sexta-feira, 19 de junho de 2020

Um Diálogo Sobre Viajem no Tempo IV

Dia anterior


[45]4. Quinta-feira


São 7 horas. A Dr. Rufus e Willie estão sentados perto do console do computador, com copos de café, conversando. Tad Entra.


Tad: Uau, eu pensei que eu estava começando cedo!

Carlene [olhando para cima]: Oh, Tad, eu não ouvi você chegar; nós estamos tendo uma conversa absolutamente estimulante.

Tad [bocejando]: Eu acho que preciso ter um pouco de cafeína estimulante antes que possa ter qualquer conversa estimulante.

Willie: Desculpe, Tad.

Tad [vendo o pote vazio de café]: Ei, você não sabe que se supõe que o primeiro faça o café?

Willie: Eu sei, e eu fiz.


Tad olha do pote vazio de café para Willie, quem segura seu copo e vira-o de cabeça para baixo para afirmar.


Willie: Estava bom até a última gota.

Tad: Uh oh, o que cafeína demais faz a um filósofo?

Willie: Ei, se o Departamento de Energia quer este trabalho feito, eles terão de me emprestar um pouco da energia deles. Você pode fazer o próximo pote; eu acho que vi um pouco de descafeinado no armário.

Tad [fingindo horror]: Descafeinado?!

Carlene: Acomode-se, Tad. Willie está apenas provocando.

[46]Tad [recuperando-se]: Então, é esse o programa que desliga o gatilho quando duas partículas aparecem na câmara?

Carlene: Não, não é. Willie está tentando vender-me algumas novas ideias para variações no experimento.

Willie: Ontem, depois do almoço, enquanto vocês dois participavam do resto da conferência, eu escrevi um programa que desativa o gatilho quando duas partículas estão presentes. Eu também escrevi um programa que é, de uma maneira, o oposto; em vez de desligar o gatilho quando o psi-lepton aparece, esse programa não liga o gatilho até que a segunda partícula apareça. Ele está carregado agora mesmo.

Tad: Espere, diga-me se eu compreendo corretamente. O gatilho inicialmente está desligado, mas, se duas partículas aparecerem na câmara, o programa ligará o gatilho?

Willie: Agora você é o mestre do resumo?

Tad: Claro, Willie. Mas por que em absoluto nós estamos preocupando-nos de rodar esse programa? Eu acho que é obvio o que aparecerá: independentemente de se a hipótese de viajem no tempo está correta, se o gatilho é desligado, então parecerá exatamente como o teste sem o gatilho que nós executamos segunda-feira, o Teste 16; o psi-lepton viverá sua vida e decairá normalmente.

Carlene: Talvez, talvez não. Nós pensamos que sabíamos com o que nossos dados parecer-se-iam da primeira vez que nós isolamos o psi-lepton, mas então nós certamente estávamos errados. A fim de abordarmos esse problema cientificamente, nós precisamos de dados sólidos, não de especulação. Nosso conhecimento do comportamento do psi-lepton é baseado quase inteiramente em nossa teoria, e esse gatilho coloca outro fator imprevisível na equação. Eu realmente não acho que nós podemos presumir qualquer coisa neste momento.

Tad: O que mais poderia acontecer?

Willie [pressionando algumas teclas]: Bem, vamos descobrir. (Ver Figura 4.1)

[47]

Fig. 4.1 Um Loop Causal?1


Carlene [sorrindo]: E é por isso que nós nunca devemos presumir que nós sabemos qual será o resultado de um experimento.


Tad agarra uma impressão do Teste 19.


Tad: Como isso é possível? Esses resultados parecem-se com os de outros testes, quando o gatilho estava ligado.

Carlene: Então, a assim chamada segunda partícula, o psi-lepton, ligou o gatilho que causou a viajem no tempo.

[48]Tad: Isso não deveria ter acontecido mesmo se a hipótese de viajem no tempo fosse verdadeira. Quando o programa foi iniciado, não havia gatilho, e sem gatilho quer dizer sem partícula. Portanto, a menos que isso somente aconteceu para ser uma em oito bazilhões de vezes que outra partícula apareceu espontaneamente na câmara, o experimento deveria ter ocorrido exatamente como o Teste 16.

Willie: Bem, o gatilho permanecendo desligado teria sido consistente com nossa hipótese; contudo, eu acredito que os resultados atuais também são consistentes.

Tad: Como você pode dizer isso? A segunda partícula claramente está presente nesses resultados! De acordo com a sua teoria, a segunda partícula não deveria aparecer a menos que o gatilho cause-a, mas o gatilho estava desligado nesse programa, assim não havia nada para causar a segunda partícula.

Willie: Não tão rápido, considere isto: a anômala segunda partícula apareceu, causando o programa a ativar o gatilho; o gatilho então causou o psi-lepton a mudar sua direção temporal, assim viajando para o tempo anterior. O gráfico pareceria exatamente como ele parece na impressão que você está segurando.

Tad: Mas não houve nada para causar a viajem no tempo.

