Inferir e Explicar
Por Jeffery L. Johnson
[9]Capítulo 2
Ceticismo
Então eu suporei que tudo que vejo é falso. Eu acreditarei que minha memória conta-me mentiras, e que nenhuma das coisas que ela relata alguma vez aconteceram. Eu não tenho sentidos. Corpo, forma, extensão e lugar são quimeras. Então o que permanece verdadeiro? Talvez apenas o fato de que nada é certo.
– René Descartes1
Descartes e a Arena da Razão
É difícil imaginar um pensador mais comprometido com a arena da razão do que René Descartes. Além de ser um dos filósofos mais importantes de toda a história da filosofia ocidental, ele foi um matemático inovador (lembra-se daquelas temidas “coordenadas cartesianas” que você odiava na álgebra do ensino médio?), um dos mais proeminentes físicos de sua era, e um teólogo comprometido. Ele conta como um dos verdadeiros gigantes do pensamento ocidental.
Ele começa sua obra mais importante, The Meditations of First Philosophy, compartilhando uma preocupação incômoda.
“Há alguns anos eu fui atingido pelo grande número de falsidades que eu aceitara como verdadeiras em minha infância, e pela natureza duvidosa do inteiro edifício que eu baseara sobre elas.”2
Quando ele fala em falsidades que aceitava em sua infância, eu não penso que ele esteja falando em Papai Noel ou fada dos dentes, mas simplesmente em coisas que ele acreditava acriticamente, na base de autoridade e senso comum, que eventualmente se revelaram ser falsas. O problema não era apenas que ele fora enganado pelas autoridades e iludido pelo senso comum, mas que suas missões de vida – filosofia, matemática, física, e teologia – foram todas construídas sobre eles.
[10]Então, o que fazer? Ele contínua com sua metáfora de construção:
“Eu compreendi que era necessário, uma vez em minha vida, demolir tudo completamente e começar de novo exatamente dos fundamentos se eu quisesse estabelecer qualquer coisa nas ciências que fosse estável e provável de subsistir.”3
Demolição epistemológica apenas por causa da demolição é um projeto bem bobo. Mas Descartes está interessado em demolição, como muito da renovação urbana contemporânea, por causa de nova construção. Ele quer novos fundamentos que o concederão maior confiança em seu pensamento filosófico e científico. Ele imediatamente foi confrontado com dois problemas sérios. Qual será um método eficiente para sua demolição (uma bola de demolição, escavadeiras, ou dinamite?) – ele tinha uma quantidade terrível de crenças, afinal – e qual será seu padrão de estabilidade, uma vez que ele tenha limpado o chão e começado sua nova construção? Ele responde a essas questões com uma proposta radical.
“A razão agora me leva a pensar que eu deveria guardar meu assentimento de opiniões que não são completamente certas e indubitáveis tão cuidadosamente quanto eu guardo daquelas que são patentemente falsas. Assim, para o propósito de rejeitar todas as minhas opiniões, será suficiente se eu encontrar em cada uma delas alguma razão para dúvida. E para fazer isso eu não necessito percorrer todas elas individualmente, o que seria uma tarefa sem fim. Uma vez que os fundamentos do edifício estejam enfraquecidos, qualquer coisa construída sobre eles colapsa por conta própria; assim, eu irei diretamente aos princípios básicos sobre os quais todas as minhas antigas crenças repousavam.”4
Possibilidades de Enfraquecimento de Confiança
O seu carro está na oficina, mas um amigo graciosamente emprestou a picape dele a você. Enquanto você está dirigindo através de uma longa extensão desolada de rodovia rural, você subitamente pensa na gasolina. Felizmente, quando você olha para o medidor abaixo, vê que tem quase três quartos de um tanque. Você pacificamente contínua a dirigir, contemplando sua viajem planejada durante o feriado de natal. Na próxima manhã o seu amigo liga para você com algumas notícias inquietantes: “Eu esqueci de contar ontem, quando você pegou o caminhão, que o medidor de gasolina está estragado. Ele sempre lé três quartos de um tanque.”
Duas coisas seguem-se bem diretamente dessa pequena história. A sua garantia durante a última noite na rodovia era inválida. Pode ter sido psicologicamente confortável ler o medido como dizendo que você tinha muita gasolina, mas agora você sabe que não havia boa razão para sua confiança. Foi meramente boa sorte que você tivesse combustível suficiente para chegar em casa. Adicionalmente, no futuro, a leitura do medidor nunca mais produzirá o tipo de convicção que você sentiu na última noite – nem deveria.
