Caminhos: Por que a Vida está Preenchida com tantos Desvios?
[ix]Prefácio: Os Caminhos pelos quais Nós vivemos
Durante a última geração, e com o advento da interconectividade de pessoas, instituições e ideias através de redes (webs) de computadores, metateorias baseada em rede de todos os aspectos das ciências começaram a florescer, desde mecanismos metabólicos até cocitações de autores. Agora, a ciência de redes de níveis diferentes de abstração floresce em modelos matemáticos, físicos e biológicos, assim como em teorias sociais. Há muitas estrelas brilhantes da ciência húngara neste caminho desde László Lovász, László Barabási Albert, János Kertész até Péter Csermely e György Buzsáki. Este pequeno livro, de outro trio húngaro – András Gulyás, Zalán Heszberger e József Bíró – dá outra olhada nesses desenvolvimentos. A perspectiva deles não é a rede mesma, mas as rotas pelos padrões de disparos neuronais, apertos de mão ou ativações de palavra para chegar de um nó a outro na rede.
Os caminhos (Paths) têm sido a ideia central de muitas ciências sociais por mais de uma centena de anos. Um dos métodos mais fundamentais da psicologia comparativa da cognição animal foi e continuar a ser a aprendizagem de labirinto (maze learning) introduzida em 1901 na psicologia. Por um longo tempo, nós a tratamos como um caminho para o estudo do mecanismo universal de aprendizagem. Hoje em dia, nós compreendemos que ela é a chave para entender como os mamíferos são capazes de internalizar diferentes caminhos possíveis em seu mundo cheio de pistas (cues) de orientação e valências de objetos. Os caminhos são usados por animais para organizar o conhecimento sobre as atividades deles como para onde ir e o que fazer.
Esses caminhos de pesquisa conduziram à busca de caminhos neurais no cérebro, assumindo estruturas cerebrais especializadas responsáveis pelos mapas cognitivos supostos há muito tempo. Este livro apresenta os caminhos conectando as palavras nos léxicos e na mente, os caminhos levando do corona até a morte durante a pandemia. Vários pesquisadores, incluindo György Buzsáki na Universidade de Nova York, têm esperança de que esses recentes caminhos cognitivos, baseado em significado, estejam vinculados às redes cerebrais como os caminhos da floresta dos animais.
Este livro também apresenta o terceiro sistema de caminho importante em humanos, o único que leva alguém através do passado comum: os contatos instrumentais e emocionais com outra pessoa.
[x]Este pequeno livro, legível e facilmente acessível, enche o leitor com esperanças e promessas na direção do futuro da pesquisa de redes onde caminhos devem ser encontrados para relacionarem redes pessoais, conceituais e neuronais.
3 de maio de 2020, em Budakeszi, Hungria. No meio do confinamento (lockdown) de coronavírus.
Csaba Pléh
Psicólogo e Linguista Membro da
Academia Húngara de Ciências e Academia Europaea
Budakeszi, Hungria
Prefácio: A Jornada mais Longa
“Diga-me, Mestre, há uma única palavra que alguém pode seguir por toda a sua vida?” – uma vez voltou-se um dos seus discípulos para Confúcio. O mestre respondeu, “Não é mutualidade essa palavra?” O discípulo curvou-se silenciosamente e saiu contentemente.
A grande e solene palavra da mutualidade também é conhecida na nossa cultura ocidental; muito frequentemente, ela denota alguma relação bilateral. Essa relação é principalmente considerada válida pelos parceiros pela duração de uma específica ação em andamento. Com a sua aplicação anunciada, eles demonstram que eles levam ao máximo aspectos um do outro em consideração. A mutualidade é principalmente usada entre você e mim, ou entre mim e os outros. (De acordo com muitos, esse bilateralismo fino está profundamente enraizado na ideia de monoteísmo.) Depois que a ação (discurso ou ato) entre as duas partes ocorre, o conceito torna-se inválido e praticamente cessa até a próxima situação.
Na interpretação de Confúcio e dos seus seguidores, mutualidade é uma palavra muito mais significante. Na antiguidade chinesa, esse termo referia-se a um rede inteira de relacionamentos mútuos, uma combinação de caminhos e desvios, decisões e escolhas, junto com as consequências e repercussões que as seguem. Em contraste com a interpretação de uso casual, semelhante à ação, no estilo ocidental, Confúcio e seus seguidores nunca tratavam a mutualidade como um relacionamento bilateral restrito. Para eles, a mutualidade era um princípio profundo subjazendo ao Universo, uma Weltanschauung.
Essa antiga abordagem asiática tem outra característica definidora: a abordagem correlativa com o julgamento lógico modal. Esse pensamento se foca no relacionamento correlacionado de coisas adjacentes e admite múltiplos julgamentos (afirmações) válidos ao mesmo tempo. Isso está em intenso contraste com a lógica binária ocidental, onde apenas uma de duas afirmações pode estar correta, rejeitando a outra como incorreta. Uma terceira afirmação (se de qualquer maneira levantada) é excluída. Esse é o princípio do terceiro excluído, por Aristóteles. Em qualquer situação de tomada de decisão, contudo, a antiga lógica asiática sempre recomenda a aplicação da lei do terceiro intermediário. Essa lei significa que três ou mais afirmações podem ser simultaneamente válidas. Essa prudência de considerar todas as mudanças surge a partir da maneira de ver as coisas como interdependentes (ou em correlação umas com as outras.)
