terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Nota 2: Conhecimento Conectivista e Condição Onlife

Por EderNB do Blog Mathesis


Embora não a referencie explicitamente, a discussão sobre a Condição Onlife (2015), como apresentada nos dois textos traduzidos, possui muitas conexões importantes com a tese do Conectivismo (2004). Dessa intersecção conceitual importa destacar ideias como:

  1. Com o desenvolvimento das tecnologias da informação o problema do conhecimento (informação) deixou de ser o da escassez e passou a ser o da abundância (Documento de Contexto 3.3 em [45], 2015); num contexto como esse, a aquisição de conhecimento – aprendizagem – assume uma complexidade nova (Conectivismo (Conectivismo), 2004). A informação cresce quantitativa e qualitativamente, desestabilizando e estabilizando estruturas e referências em intervalos de tempo cada vez menores. Com isso, a estabilidade e consistência do conteúdo a ser apreendido são substancialmente diminuídas, o que tende a tornar o processo de aprendizagem essencialmente instável e inconsistente.

  2. Como as relações passam a ter mais importância que as entidades (Documento de Contexto 3.4 em [46], 2015) isso faz com que o problema de aquisição do conhecimento passe a girar em torno das referências e conexões ao invés do que é conectado (Conectivismo (Princípios e Conclusão), 2004). Diante do crescimento multidimensional e exponencial da informação, a capacidade de conectar as partes em totalidades relativamente coerentes (temporárias e parciais) torna-se de importância fundacional. Tal habilidade é: 1) estruturante, pois concede uma estrutura e sentidos às coisas que são conectadas; 2) recursiva, já que as conexões estabelecidas num nível “N” podem, por sua vez, figurar como componentes a serem conectados num nível “N+1” e assim sucessivamente; e 3) “orientada a web”, já que o hipertexto que estrutura a web aparece como modelo dessa conectividade universal1;

  3. Como a capacidade de atenção torna-se um problema diante da abundância informacional (Manifesto Onlife 4.3 em [12-13], 2015), consequentemente, a aprendizagem que dela depende surge diante de novos desafios (Conectivismo (limitações), 2004): Por onde começar2? Como prosseguir3? Onde concluir4? São algumas das questões que emergem quando a limitação deixa de estar no objeto (informação exponencial + conexão ad infinitum) e passa a estar no sujeito (capacidade cognitiva). Uma solução adotada: uso de perfis de interesse5 que, ao filtrarem a todo do que pode ser acessado, disponibilizam uma parte mais acessível. Mas, ceticamente6, o problema apenas se desloca: Como escolher o filtro, então, já que também aqui as possibilidades são infinitas?


REFERÊNCIAS:


INICIATIVA ONLIFE. Documento de Contexto: Repensando Espaços Públicos na Transição Digital. 2015. (Documento de Contexto)

______. O Manifesto Onlife. 2015. (Manifesto Onlife)

SIEMENS, G. Conectivismo: Uma Teoria da Aprendizagem para a Era Digital. 2004. (Conectivismo)

FUNDACAO MOZILLA, PEER 2 PEER UNIVERISTY, MACARTHUR FOUNDATIONS. Badges Abertas para Aprendizagem Ao Longo da Vida. 2012. (Badges)


1Embora não seja a única modalidade possível nem tampouco exclusiva, já que por si mesma faz referência ao mundo real (redes sociais, geográficas, etc) e ao universo da linguagem (literatura nas mais diversas modalidades, etc).

2Tendo em vista que se pode começar de qualquer ponto (página web, postagem em blog, vídeo no YouTube, etc.).

3Uma vez que as conexões possíveis são praticamente infinitas, tanto na acepção objetiva (podem-se conectar “M” coisas com “N” outras coisas) quanto subjetiva (cada ponto de vista pode fazer associações das mais diversas).

4Já que 1) se não se sabe o começo; e 2) não se conhece o caminho; logo o término não será conhecido o que, neste caso, implica numa dificuldade (quando não impossibilidade) de se deslocar a atenção para outro ponto de interesse (se o limite não é determinado, não se pode ir para além dele).

5Na forma de perfis propriamente ditos em redes sociais; “likes” em publicações vídeos, canais de conteúdo salvos, comunidades participantes, etc.

6Como escolher um critério sem ter um critério para fazê-lo?

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