Uma História da Estética
Por Bernard Bosanquet
[xi]Prefácio
A teoria estética é um ramo da filosofia, e existe pelo bem do conhecimento e não como um guia para a prática. Portanto, o presente trabalho é primeiramente endereçado àqueles que podem encontrar um interesse filosófico no entendimento do lugar e valor da beleza no sistema da vida humana, como concebida pelos principais pensadores em diferentes períodos da história do mundo. É importante insistir que o filósofo esteta não comete a impertinência de invadir o domínio do artista com um apparatus belli de princípios e preceitos críticos. A opinião de que isso é assim traz muito descrédito sobre a estética, o qual seria completamente merecido se a opinião fosse verdadeira. É dito a nós que a arte é inútil; em um sentido irmanado, a estética pode bem se submeter a ser inútil também. Em resumo, o teórico estético deseja entende o artista, não para interferir com o segundo, mas para satisfazer um interesse próprio seu.
Mas além de estudantes professados de filosofia, há um público grande e crescente de leitores que são genuinamente atraídos pela exposição justamente clara e conectada de qualquer ciência filosófica cujo o assunto seja familiar a eles, seja ela lógica ou ética, sociologia ou a teoria da religião. Tais leitores estão abordando a filosofia através do assunto que já lhes interessa, em vez de abordarem o assunto particular porque ele é uma parte integral da filosofia. Eu confesso acalentar uma esperança de que, a despeito dos defeitos que privam este livro do charme que um escritor mais habilidoso poderia ter concedido a esse assunto, muitos amantes inteligentes do belo estarão felizes em se familiarizarem, através dele, com os pensamentos de grandes homens sobre esse elemento importante do mundo espiritual.
Contudo, eu tenho considerado minha tarefa como a história da estética, e não como a história dos estetas. Eu não prestei muita atenção às reivindicações de justiça histórica. Embora eu sinta-me seguro de que nenhum escritor da primeira classe seja omitido, eu não pude me aventurar a dizer que todos os [xii]escritores incluídos são mais importantes do que qualquer um que está excluído. Eu primeiro considerei o arranjo necessário ou conveniente para exibir a afiliação de ideias, e as formas mais completas delas, e apenas em segundo lugar a classificação e o mérito individual dos escritores a serem tratados.
Além disso, como o primeiro capítulo mostrará, eu não fui capaz de persuadir a mim mesmo para tratar meu tem como um mero relato de teoria especulativa. Nenhum ramo da história da filosofia pode ser adequadamente tratado dessa maneira, e a história da estética ainda menos. Portanto, meu objetivo foi exibir a opinião filosófica como apenas a forma clara e cristalizada da consciência estética ou do senso de beleza, o qual em si mesmo é determinado pelas condições que jazem profundamente na vida das épocas sucessivas. De fato, até onde possível, eu desejei escrever a história da consciência estética.
Muitos leitores poderão reclamar da ausência quase total de referência direta à arte oriental, quer no mundo antigo, quer na China e no Japão modernos. Para essa omissão há várias razões conectadas. Eu dificilmente fui convocado, mesmo se eu tivesse sido competente para a tarefa, para lidar com uma consciência estética que, para o meu conhecimento, não tivesse alcançado o ponto de ser clarificada em teoria especulativa. Além disso, era necessário limitar o meu assunto de alguma maneira definida; e pareceu natural excluir tudo que não influenciasse o desenvolvimento contínuo da consciência-arte europeia. Na medida que a arte oriental influenciou a Grécia primitiva, e novamente o desenvolvimento bizantino, uma referência a isso está implicada no tratamento de Hegel e Morris desses períodos. E finalmente, essa omissão não é sem um fundamento positivo, embora aqui eu realmente toque em um assunto que está além da minha competência. A separação da vida das raças progressivas, e a ausência de uma teoria reflexiva da beleza, certamente tem de ter uma conexão fundamental com o caráter não arquitetural identificado pelo sr. Morris na arte da China e do Japão. Portanto, sem negar a sua beleza, eu considerei-a como algo a parte, e não bem capaz de ser trazida para a mesma história conectada do sentimento europeu pelo belo. Um estudo dessa arte, por uma mão competente, à luz da teoria estética, seria um auxílio bem-vindo à especulação moderna.
Com referência ao meu uso de autoridades, embora frequentemente haja mais egoísmo do que modéstia em convocar o público para testemunhar o curso da leitura de um autor, eu sinto-me absolutamente obrigado nesse caso a avisar aos meus leitores que a confiabilidade das partes diferentes da minha obra é desigual. Para o período medieval entre Plotino e Dante e, em um grau menor, [xiii]para o período helenístico entre Aristóteles e Plotino, meu conhecimento não é, pela maior parte, de primeira mão, e representa uma viagem de descoberta em vez de uma jornada em um solo familiar para mim. Para esses períodos, eu não fui capaz de seguir a regra dourada do erudito – nunca citar de um livro que ele não tenha lido de capa a capa. Eu extraí minhas citações de obras de referência e embora eu tenha, como uma regra, verificado-as cuidadosamente e tentado julgar o contexto, minha estimativa da posição do escritor usualmente depende da autoridade, em muitos casos, History of Philosophy de Erdmann e os artigos na Encyclopaedia Britannica, os quais eu consultei em busca de informação. No caso de Tomás de Aquino, em particular, eu não professo absolutamente nenhum conhecimento original. As citações muito completas muito cortesmente fornecidas a mim pelo dr. Gildea parecerem significantes demais para não serem usadas, e a autoridade dele autorizou-me a supor que os principais materiais para formar um julgamento estavam diante de mim nessas passagens. Eu não desejo ser entendido que ele concorde comigo na estimativa que eu formei das visões da estética de São Tomás.