Willie: Sim, houve; o gatilho causou-a.

Tad: Mas o gatilho estava desligado.

Willie: O gatilho inicialmente estava desligado mas a presença do psi-lepton revertido no tempo na câmara ligou-o.

Tad: Mas a partícula não deveria estar lá!

Willie: Mas ela estava.

Tad [contendo a frustração]: Mas não havia nada para causá-la estar lá.

Willie: O gatilho causou.

Carlene [interrompendo]: Caras, vocês estão dando voltas em círculos.

[49]Willie: Que frase feliz! Sim, nós estamos falando aqui sobre a possibilidade de um loop causal, no qual cada evento está entre suas próprias causas.

Tad: Um loop causal? Oh, por favor. O que poderia ter causado o loop mesmo? Não há razão em absoluto para que nós devêssemos ter um loop de partícula – gatilho em vez de nenhum loop.

Willie: Parecem haver muitas causas possíveis; por exemplo, ao iniciar o acelerador, nós poderíamos ter causado o loop.

Tad: Espere, não, isso não pode estar certo. Como nós já vimos, muitas coisas poderiam ter acontecido depois que nós iniciamos o acelerador; nós obtivemos resultados diferentes no passado. Iniciar o acelerador não foi suficiente para garantirmos que o loop ocorresse – presumindo que haja um loop de qualquer modo – assim, como isso pode ter sido a causa?

Carlene: Bem, se nós não tivéssemos iniciado o acelerador, então o loop causal não teria ocorrido. Lembre-se de ontem quando nós dissemos que o Big Bang causou tudo que ocorreu depois? É o mesmo tipo de coisa; se o Big Bang não tivesse ocorrido, nenhum dos eventos desde então ocorreria. Mas não está mais claro como que o Big Bang garantiu qualquer um dos eventos particulares que se seguiram do que ligando o acelerador garantiu o loop causal.

Tad [olhando inexpressivamente]: Certo, Professora, eu entendo o que você está dizendo, mas eu ainda não estou certo como algum evento poderia ser a causa de outro se é possível que o primeiro ocorra sem o segundo. Aqui está o que eu estava compreendendo. Uma vez que o experimento inciou, ali precisa ter havido algumas condições que levaram à ocorrência do loop em vez da vida ordinária e do decaimento de um único psi-lepton.

Willie: Nossos resultados atuais são somente uma maneira pela qual isso poderia ter prosseguido; nada sobre nossa instalação implicava que nós obteríamos os resultados que nós obtivemos, com o gatilho, em vez de sem o gatilho.

Tad: Então como nós explicamos os resultados que obtivemos?

Willie: Para iniciantes, nem todos os eventos são completamente determinados exclusivamente pelas condições iniciais e as leis da natureza; por exemplo, a mecânica [50]quântica, em uma interpretação padrão, é uma teoria indeterminística. Dadas as leis da natureza e o estado do universo em um momento, somente há uma certa probabilidade de que algum estado possível do universo seguir-se-á, e essa probabilidade não é de 100 por cento. Se isso é verdadeiro – e todos os eventos requerem uma explicaçãoentão, de algum modo, nós necessitamos de explicação de eventos subdeterminados.

Tad: Que é?

Carlene: Nós pensamos sobre explicação em termos de causas todo o tempo, Tad, frequentemente assim: alguns eventos causam outros eventos se e somente se o evento – efeito é menos provável de ocorrer quando o evento – causa não ocorre. Durante esse teste nós usamos o novo programa de Willie, o qual começa com o gatilho desligado, mas o liga sempre que duas partículas são detectadas na câmara. Se nós simplesmente tivéssemos deixado o gatilho desligado, então o loop causal – quase certamente – não teria ocorrido, assim é razoável pensar que usando esse programa – em adição ao início do acelerador, o Big Bang, e assim por diante causou o loop a ocorrer. Isso parece uma explicação muito boa.

Tad: Mas nós iniciamos com o gatilho desligado; isso é exatamente como nós começamos vários outros testes. Não houve diferença nas condições iniciais que levassem à ocorrência do loop.

Willie: Como você pode dizer que as condições iniciais eram as mesmas? A dra. Rufus há pouco mencionou como o computador estava executando um programa diferente e como isso afetou os possíveis resultados.

Tad: O gatilho inicialmente estava desligado, então eu não percebo como isso faz qualquer diferença. Em termos de probabilidade, a chance de um segundo psi-lepton aparecer espontaneamente na câmara está na ordem debem, a probabilidade é essencialmente zero. Mas esse é o único modo pelo qual outro psi-lepton poderia ter encontrado seu caminho para dentro da câmara, e esse é o único modo pelo qual o programa poderia ter ligado o gatilho.

Carlene: Willie, mesmo embora você tenha feito um caso plausível, eu tenho de admitir considerar o loop causal uma ideia dúbia.

[51]Willie: Certo, talvez nós devêssemos considerar uma interpretação diferente de nossos resultados. Vocês igualmente parecem assumir que cada fenômeno em nosso universo admite uma explicação, que é causado, e assim por diante.