Há pessoas com um certo tipo de temperamento que são chamadas de céticos. Um cético poderia ter a preocupação passageira sobre ter gasolina suficiente, olhar o medidor, e sentir-se aliviado mas então começar a perguntar-se: “Como eu sei que este medidor funciona corretamente?” Mesmo sem a ligação do amigo na manhã seguinte, o cético pode levar-se a um estado de dúvida onde a leitura do medidor não produz a desejada confiança intelectual.
[11]Uma maneira de reconstruir o raciocínio do cético é a seguinte:
Eu posso estar confiante assim e assim (so-and-so) por causa de tal e tal (such-and-such). Eu estou confiante de que tenho muita gasolina porque o medidor lê três quartos de um tanque.
Se isso e aquilo (this-and-that) fosse verdade, contudo, tal e tal não mais justificaria minha confiança assim e assim. Se o medidor estivesse quebrado, contudo, a leitura de três quartos de um tanque não justificaria minha confiança de que eu tenho muita gasolina.
Isso e aquilo é possível, e eu não posso provar que isso e aquilo não é verdadeiro. O medidor de gasolina pode estar com defeito, e eu não tenho prova de que ele não está.
Portanto, uma vez que tal e tal não pode ser excluído, eu não posso mais estar confiante assim e assim. Portanto, uma vez que o estar quebrado do medidor não pode ser excluído, eu não posso estar certo de que eu tenha muita gasolina.
Há muitas circunstâncias onde esse tipo de pensamento cético é demandado. Um vendedor liga para você e oferece a venda de ações (stock) que valem mais de mil dólares uma participação (share) por apenas cem dólares. É muito melhor que você passe por alguma coisa tal como o seguinte raciocínio:
Eu posso ficar confiante de que a ação é um bom acordo porque o vendedor contou-me.
Contudo, se ele está mentindo, eu não posso confiar nele.
É possível que ele esteja mentido, e eu não posso provar que ele não esteja mentindo.
Portanto, uma vez que a mentira dele não pode ser excluída, eu não posso mais ficar confiante de que a ação valha tanto.
Uma das mais antigas questões em filosofia é se esse tipo de raciocínio pode ser generalizado em todos os sentidos. Deveria nossa confiança intelectual assim e assim – no que nossos sentidos contam-nos, na palavra dos cientistas, ou no que quer que seja – ser enfraquecida por nossa falha em excluir alguma possibilidade de enfraquecimento de confiança?
O Sonho e o Mundo Exterior
Aqui está um argumento cético de propósito geral – uma possibilidade de enfraquecimento de confiança – que bem já pode ter ocorrido com você. E se você não está realmente lendo este livro, mas apenas tendo um sonho vívido de o ler? A possibilidade da vida ser um sonho ou de qualquer instante particular dela ser um sonho excluí a possibilidade de qualquer tipo de conhecimento? Alguns filósofos sugeriram que poderia.
Uma escola inteira de filosofia afirma que os sentidos têm de ser a fonte última de todo conhecimento substantivo. Outras escolas não insistem em que os sentidos devem produzir todo o conhecimento; também pode haver outras fontes. Contudo, todas as partes concordam que os sentidos estão diretamente envolvidos na maior parte do que nós afirmamos conhecer. Isso é o que torna a hipótese do sonho tão séria. De uma vez só, ela sacode nossa confiança em tudo que os sentidos têm a dizer. Você acredita que está em dificuldades na aula de filosofia por causa da nota ruim no topo de seu artigo final. Mas se isso [12]for apenas um sonho, suas experiências de sonho não informar a você nada semelhante ao artigo final. Exemplos concretos podem ser multiplicados sem fim. Parece imperativo que encontremos uma maneira de desviar da hipótese do sonho.
A sabedoria popular, é claro, fornece testes para distinguir vigília de sonho. Você pode checar o seu estado consciente ao beliscar-se ou ver se suas experiências visuais são coloridas. Infelizmente, esses testes são psicologicamente imprecisos. Certamente você tem imaginação suficiente para se beliscar dentro de um sonho. Frequentemente eu tive sonhos onde alguma coisa má ou constrangedora estava acontecendo e, no sonho, eu diria a mim mesmo, “Eu queria que isso fosse apenas um sonho.”
