Perspectivas sobre o Humanismo Digital
Manifesto de Viena sobre o Humanismo Digital
Parte II Participação e Democracia
[61]Descolonizando Tecnologia e Sociedade: Uma Perspectiva a partir do Sul Global
por Anna Bon, Francis Dittoh, Gossa Lô, Mónica Pini, Robert Bwana, Cheah WaiShiang, Narayanan Kulathuramaiyer e André Baart
Resumo A despeito do grande impacto da tecnologia digital sobre as vidas e o futuro de todas as pessoas no planeta, muitas pessoas, especialmente no Sul Global, não estão incluídas nos debates sobre o futuro da sociedade digital. Essa desigualdade é um problema sistêmico que tem suas raízes no mundo real. Nós fazemos referência a esse problema como “colonialidade digital.” Nós argumentamos que, para alcançar uma sociadade global mais equitativa e inclusiva, o envolvimento ativo de partes interessadas das regiões pobres do mundo como copesquisadores, cocriadores e codesigners é requerido. Nós discutimos brevemente uns poucos projetos de desenvolvimento de tecnologia orientados a comunidade, colaborativos, como exemplos de produção transdisciplinar e de pesquisa de ação para uma sociedade digital mais inclusiva.
[62]1 Inclusão, Colonialidade e a Sociedade Digital
Pessoas de ambientes pobres, por exemplo, no Sul Global, frequentemente não são incluídas nos debates sobre a sociedade digital. Isso é surpreendente, visto que os impactos das tecnologias digitais têm consequências de longo alcance para as vidas e o futuro delas. Hoje em dia, a coevolução rápida de sociedade e tecnologia está exigindo reflexão, deliberação e ação responsável. Cientistas estão colocando a questão: “Nós humanos estão definindo a tecnologia ou a tecnologia está nos definindo?” (Lee 2020), mas quem são o “nós” nessa questão? Quem está definindo a tecnologia, e quem tem o conhecimento, os ativos e o poder de tomada de decisão?
Uma maneira de entender os impactos da transformação digital para as pessoas no Sul Global é observar a sociedade digital através de uma lente descolonial. Isso ajuda a entender os frequentemente tácitos padrões de poder no teciddo social e tecnológico. Se nós considerarmos a sociedade digital ser uma imagem do mundo físico, ela terá herdado, junto com outros aspectos, padrões históricos de desigualdade. Esses padrões são referidos como “colonialidade (coloniality)” (Mendoza 2021, pp. 46 – 54; Mignolo e Walsh 2018, pp. 1 – 12; Quijano 2016, pp. 15 – 18).
No momento da escrita, aproximadamente três bilhões de pessoas no mundo estão desconectadas da sociedade digitial – um fenômeno frequentemente chamado de exclusão digital (digital divide) – mas esse número está diminuindo rapidamente. Estar conectado, particularmente através da internet e web, é geralmente visto como a chave para uma vida melhor. Com o ritmo de tirar o fôlego no qual a internet é lançada mesmo nos cantos mais remotos do mundo, a conectividade universal, com o endosso completo das Nações Unidas,1 bem poderia ser completada em breve. A questão que se segue é: a conectividade onipresente trará justiça social, igualdade e mundo mais sustentável e próspero para mais perto de todos?
A World Wide Web, a espinha dorsal da sociedade digital, foi projetada, de acordo com o seu inventor, Tim Berners-Lee, como “uma plataforma aberta que permitiria a qualquer um, em qualquer lugar, compartilhar informação, oportunidades de acesso e colaborar através de fronteiras geográficas e culturais” (Berners-Lee 2017). Contudo, a despeito de ser um recurso comum (common) global, a ampla penetração da Web torna-a um padrão dominante. Através de sua ubiquidade, a Web exerce pressão na direção de absorção, mesmo se essa absorção pode ser prejudicial para o usuário individual. A alternativa – recusa a fazer parte dela – resulta em isolamento. Esse fenômeno, o qual é descrito por David Grewal como poder de rede (network power), é comum para padrões em rede (Grewal 2008, pp. 20-28). Ele torna a sociedade digital em um sistema hegemônico do qual – especialmente a partir da perspectiva do Sul Global – não há escapatória, a despeito do preço, usuários, comunidades e até países têm de pagar com seu dinheiro ou seus dados, para tornarem-se parte dela.
