Por
Henry Shevlin
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5.1
INTRODUÇÃO: O QUE SÃO QUALIA?
Enquanto
eu sento-me para escrever esta sentença, eu estou experienciando uma
riqueza de experiências. Diante de mim, o céu está cheio de
matizes rosa e azul do pôr do sol que se aproxima salpicado
com nuvens brancas. Pássaros tropicais tremem
em trinados agudos, enquanto um par de
cães soltam
latidos guturais um para o outro. Minha pele alternadamente formiga
com o último calor persistente do dia,
interrompido pela frescura prazerosa de uma briza noturna.
A
cena que eu descrevi há pouco é cheia de experiências com
qualidades distintas – cores, sons e sensações físicas. Essas
qualidades da experiência são conhecidas por filósofos da mente
como qualia, um termo estranhamente obscuro para um aspecto de nossas
vidas que escassamente poderia ser mais familiar para nós. Em cada
momento desperto de nossas vidas, nós estamos experienciando vários
qualia associados a visões, sons ou sentimentos. Algumas vezes, nós
deliberadamente procuramos novos qualia,
como quando nós pedimos um prato desconhecido
em um restaurante, ansiosos para aprender qual o gosto. Em outras
ocasiões, nós urgentemente procuramos pôr um
fim em algum quale (o singular de “qualia”) ou outro; por
exemplo, quando nós tomamos uma aspirina para aliviar a sensação
latejante de uma dor de cabeça.
Os
qualia têm sido o foco de interesse intenso em filosofia da mente e
ciência cognitiva por várias décadas. Eles possuem várias
características aparentes que os tornam igualmente fascinante e
difíceis de explicar. Todas essas propriedades são controversas
(ver seção 4 abaixo), mas elas certamente parecem capturar várias
das características intuitivas dos qualia.
Primeiro,
os qualia parecem
ser privados:
meus qualia são uma característica de minha experiência exclusiva,
e você nunca poderá acessá-los diretamente. Você pode ter
refletido no passado sobre se outras
pessoas experienciam as cores da mesma maneira que você, ou se meu
azul pode ser o seu verde. Essas questões surgem precisamente por
causa da aparente privacidade dos qualia. Nós nunca podemos conhecer
quais qualia as
outras pessoas estão experienciando.
Segundo
(e relacionado), os qualia
são possivelmente inefáveis; quer dizer, eles não podem ser
nitidamente
postos em palavras. Imagine tentar explicar a uma pessoa que é cega
como é o vermelho, ou (um exemplo menos extremo) transmitir
a um vegetariano por toda a vida qual o gosto do atum. Embora nos
dois casos nós poderíamos
tentar usar metáforas (“o vermelho é como uma corneta”) para
transmitir o
carácter da experiência, nossas tentativas
para o fazer inevitavelmente falharão em fazer justiça à sensação
relevante.
Uma
propriedade final alegada é que os qualia são imediata e
completamente apreensíveis por nós apenas ao experienciá-los.
Nesse respeito, eles são distintos dos objetos de nossa
experiência. Imagine que você está deitado na cama à noite e ouve
um baque suave. Você pode bem se perguntar o que foi
o barulho: um objeto caindo, uma porta batendo ao vento, ou talvez
seu companheiro de casa retornando ao lar. Sobre o que você
não tem de especular, contudo, é como o barulho soou para
você. Isso é algo que você apreende simplesmente ao ouvir. Mais
forte e controvertidamente, alguns filósofos sugeriram que nós
nunca podemos cometer erros de julgamento sobre nossos qualia. Se eu
digo que algo é doloroso para mim, por exemplo, então é absurdo
sugerir que eu poderia estar em erro.
5.2
OS QUALIA E O PROBLEMA MENTE-CORPO
Uma
razão para os qualia terem fascinado tanto filósofos é que eles
são possivelmente difíceis de explicar em termos científicos
padrões. Muitos de nós provavelmente ouviram neurocientistas
falando sobre coisas como sinapses, neurônios e diferentes regiões
do cérebro. Talvez não seja tão difícil ver como esse tipo de
abordagem científica poderia explicar vários aspectos de nosso
comportamento. Nós poderíamos
entender a percepção, por exemplo, em termos da transmissão de
informação dos órgãos dos sentidos através de várias áreas
de processamento do cérebro, ou a agressão
incomum em termos da liberação de algum hormônio ou
neurotransmissor. É muito mais difícil ver, contudo, como esses
tipos de descrições científicas
alguma vez
poderiam dar-nos uma explicação
satisfatória do por
que o vermelho parece-se da maneira específica
que ele parece,
ou por que a canela tem o gosto disto
e baunilha, daquilo.
