O Manifesto Onlife: Sendo Humano em uma Era Hiperconectada
Último comentário
[41]Documento de Contexto: Repensando Espaços Públicos na Transição Digital
por A Iniciativa Onlife
O que eu proponho no que se segue é uma reconsideração da condição humana a partir do ponto de vista de nossas experiências mais novas e medos mais recentes. Isso, obviamente, é uma questão de pensamento, e falta de consideração – a imprudência descuidada ou confusão sem esperança ou repetição complacente de ‘verdades’ que se tornaram triviais e vazias – parece-me entre as características excepcionais de nosso tempo. O que eu proponho, portanto, é muito simples: não é nada mais do que pensar no que nós estamos fazendo.
Hannah Arendt, Prólogo de “A Condição Humana”, 1958.
O desenvolvimento das TCIs e o uso delas pela sociedade afeta radicalmente a condição humana, na medida em que isso modifica nossas relações com nós mesmos, com outros e com o mundo. Essa transição digital abala estruturas de referência estabelecidas, as quais impactam o espaço público, a política mesma e as expectativas sociais relacionadas à elaboração de políticas. A Iniciativa Onlife pretende explorar esses impactos no interior do contexto político da Agenda Digital para a Europa.
1 O que nós Queremos Dizer com Reengenharia de Conceito?
Não existe tal coisa como apreensão neutra da realidade. A filosofia conta-nos que nós compreendemos o mundo a nosso redor através de conceitos. Mesmo quando nós pensamos que estamos representando nosso ambiente de um modo objetivo ou especular, nossa percepção é necessariamente mediada por conceitos, como se eles fossem os buracos de fechadura através dos quais nós inevitavelmente vemos e percebemos a realidade. Os conceitos mostram a eficácia deles ao prover-nos com um entendimento de nossas realidades circundantes e meios pelos quais nós somos capazes de compreender essas realidades.
O conhecimento agrega-se ao redor de conceitos dados, e mudanças paradigmáticas acontecem quando conceitos novos são esboçados, assumidos, adaptados ou readaptados, desse modo provendo uma nova base para acumulação do conhecimento e para a produção de um novo sentido de significado (semantização).
[42]A reengenharia de conceito é uma atividade que visa colocar a nós mesmos na melhor posição para refletir significantemente sobre o que nos acontece e, desse modo, ajudar-nos a prever o futuro em termos positivos. O predomínio de projeções negativas sobre o futuro é frequentemente o sinal da inadequação de nossa atual caixa de ferramentas conceitual. Nós tememos e rejeitamos o que falhamos em entender e semantizar. Então, o propósito global deste exercício de reengenharia de conceito é reconhecer semelhante inadequação e explorar alternativas conceitualizações que possam nos capacitar a encarar novamente o futuro com confiança maior.
É reconhecido que, coletivamente, nós estamos passando por uma crise profunda, a expressão da qual é aparente em termos econômicos, sociais, ambientais e financeiros. De uma maneira menos óbvia, mas igualmente, se não mesmo mais significante, a crise afeta o espaço público, a política mesma e como nós conceitualizamos ambos, nós mesmos e o mundo, assim como nossas interações mútuas. Através do exercício de reengenharia de conceito, nós pretendemos focar na questão dos espaços públicos e colocar a filosofia em prática no interior do reino da elaboração de políticas.
As fontes de inspiração e as referências serão múltiplas e diversas, mas a noção de espaço público subjazendo a esta proposta é grandemente inspirada por, se não emprestada de, Hannah Arendt. A visão dela repousa sobre o fato que a política emerge da pluralidade e que o espaço público é o espaço situado entre nós, onde cada um pode experienciar a liberdade. Se esse espaço entre nós colapsa, e se a política torna-se somente um meio para um fim (tanto faz [que] bem esse fim pretenda ser), então nós não estamos distantes do totalitarismo, ela argumenta. Ela convida-nos a dissociar a nós mesmos da ilusão de que o modo mais eficiente de tornar a sociedade boa seja fazer de cada um de seus membros uma pessoa boa. A Jonas, que sustentava essa visão, ela respondeu: “se isso for verdade, então nós estamos perdidos!”1 E realmente, como humanos, nós todos experienciamos o diálogo interno entre o bem e o mal. Que nós necessitemos algumas vezes tornar essa figura polarizada pode ser parte da construção de nossa identidade coletiva, mas nós não devemos iludir a nós mesmos pensando que nós podemos realmente ambicionar, através da política, fazer de cada ser humano um ser inequivocamente bom. Por essa razão, este exercício focar-se-á no que importa no espaço público, em vez do que importa para cada indivíduo, ou, em outras palavras, focar-se-á nos meios e precondições necessários para revigorar o sentido da pluralidade que é essencial se cada um de nós deve experienciar liberdade nesta era hiperconectada2.
