quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A Revolução Científica Revisitada 1 Das Investigações Pré-clássicas às Clássicas

Por Mikuláš Teich


[11]O tema


No principal, historiadores e filósofos da ciência vieram a diferenciar a Revolução Científica das revoluções científicas. O primeiro termo geralmente se refere ao grande movimento de pensamento e ação associado com as buscas teóricas e práticas de Nicolau Copérnico (1473-1543), Galileu Galilei (1564-1642), Johannes Kepler (1571-1631) e Isaac Newton (1642-1727), os quais transformaram a astronomia e a mecânica nos séculos XVI e XVII. Primeiro, o sistema centrado na Terra e baseado na geometria celestial de Ptolomeu (cerca de 100-170) foi substituído pelo sistema heliocêntrico, no qual a Terra e os outros planetas então conhecidos (Mércurio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) giravam em torno do sol. Segundo, as leis governando o movimento dos corpos celestes assim como terrestres foram formuladas baseadas na teoria da gravitação universal.

As origens da interpretação dessas mudanças na astronomia e na mecânica, ocorridas entre Copérnico e Newton, como revolucionárias devem ser encontradas no século XVIII.1 Oferecendo um tratamento essencialmente [12]intelectual disso, Alexander Koyré é creditado como tendo cunhado o conceito de Revolução Científica nos anos 1930.2 Desde então, muito tem sido escrito sobre a periodização, natureza e causa(s) da Revolução Científica.3 Amplamente, duas abordagens aparentemente incompatíveis tem sido empregadas. A perspectiva ‘internalista’, muito devedora de Koyré, identificou a Revolução Científica como um fenômeno socialmente desencorporado e supremamente intelectual. A abordagem alternativa, muito influenciada por ideias marxistas, focou-se em fatores sociais, políticos, econômicos, técnicos e outros “externos” para clarificar a emergência da Revolução Científica.

Desde que o influente De revolutionibus orbium coelestium de Copérnico foi publicado em 1543 e a síntese não menos influente Philosophiae naturalis principia mathematica de Newton apareceu em 1687, alguns têm estado perplexos que uma fase na história da ciência possa ser chamada de ‘revolucionária’ quando ela perdurou por aproximadamente 150 anos. Outros se alongaram no fato de que os protagonistas na transformação da astronomia e da mecânica consideradas revolucionárias não se livraram completamente das tradicionais abordagens e ideias antigas e medievais. Isso se conecta com a questão de como ver as descobertas científicas posteriores associadas com, digamos, Antoine-Laurent Lavoisier (1734-1794), [13]Charles Darwin (1809-1882) ou Albert Einstein (1879-1955). São as novidades da teoria da combustão do oxigênio de Lavoisier, a teoria da evolução de Darwin ou a vinculação de tempo e espaço de Einstein, comparáveis em termos revolucionários com a Revolução Científica? Se elas se qualificam como ‘revoluções científicas’, então, é a Revolução Científica a primeira no tempo entre iguais?


Fig. 1 Imagem do modelo heliocêntrico de De revolutionibus orbium coelestium (c. 1543) de Nicolau Copérnico. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Copernican_heliocentrism.jpg


Os paradigmas e a ciência normal de Kuhn


Uma tentativa determinada de endereçar a questão geral de como revoluções científicas emergem, e como elas são identificadas, foi feita por Thomas S. Kuhn em seu altamente influente The Structure of Scientific Revolutions, o qual apareceu primeiro em 1962 e foi ampliado em 1970, contendo um ‘Pós-escrito de 1969’. Partindo para retratar o desenvolvimento científico (como uma sucessão de períodos ligados à tradição, pontuados por rupturas não-cumulativas),4 a abordagem de Kuhn centra-se na utilização de três noções: paradigma, comunidade científica e ciência normal. Ele trata-as como categorias mutuamente conectadas.

Para o leitor, o grande problema é a noção verdadeiramente multiforme de ‘paradigma’. Após ter sido contado que ele usara o termo em pelo menos 22 maneiras diferentes, Kuhn [14]admitiu: ‘Meu texto original não deixa questão mais obscura ou importante’.5 Como uma consequência, Kuhn preferiu igualar um paradigma com ‘uma teoria ou conjunto de teorias’ compartilhados por uma comunidade científica. A questão de se as atividades de pesquisa comum de uma comunidade científica, designadas por Kuhn como ‘ciência normal’, determinam um paradigma ou se é o compartilhamento de um paradigma que define uma comunidade científica foi respondida por ele como segue: ‘Comunidades científicas podem e devem ser isoladas sem o recurso anterior a paradigmas; o último pode então ser descoberto através do escrutínio do comportamento dos membros de uma dada comunidade’.6

Para colocar sucintamente, Kuhn concebe as revoluções científicas como transições para novos paradigmas. O motor desse processo não é o teste, verificação ou falsificação de um paradigma, mas a gradual compreensão, pela comunidade científica, da inadequação do paradigma corrente. Isto é, enquanto comprometida com a ciência normal, a comunidade científica descobre a utilidade cognitiva do paradigma deficiente quando confrontado com enigmas ou anomalias que ele não é capaz de conter. A resposta para uma semelhante crise é a emergência de um novo paradigma que acarreta revoluções tanto pequenas quanto grandes por meio das quais ‘algumas revoluções afetam somente os membros de uma subespecialidade profissional, e […] para semelhantes grupos, mesmo a descoberta de um fenômeno novo e inesperado pode ser revolucionária’.7

O impacto intelectual do esquema intelectual das revoluções científicas de Kuhn foi abrangente e estimulou muito debate durantes o final dos anos 1960 e começos dos 1970, mas depois começou a declinar. Por uma coisa, em reflexão, não somente da noção de paradigma, mas também daquelas de comunidade científica e ciência normal pareciam ser vagas. Tome-se a noção de Kuhn da ciência normal e sua associação com três classes de problemas: determinação do fato, correspondência do fato com a teoria e articulação da teoria. Útil como o conceito de ciência normal é, há mais neles do que essas três categorias, em uma das quais, Kuhn sustenta, ‘a esmagadora maioria dos problemas empreendidos mesmo pelos melhores cientistas geralmente falha’.8

Tudo tem uma história e também a ciência normal. Ela evoluiu e materializou-se primeiro na antiguidade clássica como peri physeos historia (investigação sobre a natureza), com elementos entrelaçados de metodologia científica, tais como observação, sistematização e teorização. Pelo [15]século XVII na Europa, essas práticas, estendidas por experimentação e quantificação sistemáticas, trouxeram generalizações na forma de um Deus doador de leis da natureza. Além disso, institucionalmente escorados pelos recém-fundados organizações e jornais científicos, essas buscas pavimentaram o caminho para a ciência operar como um corpo colaborativo. Isto é, um aspecto integral desses desenvolvimentos foi a institucionalização das atividades científicas através de sociedades (academias) e jornais científicos em Itália, Alemanha, Inglaterra e França. Focando a atenção nesses aspectos históricos da ciência normal, reconhecemos que essencialmente eles ainda dão forma a seu edifício hoje.

Nem a duração do surgimento da ciência normal em si mesma, nem a linha borrada que separa o velho do novo no pensamento de Copérnico ou de Newton é o problema.9 Está vindo à existência um modo metodologicamente consolidado, institucionalmente sustentado, de ‘investigação sobre a natureza’, que distingue as investigações sobre o fenômeno natural, feitas durantes os séculos XVI e XVII, daquelas dos séculos anteriores, e o qual jaz no coração da Revolução científica.

O que a Revolução Científica alcançou foi a eventual instituição da ciência como a atividade humana para a investigação sistemática, teórica e prática, da natureza. Em um complexo processo interativo, curiosidade intelectual e necessidades sociais foram envolvidas e entrelaçadas; e não é fácil desembaraçar os impulsos e motivos ‘puros’ dos ‘aplicados’ que avançaram a Revolução Científica. Historicamente, talvez, a conquista mais significante da Revolução Científica foi o estabelecimento da ciência como uma atividade individual e socialmente organizada para o propósito de criação de uma cadeia sem fim de conhecimento da natureza aproximado, embora autocorretivo uma verdadeira extensão dos meios físicos e fisiológicos humanos para entender, interpretar e mudar a natureza.10


[16]Conhecimento empírico


Relevante para o entendimento histórico da Revolução Científica é a necessidade de distinguir entre conhecimento empírico e científico da natureza, e estar ciente de suas relações históricas. Considerado amplamente, conhecimento empírico da natureza deriva-se da atividade humana baseada na observação e experiência. Ao passo que o conhecimento científico deriva-se, como indicado, de procedimentos característicos historicamente evoluídos e entrelaçados da investigação da natureza, incluindo observação.

A observação não é uma atividade específica de humanos. A experiência perceptual humana da natureza, atingida através de observação, difere qualitativamente daquela dos animais não-humanos no que ela implica dimensões mentais, verbais, manipulatórias e sociais que são difíceis de desembaraçar. De acordo com a ‘hipótese do compartilhamento de comida’ proposta pelo antropólogo Glyn Isaac, ‘a aquisição coletiva de comida, adiamento do consumo, transporte e consumo comunal numa casa base ou lugar central’ constitui um estágio principal na evolução humana, assistindo ‘o desenvolvimento da linguagem, reciprocidade social e intelecto’.11

Acredita-se que os humanos primitivos embarcaram na produção de ferramentas e armas há 2,5 milhões de anos. Essas atividades, em combinação com a caça à carne e a colheita de plantas, o uso do fogo e a habilidade para produzi-lo e controlá-lo surgem nos começos mesmos do conhecimento empírico da natureza. Tome-se a produção de ferramentas de pedra: ela envolveu a descoberta sobre a dureza e clivabilidade relativas das pedras por tentativa e erro. A dialética subjacente entre o fazer e o aprender tem sido apontado pelo antropólogo Nicholas Toth, quem gastou muitos anos experimentando com técnicas para a produção de instrumentos de pedra, como se segue: ‘A produção de ferramentas requer a coordenação de significantes habilidades motoras e cognitivas’.12

Isso se aplica ainda mais marcadamente à destreza produtiva dos humanos modernos (Homo sapiens) que criaram a arte paleolítica, rastreável na Caverna de Blombos, na África do Sul, há 75,000 anos e na Caverna de Chauvet, em França, há 30,000 anos. Comparável em idade são as pinturas na caverna Sulawesi, na Indonésia, apontando para as origens africanas da arte figurativa antes que o Homo sapiens se espalhasse pelo globo. Explicações e interpretações abundam, examinando, por exemplo, se as pinturas murais de [17]animais com flechas neles deveriam ser consideradas uma forma de mágica de caça. Seja como for, a posição das flechas na região do coração indica a familiaridade dos caçadores com o local (anatômico e fisiológico) onde o animal poderia ser mortalmente ferido. Representações de mulheres com atributos sexuais pronunciados (seios, nádegas e triângulo púbico) são evidências de que os humanos pré-históricos atribuíam particular importância a fertilidade e questões sexuais. O interesse humano em reprodução e atividade sexual tem um passado pré-histórico.


Fig. 2 Pintura paleolítica Caverna Chauvet-Pont-d'Arc (sul da França), c. 32,000-30,000 PS. Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Etologic_horse_study,_Chauvet_cave.jpg

Aceita-se que o extinto Homo neanderthalensis as relações evolucionárias entre ele e o Homo sapiens sobrevivente ainda são debatidas estava enterrando seus mortos há 100,000 anos. Como mencionado anteriormente, os sepultamentos neandertais são considerados como as expressões mais primitivas da consciência humana do fenômeno natural da morte. Com elas origina-se não somente a história da percepção humana da relação e distinção entre vida e não-vida, mas também aquela do tempo.


[18]Percepção de tempo e espaço: impulsos primitivos


O tempo é uma palavra’, lemos em uma competente enciclopédia de astronomia e astrofísica, ‘que elude a definição até que seja dada alguma aplicação prática’.13 O dilema de encarar o tempo tem sido refletido na dicotomia entre as visões linear e circular de tempo, retratado vividamente pelo paleontólogo J. S. Gould como ‘flecha do tempo’ e ‘círculo do tempo’ respectivamente. Gould sustenta que ‘flecha do tempo’ encapsulando a unidirecionalidade dos eventos ‘é a metáfora primária da história bíblica’.14 Sem dúvida, a linhagem do círculo do tempo é mais antiga de volta à observação de eventos recorrentes por caçadores-coletores, tais ciclos celestiais, temporadas anuais ou menstruações femininas.

Enquanto a percepção do ‘gêmeo’ do tempo o espaço ele assume forma tangível na medição terrestre, na esteira de assentamentos agrícolas permanentes. Prenunciando a idade neolítica, a agricultura baseada no cultivo do solo e a manipulação de plantas e animais chegou a partes da Ásia ocidental há 10.000 anos.15 Ela acarretou uma mudança da caça e da coleta para a produção e o armazenamento de comida articulada em irrigação e drenagem como nos vales dos rios Nilo, Tigre e Eufrates. O estabelecimento de vida sedentária foi acompanhado por desenvolvimentos técnicos, alcançados empiricamente, incorporados em uma multitude de artes e ofícios, tais como cerâmica, fiação e tecelagem, tingimento, trabalho com metal, construção de casa e embarcação e outros. Todos esses desenvolvimentos contribuíram para o crescimento da produção material especializada, incluindo aquela de comida. A distribuição de produtos, bem como de atividades políticas, militares e religiosas, surgiu sob o controle institucional, do palácio ou do templo, administrado por oficiais variadamente chamadas de ‘escribas’, ‘escriturários’, ‘burocratas’ a minoria letrada da sociedade. Desse modo, a base foi assentada para o estabelecimento de políticas estratificadas socialmente e governadas centralmente, como encontradas no Egito antigo e na Mesopotâmia.16

[19]Ao lado da Ásia ocidental, onde o cultivo de trigo e cevada começou, outros locais de origem da agricultura são reconhecidos. A China para arroz e painço, por exemplo, ou a América Central e o norte dos Andes para o milho. A agricultura para suprir a demanda humana por comida veio a ser uma atividade mundial. Mesmo hoje, a maior parte da população mundial vive da terra. Por causa de seu impacto sem precedentes na história mundial comparável ao da Revolução Industrial a mudança para economias sustentadas pela agricultura durante o neolítico às vezes merece ser chamada de a Revolução Agrícola.17


Civilizações hidráulicas e o conhecimento do mundo natural


As atividades agrícolas e o artesanato, desenvolvidos em contato com coisas vivas e não-vivas, alargaram enormemente o conhecimento empírico sobre diversos materiais naturais, bem como sobre processos naturais e artificiais. As invenções correntes relacionavam-se às necessidades do estado, comerciais e de comunicação das civilizações de vales de rio tais como medidas e pesos, símbolos numéricos e aritméticos, escrita e o alfabeto foram historicamente de importância incalculável.18

O advento da agricultura catalisou as observações astronômicas, e trouxe com elas a medida do tempo como realizada na construção do calendário. Desse modo, no Egito antigo, cerca de 3000 AC, o comprimento do [20]ano equivalendo a 365 dias foi aceito. O número correspondia ao intervalo entre dois eventos observáveis, previsíveis, que ocorriam e coincidiam anualmente. Quer dizer, a cheia agriculturalmente vital do Nilo a ascensão da estrela mais brilhante no céu (conhecida hoje como Sirius), depois de seu período de invisibilidade, exatamente antes do nascer do sol em julho. O ano egípcio tornou-se a base para o cálculo e a reforma do calendário. Foi amplamente essa conquista, com o reconhecimento da influência das observações solares e estelares no alinhamento desses trabalhos verdadeiramente imponentes de engenharia — as pirâmides — que formaram a fama da astronomia egípcia pré-helenística.

A ênfase no contexto agrícola da astronomia antiga não deveria obscurecer outros fatores em jogo. Certamente uma mistura de religião, astrologia e política foi um estimulante principal para as observações solares, lunares e planetárias babilônicas. Tomem-se as observações do aparecimento e desaparecimento periódicos do planeta Vênus identificado com a deusa Ishtar estendendo-se através de duas décadas (cerca de 1582-1562 AC). Elas foram copiadas e referenciadas por séculos. O fenômeno observado foi tomado para prover presságios positivos ou negativos afetando o futuro do governante (guerras), da comunidade (colheitas) e do indivíduo (fertilidade). Historicamente digno de nota é entrelaçamento entre astronomia e astrologia que entrou na construção do calendário de signo do zodíaco. Isto é, o círculo ou cinturão de grupos de estrelas através do qual se pensava que o sol movia-se anualmente. Por outro lado, sua divisão em doze ‘signos’ de trinta graus, nomeados segundo importantes grupos de estrelas equivaleu à construção de um sistema de coordenadas celestiais um evento significante na história da astronomia matemática (começo do século V AC). Por outro lado, os antigos ‘signos’ retiveram sua conotação astrológica para predizerem o futuro de uma pessoa para o presente. Por causa da precessão dos equinócios, é necessário diferenciar entre a lenta revolução das constelações e os signos ‘fixos’ do zodíaco carregando os mesmos nomes.19