Se não há métodos certos para distinguir estados de vigília dos de sonho, como muitos filósofos afirmaram, então o seguinte argumento é tanto sedutor quanto preocupante.
Eu posso ficar confiante de que há um mundo exterior fora da minha mente por causa do que os sentidos informam-me.
Contudo, se eu estivesse sonhando, minhas experiências sensoriais não mais justificariam minha confiança no mundo exterior.
É possível que eu esteja sonhando agora, e eu não posso prova que eu não estou sonhando.
Portanto, uma que tudo isso ser um sonho não pode ser excluído, eu não posso mais estar confiante de que haja um mundo exterior.
Por ruim que tudo isso pareça, o pior ainda está por vir.
O Maligno Cientista da Computação
Nós sabemos que você pensa que está lendo um livro sobre epistemologia, considerando possibilidades estranhas tais como a vida ser um sonho, e preocupando-se como você será avaliado sobre esse assunto. Desculpe-me pelo ardil. Nós simplesmente não conseguimos pensar em qualquer outra maneira de contar a você. Isso já durou muito tempo; você precisa conhecer a verdade.
Há três anos no último verão, você era um passageiro em uma motocicleta e houve uma terrível colisão. O piloto morreu e você foi trazido vivo ao hospital, mas apenas por pouco. Os doutores rapidamente determinaram que você não tinha muita chance, mas você foi colocado em suporte à vida, enquanto os parentes foram notificados e decisões poderiam ser tomadas.
Agora nós precisamos contar a você sobre o Dr. Malgenius. Ele era um polímata excêntrico com especialidade em medicina, neurofisiologia e ciência da computação. Aconteceu que ele estava despendendo um ano em uma pesquisa no hospital para o qual eles trouxeram seu corpo mutilado. Depois que foi determinado que você não sobreviveria – os ferimentos simplesmente eram muito sérios – sua família foi abordada sobre a possibilidade de colher alguns de seus órgãos para transplantes e pesquisa médica. Nesse momento, o Dr. Malgenius veio adiante com a requisição mais incomum. Revelou-se que seu cérebro sobrevivera ileso à colisão, e Malgenius queria usá-lo para testar sua nova hipótese. Um pouco antes que o suporta à vida fosse desligado, seu cérebro foi cirurgicamente removido e colocado em um ambiente artificial. Ele permanece até hoje em uma cuba de líquido nutriente circulante!
Nós não vamos entrar nos detalhes de sua vida antiga, a poesia promissora ou a alegria na escalada de montanhas; é tudo muito triste. O que você precisa entender é a sua situação atual. Tudo – suas memórias de infância ou de ontem; seus pensamentos, sentimentos, e [13]emoções; seus desejos, esperanças, e medos; tudo isso – é uma ilusão dirigida por computador. A hipótese do Dr. Malgenius era de que um cérebro humano saudável poderia ser vinculado ao supercomputador dele e que um programa de “vida virtual” poderia ser simulado no sistema cérebro-computador. Você é a prova “viva” da teoria dele.
Todos nós envolvidos com esse projeto estamos tristes. Somente nos diga o que fazer; nós respeitaremos seus desejos. O Dr. Malgenius está morto. Ninguém aqui no laboratório brinca mais – fazendo você pensar que vê com clareza intuitiva que 2 + 3 = 5 ou que não há pares primos maiores do que dois e coisas assim. Nós simplesmente poderíamos deixar que seu programa continue, ou nós podemos limpar os bancos de memória. A decisão é sua.
A assim chamada hipótese do cérebro numa cuba (brian-in-a-vat hypothesis) é o que nós poderíamos chamar de última possibilidade de enfraquecimento de confiança. É uma versão atualizada de uma possibilidade primeiramente considerada por Descartes. Ele preocupava-se com um “gênio maligno” semelhante a um deus.
“Portanto, eu suporei que não há Deus, que seja supremamente bom e a fonte da verdade, mas antes algum demônio maligno de extremo poder e artimanha, que empregou todas as suas energias para me enganar. Eu deverei pensar que o céu, o ar, a terra, cores, formas, sons e todas as coisas são meramente desilusões de sonhos que ele inventou para iludir meu julgamento.”5
Quer ela seja afirmada em uma voz contemporânea, de ficção científica, ou naquela de filosofia acadêmica do século XVI, o raciocínio aqui ajusta-se ao padrão familiar.