Para o melhor de nosso conhecimento, esta experiência de colocar filosofia em prática é genuinamente nova, mas este não devia ser o caso, lições serão extraídas de experiências passadas semelhantes. Isso também é parte do exercício.
[43]2 O que nós Queremos Dizer com Transição Digital?
Chamemos de transição digital o processo social surgindo do desenvolvimento e uso das TCIs. Em um notável artigo “The computer for the 21st century”, publicado na Scientific American em Setembro de 1991, Mark Weiser sugeriu que, depois do mainframe e do computador pessoal, o próximo passo será computação ubíqua, isto é, uma tecnologia que se tornou tão difusa que é invisível para nós e totalmente embutida em nossas vidas. Em seu recente livro, Dourish e Bell3 argumentam que nós já entramos em uma era de computação ubíqua, em vez de vê-la como algo que pode ocorrer no futuro. O projeto de pesquisa ETICA4 identificou uma lista de TCIs emergentes5 que estão trazendo preocupações novas, éticas. De fato, junto com a atual expansão de aparelhos, sensores, robos e aplicações, e essas tecnologias emergentes, nós entramos numa nova fase da era da informação, uma fase onde a hibridização entre bits e outras forma de realidade é tão intensa que muda radicalmente a condição humana de maneiras profundas. A visão da computação ubíqua é uma visão razoavelmente assintótica, a qual pode ser tomada como o contexto atual contra o qual a sociedade está esforçando-se para atualizar suas normas, valores e códigos de comportamento.
3 Por que Semelhante Exercício no Reino da Agenda Digital?
Essa transição digital altera estruturas de referência estabelecidas de quatro modos, ao menos:
a. o ofuscamento da distinção entre realidade e virtualidade;
b. o ofuscamento das distinções entre homem, máquina e natureza;
c. a inversão da escassez de informação à abundância de informação; e
d. a mudança da primazia de entidades à primazia de interações.
Se não bem consideradas, essas questões empurram-nos para trás e para frente, entre desconfiança e fé cega: nenhuma dessas duas é capaz de fundamentar uma boa vida pública e prover significado. Como uma sociedade, nós somos confrontados com um desafio de aprendizagem de como ativamente dar formas às nossas vidas neste mundo tecnologicamente mediado.
Vamos considerar essas quatro questões sucessivamente.
[44]3.1 O Ofuscamento da Distinção entre Realidade e Virtualidade
A alegoria platônica da caverna, a distinção entre corpo e mente, ou aquela entre fantasias internas e comportamentos reais são dicotomias ancestrais através das quais nós pensamos e agimos. Elas são três entre muitas outras expressões do modo dualista de pensar. Filósofos argumentaram que essas dicotomias são frágeis e mais ilusórias do que alguém possa pensar. Contudo, o pensamento dualista permanece um esteio do senso comum e da experiência moral e política. Ao tornar a virtualidade mais real do que nunca antes, a transição digital enfraquece a divisão real / virtual e, desse modo, todas as formas dualistas de pensar. Isso pede por novas concepções de várias questões, seja através de monismo, um novo dualismo ou pluralismo. Ciências cognitivas podem complementar de forma útil a perspectiva filosófica com uma consideração do vínculo entre os modos diferentes de pensar (em termos pluralistas, dualistas ou monistas) e comportamentos.
Em termos concretos, a exploração dessas questões verterá luz, por exemplo, sobre o nível de continuidade em termos morais e comportamentais que deve ser esperado nas esferas públicas física e virtual. Por exemplo, antropólogos dizem-nos que é prática comum para as pessoas mentirem sobre si mesmas na internet, não necessariamente por razões más, mas, em vez disso, como uma prática social: menores e adultos em encontro mentem sobre suas idades, aparências, interesses e assim por diante. Isso está realmente afetando a confiança ou, ao contrário, é parte da aculturação das ferramentas de TCI pela sociedade, produzindo áreas de sombra que qualquer indivíduo precisa para vive com um humano? Outra questão se relaciona a onde alguém deveria desenhar a linha entre real e virtual quando acontece de cometer crimes, tais como assassinato ou estupro? Na extremidade física, é e precisa ser estritamente proibido e severamente punido. Na extremidade virtual, quando lidando com um mero jogo solitário, pode ser considerado como sendo parte da esfera privada e tolerado como parte da intimidade profunda de alguém. Contudo, há um meio termo entre esses dois extremos (jogos sociais, avatares, encontros web etc.), e não é trívial desenhar a linha entre o espaço onde a moralidade pública tem de se aplicar e o espaço onde negociações e diálogos secretos acontecem.
3.2 O Ofuscamento das Distinções entre Pessoas, Natureza e Artefatos
Em um tempo outrora, era fácil distinguir as pessoas de artefatos e natureza. O ofuscamento da distinção tem aumentado desde Darwin e da era industrial. Depois de Darwin, nós reconhecemos que nós somos parte da natureza, em continuidade total com os animais. Desde a era industrial, artefatos e natureza tornaram-se intrinsecamente conectados, através do metabolismo do desenvolvimento industrial, o qual é extraído de recursos naturais. Mais recentemente, com o uso de dispositivos médicos, seres humanos e artefatos também foram conectados.
[45]A transição digital age como um imenso acelerador do embaçamento dessas distinções uma vez efetivas. A multiplicação de sensores e próteses, o progresso das ciências cognitivas e da engenharia biológica ofuscam a distinção entre humanos e artefatos. A multiplicação de artefatos, a intensificação do desenvolvimento industrial em todo o planeta e o aumento do monitoramento significa que nós podemos não esgotar o planeta, o qual seguirá seu curso no universo, mas certamente esgota a noção de natureza em branco ou de um reservatório sem fim.
Isso significa que nossa caixa de ferramentas conceituais, ainda confiante nessas distinções uma vez efetivas entre humanos, natureza e artefatos, precisa adaptar-se a esta nova realidade, onde essas distinções não mais existem. Que impacto isso tem sobre a elaboração de políticas no domínio ético? Que impacto isso tem sobre a concepção do desafio da sustentabilidade num modo prospectivo?
3.3 A Inversão da Escassez à Abundância, quando se Trata de Informação
A visão de senso comum sobre conhecimento e informação é acentuada pela utopia da onipotência / onisciência. A presunção é que, se somente nós soubéssemos tudo que há para saber, nós agiríamos perfeitamente, ou, alternativamente, que enganos e transgressões poderiam ser atribuídas à falta de conhecimento. Isso, novamente, tem sido desafiado por algumas escolas de pensamento há algum tempo, mas agora está tornando-se trivial. De fato, nós somos órfãos do ideal enciclopédico e sujeitos à nova experiência de que a restrição obrigatória não é o nosso conhecimento, mas, ao invés, a nossa capacidade de atenção. Informação, e mesmo conhecimento, é como o que costumava ser um recurso natural: abundante. Nós alteramos nosso sentido de sem limites dos recursos naturais (agora reconhecidos como quantidades finitas) para informação e conhecimento. Realmente, com a transição digital, há cada vez menos atividades que não produzam uma “sombra digital”. Todos os aparelhos eletrônicos com os quais nos engajamos (portáteis ou não) deixam um traço gravado: onde nós estamos, o que nós lemos, o que nós compramos, para não mencionar a informação que nós postamos sobre nós mesmos em redes sociais ou blogs. A Informação é aparentada a recursos naturais de um terceiro tipo, além do não renovável e do renovável, nós temos o exponencial. Em vez de ambicionar uma visão geral enciclopédica ou global, nós precisamos aprender a navegar através de águas saturadas por informação, e fazer sentido de e valorizar a abundância de informação através da mineração de dados e outras atividades de filtragem. Essa alteração mental radical tem consequências sobre nosso comportamento como conhecedores, em nossa representação coletiva do que são conhecimento e informação, sobre a ligação entre conhecimento e ação (considere o véu da ignorância) e também, mais concretamente, na concepção do direito fundamental à privacidade, enquanto os atuais princípios de controle e minimização de dados, sobre os quais as estruturas de privacidade são construídos, falham para compreender otimamente as novas preocupações sociais concernentes à privacidade, à reputação e à imagem.
