Uma Introdução à Epistemologia
7 Epistemologia Social
Por William D. Rowley
Resultados de Aprendizagem do Capítulo
Ao completar este capítulo, os leitores serão capazes de:
Discutir múltiplas maneiras pelas quais as interações sociais afetam o status epistêmico de nossas crenças.
Diferenciar entre teorias de justificação testemunhal (testimonial justification).
Explicar o problema do desacordo entre pares (peer disagreement) e como ele emerge a partir de nossas intuições comuns sobre situações cotidianas.
Comparar e contrastar soluções para os problemas da justificação testemunhal e desacordo entre pares.
INTRODUÇÃO: O QUE É EPISTEMOLOGIA SOCIAL?
Seres humanos são animais sociais. Nós vivemos em redes de interdependência. Nós dependemos uns dos outros para muitas coisas – incluindo a verdade. Crenças verdadeiras evitam que nós comamos cogumelos envenenados, recebamos choques de circuitos ligados, ou nos envolvamos em acidentes de carro. A necessidade de transmitir crenças verdadeiras é urgente porque nenhum de nós, individualmente, pode obter, por nossa própria conta, todas as crenças verdadeiras das quais nos necessitamos. Mas nós sabemos que nem todos falam a verdade. Portanto, nossa dependência em múltiplas dimensões, uns dos outros, para nossas crenças levanta questões epistemológicas. A epistemologia social (ES) é o estudo de como relações e interações sociais afetam as propriedades epistêmicas de indivíduos e grupos.
Este capítulo focar-se-á em duas importantes questões em ES: a epistemologia do testemunho e o desacordo entre pares. A epistemologia do testemunho é central para a ES porque, sem o que os outros nos contam sobre o mundo, nós conheceríamos muito pouco sobre ele. Nós seríamos quase completamente ignorantes de história, ciência e assuntos correntes – para não mencionar as vidas interiores dos outros. Os filósofos referem-se a esse relato (telling) como testemunho – quer ele tome a forma de fala, texto ou alguma outra coisa (Lackey 2006).
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Jennifer Lackey durante uma conferência em Amherst College em 2010. Fotografia por Rose Lenehan, via Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 4.0. |
Embora haja muitas questões dignas de serem perguntadas, o lugar para começar é ponderando:
Sob quais condições o testemunho confere positivo status epistêmico ao seu conteúdo?
Eu me focarei sobre nossa justificação para acreditar em testemunhos. Contudo, nós podemos esperar que o melhor entendimento da justificação testemunhal também nos ajudará a entender o conhecimento testemunhal.1
O testemunho não é a única maneira pela qual os outros afetam o que nós acreditamos. Nós podemos descobrir indiretamente como é o mundo, vendo se outros concordam conosco ou discordam de nós, ou entre eles mesmos. Por essa razão, nós buscamos e valorizamos segundas opiniões como uma verificação de nossas fontes falíveis. Mas, algumas vezes, nós parecemos desdenhar do desacordo. Muitas de nossas crenças mais fortemente sustentadas – filosóficas, religiosas ou políticas – são controversas, e nós sabemos. Também isso representa um quebra-cabeça (puzzle) epistemológico. Para nos conduzir à epistemologia do desacordo, nós perguntaremos:
Qual é a resposta epistemicamente racional à descoberta de que alguém descorda de nós?
Questões epistemológicas sobre testemunho e desacordo são problemas centrais em epistemologia social e serão o foco deste capítulo. As questões epistemológico-sociais seguintes não serão cobertas, mas ainda podem interessar ao leitor:
Epistemologia coletiva: Nós falamos de grupos como tendo intenções e crenças.2 Quando as crenças de grupos estão justificadas ou são conhecimento?3
Agnotologia (Agnotology): Algumas vezes indivíduos ou grupos têm um interesse em outros estando ignorantes de alguma verdade. Como propagandistas, fornecedores (purveyors) de notícias falsas (fake news) e outros exploram a comunicação para tornarem seus alvos ignorantes?4
Injustiça epistêmica: Nem todos os membros de uma rede de comunicação são tratados igualmente. Quais são as consequências epistêmicas dessas desigualdades?5
Democracia epistêmica: Votos podem ser interpretados como testemunhos sobre o melhor candidato ou política? A opinião coletiva é mais provável de produzir a verdade do que a opinião individual? A democracia pode ser justificada sobre tais fundamentos epistêmicos?6
Curiosamente, a filosofia ocidental historicamente negligenciou a epistemologia social. A busca individual da verdade geralmente tem sido sustentada como um exame da falibilidade de nossas fontes sociais de informação, quer na era clássica,7 quer na moderna.8 Interessantemente, fora do ocidente, especialmente na filosofia indiana, tem havido vivo desenvolvimento da epistemologia social.9
A epistemologia social adquiriu nova urgência à luz das rápidas mudanças trazidas por novas tecnologias. Pesquisa revisada por pares (peer-reviewed research) da mais alta qualidade pode ser livremente acessada em uma questão de momentos – bem como podem, teorias da conspiração, manifestos radicais e dicas médicas (medical tips) de celebridades.