[xii]Bem, esse é precisamente o princípio que está faltando no pensamento europeu desde tempo imemorial! Ele leva em conta a terceira e quarta afirmações intermediárias: a ideia permissiva da validade concorrente de mais de uma afirmação. Em nossas situações de tomada de decisão, desde Aristóteles, nós consideramos uma afirmação ser válida (correta) ou não, sem nenhuma opção adicional.
Eu pergunto-me por quê? Porque nós precisamos da solução efetiva em todos os casos. Decisões que não providenciam a solução mais efetiva e rápida são consideradas como desvios ou caminhos equivocados aos olhos do herói ocidental, impaciente e faminto por progresso.
Esse modo de pensar nos trouxe aonde nós estamos. Nós temos progredido, progredido indubitavelmente, mas talvez rápido demais, tão rápido que provavelmente nós já ultrapassamos a linha de chegada. E não há caminho de volta; é impossível de corrigir. A nossa única opção é desacelerar, quer dizer, se nós tivermos uma gota de inteligência, pelo menos não corrermos para um futuro absolutamente não promissor roubado por eficiência, efetividade e crescimento intensificados e quase completamente privados das nossas condições de vida física e mental.
Nós fazemos isso mais espertamente se desacelerarmos o nosso progresso, se nós escolhermos um desvio para nossos objetivos. Essa desaceleração nos concede uma chance de mantermos o sendo comum do conceito de mutualidade no sentido mais amplo, uma oportunidade para sermos atentos, espertos e mesmo para pouparmos a nós mesmos e uns aos outros (não apenas semelhante à ação). Durante a tentativa delicada, cuidadosa e o saborear agradável dos caminhos e desvios nós até podemos chegar a conhecer melhor a natureza humana. Até agora, nós absolutamente não tivemos tempo para descobrirmos se essa coisa existe. “Ciência humana finalmente seria necessitada,” suspirou Ortega y Gasset amargamente depois da segunda grande tentativa de suicídio do genus humanum no século vinte.
E se nós entendermos melhor a palavra do poeta, escutemos Constantine Cavafy, quem aconselha que “Quando você parte na sua jornada para Ítaca, ore para que a estrada seja longa, cheia de aventura, cheia de conhecimento.” A jornada longa concede a você o maior presente da cidade.
Este livro é o guia mais sábio para caminhos: um livro fácil de entender, de presença e orientação intactas, não prejudicadas, e de organização amigável no mundo arriscado de um milhão de escolhas. Ele fornece exatamente a abordagem prudente centrada no relacional da qual o pensamento ocidental mais necessita hoje em dia.
Orientalista, Escritor, Pessoa de Mídia Húngara László Sári (a.k.a. Su-la-ce)
Budapeste, Hungria
10 de abril de 2020
[xiii]Agradecimentos
Nós gostaríamos de desejar obrigados especiais aos nossos país e avós, por nos mostrarem seus caminhos e ajudarem a suavizar os nossos. Nós temos de expressar a nossa gratidão muito profunda por muitas das ideias uteis e discussões frutíferas a Zsófia Varga, Attila Csoma, Antal Heszberger, Gabriella F. Kiss, Attila Kőrösi, István Pelle, Dávid Szabó, e Gábor Rétvári. Nós somos gratos pela cuidadosa leitura atenta e comentários amáveis de István Papp, Csaba Hős, Claudia Molnár, Attila Mertzell, László Gulyás, Mariann Slíz, Alessandra Griffa, Andrea Avena-Königsberger, Levente Csikor, Márton Novák, Dávid Klajbár, Valentina Halasi, Máté Csigi, Erzsébet Győri, Tamás Csikány, István Bartolits, Alija Pasic, Alexandra Balogh, Rudolf Horváth e Mária Marczinkó.
Obrigados especiais vão para Anne Comment, nossa sempre presente Gerente de Publicação na coordenação do projeto do livro, e para Kathleen Moriarty, nossa Editora de Cópia, por sua leitura cuidadosa e ajuda inestimável na revisão do manuscrito final. Gratidão especial para Lajosné F. Kiss, pela criação de ilustrações fantásticas.
[xiv]Isenção de Responsabilidade
Este livro não intenciona comunicar nenhum consenso científico sobre caminhos. De fato, não há consenso sobre caminhos. As ideias apresentadas aqui, embora fundamentadas principalmente em dados do mundo real, refletem primariamente a imagem subjetiva (algumas vezes especulativa) dos autores sobre o mundo. Este trabalho foi intencionado para entreter, inspirar e persuadir o leitor a pensar criticamente sobre a natureza em caminhos tomados por pessoas assim como muitas outras entidades na vida.
CONTEÚDOS1
Capítulo 1 Introdução: Caminhos Longos e Sinuosos 1
Capítulo 2 Todos amam Desvios 5
Capítulo 3 A Floresta de Escolhas Alternativas 11
Capítulo 4 Direto ao Ponto: Um Capítulo Curto sobre os Caminhos mais Curtos 17
Capítulo 5 Encontrando o seu Caminho através do Labirinto 21
Capítulo 6 No Rastro da Natureza: Coletando Evidência Científica 29
Capítulo 7 A Natureza Universal dos Caminhos 45
Capítulo 9 Caminhos para o Modo pelo qual Nós Vivemos, Ensinamos e Aprendemos 73
Capítulo 10 O Caminho é o Objetivo! + Coda - Final 79
ORIGINAL:
BIRÓ, J.; GULYÁS, A.; HESZBERGER, Z. Paths: Why is life filled with so many detours? Birkhäuser Cham, 2021. p. ix-xiv. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-47545-1>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário