O Manifesto Onlife: Sendo Humano em uma Era Hiperconectada
Parte I Comentários
[37]May Thorseth: Comentário do Manifesto
por May Thorseth
A abundância de informação e a primazia de interações sobre entidades é particularmente importante com o problema do público, ou seja, a questão de como tornar o público bem informado. A importância de estar bem informado se relaciona com questões similares a como lutar contra a intolerância e o fundamentalismo, em particular. Além disso, o problema do público é sobre educação: que focos e que tipo de metodologias aplicar para ensinar as gerações mais jovens a alargarem as suas perspectivas? Como um exemplo, um exercício para crianças em escolas é usar a Internet para coletar informação para tarefas. Até agora, o corpo docente frequentemente parece carecer das competências relevantes para a orientação dos seus estudantes.
Em contextos políticos, o problema da abundância de informação também tem de ser resolvido: a tentação de coletar a informação examinando websites em vez de discutir e interagir com oponentes políticos é uma ameaça ao público, particularmente para tornar o público melhor informado. O caso de 22 de julho de 2011, na Noruega, é apenas um exemplo da falta de interação relevantes entre os extremistas e os seus oponentes, ou seja, as pessoas mais moderadas e democraticamente orientadas. Uma alegação, nas repercussões desse evento, tem sido de que o público não levou a sério os pontos de vistas extremos como apresentados na internet. Como um resultado, tem havido debate público insuficiente.
Outro problema importante no Manifesto é sobre a distribuída ou (falta de) compartilhada responsabilidade. Como nenhum órgão governamental ou não governamental, ou outras organizações, são capazes de manter o controle, e os fluxos de informação são menos transparentes do que antes, isso parece ter um impacto negativo sobre a nossa responsabilidade: a nenhuma única instituição ou indivíduo pode ser atribuído responsabilidade como nos tempos pré-TI. Tecnologias que gradualmente estão substituindo as responsabilidades humanas colocam em perigo as liberdades democráticas dos indivíduos – dessa forma, há uma necessidade para a pesquisa focar-se sobre os desenvolvimentos de empoderamento/enfraquecimento resultantes da falta de interações humanas.
Outro problema muito importante é a distinção público-privada. Em vez de falar em termos de distinção entre os dois, faz mais sentido falar de [38]relações complementares entre eles: o lar não é mais necessariamente um espaço privado enquanto distinto dos espaços públicos. Como uma ilustração, negociações políticas e públicas não necessitam necessariamente ocorrer em um espaço público, visto que o Skype está disponível em quase qualquer lugar. E vice-versa, quando se chega às conversas privadas, elas podem igualmente tão bem ocorrer no espaço público. Adicionalmente, também o que é concebido como privado ou público parece ter mudado. O que costumava ser considerado intimidade entre jovens, como, por exemplo, relações sexuais, é visto como muito menos privado comparado às ocupações dos pais, ou as afiliações políticas de hoje em dia. Dessa forma, em vez de falar de privado versus público, há uma necessidade de enfatizar a importância do contexto: o que quer que seja disputado no espaço público não é puramente privado. A globalização, não menos devido à difusão da tecnologia da informação, implica um colapso de qualquer distinção clara entre público e privado. Como uma consequência, há uma necessidade de se redefinir os espaços público e privado, mas importantemente, qual o sentido que nós correntemente queremos fazer dessas categorias. Como um exemplo, não é mais óbvio que o consumo de lares privados/indivíduos não seja uma questão pública quando discutindo, por exemplo, os direitos e as responsabilidades pelos bens comuns como os recursos naturais. O conhecimento também é um bem comum (commons) nesse sentido, e, dessa forma, nós temos de questionar se deveria haver tanto direitos quanto deveres associados a ele. Público e privado não são mais contrapartes, mas antes categorias complementares, sendo desafiadas pelas tecnologias de comunicação e informação.
Consequentemente, estar bem informado sobre assuntos sociais também é verdadeiramente uma questão social.
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ORIGINAL:
THORSETH, M. May Thorseth: Commentary of the Manifesto. In: FLORIDI, L. (Editor). The Onlife Manifesto: Being Human in a Hyperconnected Era. Spinger, 2015 (SpringerOpen). p.37-38. Disponível em: <https://www.springer.com/gp/book/9783319040929>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC 3.0
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