgia ou medicina. E a investigação de um processo que é
peculiar e universalmente a ocupação do homem, considerado como
homem, dificilmente pode ser reconhecido como um estudo menos
filosófico do que aqueles há pouco exemplificados.
No
entanto, usualmente tem sido assumido
que, no caso do estudo presente, uma teoria que não tenda ao
aperfeiçoamento da prática é completamente indigna de
consideração; e então, é argumentado que a lógica não tem essa
tendência, a
partir da
alegação
de que os homens podem raciocinar e raciocinam corretamente sem ela:
uma objeção que igualmente se aplicaria ao caso da
gramática, música, química, mecânica, etc,
em todos os sistemas nos quais a prática tem de ter existido
anteriormente à teoria.
Mas
muitos quem admitem o uso de princípios
sistemáticos em outras coisas estão acostumados a bradar o senso
comum como o guia seguro suficiente e único no raciocínio.
Agora, por senso comum é significado,
eu entendo, (quando o termo é usado com qualquer significado
distinto,) um exercício do julgamento não auxiliado por nenhuma
arte ou sistema de regras: um exercício tal como nós
necessariamente empregamos em inúmeros casos de ocorrência diária;
nos quais, não tendo nenhum princípio estabelecido para nos
guiar, - nenhuma linha de procedimento distintamente marcada a giz,
por assim dizer, - nós [xxi]temos
necessariamente de agir sobre as melhores conjecturas extemporâneas
que nós podemos formar. Aquele que é eminentemente habilidoso em
fazer isso é dito possuir um grau superior de senso comum.
Mas que o senso comum é apenas o nosso segundo
melhor guia – que as regras da
arte, se judiciosamente estruturadas, são sempre desejáveis
quando se pode tê-las, é uma afirmação em favor da verdade da
qual eu posso apelar para o testemunho da humanidade em geral; o qual
é tanto o mais valioso, na medida que ele pode
ser considerado o testemunho de adversários.
Pois a a maior parte
tem uma forte predileção em favor do senso comum, exceto naqueles
pontos nos quais eles, respectivamente, possuem o conhecimento
de um sistema de regras; mas nesses pontos eles ridicularizam
qualquer um que confie no senso comum não auxiliado. Por exemplo, um
marinheiro, talvez desprezará as pretensões dos médicos, e
preferirá tratar uma doença através do senso comum: mas ele
ridicularizaria a proposta de navegar uma embarcação através do
senso comum, sem consideração das máximas da arte náutica.
Novamente, um médico talvez desdenhará dos sistemas de economia
política,
de lógica ou metafísica, e insistirá na sabedoria de confiar no
senso comum em tais assuntos; mas ele nunca aprovaria confiar no
senso comum no tratamento de doenças. Tampouco, novamente, o
arquiteto recomendaria uma dependência apenas do senso comum na
construção, nem o músico, na música, à negligência daqueles
sistemas de regras que, sem suas respectivas artes, têm sido
deduzidos a partir do raciocínio científico auxiliado pela
experiência. E a indução poderia ser estendida a todo departamento
da prática. [xxii]Portanto,
uma vez que cada um concede preferência ao senso comum desassistido
apenas naqueles caso onde ele mesmo não tem nada mais para confiar,
e invariavelmente recorre às regras da arte, sempre que ele possui o
conhecimento dela, é evidente que a humanidade
universalmente testemunha, embora inconsciente e frequentemente
involuntariamente, a preferência do conhecimento sistemático aos
julgamentos conjecturais.
Todavia,
há espaço abundante para o emprego do senso comum na aplicação
do sistema. É claro, extrair argumentos, a partir da forma na
qual eles estão expressos em conversação e livros, para a forma
lógica regular, tem de ser a tarefa do senso comum auxiliado pela
prática: pois, por suposição, esses argumentos não estão no
interior da ciência; senão eles não seriam irregulares, mas já
seriam silogismos estritos. Para exercitar o leitor nessa operação,
eu tenho acrescentados no apêndice
alguns exemplos, tanto de argumentos isolados quanto (nas edições
posteriores) de análise de obras argumentativas. Contudo, deveria
ser acrescentado que uma grande parte
do que é comumente introduzido relativo à descoberta de argumentos,
- os tipos diferentes deles, etc, eu referi à categoria da retórica
e tratei na obra sobre os elementos daquela arte.