Carlene: Essa é a melhor atitude a se tomar em ciência.

Willie: Metodologicamente isso pode ser correto, mas teoricamente pode ser um pouco presunçoso.


A Dr. Rufus ergue as sobrancelhas em ofensa genuína.


Carlene: Ande cuidadosamente.

Willie: Olhe, talvez seja um loop causal, o qual, por si mesmo, pode ser inexplicável. O Big Bang poderia ser inexplicável, também, assim como o porquê do universo ser governado por leis da maneira que é. Qualquer evento sobre o qual a mecânica quântica conta-nos que era extremamente improvável também pode ser inexplicável; citar baixas probabilidades dificilmente explica por que o evento improvável ocorre. Nosso loop causal – se é isso que ele é – é, eu acho, um bom candidato para ser uma sequência inexplicável de eventos. Importaria se ele fosse inexplicável? Você realmente sugeriria que nós ignorássemos os resultados diante de nós por causa de uma posição filosófica sobre explicação?

Tad: Você sabe mesmo o que ‘ande cuidadosamente’ significa?

Carlene: Está tudo bem, Tad; Willie tem uma questão. Nós temos um resultado com o qual nós temos de lutar, e a melhor maneira é conseguir mais resultados.

Willie: Eu acho que parte do problema é que nós estamos acostumados a pensar em causas e efeitos de um modo linear. Normalmente causas são variáveis independentes, e os efeitos são variáveis dependentes; a cadeia causal usualmente não se liga a si mesma.


Os três sentam-se em silêncio por um instante.


Carlene: Então, em nosso suposto loop causal, cada evento é igualmente sua própria causa e seu próprio efeito.

[52]Willie: Sim, eu não acho que qualquer evento em nosso loop realmente se adéque a nossas suposições usuais sobre relações de causa e efeito; eu não acho que nós devemos tentar identificar a causa de nosso loop em termos das relações lineares ordinárias com as quais nós estamos acostumados a lidar.

Tad: Talvez eu seja muito linear em meu pensamento. Então, novamente, talvez esses loops não façam qualquer sentido.

Carlene: Certo, agora eu acho que nós devemos tentar nossa primeira ideia, o programa que desliga o gatilho quando uma segunda partícula é detectada. Eu acredito que este teste será aquele que nos dará clara evidência para ou contra a hipótese de viajem no tempo. Nós temos todo o tempo do mundo para análise de dados e especulação filosófica.

Willie: Eu estou carregando o primeiro programa agora mesmo.

Tad: Eu ainda não acho que loops causais façam qualquer sentido. Ele tornam todos os tipos de situações ridículas possíveis.

Willie: Tais como?

Tad: Bem, uma vez eu assisti a este filme chamado de Somewhere in Time, mas eu não lembro muito sobre ele.

Carlene: Do que você lembra-se?

Tad: Eu lembro de que havia um jovem que era visitado por uma senhora idosa nos anos 70, e ela dá-lhe um relógio antes de partir dizendo somente, “volte para mim”. Muitos anos depois, em um hotel, o jovem vê uma foto antiga de uma bela atriz que o fascina. Ele pesquisa um pouco e descobre a foto daquela atriz como uma senhora idosa, e ele compreende que era a mesma quem o dera o relógio. Depois de falar com algum esquisito que escreveria um livro sobre como viajar no tempo através da auto-hipnose, o jovem volta no tempo a 1920. Uma vez lá, ele descobre a jovem atriz, e eles apaixonam-se. Antes de retornar aos anos 70, o jovem dá o relógio à atriz para que ela desse-o a ele quando ela fosse mais velha. E assim a história do relógio forma um loop completo, o que não faz sentido.

[53]Willie: Isso é uma recordação bem decente, eu diria. Mas o que está errado com o relógio? Isso soa para mim como se compreendesse uma história causal perfeitamente consistente: o homem deu-o à atriz em 1920; ela portou-o consigo até os anos 70, ponto no qual ela deu-o a ele; então ele retornou-o a 1920 e devolve-o a ela.

Tad: O que está errado? Ninguém construiu o relógio!

Willie: Então?

Tad: Então, isso é impossível! Relógios não aparecem simplesmente do nada, Willie!

Willie: Mas não apareceu do nada; supõe-se que o primeiro aparecimento do relógio em 1920 é o resultado de viajem no tempo do futuro.

Tad: E, como eu disse o tempo todo, esse é o problema subjacente, a causação reversa. Há outro problema, também. A fim de que a história seja consistente, o relógio teria de ser exatamente o mesmo quando a atriz primeiro o recebeu e quando o homem levou-o de volta no tempo para dá-lo a ela, certo?

Willie: Definitivamente.

Tad: Se isso é verdadeiro, contudo, então o relógio em absoluto não seria capaz de envelhecer. A atriz portou-o por cinquenta anos aproximadamente; mesmo se você assumisse que o relógio não enferruja ou arranha-se, como queiras, sua entropia ainda teria aumentado através do tempo.

