Contornos da História da Ética para Leitores Ingleses
Por Henry Sidgwick
[v]Prefácio
O núcleo deste pequeno livro é formado por um artigo sobre “Ética” que eu escrevi há alguns anos para a Encyclopaedia Britannica. Eu descobri que, na opinião de pessoas cujo julgamento tinha peso comigo, este artigo parecia provável de satisfazer as necessidades de estudantes ingleses desejosos de obterem um conhecimento geral da história do pensamento ético: portanto, pela permissão dos senhores Black, os editores da Encyclopaedia Britannica, eu reimprimi-o nesta forma separada. Ao fazer isso, eu alterei-o e ampliei-o consideravelmente: mas, após alguma hesitação, eu determinei-me a aderir aos contornos principais do artigo original, de acordo com o qual o capítulo (IV) lidando com o período moderno está principalmente confinado à ética inglesa, e apenas lida com sistemas éticos estrangeiros de uma maneira subordinada, como fontes de influência sobre o pensamento inglês. Eu adotei essa resolução parcialmente porque me pareceu que o mérito do meu artigo – se ele teve algum – está em uma certa unidade compacta de movimento, a qual [vi]inevitavelmente seria perdida se eu tentasse incluir um tratamento de moralistas franceses e alemães em uma escala correspondente ao meu tratamento dos moralistas ingleses: embora, ao mesmo tempo, uma porção considerável1 do que eu omiti dessa maneira pareceu-me ter um interesse distintamente subordinado para leitores ingleses, quando comparado com o que eu inclui. Eu deveria explicar adicionalmente que, por razões um pouco similares, eu tive dificuldade para manter a ética tão separada quanto eu convenientemente pude da teologia e metafísica, e também da política; contudo, essa separação é menos completa em algumas partes do assunto do que em outras; por exemplo, ao lidar com o período medieval, as relações da ética com a teologia são necessariamente mais proeminentes do que no período moderno. Finalmente, eu talvez possa dizer que, do começo ao fim, eu visei à maior imparcialidade e “objetividade” possíveis de tratamento; e, para melhor alcançar esse resultado, eu não tentei lidar com modos contemporâneos de pensamento ético – com os quais eu estive engajado em controvérsia – exceto de uma maneira muito breve e sumária.
Na maior parte do livro – ou seja, na de longe maior parte do capítulo II, em quase todo o capítulo IV, [vii]e em um pouco do capítulo III – a minha exposição está primariamente baseada em meu próprio estudo dos autores originais. Onde esse não é caso, eu tentei guardar-me do erro de comparar diferentes historiadores da filosofia, e referir-me aos autores originais sempre que essa comparação me deixou duvidoso. E por toda parte eu tentei corrigir e suplementar os resultados do meu próprio estudo comparando-os com as visões expressas em outros trabalhos históricos. Eu estou especialmente em dúvida, com respeito ao capítulo II, com a Geschichte der Grieschischen Philosophie de Zeller; mas, revisitando o capítulo, eu também derivei sugestões uteis a partir de Geschichte der Ethik de Ziegler, e de um excelente pequeno livro sobre o epicurismo pelo sr. Wallace. A explicação da moralidade cristã no capítulo III foi naturalmente derivada a partir de fontes numerosas demais para mencionar; mas para uma ou duas declarações nele, eu certamente estou em débito com History of European Morals de Lecky. A explicação da ética medieval no mesmo capítulo foi principalmente composta, no artigo original, através do auxílio de Neander e Wuttke; mas, revisitando-o, eu tive o auxílio valioso da Chistiliche Ethik de Gass2. No período moderno, eu derivei sugestões da Geschichte der Ethik, de Jödl, dos Principles of Morals, por Wilson e Fowler, de um pequeno livro [viii]do sr. Fowler sobre Shaftesbury e Hutcheson, de outro do mesmo tipo sobre Hobbes, pelo sr. Croom Robertson, e de Pessimism, do sr. Sully; assim como das englobantes histórias da filosofia por Ueberweg e Erdmann. Eu também tenho de expressar meu reconhecimento com amigos e correspondentes por conselhos que eles me concederam em várias partes da obra: especialmente para lorde Acton; para R. D. Hicks, Esq., Fellow do Trinity College, Cambridge; e para o Rev. Alexander Stewart, de Mains, Dundee, gentilmente me auxiliou lendo as provas do livro.