Foi
sem dúvida a partir de uma convicção forte e deliberada das
vantagens, diretas e indiretas, advindo a partir de uma familiaridade
com a lógica, que a Universidade de Oxford, quando remodelando seu
sistema, não apenas reteve esse ramo de estudo, independentemente
dos clamores [xxiii]de
muitos dos meio instruídos, mas mesmo atribuiu um lugar proeminente
a ele, tornando-o uma parte indispensável do Exame para o primeiro
Grau. Contudo, eu estou convencidos de que, em um grande grau, essa
última circunstância tem produzido um efeito oposto ao quê foi
intencionado. Ela tem contribuído para rebaixar, em vez de exaltar a
estima do estudo; e para retirar dele a atenção
mais firme de muitos estudantes que poderiam ter se aplicado a ele
com vantagem. Eu não sou tão
fraco quanto a imaginar que qualquer sistema possa assegurar grande
proficiência em qualquer pesquisa que seja,
quer em todos os estudantes, quer em uma porção muito grande deles:
“nós semeamos muitas sementes para obtermos poucas flores:” mas
poderia ter sido esperado (e sem dúvida foi esperado) que uma
maioria de candidatos pelo menos exitosos derivaria algum benefício
digno de menção a partir de seus estudos lógicos; e que uma
proporção considerável dos candidatos distinguidos provar-se-iam
lógicos respeitáveis, se não eminentes. Essas expectativa eu não
censuro como irracionais, ou tais como eu poderia ter formado por mim
mesmo, tivesse eu sido convocado para julgar
naquele período quando a nossa experiência devia resultar toda.
Subsequentemente, todavia, experiência tem mostrado que aquelas
expectativas tinham sido realizadas muito inadequadamente. A verdade
é que uma proporção muito pequena, mesmo de estudantes
distinguidos, nunca se torna proficiente em lógica; e que de longe a
grande maior parte atravessa a universidade sem conhecer
absolutamente nada do assunto. Eu não quero dizer que eles não
tenham aprendido de cor uma sequência de termos técnicos;
mas que eles não entenderam absolutamente nada de seja quais forem
os princípios da ciência.
[xxiv]Eu
estou ciente de que alguns amigos injudiciosos
de Oxford censurarão a franqueza dessa confissão.
Eu apenas tenho de responder que
tal é a verdade; e que eu penso muito bem da, e conheço muito bem,
a Universidade na qual eu tenho estado empregado em várias ocupações
acadêmicas por mais de um quarto de século, para apreender o perigo
para a reputação dela de declarar a verdade exata. Com todos os
seus defeitos, e nenhuma instituição humana é perfeita, eu estou
convencido de que a Universidade se ergueria mais alto na estima
pública do que ela o faz, fosse a inteira verdade, e nada exceto a
verdade, em todos os pontos respeitantes a ela, mais completamente
conhecida. Mas eu aprendo que a escassez e o sucesso parcial de
medidas empregadas para promover os estudos lógicos são a
consequência das universalidade do requerimento.
Que aquilo que tem de ser feito por todos, é claro,
será frequentemente feito apenas indiferentemente; e
uma vez
quando a crença esteja
completamente estabelecida, o que ela
certamente a muito tem estado, de que qualquer coisa que é
indispensável para um testemunho, tem pouco ou nada a ver com
a obtenção de honras,
o padrão mais baixo logo se torna o estabelecido nas mentes do maior
número; e, com a condição que o padrão seja uma vez alcançado,
assim quanto a assegurar o candidato contra rejeição,
uma proficiência maior ou menos em qualquer de tal ramo de estudo é
considerada como uma questão de indiferença, até onde se diz
respeito a quaisquer visões de distinção acadêmica.