Willie: Então o mundo exterior deve ter despendido energia para retornar o relógio a seu estado inicial. Tudo que isso vai mostrar é que quanto mais longo o tempo entre a chegada e a partida do relógio, e quanto maior ele é, maior a energia que é requerida para retorná-lo ao estado anterior. Isso poderia acontecer quando o relógio viaja no tempo. Oh, o programa está pronto para prosseguir.

Tad: Eu ainda digo que não há necessidade de executar esse programa.

Willie [parecendo entretido]: Você está com medo de que seja provado que você está errado se nós executarmos este teste?

[54]Tad: Não, porque não há dúvida em minha mente que será provado que eu estou certo; eu apenas estou tentando poupar algum dinheiro do DDE. Se nós pudéssemos desligar o gatilho após o aparecimento da segunda partícula que foi causada pelo gatilho – o que claramente nós podemos – então nós obviamente terminaríamos com uma contradição. Isso significa que causação reversa é impossível, exatamente como eu disse todo o tempo.

Carlene: Você está tão confiante em suas previsões sobre este teste como você estava sobre o último?

Willie: Ei, nós todos podemos ser surpreendidos pelos resultados. Tad, você está pronto?

Tad: Sempre.


Os três reúnem-se atentamente.


Fig. 4.2 Os Resultados Realmente Estranhos.



[
55]Tad [estudando o monitor]: Bem, eu estou feliz de que nós executamos o teste, mas, como eu esperava, isso parece como se a hipótese de viajem no tempo estivesse desfechada. Se a segunda partícula realmente era a partícula original viajando de volta no tempo como resultado do gatilho, então ela não deveria ter aparecido. Agora nós temos a partícula anômala aparecendo sem o gatilho. Ela vive sua breve vida e decai na hora certa para o psi-lepton ultrapassá-la. Parece que nós estamos de volta à mesa de desenhos.

Carlene: Bem, isso está assumindo que o programa executou como pretendido. Willie?

Willie: Eu estou quase certo de que funcionou. Baseado no teste anterior, o computador obviamente pode ligar ou desligar o gatilho no intervalo de somente um par de nanosegundos. Deixe-me checar. Sim, o log de diagnóstico mostrou que o gatilho foi desligado depois do aparecimento da segunda partícula.


Willie pensa para si mesmo enquanto Tad e a Dra. Rufus discutem quietamente os resultados.


Carlene: O que você acha, Willie?

Willie: Eu tenho de admitir que a possibilidade de que o gatilho causou o psi-lepton a viajar de volta no tempo está parecendo duvidosa agora; não ouve evento – gatilho, mas ainda há o caminho do que nós pensamos que era o psi-lepton viajando no tempo. Tudo que nós vimos antes sugere que essa partícula anômala não deveria ter aparecido, mas apareceu, desta vez também com um psi-lepton aparentemente completamente normal na câmara.

Carlene: Se o gatilho não estava causando a segunda partícula, então por que ela não apareceu no Teste 18, ou em qualquer dos testes anteriores, quando o gatilho não estava no lugar? Por que agora? Quanto a essa questão, quando haviam duas partículas, por que elas duas desapareceram? Nunca apareceu como uma colisão ou aniquilação. Mas vejam aqui nas tabelas de dados: agora nós estamos vendo um leve distúrbio no campo magnético igualmente em t=5 e t=7 nanosegundos, mas nenhuma [56]colisão, uma vez que a partícula normal continua ao longo de sua trajetória esperada. Nós temos a segunda partícula, nenhuma colisão, e a partícula normal vivendo sua vida completa.

Willie: Você acha que viajem no tempo ainda pode estar envolvida?

Carlene: Bem, eu tenho de concordar com Tad que a hipótese de viajem no tempo não está parecendo tão boa no momento. Esse foi somente um teste, contudo; há mais trabalho a fazer. Quem sabe? Vamos terminar isso por agora. Eu verei vocês amanhã, colegas.


Dia seguinte


ORIGINAL:

Carroll, John W., et al., A Time Travel Dialogue. Cambridge, UK: Open Book Publishers, 2014. http://dx.doi.org/10.11647/OBP.0043 pp. 45-56.


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0

1Para ver uma animação de quaisquer das ilustrações online de Quinta-feira visite http://www.openbookpublishers.com/product/256#resources

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Um Diálogo Sobre Viajem no Tempo III

Dia anterior


[33]3. Quarta-feira


Os três estão sentados à mesa. O orador, Dr. Twitchell, mal acabara uma conferência sobre o universo em expansão. O almoço estava sendo servido.


Carlene: Parece que nós reuniremos muito mais dados sobre nossa partícula misteriosa nas próximas semanas. Eu poderia mesmo dizer; eu espero que seja viajem no tempo.

Willie: Eu ainda estou pensando sobre a conferência do Dr. Twitchell; sempre me afetou como [algo] estranho descrever o universo como em expansão. Para o que está expandindo-se?


A Dra. Rufus e Tad compartilham olhadelas céticas.