Relativo às observações babilônicas, o que importa em retrospectiva não é sua precisão aparentemente exagerada mas que ‘havia um mecanismo social para produção e registro das observações astronômicas e para o armazenamento e preservação dos registros’.20 Os ‘diários astronômicos’, como os registros resultantes [21]eram chamados, contêm inscrições astronômicas bem como meteorológicas, hidrológicas e outras. Os mais velhos são datáveis no século VII AC, mas, em vista da era das observações do planeta Vênus, a prática do registro deve ter sido muito mais antiga.21 Comparáveis são os registros chineses de fenômenos celestes, começando no século V AC. Entre as várias afinidades entre a astronomia babilônica e chinesa está que a observação do fenômeno celeste caiu sob o controle estatal. Na China, esse controle encontrou expressão no estabelecimento do Escritório Astronômico, como parte e parcela do acabamento da unificação do reino sob a dinastia Han (202 AC – 220 DC). O comentário seguinte elucida a situação nitidamente:


Prodígios celestiais não eram fenômenos meramente naturais, mas expressões da vontade do Céu comunicada ao governante como admoestação. De acordo com a teoria chinesa da monarquia, o governante supremo era o Filho do Céu e, através dele, a vontade celestial deveria ser transmitida como a base da ordem social. Embora o Céu chinês não é nem um criador, nem um deus no sentido teológico mais tarde, visto mais filosoficamente, era o cosmo ou a ordem natural mesma ele fornecia o critério para conduta moral e política e, desse modo, ocupava posição crucial na ideologia política chinesa. Supervisionar o ritual celestial era o privilégio do governante assim como seu dever, pois era um serviço essencial que somente ele poderia realizar em favor de seus súditos.22


À luz do que foi dito, o papel vital do conhecimento empírico sobre o mundo natural, vinculado com observação e experiência, para a existência humana primitiva e seu progresso é manifesto. O que tem de ser aclarado é que há mais para a percepção humana da natureza do que observações de fenômenos naturais por si. Historicamente, os nomes das estrelas e constelações fornecem um exemplo impressionante. Pode-se assumir que não poucos fazem referência a tempos pré-históricos, quando caçadores observando o céu a olho nu ‘reconheciam’ figuras descritas como um leão, um urso, etc. Esses nomes refletiam a preocupação e familiaridade dos caçadores com o mundo dos animais. Para eles, como verdadeiramente para as pessoas das civilizações dos rios, o mundo natural parecia estar ‘vivo’. Processos naturais e artificiais pareciam estar ‘vivos’ e ideias sobre ‘vivacidade’ foram derivadas de experiências com as, e observações das, [22]funções corporais humanas bem como animais. Não é difícil ver que o começo ou a origem de tudo estava ligado a procriação humana / do rebanho através da união sexual. Textos acadianos referem-se a pedras e metais masculinos e femininos. A produção de metais pelo ferreiro era imaginada como alguma coisa relacionada ao nascimento de criança. Desse ângulo animado / biológico a extração de metal, resultou a ideia alquímica de um ‘casamento dos metais’, cristalizando-se eventualmente no conceito químico básico de ‘combinação’.23

Na Mesopotâmia havia um lado sócio-político da observação do mundo celeste, o qual, como conhecemos em retrospecto, era para contribuir para a demarcação das buscas por conhecimento natural diante de outras atividades humanas. Ele concernia à pré-história da ideia de uma lei da natureza, um pré-história que surgia, como foi, no processo de desenvolver uma analogia entre o estado terreno e o estado celeste. Por exemplo, no tardio poema babilônico da ‘criação’ o deus-sol Marduk é retratado como doador de leis às estrelas. De acordo com Joseph Needham, o prodigioso estudante de história comparativa da ciência, a gênese da ‘concepção de um doador celestial de leis “legislando” sobre fenômenos naturais não-humanos’ pode ser vista contra o pano de fundo da unificação e centralização da Babilônia do sul por Hammurabi (florescido em 1700 AC).24


O conceito de natureza: physis


Antes que a ideia de leis da natureza pudesse materializar-se, a noção de ‘natureza’ tomou forma. Chamada de phusis em grego, a palavra (como seu equivalente latino natura) está etimologicamente conectada com a ideia de gênese ou nascimento.25 [23]Phusis é rastreável, foi há muito reconhecido, às especulações nos séculos V e VI AC relativos a fenômenos naturais pelos assim chamados filósofos naturais pré-socráticos, quem surgiram das cidades jônicas na Ásia Menor. Para todas as intenções e propósitos, a abordagem deles dos fenômenos naturais estava livre de mitos e intervenções de deuses pessoais. Isso não quer dizer que esses inquiridores gregos ‘de pés no chão’ sobre a natureza, assim como outros (incluindo escritores médicos) que os seguiam até Galeno (florescido em 180 DC), eram destituídos de crenças religiosas.

A relativa proximidade geográfica das cidades jônicas do Egito e da Babilônia incitou debates recorrentes sobre os impactos das antigas civilizações do oriente próximo sob o mundo grego. Retornando aos séculos VI e V AC, o conhecedor classicista Geoffrey Lloyd confirma que transmissões, bem como desenvolvimentos independentes (escrita, notação numérica), ocorreram. Lloyd valida diferenças notáveis entre geometria e astronomia pré-gregas. O Oriente Próximo possuía conhecimento de verdades geométricas (por exemplo, as propriedades do triângulo retângulo ‘pitagórico’), mas não a noção de prova de verdades geométricas, algo que se desenvolveu na Grécia. Enquanto a prática astronômica babilônica empregava procedimentos aritméticos com respeito ao movimento planetário, os gregos voltaram-se para modelos geométricos. Quanto à medicina, Lloyd aponta que ‘foi um dos principais campos de batalha no qual a tentativa de distinguir entre o “racional” e o “mágico” foi disputada’. O conflito encontrou expressão na coleção hipocrática de textos médicos gregos a mais velha da qual pertenceu ao século V AC no qual práticas e crenças mágicas especialmente vieram sob ataque.26