Teologia
(Divinity) é um desses ramos, e para ele também [xxv]a
maioria do que tem sido dito sobre a lógica poderia ser considerado
como igualmente aplicável; mas, de fato, há várias diferenças
entre os dois casos. Em primeiro lugar, a maioria dos estudantes que
são designados para a igreja, e muitos que não são, têm um valor
para o conhecimento teológico, independentemente da requisição das
escolas; e sobre esse fundamento não confinam suas visões ao menor
grau admissível de proficiência; ao passo que isso pode ser dito de
muitos poucos no caso da lógica. E além disso, tal
como o desígnio para se tornarem candidatos para ordens sagradas,
sabem que outro exame em teologia aguarda-os. Mas uma
consideração, a qual é ainda maior para o propósito presente, é
que a teologia, não sendo uma ciência, admite graus
infinitos de proficiência, desde aquele que está dentro do alcance
de uma criança, até o mais elevado que é alcançado pelo gênio
mais exaltado; cada um dos quais é
inestimavelmente valioso até onde vai. Se qualquer um entende
toleravelmente o catecismo da igreja, ou mesmo metade dele,
ele conhece alguma coisa de teologia; e essa alguma coisa é
incalculavelmente preferível a nada. Mas não é assim com uma
ciência: alguém que não entenda os princípios das demonstrações
de Euclides, qualquer que seja o número de questões e respostas que
ele possa ter aprendido de cor, não conhece absolutamente nada de
geometria; a menos que ele alcance esse ponto, todo o labor dele está
completamente perdido; pior do que perdido, talvez, se ele é levado
a acreditar que aprendeu alguma coisa de matemática, quando, na
verdade, ele não o fez; e o mesmo é o caso com a lógica, ou
qualquer outra ciência. Ela não admite graus tão vários, como um
conhecimento de religião. É claro, eu estou [xxvi]longe
de supor que todos que entendem qualquer coisa, mais ou menos, de uma
certa ciência, estão no mesmo nível; mas eu quero dizer que
certamente é inegável que alguém não adote os princípios
fundamentais de uma ciência, seja o que for que ele possa ter aceito
por autoridade, e aprendido de cor, não conhece nada dessa ciência,
propriamente falando. E tal, eu não tenho hesitação
em dizer, é o caso com uma proporção considerável mesmo daqueles
que obtêm testemunhos, incluindo muitos que obtêm distinção. Há
algumas pessoas (provavelmente não tantas quanto uma em dez,
daquelas que tem, em outros aspectos, habilidades toleráveis,) que
são fisicamente incapazes do grau de abstração firme necessário
para realmente adotarem os
princípios da lógica ou de qualquer outra ciência, sejam quais
forem as dificuldades que possam ser enfrentadas por eles
mesmos ou seus professores. Mas há um número muito maior para quem
isso é uma grande dificuldade, embora não uma
impossibilidade; e quem tendo, é claro, uma
forte desinclinação para um semelhante estudo, procuram o padrão
mais baixo admissível. E o exemplo de tais exames na lógica
como tem de ser esperado no caso de homens dessas descrições,
tende, em combinação com o preconceito popular, a degradar
completamente o estudo na mentes da generalidade.
Talvez
foi a partir dessas considerações que, há poucos anos, foi
proposto deixar o estudo da lógica completamente à opção dos
candidatos; mas a sugestão foi rejeitada; a
maioria parecendo pensar (opinião com a qual eu mais completamente
concordo) que, tão fortemente quanto a maré de opinião
popular colocada contra o estudo, o resultado teria sido, dentro de
uns [xxvii]poucos
anos, uma negligência quase universal dessa ciência. Àquela época,
portanto, as matérias foram deixadas em sua
situação antiga com respeito a esse ponto; do que eu estou
convencido que foi muito preferível à alteração proposta.
Mas
um curso intermediário entre esses dois foi sugerido, o qual, eu fui
persuadido, seria infinitamente preferível a qualquer um dos dois;
uma persuasão que há muito eu tinha
concebido, e a qual está confirmada por observações e reflexões
cotidianas; das quais, poucas pessoas, eu acredito, tenham concedido
mais a esse assunto. Insistiu-se
que se deixe o estudo da lógica ser tornado opcional
para aqueles que são meramente candidatos a uma
graduação, mas indispensável para a obtenção de honras
acadêmicas;
e a consequência seria que ela rapidamente começaria e
progressivamente continuaria a subir em estima e a ser estuda com
proveito real. Então, insistiu-se, o exame poderia, sem
nenhuma dificuldade, ser tornado algo estrito; uma vez que ninguém
poderia reclamar de que um grau moderado de habilidade científica, e
uma resolução para se aplicar a um certo estudo prescrito, deveriam
ser as condições de obtenção de distinção. A grande
maior parte ainda estudaria a lógica; uma vez que haveria (como
antes) apenas poucos que estariam desejosos de excluírem a si mesmos
da possibilidade de obterem distinção; mas ela seria estudada com
uma mente muito diferente, quando enobrecida, por assim dizer, ao ser
tornada parte do passaporte para as
honras da Universidade, e quando uma proficiência nela veio a ser
considerada geralmente como uma distinção honorável. E na
proporção que o número daqueles que realmente entendesse a ciência
aumentasse, o número, argumentou-se, [xxviii]aumentaria,
visto que o valorizaria em fundamentos mais elevados e melhores. Com
o tempo, ela chegaria a ser melhor conhecida e melhor
apreciada por toda a parte melhor informada da sociedade: e preleções
em lógica na Universidade, talvez, não mais consistiriam
exclusivamente na explicação dos meros elementos. De
fato, isso seria necessário para principiantes; mas, para estudantes
mais avançados, os tutores não mais pensariam em prelecionar nos
rudimentos crus, do que em prelecionar em gramática latina ou grega;
mas, da mesma maneira que eles exercitam os pupilos deles em
gramática, lendo com eles autores latinos e gregos com
referência contínua às regras da gramática, assim, eles
exercitá-los-iam em lógica lendo algum trabalho argumentativo,
requerendo uma análise dele sobre princípios lógicos.