O
desafio aqui não é meramente explicar a neurociência de como a
visão funciona ou como nossa língua refere informações de sabor
ao cérebro. Importante progresso está sendo feito a
cada dia no entendimento de questões como essas, embora a ciência
ainda tenha um longo caminho a percorrer. Em
vez disso, a dificuldade real é que, enquanto a ciência conta-nos
como o cérebro funciona,
ela parece ser incapaz de contar-nos como
as experiências realmente são. Para ter uma ideia do problema,
imagine uma pessoa que esteve completamente surda desde o nascimento
que quer saber como
soa Beethoven. Mesmo se nós
tivéssemos
escaneadores
cerebrais perfeitos e pudéssemos
mostrar exatamente o que acontece aos neurônios de alguém quando
se ouve música, isso não parece como algo
que poderia
alguma vez transmitir apropriadamente a experiência subjetiva de
ouvir as barras
de abertura da Sinfonia
Coral.
Isso
cria um desafio aparente para uma visão de mundo científica. Se a
ciência não puder
explicar completamente os qualia, então se segue que a ciência
somente pode oferecer-nos um entendimento parcial do universo? Mais
fortemente, alguém poderia
se perguntar
se a aparente inexplicabilidade dos
qualia em termos científicos mostra que o universo que nós
habitamos não consiste somente em
coisas como átomos, moléculas,
forças e outros
objetos do domínio da ciência, mas também contém
fenômenos mentais
distintos e irredutíveis.
O
desafio é bem ilustrado por um famoso experimento de pensamento
chamado de “Sala de Mary” desenvolvido pelo filósofo Frank
Jackson (1982).
Imagine uma mulher chamada de Mary que é uma cientista brilhante.
Especificamente, é contado a nós que ela conhece todos os fatos
físicos sobre a percepção da cor: ela conhece tudo sobre a física
da luz, a biologia do olho e a neurociência do processamento da cor
no cérebro. Contudo, Mary nunca viu cores ela mesma, tendo passado
a vida numa sala preta e branca. Um dia, Mary deixa a sala e vê uma
brilhante maçã vermelha pela primeira vez. “Uau!” ela pensa, “é
assim que o vermelho se parece.”
O
[argumento da] Sala de Mary tenta demonstrar que há certos fatos que
não podem ser acessados pelo conhecimento científico apenas.
Afinal, Mary já conhecia todos os fatos científicos sobre cor antes
que ela deixasse sua sala. Do que ela carece, contudo, é do
conhecimento dos qualia da cor; quer dizer, o que as cores realmente
parecem. Ela somente ganha esse conhecimento quando ela deixa
a sala e realmente vê cores ela mesma. Consequentemente, o argumento
prossegue, há certo fatos que não podem ser explicados pela
ciência, mas, em vez disso, dependem de experiência subjetiva. O
argumento pode ser apresentando formalmente como se segue.
Mary
conhece todos os fatos científicos sobre cor antes de deixar sua
sala.
Mary
aprende novos fatos (sobre o que cores parecem)
quando ela deixa sua sala.
Portanto,
nem todos os fatos são fatos científicos.
O
[argumento da] Sala de Mary é um dos mais famosos experimentos em
toda a filosofia e tem gerado um grande número de respostas. A
maioria deles desafia a premissa (2) acima, e argumenta que, de fato,
Mary não aprende nada novo quando ela deixa sua sala.
Por
exemplo, a hipótese
da habilidade
afirma que o que
Mary ganha não é o conhecimento mas um novo
conjunto de habilidades (Lewis 1990). Imagine que alguém conhece
muito sobre música, mas não pode tocar nenhum instrumento. Contudo,
após muita prática, ele aprende a tocar piano. A hipótese
da habilidade sugere que alguma
coisa semelhante a isso
aplica-se
a Mary. Antes de deixar sua sala, ela nunca viu
objetos vermelhos, assim não poderia reconhecer um dado objeto como
vermelho, ou imaginar ou lembrar-se
da cor vermelha. Após deixar a
sala, suas novas experiências do vermelho possibilitam-na fazer tudo
isso. Nossa sensação
de que ele ganha conhecimento, então, está
mal colocada – o que ela ganha é
um novo tipo de habilidade.