Eu considero que teria sido tolo omitir os pontos mais óbvios do desenvolvimento medieval, tanto em arte quanto em opinião, a mera menção dos quais poderia ser sugestiva para meus leitores, simplesmente porque eu tive de os tomar de escritores como o prof. Adamson, o prof. Seth, o prof. Middleton, o sr. Morris e o sr. Pater, e não de pesquisa original. Alguma divisão de labor tem de ser admitida, embora o fato de que se tenha de recorrer a isso sempre tenha de ser tornado conhecido.
Reconhecimentos por assistência são devidos acima de todos ao prof. A. C. Bradley, quem não apenas me forneceu uma lista livros que têm sido de máxima utilidade, mas emprestou-me da sua própria biblioteca muitos daqueles livros, os quais, de outra maneira, eu poderia ter tido dificuldade em adquirir. Eu também devo os agradecimentos mais cordiais ao sr. J. D. Rogers, pela permissão de incluir em um apêndice suas análises de expressão musical – modelos, como eu considero, do que tais análises deveriam ser – e ao dr. Gilea, pela informação mencionada acima. E finalmente, é apenas correto dizer que é no Council of the Home Arts and Industries Association, e em contato com seus trabalhados, que eu aprendi a apreciar, como eu espero, com algum grau de justiça os escritos do sr. Ruskin e do sr. Morris, os quais facilmente permanecem um livro selado para aqueles que não observaram em casos simples a relação do artesanato (workmanship) com a vida. Muitos leitores que são familiares com o trabalho [xiv]médio das classes dessa Associação, podem pensar que ela não revele nenhum mistério de beleza; mas eu estou convencido de que os líderes da Associação tem intuição correta, e que a experiência, em uma extensão crescente, está justificando os princípios deles.
Londres, Abril de 1892.
Prefácio à Segunda Edição
Meu dever principal na preparação de uma segunda edição desta obra foi remover tanto quanto possível, através de correções na forma de notas, os defeitos que surgiram a partir da sua publicação antes do tratado sobre Aristotle’s Theory of Poetry and Fine Art do professor Butcher. Eu não tenho pretensão de reescrever, visto que seria impossível para eu tentar seriamente a tarefa. Portanto eu deixei o texto permanecer, exceto em caso de erros de impressão óbvios, e ter admitido erros ou feito observações sobre críticas em notas adicionadas aos capítulos aos quais elas dizem respeito. Essas notas estão indicadas por letras do alfabeto, e eu espero que elas serão prontamente distinguidas das notas de rodapé indicadas por números. A encontrar uma referência “a,” o leitor apenas tem de se voltar para a última página do capítulo diante dele, onde ele encontrará a nota referida.
Eu não considero que a minha visão geral da relação entre a estética antiga e moderna seja seriamente afetada pelo tratamento de Aristóteles pelo professor Butcher, embora minha teoria estética no todo seja corroborada por ele. Como um adorador dos gregos, eu apenas fico feliz demais de o seguir em relação à atribuição no todo de uma sugestividade mais profunda às visões deles do que eu anteriormente tinha permitido a eu mesmo encontrar ali. Em minha ansiedade para não ir tão longe, eu dificilmente posso ter ido suficientemente longe. De qualquer modo, eu desejo dizer que minhas referências à obra dele não possam possivelmente desencorajar um leitor que se importa com o assunto do dever e prazer de a estudar por si mesmo.
Eu não tentei modificar minha interpretação da definição de tragédia por Aristóteles, a qual é simplesmente aquela de Bernays. O professor Butcher desenvolveu uma modificação dessa visão, a qual o estudante deveria aprender a partir da obra do professor Butcher.
Eu espero que o fato de uma segunda edição de uma obra como esta estar sendo demandada indique que, com todos os seus defeitos, ela tem um ponto de vista que é sentido ser valioso. E eu espero que esse ponto de vista logo possa vir a ser mais efetivamente apresentado por críticos mais capazes e escritores mais atraentes do que o autor.
St. Andrews, Março de 1904.
ÍNDICE1
Capítulo I Tratamento Proposto, e sua Conexão com a Definição de Beleza 1
Capítulo II A Criação de um Mundo Poético, e o seu Primeiro Encontro com a Reflexão 10
Chapter III The Fundamental Outlines of Greek Theory concerning the Beautiful 16
Chapter IV Signs of Progress in Greek Theory concerning the Beautiful 43
Chapter V Alexandrian and Greco-roman Culture to the Reign of Constantine the Great 77
Chapter VI Some Traces of the Continuity of the Aesthetic Consciousness throughout the Middle Ages 120
Chapter VII A Comparison of Dante and Shakespeare in Respect of Some Formal Characteristics 151
Chapter VIII The Problem of Modern Aesthetic Philosophy 166
Chapter IX The Data of Modern Aesthetic Philosophy 188
Chapter X Kant – The Problem brought to a Focus 255
Chapter XI The First Steps of a Concrete Synthesis – Schiller and Goethe 288
Chapter XII Objective Idealism. Schelling and Hegel 317
Chapter XIII “Exact” Aesthetic in Germany. Schopenhauer to Stumpf 363
Chapter XIV The Methodical Completion of Objective Idealism 393
Chapter XV Beginnings of a Theoretical Reunion between Content and Expression 441
ORIGINAL:
BOSANQUET, B. A History of Aesthetic. London: George Allen & Unwin LTD. New York: The MacMillan Company, 1904. p. xi-xiv. Disponível em: <https://archive.org/details/historyofaesthet003174mbp/page/n14/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.
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