De
fato, foi reconhecido que esses efeitos não poderiam ser esperados
revelarem-se completamente até depois de um lapso
considerável de tempo; mas que a mudança começaria a
aparecer, (e isso muito decididamente) dentro de três ou quatro
anos, foi confiantemente antecipado.
A
isso foi respondido que era mais desejável que a ninguém devesse
ser permitido obter o Grau de B.A. sem um conhecimento de lógica.
Essa resposta porta uma aparência plausível para aqueles não
familiarizados com o estado atual da universidade, embora, de fato,
ela seja totalmente irrelevante. Pois ela segue
sobre a suposição de que até aqui esse objeto tenha
sido alcançado; - que todos que
passaram no seu exame possuam um conhecimento de lógica; o que
notoriamente não é um fato, nem nunca pode ser, sem [xxix]alguma
mudança importante em alguma parte do nosso sistema. Portanto a
questão não é, como a objeção acima pareceria implicar, se um
conhecimento real, útil, de lógica deveria ser estritamente
requerido de todo candidato a uma graduação, (pois de fato isso
nunca foi feito) mas se, na tentativa de alcançar isso requerendo a
forma de um exame lógico de cada candidato sem exceção, nós
deveríamos continuar a degradar a ciência, e deixar essa parte do
exame ser considerada como mera forma, por muitos que, de outra
maneira, poderiam ter estudado lógica com
afinco, e com alguma vantagem: - se a grande maioria dos candidatos,
e também aqueles de variedade
mais promissora, deverão perder um benefício real e importante
através da tentativa (a qual, afinal, a experiência provou ser uma
tentativa vã) para incluir nesse benefício um número muito
pequeno e dos menos promissores.
Algo
de uma abordagem para a alteração proposta foi introduzido no
estatuto de exame aprovado em 1830; no qual, permissão foi concedida
àqueles que são candidatos para, meramente por um testemunho,
substituírem por lógica uma porção de
Euclides. Contudo,
eu temo que pouco ou nada será ganho por isso; a menos que, de fato,
os examinadores resolvam tornar os exames em lógica mais estritos do
aqueles em Euclides. Pois, uma vez que qualquer um que
realmente seja capaz de entender Euclides também tenha de ser capaz
de lógica, a alteração não satisfaz o caso
daqueles cuja inaptidão para a lógica é invencível; e esses são
a variedade
mesma de homens cujos (os assim chamados) exames lógicos tendem a
deprimir a ciência. Aqueles poucos que realmente são
fisicamente incapazes de raciocínio científico, e o [xxx]número
muito maior que fantasia a si mesmo assim, ou que, pelo menos, antes
correrão um risco do que superarão sua aversão e colocarão a si
mesmos para estudar com afinco, - será provável que todos
esses, quando a alternativa é proposta, preferiram lógica a
Euclides; porque na segunda, dificilmente é possível, pelo menos
não tão possível quanto na lógica, apresentar a semelhança de
preparação ao aprender questões e respostas de cor: - na frase de
jargão dos graduandos, ficando abarrotado. A experiência tem
provado isso, no caso dos exames de respostas
(Responsion-examinations),
onde a alternativa entre lógica e Euclides sempre tem sido proposta
aos candidatos; de quem, aqueles mais aversos à ciência, ou
incapazes dela, são sempre descobertos preferirem a lógica.