Tad: Eu não sei nada sobre isso, Willie, mas alguma coisa similar tem incomodado-me sobre a hipótese de viajem no tempo. Eu pergunto-me para onde a partícula poderia ir.

Carlene: Eu não entendo.

Tad: Se o psi-lepton reverte sua direção no tempo, viajando do presente para o passado, então nós deveríamos reconhecer que o passado existe, mas isso não está certo. Eu quero dizer, tudo aquilo que aconteceu ontem, ou mesmo há um mês, está acabado; aconteceu em outro tempo, e esse tempo não existe mais. Isto é; agora, o passado – e o futuro, pelo que importa – não existem. Como pode o psi-lepton viajar se não há lugar algum para ele ir?


A Dra. Rufus olha interessada, mas Willie não está impressionado.


Willie: Isso soa como alguns argumentos contra a viajem no tempo que eu ouvi dos proponentes do presentismo.

[34]Tad: E o que é presentismo?

Willie: Bem, embora seja definido um tanto diferentemente por diferentes filósofos, o presentismo geralmente é tomado como a avaliação de que somente o que está presente existe.

Tad: Certo, bem, isso parece bem óbvio para mim. Mas eu sinto que não há acordo geral de que esse seja o modo como o mundo funciona.

Willie: Perceptivo como sempre, Tad. Muitos filósofos acreditam em alguma forma de eternalismo, o qual contradiz o presentismo ao sustentar que algumas coisas não presentes existem. Eternalistas acreditam que, em adição ao que está presente, ambos o que é futuro e o que é passado existem.

Tad: Portanto, você está dizendo que um presentista afirmaria que Albert Einstein não existe, o que é óbvio, mas que um eternalista diria que ele existe?

Willie: Sim, mas o eternalista concederia que Einstein não existe agora.

Tad: Isso não faz sentido para mim. Como você pode afirmar que alguma coisa existe senão agora?

Willie: Bem, eu não estou afirmando isso, mas o eternalista somente diria que Einstein existe no passado mas não no presente.


O garçom chegar com três almoços.


Carlene: Na realidade parece óbvio para mim que Einstein exista, não agora, mas em 1905, por exemplo. Nós estamos falando sobre ele, não é? Willie, eu acho que você classificar-me-ia como uma eternalista. Mas eu estou perguntando-me, o presentista não admitiria isso também? Ele não concederia que, embora Albert Einstein não exista agora, ele existe em 1905?

Willie: Bem, falando estritamente, não. Contudo, Você deparou-se com uma diferença-chave entre presentismo e eternalismo: o [35]eternalista poderia dizer que Einstein existe alguns anos atrás, mas o presentista diria somente que ele existiu alguns anos atrás.

Carlene: Isso parece não ser nada mais do que jogo de palavras.

Willie: De certa foram, pode ser. Eu mesmo não estou inteiramente certo.

Tad: Mas e sobre minha objeção a nossa partícula sendo um viajante do tempo?

Willie: Há muito a ser dito. Vamos ter certeza de que nós temos o argumento certo. Você afirma que se somente existe o presente, e se a viajem no tempo requer um destino outro que não o presente para o qual viajar, então não há lugar algum para o viajante do tempo ir – melhor ainda, nenhum quando para o viajante do tempo ir.

Tad: Mais uma vez, Willie, você entende exatamente o que eu disse.

Willie: Bom. Parece-me que nós temos algumas opções relevantes: nós podemos desistir de nossa hipótese de viajem no tempo, embora concedendo que o argumento esteja correto, ou nós podemos desistir do presentismo – ainda há o eternalismo, depois de tudo – ou nós poderíamos suspender ambos, viajem no tempo e presentismo, e, em seguida, tentarmos descobrir alguma falha no argumento que não demande que nós rejeitemos o presentismo.

Tad: O argumento parece infalível para mim, incluindo a suposição de que o presentismo seja verdadeiro. Eu inclino-me para desistir da hipótese da viajem no tempo.

Willie: Nós sabemos que isso é como você vê, Tad, mas nós poderíamos igualmente pensar mais um pouco.

Carlene: Tão tentada quanto eu estou para rejeitar inteiramente o presentismo, eu suspeito que haja alguma coisa errada com o argumento de Tad. Desculpe, Tad. Parece que se o argumento de Tad procede – se é correto, como vocês filósofos dizem, Willie – então todas as formas de viajem no tempo deveriam ser impossíveis. Eu duvido de que o presentismo tenha uma consequência tão forte.

Tad: Eu penso que tem uma tal consequência. Nem o futuro nem o passado existem se somente o presente existe. Qualquer forma de viajem [36]no tempo requer a existência um tempo que não o presente, assim, se somente o presente existe, então qualquer forma de viajem no tempo é impossível.

