terça-feira, 20 de outubro de 2020

Elementos de Lógica - Livro III Sobre Falácias - §10

 Por Richard Whately


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[200]§10


Equívocos intrínsecos e incidentais. Em alguns casos de Termo médio ambíguo, o Termo em questão pode ser considerado como tendo em si mesmo, a partir de sua própria natureza equívoca, duas significações (o que aparentemente constitui a “Fallacia equivocationis” dos escritores em Lógica). Outros, novamente, têm um Termo médio que é ambíguo a partir do contexto, ou seja, a partir do que é entendido em conjunção com ele. Essa divisão pode ser considerada útil, embora seja impossível traçar acuradamente uma linha nela.

O carácter elíptico do discurso ordinário causa muitos termos a se tornarem praticamente ambíguos, os quais, contudo, não são eles mesmos empregados em sentidos diferentes, mas com aplicações diferentes, as quais são entendidas. Portanto, “A Fé”, seria usada por um escritor cristã para indicar a Fé cristã, e por um muçulmano, a maometana; contudo, a palavra [201]Fé não tem por si mesma, nesses casos, duas significações diferentes. Assim, ἐκλεκτός, “eleito”, ou “escolhido”, é algumas vezes aplicado àqueles que são “escolhidos”, para certos privilégios e vantagens (como os Israelitas foram, embora “eles foram expulsos para o deserto” por sua desobediência; e como todos os cristãos são frequentemente chamados no Novo Testamento); algumas vezes, novamente, àqueles que são “escolhidos”, como aptos a receberem uma recompensa final, tendo feito o uso correto daquelas vantagens; como quando nosso Senhor diz, “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.

Anfibolia. O que os Lógicos mencionaram sobre o título de “Fallacia amphiboliae” é referível a essa última classe; embora na prática efetiva não seja muito provável de ocorrer. Uma sentença anfibólica é uma que é capaz de dois sentidos, não a partir do sentido duplo de qualquer palavra, mas de sua admissão de uma dupla construção: como no exemplo que Aldrich dá, o qual é intraduzível; “quod tangitur a Socrate, illud sentit”; onde “illud” pode ser tomado ou como nominativo ou acusativo. Assim também, a celebrada resposta do oráculo; “Aio te, Aecida, Romanos vincere posse”: “Pirro os Romanos deverão, eu digo, subjugar”: o que se assemelha de perto (como Shakspeare observa) à profecia da bruxa, “O Duque ainda vive que Henrique deverá depor”. Esse efeito é produzido pelo que os franceses chamam de “construção vergonhosa (louche)”, uma construção estrábica (squinting); ou seja, onde alguma palavra, ou [grupo de] palavras, pode ser referida à cláusula anterior ou posterior da sentença; da qual um exemplo ocorre na rubrica prefixada ao serviço para 30 de janeiro. “Se este dia deve acontecer de ser sábado [esta forma de oração deve ser usada] e jejum mantido no próximo dia seguinte:a cláusula entre colchetes pode pertencer ou a parte anterior ou posterior da sentença. No Credo de Nicena, as palavras, “por quem todas as coisas [202]foram criadas”, são gramaticamente referíveis ou ao Pai ou ao Filho. E no 2º mandamento, a cláusula “deles que me odeiam”, é um genitivo governado ou por “filhos”, ou por “geração”: a última sento indicada pelo modo ordinário de pontuação e de leitura; o que muda totalmente o sentido real.1 A cláusula seguinte, de uma sentença de um jornal, é um exemplo curioso de Anfibolia: - “Para a proteção e suporte daqueles eleitores que se recusaram, contrário a seus desejos e consciências, a votarem nos Senhores A e B, independentemente de ameças, e intimidação desatenta.

Equívoco acidental. Há várias maneiras pelas quais as palavras vêm a ter dois sentidos:

1) Por acidente; (ou seja, quando não há conexão perceptível entre os dois significados) como “leve / luz (light)” que significa igualmente o contrário de “pesado (heavy)” e o contrário de “escuridão (dark)”. Desse modo, nomes próprios tais como John ou Thomas, etc, que acontecem de pertencer a várias pessoas diferentes, são ambíguos, pois eles têm uma significação diferente em cada caso onde são aplicados. Palavras que caem sob essa primeira categoria são o que nós mais estritamente chamamos de equívocas.