De
fato a determinação pode ser formada, e
doravante agir-se a partir dela, de que todos que realmente não
conheçam nada, apropriadamente falando, de qualquer ciência,
deverão ser rejeitados; tudo que eu sei é que esse nunca tem sido o
caso até agora.
Ainda
assim, é uma satisfação para mim que atenção tenha sido chamada
para o mal em questão, e uma medida experimental adotada para o seu
abatimento. Dessa forma, uma esperança
confiante é propiciada de que no evento (o qual eu muito temo) da
falha do experimento, possa se recorrer a alguma outra medida mais
efetiva.
Eu
estou ciente de que muitos podem objetar que
este não é o lugar apropriado para observações tais como as
acima: eles
podem dizer, o que tem o público no geral a ver com [xxxi]os
estatutos da Universidade de Oxford? A isso poderia ser justamente
respondido que não apenas todos que consideram enviar seus filhos ou
outros parentes próximos para Oxford, mas, da mesma maneira, todos
que estão sob o ministério daqueles que foram educados lá, estão
indiretamente interessados, em um certo grau, no sistema ali
perseguido. Mas a consideração que
teve a parte principal ao induzir-me a dizer o que eu disse é que a
vindicação da lógica do desrespeito e desdém
sob o qual ela labora, teria sido completamente incompleta sem
ela. Pois que seja lembrado que a ciência é julgada pelo público
neste país, em um grande grau, a partir dos exemplos exibidos, e os
relatórios produzidos, por aqueles a quem Oxford envia. Qualquer um,
ao olhar no calendário da Universidade ou no livro de estatutos,
sente-se justificado ao assumir que, quem quer que tenha se graduado
em Oxford tem de ser um lógico; não, de fato, necessariamente um
lógico de primeira classe; mas tal como a satisfazer os examinadores
públicos que têm um conhecimento competente da ciência. Agora, se
uma proporção muito grande dessas pessoas nem são, nem consideram
a si mesmas, absolutamente, beneficiadas pelo (assim chamada de)
educação lógica delas, e representam-na como um mero tecido de
jargão obsoleto e vazio, o qual é um mero
desperdício de tempo frequentar, que
qualquer um julgue quais
conclusões respeitantes à utilidade do estudo, e à sabedoria da
Universidade ao sustentá-la, são prováveis de ser o resultado.
Que
preconceitos tão duplamente enraizados como aqueles aos quais eu
tenho aludido, e suportados pela autoridade de [xxxii]nomes
tão eminentes, especialmente aquele de Locke e (como é comumente,
embora não muito corretamente, suposto) Bacon, deveriam derrubados
de uma vez pelo tratado presente, eu não sou tão sanguíneo
quanto a esperar; mas, se eu tiver sido exitoso na refutação de
algumas das objeções mais populares, e na explicação de alguns
princípios que, no geral, são mal-entendidos, pode ser esperado que
noções justas sobre o assunto possam continuar (como elas já têm
começado) a ganhar mais e mais terreno.
Pode
ser-me permitido mencionar que, como eu tenho me dirigido às classes
mais variadas de estudantes, desde o principiante mais não
instruído, até o lógico mais avançado, e portanto tenha tocado
tanto nos princípios mais elementares quanto em algumas das deduções
mais remotas a partir deles, tem de ser esperado que leitores de cada
classe encontrarão algumas partes não bem
calculadas para eles. Algumas explicações parecerão muito simples
e pueris para uma; e para a outra, algumas das disquisições serão
abstrusas demais inicialmente. Se para cada descrição algumas
porções sejam consideradas interessantes, é tanto quanto eu
posso esperar.
Com
respeito ao estilo, eu considerei a perspicácia (perspicuity)
não apenas, como sempre tem de ser, o primeiro ponto, mas como um de
importância tão primordial nesse
assunto, quando a justificar a negligência de todos os outros.
Prolixidade de explicação, - simplicidade em ilustração, - e
ousadia de expressão, eu considerei como deformidades
indignas de consideração, quando qualquer coisa devesse ser ganha a
despeito da clareza. Para alguns de meus leitores, alguma
dificuldade ocasionalmente pode ocorrer a partir do uso de alguns
termos técnicos diferentes, ou [xxxiii]diferentemente
aplicados, a partir do que eles têm estado acostumados.
