[57]5. Sexta-feira
São 9:00 da manhã. Tad entre o laboratório onde a Dra. Rufus e Willie já estão a meio caminho dos seus copos de café. Tad sorri presunçosamente enquanto ele abre caminho até o pote de café.
Carlene: O que deixo-te tão alegre e animado nesta manhã?
Willie: Importa-se, Tad? Está muito cedo para isso.
Tad: Certo, então, eu estive fazendo um pouco de pesquisa, e eu gastei a última noite fazendo brainstor sobre nossa pequena cobaia complicada, especialmente o resultado do teste de ontem.
Carlene [ouvindo cuidadosamente]: Por favor continue.
Tad: Eu ainda penso que viajem unidimensional no tempo é impossível. Como alguém poderia voltar ao passado e mudá-lo quando isso mudaria o futuro? E assim por diante. Criaria contradições diretas.
Willie [sacudindo a cabeça]: Bem, não, Tad, pois, mesmo se alguém fosse viajar ao passado, o passado já teria ocorrido do modo como ocorreu; teria incluído a chegada do viajante do tempo e as ações dele ou dela.
Carlene: Nós realmente precisamos debater o paradoxo do avó novamente?
Tad: Tenha paciência comigo. Eu finalmente encontrei uma resposta que faz sentido para mim. Willie, Você lembra-se de segunda-feira quando mencionou que a possibilidade de viajem do tempo não é unidimensional? A maneira de contornar o paradoxo é abandonar a ideia de que o tempo tenha somente uma dimensão!
[58]Willie: Tad, eu somente pretendi sugerir que nós nem mesmo podemos começar a fazer sentido de filmes como Back to the Future sem supor que o tempo é multidimensional. Eu pretendi introduzir na discussão a possibilidade de que o tempo permita mais do que uma linha temporal ou ramificação de uma linha temporal, mas eu nunca pretendi sugerir que o tempo poderia ser efetivamente multidimensional. Aonde você está querendo chegar?
Tad: E se em uma linha temporal meu avô vivesse uma vida normal? Ele morre de velhice, e então eu decido voltar no tempo. Minha chegada é em uma linha temporal intimamente relacionada, mas não na linha do tempo original. E aí você compreende! Eu posso matar meu avô. O assassinato não teria efeito em meu nascimento por que meu nascimento não é nesta nova linha temporal; meu nascimento é somente na linha temporal original.
Willie: Sim, eu entendi a ideia. É uma ideia divertida, Tad, realmente. Mas até onde o paradoxo do avô está preocupado – e tanto quanto eu estou preocupado – suas múltiplas linhas temporais são abstrações metafísicas.
Tad: Veja, durante toda a semana eu estive pesquisando a internet por informação sobre viajem no tempo, e, na última noite, encontrei este site, timetravelphilosophy.net1, o qual um professor e seus estudantes criaram. Tem um material realmente muito bom; ele mesmo desenvolve alguns modelos multidimensionais de tempo e discute como o passado poderia ser mudado. Eu posso dizer a você de onde a partícula está vindo!
Carlene: Você tem minha atenção.
Tad: O site deixou-me pensando: e seu eu decidisse viajar de volta no tempo para a décima festa de aniversário de Willie?
Willie: Isso seria impressionante. A viajem no tempo, eu quero dizer, não você em meu aniversário; meus pais e eu teríamos mais do que assutados de ter este estudante de pós-graduação não familiar espatifando-se em minha festa.
Tad: Ei, seria uma explosão; eu até conheço malabarismo! De qualquer forma, se eu decidisse viajar de volta no tempo para sua décima festa de aniversário, eu [59]não viajaria de volta para um evento exatamente igual ao que você lembra-se, Willie; eu viajaria para a festa junto a uma dimensão diferente. A festa que eu visitaria incluiria minha chegada. A linha temporal original – esta na qual nós estamos bem agora – ramificar-se-ia conforme eu chegasse, com a linha temporal original prosseguindo do modo que você lembra-se, e a outra ramificação incluindo minha chegada. Conforme uma linha temporal desenvolve-se, eu não cheguei à festa; conforme a outra desenvolve-se, eu cheguei. Segundo esse modelo, um viajante do tempo está obrigado a mudar o passado.