O que é significante é que nenhuma outra civilização antiga desenvolveu uma noção de natureza equivalente a physis. Multifacetado e disputado como o conceito de phusis foi, ele surgiu efetivamente como realidade objetiva, inteligível e ficou desse modo suscetível a inquirição racional.27 Isso estava conectado à crença na ordem do cosmos uma palavra de origem grega. Etimologicamente confinada [24]à noção de ordem militar, ‘cosmos’ foi usada para significar ‘ordem’ / ‘todo ordenado’ e eventualmente significou o mundo ou universo como uma entidade ordenada. A inquirição racional sobre a origem e constituição do cosmo, inaugurada pelos pensadores jônicos, pavimentou o caminho para o conhecimento em campos tais como medicina, matemática, astronomia e física, o qual de esperar 1500 anos antes que começasse a ser suplantado. As realizações concretas dos filósofos naturais gregos foram realçados pelo influente classicistas Moses Finley como se segue:


A prática hipocrática de auscultação do coração, os Elementos de Euclides, a descoberta da gravidade específica por Arquimedes, o tratado sobre a seção cônica pelo seu contemporâneo mais jovem Apolônio de Perga, a estimativa do diâmetro da terra dentro de algumas centenas de milhas do número correto por Eratóstenes, o cálculo da precessão dos equinócios por Hiparco, os brinquedos operados por vapor de Heron …28


Não menos digno de nota do que essas conquistas é o modus operandi que as produziu. Subjazendo-as estava a convicção sem precedentes de que o natural assim como o social percebido como ordenado eram compreensíveis sem o recurso ao sobrenatural. Embora a originalidade dessa posição um duradouro legado da antiguidade grega, diagnosticado por alguns como o ‘milagre grego’ não tenha sido questionada, sua origem tem sido assunto de debate. Durante as últimas quatro décadas ou algo assim, a pesquisa tem prosseguido de alguma maneira para desmitificar, por assim dizer, o fenômeno ao examinar seu contexto social. Aqui é pertinente recordar a firme afirmação de Finley relativa à escravidão:


Essa era uma instituição universal entre os gregos, uma que tocava em cada aspecto de suas vidas sem exceção. Ela repousava sobre premissas muito fundamentais, de desigualdade humana, dos limites da autoridade e do rebaixamento, dos direitos e da falta de direito.29


O que nos preocupa aqui é a relevância da sociedade escravocrata da Grécia antiga para o entendimento da ‘investigação sobre a natureza’ na Grécia antiga.


[25]Escravidão e ‘investigação sobre a natureza’ na Grécia antiga


A tradição estabelece que foi na cidade jônica de Quios onde os escravos foram trazidos dos bárbaros pela primeira vez, em torno de 550 AC. Esse também foi o período do começo da primeira filosofia natural grega, personificada pelos milesianos Tales (585), Anaximandro (555) e Anaxímenes (535). A questão da conexão entre suas especulações naturalistas sobre o cosmo ordenado, assim como aquelas de pensadores jônicos posteriores, e a ascensão da escravidão na Grécia antiga tem permanecido problemática. Elas empregavam noções retiradas das esferas legal, social, militar e política, tais como justiça, igualdade (isonomia), guerra, conflito, norma, contrato e outras. Como apontado por Lloyd, esse conceitos eram usados ‘por um pré-socrático após o outro para transmitirem concepções diferentes de como o mundo como conhecemos, constituído por uma variedade de coisas diferentes, mesmo assim, é um todo ordenado’.30

Mas o que sabemos sobre as ideias dos Pré-socráticos é fragmentário e largamente de segunda mão. Por isso, sua conotação incerta com respeito ao sistema historicamente em desenvolvimento da escravidão nas cidades-estado gregas no interior de uma democracia praticada somente pelos cidadãos masculinos.

Aqui, como em outros assuntos, Aristóteles prova ser iluminador. Se nos voltarmos para Política, um de seus escritos tardios, ele fala da natureza da escravidão. Sobre esse assunto, ele generaliza que a relação governante / mestre / escravo permeia ‘cada coisa composta onde uma pluralidade de partes, sejam contínuas ou discretas, é combinada para fazer um único todo comum.’ Aristóteles dá exemplos do caso (inanimado) de uma escala musical, governada por sua nota chave (keynote), ou o caso (animado) corpo, governado pela alma ‘com o controle de um mestre’.31

A posição aristotélica da relação entre alma e corpo assim como sobre o semelhante, mas a questão mais geral da forma e da matéria como opostos é relevante para a exploração do papel das dicotomias na evolução da metodologia científica. Embora rejeitando a separação de alma e corpo, forma e matéria, Aristóteles encara sua união como fundada na subordinação do corpo à alma da matéria à forma.

As noções fundamentais de Aristóteles são hierarquicamente predicadas, como em forma, nas causas das coisas ou na escala do ser. Está insuficientemente apreciado quanto do comprometimento de Aristóteles com a hierarquia e ordem é devido à sua aceitação [26]da naturalidade da desigualdade social e humana, manifestamente encarnada na oposição entre liberdade e escravidão. Na época da guerra do Peloponeso (431-404 AC), é estimado que havia entre 60000 e 80000 escravos em Atenas a população total (homens, mulheres e crianças, livres ou escravizados) era cerca de 250000 a 275000.32 Tal realidade social palpavelmente subjaz à convicção aristotélica de que autoridade e subordinação de todos os tipos e naturezas condiciona a existência ordenada e o funcionamento da polis assim como da phusis. Polis, a não igualitária cidade-estado grega, era o assunto investigado em Política.

Enraizadas em observação e experiência os antiquíssimos meios de ganhar conhecimento sobre o mundo a ideia de opostos (não diferente daquele de semelhança e diferença) supriu um ponto de vantagem para a classificação e sistematização teórica e prática. Aristóteles reconheceu nesses procedimentos atributos de metodologia científica na realidade, sua história começa com ele.