TESTEMUNHO COMO UMA FONTE DE CONHECIMENTO E CRENÇA JUSTIFICADA
O que as pessoas nos contam é crítico para o nosso entendimento do mundo. Isso fornece-nos crenças, muitas das quais nós algumas vezes ficamos felizes de chamar de “conhecimento.” Ainda assim, como isso pode ser quando engano (ou outro erro) raramente pode ser excluído? Por que nós pensamos que crenças baseadas no testemunho de outros, alguma vez, podem ser justificadas?
A. Reducionismo
Uma resposta é que nós aprendemos que (algum) testemunho é digno de crença. Uma palavra falada ou escrita é um artefato ou evento no mundo. Talvez o testemunho justifique nossa crença através de nosso aprendizado de que o testemunho se correlacione à verdade. Isso parece ser o que o filósofo escocês David Hume (1711-1776) tinha em mente quando ele escreveu que nossa segurança de testemunho “não é derivada a partir de nenhum outro princípio que não da nossa observação da veracidade do testemunho humano, e da conformidade usual do fatos com os relatos de testemunhas” (Hume [1777] 1993, 74).
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Retrato de David Hume, por Allan Ramsay, via Wikimedia Commons. Essa obra está no domínio público. |
Uma maneira de entender Hume é esta: similar a como nós aprendemos que fumaça é causada por fogo, nós também aprendemos que o testemunho tende a ser verdadeiro. O testemunho só é evidência porque nós temos evidência indutiva baseada em outros tipos de evidência (observação e memória, especialmente). Com efeito, a justificação testemunhal reduz-se a outras formas de justificação.
Nós podemos formular o reducionismo (testemunhal) como se segue: você está justificado em acreditar no testemunho de S de que p, se e somente se:
Você recebe o testemunho de S de que p (você ouve, lê ou, de outra maneira, vem a conhecer sobre ele e entende que o testemunho de S significa que p);
Você tem (amplamente) evidência indutiva, baseada em observação, para a confiabilidade do testemunho de S de que p; e,
p não é derrotado por outra evidência que você tem.
Dessa forma, de acordo com o reducionismo, nós estamos justificados em acreditar no testemunho de alguém apenas se nós temos evidência independente desse mesmo testemunho (por exemplo, sensação, introspecção, ou memórias de sensação ou introspecção) para acreditar nele.
O reducionismo parece uma maneira promissora de responder à nossa questão sobre as condições de crença testemunhal justificada. Ele é bem compatível com o senso comum reflexivo. Se nós sabemos que alguém é especialmente honesto e conhecedor de um tópico, nós temos uma justificação mais forte do que a usual para acreditar no testemunho desse alguém. Por outro lado, se nós sabemos que alguém está inclinado para mentir, nós usualmente não estamos justificados em acreditar no testemunho desse alguém. O reducionismo parece justificar um nível de ceticismo de senso comum sobre testemunho – mas não ceticismo demais.
CAIXA 1 – Resolvendo o Quebra-cabeça da Evidência Faltante
O quebra-cabeça: Testemunho não funciona para a transmissão de evidência. Você contando-me que p não me concede sua evidência para p. Mas eu ainda dependo de sua evidência de alguma maneira. Como eu posso depender de sua evidência sem a ter?