Primeira e segunda intenção. 2) Há vários termos em uso nos quais é necessário notar a distinção entre primeira e segunda intenção.2 A [203]“primeira intenção” de um Termo, (de acordo com a aceitação usual dessa frase) é uma certa significação vaga e geral, enquanto oposta a uma mais precisa e limitada, que ele porta em alguma arte, ciência ou sistema particulares, os quais são chamados de sua “segunda intenção”. Desse modo, entre fazendeiros, em algumas partes, a palavra “besta (beast)” é aplicada particular e especialmente à espécie do boi (ox); e “pássaro (bird)”, na linguagem de muitos desportistas, é, de maneira semelhante, apropriada a perdizes (partridge); a aceitação comum e geral (com a qual todos estão bem familiarizados) de cada uma dessas palavras é a primeira intenção de cada uma; a outra é sua segunda intenção.

Para algumas observações sobre a Segunda intenção da palavra “Espécies”, quando aplicada a seres organizados (a saber, como denotando aquelas plantas ou animais, que se concebe poderem ter descendido de uma fonte comum), ver a Dissertação em anexo, Book IV. Chap. v. §1.

É evidente que um termo pode ter várias Segundas intenções, de acordo com os vários sistemas nos quais é introduzido, e dos quais é um dos Termos técnicos. Desse modo, “linha” significa, na arte militar, uma certa forma de se traçarem embarcações ou tropas: em geografia, uma certa divisão da terra; para o pescador, um fio para pegar peixe, etc, etc, todas as quais são segundas intenções tão distintas, cada uma das quais é uma certa significação “de extensão em comprimento” que constitui sua primeira intenção, e que corresponde, bem aproximadamente, ao emprego do Termo em Matemática.

[204]Em uns poucos exemplos, a Segunda intenção, ou emprego filosófico de um Termo, é mais extenso do que a Primeira intenção, ou uso popular. Assim, “afeição” é limitado no uso popular a “amor”; “caridade”, a “ato de caridade (almsgiving)”; “flor”, àquelas que têm pétalas notáveis; e fruto, àqueles que são comestíveis.

Algumas vezes acontecerá que um Termo deverá ser empregado sempre em uma ou outra de suas segundas intenções; e nunca, estritamente na primeira, embora essa primeira intenção seja uma parte de sua significação em cada caso. É evidente, que o máximo cuidado é necessário para evitar confundi-las, seja a primeira com a segunda intenção, ou as diferentes segundas intenções umas com as outras.

Semelhança e Analogia. 3) Quando duas ou mais coisas estão conectadas por semelhança ou analogia, elas frequentemente terão o mesmo nome. Desse modo, um “lâmina de grama (blade of grass)” e a invenção em construção chamada de uma “cauda de pombo (dove-tail)” são assim chamadas por suas semelhanças com a lâmina (blade)3 de uma espada, a cauda (tail) de um pombo real. Mas duas coisas podem ser conectadas através de analogia, embora elas não tenham semelhança entre elas mesmas: pois a analogia é semelhança por razões (ou relações). Desse modo, como um gosto doce gratifica o paladar, assim um som doce gratifica o ouvido; e, consequentemente, a mesma palavra “doce” é aplicada a ambos, embora nenhum sabor possa assemelhar-se ao som mesmo. Assim, a perna de uma mesa não se assemelha à perna de um animal; nem o pé da montanha àquele de um animal; mas a perna atende ao mesmo propósito para a mesa que a perna [205]de um animal para aquele animal; o pé da montanha está na mesma situação relativamente à montanha que o pé de um animal ao animal. Essa analogia, portanto, pode ser expressa como uma analogia (ou proporção) matemática; “perna : animal :: vara de apoio : mesa.”

As palavras que dizem respeito à Mente, em geral, podem ser rastreadas, como emprestads (o que sem dúvidas eles todos foram, originariamente) por Analogia, a partir daquelas pertencentes à Matéria: embora em muitos casos o sentido primário tornou-se obsoleto.