A propensão para recorrer aos opostos carregados de valor da inferioridade e superioridade na investigação científica, e seu lugar contra o contexto do sistema grego de escravidão, é ressaltada por Lloyd como se segue:


Os gregos não estabelecem opostos para legitimar um tipo de regime político. Mas uma e outra vez os seus usos de opostos espelham uma característica essencial das estruturas sociais da sociedade grega, a saber, a fundamental divisão entre governantes e governados. Uma distinção hierárquica percebida dentro de pares de opostos, que poderíamos ter esperado ter sido totalmente livre de valor, é uma característica que é estabelecida para fazer trabalho de explicação em uma variedade de contextos científicos … Na visão de Aristóteles … o homem é considerado ser ‘naturalmente’ superior à mulher, a posterior considerada ser uma deformidade ‘natural’. Novamente os membros dos pares direita e esquerda, acima e abaixo, frente e verso são fortemente diferenciados para valorar. Direita, acima e frente são os princípios (arche), primeiros das três dimensões (largura, comprimento e profundidade, respectivamente), e em seguida também dos três modos de mudança nos seres vivos, principalmente locomoção, crescimento e sensação. Além disso, essa doutrina fornece-lhe a base de sua explicação de uma variedade de fatos anatômicos reais ou presumidos (as posições relativas da traqueia e do esôfago, aquelas dos dois rins, a função do diafragma e as posições da veia cava e da aorta) e ainda mais longe está o princípio que ele evoca em sua discussão admitidamente experimental do difícil problema do porque os céus giram em uma direção em vez da outra.

O ponto poderia ser estendido para o que poderíamos ter assumido ser o par matemático puramente neutro, impar e par. Eles fornecem a base para a classificação grega dos inteiro e são desse modo fundamentais para a aritmética grega.33


[27]Lloyd também levanta a questão do contexto sócio-político de um elemento pervasivo na filosofia natural, matemática e medicina gregas. Isto é, a preocupação dos pesquisadores com fundamentos, certezas e provas de conhecimento verdadeiro nos vários domínios de investigação. O mais notável exemplo dessa tendência é fornecido pelo modo axiomático-dedutivo de demonstração da verdade geométrica que Euclides exibe em seus Elementos. Lloyd aponta que o astrônomo e cosmólogo Ptolomeu e o médico Galeno, figuras canônicas da ciência helenística, aderiram à ideia de que a prova more geometrico estabelece a certeza do conhecimento. Lloyd sugere que isso pode ter algo a ver com a maneira pela qual os participantes nos contundentes debates e confrontos na assembleia política e tribunais das cidades-estado discutiam seus casos. O vencedor dependendo crucialmente de evidência e prova ordenadas.

Essa abordagem leva Lloyd a abrir a discussão da questão aborrecida do lugar da experiência na ciência grega. ‘É particularmente impressionante’, ele escreve,


que em muitas das ocasiões, quando deliberados e explícitos procedimentos de testes são invocados, o objetivo não era tanto inventar uma configuração experiencial que poderia ser vista ser neutra entre alternativas antecedente e igualmente balanceadas, mas em vez disso fornecer mais argumento de suporte em favor de uma teoria particular. É notável que mesmo no que são alguns dos experimentos melhor preparados e mais sistemáticos realizados na antiguidade grega, as investigações quantitativas da quantidade de refração entre vários pares de meios (ar para água, ar para vidro e água para vidro) relatadas na Ótica de Ptolomeu, os resultados claramente foram ajustados para satisfazer sua teoria geral, uma vez que eles todos se ajustam exatamente.34


Próximo capítulo


ORIGINAL:

Teich, Mikuláš, The Scientific Revolution Revisited. Cambridge, UK: Open Book Publishers, 2015. p.11-27. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.11647/OBP.0054>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


1 I. B. Cohen, ‘The Eighteenth-Century Origins of the Concept of Scientific Revolution’, Journal of the History of Ideas, 37 (1976), 257-88. Ver também idem, The Revolution in Science (Cambridge, MA: Belknap Press, 1985). Mas Robert Boyle (1627-1691) empregou o termo ‘revolução’ para descrever a transformação na vida intelectual que ele experienciou no meio do século. Ver M. C. Jacob, ‘The Truth of Newton’s Science and the Truth of Science’s History: Heroic Science at its Eighteenth-Century Formulation’, in M. J. Osler (org.), Rethinking the Scientific Revolution (Cambridge: Cambridge University Press, 2000). Para um relato instrutivo de como escritores de Bacon a Voltaire discutiam as origens da ciência moderna, ver A.C., Crombie, ‘Historians and the Scientific Revolution’, Physis: Rivista Internazionale di Storia della Scienza, 11 (1969), 167-80.