Carlene: Contudo, esse modelo realmente permite ao viajante do tempo alterar o passado? Soa como se você chegasse a uma festa muito similar mas distinta, não a festa do passado de Willie.
Tad: Eu não estou certo de que isso importe muito para nossos resultados.
Willie: Provavelmente não, mas eu estou inclinado a pensar que poderia ser a mesma festa junto às duas ramificações. A festa junto a cada ramificação situa-se em relações causais e espaçotemporais com eventos que são idênticos junto às partes da linha temporal anterior à ramificação, o que parece-me ser suficiente para a identidade de mim como meu eu mais jovem, de meus pais com seus eus mais jovens e a existência continuada das festas que iniciou antes que Tad chegasse. Com viajem no tempo unidimensional ao passado, uma pessoa pode estar em dois lugares imediatamente, então por que não uma pessoa junto à linha temporal original e também junto à linha temporal alternativa? Isso poderia ser mesmo um evento parcialmente junto à linha temporal original e parcialmente junto à ramificação; por exemplo, esse seria o caso com a festa.
Carlene: Eu estou tendo dificuldades em visualizar isso.
Tad [pegando um pouco de papel]: Certo, dê uma olhada. O eixo x representa o tempo normal junto à linha temporal original, e ele indexa os tempos normais. Uma pessoa nascida em (t0, L0) que nunca viajou no tempo viverá sua vida ao longo do eixo t. Agora, o eixo L registra as ramificações a partir da linha temporal original; L1 será a primeira ramificação. Eu traçarei o exemplo do aniversário. Willie, quando você nasceu?
Willie: Eu nasci em 1970.
[60]Tad parece surpreso. A Dr. Rufus sorri brevemente.
Tad: Hmm, você é mais velho do que parece. Então, tenhamos t0 para representar 1970, e nós vamos marcar intervalos de dez anos. Eu nasci em 1990, então meu nascimento está aqui em t2.
Willie [interrompendo]: Tad, eu não percebi que você era somente uma criança.
Tad: Sai dessa, Willie! Tente focar-se. Então, se eu decidir, em 2010, partir em minha máquina do tempo configurada para o seu décimo aniversário, minha partida seria de (t4, L0), um ponto junto à ramificação original; eu atravessaria de volta e chegaria a (t1, L1), que é 1980 na linha de chegada. Se eu permanecesse junto àquela linha temporal por 40 anos, eu terei aproximadamente 60 em (t5, L1). Aqui, eu realcei minha vida no gráfico (Ver figura 5.1)
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Fig. 5.1 A Vida de Tad2 |
[61]Carlene:
Então (t5, L1) corresponderia a 2020 junto
à ramificação de chegada em vez da ramificação de
partida. Você conduziria sua vida, perdendo o 2015 junto
à ramificação de partida, mas sendo uma parte dele junto à
ramificação de chegada.
Tad [sorrindo]: “Ramificação de partida”, essa é boa. Não acha que isso está tomando forma?
Carlene: Por que você disso que teria aproximadamente 60 na ramificação de chegada em 2020, em vez de exatamente 60?
Tad: Bem, você teria de considerar qualquer que seja a quantidade de tempo que eu experienciaria durante a viajem, aqui, junto à diagonal.
Carlene: Conte-me um pouco mais sobre essa parte diagonal da viajem.
Tad: Bem, há duas maneiras por meio das quais a viajem no tempo poderia ocorrer: você poderia ou saltar sobre todo o tempo entre a partida e a chegada, ou mover-se através de todo o tempo entre a partida e a chegada.
