Caminhos: Por que a Vida está Preenchida com tantos Desvios?
Por József Biró, András Gulyás e Zalán Heszberger
[73]Capítulo 9 Caminhos para o Modo pelo qual Nós Vivemos, Ensinamos e Aprendemos
Em adição às aplicações científicas, há quaisquer benefícios pessoais para o leitor? Há quaisquer mensagens que podem ser mantidas em mente que afetariam as nossas vidas cotidianas? Para responder a isso, considere a fig. 9.1. Essa figura representa um mapa abstrato de uma cidade mostrando o seu centro no topo e fronteiras na base, e também algum transporte público estratégico aponta para onde alguém pode trocar entre meios de transporte (ônibus, bondes, metrôs, etc). Agora, assumamos que nós somos recém-chegados à cidade, sem nenhum conhecimento sobre as opções possíveis de transporte. O nosso primeiro passeio no nosso primeiro dia na cidade é viajar do nosso Hotel (H) para o Banco (B). Agora, assumamos que nós temos um “oráculo de caminhos” (por exemplo, informação para turistas), o qual pode ser perguntado por caminhos entre pontos arbitrários na cidade. Esse oráculo sempre recomenda o caminho mais curto entre a origem e o destino. Para o passeio entre o Hotel e o Banco, o oráculo fornece-nos o caminho verde, o qual requer três mudanças em pontos intermediários de transferência e é o caminho mais curto em termos de distância. Assim, de agora em diante, nós podemos alcançar o Banco a partir do Hotel e sacar dinheiro. Na manhã seguinte, nós queremos ver o Castelo (C), para o qual o oráculo nos fornece o caminho colorido de oliva. Esse tem características similares ao caminho verde: três mudanças e uma pequena distância de viagem. No terceiro dia, nós planejamos sacar algum dinheiro no Banco e então ir diretamente para o Castelo, mas, quando perguntamos à informação para turistas, nós percebemos que eles estão fechados. Assim nós somos deixados por nossa própria conta. O que nós podemos fazer? Bem, nós conhecemos o caminho mais curto do Banco para o Hotel, e outro caminho mais curto do Hotel para o Castelo, assim, nós podemos viajar do Banco para o Hotel no caminho verde, em seguida, do Hotel para o Castelo, no caminho oliva. Essa jornada terá sete mudanças em vários pontos de transferência.
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[74]Fig. 9.1 Papel dos caminhos mais curtos e regulares.
Agora giremos para trás os ponteiros do tempo e assumamos que nós novamente somos recém-chegados, e façamos a mesma coisas, mas com um oráculo levemente diferente. Esse segundo centro para turistas, mais profissional, fornece caminhos curtos que preferencialmente seguem a hierarquia da cidade, ou seja, primeiro dirigindo-se para o centro dela (para cima), então lateralmente para a borda da cidade. Para o nosso primeiro dia de passeio entre o Hotel e o Banco, esse segundo oráculo revela o caminho magenta através da Prefeitura (Town Hall (T)). Esse passeio requer três mudanças, mas a distância de viagem levemente mais longa, comparada ao caminho mais curto, [74]visto que primeiro ele entra na cidade e em seguida sai para o destino. No segundo dia, o oráculo fornece-nos o caminho vermelho para o nosso passeio entre o Hotel e o Castelo, o qual tem características bastante similares ao caminho magenta, também passando pela Prefeitura. Na manhã do terceiro dia, nós temos de ir do Banco para o Castelo, mas os empregados do centro para turista saíram em uma atividade de construção de equipe. Novamente, nós somos deixados sozinhos para descobrir um caminho por toda parte! Agora, se nós combinarmos nossos dois caminhos, do Banco para o Hotel e do Hotel para o Castelo, nós obtemos o seguinte plano de rota: Banco → … → Prefeitura → … → Hotel → … → Prefeitura → … → Castelo. Mas espere um minuto, nós fizemos um desvio desnecessário entre a Prefeitura e o Hotel. Nós podemos esquecer completamente esse círculo e finalmente seguirmos o nosso passeio usando Banco → … → Prefeitura → … → Castelo. Esse caminho requer três mudanças e um caminho de viagem apenas levemente mais longo do que o mais curto. Assim, dependendo dos conselhos do segundo centro para turistas mais profissional nos 2 primeiros dias, nós podemos apresentar um passeio bastante agradável e curto no terceiro de dia inteiramente por nós mesmos.