Carlene: Tad, pense na teoria especial da relatividade, contudo; ela diz-nos que ao menos um certo tipo de viajem adiante no tempo é possível. O tempo passa diferentemente para objetos materiais que tomam caminhos diferentes através do espaço e do tempo; por exemplo, um gêmeo que faça uma viajem de ida e volta, quase à velocidade da luz, para uma localização distante envelhece muito menos do que o seu gêmeo que nunca deixou a Terra. Nós sabemos atualmente que esse tipo de viajem no tempo ocorre; em um experimento, dois relógios atômicos – um colocado num avião e voando por toda parte por umas horas, e o outro deixado na Terra – experienciam quantidades diferentes de tempo. A habilidade de múons atmosféricos para alcançarem o solo, o fenômeno da precessão de Thomas, e mesmo os efeitos quântico-relativísticos que nos dão o brilho do ouro são todos exemplos de fenômenos físicos bem conhecidos que envolvem esse tipo de dilatação temporal. A consideração importante, contudo, é que parece que ao menos uma forma de viajem no tempo é muito real.

Willie [olhando de volta para Tad]: Um caso hipotético faz a mesma consideração. Se uma mulher fosse suspensa criogenicamente por dez anos antes de ser revivida, ela experienciaria algo semelhante a viajem adiante no tempo. Ela poderia estar convencida de que é 2010 quando na verdade é 2020; ela não seria capaz de descrever nada sobre sua viajem mas teria uma recordação excelente dos eventos imediatamente anteriores à suspensão. Isso parece perfeitamente possível e semelhante a um caso de viajem no tempo, assim algo deve estar errado com seu argumento.

Tad: Seriamente? Isso não é viajem no tempo!

Willie: Por que não?

Tad: Eu não estou exatamente certo. Mesmo o relógio atômico viajando em altas velocidades parece ser um pouco muito mundano para ser viajem no tempo, mas eu te concederei esse caso, Professor. O congelamento profundo é uma questão diferente.

Carlene: Eu concordo com Tad sobre o processo criogênico. Em termos de física, não há nada interessante acontecendo temporalmente. [37]A rã-da-floresta do norte, uma espécie que se congela sólida durante o inverno, não é uma espécie de anfíbio viajante do tempo; há processos intracelulares e submoleculares ocorrendo, mesmo que pouco ou nada esteja acontecendo em níveis macroscópicos.

Willie: Certo, mas se congelamento e descongelamento é uma maneira de viajem no tempo é irrelevante. Tudo o que eu disse, a propósito, é que era como um caso de viajem no tempo. A consideração que eu quero fazer é que o que é importante sobre a viajem não é que o destino esteja lá quando o viajante parte, mas que ele esteja lá quando o viajante chega. Não importa se o ano de 2020 existe quando nossa mulher é congelada, contanto que ele exista quando ela for descongelada. Semelhantemente, não importa que o tempo de chegada como experienciado pelo relógio na Terra existe quando o avião começa a acelerar, somente é importante que o tempo de chegada exista quando o avião retornar. O argumento de Tad parece negligenciar esse detalhe particularmente proeminente.

Tad: Eu não acompanho.

Willie: Suponha que você há pouco se graduou do colegial. Você e alguns amigos ouviram de um incrível parque temático sendo construído no Zimbábue, então você decide ir para lá para uma viajem prolongada de graduação, imaginando que se você começar a andar quando eles entregaram seus diplomas a você, você chegará ao parque exatamente quanto abre.

Tad: Certo, essa é uma história muito louca, mas eu colaborarei. Eu acho que meus amigos e eu necessitaremos de alguma natação durante a jornada, também.

Willie: Boa ideia. Então, com seu primeiro passo, e eventualmente com seu primeiro nado de costas através do atlântico, você está viajando ao parque temático, certo?

Tad: Claro.

Willie: Bem, o parque temático ainda não existe, assim você está viajando para um lugar que não existe. Se esse é o caso, então uma de suas premissas é falsa, e seu argumento é incorreto.

[38]Carlene [sorrindo]: Só um minuto, Willie, eu acho que você está tentando enganar o Tad. Talvez o parque temático no Zimbábue ainda não exista, mas o espaço onde ele ficará existe, assim Tad e seus amigos realmente não estão viajando para um lugar que não existe.

Willie: Certo, certo, eu concederei que meu exemplo tem essa falha, mas – com a conferência do Dr. Twithcell em mente – nós poderíamos supor que nosso universo expande-se para criar novas localizações espaciais; então você poderia viajar apara um local que não existe. É claro, pelo tempo que você chegar lá, ele existirá.

Tad: Eu ainda não acompanho. Se o ontem não existe, então eu não posso viajar para lá; se o amanhã não existe, então eu não posso viajar para lá. Seria como encontrar o Godzilla ou viajar para a Fonte da Juventude; não pode ser feito.

Willie: A diferença é que o futuro existirá, e o passado existiu. O Godzilla e a Fonte da Juventude nunca existiram, não existem agora, e nunca existirão. Você pode viajar para um destino temporal que ainda não existe; você somente não pode chegar até que ele exista. Quando você está viajando para algum tempo ou lugar, você está empenhando-se em um comportamento de viajem, mas você não necessita, simultaneamente, estar chegando a parte alguma.