Alguns filósofos
duvidam de que isso adequadamente elimina nossa sensação de que
Mary realmente
ganha um novo tipo especial de conhecimento quando ela deixa sua sala
preta e branca.
Outra
importante abordagem nós podemos denominar de
fato antigo, de nova visão do conhecimento.
Imagine que alguém saiba que Istambul foi fundada em 330 AC. Ele
então aprende separadamente que Constantinopla foi fundada em 330
AC. Assumindo que ele já não saiba que Istambul e Constantinopla
são a mesma cidade, parece razoável dizer que a pessoa aprendeu
algo novo quando ele ouviu a informação sobre Constantinopla.
Certamente, ele têm um item de trivialidade à sua disposição que
ele não tinha antes. Contudo, uma vez que “Constantinopla” de
fato faz referência a mesma cidade que “Istambul”, nós também
deveríamos dizer que estritamente ele não aprendeu nenhum fato novo
sobre o universo, tendo em vez disso encontrado um fato que ele já
sabia numa forma diferente. Aplicada ao caso de Mary, a ideia é que
Mary realmente sabia de todos os fatos sobre cor antes que ela
deixasse sua sala. Quando ela vê o vermelho pela primeira vez, ela
simplesmente encontra esses mesmos fatos em uma nova maneira, a
saber, através de sua própria visão de cor, em vez de através da
linguagem teórica da ciência. Um desafio para essa visão é
oferecer uma explicação desenvolvida, de maneira experiencial
especial, de se ganhar conhecimento enquanto evitando apelar para
quaisquer fatos ou propriedades não científicas ou não físicas.
Uma
abordagem final adotada por alguns filósofos desafiadores é
insistir que Mary não ganharia nenhum
tipo de novo conhecimento ou habilidade relativamente ao mundo quando
ela deixa a sala. Se ela realmente
conhecia todos os fatos científicos sobre cores antes de deixar a
sala, ela de fato já teria todo o conhecimento e habilidades
associados à
visão de cores, a despeito de nunca
as ter visto (Dennett 2006). Isso poderia soar como uma negação
rasa da intuição poderosa motivando esse experimento de pensamento.
Uma maneira de tornar essa abordagem mais persuasiva, contudo, é
focar na primeira premissa do argumento
acima, que Mary conhece tudo
pertinente
aos fatos
científicos. Isso é realmente algo que nós podemos imaginar
facilmente? Afinal, a ciência atual ainda está incompleta e fica
aquém de
nos fornecer conhecimento de cada fato mesmo dentro de seu próprio
domínio de explicação. Ademais,
a maioria dos cientistas são tão especializados que eles conhecem
somente uma pequena proporção dos fatos dentro de seu próprio
campo. Mary, então, teria de ser mais como uma superinteligência de
um futuro distante em vez de um humano normal. Dado isso, deveria ser
dado muito peso as
nossas intuições sobre o que nós podemos imaginar?
Essas
respostas são somente uma fração das muitas abordagens
do [argumento da] Sala de Mary adotada por filósofos. Embora
considerando que progressos tenham sido feitos no desenvolvimento de
refutações ao [argumento da] Sala de Mary, é provavelmente justo
dizer que nenhuma resposta foi geralmente aceita como resolvendo o
problema. O enigma dos qualia para a
visão de mundo científica, então, permanece uma área central de
pesquisa filosófica.
5.3
QUANTOS TIPOS DE QUALIA EXISTEM?
Um
importante debate adicional sobre os qualia diz respeito a que tipos
de estados mentais realmente os têm. Os
exemplos comuns de qualia são coisas como visões, sons e sensações
corporais. Mas alguns filósofos argumentam que há abundância
de outros tipos de qualia além desses.
Alguns
candidatos exemplares
a esses qualia adicionais são coisas como emoções. Certamente
parece como se
houvesse um
sentimento
distinto (ou conjunto de sentimentos) associado a emoções poderosas
como alegria, raiva, tristeza, por exemplo. Contudo, permanece
controverso se esses sentimentos envolvem
um tipo inteiramente
especial de qualia
por conta própria, ou, em vez
disso, poderiam ser entendidos em termos de outros qualia, tais como,
por exemplo, aqueles associados a sensações corporais, uma visão
adotada por um dos fundadores da psicologia moderna, William James
(1842-1910), em um famoso artigo (1884). Observe, por exemplo, as
sensações físicas intensas que acompanham a emoção de excitação:
nós podemos experienciar o sentimento de nossa frequência cardíaca
acelerar, nossa boca secar e nossos músculos tensionarem-se.