Quando nós observarmos a estrutura corrente da sociedade digital, nós percebemo-la fisica, economica e socialmente extremamente centralizada e concentrada no Norte Global, onde, até a data, os pioneiros de muitas inovações digitais residem. Por [63]exemplo, a “nuvem (cloud)” está concentrada em grandes centros de dados nos países ricos. A comercialização das TCIs, influenciada pela dita centralização, coloca mais um grande pedaço da riqueza reunida pelas inovações no Sul Global nas contas das grandes empresas de tecnologia (Zuboff 2019, pp. 63-96). A competição desigual em termos de armazenamento, conectividade, financiamento e adoção dificulta a inovação dirigida por startups no Sul Global.
Enquanto tecnologias digitais tais como telefones celulares estão tornando-se mais baratas e mais difundidadas em todos os cantos do mundo, o controle sobre o que pode ser instalado situa-se nas mãos de firmas de tecnologia proeminentes. A governança e tomada de decisão sobre a tecnologia estão nas mãos de firmas privadas de tecnologias e, na melhorar das hipóteses, são restritas por normas e regulamentos estabelecidos em países do Sul Global. E esses são apenas alguns exemplos da colonialidade tecnológica.
A colonialidade tecnológica pode ser observada em muitos setores da sociedade. Por exemplo, na Argentina, um país que carece de autonomia tecnológica, o mercado digital é dominado por empresas internacionais de tecnologia. Essas partes estão assumindo papéis e funções do Estado, por exemplo, na educação. Elas estão fornecendo – através de presentes filantrópicos no quadro da assim chamada de responsabilidade social corporativa – serviços digitais para institutos de educação superior em troca de penetração de mercado, isenção de impostos, promoção de marca e influência política. As atividades comerciais das grandes empresas de tecnologia estão tendo como alvo os jovens com mídias, música, vídeo, entretenimento e notícias falsas. Isso adicionalmente tira vantagem das tendências de privatização (Pini 2020, pp.37-40).
Com novas formas de comunicação digital e educação online, intensificadas em 2020 durante a pandemia de COVID-19, há uma evidência crescente de algoritmos sendo usados para vigilância do acesso, da produção e da circulação de informação, de bens e serviço na sociedade. Esses cenários são vistos em muitos países, Argentina inclusa. A internet “livre (free),” fornecida em troca de dados de usuários, é o modelo de negócios no qual os dados pessoais são explorados como materiais brutos (Zuboff 2019, pp. 70-73). Dados, conhecimento, perícia e infraestruturas de alta perfomance são mantidos e minerados por um número cada vez menor de corporações internacionais, usando tecnologias digitais altamente avançadas para extração de valor e lucro. Enquanto intervenções “livres de custos” e “conectividade gratuita na internet” são justificadas como benefícios sociais, a influência do setor privado de tecnologia em setores vitais da sociedade revela a colonialidade corporativa.
A colonialidade pode ser observada em muitas instâncias de tecnologia. Por exemplo, nos algoritmos de Inteligência Artificial (IA), os quais anteriormente eram considerados objetivos e livres de valores, vieses de discriminação têm sido descobertos (Mohamed et al. 2020, pp. 659-663). Há vários exemplos de IA discriminadoras, como um resultado de vieses que estão ocultos nos dados subjacentes: por exemplo, um algoritmo para autonomanente embranquecer rostos negros e asiáticos; uma aplicação, baseada em algoritmo de reconhecimento facial, que abre a porta de um escritório apenas para rostos brancos, mas falha em reconhecer rostos [64]negros.2 Esses exemplos tríviais revelam vieses embutidos em tecnologia aparentemente livre, nas quais padrões existentes são inconscientemente replicados. Esses vieses surgem inesperadamente em sistemas inteligentes autônomos e podem, intencionalmente ou não, exacerbar as desigualdades. A inteligência artificial é um domínio tecnológica que ugentemente tem de ser descolonizado.
2 Modelos Transdisciplinares, Orientados a Comunidade e Plataformas Inclusivas como Alternativa
No limiar de novos avanços tecnológicos, muitos cientistas, cientes de sua responsabilidade, propõem reunir as mentes mais brilhantes de vários setores e várias disciplinas para discutirem direções e proporem soluções para a sociedadde digital (por exemplo, Berners-Lee 2019). Os autores deste artigo enfatizam a importância de incluir, nessas plataformas importantes, também pessoas de regiões pobres, por exemplo, no Sul Global, e fazerem suas vozes serem ouvidas e suas perspectivas visíveis. Para fazer isso, nós propomos pesquisa orientada a comunidades e desenvolvimento colaborativo de tecnologia. Enquanto isso pode ramificar inovação em ambientes de poucos recursos de maneiras inesperadas, também pode ser uma fonte de inspiração por novas formas de produção de conhecimento transdisciplinar. Nós discutimos uns poucos exemplos.