Carlene: Isso é verdadeiro, Willie? No exemplo do universo em expansão, mesmo se eu quiser viajar para uma região do espaço que ainda não existe, durante o caminho eu teria de viajar através – ou chegar a – todo o espaço intermediário que existe; o espaço intermediário é o que parece tornar a viajem possível. A analogia parece não se sustentar; se o presentismo é verdadeiro, se o presente é tudo que há, então não há tempo intermediário através do qual viajar.

Willie: Mas em um universo presentista todos os tempos intermediários em algum ponto estarão presentes.

Carlene: Essa não é realmente a questão, é? Parece que a fim de viajar para algum lugar, nós precisamos viajar através de todas as localizações intermediárias; no espaço, essas estão prontamente disponíveis, mas em um universo [39]presentista somente há o presente. Talvez nós possamos, por uma maneira de falar, montar no presente até que um tempo posterior exista, mas isso é viajem no tempo? Da mesma maneira que a rã-da-floresta não está viajando no tempo enquanto está congelada, a passagem normal do tempo não é viajem no tempo.

Willie: Eu diria que a passagem normal do tempo é uma forma de passagem do tempo – se bem que um caso limitado dela – mas você está certa, que nós não saíamos de nosso caminho para pensá-la como isso. Mais do que somente montar tem de acontecer para um caso interessante de viajem no tempo.

Tad [interrompendo]: Professora, Willie admitiu que você estava certa.

Carlene: Eu não acredito que Willie tenha terminado, Tad.

Willie: Eu estava a ponto de apontar para o caso do paradoxo do gêmeo. Os gêmeos viajantes ocupam posições intermediárias no espaço e tempo, no seu caminho para longe e no seu caminho de volta à terra, mas o que torna isso viajem no tempo – viajem no tempo genuinamente interessante – é como tão menos tempo passa para ele do que para seu gêmeo que fica em casa e todos os outros na Terra.


Tad aquieta-se. O garçom chega, limpando a mesa e oferendo café. A oferta é avidamente aceita.


Tad [retornando ao assunto]: Eu ainda acho que viajem no tempo é incompatível com o presentismo; viajem verdadeira no tempo requereria chegar a algum tempo não presente, o que os presentistas negam existir.

Willie: Veja, e quanto a isto; um viajante do tempo entra numa máquina do tempo agora e chegará em 2020. O presentista deverá ficar tranquilo com isso.

Tad: Ainda há algo disparatado. Essa coisa de ‘chegará’ incomoda-me. Até que o seu viajante do tempo chegue em 2020, não é verdadeiro que ela chegará àquele destino. Então, como pode alguém agora estar viajando no tempo?

[40]Willie: Algumas vezes nossas declarações no tempo presente requerem para sua verdade o que ocorrerá ou ocorreu de certo modo. Se nosso garçom agora estivesse colocando arsênico em seu café, não é agora que ele está cometendo um assassinato, mesmo que para isso ser verdade também deve ser verdade que, não sabendo melhor, você beberá o café e morrerá? Para ser um viajante do tempo agora, você precisa estar envolvido em algum tipo de comportamento de viajem que cause que você tenha chegado ou chegará.


O café é entregue. Tad examina o conteúdo de seu copo.


Tad: Agora soa como se você estivesse dizendo que para ser um viajante do tempo não requer realmente que o passado ou o futuro exista. Parece que tudo que isso requer é envolver-se em um certo comportamento como viajar em altas velocidades ou puxar uma alavanca de uma máquina do tempo. Eu tenho de admitir que isso soa muito razoável. Viajar para a Grécia antiga implica que a Grécia antiga exista, mas o presentismo definitivamente nega que a Grécia antiga existe. Viajar em altas velocidades? Puxar uma alavanca? Essas coisas parecem perfeitamente consistentes com o presentismo.

Willie: Então, talvez, nós estamos em maio acordo do eu primeiro pensei. Eu estive pensando em viajem no tempo para o passado como consistente com o presentismo porque eu entendi isso como requerendo somente que o passado existiu. Você diz que isso também requer que o passado exista e assim vê a viajem no tempo ao passado como inconsistente com o presentismo. Contudo, nós podemos concordar que eu posso estar viajando no tempo mesmo se o presentismo for verdadeiro somente ao entender a viajem no tempo como uma questão de envolver-me no tipo certo de comportamento. Assim, nós parecemos estar de acordo sobre o ponto importante de que viajem no tempo é consistente com o presentismo.

Tad: Assim parece.

Carlene: Colocando de lado minha preocupação de antes, Willie, poderia ser útil se você pudesse contar-nos como algum exemplo de viajem no tempo ajusta-se ao presentismo.

Willie: Bem, se algum de vocês esboçar um de seus enredos favoritos sobre viajem no tempo, eu mostrarei como a mesma história pode ser contada de um modo que seja consistente com o presentismo.

[41]Tad: Certo, e quanto a Star trek IV: The Voyage Home. Kirk e a tripulação da Enterprise viajam de volta à Terra do século XX, interagem com pessoas comuns como nós, encontram duas baleias jubartes, e, em seguida, eles levam essas baleias de volta ao século XXIII para impedirem que uma sonda alienígena destrua a Terra.