Uma solução em dois passos para reducionistas:
Passo 1. Nós temos evidência indutiva de que as pessoas tendem a seguir normas de comunicação que requerem conhecimento ou evidência quando justificando que p. Assim, o seu testemunho de que p me concede evidência que você tem alguma evidência em suporte de que p (mesmo se eu não sei qual é a sua evidência).
Passo 2. Aplique o princípio de evidência da evidência (PEE), o qual diz, aproximadamente, que, sempre que eu tenho alguma evidência de que você tem alguma evidência em suporte de p, então eu tenho alguma evidência em suporte de p. (E, assim, essa evidência sobre você capacitar-me-ia a raciocinar à conclusão de que p.)
Juntos, os passos 1 e 2 implicam que o seu testemunho de que p concede-me evidência em suporte de p (sem conceder sua evidência para p)(Rowley 2016).
B. Objetando-se ao Reducionismo
Thomas Reid (1710-1796), o escocês contemporâneo e colega de Hume, foi crítico do reducionismo. Consideremos duas objeções “reidianas” ao reducionismo.
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Retrato de Thomas Reid, por Sir Henry Raeburn, via Wikimedia Commons. Essa obra está no domínio público. |
O primeiro problema diz respeito à dependência em relação à observação individual. Para o reducionismo, a única evidência da qual qualquer um pode depender para justificar sua crença em testemunhos é sua própria observação. Mas quantos de nós, realmente, podem reconstruir um bom argumento indutivo a partir de apenas nossa própria experiência, não dependendo de nada que nos foi contado, para pensarmos que o testemunho de um indivíduo é provável de ser verdadeiro? Para Reid, tentar isso seria sem esperança, alegando que, “a maioria dos homens seria incapaz de encontrar razões para acreditar na milésima parte do que é contado a eles” (Reid [1764] 2000, 194). Se Reid está certo, o reducionismo implica que raramente nós estamos justificados em acreditar em testemunhos. É claro, não se segue que o reducionismo seja falso. Talvez nós deveríamos ser céticos sobre a maior parte do que é contado a nós. Mas a maioria dos reducionistas não são céticos sobre testemunhos. Dessa forma, o argumento de Reid é uma objeção poderosa ao reducionismo não cético.10 Chame isso de objeção da evidência não suficiente (OENS).11
Outro problema inspirado por Reid diz respeito às crenças de crianças pequenas. Essa objeção é chamada de objeção do infante/da criança (OIC).12 Essa objeção procede a partir de duas observações. Primeira, crianças muito jovens carecem de muitos dos conceitos que os adultos têm, e têm muito menos experiência sobre a qual basearem suas crenças do que os adultos. Segunda, é óbvio que crianças jovens têm crenças testemunhais justificadas. Contudo, a inocência cognitiva de crianças muito jovens torna muito difícil ver como, de acordo com o reducionismo, elas poderiam ter crenças testemunhalmente justificadas. Assim, a OIC insiste, o reducionismo é falso.
C. Não reducionismo
O testemunho pode justificar crenças sem ser suportado por evidência não testemunhal? Não reducionistas consideram que sim.13 Exatamente como crenças são justificadas sem nenhuma inferência, eles argumentam, assim são as crenças testemunhais.
Uma maneira de expressar o não reducionismo (testemunhal) é a seguinte: você está justificado em aceitar algum testemunho de S de que p, se e somente se:
Você recebe o testemunho dele de que p, e
p está não derrotado.14
Portanto, a justificação testemunhal é bastante simples. Ter o testemunho de alguém de que p, pelo menos, em algum grau, justifica a crença de alguém para acreditar que p.15
Uma objeção ao não reducionismo é que ele justifica a credulidade (gullibility)(Fricker 1994). Se o não reducionismo envolve um direito presuntivo a confiar no que quer que seja contado a você, tudo que é necessário para estar justificado em acreditar em uma proposição, afinal, é alguém dizer a você que ela é verdadeira. Admitidamente, alguém deve não ter derrotadores, mas o não reducionismo não impõe nenhum requerimento de que alguém deve ser vigilante quanto à confiabilidade do testemunho. Sem tal vigilância, derrotadores disponíveis serão menosprezados. Todavia, um requerimento para que alguém monitore a confiabilidade pareceria invalidar o direito presuntivo à crença. Dessa forma, o não reducionismo licencia a credulidade. O problema com a objeção de Fricker, os não reducionistas responderam, é que ela parece assumir que o monitoramento precisa ser, em algum grau, consciente. Contudo, eles argumentam, não há razão para o que o monitoramento não poderia ser inconsciente e automático, a partir do que se segue que alguém ainda pode ter um direito presuntivo à confiança sem ser crédulo (gullible)(Henderson e Goldberg 2006).