Ao revisar este livro para uma segunda edição, eu tentei tirar vantagem de toda a crítica que chegou à minha atenção; e, em consequência, fiz várias modificações menores em minhas declarações. Essas foram principalmente no capítulo II (“Ética Grega e Greco-romana”); mas eu também reescrevi uma grande parte da explicação da doutrina de Kant no capítulo IV. Para evitar mal-entendidos, eu talvez devesse explicar que minhas mudanças não necessariamente implicam uma admissão de que minhas declarações prévias estivessem errôneas; eu tentei evitar objeções que até me parecessem infundadas, se eu considerasse que eu poderia fazer isso sem sacrificar nada que fosse importante em minha própria visão.
Duas críticas diferentes tinham sido passadas sobre a [ix]“Consideração Geral do Assunto” no capítulo I, por escritores cujas visões merecem consideração respeitosa. Um crítico americano – sr. H. M. Stanely – diz que “o capítulo não é caracterizado por aquela objetividade de tratamento que o escritor afirmou ser o seu método. O seu espírito é dogmático em vez de histórico. Alguém que é simplesmente um historiador não deveria fornecer a sua própria concepção da ciência da ética e discutir o seu assunto de acordo, como o professor Sidgwick parece fazer.” Por outro lado, o professor Wallace (Mind, vol. xi, p. 471) fala desse capítulo como sendo “pouco mais do que um resumo abstrato dos fatos apresentado em outros pontos do livro sob o seu aspecto histórico.” Ao que eu visei nesse capítulo foi uma coisa intermediária entre essas duas descrições do que eu efetivamente fiz. Eu visei a fornecer não “minha própria concepção,” mas uma concepção que seria geralmente aceita como adequadamente imparcial e compreensiva por pensadores de diferentes escolas no presente; enquanto que, para tornar essa definição introdutória mais útil para estudantes históricos da ética, eu tentei indicar brevemente a ordem e maneira através das quais os diferentes elementos na nossa concepção presente do assunto foram historicamente desenvolvidos.
Em conclusão, eu novamente tenho de expressar minhas obrigações com o sr. R. D. Hicks pela assistência valiosa que ele me concedeu na revisão do capítulo II.
[x]Na terceira edição, a alteração principal que eu fiz consistiu em alargar materialmente as minhas explicações das doutrinas de Hume e Adam Smith. Eu também mudei a minha opinião sobre um ponto de alguma importância na história do utilitarismo: eu agora estou disposto a aceitar a postumamente publicada Deontology de Bentham como fornecendo uma explicação geralmente confiável da visão dele quanto à relação da virtude com a felicidade do agente virtuoso. Adicionalmente – além da correção de alguns erros de impressão e erros clericais, e tentar remover algumas estranhezas de expressão – eu modifiquei ou expliquei umas poucas declarações que correspondentes criticaram como obscuras ou enganadoras. Eu sou grato por tais críticas, às quais eu sempre desejo conceder atenção respeitosa.
Na quarta edição, eu fiz apenas alterações verbais; por várias das quais eu estou em dívida com a sra. Jones do Girton College, quem amavelmente me auxiliou na revisão.
H. SIDGWICK
CONTEÚDOS3
Capítulo I Consideração Geral do Assunto 1
Chapter II Greek and Greco-Roman Ethics 12
§§1-4 Pré-socráticos, Sofistas, Sócrates & Socráticos
Chapter III Christianity and Mediaeval Ethics 109
Chapter IV Modern, chiefly English, Ethics 158
ORIGINAL:
SIDGWICK, H. Outlines of the History of Ethics for English Readers. London: MacMillan and Co., Limited, New York: The MacMillan Company, 1906. p.v-x. Disponível em: <https://archive.org/details/outlinesofthehis00sidguoft/page/n10/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1[vi]Eu chamo atenção para as palavras “uma porção considerável” porque elas foram desconsideradas por um analista que selecionou essa sentença para crítica severa. A omissão delas substitui uma opinião que eu deverei considerar como indefensável por uma que eu ainda considero quase incontroversa.
2[vii]Eu também devo mencionar Geschichte der Philosophie des Mittelalters de Stöckl, como um livro a partir do qual eu derivei assistência ocasional.
3Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes. Devido às suas extensões consideráveis, os capítulos II, III e IV serão divididos em postagens diferentes, através do agrupamento de seus parágrafos contíguos em subseções tematicamente contínuas.
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