Em ambientes de poucos recursos na África, muitas pessoas não têm acesso à informação que é relevante para o seu trabalho cotidiano. Por exemplo, pequenos fazendeiros necessitam de previsões climáticas locais, de dados sobre chuvas atuais e de informações sobre preços nos mercados locais, sobre o tratamento da saúde animal, sobre a qualidade da água em poços locais, etc. Contudo, o acesso à informação é atrapalhado não apenas devido a uma falta de acesso à internet: também existes fatores culturais e sociais, por exemplo, baixa alfabetização ou linguagem. Essas barreiras de acesso existem para a maioria das comunidades rurais na Região Norte de Gana.
Em resposta às necessidades locais, um projeto de pesquisa de ação científica de design exploratório apelidado de Tibaŋsim, foi levado a cabo no Norte de Gana, para desenvolver novos modos de acesso digital e compartilhamento digital para comunidades rurais. Tibaŋsim foi implantado em cinco comunidades do Distrito Oriental de Gonja Oriental da Região da Savana de Gana. Essas são comunidades tipicamente pequenas com aproximadamente 20 a 30 lares. Nesse projeto, o sistema de informação de Tibaŋsim foi desenvolvido, construído em iniciativas locais e adaptado às condições locais. Tibaŋsim fornece uma informação relacionada à agricultura que está sendo coletada, (re-)produzida, e entrou no sistema através dos membros mesmos da comunidade, de modo que ele pode ser localmente compartilhado. Ele usa apenas tecnologias que estão localmente disponível: telefonia móvel (GSM) baseada em voz e rádio da comunidade local. A informação é comunicada aos usuários em sua(s) própria(s) linguagem(ns) local(is)(Dittoh et al. 2021, pp. 1-23). Aqui, nós vemos que isso não é apenas sobre [65]conectividade ou acesso à plataforma como tal: o trabalho colaborativo sobre o conteúdo de informação relevante e adequado é, pelo menos, tão importante.
Iniciativas similares foram levadas a cabo em Mali, no período de 2011-2021. Diante da requisição da organização maliense AOPP3 de pequenos proprietários, uma plataforma digital foi desenvolvida para suportar os seus membros – pequenos proprietários de sementes de cerais – no comércio de sementes. Tão logo a primeira versão da plataforma de comércio de sementes baseado na web foi avaliada, tornou-se claro que os requerimentos locais e as barreiras contextuais foram negligenciados por desenvolvedores técnicos (Vos et al. 2020, pp.13-14). O sistema teve de ser adaptado e redesenhado em diálogo mais próximo com seus usuários. Essa segunda iteração resultou em uma interface móvel, de voz, falada na linguagem local bambara, como a ser útil para fazendeiros sem habilidades de alfabetização. Isso resultou em um conjunto complexo de requerimentos, visto que a plataforma deveria satisfazer os requerimentos do comércio de sementes local não digital legado, os requerimentos de linguagem e voz, assim como os desafios tecnológicos para o fazer funcionar na ausência de conectividade ubíqua na internet.
Em Sarawak, Maláisia, pesquisadores e comunidades indígenas têm trabalhado por mais de uma década na pesquisa de soluções sociotécnicas para problemas locais. Uma das iniciativas é o eBario,4 um projeto que teve como objetivo a conexão das vilas remotas e desconectadas de Bario à sociedade digital. A iniciativa consistiu em uma pareceria universidade-comunidade entre as minorias étnicas de Borneo, a comunidade Kelabit, e o Instituto de Informática Social e Inovações Tecnológicas da Universidade Malásia Sarawak. O projeto trouxe muitos subprodutos inesperados para a comunidade indígena, quem adotou a criação conjunta de conhecimento como um novo caminho. Os esforços conjuntos do projeto em um laborátorio vivo para inovações em assistência médica, preservação cultural local e agricultura. O modelo eBario tem sido replicado em seis locais: Grande Lamai e Ba’Kelalan em Sarawak, Pos Lenjang e Pos Sinderut em Pahang e Pos Gob e Pos Bala em Kelantan. Entre as suas realizações está o desenvolvimento de iniciativas de aprendizagem ao longo da vida, lideradas pela comunidade. Habilidades, rendas e comunicações melhoradas foram os resultados do projeto eBario para comunidades participantes. Em um nível nacional, o projeto tem influenciado a legislção para o desenvolvimento rural. Para acadêmicos, ele trouxe novas intuições sobre como realizar pesquisa ICT4D que também busca melhorar as vidas de comunidades marginalizadas e carentes (Harris et al. 2018, pp. 63-68). projetos tais como esses revelam que não é apenas sobre conectividade universal per se: esforço significante foi despendido para colaborativamente dar forma aos impactos sociais da conectividade como a chave para colher os benefíciso da digitalização.