Contudo, eles têm de considerar que a tentativa de
se conformar com o uso de cada
escritor lógico nesse ponto teria sido, por conta das variações de
cada um, complemente desesperançada.
Nos termos empregados, eu tentei não produzir inovações
vazias, mas conformar-me com o uso
estabelecido, exceto quando há alguma objeção muito forte a ele; -
e, acima de tudo, explicar distintamente o sentido no qual cada um é
empregado na presente obra.
Se
alguém devesse reclamar de eu não ter fornecido uma história de
todos os sentidos nos quais cada termo técnico tem sido usado por
cada escritor desde a sua primeira introdução, e uma análise das
obras de cada um, eu apenas posso responder que meu desígnio não
foi escrever uma arqueologia lógica, ou um comentário das obras de
lógicos antigos, mas uma introdução elementar à ciência. E, por
exemplo, eu suponho que poucos considerariam um tratado sobre
agricultura incompleto que devesse deixar intocadas
questões tais como, quem foi o inventor do arado (plough),
- por quais alterações sucessivas aquele implemento pode passar, -
e a partir de que região o trigo (wheat)
foi primeiro introduzido.
E
novamente, se alguém devesse reclamar da omissão daquelas
disquisições metafísicas sobre as
leis de pensamento, e a constituição da mente humana de maneira
geral, como eles têm estado acostumados a incluírem sob a categoria
de Lógica, minha resposta tem de ser que [xxxiv]o
termo tem sido empregado por mim em um sentido diferente; por razões
que eu formulei em várias partes deste tratado, e especialmente no
Livro IV, cap. iii..; e que, portanto, eu apenas devo ser censurado,
no máximo, como não tendo me comprometido com
uma obra de um tipo diferente e sobre um assunto diferente.
Por
outro lado, eu não desejo ser entendido como reclamando daqueles que
têm usado a palavra lógica em um sentido mais extenso, ou como
menosprezando
o valor dos trabalhos deles. Apenas
que o leitor deveria estar acautelado contra o erro – muito mais
comum, eu acredito, do que é geralmente pensado – de confundir a
extensão da aplicação de um nome, com o alargamento
das fronteiras de uma ciência.
Ainda
assim, é apropriado mencionar que a primeira parte dos “Elementos
de Retórica” contém uma discussão daqueles pontos que muitos
escritores têm tratado sob o departamento de lógica.
A
linguagem técnica empregada neste tratado é, do começo ao fim, com
a exceção de umas passagens muito poucas onde algum distanciamento
do uso antigo pareceu indispensável, aquela dos antigos trabalhos
sobre o assunto. Talvez algum grau de preconceito possa ter sido
evitado, no início, e uma aparência muito maior de
originalidade produzida, adotando-se novas formas de expressão.
Também há muito escritores que encontraram falta na técnica de
linguagem estabelecida, vista como pesada e desconcertante. Contudo,
eu sempre considerei aquela fraseologia que
eles adotam no lugar dela uma circunlocução muito mais tediosa do
que aquela que eles censuram; enquanto ela frequentemente é menos
clara e menos correta.
[xxxv]Contudo
deveria ser observado que toda a linguagem técnica (assim como todas
as regras da arte) tem de ser esperada apresentar, inicialmente, uma
dificuldade para o estudante superar; embora no
fim, isso facilitará grandemente o procedimento dele.
Mas, com essa visão, é
necessário que tal linguagem e tais regras devam ser não apenas
distintamente entendidas, mas também aprendidas, e
relembradas tão familiarmente quanto o alfabeto, e empregadas
constantemente, e com exatidão escrupulosa. Caso
contrário, a linguagem técnica provar-se-á um embaraço em vez de
uma vantagem; exatamente como seria com um
conjunto de roupas se, em vez de as colocar e usar,
alguém devesse carregá-las de um lado para o outro em suas mãos.