Como isso pode ser? Bem, nós podemos ver que, no segundo caso, quando o oráculo nos fornece caminhos coincidindo com a lógica subjacente da cidade, nós podemos aprender muito mais sobre a cidade comparado ao caso quando nós aderimos estritamente aos caminhos mais curtos. A sobreposição dos dois caminhos1 concede-nos a possibilidade de relacionar os caminhos um com o outro e, a partir dessas relações, nós extraímos mais conhecimento. Após poucos passeios seguindo a lógica da cidade, turistas comumente podem deixar seus mapas da cidade no hotel porque eles podem viajar entre quase quaisquer origens e destinos no mapa. Agora, imagine como você guia alguém que pergunta sobre um caminho na direção de algum lugar na sua cidade. Você oferece-lhe o caminho mais curto? Bem, talvez você não conheça o caminho mais curto para o destino depois de anos vivendo ali. Mas, mais provavelmente você oferecerá um caminho [75]coincidindo com a lógica da cidade, ou seja, transferência para algum lugar no centro. Não é maravilhoso como a natureza parece implementar exatamente isso em muitos sistemas da vida real? A Internet, a rede de transporte aéreo, até o cérebro humano, parecem implementar caminhos como esses. A natureza é suficientemente sábia para não usar caminhos mais curtos para assegurar acumulação de conhecimento e navegação dentro do sistema. Caminhos longos não podem ser usados, visto que eles não são efetivos. Assim, a natureza implementa um compromisso. Usando 10-30% de caminhos mais longos, ela assegura integridade, capacidade de aprendizagem e navegação.
Agora, coloquemos essa história imaginativa em um contexto mais amplo. Considere que nós gostaríamos de rapidamente treinar alguém para viajar dentro da cidade usando os serviços públicos de transporte. De fato, o conhecimento que nós gostaríamos de conceder a ele é uma rede útil de pontos de transferência e suas relações com pontos arbitrários na cidade. Nós podemos levá-lo conosco em alguns passeios dentro da cidade. Que passeios nós deveríamos escolher? Bem, nós ficaríamos surpresos se alguém quisesse usar caminhos mais curtos para esse propósito. O que é mais provável é que nós escolhamos passeios de acordo com a lógica da cidade e de uma maneira que jornadas consecutivas tenham preferencialmente pontos em comum na área central. Esses caminhos obedecem à hierarquia ou lógica interna da cidade e maximizarão o conhecimento extraível em um curto período de tempo.
Agora suponhamos que nós queremos ensinar alguma coisa arbitrária (por exemplo, biologia, matemática ou agricultura) concedendo preleções ou apresentações. Nós argumentamos que o conhecimento que queremos compartilhar não é fundamentalmente diferente do conhecimento de ser um bom usuário de transporte público. De fato, há estudos que crianças com habilidades de navegação mais fortes entre os objetos do mundo físico podem performar melhor em várias tarefas de aprendizagem [19, 23, 26]. Embora em vez dos nós físicos e das conexões físicas (estações variadas e várias linhas de conexão), os nossos nós e links provavelmente serão “virtuais,” por exemplo, noções e relações entre eles. O conhecimento que nós desejaríamos que a audiência tivesse é uma rede de conceitos relacionados ao tópico; nós gostaríamos que eles conhecessem as principais noções do campo e suas conexões uns com os outros, de modo que eles possam navegar facilmente entre eles e invetarem suas próprias ideias tão logo possível. Que tipo de sentenças nós deveríamos escolher? Como nós deveríamos estruturar os nossos materiais de ensino?
Emma Ledden, autora do número 1 em vendas “The Presentation Book” [16] diz que: “Para evitar que a sua apresentação fique confusa, estruture-a em torno da sua mensagem ou mensagens centrais. Essas deveriam ser ilustradas de maneira diferentes, revisitadas e enfatizadas, assim elas são entendidas e lembradas.” Desse modo, durante as conversas e preleções, você frequentemente deveria revisitar mensagens centrais e ilustrá-las de maneiras diferentes. Isso soa bastante o mesmo que mostrar ao nosso amigo imaginário uma variedade de passeios na cidade, com pontos em comum no centro da cidade, não é? Assim, apresentações legais introduzem novos elementos ao cuidadosamente os relacionar com as noções ao redor das quais a apresentação é construída e, desse modo, revisitando os conceitos centrais muitas vezes. Esses “caminhos” através de nós virtuais são os equivalentes exatos dos nossos passeios de cidade no mundo físico, juntando os nós de fonte e destino através de nós intermediários estratégicos no centro da cidade.