Willie: Certo, essa é a diferença entre viajem no tempo descontínua e contínua. Numa viajem descontínua, o viajante do tempo deixa um tempo e instantaneamente aparece em outro, sem o viajante do tempo experienciar qualquer tempo entre a partida e a chegada; essa é a maneira que as coisas parecem ocorrer em Back to the Future quando o DeLorean acelera. Em uma viajem contínua, contudo, o viajante do tempo deixa um tempo e tem de viajar através do tempo e espaço entre a partida e a chegada, no sentido de que, como Tad sugeriu, o tempo passe para o viajante entre a partida e a chegada; a máquina do tempo em The Time Machine, de H.G. Wells, viaja dessa maneira. A viajem no tempo em The Time Machine é unidimensional, e nós temos como clarificado que a viajem no tempo em Back to the Future somente começa a fazer sentido se é multidimensional. Até agora, há a viajem unidimensional contínua da máquina do tempo wellsiana e a viajem multidimensional descontínua do DeLorean, mas o que você parece descrever, Tad, é uma viajem no tempo multidimensional descontínua.
Tad: Certo, como as caixas em Primer.
[62]Willie: Oh, então você assistiu-o?
Tad: Sim, o site sobre viajem no tempo sugeriu; eu assisti-o na última noite.
Willie: É um bom filme. Conte à Dra. Rufus sobre ele.
Carlene: Oh meu.
Tad: Primer é um filme sobre dois engenheiros, Aaron e Abe, que descobrem uma maneira de viajar para trás no tempo. Eles constroem caixas de tubos de PVC e quem sabe o que; eles ligam essas caixas, e então em seguida podem entrar e viajar de volta no tempo quando as caixas forem ligadas. O problema é que eles têm de esperar dentro das caixas enquanto eles viajam através de todo o tempo entre a entrada e a saída. Como Willie disse, o filme retrata tempo multidimensional, então eles podem mudar o passado; eles fazem muitos dólares comprando ações que eles sabem que renderão bem no final do dia, e todos os tipos de outras coisas.
Carlene: Então, figurativamente falando, você pensa que o psi-lepton está viajando numa caixa do Primer?
Tad: Você entendeu, Professora.
Willie: Isso faz um certo sentido, mas eu não estou certo por que eles não terminam junto a L2 ou mesmo L1/2, no que diz respeito a isso.
Tad: Eu coloquei a ramificação de chegada junto a L1 por que eu estou pensando nela como a ramificação na qual o viajante termina a viajem – e começa, mais uma vez, a experienciar a passagem ordinária do tempo – depois de sua primeira viajem. Se ele deixa aquela ramificação, ele terminaria em L2, e assim por diante. Quando exatamente junto à ramificação de chegada o viajante chega, depende das configurações da máquina do tempo: 30 anos atrás, 80 anos atrás, ou 80 anos adiante. Faz sentido?
Carlene: Todos os viajantes do tempo partindo de L0 chegam a L1? E se eles configuram suas máquinas do tempo para chegarem em tempos diferentes no passado?
[63]Tad: Vamos manter isto simples: no máximo uma partida de viajem no tempo para cada linha ou ramificação e exatamente uma chegada de viajem no tempo para cada ramificação. Para cada partida de um viajante do tempo, haverá uma chegada e sua chegada é o começo de uma nova ramificação a partir de uma linha ou ramificação de partida.
Carlene: E quanto aos tempos junto a L1 anteriores a sua chegada em t1? Que eventos ocorrem então?
Tad: Como Willie sugeriu antes, os eventos em L1 antes de t1 seriam os mesmos eventos que aconteceram antes de t1 em L0; no geral, os eventos antes do tempo de chegada na ramificação principal são os mesmos eventos que ocorreram antes daquele tempo na ramificação de partida. No gráfico, L1 parece separado de L0 igualmente depois bem como antes do tempo de chegada, mas isso é apenas uma falha da representação visual. Eu tenho em mente que os eventos junto a L0 anteriores a t1 são os antecedentes causais e espaciotemporais dos eventos de t1 e posteriores a t1 junto igualmente a L0 e a L1.
Carlene: Certo, Tad, você está certo; isso realmente está começando a tomar forma. Mas o que isso significa para nossa pesquisa? Você está dizendo que a cada vez que o gatilho acontece, o psi-lepton viaja para uma linha temporal diferente? Que observações poderíamos esperar com sua hipótese de que o tempo é multidimensional?
Tad: Bem, isso depende de em que ramificação nos estamos. Nós estamos na ramificação onde eu apareci no décimo aniversário de Willie ou naquela onde eu não apareci? Aqui está o que eu acho: cada ocorrência do gatilho representa uma partida do psi-lepton. Com viajem no tempo multidimensional, há muito mais resultados possíveis do que com viajem no tempo unidimensional. Em viajem no tempo multidimensional, dependendo de em qual ramificação você está, você verá coisas completamente diferentes na cópia impressa.
Willie: É como o que eu disse que meus pais observariam em meu décimo aniversário: junto à ramificação de partida não há nada incomum, mas junto à ramificação de chegada há um assustador estudante de pós-graduação.
Tad: Eu estou feliz de que você entende o modelo, Willie.
[64]Carlene: E quanto a nossas observações? O que está acontecendo com o psi-lepton?
Tad: Isso está para ficar complicado em um minuto, mas nos podemos começar de modo suficientemente simples. Se nós estamos considerando o psi-lepton como o viajante do tempo na linha de partida, vamos fazer com que t0 esteja em zero nanosegundos e marcar intervalos de um nanosegundo; assim t5 fica em cindo nanosegundos onde o gatilho ocorre, se de qualquer modo ocorrer. Agora, vamos considerar algo como o Teste 16, onde o gatilho não ocorre. Aqui está com o que o gráfico parecer-se-ia (Ver figura 5.2)
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Fig. 5.2 Um Psi-Lepton Ordinário: Sem Viajem no Tempo |
Willie:
Sem gatilho, somente o comportamento normal do psi-lepton, vivendo
por sete nanosegundos e decaindo em t7 no gráfico.
Tad: Certo, mas esse é somente o caso mais simples. Em seguida nós precisamos considerar com o que o gráfico parece-se quando o gatilho ocorre em t5. Tenha em mente que nós estamos fazendo essas observações a partir de L0. Também, lembre-se de que nós estamos trabalhando na suposição de que [65]o gatilho cause o psi-lepton a partir em uma viajem que é um caso de viajem no tempo entre linhas temporais.
Willie [interrompendo]: 88 milhas por hora! Pareceria para nos como se o psi-lepton apenas desaparecesse, exatamente como o DeLorean quando ele acelerou. O gráfico mostraria o psi-lepton existindo somente de t0 a t5. Por que você não desenha isso? (Ver figura 5.3)
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Fig. 5.3 Um Psi-Lepton Viajante do Tempo como visto na Ramificação de Partida? |
Tad:
Acalme-se, Willie. E lembre-se de que estamos usando a metáfora da
caixa do Primer, não o DeLorean. Pense
nisso como Abe entrando na caixa. Mas você está certo, até
onde nós podemos contar, a vida da partícula somente
terminaria em cinco nanosegundos.
Willie: Nós já não vimos um teste com esse comportamento, vimos?
Tad: Bem, você não viu, mas a Dra. Rufus e eu vimos.
Carlene: Vimos?
Tad: Sim, o Teste 12.
[66]Willie: Teste 12? Você não mencionou esse; eu suponho que foi um dos sucessos anteriores, uma única partícula que se comportou de acordo com sua teoria.
Carlene: É claro, o Teste 12! Willie, era o começo de nossos resultados inesperados. Eu já o recusei; nós consideramos que era somente um contratempo de algum tipo, uma vez que os resultados nunca forma duplicados.
Tad: Um contratempo de algum tipo, mas não exatamente da maneria que então nós pensamos. Aqui, Willie, dê uma olhada. (Ver figura 5.4)
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Fig. 5.4 Os Resultados Desconsiderados |
Willie:
Nós estamos certo de que o gatilho ocorreu? Não parece ter
ocorrido, pois não há segunda partícula.