[46]3.4 A Inversão da Primazia de Entidades sobre Interações para a Primazia de Interações sobre Entidades
Nós tendemos a pensar mais no que entidades são, ou devem tornar-se, e considerar as interações entre elas como secundárias. Por exemplo, nós focamos em definir o que a UE deveria ser, tentando “superar a fragmentação” - como nós (muito) frequentemente colocamos – a fim de construir um todo coerente. Ao conceber a questão desse modo, nós consideramos a fragmentação como um negativo e, como corolário, consideramos a unidade como superior à fragmentação. Semelhantemente, em nossa concepção das relações com outros, nós frequentemente falamos em termos binários: barreiras (a ser levantadas), ou muros (a ser erigidos), por exemplo. Desse modo, não falhamos em conceder atenção adequada à qualidade e salubridade das interações e relações entre entidades.
Nós estamos muito frequentemente inclinados a pensar que a solução para nossos problemas jaza em uma liderança maior, ou em elevação do poder ou controle. De fato, a retórica da sustentabilidade aponta para a necessidade de reequilibrar a relação com o eu (foco em identidade) com a relação com o outro (foco em interações). A obtenção igualmente de mais integração e de mais diversidade somente pode ser feita com uma abordagem relaxada da identidade e uma abordagem construtiva da alteridade6. Com a transição digital, a importância de interfaces e interoperabilidade é central. A primazia das interações torna-se uma questão de fato, e a identidade é para ser vista como o resultado de todas as interações, em vez de como uma variável de controle. Uma das implicações práticas desta mudança mental é conceder menos atenção ao tamanho, minimizar preocupações narcisísticas, ir além do diagnóstico da fragmentação e analisar, ao invés, como a qualidade e a eficiência das interações podem ser aprimoradas para servir ao propósito global.
4 Processo e Resultado
O objetivo do exercício é triplo:
Checar se houve exercícios similares no passado e, se aplicável, extrair lições deles;
Validar ou adaptar um conjunto de questões que deveriam ser consideradas7;
Considerar cada questão validade, suprindo a seguinte descrição:
examinar as consequências das mudanças, dedicando atenção particular aos exemplos de noção de espaço público e das expectativas em relação às autoridades públicas.
esboçar recomendações sobre novas concepções de questões com uma visão de aumentar o controle da política sobre o que sustenta e revigora o espaço público e realmente interessa aos cidadãos.
[47]O Grupo Onlife trabalhou durante 2012 e escolheu transmitir o resultado desse processo na forma de um Manifesto Onlife. De fato, rapidamente surgiu no processo que, embora a experiência de cada membro fosse diferente, havia uma forte base comum, a qual valia a pena entender.
O Manifesto Onlife é a produção central desta iniciativa, ao redor da qual todos os membros se reuniram e consideram uma peça útil para desencadear debates.
Como pode ser facilmente entendido, concordância em torno de um texto comum engajante não foi uma tarefa fácil para um tal grupo interdisciplinar! A fim de possibilitar cada membro a posicionar-se relativamente ao Manifesto, cada colaborador teve a possibilidade de escrever Comentários sobre o Manifesto. Isso gerou uma nuvem de nuances e revelou as múltiplas perspectivas sob as quais este texto pode ser lido e entendido.
Definitivamente, cada membro consolidou em um Capítulo a contribuição dele ou dela ao debate.
Como sugerido pela flor na página da web, o Manifesto, os Comentários e os Capítulos formam uma produção, a qual reflete igualmente um forte fundamento comum e uma rica diversidade. Nós esperamos que este material seja útil e talvez inspirante.