D. A Dialética entre Reducionismo e Não reducionismo
O não reducionismo sofre de duas desvantagens teóricas principais, quando comparado ao reducionismo. O reducionismo explica porque nós estamos justificados em depender de testemunhos em termos de um tipo familiar de justificação – justificação indutiva (amplamente). Se o reducionismo é tão explicativamente poderoso quanto o não reducionismo, ele parece que será uma teoria mais simples, beneficiando-se da navalha de Ockham. Além disso, há um problema fenomenal com o não reducionismo. Outras fontes de justificação compartilham de um atraente “apresentação como verdadeiro.” Quando nós parecemos perceber, examinar nossos próprios pensamentos (introspect), lembrar, ou intuir, isso parece para nós como se fosse verdadeiro, mesmo se nós logo rejeitarmos o que parece ser verdadeiro. Considere uma ilusão de ótica como a das linhas de Müller-Lyer (Figura 1).
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Figura 1 – A Ilusão de Müller-Lyer, por Fibonacci, via Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0 |
A visão apresenta as três linhas para nós como tendo diferentes comprimentos, mesmo se nós acreditarmos – soubermos, até – que elas têm os mesmos comprimentos. O testemunho parece ser diferente. Ele não “usa sua verdade sobre sua manga (wear its truth on its sleeve)” da mesma forma que outras fontes de justificação. Mesmo se nós acreditamos “automaticamente” em testemunhos a maior parte do tempo, isso parece ser mais semelhante a nossa conclusão de que há fogo quando nós vemos fumaça. A melhor resposta para o não reducionismo seria oferecer uma explicação de testemunhos como evidência que é tanto independentemente plausível quanto suficientemente permissiva para contar o testemunho como uma forma não redutível de evidência.16
Deixando de lado questões fundamentais sobre evidência, o mais argumento mais poderoso para o não reducionismo é que o reducionismo não pode evitar o ceticismo, quer via a OENS, quer via a OIC.
O reducionista pode dizer alguma coisa em resposta a essas objeções? A questão é complicada demais para lidar extensamente aqui. Em minha visão, a mais promissora resposta à OENS apela para a inferência à explicação melhor.17 Para resumir, pode ser que o reducionista possa tratar de nossas experiências – especialmente do testemunho, da comunicação de maneira mais geral, e de outras interações sociais – como dados, a melhor explicação disponível dos quais é que muitos casos de testemunhos são verdadeiros. Uma tal abordagem para responder à OENS também pode ajudar na respostar ao OIC, se poderia ser argumentado que as explicações muitos simples disponíveis a crianças muitos jovens justificam a crença em testemunhos (Rowley 2016). Alternativamente, o reducionista poderia argumentar que a confiabilidade de testemunhos é tacitamente confirmada enquanto as crianças aprendem que há associações confiáveis entre palavras, contextos de proferimentos, e verdade (Shogenji 2006, 340).
DESACORDO
Surpreendentemente, é apenas nos últimos vinte anos ou aproximadamente que filósofos se tornaram especialmente interessados na significância epistemológica do desacordo. Aqui, primeiro, eu direi alguma coisa sobre o desacordo no geral, estabelecendo alguns conceitos básicos e sublinhando um papel importante que o desacordo desempenha na formação de nossas visões sobre o mundo. Em seguida, eu indicarei um espinhoso problema filosófico que emerge.
O mero fato do desacordo é banal. Se nós interagimos com outros, nós encontramos desacordos frequentemente. Se nós temos quaisquer crenças políticas de qualquer maneira, não será difícil encontrar alguém que discorde. Por outro lado, muitos de nossos desacordos surgem e são resolvidos sem muita fanfarra. Considere qualquer coisa que você teve de fazer em cooperação com mais alguém: um projeto em grupo, consertar um carro, ou jogar em um time. Crenças diferentes sobre objetivos, procedimentos, divisão de trabalho, e assim por diante, surgem e evoluem através do curso da colaboração. Alguns desses desacordos causam conflitos, alguns momentâneos, alguns duradouros.