Eu posso estar confiante de qualquer coisa – ciência, matemática, ou da existência do mundo exterior – por causa dos processos de experiência sensorial e raciocínio lógico em minha mente.
Se eu fosse um cérebro numa cuba enganado por um time de malignos cientistas da computação, qualquer raciocínio ou experiência não mais justificaria minha confiança em coisa alguma.
É possível que eu seja apenas um cérebro numa cuba, e eu não posso provar que eu não sou um cérebro numa cuba.
Portanto, uma vez que eu não posso excluir ser um cérebro numa cuba, eu não posso mais estar intelectualmente confiante em coisa alguma.
Em um sentido, absolutamente não há razão para acreditar que você é um cérebro numa cuba. Eu apostaria que poucos de meus leitores alguma vez teriam considerado uma tal possibilidade. Mas em outro sentido, a hipótese é uma possibilidade de um para um pela qual não há maneira de demonstrar sua falsidade. Como você alguma vez poderia dizer? Que testes você poderia realizar? O Dr. Malgenius é tão astuto que ele poderia fazer você pensar que você apareceu com um argumento correto para derrotar essa possibilidade, mas que o raciocínio mesmo é um de seus truques. Você parece emperrado, e o mesmo ocorre com toda outra pessoa que passou por esse pedaço de raciocínio cético.
Eu Posso Conhecer Alguma Coisa?
A conclusão do argumento acima foi que “Eu não posso mais estar intelectualmente confiante em coisa alguma.” Nós realmente conseguimos colocar tudo em dúvida? O Dr. Malgenius pode levar-nos a ter qualquer experiência que ele queira; se ele pode levar-nos a pensar que 2 + 3 = 5 quando realmente é igual a 7. Ele parece ter o poder de nos iludir sobre virtualmente qualquer coisa que ele escolha.
Descartes notou que virtualmente todas as nossas crenças sobre nós mesmos estavam abertas à dúvida. [14]Dr. Malgenius enganou você sobre quase todos os detalhes sobre você mesmo na pequena história acima.
“Eu deverei considerar-me como não tendo mãos ou olhos, ou carne, ou sangue ou sentidos, mas acreditando falsamente que eu tenho todas essas coisas.”6
Poderia o engano ser tão perfeito que ele enganaria você a acreditar que você existe, mesmo que você não exista? Nós já vimos que ele pode enganar você sobre como você existe – afinal, você é apenas um cérebro numa cuba. Mas, ele poderia levar você a estar enganado quanto ao fato mesmo de sua existência? Descartes pensava que não.
“Mas eu convenci-me de que absolutamente não há nada no mundo, nem céu, nem terra, nem mãos, nem mentes, nem corpos. Não se segue que eu também não existo? Não: se eu convenci-me de alguma coisa então eu certamente existia. Mas há um enganador de poder e astúcia supremos que deliberada e constantemente está enganando-me. Nesse caso indubitavelmente eu também existo, se ele está enganando-me; e deixe-o enganar-me tanto quanto ele possa, ele nunca poderá conseguir que eu nada seja enquanto eu pensar que sou alguma coisa. Assim, após considerar tudo muito cuidadosamente, eu finalmente preciso concluir que está proposição, ‘eu sou, eu existo’ é necessariamente verdadeira sempre que for apresentada por mim ou concebida em minha mente.”7
As possibilidades de enfraquecimento de confiança discutidas acima, eu espero, foram um pouco atraentes. Mas da mesma maneira é o seguinte pedaço de raciocínio. Se eu estou enganado sobre o que o medidor de gasolina está dizendo, tem de haver um “eu (me)” que é enganado. Se eu estou tendo um sonho sobre toda essa coisa, tem de haver um “eu” que está tendo o sonho. Se eu sou um cérebro numa cuba sendo enganado por uma perfeita ilusão de computador, tem de haver um “eu” que é feito de tolo por essa ilusão. Em uma obra diferente sobre esses mesmos tópicos, Descartes expressou essa intuição na famosa frase em latim Cogito ergo sum – eu penso, portanto eu sou (I think, therefore I am). Tem de haver um “eu” que está pensando em qualquer ocasião que eu esteja comprometido com pensamento cético, e assim parece que uma coisa permanece imune às céticas possibilidades de enfraquecimento de confiança.