Desse modo, “edificar (edify)”4 em seu primeiro sentido de “acumular (build up)”5 está em desuso, e a origem dele frequentemente esquecida; embora o substantivo “edifício (edifice)” permaneça em uso comum em um sentido correspondente.

Contudo, quando nós falamos de “ponderação (weighing)” das razões de ambos só lados, - de “visão (seeing)”, ou “sensação (feeling)” da força de argumento, - “impressão (imprinting)” de qualquer coisa na memória, etc, nós estamos cientes dessas palavras sendo usadas analogicamente.

Primários e secundários sentidos. Em todos esses casos (dessa 3ª categoria) um dos sentidos da palavra é chamado pelos Lógicos de próprio, ou seja, original ou primário; o outro, impróprio, secundário, ou transferido. Desse modo, doce (sweet) é originaria e apropriadamente aplicado a sabores (tastes); secundaria e impropriamente (ou seja, por analogia) a sons; assim, cauda de pombo (dove-tail) é aplicada secundariamente (embora não por analogia, mas por semelhança direta) à invenção em construção assim chamada.

Quando o significado secundário de uma palavra é encontrado em alguma analogia fantasiosa, e especialmente quando é introduzido em razão de ornamento, nós chamamo-lo de uma metáfora; quando nós falamos em “uma embarcação arando (ploughing) as profundezas”; o virar para cima da [206]superfície sendo de fato essencial ao arado (plough), mas somente acidental à embarcação. Mas, se a analogia for uma mais importante e essencial, e especialmente se nós não tivermos nenhuma outra palavra para expressar nosso significado senão essa transferida, nós então a chamamos meramente de uma palavra análoga (embora a metáfora também seja análoga), ou seja, uma que nós dificilmente a chamaríamos de linguagem metafórica ou figurativa falar da “perna de uma mesa”, ou “boca de um rio”.6

Há dois tipos de erro, cada [um] muito comum – os quais levam à confusão de pensamento em nosso uso de palavras analógicas:

i. O erro de supor as coisas mesmas serem similares, a partir de terem relações similares a outras coisas.

ii. O erro ainda comum de supor que a Analogia estende-se além do que ocorre; [ou, ser mais completa do que realmente é;] a partir de não considerar no que a analogia consiste em cada caso.

Por exemplo, os “Servos”, sobre os quais nós lemos na Bíblia e em outras traduções de livros antigos, são assim chamados em Analogia aos servos entre nós: e essa Analogia consiste nas ocupações que um “servo” realiza, ao esperar por seu mestre e cumprir suas ordens. É nesse respeito que uma descrição de “servo” “corresponde”[“responde”] à outra. E consequentemente, algumas pessoas têm sido levadas a aplicar tudo que é dito na Escritura com respeito a Mestres e Servos a estes tempos, e a este País: esquecendo-se de que a Analogia não é completa, e não se estende além do ponto acima mencionado. Pois os “servos” antigos (exceto quando expressamente declarados como servos contratados) eram Escravos; uma parte das posses do Mestre.

[207]Conexão de tempo ou lugar, etc. 4) Várias coisas podem ser chamadas pelo mesmo nome (embora elas não tenham conexão de semelhança ou analogia) a partir de serem conectadas por proximidade de tempo ou lugar; sob essa categoria ocorrerão a conexão de causa e efeito, ou de parte e todo, etc; e a transferência de palavras dessa maneira, do sentido primário ao secundário, é o que os Gramáticos chamam de Metonímia. Desse modo, uma porta significa igualmente uma abertura na parede (chamada mais estritamente de soleira da porta (door-way)) e uma prancha que a fecha; que não são coisas nem semelhantes nem análogas. Quando eu digo, “as rosas cheiram doce”; e “eu cheiro a rosa”; a palavra “cheirar” tem dois significados: na primeira sentença, eu estou falando de uma certa sensação em minha própria mente; na segunda, de uma certa qualidade na flor, a qual produz aquela sensação, mas que, é claro, não pode no mínimo assemelhar-se a ela; e aqui a palavra cheirar é aplicada com igual propriedade a ambos [os casos]. Sobre essa ambiguidade foram fundados paradoxos impressionantes de que não há calor no fogo, nem frio no gelo, etc. As sensações de calor, frio, etc, é claro, somente podem pertencer a um Ser Senciente. Desse modo, novamente, a palavra “certeza,” denota ou, primariamente, o estado de nossa própria mente, quando nós estamos livres de dúvida, ou, secundariamente, o carácter do evento sobre o qual nós sentimos certeza. [Ver Apêndice, No. I.] Desse modo, nós falamos de Homero, para “os trabalhos de Homero”; e isso é um sentido secundário ou transferido. E assim é quando dizemos “um bom tiro (shot)”, para um bom atirador (marksman): mas a palavra “tirotem dois outros significados, os quais são ambos igualmente próprios; a saber, a coisa colocada dentro de uma arma a fim de ser disparada dela, e o ato de dispará-la.

Desse modo, “instrução (learning)” significa ou o ato de aquisição de conhecimento, ou o conhecimento mesmo; por exemplo, “ele neglicencia sua [208]instrução (learning)”; “Johnson era um homem de instrução (learning)”. “Propriedade (possession)” é ambíguo da mesma maneira; e em uma multitude de outras. Uma instância notável e muito importante é a ambiguidade de palavras tais como “mesmo (same)”, “um (one)”, etc. (Ver os Artigos sobre essas palavras no Apêndice, e também no Book IV. Ch. v. §1 & 2.)

Muito confusão frequentemente surge a partir da ambiguidade desse tipo, quando não percebida; nem há qualquer ponto no qual a abundância e a precisão da língua grega seja mais admirada do que em seus termos distintos para expressar um ato, e o resultado desse ato; por exemplo πράξις, “o fazer alguma coisa”; πραγμα, a “coisa feita”; assim, δόσις e δῶρον - λῆψις e λῆμμα , etc.

Acontecerá frequentemente, que dois dos sentidos de uma palavra não terão conexão um com o outro, mas terão cada um alguma conexão com o terceiro. Desse modo, “mártir” originariamente significava uma testemunha; consequentemente foi aplicado àqueles que sofreram ao portarem o testemunho para a Cristandade; e consequentemente, novamente, é frequentemente aplicado aos “sofredores” em geral: a primeira e a terceira significações não estão ao menos conectadas. Desse modo, “postesignifica originariamente um pilar, (postum, de pono) então, uma distância marcada por postes; e depois, os transportes, mensageiros, etc, que viajavam através dessa distância. Desse moro, Letrado (Clerk)”, originariamente um das Ordens Sagradas, veio a ser usado como é no presente, a partir de o “Clero (Clergy)” tendo sido, durante a Idade das trevas, quase as únicas pessoas que podiam ler.

Confundiria qualquer um, prosseguindo em mera conjectura, compreender como a palavra “premissas (premises)” devia ter vindo a significar “uma construção (a building)”.

Ambiguidades desse tipo pertencem praticamente à primeira categoria: não havendo conexão percebida entre os diferentes sentidos.

[209]Linguagem elíptica. Outra fonte de ambiguidade prática (como há pouco foi observado)é que, em respeito a qualquer assunto concernente ao qual a generalidade dos homens está acostumada de falar muito e familiarmente, em sua conversação relativa àquilo, eles comumente introduzem expressões ELÍPTICAS; muito claramente entendidas no início, mas cujo carácter elíptico vem, com o tempo, a ser tão perdido da visão, que a confusão da linguagem e, consequentemente, do pensamento é algumas vezes o resultado. Desse modo, a expressão de uma pessoa com a propriedade de 10.000l. é uma frase elíptica: significando, em extensão plena, que se, vendida toda a sua propriedade, ela seria trocada por aquela soma de dinheiro. E em noventa e nove instâncias em cem, nenhum erro ou confusão de pensamento surge a partir dessa linguagem; mas não há dúvida de que ela contribuiu principalmente para introduzir e manter a noção de que a Riqueza consiste especialmente em ouro e prata (esses sendo usados para medir e expressar seu montante); e que o caminho certo para enriquecer um país é promover a importação, e prevenir a exportação, dos metais preciosos; com todos os outros absurdos do que é comumente chamado de ‘o sistema Mercantil’. Assim também nós falamos comumente de ‘o exemplo de uma punição semelhante de alguém servindo para dissuadir outros do crime’. E usualmente, nenhum equívoco resulta a partir disso, que é, verdadeiramente, uma expressão elíptica. Mas alguns raciocinadores sofísticos tiram proveito disso, e homens que não são lúcidos são levados à confusão de pensamento. Falando estritamente, o que detém um homem do crime em tais casos como esses aludidos, é a percepção de si mesmo sofrendo a punição. Essa percepção pode ser excitada pelo exemplo de outro ser sendo punido; ou pode ser excitada sem aquele exemplo, se a punição for denunciada, e houver uma boa razão para esperar que a ameça não será vazia. E por outro lado, o [210]exemplo de outros sofrendo punição não detém ninguém, se ele falha em excitar essa percepção para si mesmo; se, por exemplo, ele considerar a si mesmo como uma pessoa isenta, como é o caso com um déspota em países bárbaros, ou com um louco que espera ser absolvido sob a alegação de insanidade.

Novamente, quando um homem reclama de que está ‘sem trabalho (out of work)’ - está procurando emprego (employment)’, - e espera subsistir pelo trabalho, isso é linguagem elíptica; bem entendida o suficiente no geral. Nós sabemos do que um homem vive, é comida; e que ele disse que está procurando emprego, está em carência de comida e outras necessidades, as que ele espera obter em troca de dinheiro, e não tem esperança de obtê-las sem ele. Mas não há dúvida de que essa linguagem elíptica contribuiu para levar aqueles que não estiveram atentos ao carácter da expressão, a considerarem todas as coisas que fornecem emprego como benéficas para as classes trabalhadoras, ou seja, dá problema; mesmo embora nenhum crescimento consequente deva ter ocorrido no País, da comida e outras comodidades destinadas ao suporte delas.7 Um monte de neve que obstrua uma estrada, e um veio de minério valioso, podem concebivelmente cada um fornecer emprego para um número igual de trabalhadores.

O remédio para ambiguidade é uma Definição do Termo que é suspeito de ser usado nos dois sentidos; a saber, uma definição Nominal, não necessariamente uma Real: como observado em Book II. Chap. v.

Definição quando mais necessária. É importante observar que a circunstância mesma que em algum casotorna uma definição mais necessária, está apta a levar à omissão dela. Pois, quando quaisquer termos são empregados que não são familiarmente introduzidos em discursos [211]ordinários, tais como ‘paralelogramo’, ou ‘esfera’, ou ‘tangente’, ‘lápis de raios’, ou ‘refração’, - ‘oxigênio’, ou ‘álcali’, - o aprendente está pronto a inquirir, e o escritor a antecipar a inquirição, o que quer dizer esse ou aquele termo? E, embora em tais casos, seja indubitavelmente um procedimento correto responder a tais inquirições com uma definição, contudo, dos dois casos, uma definição é ainda mais necessária no outro, onde não é provável de ser pedida; - onde a palavra, não sendo nova ao estudante, mas familiar a seu ouvido, a partir de seu emprego no discurso diário, está sujeita à ambiguidade que é quase sempre o resultado. Pois em respeito a palavras que soem algo novo e estranho, embora seja, como eu disse, muito melhor defini-las no início, mesmo sem isso, o estudante gradualmente coletaria seu significado muito corretamente conforme ele procedesse seu estudo de qualquer tratado; a partir de nada tendo para o induzir ao erro, - nada a partir do qual formar suas noções em absoluto, exceto a maneira pela qual os termos eram empregados no trabalho mesmo que está diante dele. E o desejo mesmo que ele sentiu de uma definição levá-lo-ia nesse caminho a formar uma, e geralmente uma suficientemente correta, por si mesmo.