[67]Tad [tirando as tabelas de dados]: Como vocês podem ver aqui, houve uma perturbação de campo B em t=5.
Carlene: Eu lembro-me de quão estranho eu pensei que era; não pode ter sido devido ao decaimento por que a partícula não havia vivido o suficiente.
Willie: O que essa perturbação tem a ver com qualquer coisa?
Tad [tentando conter o entusiasmo]: Certo, deixe-me explicar o que minha teoria diz. Primeiramente, o gatilho está causando o psi-lepton a viajar no tempo.
Willie: Nós sempre conseguimos isso como parte da hipótese.
Tad: Dê-me um segundo, Willie. A ocorrência do gatilho causa o psi-lepton a viajar de volta através de linhas temporais. Lembre-se de que cada passo para o passado muda o passado. Viajar através de linhas temporais certamente requer alguma energia, a qual tem de vir de algum lugar, assim o gatilho retira-a do campo B na câmara; é de onde a perturbação está vindo. Durante o Teste 12, nós observamos um psi-lepton colidir com o gatilho em t=5, ponto no qual ele conseguiu alguma energia do campo B, e deixou nossa linha temporal. Sempre, a primeira questão que nós precisamos considerar é se nós estamos na ramificação da partida ou da chegada. Aqui, nós estamos na ramificação de partida.
Carlene: Assim, uma questão igualmente importante é se o gatilho está ligado ou desligado em nossa ramificação.
Willie: Isso é bom, Tad, mas e quanto ao Teste 15? Há duas partículas, e não houve nenhuma perturbação de campo magnético. E quanto a isso?
Tad: Há muitos fatores diferentes a considerar. Dependendo de em qual ramificação nós estamos e – você está certa, Professora – se o gatilho está ligado ou desligado, há uma variedade de resultados possíveis. O comportamento exibido durante o Teste 15 é um resultado. Vamos dar uma olhada. (Ver figura 5.5.)
[68]
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Fig. 5.5 O Psi-Lepton Viajante do Tempo como visto na Ramificação de Chegada?
Willie:
Eu espero que você tenha conseguido
algo bom.
Tad: Somente me ouça. Em nossa linha temporal o gatilho está ligado; o psi-lepton viaja normalmente até t=5, ponto no qual ele colide com o gatilho e deixa nossa linha temporal. Entrementes, em t=3, ali aparece um psi-lepton de outra linha temporal; naquela linha temporal o gatilho deve ter estado ligado, também. Baseado em nossa hipótese anterior de viajem no tempo, o segundo caminho era o mesmo do psi-lepton viajando de volta no tempo; em minha hipótese, é um psi-lepton de uma linha temporal diferente, e está viajando adiante no tempo. Ele chega em t=3 e move-se em direção do psi-lepton que se originou em nossa linha temporal. Bom até agora?
Willie: Por enquanto, tudo bem, eu acho.
[69]Tad: Agora, você perguntou por que há uma perturbação no campo B durante esse teste. É por que o psi-lepton que chegou em nossa linha temporal decai! Ele vive os primeiros cinco nanosegundos de sua vida em sua linha temporal – sua ramificação de partida – e vive os últimos dois nanosegundos de sua vida em nossa linha temporal – sua ramificação de chegada – ponto no qual ele decai, aqui, em t=5. A energia liberada por esse decaimento fornece a energia para nosso psi-lepton partir; ele não necessita pegá-la do campo B!
Os olhos da Dra. Rufus arregalam-se. Willie olhou excitado mas nervoso.
Willie: Lembre-se de quando nós estávamos falando sobre sua viajem no tempo ao meu décimo aniversário? Você disse que, depois de permanecer na ramificação de chegada por 40 anos, você teria aproximadamente 60 anos. O psi-lepton tem uma vida extremamente curta. Como ele está vivendo por cinco nanosegundos em sua linha temporal original, e dois nanosegundos em nossa linha temporal quando ele, precisa ter gasto algo de sua vida durante a viagem diagonal através das linhas temporais?
