Por EderNB do Blog Mathesis
Ao deparar-se com as concepções de conectivismo (2004) e de badges (2012), vemos que as mesmas possuem certos traços comuns que se articulam em torno da constatação que o modelo tradicional de ensino-aprendizagem revela-se cada vez menos efetivo, em certas circunstâncias. Nesse contexto, podemos ressaltar, como algumas propriedades gerais da aprendizagem, os seguintes elementos:
Distribuição – A aprendizagem não ocorre apenas no ambiente (pretensamente1) isolado da sala de aula, mas sim é um processo que se desenvolve em múltiplos contextos (faculdade, trabalho, etc). Ela é um processo de aquisição de conhecimento que pode ocorrer através das mais variadas atividades (leitura/escrita, experiência, conversa, gerenciamento de dados / informação, etc) e ser suportado pelas mais variadas plataformas reais, virtuais ou ambas ao mesmo tempo. O conectivismo explica essa mudança e as badges fornecem um modelo de plataforma que a possibilita construtivamente.
Composicionalidade – Já que o objeto da aprendizagem (o conhecimento) é um todo composto de muitas partes, estas devem ser capazes de comporem-se em blocos / núcleos de interesse de variáveis extensões, níveis de complexidade e formalidade, etc. Isso faz com que o conhecimento adapte-se em um sentido duplo; tanto no momento de aquisição (aprendizagem), como no momento de exposição ou uso (teórico / prático, acadêmico / profissional, formal / informal).
Persistência – Visto que o conhecimento de uma pessoa deve acompanhá-la2, bem como desenvolver-se junto a seu detentor, os resultados das várias situações de aprendizagem necessitam ser persistidos para além dos contextos de aquisição. O que é sabido por uma pessoa ‘X’, num contexto ‘Y’ e em um tempo ‘Z’ deve ser relacionável3 ao que será sabido pela mesma pessoa ‘X’, num contexto ‘Y’ e num tempo ‘Z’ e assim por diante. Nesta perspectiva, o foco passa a ser o aprendente, que, como sujeito de sua aprendizagem, é o núcleo de identidade do conhecimento por meio dela consolidado; é ele quem conecta as badges (ao adquiri-las e consolidá-las) e, como tal, o saber que elas representam.
Validação – Com a distribuição do processo de aprendizagem distribuiu-se também o processo de avaliação da mesma. Se o conhecimento é componível e persistível, conectando uma pluralidade de peças na forma de totalidades coerentes, a avaliação do mesmo também deve ser. Isso necessita ser assim tendo em vista a adequação requerida pelo conteúdo em avaliação (se acadêmico e altamente consolidado ou se prático e mais flexível) bem como um balanceamento entre as exigências da certeza e da contingência (como aliar a máxima certeza à máxima flexibilidade?).
REFERÊNCIAS:
SIEMENS, G. Conectivismo: Uma Teoria da Aprendizagem para a Era Digital. 2004. (conectivismo)
FUNDACAO MOZILLA, PEER 2 PEER UNIVERISTY, MACARTHUR FOUNDATIONS. Badges Abertas para Aprendizagem Ao Longo da Vida. 2012. (badges)
1 Já que a sala de aula jamais foi efetivamente isolada (ou isolável) em face das condições que a determinam.
2 Tanto física (capaz de ser apresentado) quanto cognitivamente (capaz de ser recuperado / lembrado pelo possuidor).
3Expandido, aprimorado, substituído, etc.
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