Poderiam semelhantes “qualia corporais” ser tudo o que há para
os qualia de emoções? A questão permanece ardentemente debatida.
Outro
debate importante diz respeito ao alcance ou tipo de qualia
associados com percepção. Nós todos podemos concordar que há
qualia associados a
nossas experiências de cor e forma, por exemplo. Mas poderia haver
tipos especiais de qualia envolvidos ao ver alguém parecendo
amigável, por exemplo, ou em reconhecer um animal como um guaxinim?
A ideia de que há semelhantes qualia de “alto nível” associados
a propriedades
além de coisas como cores, formas e movimento é algumas vezes
chamada de visão de conteúdo rica (rich
content view) (Siegel 2010). Uma
maneira de motivar essa ideia
surge de casos onde a característica de nossa experiência – em
outras palavras, nossos qualia – parece mudar a despeito de não
haver mudanças em como nós experienciamos as qualidades inferiores
de cor, forma e assim por diante.
Considere,
por exemplo, a famosa ilusão “pato-coelho” (Jastrow 1899)
abaixo. Com um pouco de esforço mental, não podemos “mudar” de
ver a figura como um pato para vê-la como um coelho, e possivelmente
haja uma mudança na maneira como a figura parece. Contudo, está
longe de ser claro que nossa experiência das características de
baixo nível das
imagens – as cores e formas – realmente mude. Se isso está
certo, então poderia fornecer evidência de que há tipos especiais
de qualia associados à
visão da imagem como um pato
e à visão dela
como um coelho.

Um
importante debate final diz respeito a se estados não perceptuais
como pensamento e entendimento poderiam ter qualia especiais
associados a eles. Por exemplo, rapidamente adicione os números
17 e 48 em sua cabeça, e ao fazê-lo, considere que sentimentos ou
qualidades estão associados à
experiência. Houve algum
tipo distinto de sentimento que acompanhou seus pensamentos sobre os
números? De fato, Alguns
filósofos
sugeriram que há
um tipo de experiência especial associado ao pensamento e
entendimento.
Um argumento para esse tipo de “qualia cognitivos”
(ou fenomenologia cognitiva, como também é conhecida) vem dos casos
de se ouvir uma
língua estrangeira. Imagine que Jack, um falante de inglês, e
Jacques, um falante de francês, estão ambos ouvindo
uma transmissão de rádio francesa. Jack não pode entender o que
ele está ouvindo, mas Jacques pode. Intuitivamente,
parece como se houvesse uma diferença na qualidade de suas duas
experiências, surgindo das diferenças em seus entendimentos
(ou da falta dele). Novamente, a existência desses qualia cognitivos
é ardentemente
contestada. Alguns filósofos afirmam,
por exemplo, que as qualidades associadas a experiências como
pensamento e entendimento podem ser entendidas somente em termos de
qualia perceptuais regulares, como cores e formas, ocorrendo como
imagens em nossas mentes. Consequentemente, talvez, quaisquer qualia
que você experienciou, ao pensar no problema de matemática acima,
foi somente uma questão de ver ou ouvir os números em seu “olho
da mente”.
5.4
CETICISMO SOBRE OS QUALIA
Nós
estivemos falando neste capítulo sobre os
qualia como se a existência deles,
pelo menos, fosse incontroversa. Em um sentido, isto certamente é
verdadeiro: ninguém poderia negar que nós genuinamente
experienciamos cores
e gostos, por exemplo. Alguns filósofos permanecem céticos sobre os
qualia, contudo, insistindo que a ideia mesma é confusa. O filósofo
Daniel Dennett é um desses céticos famosos. Em um artigo clássico,
“Quining Qualia”, ele dá um número de exemplos
de casos nos quais a ideia dos
qualia como usada por filósofos parece convidar a questões
impossíveis e talvez sem sentido (1988). Considere, por exemplo, o
caso de duas pessoas, uma das quais ama couve-flor, e a outra, que a
despreza. Deveríamos
dizer, em tal
exemplo, portanto, que
eles têm qualia
diferentes quando provam o couve-flor, ou, em vez disso, dizer que
têm diferentes
reações aos mesmos qualia? Dennet ter-nos-ia
a acreditar que semelhantes questões
escassamente tem sentido.