É de outra maneira com termos com os quais nós estamos familiarmente acostumados. Desses, o estudante geralmente não deseja definições, ao supor, por essa aquela razão, que ele os entenda bem o suficiente: embora talvez (sem o suspeitar) ele em realidade tenha estado acostumado a ouvi-los empregados em vários sentidos, e a anexar apenas uma noção vaga e imprecisa a eles. Se você fala a um ouvinte não instruído, sobre qualquer coisa que é esférica, ou circular, ou cilíndrica, ele provavelmente pedirá uma explicação de seu significado; mas se você contar a ele de algo que é redondo (round), não o chocará que qualquer explicação é necessária: embora ele tenha estado acostumado a [212]empregar a palavra, indiscriminadamente, em todos os sentidos denotados pelas outras três.”8

Definições, quão longe ser exato. Mas pode ser apropriado observar,9 que para se evitar a Falácia ou controvérsia verbal, é requisito único que o termo deva ser empregado uniformemente no mesmo sentido, enquanto a questão existente estiver relacionada. Assim, duas pessoas poderiam, ao discutir a questão de se Augusto foi um GRANDE homem, ter uma diferença semelhante em sua aceitação do epíteto “grande”, como se fosse não essencial àquela questão. Por exemplo, um deles poderia entender por ele nada mais do que eminentes qualidades intelectuais e morais; enquanto que o outro poderia concebê-lo implicar a performance de ações esplêndidas: essa diferença abstrata de sentido não produziria qualquer desacordo na questão existente, pois as duas circunstâncias estão unidas no caso de Augusto; mas, se uma (e não a outra) das partes entendeu que o epíteto “grande” implica puro patriotismo, - GENEROSIDADE de carácter, etc, então haveria um desacordo quando a aplicação do Termo, mesmo entre aqueles que poderiam pensar parecido sobre o carácter de Augusto, como deficiente daquelas qualidades.10 A definição, a específica para ambiguidade, deve ser empregada, e exigida, com uma visão para este princípio; é suficiente em cada ocasião definir um Termo enquanto diz respeito à questão em mãos.

Se, por exemplo, nós estamos protestando com alguém para abandonar a igreja da qual ele era um membro, arbitrariamente, e não a partir de uma convicção conscienciosa, forte e deliberada, mas a partir de motivos de gosto ou fantasia, e ele estivesse para responder ao perguntar, como você define uma Igreja? A demanda seria bem [213]irrelevante, a menos que ele pretenda negar que a Comunidade que abandona seja uma Igreja. Mas se nós fossemos insistir em designar qualquer comunidade religiosa sobre a terra à qual nós poderíamos pertencer, como a Igreja universal ou Católica, - ao exigir de todos os cristãos submissão às suas ordenanças e decisões, e denunciando todos que não deveriam pertencer a ela, como estando fora do limite da Igreja de Cristo, então, de fato, nós poderíamos justamente ser chamados a dar uma definição, e uma que seria consistente com os fatos.11


Próxima parte


ORIGINAL:

WHATELY, R. Elements of Logic. New Edition. Boston and Cambridge: James Munroe and Company, 1859. p.200-213. Disponível em: <https://archive.org/details/elementsoflogicc00whatuoft/page/200/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

1 Ver Rhetoric, Appendix.

2 Eu estou ciente de que existe outra opinião quanto ao sentido da frase “segunda intenção”; e que Aldrich é entendido por algumas pessoas como querendo dizer (como de fato sua expressão pode muito bem ser entendida implicar) que todo predicável precisa necessariamente ser empregado na segunda intenção. Eu não intento combater a doutrina aludida, pois eu preciso confessar que, depois da atenção mais paciente devotada às explicações dadas a ela, eu nunca fui capaz de compreender o que se quer dizer com ela. É algo, contudo, o qual, quer correto ou incorreto, não parece estar conectado com qualquer processo da Lógica, e, portanto, pode seguramente ser ignorada na ocasião presente.

3 A menos que, de fato, a aplicação primária do Termo seja a da folha de grama, e a secundária, dos instrumentos cortantes, a qual é talvez mais provável; mas a questão é sem importância no caso presente.

4 Ver I Peter ii. 5.

5 Ver Johnson’s Dictionary.

6 Ver a explicação da Analogia pelo Bp. Copleston nas notas a seus “Four Discourses.

7 Pol. Econ. Lect. IX.

8 Pol. Econ. Lect. IX.

9 Ver Book II. Ch. v. §6.

10 Ver Book iv. Ch. 4. §1.

11 Ver Appendix, Artigo “Truth”.

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