O resultado deste processo será o começo de uma discussão mais ampla, igualmente em encontros e através do Futurium. Futurium é uma ferramenta vital indicada para o encorajamento da participação de uma grande variedade de atores, provendo um espaço aberto e interativo para um processo de pensamento inclusivo. Participação dos grupos da sociedade civil, profissionais de TCI, e qualquer indivíduo que deseje se juntar ao debate, é encorajada. Aqueles interessados em hospedar oficinas para discutir este resultado estão convidados a enviar propostas endereçadas a nicole.dewandre@ec.europa.eu.
A manutenção da iniciativa em movimento e focada foi assegurada por Luciano Floridi, Professor de Filosofia e Ética da Informação na Universidade de Oxford, Pesquisador Sênior no Instituto para Internet de Oxford e Fellow no St Cross College; Charles Ess, Professor de Estudos de Mídia, Departamento de Mídia e Comunicação, Universidade de Oslo; e Nicole Dewandre, assessora em questões sociais na Diretoria-geral de Redes de Comunicação, Conteúdo e Tecnologia, da Comissão Europeia, respectivamente presidente, editora e relatora. Ao mesmo tempo, isto não teria sido possível sem o compromisso notável de todos os membros, nem sem o mais eficiente suporte de Roua Abbas, Igor Caldeira e Nicole Zwaaneveld.
Esta iniciativa8 é parte do Projeto Futuros Digitais.
Acesso Aberto Este capítulo é distribuído sobre os termos da Licença Creative Commons Attribution Noncommercial, a qual permite qualquer uso não-comercial, distribuição, e reprodução em qualquer meio, provido que o(s) autor(es) original(is) e a fonte sejam creditados.
[48]Referências
Arendt, Hannah. 1990. Philosophy and politics. Social Research 57 (1): 73–104.
Dewandre, N. 2011. The sustainability concept: can we stand between catastrophism and denial? In European research for sustainable development, ed. Carlo Jaeger, Joan David Tabara, and Julia Jaeger. Berlin: Springer.
ORIGINAL:
INICIATIVA ONLIFE. Background Document: Rethinking Public Spaces in the Digital Transition. In: FLORIDI, L. (Editor). The Onlife Manifesto: Being Human in a Hyperconnected Era. Spinger, 2015 (SpringerOpen). p.41-48. Disponível em: <https://www.springer.com/gp/book/9783319040929>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC 3.0
1 [42]Discussão transmitida pela TV, Toronto, 1972 relatada em “Edifier un monde, Interventions 1971–1975”, Hannah Arendt, p. 98, Editions du Seuil, Paris, 2007.
2 “Se os filósofos, a despeito de seu necessário estranhamento dos assuntos humanos da vida cotidiana, devessem alguma vez chegar a uma verdadeira filosofia política, eles teriam de fazer da pluralidade do homem, a partir da qual se originad o inteiro reino dos assuntos humanos – em sua grandeza e miséria – o objeto de seu thaumadzein. Biblicamente falando, eles teriam de aceitar – como eles aceitam em espanto sem palavras o milagre do universo, do homem e do ser – o milagre que Deus não criou o Homem, mas ‘macho e fêmea criou-os Ele.’ Eles teriam de aceitar, em algo mais do que resignação em face da fraqueza humana, o fato de que ‘não é bom para o homem estar sozinho.’” Arendt (1990).
3 [43]Paul Dourish e Genevieve Bell, Divining a digital future: mess and mythology in ubiquitous computing, MIT Press, 2011.
4 Ethical issues of emerging ICT applications. http://moriarty.tech.dmu.ac.uk:8080/index.jsp?page=10516.
5 Lista de tecnologias: computação afetiva, inteligência ambiente, inteligência artificial, bioeletrônica, computação em nuvem, internet futura, simbiose humano-máquina, neuroeletrônica, computação quántica, robótica, realidade aumentada / virtual.
6 [46]Para uma apresentação extensa deste argumento, por favor dirigir-se a Dewandre (2011).
7 A escolha das questões propostas na seção 3 é altamente contingente e não deveria ser percebida como exaustiva nem exclusiva mas, ao invés, como uma proposta para desencadear o processo.
8 [47]O conteúdo desta iniciativa não reflete a opinião oficial da União Européia. Responsabilidade pela informação e visões neste documento repousa inteiramente nos membros do grupo Onlife.
Nenhum comentário:
Postar um comentário