Para
ilustrar mais
o ponto, ele convida-nos a imaginar que nós mesmos passamos
de desprezar a
couve-flor para a
amar (uma experiência que muitos de nós teve com um item alimentar
ou outro). Mesmo
em tal caso, ele sugere, nós não somos capazes de dizer se nossos
qualia mudaram ou nossas atitudes mudaram. Se isso está certo, então
parece que algumas questões sobre os
qualia não podem ser respondidas da
perspectiva de primeira pessoa; mas, dado que os qualia são
supostamente privados e inefáveis, pareceria seguir-se que eles não
podem ser respondidos em
absoluto! Em vez de abraçar tais
entidades misteriosas, Dennett sugere, nós faríamos
melhor ao abandonar a ideia mesma dos
qualia como confusa.
Outro
tipo de ceticismo sobre os
qualia diz respeito à relação deles com objetos de nossa
experiência. Por um longo tempo, muitos filósofos pensaram nos
qualia como coisas que nós pudéssemos
observar em nossa experiência por
direito próprio, bem separados de
nossa experiência no mundo (consequentemente
o termo “sensações brutas” algumas vezes usado para
descrevê-los). Outros filósofos, mais recentemente,
têm desafiado essa ideia, afirmando ao invés
que, enquanto de
qualquer modo nos experienciamos os
qualia, nós
experienciamo-los
como propriedades de objetos no
mundo (Harman 1990). Esse é um debate complexo, mas em essência
esses filósofos afirmam
que, ao olhar para uma
árvore verde, nós não experienciamos “verdor bruto”. Em vez
disso, o que nós poderíamos
chamar de “qualia do verdor” é realmente
experienciado como propriedade de um objeto no mundo, a saber, a
árvore mesma. Se
essa tese de transparência está correta, então se sugere que mesmo
se os qualia
existem, eles poderiam ser simplesmente um aspecto de nossa
consciência de
objetos reais no mundo, em vez de alguma misteriosa “pintura
mental” (Block 1996). Se assim, a
ciência cognitiva poderia capacitar-nos a entender os
qualia através do projeto científico
e filosófico
mais amplo de explicar como a percepção
torna-nos cientes do mundo.
5.5
CONCLUSÃO
Os
qualia permanecem um dos mais profundos
quebra-cabeças em toda a filosofia, e este capítulo apenas ofereceu
um exame superficial
de alguns dos mais importantes debates no qual eles figuram.
Mesmo enquanto a ciência deu-nos enormes conhecimentos
novos sobre questões difíceis,
como as origens do universo e o genoma humano, o problema de como
explicar os qualia parece ainda estar tentadoramente
fora do alcance da investigação
científica padrão. A despeito de, ou talvez por causa disso, muitos
filósofos e cientistas veem
os qualia como uma fronteira nova e excitante para o entendimento
humano.
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Jackson,
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Lewis,
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Siegel,
Susanna. 2010. The Contents of Visual Experience. Oxford:
Oxford University Press.
LEITURA
ADICIONAL
Alter,
Torin and Robert J. Howell. 2009. A Dialogue on Consciousness.
Oxford: Oxford University Press.
Blackmore,
Susan. 2006. Conversations on Consciousness. New York/Oxford:
Oxford University Press.
Chalmers,
David J. 1998. The Conscious Mind: In Search of a Fundamental
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Oxford
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Dennett,
Daniel C. 1991. Consciousness Explained. United States:
Little, Brown and Co.
Montero,
Barbara. 1999. “The Body Problem.” Noûs 33(2): 183-200.
Nagel,
Thomas. 1974. “What is it Like to be a Bat?” Philosophical
Review 83: 435-456.
Atribuições
de Mídia
Próximo
capítulo
ORIGINAL:
SHEVLIN,
H. 5. Qualia and Raw Feels. In:
SALAZAR, H. et all (Org.) Introduction
to Philosophy: Philosophy of Mind.
Rebus Community: 2019. Disponível em:
<https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-mind/chapter/qualia-and-raw-feels/>
TRADUÇÃO:
EderNB
do Blog
Mathesis
Licença:
CC BY 4.0