Os céticos poderiam responder a essa última consideração de uma variedade de maneiras. O inveterado cético poderia lembrar-nos de que o Dr. Malgenius foi capaz de nos enganar sobre coisas tais como 2 + 3 = 5 e que todos os solteiros são não casados. Talvez ele esteja fazendo-nos pensar que seja autoevidente que tem de haver um “eu” para Malgenius enganar-nos quando, de fato, esse pensamento é completamente falacioso. Pessoalmente, eu estou disposto a conceder a Descartes que ceticismo completo é excluído pelo argumento do Cogito. Mas nós precisamos lembrar de que nós conquistamos muito pouco, uma vitória técnica sobre o cético, no melhor dos casos. Se tudo que eu posso reivindicar é que eu existo, então toda matemática, ciência, e o mundo cotidiano estão fechados. Mas são precisamente essas áreas onde as questões sobre o que nós conhecemos são as mais importantes e interessantes.
A Busca pela Certeza
É hora de fazer o balanço dos argumentos até agora. Os céticos realmente nos forçaram a abandonar a maior parte do que nós anteriormente pensávamos que conhecíamos? Se você for como eu, você não está muito feliz com essa conclusão. Infelizmente, lógica e boa evidência frequentemente nos levam a conclusões das quais nós não gostamos mas temos de aceitar. Há alguma esperança de salvar a ciência e o senso comum como fontes confiáveis de conhecimento? Talvez, mas primeiro, nós temos de conceder algum terreno ao cético.
[15]Os padrões intelectuais de certeza e indubitabilidade têm a vantagem de que a pessoa que insiste neles nunca será enganada. O procedimento de Descartes – algumas vezes chamado de dúvida metodológica – é uma maneira muito efetiva de evitar o erro intelectual. Contudo, pode ser que a demanda por certeza absoluta venha por um alto preço. Impacta a maioria de nós como extremo rejeitar tudo o que os sentidos contam-nos ou toda a matemática e a lógica porque nós somos capazes de imaginar bizarras possibilidades de enfraquecimento de confiança. Talvez a lição que nós deveríamos aprender do cético é estabelecer nossos padrões um pouco mais realisticamente. Se a insistência na certeza leva ao ceticismo, e eu estou disposto provisoriamente a conceder que o faz, então nós não deveríamos insistir na certeza.
Eu não estou sugerindo que nós não deveríamos exigir alguns padrões intelectuais muito exatos para aquelas coisas que nós realmente conhecemos. Nós precisamos de critérios rígidos para o conhecimento, mas eles têm de ser suficientemente realísticos para produzir algum exemplo não trivial de conhecimento genuíno. No restante deste livro, eu argumentarei que um conceito desenvolvido de boa evidência permitir-nos-á distinguir muitas instâncias de conhecimento genuíno de outras tentações intelectuais para as quais nós devemos reservar uma saudável atitude cética.
Exercícios
O que é uma possibilidade de enfraquecimento de confiança? Como a possibilidade de uma leva a ceticismo?
Poderia ser que você não esteja realmente considerando este exercício, mas meramente sonhando que você esteja? Como você poderia explicar de uma maneira ou de outra? O que tudo isso diz sobre o conhecimento?
Questionário Dois
No capítulo 2, eu faço uma grande questão sobre o Dr. Malgenius. Explique o que foi essa pequena história (ou exemplo ou experimento de pensamento) – quer dizer, como ela funciona. Qual é o ponto epistemológico que essa história levanta? O que ela conta-nos sobre a natureza do conhecimento? Explique minha visão sugerida sobre a natureza do conhecimento que tenta negar a influência do Dr. Malegnius e outras histórias similares tais como a hipótese do sonho.
ORIGINAL
Johnson, Jeffery L., "Inferring and Explaining" (2019). PDXOpen: Open Educational Resources. 23. p. 9-15. Disponível em :<https://pdxscholar.library.pdx.edu/pdxopen/23>.
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
Notas
1René Descartes, Meditations of First Philosophy, trad. John Cottingham (Cambridge: Cambridge University Press, 1986), 16.
2Descartes, 12.
3Descartes, 12.
4Descartes, 12.
5Descartes, 15.
6Descartes, 15.
7Descartes, 16– 17.
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