2 A. Koyré, Études galiléennes (Paris: Hermann, 1939-1940), pp. 6-7.

3 Para discussões recentes do ‘estado de arte’, ver I. Hacking (org.), Scientific Revolutions (Oxford: Oxford University Press, 1981); A. Rupert Hall, The Revolution in Science, 1500-1750 (London and New York: Longman, 1983), R. Porter, ‘The Scientific Revolution: A Spoke in The Wheel?’, em R. Porter and M. Teich (eds.), Revolution in History (Cambridge: Cambridge University Press, 1986), pp. 290-316; D. C. Lindberg and R. S. Westman (org.), Reappraisals of the Scientific Revolution (Cambridge: Cambridge University Press, 1990); R. Porter and M. Teich (org.), The Scientific Revolution in National Context (Cambridge: Cambridge University Press, 1992); J. V. Field and Frank A. J. L. James (eds. and intr.), Renaissance and Revolution: Humanists, Scholars, Craftsmen and Natural Philosophers in Early Modern Europe (Cambridge: Cambridge University Press, 1993); A. Cunningham and P. Williams, ‘De-centring the ‘Big Picture’: The Origins of Modern Science and The Modern Origins of Science’, The British Journal for the History of Science, Vol. 26/4 (1993), 407-32; H. F. Cohen, The Scientific Revolution: A Historiographical Inquiry (Chicago, IL and London: University of Chicago Press, 1994); J. Henry, The Scientific Revolution and the Origins of Modern Science (Basingstoke: Macmillan, 1997, 3rd ed. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2008); S. Shapin, The Scientific Revolution (Chicago, IL and London: University of Chicago Press, 1998); M. Teich, ‘Revolution, wissenschaftliche’, in H. J. Sandkühler (org.), Enzyklopädie Philosophie, Vol. 2: O-Z (Hamburg: Meiner, 1999), pp. 1394-97; M. J. Osler (org.), Rethinking the Scientific Revolution; J. P. Dear, Revolutionizing the Sciences: European Knowledge and its Ambitions, 1520-1700 (Basingstoke: Palgrave, 2001); P. J. Bowler and I. Rhys Morus, Making Modern Science A Historical Survey (Chicago, IL and London: University of Chicago Press, 2005), pp. 23-53. P. Fara, Science: A Four Thousand Year History (Oxford: Oxford University Press, 2009); David Knight’s Voyaging in Strange Seas: The Great Revolution in Science (New Haven, CT and London: Yale University Press, apareceram um pouco antes deste livro ir para a impressão.

4 T. S. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions, 2nd revised ed. (Chicago, IL: University of Chicago Press, 1970), p. 208.

5 Ibid., p. 181.

6 Ibid., p. 176.

7 Ibid., p. 49.

8 Ibid., p. 34.

9 K. Bayertz, ‘Über Begriff und Problem der wissenschaftlichen Revolution’, em seu (org.), Wissenschaftsgeschichte und wissenschaftliche Revolution (Hürth-Efferen: Pahl-Rugenstein, 1981), pp. 11-28. Tome-se a descoberta da circulação do sangue (1618-1628) por William Harvey. Foi um produto igualmente do pensamento aristotélico (no qual a ideia do círculo desempenha um papel principal) e raciocínio quantitativo não aristotélico. Ver W. Pagel, William Harvey’s Biological Ideas: Selected Aspects and Historical Background (Basel and New York: Karger, 1967), pp. 73f., J. J. Bylebyl, ‘Nutrition, Quantification and Circulation’, Bulletin of the History of Medicine, 51 (1977), 369-85; A. Cunningham, ‘William Harvey and the Discovery of the Circulation of the Blood’, em R. Porter (org. e intr.), Man Masters Nature: 25 Centuries of Science (London: BBC Books, 1987), pp. 65-76.

10 J. D. Bernal, The Extension of Man: A History of Physics Before 1900 (London: Weidenfeld and Nicholson, 1972), pp. 16f.

11 G. L. Isaac, ‘Aspects of Human Evolution’, em D. S. Bendall (org.), Evolution from Molecules to Men (Cambridge: Cambridge University Press, 1983), pp. 532-35.))((G. L. Isaac, ‘Aspects of Human Evolution’, em D. S. Bendall (org.), Evolution from Molecules to Men (Cambridge: Cambridge University Press, 1983), pp. 532-35.

12 Citado por R. E. Leakey, The Origin of Humankind (London: Basic Books, 1994), p. 38.

13 W. J. H. Andrewes, ‘Time and Clocks’, em S. P. Maran (org.), The Astronomy and Astrophysics Encyclopaedia (New York: John Wiley & Sons, 1991), p. 929. Argumenta-se que ‘em escala cósmica (embora não-humana), o tamanho é visível de uma maneira que a idade não é’. Ver B. Dainton, ‘Past, What Past?’, The Times Literary Supplement, 8 January 2010.

14 S. J. Gould, Time’s Arrow, Time’s Cycle: Myth and Metaphor in the Discovery of Geological Time (Harmondsworth: Penguin, 1990), p. 11.

15 S. Jones, R. Martin and D. Pilbeam (eds.), The Cambridge Encyclopedia of Human Evolution (Cambridge: Cambridge University Press, 1992), p. 378.

16 Em um estudo sobre a antiga Mesopotâmia, Susan Pollock compartilha a visão dos críticos sobre a ‘noção abrangente da economia do templo’. Ver S. Pollock Ancient Mesopotamia The Eden that Never Was (Cambridge: Cambridge University Press, 1999), p. 119. Mas, mesmo quando ela escreve o capítulo de conclusão: ‘Templos, os quais foram identificados desde o período de Ubaid, são um dos testemunhos mais óbvios do lugar central da religião no interior das sociedades mesopotâmicas. Contudo, eles também são instituições econômicas e políticas; qualquer tentativa de aplicar-lhes nossas noções contemporâneas de separação entre religião, política e economia força-nos a reconhecer que nossos conceitos são produtos de uma história e cultura particulares em vez de verdades eternas’. Ibid., p. 221.

17 Ver J. Vandermeer, ‘The Agroecosystem: The Modern Vision Crisis, The Alternative Evolving’, em R. Singh, C. B. Krimbas, D. B. Paul and J. Beatty (org.), Thinking about Evolution, Historical, Philosophical and Political Perspectives, Vol. 2 (Cambridge: Cambridge University Press, 2001), p. 480. Em relação à justaposição da (disputada) Revolução Neolítica e a Revolução Industrial, ver C. M. Cipolla, ‘Introduction’, em seu (org.), The Fontana Economic History of Europe: The Industrial Revolution (London and Glasgow: Collins/Fontana Books, 1973), pp. 7-8. Vert também, do mesmo autor, The Economic History of World Population (Harmondsworth: Penguin, 1962), Ch. 1.