Tad: Eu estou muito à sua frente. Nós não sabemos o que pode estar acontecendo durante a viajem entre linhas temporais, mas eu acho que é seguro assumir que a física é um pesadelo. Agora, o tempo de vida predito do psi-lepton é realmente apenas um tempo de via médio; ele pode viver exatamente um pouco menso ou um pouco mais do que sete nanosegundos. Assim, se o psi-lepton experiencia menos do que dois nanosegundos durantes sua viajem – e, por tudo que eu sei, isso e uma possibilidade – então é possível para ele viver outros dois nanosegundos depois que ele chega.
Carlene: Isso é esperto, Tad, mas eu tenho mais uma questão: se o psi-lepton que chega em nossa linha temporal em t=3 está movendo-se adiante no tempo, por que ele está movendo-se em direção da parte inferior da câmara, em direção ao nosso psi-lepton? O caminho fazia sentido quando era o mesmo psi-lepton movendo-se para trás no tempo – a partir da perspectiva dele, ele nunca mudou de direção no espaço – mas eu não estou certa sobre isso.
Tad: Isso perturbou-me por um tempo durante a última noite, que foi quando eu decidi para assistir a Primer. Eu sei que isto é meio falho, mas e se o psi-lepton tem de virar-se para sair de sua caixa Primer para parar [70]de viajar no tempo? O que eu quero dizer é isto: e se a cada vez que a partícula parar de viajar no tempo, sua direção no espaço é invertida?
Carlene: É uma esticada, Tad, mas faz sentido o suficiente para mim, pelo menos por agora. O que você acha, Willie?
Willie: Eu não sei. Por um lado, isso faz um pouco de sentido dos dados, como você disse. Por outro lado, por que introduzir tanto aborrecimento? O Teste 12 à parte, nós tínhamos uma hipótese muito boa e simples sobre o que nós estávamos observando. A menos que sua teoria possa explicar o Teste 20 de ontem, eu não vejo por que nós precisaríamos dela.
Tad: Esse é o ponto, Willie; ela explica o Teste 20! Ela explica todos os testes.
Willie: Certo, então nos mostre. Aqui está a impressão. (Ver figura 5.6)
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Fig. 5.6 Gatilho de Partida Ligado, Gatilho de Chegada Desligado, como visto da Ramificação de Chegada? |
[71]Tad:
Depois de tudo que eu expliquei há pouco, é moleza.
Lembre-se de que o programa que nós estávamos usando durante o
Teste 20 foi configurado para desligar o gatilho no caso de que um
segundo psi-lepton fosse detectado, e que o gatilho estava
inicialmente ligado. Então, nosso psi-lepton está viajando para
frente, e em t=3, o segundo psi-lepton aparece de outra linha
temporal, o qual desliga o gatilho. O segundo psi-lepton decai em
t=5, e nosso psi-lepton – uma vez que não há mais gatilho,
lembra-se – contínua movendo-se até que ele decai como esperado
após sete nanosegundos. A coisa mais importante a notar aqui é que,
na ramificação de partida do segundo psi-lepton, o gatilho nunca
foi ligado; caso contrário ele nunca teria viajado para nossa linha
temporal. A configuração na ramificação de partida teria sido a
mesma que a nossa – o mesmo programa executando e tudo – mas isso
está bom;
tudo que importa é que na ramificação de partida nenhum segundo
psi-lepton apareceu para desligar o gatilho.
Carlene: E quanto às perturbações de campo magnético que nós registramos ontem?
Tad: Isso é fácil. Uma vez que nossa linha temporal não é uma ramificação de partida, quando os psi-leptons decaíram, eles não tiveram nada para alimentar suas energias em decaimento. O decaimento da partícula que chegou em nossa linha temporal em t=3 deveria ter perturbado o campo B em t=5, e assim o fez. Nosso psi-lepton original – o que nós criamos em t=0 nesta linha temporal – deveria ter decaído e perturbado o campo B em t=7, e assim o fez. As duas perturbações estão aqui.