Esses desacordos nos oferecem, como David Christensen coloca, “oportunidades para autoaperfeiçoamento epistêmico” (Christensen 2007, 187). Nós sabemos que somos falíveis e limitados em nossa evidência em primeira mão sobre o mundo. Nós valorizamos explicações de testemunhas oculares e opinião especializada, não apenas porque elas podem nos informar, mas porque elas podem nos corrigir quando nós temos uma opinião falsa. Pelo menos durante uma parte do tempo, a resposta justificada ao descobrir que alguém discorda de nós é ajustar nossas crenças com as respostas de outras pessoas.
É claro, nem sempre é o caso de que nós deveríamos abandonar nossa crença de que p quando nós descobrimos que mais alguém acredita que p é falso. Se a explicação melhor de nossa diferença de opinião não é que a outra pessoa tem uma evidência da qual eu careço, mas que ela é ignorante, mal informada, preconceituosa (biased) ou mentalmente comprometida (por exemplo, inconsciente (concussed), bêbado, delirante, etc.), provavelmente, isso não justifica minha cessação de acreditar como eu acredito.18
O resultado (upshot) é que, algumas vezes, o desacordo fornece a nós evidência sobre como é o mundo. Ele faz isso ao nos conceder evidência sobre as crenças que outras pessoas têm sobre o mundo. Isso muda o nosso corpo de evidência e o que é justificada para nós acreditarmos.
CAIXA 2 – A Evidência do Princípio da Evidência e Desacordo
O PEE (ver caixa 1) também contribui para nosso entendimento do desacordo. O princípio sugere que, usualmente, descobrir que um especialista acredita que p (onde p está em sua área de especialidade) é forte evidência para que p – mais forte do que qualquer evidência concorrente que um novato é provável de ter. Usualmente, a coisa racional para o novato é concordar com o especialista. Por outro lado, se nós descobrimos que um par (peer) discorda de nós sobre p, nós aprendemos que um comparável corpo de evidência suportando a visão dele sobre p (e não a nossa) provavelmente existe. Pelo PEE, essa é evidência para nós sobre p – e, usualmente, parcial ou completamente, derrota nossa evidência original relativa a p, justificando algum grau de conciliação.
A importância do desacordo como uma fonte de evidência está corporificada em várias práticas nas quais nos envolvemos. Especialistas compreendem que segundas opiniões confirmam ou desconfirmam nossos julgamentos iniciais. A revisão acadêmica por pares formaliza essa checagem de nossa falibilidade ao arriscar a possibilidade de que os especialistas discordarão das conclusões de autores do novo trabalho na disciplina deles. Outra prática é criar “espaço” para desacordo. Onde indivíduos são livres e até encorajados a darem voz aos desacordos deles, o grupo é menos provável de cair em pensamento de grupo (groupthink) injustificado ou em outros vieses. Essa é uma das razões pelas quais, usualmente, há proteções da liberdade acadêmica para estudantes e corpo docente (faculty) no interior das universidades. Por razões similares, usualmente, a liberdade de discordar publicamente é legalmente protegida em democracias liberais.