O que nós apredemos a partir das iniciativas acima em ambientes de poucos recursos é que, enquanto a ciência da computação e inteligência artificial convencionais estão apenas se focando em sistemas de alta performance, computação de alto tecnologia, redes e dados massivos, também é cientificamente desafiador e socialmente relevante investigar como projetar [66]soluções em pequena escala, sistemas descentralizados e tecnologias verdes, energeticamente eficientes. Por exemplo, estudos recentes sobre aparelhos pequenos, econômicos, como a assim chamada de plataforma “Kasadaka”5 demonstraram o potencial das plataformas descentralizadas, econômicas, hospedadas localmente em hardware pequeno como plataformas inclusivas para comunidades locais em Mali, Burkina Fasso e Gana (Baart et al. 2019, pp. 202-2019).
Outro ponto importante nessa pesquisa é aquele de contextualização. Por exemplo, a implantação de inteligência artificial geralmente requer infraestruturas de alta performance. O ramo mais popular de inteligência artificial, a aprendizagem de máquina, usa computação pesada e necessita de armazenamento sustentável de dados para processar e armazenar grandes quantidade de dadas. Tal infraestrutura não está disponível em muitos países do Sul Global. Outra questão é relacionadao aos dados de usuários, a qual levanta problema de privacidade e segurança e requer estruturas regulatórias que, infelizmente, ainda estão na infância em muitos países africanos. Ainda assim, há formas alternativas de IA, por exemplo, sistemas de raciocínio baseado em conhecimento, que funcionarão melhor em circunstâncias de baixo recurso e podem rodar sobre sistemas locais descentralizados. Exemplos incluem engenharia de conhecimento para conhecimento indígena, coprojetada pelos fazendeiros locais e especialistas em IA, ou sistemas especialistas da tradicional medicina africana por local e especialistas e IA (Lô et al. 2017). Esses tópicos estão correntemente sendo usados em projetos de pesquisa pilotos baseados em campo.
Os exemplos acima são projetos de pesquisa do mundo real com um alcance modesto. A despeito do seu tamanho pequeno, esses projetos revelam a importância da transdisciplinaridade, envolvendo comunidades locais, não como sujeitos passivos, mas como copesquisadores e cocriadores. Esse modelo também é aplicável à educação acadêmica. Correntemente, currículos convencionais em Ciência da Computação e Inteligência Artificial introduzem os estudantes apenas aos domínios sofisticados da inovação tecnológica. Não muitos programas educacionais são dedicados ao desenvolvimento de tecnologia centrado em comunidades em ambientes de conceitos restritos. Contudo, os desafios da sociedade digital global também estão requerendo profissionai de TCI com conhecimento, habilidades e responsabilidade para lidar com esses desafios. Desenvolvimento colaborativo de tecnologia, reflexão e deliberação conjunta com respeito a ação e inovação locais podem abrir novas avenidas na direção de produção responsável e socialmente orientada de tecnologia e o desenvolvimento ético de tecnologia, esforçando-se por mais igualdade e menos colonialidade na sociedade (digital).
3 Conclusão
A partir das discussões acima, torna-se claro que a colonialidade também é uma realidade na sociedade digital. Conetividade universal à internet não necessariamente é igual à verdadeira conectividade inclusiva. De acordo com o filósofo afriacano Achille Mbembe, nós temos de compreender que colonialidade é mais do que discursos e representações acadêmicas (Mbembe 2001). É um problema sistemático, materializado no mundo real e sentido na [67]vida cotidiana por muitas pessoas. Se nós queremos construir uma sociedade digital centrada no humano, participativa e democrática – inclusive também para as comunidades vulneráreis – novas maneiras de colaboração, inovação e cocriação são necessárias. Neste capítulo, nós tentamos apresentar como isso poderia ser realizado.
Referências
Baart, A., Bon, A., De Boer, V., Dittoh, F., Tuijp, W. e Akkermans, H. (2019) “Affordable Voice Services to Bridge the Digital Divide – Presenting the Kasadaka Platform” in Escalona, M.J., Mayo, F.D., Majchrzak, T.A., Monfort, V. (eds) Web Information Systems and Technologies, LNBIP Book Series, Vol. 327, pp. 195-220. Berlin, Germany: Springer.
Berners-Lee, T. (2017) Three Challenges for the Web, According to its Inventor. [Online]. Disponível em: https://webfoundation.org/2017/03/web-turns-28-letter/ (Acessado: 1 de maio de 2021).