Willie olha inexpressivamente por um momento antes de sorrir.
Willie: Então, nas ramificações de partida e de chegada dos Testes 15, 17 e 19, o gatilho estava ligado, e nós estávamos na ramificação de chegada. Mas durante os Testes 16 e 18, o gatilho estava desligado, então não houve partida ou chegada. Durante o Teste 12, nós estávamos, na ramificação de partida, a qual tinha o gatilho ligado. E durante o Teste 20, nós estávamos na ramificação de chegada com o gatilho desligado, mas a ramificação de partida tinha o gatilho ligado. Droga, Tad, tão louco quanto tudo isso parece, eu estou impressionado. Eu realmente nunca duvidei da possibilidade [72]de tempo multidimensional, mas eu nunca vi por que ela seria necessária; parecia ontologicamente irresponsável assumir isso sobre nosso universo. Eu nunca pensei que poderia haver evidência empírica que falasse em favor de tempo multidimensional mais do que de tempo unidimensional, mas parece que você encontrou alguma. Esses modelos parecem ter sido tomados mais seriamente do que eu nunca pensei. Se nós concedemos que o psi-lepton está viajando no tempo, nossa evidência favorece a viajem no tempo multidimensional em vez da unidimensional.
Tad [sorrindo]: Obrigado, Willie. Mas sim, nossos testes recentes são todas evidências de viajem no tempo. O gatilho sempre envia os psi-leptons de volta no tempo, e algumas vezes nós estamos aqui para recebê-los e algumas vezes para vê-los partir.
Willie: Eu tenho de tirar meu chapéu para você, Tad; agora você está raciocinando como a Dra. Rufus estava na Segunda-feira, procurando por explicações que fariam sentido dos dados. E eu acho que você elevou minhas esperanças um pouco de que nós estamos realmente testemunhando viajem no tempo. Eu nunca gostei de tempo multidimensional; eu nunca percebi a ideia.
Tad: Está muito cedo para mim para comprar um rifle para me assemelhar ao Vovô, ou melhor ainda, a Hitler? Muito cedo para verificar as ações de média capitalização e fazer fortuna? Muito cedo para fazer uma viajem ao passado a fim de pisar por toda parte em quaisquer folhas de grama como me agradar?
Carlene: Tenha calma, Tad. Tão incrível quanto isso parece, ninguém está viajando no tempo ou mesmo deixando esta sala até que nós tenhamos mais resultados; nós somente temos um exemplo para cada um dos testes como 12 e 20. Há experimentos adicionais que nós necessitamos realizar?
Willie: Sim, conseguir mais resultados como os Testes 12 e 20 seria ótimo. Mas eu quero examinar uma coisa na qual eu pensei há pouco. Tad, onde está a impressão par o Teste 19? Ah, aqui está. (Ver figura 5.7)
Tad: E quanto a isso? Os resultados são os mesmos que os do Teste 15 e outros.
[73]
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Fig. 5.7 Um Desafio para a Hipótese Multidimensional de Tad
Willie:
Os resultados eram os mesmos, mas a configuração
experimental era única. Nós inciamos o Teste 19 com o gatilho
desligado, mas o programa foi projetado para ligar o gatilho se ele
detectasse duas partículas na câmara. Supondo que o tempo é
unidimensional, minha explicação para os resultados foi que esse
era um de dois resultados perfeitamente possíveis, nenhum dos quais
foi determinado pelas condições anteriores a três nanosegundos. Os
resultados foram explicados por um loop causal; o psi-lepton
viajante do tempo na parte superior da câmara foi detectado, o que
ligou o gatilho, que enviou o psi-lepton para a parte inferior da
câmara de volta para t=3 quando foi detectado.
Tad: Sim, mas isso não faz sentido para mim. Eu não acredito na possibilidade de loops causais exatamente como eu não acredito na possibilidade de viajar no tempo ao passado sem mudá-lo.
[74]Carlene: Oh, Tad, mas essa é a questão, não é? Se não houvesse loop causal, qual sua explicação para os resultados do Teste 19?
Tad: Essa é a beleza de minha teoria; eu não preciso de um loop causal. Os resultados do Teste 19 são consistentes com a ocorrência do gatilho nas ramificações de chegada e de partida.
Willie: Seja cuidadoso. A configuração experimental não poderia ter sido diferente nas ramificações de partida e chegada; você disse tão cheio de si quando estava falando sobre o Teste 20. Para o Teste 19, a configuração foi tal que o gatilho não ocorre na ramificação de partida, a menos que houvesse duas partículas na câmara antes de três nanosegundos; o gatilho foi programado para ligar-se se e somente se a segunda partícula fosse detectada. Seu modelos não permitem viajem no tempo interdimensional, então como a ramificação de partida consegue ligar o gatilho? Parece que um loop causal em tempo unidimensional é a única maneira de fazer sentido dos resultados. Você percebeu ontem que em sua visão o psi-lepton não deveria ter viajado no tempo durante o Teste 19. Infelizmente, parece que ele viajou.
Tad: Talvez nós apenas não podemos explicar esses resultados. Talvez a segunda partícula apareceu espontaneamente, e espontaneamente decaiu antes do que deveria, e, ei, não é pior do que o loop causal, o qual você disse poderia ser inexplicável.
Willie: Eu sugeri que o loop causal em si mesmo poderia ser inexplicável, mas o loop permite os resultados que nós conseguimos.
Tad [agarrando o ar]: Bem, e se houvesse uma regressão infinita de ramificações, cada um recebendo uma partícula que liga seus gatilhos e assim por diante, de modo que envia sua partícula para a próxima ramificação.
Willie: E quanto a essas ramificações, então? Estamos nós em cada uma ao infinito e além? Uma das virtudes do seu modelo era que ele permitia a você fazer previsões que poderiam ser confirmadas observacionalmente, mas uma regressão infinita de ramificações? Como nós vamos confirmar isso? Isso é um adendo ad hoc para sua hipótese, e, para ser honesto, eu senti de modo semelhante sobre sua ideia de que o [75]psi-lepton vira-se no espaço após viajar no tempo. O resto foi grande, contudo; desculpe-me, ele funciona.
Tad: Eu não estou certo do que dizer, Willie. Eu não posso fazer sentido do Teste 19, mas você não pode explicar os Testes 19 ou 20.
Willie: Nós precisamos de mais resultados. Carlene, o que você quer fazer em seguida? Você quer o gatilho ligado somente quando houver duas partículas? Eu também poderia desligá-lo quando há duas partículas. Nós temos uma quantidade razoável de escolha.
Carlene: Ambos os Testes 19 e 20 levantam questões interessantes, e nós realizamos esses experimentos somente uma vez cada. Vamos apenas deixar o programa do Teste 20 rodando por agora. Talvez nós obtenhamos resultados como os do Teste 12; isso ajudaria a hipótese de Tad.
Tad: Eu adoraria qualquer coisa em meu favor. Você está pronto, Willie?
Willie: Sim, eu tenho tudo regulado. Não elevem suas esperanças para uma repetição do Teste 12, contudo.
Tad: Quais você acha que as chances são?
Carlene: Nós somos cientistas. Este é o Laboratório Nacional Jefferson.
Tad: Significando?
Carlene: Nós esperamos e vemos.
ORIGINAL:
Carroll, John W., et al., A Time Travel Dialogue. Cambridge, UK: Open Book Publishers, 2014. http://dx.doi.org/10.11647/OBP.0043 pp. 57-75.
TRADUÇÃO:
Licença: CC BY 4.0
Postagem:
1Nota do tradutor: Este é o site do autor do livro!
2 Para ver uma animação de quaisquer das ilustrações online de Sexta-feira visite http://www.openbookpublishers.com/product/256#resources







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