A. Desacordo entre Pares
Suponha que nós dois temos termômetros. O seu lê 30. O meu lê 70. Em qual nós deveríamos acreditar? Se nós acrescentarmos que calibramos cuidadosamente o seu e descobrimo-lo muito confiável, enquanto o meu não é, então, pareceria que nós deveríamos acreditar no seu. Mas e se nós testamos ambos e, até agora, descobrimo-los igualmente confiáveis? Não costuma ocorrer, em um tal caso, apelo para nossa propriedade (ownership) do termômetro – que, obviamente, é irrelevante. Se nós não temos nenhuma outra evidência sobre termômetros ou temperatura (suponha que você está em uma traje espacial (spacesuit) e não pode sentir o ar por si mesmo), então, parece que nós deveríamos suspender o nosso julgamento sobre qual termômetro está correto.19
Agora, imagine que esses termômetros estão em nossas mentes – ou melhor – são nossas mentes. Suponha que você acredite que p e eu acredite que p é falso. Se nós dois sabemos que é mais provável que você esteja certo – digamos, nós sabemos que você é inteligente, tem uma consideração sóbria, justa (fair-minded) de toda a evidência, e assim por diante, enquanto eu tenho apenas uma leitura apressada de uma fonte de valor duvidoso – então, parece que eu deveria tratar sua crença sobre p como alguma coisa semelhante a um testemunho. Eu deveria mudar minha visão e adotar a sua. Mas e se nós dois somos pares epistêmicos sobre p, e nós sabemos disso? Em outras palavras, suponha que nós sabemos que nós estamos igualmente epistemicamente situados com respeito a p e, portanto, igualmente prováveis de ter a verdade. Se a analogia com o termômetro vale, então, parece como se nós estamos justificados apenas na suspensão do julgamento sobre p uma vez que nós descubramos sobre o desacordo. Colocado de outra maneira, nós deveríamos conciliar – adotando uma atitude mais próxima da atitude de nosso par do que a nossa atitude inicial (Elga 2007).20
A conciliação parece explicar o valor do desacordo ressaltado acima. A revisão em pares é valiosa porque nós descobrimos quem é, pelo menos, tão provável de estar certo quanto nós estamos e, se nós descobrirmos que eles discordam, nós diminuímos nossa confiança e descobrimos nova evidência (ou, pelo menos, uma razão para pensar que, de qualquer maneira, nós não somos pares).
Contudo, há algumas coisas que deveriam nos conceder uma pausa antes de simplesmente concordar que nós sempre deveríamos conciliar quando nós descobrimos um desacordo em pares conosco.
A resposta conciliatória ao desacordo entre pares – ou conciliacionismo – parece ter sérias consequências céticas. Crenças controversas frequentemente são centrais para nossa visão de mundo: elas incluem crenças políticas, religiosas, científicas ou filosóficas. Todavia, para a maior parte dessas crenças, ou você conhece sobre as pessoas que parecem ser seus pares ou são especialistas com respeito àquelas crenças, e quem discordam de você. Adicionalmente, mesmo se você não conhecer indivíduos específicos que se qualificam, você provavelmente está justificado em acreditar que, em algum lugar do mundo, há um tal par, se não um especialista, que discorda de você.21
Isso sugere base para um tipo limitado de ceticismo – mas não um insignificante. Você acredita que um deus existe? Você acredita que não existe um? As chances são de que você conhece quem é tão justo, inteligente e familiarizado com os argumentos relevantes como você é (se não mais). Se você encontrar uma tal par, pareceria que você tem uma razão para abandonar sua própria crença (ou enfraquecê-la). Afinal, que razão não arbitrária você tem para preferir o seu julgamento ao do seu par? O resultado é que nós podemos ter algumas razões poderosas para ceticismo sobre uma inteira variedade de proposições controversas – razões para, ou enfraquecer nossa confiança, ou suspender completamente nosso julgamento sobre proposições que podem ser bastante importantes para nós.22
B. Ceticismo Resistente
Há maneiras de resistir a esse argumento cético? Nós poderíamos chamar de a visão (não cética) de que algumas vezes (ou frequentemente) está justificada em continuar sustentando nossa atitude original em face do desacordo entre pares, em cenários como os acima, de visão firme (steadfast view).23
Objeção 1 (ao argumento cético): Talvez pares não sejam tão comuns. Se você e eu somos exatamente tão prováveis de estarmos certos sobre p e eu sei disso, então parece que eu estou sendo arbitrário em continuar a acreditar como eu acredito sobre p quando eu descubro que você discorda de mim. Mas quão frequentemente é que nós sabemos (ou estamos fortemente justificados de) que nós somos exatamente tão prováveis de estar tão certos quando mais alguém? Talvez, as consequências céticas possam ser evitadas porque reais pares epistêmicos conhecidos sejam raros.24
Isso parece inicialmente promissor como um meio de defender nossas crenças controversas. Não há tantos caso ideias nos quais nós e alguém com quem nós discordamos estão perfeitamente balanceados em nosso desacordo sobre algum p. Contudo, um pouco mais de consideração mostra que essa resposta somente vai tão longe. Quão mais provável é, em minha evidência, que eu e você sejamos pares competentes, mais evidência eu obtenho, a partir de descobrir sobre o seu desacordo comigo, de que a sua visão é a correta. Pense nisso desta maneira: mesmo se eu justificadamente acreditar que meu termômetro é mais provável de ser preciso do que é o seu, eu não posso simplesmente desprezar a leitura do seu termômetro. Ela é evidência. Se ela discorda do meu termômetro, ela é alguma evidência de meu termômetro está errado. Quão mais próximo em precisão o seu termômetro está do meu, mais forte é a evidência de que o meu termômetro está errado e mais perto da suspensão do julgamento eu deverei chegar.