Sobre
a correção das doutrinas fundamentais sustentadas no
trabalho, eu posso ser admitido sentir alguma confiança; não tanto
a partir da extensão do tempo que eu tenho estado mais ou menos
ocupado com elas, - desfrutando, ao mesmo tempo, da vantagem de
sugestões e correções frequentes de vários amigos judiciosos, -
como a partir da natureza do assunto. Em obras de gosto, um autor não
pode estar certo de que o julgamento do público coincidirá com o
seu próprio; e se ele falha em proporcionar
prazer, ele falha no seu objeto único e mais apropriado. Mas no caso
das verdades que admitem demonstração científica, é possível
chegar através do raciocínio a uma segurança tão completa da
justeza das conclusões estabelecidas quanto a imperfeição das
faculdades humanas admitirá; e a experiência, acompanhada por
observação atenta e com tentativas repetidas de vários métodos,
pode possibilitar a alguém há muito acostumado com ensino a
determinar com certeza considerável quais explicações são melhor
compreendidas. [xxxvi]Contudo,
muitas partes do detalhe provavelmente podem estar abertas a
objeções; mas se (como a experiência agora me autoriza a esperar
confiantemente) nenhum erro for descoberto, o
qual materialmente afete a utilidade substancial da obra, mas apenas
tal como a detratar do crédito do autor, o objetivo que eu tinha
principalmente em vista terá sido alcançado.
Eu
estou ciente de que nenhum crédito seja dado à própria retratação
de motivos pessoais pelo autor, e a profissão de consideração
exclusiva pela utilidade pública; uma vez que, nesse ponto, mesmo a
sinceridade não pode assegurar que ele não engane a si mesmo; mas
pode ser admissível observar que alguém cujo objeto fosse o aumento
da sua reputação como um escritor dificilmente poderia ter
escolhido um assunto menos adequado para esse propósito do que o
presente. À época da publicação inicial, o estudo não foi nem
popular, nem, aparentemente, provável de se tornar popular. A
ignorância, fortificada pelo preconceito, opôs-se à sua recepção,
mesmo nas mentes daqueles que são considerados tanto cândidos
quanto bem informados. E como, por um lado, uma grande classe de
filósofos modernos poderia ser esperados erguerem um clamor contra
“prejuízos obsoletos;” “devoção
fanática aos decretos de Aristóteles;” “confinamento da mente
humana nos estorvos dos escolásticos,” etc, assim por outro lado,
todos que realmente são intolerantes dessa maneira com toda coisa
que há muito foi estabelecida, meramente porque ela foi estabelecida
há muito tempo, seriam prováveis de exclamar contra a presunção
do autor, quem proclama se afastar da trilha dos seus predecessores
em vários pontos.
Também
há outra circunstância que tende [xxxvii]materialmente
a diminuir o crédito de um escritor sobre este e outros assuntos
irmanados. Nós não podemos fazer descobertas de novidades
impressionantes: os sentidos dos nossos leitores não são
impressionados, como com o retorno de um cometa que tenha sido
previsto, ou a extinção de uma vela fina em gás de ácido
carbônico: os materiais sobre os quais nós trabalhamos são comuns
e familiares para todos e, portanto, supostos serem bem entendidos
por todos. E não apenas é a deficiência de alguém no uso desses
materiais, tais como geralmente não é sentida por si mesmo, mas
quando ela é removida por explicações satisfatórias – quando as
noções, as quais têm sido perplexas e emaranhadas, são clareadas
pela introdução de uns princípios simples e aparentemente óbvios,
ele geralmente esquecerá que qualquer explicação foi de qualquer
maneira necessária, e considerará tudo que foi dito como mero
truísmos, o qual até uma criança poderia suprir a si mesmas. Tal é
a natureza dos princípios fundamentais de uma ciência – eles
estão tão completamente implícitos nas
verdades mais evidentes e bem conhecidas, que, no momento em que eles
são completamente adotados, torna-se uma dificuldade conceber que
alguma vez nós alguma vez não tenhamos estado cientes deles. E
consequentemente, quanto mais simples, claro e óbvio qualquer
princípio for tornado, mais é provável é que a exposição dele
elicite aquelas observações comuns, “É claro! É claro!”
“Ninguém nunca poderia duvidar disso;” “Isso é tudo muito
verdadeiro, mas não há nada novo trazido à luz;
nada que não fosse familiar a todo,” “Não
há necessidade de nenhum fantasma nos
dizer isso.”
Eu estou convencido de que uma maneira verbosa, mística e
parcialmente obscura de falar sobre um assunto é a mais
provável de capturar a atenção da multidão A generalidade
verifica a observação de Tácito, “omne [xxxviii]ignotum
pro mirifico;” e quando qualquer coisa é tornada muito evidente
para eles, ficam inclinados a fantasiarem que eles já a conheciam;
de modo que as explicações de verdades científicas são prováveis,
por um tempo considerável, pelo menos, de serem, pela
maioria dos homens, mais desprezadas quanto mais perfeitamente elas
alcancem seu objetivo.
