sábado, 26 de setembro de 2020

Elementos de Lógica - Livro III Sobre Falácias - §7

Por Richard Whately


Parte anterior


[190]§7


De Falácias em forma, o suficiente já foi dito no Compêndio anterior: e foi observado acima, que é frequentemente deixado à nossa escolha referir uma Falácia individual a esta categoria ou a outra.

Pode ser que valha a pena observar, contudo, que, podemos o mais convenientemente referir à presente classe aquelas falácias, tão comuns na prática, de supor uma Conclusão falsa, porque a Premissa é falsa, ou porque o Argumento é incorreto: e de inferir a verdade da Premissa da [verdade] da Conclusão. Por exemplo, se alguém argumenta sobre a existência [191]de um Deus, a partir de ser [algo] universalmente acreditado, um homem talvez poderia ser capaz de refutar o argumento ao produzir um exemplo de alguma nação destituída de semelhante crença; o argumento deve então (como tem sido observado acima) dar em nada: mas muitos avançariam mais, e pensariam que essa refutação contestaria a existência de um Deus; no que eles seriam culpados de um processo ilícito do Termo maior: a saber “Tudo aquilo que é universalmente acreditado deve ser verdadeiro; a existência de um Deus não é universalmente acreditada; portanto, não é verdadeira.” Outros novamente, longe de estarem convencidos da verdade da Conclusão, infeririam isto das Premissas; o que equivaleria à Falácia de um Meio não-distribuído: a saber O que é universalmente acreditado é verdadeiro; a existência de um Deus é verdadeira; portanto é universalmente acreditada.Ou, essas Falácias poderiam ser expostas na forma hipotética; uma que vez que a primeira evidentemente procede a partir da negação do Antecedente à negação do Consequente; e a outra do estabelecimento do Consequente à inferência do Antecedente: duas Falácias que comumente serão descobertas corresponder respectivamente àquelas do Processo ilícito do maior, e do Meio não-distribuído.

Argumentos fracos praticamente prejudiciais. Falácias desta classe são muito comumente mantidas fora de vista, sendo raramente percebidas mesmo por aqueles que as empregam; mas quanto à sua importância prática pode não haver dúvida, uma vez que um argumento fraco é sempre, na prática, prejudicial; e que não há absurdo tão grosseiro que os homens não irão prontamente admitir, se parece levar a uma conclusão da qual eles já estejam convencidos. Mesmo um escritor cândido e sensível não é improvável de ser enganado por esse meio, quando ele está procurando argumentos para suportar uma conclusão da qual ele há muito estivera convencido; ou seja, ele frequentemente usará argumentos como se nunca tivesse convencido a si mesmo, [192]e não é provável que convença outros, mas, em vez disso (pela operação da Falácia inversa), [deve] confirmar em sua divergência aqueles que antes discordavam dele.

Portanto, é melhor esforçar-se para colocar a si mesmo no lugar de um oponente para seus próprios argumentos, e considerar se você não poderia encontrar alguma objeção a eles. O aplaudir seu próprio partido é um fundamento muito inseguro para julgar a força real de um trabalho argumentativo e, consequentemente, de sua utilidade real. Para satisfazer quem estava duvidando, e convencer aqueles que estavam opostos, existem testes muito melhores;1 mas essas pessoas raramente são muito ruidosas em seu aplauso, ou muito avançadas ao sustentarem seu testemunho.


Próxima parte


ORIGINAL:

WHATELY, R. Elements of Logic. New Edition. Boston and Cambridge: James Munroe and Company, 1859. p.190-192. Disponível em: <https://archive.org/details/elementsoflogicc00whatuoft/page/190/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

1 Talvez, a mais forte de todas as indicações externas da força de um argumento seja a admissão implícita daqueles que, não obstante, resolvem não admitir a conclusão. Ver Apêndix; Art. Person, última cláusula.

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