18 O caso para tornar a escrita, desenvolvida na Mesopotâmia (em torno de 3000 AC), uma parte integral da história dos pesos e medidas tem sido reafirmado por J. Ritter, ‘Um resultado dessa interação’, ele escreve, ‘foi de importância impressionante no âmbito conceitual o desenvolvimento de um uso abstrato dos números, independente de qualquer sistema metrológico, e a criação de um sistema posicional de base sessenta’. Ver J. Ritter, ‘Metrology, Writing and Mathematics in Mesopotamia’, Acta historiae rerum naturalium necnon technicarum. Prague Studies in the History of Science and Technology, N. S. (1999), 215-41 (p. 239).

19 B. L. van der Waerden, ‘Basic Ideas and Methods of Babylonian and Greek Astronomy’, in A. C. Crombie (ed.), Scientific Change, Symposium on the History of Science, University of Oxford 9-15 July 1961 (London: Heinemann, 1963), p. 42f; a precessão dos equinócios foi reconhecida por Hiparco (século segundo DC); ver J. North, Cosmos: An Illustrated History of Astronomy (Chicago, IL and London: University of Chicago Press, 2008), pp. 14, 114.

20 J. Evans, The History and Practice of Ancient Astronomy (New York and Oxford: Oxford University Press, 1998), p. 16 (itálicos – JE).

21 Ibid.

22 K. Yabuuti, ‘Chinese Astronomy: Development and Limiting Factors’, em S. Nakayama and N. Sivin (org.), Chinese Science Explorations of an Ancient Tradition (Cambridge, MA and London: MIT Press, 1973), p. 93. Para um relato original da história da astronomia chinesa, ver J. Needham, Science and Civilisation in China (Cambridge: Cambridge University Press, 1959), Vol. 3, pp. 169ff. Para observações críticas, ver N. Sivin, ‘An Introductory Bibliography of Traditional Chinese Science. Books and Articles in Western Languages’, en Nakayama and Sivin (eds.), Chinese Science, pp. 298-99.

23 R. J. Forbes, ‘Metals and Early Science’, Centaurus, 3 (1953-1954), 30.

24 J. Needham, Science and Civilisation in China (Cambridge: Cambridge University Press, 1956), Vol. 2, p. 533. A conjectura tem sido fortemente criticada. Mas Descartes, Leibniz, Newton e outros retornaram à ideia que um legislador celestial (Deus) decretou as leis da natureza subjazendo o movimento da matéria. Ver W. Krohn, ‘Zur Geschichte des Gesetzesbegriffs in Naturphilosophie und Naturwissenschaft’, em M. Hahn und H.-J. Sandkühler (eds.), Gesellschaftliche Bewegung und Naturprozess (Cologne: Pahl-Rugenstein, 1981), pp. 61-70 (p. 68). Tem sido notado que Descartes, quem mais ou menos estabeleceu a concepção de natureza como governada por leis a serem descobertas por aqueles que a investigavam, nunca falou sobre lei da natureza a respeito da refração ou da óptica em geral. Ver F. J. Dijksterhuis, ‘Constructive Thinking: A Case for Dioptrics’, in L. Roberts, S. Shaffer and P. Dear (eds.), The Mindful Hand Inquiry and Invention from the Late Renaissance to Early Industrialization (Amsterdam: Koninkliijke Nederlandse Akademie van Wetenschappen, 2007), pp. 63-4. A descoberta de que a razão entre seno do ângulo de incidência e o seno do ângulo de refração é constante para qualquer material, a ‘lei dos senos’, é atribuída a Descartes (1638).

25 Ver entrada ‘Nature’, em W. F. Bynum, E. J. Brown and R. Porter (eds.), Dictionary of the History of Science (London and Basingstoke: Macmillan, 1981), p. 289.

26 G. E. R. Lloyd ‘The Debt of Greek Philosophy and Science to the Ancient Near East’, em seu, Methods and Problems in Greek Science: Selected Papers (Cambridge: Cambridge University Press, 1991), pp. 278-98.

27 G. E. R. Lloyd, ‘Greek Antiquity: The Invention of Nature’, in G. Torrance (org.), The Concept of Nature: The Herbert Spencer Lectures (Oxford: Clarendon Press, 1992), p. 22. Reimpresso como ‘The Invention of Nature’, em Lloyd, Method and Problems, p. 432. Aristóteles (384-24) na Física parece ser o primeiro a ter formulado-o claramente: ‘Natureza é um princípio de movimento e mudança … Portanto, devemos ver se entendemos o que o movimento é; pois se ele for desconhecido, a natureza também seria desconhecida’. Ver M. Oster (ed.), Science in Europe 1500-1800: A Primary Sources Reader (Basingstoke: Palgrave, 2002), p. 8.

28 M. I. Finley, The Ancient Greeks (Harmondsworth: Penguin, 1977), p. 123. O floruit data (AC) dos personagens nomeados como se segue: Euclides (300), Arquimedes (250), Apolônio (210), Eratóstenes (250). Hiparco (135). Hipócrates quase certamente não escreveu qualquer um dos sessenta tratados ou algo assim atribuídos a ele. Heron foi ativo no primeiro século DC (60).

29 Ibid., p. 148.

30 ‘Greek Cosmologies’, em Lloyd, Methods and Problems, p. 150.

31 Aristotle, Politics, I, ii, 9-11 (Loeb Classical Library, Vol. 21, transl. H. Rackham) (Cambridge, MA: Harvard University Press and London: Heinemann, 1977), pp. 19-21.

32 Finley, Ancient Greeks, pp. 72, 55.

33 ‘Greek and Chinese Dichotomies Revisited’, em G. E. R. Lloyd, Adversaries and Authorities Investigations into Ancient and Greek Chinese Science (Cambridge: Cambridge University Press, 1996), pp. 134-35.

34 Cf. G. E. R. Lloyd, ‘Democracy, Philosophy and Science in Ancient Greece’, em J. Dunn (org.), Democracy: The Unfinished Journey, 508 BC to AD 1993 (Oxford: Oxford University Press, 1993), pp. 41-56 (p. 45).

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