Willie: Claro, eu não me lembro de quaisquer contradições obvias nesse [enredo]. E lembre-se, nós dissemos que presentistas não negam verdades em tempos passados e futuros. Assim, suponha que sejam dois dias depois que a tripulação da Enterprise pegou as baleias em algum momento dos anos 1980. Naquele momento seria verdadeiro dizer que houve uma nave que pegou duas baleias há dois dias, e em mais ou menos 300 anos essa nave aparecerá perto da Terra.

Carlene [interrompendo]: Eu entendo a assunto. Tudo que você tem de fazer é expressar os elementos da história em tempos diferentes para torná-los consistentes com o presentismo. Eu ainda não estou convencido de que esse não é somente um modo de brincar com a linguagem.

Tad: Espere, Professora, eu acabei de pensar em algo. Talvez parte de minha objeção sobre não ter nenhum lugar para ir esteja extinta, mas eu ainda penso que haja uma discordância entre o presentismo e a hipótese da viajem no tempo. E quando à causação na qual nossa partícula precisa estar envolvida se for viajem no tempo?

Willie: Eu admito que precisa haver alguma estranha causação; não importa que visão – presentismo ou eternalismo – esteja correta, causação reversa é problemática. Mas eu não acho que o tipo de causação sobre o qual nós estávamos preocupados levante quaisquer questões especiais para o presentismo.

Carlene: Certamente, contudo, se somente o presente existe, a causação tem de ocorrer somente no presente.

Willie: Seja cuidadoso ao lembrar de que causação não é um evento; é uma relação entre eventos. Mesmo se nós às vezes falamos sobre causação como se ela fosse o tipo de coisa que acontece no tempo, não é assim realmente. Mais importantemente, há exemplos sem conta de relações entre coisas presentes e não presentes[42]; por exemplo, o Big Bang causou à Terra, como a qualquer outra coisa material, a existência. Muitas das coisas que hoje nós fazemos terão efeitos no futuro. Se o presentismo é verdadeiro, então ele tem de ser capaz de explicar como poderiam haver quaisquer relações causais em absoluto, o que é algo que o presentismo tem de fazer se ou não viajem no tempo é possível.

Tad: Certo, assim a discrepância aparente entre o presentismo e a causação não está limitada a questões de viajem no tempo, significando que a questão sobre causação realmente não nos ajuda a determinar se viajem no tempo e presentismo são compatíveis.


O garçom retorna e enche novamente o copo vazio de Willie. Willie dá um ok para o garçom.


Carlene: A coisa que mais me preocupa sobre o presentismo é de natureza científica, mas nós não precisamos adentrar nisso exatamente agora.

Willie: Não, continue, eu estou curioso.

Carlene: Certo, então o que me preocupa é que presentismo parece assumir um quadro de referência absoluto que distingue o que é real do que não é; o presente parece consistir em todos os eventos, e somente esses eventos, simultâneos ao exatamente agora. Isso é um grande distanciamento da relatividade de Einstein. A marca da relatividade é não incluir qualquer noção de simultaneidade absoluta; simultaneidade é uma noção dependente da referência. Se isso é verdade, então o presentismo tem de ser falso.

Willie: Sim, isso parece ser um golpe com respeito à verdade do presentismo, e – como eu posso ter demonstrado antes – eu não estou preparado para defender o presentismo até seu dia de morte. Essa questão não é um problema distintivo do presentismo, contudo; uma grande quantidade de nossas maneiras ordinárias de pensar sobre tempo, espaço e movimento estão em desacordo com a relatividade. Exatamente como maneiras ordinárias de pensar têm de ser reconsideradas à luz da relatividade, talvez, elementos do presentismo necessitem ser reconsiderados também. Exatamente como eu não estou [43]pronto para dizer que não haja uma tal coisa como movimento e extensão, eu não estou preparado para concluir, bem, que não haja tempo como o presente.


Os três compartilham uma gargalhada.


Tad: Boa, Willie.

Willie: Somente para ser claro, mesmo embora eu disse “não há tempo como o presente”, o que eu quis dizer é que eu não estou pronto para concluir que tempos outros que não sejam o presente realmente existam.

Tad [interrompendo]: Alivie-se, Willie. Foi divertido; nós entendemos.

Carlene: Mais uma vez, essa discussão filosófica está bem e boa, mas, se é possível que a partícula esteja viajando de volta no tempo, então cabe à ciência mostrar se ela está realmente viajando. Assim, adiemos as discussões por um tempo, até que nós tenhamos mais alguns dados para suportarem nossas ideias. Com alguma sorte – e com alguma feitiçaria computacional de Willie – nós faremos algum progresso amanhã.


Dia seguinte


ORIGINAL:

Carroll, John W., et al., A Time Travel Dialogue. Cambridge, UK: Open Book Publishers, 2014. http://dx.doi.org/10.11647/OBP.0043 pp. 33-43.


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0