Agora nós podemos retornar por um momento à nossa questão levantada na introdução sobre ferramentas de apresentação baseadas em mapa mental: o que possibilitou a essas ferramentas a competirem com gigantes da indústria de TI na área de software de apresentação? Bem, esses [76]caminhos mentais de “revisitação” são belamente visualizados por ferramentas baseadas em mapas mentais quando se movendo de uma visão para outra, o que amplifica a memorização desses caminhos. Mostrando o contexto graficamente, a audiência é visualmente levada em um caminho de noção a noção através da inteira estrutura gráfica da apresentação, similarmente ao passeios na nossa cidade imaginária. Nós argumentamos que essa característica de visualização de caminhos de ferramentas de apresentação baseadas em mapas mentais pode explicar a popularidade crescente delas entre apresentadores.
Como nós podemos aprender efetivamente alguma coisa? Se nós podemos usar caminhos para aumentar a eficiência do ensino, parece bastante razoável que nós também possamos usá-los para aumentar a eficiência da aprendizagem? Bem, se nós aceitamos a ideia que o preletor está tentando comunicar uma rede, embora alguns caminhos específicos sejam escolhidos, nós podemos tornar a nossa aprendizagem mais eficiente intensificando o processo de construção dessa rede na nossa mente. Por exemplo, quando ouvindo, nós podemos continuamente tentar relacionar as coisas que nós ouvimos umas com as outras. Além disso, nós podemos criar experimentos rápidos para ver se nós podemos relacionar conceitos aleatoriamente selecionados aos nossos próprios. Esses experimentos podem nos capacitar a aprender como navegar entre os conceitos do campo de estudo e a descobrir novas conexões independentemente. A formulação de boas questão também pode se auxiliada por tais experimentos. Em nosso entendimento, a aprendizagem (não lexical, mas prática) é exatamente o mesmo que navegação. Você quer ficar melhor em aprender? Nossas descobertas sobre caminhos dizem: desligue o seu GPS sempre que puder! Esqueça de sempre usar o caminho mais curto para atingir os seus objetivos! Você quer que os seus filhos sejam melhores na escola? Nossas observações dizem: Deixe-os caminhar livremente depois da escola (preferivelmente em um ambiente seguro) e autodesenvolverem suas habilidades de navegação.
Há um ditado húngaro: Não deixe o caminho trilhado (betrodden) pelo não trilhado (untrodden)! Isso é assunto de contínua interpretação equivocada na Hungria. As pessoas comumente pensam que esse ditado sugere que você sempre deveria estar do lado seguro, e você nunca deveria tentar nada novo. Isso usualmente é considerado como a maldição dos húngaros, de acordo com muitos pensadores, visto que parece fornecer a receita para uma vida sem sucesso. Aprofundar-se na sabedoria real desse dito pode oferecer-nos algo sobre aprender coisas mais eficientemente a longo prazo. Obviamente, quando está com pressa, você tenta usar o caminho mais curto a partir da sua posição corrente. Contudo, esse caminho é provável de ser um não trilhado. Por exemplo, pense sobre encontrar o seu caminho através de um grande parque urbano, da sua entrada até as suas saídas. Não é provável que uma estrada pavimentada conecte as duas em uma linha reta. Você tem de pisar na grama. Quanto mais você caminha sobre a grama, maior a possibilidade de que você deixe passar umas poucas placas de sinalização que ficam apenas em estradas pavimentadas. Por um lado, você pode perder a sua direção, por outro, mesmo se você encontrar o seu caminho, você não aprenderia nada sobre a localização das outras saídas. Certamente, se você cruza o parque apenas uma vez, atrasado para o seu próprio casamento, você realmente não se importaria. Contudo, se você faz isso diariamente, dificilmente alguma vez você aprenderia como realmente o parque se parece. Deixando passar as sobreposições entre os seus caminhos,você nunca verá a relação entre o seu caminho, e, dificilmente, você aprenderá a navegar confiantemente. Se, em vez disso, você escolher os trilhados, ou seja, os caminhos pavimentados, às vezes curvos, do parque, você aumenta a possibilidade de sobreposição e a chance de orientar a si mesmo. Preferir o trilhado não significa que por padrão os seus caminhos não deveriam conter partes não trilhadas, as quais são bastante inevitáveis na vida. Você continuamente descobre novos lugares e [77]pessoas, desse modo, é altamente provável que, pelo menos parcialmente, você terá caminhos desconhecidos para os alcançar. Mas a sabedoria desse ditado é manter o caminho trilhado enquanto for possível, para relacionar e integrar segmentos não trilhados apropriadamente, e finamente entender com o que a grande figura realmente se parece.
ORIGINAL:
BIRÓ, J.; GULYÁS, A.; HESZBERGER, Z. Paths: Why is life filled with so many detours? Birkhäuser Cham, 2021. p. 73-77. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-47545-1>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1[74]Marcados com uma elipse rosada na fig. 9.1.

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