Portanto,
um progresso muito lento (muito mais lento do que, de fato, tem
ocorrido) na direção da popularidade é o máximo que eu espero
para um tratado tal como eu tenho tentado tornar presente. Contudo,
eu sinto-me obrigado, não apenas como um membro da sociedade, mas
mais especialmente como um ministro do Evangelho, para usar meus
esforços na direção da promoção de
um objeto que para mim parece altamente importante, e (o que é muito
mais) cuja importância foi apreciada por muitos poucos além. A
causa da verdade universalmente, e não menos, da verdade religiosa,
é beneficiada por toda coisa que tende a produzir raciocínio
correto e facilitar a detecção de falácia. Eu estou convencido de
que os adversários da nossa fé teriam sido mais satisfatoriamente
respondidos em muitas ocasiões, e teriam tido menos aberturas
para sofisma,
tivesse uma familiaridade completa com a lógica sido uma
qualificação mais comum do que ela é. Portanto,
ao emprestar meus esforços, se com sucesso maior ou menor, na
direção desse objeto, eu confio que eu não seja nem inutilmente
nem inadequadamente empregada.
Aqueles
que estão engajados com, ou designados para, o Ministério Sagrado,
e todos os outros que estão cientes de que a causa da verdadeira
religião não é uma preocupação apenas do ministério, deveriam
lembrar-se de que este não é o momento para renunciar a nenhuma das
vantagens que a causa pode derivar a partir de um cultivo ativo e
judicioso das [xxxix]faculdades.
Entre os inimigos da Cristandade nos dias de hoje estão incluídos,
se eu não me engano, uma variedade muito diferente de pessoas
daquelas que deviam ser encontradas há um século ou mesmo há um
meio século: os quais eram chamados de “homens de inteligência e
prazer ao redor da cidade;” - declamadores
ignorantes, rasos, superficiais,
ou pretendentes monótonos e impotentes a filosofia. Entre os
inimigos do Evangelho hoje em dia devem ser encontrados homens não
apenas de conhecimento e ingenuidade, mas de poderes
argumentativos cultivados, e versados nos princípios da lógica.
Se os defensores da nossa religião consideram apropriado desprezar
esse auxílio, eles descobriram, em investigação cuidadosa, que os
oponentes deles não o fazem. E que eles não confiem tão
descuidadamente na força da causa deles. De fato, a verdade
prevalecerá, onde todos os outros pontos forem quase iguais;
mas ela pode sofrer uma
derrota temporária,
se suposições apresadas, argumentos incorretos e declamação vaga
e vazia, ocuparem o lugar de um fluxo de raciocínio estrito, preciso
e luminoso.
Contudo,
não é unicamente, ou principalmente, para propósitos polêmicos
que o cultivo da faculdade de raciocínio é desejável, na
persuasão, na investigação, no aprendizado ou ensino, em toda
multitude de casos nos quais é o nosso objeto chegar a conclusões
justas, ou levar outros a elas, ela é a mais importante. De fato, um
conhecimento das regras lógicas não suprirá a carência de
qualquer outro conhecimento; tampouco alguma vez foi proposto, por
qualquer um que realmente entendeu essa ciência, substitui-lo por
qualquer outro: mas não é menos verdadeiro que nenhum outro pode
ser substituído por isso; que ele é
valioso em todo ramo de estudo; e que ele nos capacita a usarmos para
a maior vantagem o conhecimento que nós possuímos. [xl]Portanto,
deve ser esperado que aqueles corpos
acadêmicos que foram suficientemente sábios para reterem essa
ciência, em vez de serem persuadidos a abandoná-la, concederão sua
atenção antes ao seu aperfeiçoamento e cultivo mais efetivo.
ORIGINAL:
WHATELY,
R. Elements of Logic. Comprising the Substance of the Article in
the Encyclopedia Metropolitana with Additions, &c. New
Edition, Revised by the Author. Boston and Cambridge: James Munroe
and Company, 1859. p. v-xl. Disponível em:
<https://archive.org/details/elementsoflogicc00whatuoft/page/n4/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB
do Blog
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Licença:
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BY-NC-SA 4.0