Berners-Lee, T. (2019) The Web is under Threat. Join us and Fight for it. [Online] Disponível em: https://webfoundation.org/2018/03/web-birthday-29/ (Acessado: 1 de maio de 2021).
Dittoh, F., Akkermans, H. De Boer, V. Bon, A. Tuyp, W. e Baart, A. (2021) “Tibaŋsim: Information Access for Low-Resource Environments” in Yang, X.S., Sherratt, S., Dey, N., Joshi, A. (eds) Proceedings of the Sixth International Congress on Information and Communication Technology: ICICT 2021, London, UK, Vol. 1, Singapore: Springer. Disponível em: https://w4ra.org/wp-content/uploads/2014/02/ICICT_2021_paper_289.pdf (Acessado: 1 de maio de 2021).
Lee, E.A. (2020) The Coevolution: The Entwined Futures of Humans and Machines. Cambridge MA, USA: MIT Press.
Grewal, D. S. (2008) Network Power: The Social Dynamics of Globalization. New Haven, USA & London, UK: Yale University Press.
Harris, R., Ramaiyer, N.A.N.K. e Tarawe, J. (2018) “The eBario Story: ICTs for Rural Development” In International Conference on ICT for Rural Development (ICICTRuDev) pp. 63-68, IEEE.
Mignolo, W.D. and Walsh, C.E. (2018) On Decoloniality: Concepts, Analytics, Praxis. Durham, NC, USA: Duke University Press.
Mendoza, B. (2021) “Decolonial Theories in Comparison” in Shih S., Tsai, L. (eds) Indigenous Knowledge in Taiwan and Beyond. Sinophone and Taiwan Studies, Vol.1, pp. 249-271, Singapore: Springer.
Lô, G., de Boer, V., Schlobach, S. e Diallo, G. (2017) “Linking African Traditional Medicine Knowledge”. Semantic Web Applications and Tools for Healthcare and Life Sciences (SWAT4LS), Rome Italy. [Online] Disponível em: https://hal-archives-ouvertes.fr/hal-01804941/document (Acessado: 1 de maio de 2021).
Mohamed, S., Png, M.T. e Isaac, W. (2020) “Decolonial AI: Decolonial Theory as Sociotechnical Foresight in Arti fi cial Intelligence”. Philosophy & Technology, Vol. 33 No. 4, pp. 659-684.
Mbembe, A. (2001) On the Postcolony. Studies on the History of Society and Culture, Vol. 41, Los Angeles, USA: University of California Press.
[68]Pini, M.E. (2020) “Digital Inequality in Education in Argentina”. In Proceedings of the 12th ACM Conference on Web Science (WebSci ’ 20 Companion), 6 – 10 de julho de 2020, Southampton, UK, pp. 37-40, New York, NY, USA: ACM. Disponível em: https://doi.org/10.1145/3394332.3402827.
Quijano, A. (2016) “Bien Vivir – Between Development and the De/Coloniality of Power”. Alternautas (Re) Searching Development: The Abya Yala Chapter 3(1) pp. 10-23. [Online] Disponível em: http://www.alternautas.net/blog/2016/1/20/bien-vivir-between-development-and-the-decoloniality-of-power1 (Acessado: 1 de maio de 2021).
Vos, S., Schaefers, H., Lago, P. e Bon, A. (2020) “Sustainability and Ethics by Design in the Development of Digital Platforms for Low-Resource Environments”. [Online]. Amsterdam Sustainability Institute Integrative Project Technical Report. pp. 1-43, Vrije Universiteit Amsterdam. Disponível em: https://w4ra.org/wp-content/uploads/2021/01/ICT4FoodSec.pdf (Acessado em 1 de maio de 2021).
Zuboff, S. (2019) The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. London, UK: Profile Books.
ORIGINAL:
BAART, A. et al. Decolonizing Technology and Society: A Perspective from Global South. In: GHEZZI, C. et al. (eds.). Perspective on Digital Humanism. Springer Cham: 2022. p.61-68. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-86144-5>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1 [62]Ver, por exemplo, https://www.un.org/development/desa/en/news/administration/internet-governance-2.html (Acessado em 1 de maio de 2021)
2 [64]https://www.oneworld.nl/lezen/discriminatie/racisme/zwart-dan-rijdt-de-zelfrijdende-auto-jou-eerder-aan/ (Acessado em 1 de maio de 2021)
3 [65]https://aopp-mali.com/ (Acessado em 1 de maio de 2021)
4 https://www.itu.int/osg/spuold/wsis-themes/ict_stories/themes/case_studies/e-bario.html (Acessado em 1 de maio de 2021)
5 [66]https://www.kasadaka.com/ (Acessado em 1 de maio de 2021)