Objeção 2 (ao argumento cético): Poderia ser considerado que o argumento para conciliação é autodestruidora (self-defeating). Filósofos discordam sobre a resposta correta ao desacordo em pares. Parece como se tudo que um oponente da conciliação tem a fazer para “vencer” o argumento é continuar a sustentar a sua posição. O “conciliacionista” deveria seguir o seu próprio conselho e, ou vir a concordar com o seu oponente, ou continuar a discordar com menos confiança do que antes. Se eles ainda discordam após essa conciliação inicial, eles deveriam novamente seguir seu conselho e, ou concordarem com seus oponentes, ou tornarem-se menos confiantes do que eles estavam. Que isso continue por um tempo e eles não mais estarão justificados em acreditarem no conciliacionismo. Assim, pareceria que o conciliacismo derrota a si mesmo, enquanto o seu oponente se mantiver firme.
O principal problema com essa objeção é que ela não mostra que o conciliacionismo é falso. No melhor dos casos, ela mostra que ele poderia ser verdadeiro e, todavia, não ser justificado para crença.25 Adicionalmente, se o “par” não conciliador não puder fornecer uma boa explicação de porque ele também não está conciliando, isso pode enfraquecer a evidência que o conciliacionista tem, em primeiro lugar, para conciliação.
CAIXA 3 – Singularidade Racional
Singularidade racional (SR) é o princípio de que cada corpo de evidência suporta somente uma atitude em relação a uma proposição. Uma maneira de defender uma visão firme seria argumentar que o SR é falso. A alternativa ao SR é o permissivismo racional (PR). De acordo com o PR, dois pares poderiam justificadamente discordarem sobre p, porque eles dois têm atitudes na variedade que a evidência permite.
O PR tem uma consequência curiosa. Ele significa que, para um único corpo de evidência, tanto p quanto não p poderia estar justificadas para crença. Dessa forma, alguém verdadeiramente poderia dizer, “p, mas minha evidência igualmente suporta não p.” Mas isso soa completamente errado aos meus ouvidos. Quando a evidência posiciona igualmente alguém com respeito a p e não p, “eu não tenho nenhuma ideia se p” soa muito melhor. Nesse caso, a suspensão do julgamento é a única atitude justificada, de acordo com o SR.26
Também não é claro que o PR fará muito contra o argumento cético. A razão tem a ver com a variedade de atitudes permitidas para um dado corpo de evidência. Uma grande variação permitiria a dois indivíduos, confiantemente, a acreditarem que p, por um lado, e que não p, por outros. Mas uma variedade tão grande é altamente implausível. Por outro lado, uma variedade estreita poderia ser plausível, mas faria muito pouco para pôr de lado o argumento em favor do ceticismo conciliacionista. Uma variedade tão estreita poderia deixar ambos os disputadores apenas justificados em sustentarem uma crença muita fraca de que p ou não p.
É revelador que mesmo aqueles que discordam do conciliacionismo em teoria concordam em prática que conhecer sobre o desacordo entre pares frequentemente exige um tipo de humildade epistêmica. Saber sobre o desacordo entre pares deveria fazer-nos menos confiantes na precisão de nosso julgamento inicial – deveria exercer algum grau de “pressão cética” sobre nossas crenças. Em minha própria visão, é vitalmente importante estar consciente de que nós não formamos nossas crenças – mesmo as nossas mais estimadas e importantes – em um vácuo, epistemicamente isolados de outras mentes. Nós já estamos mais interconectados do que alguma vez estivemos. Consciência do desacordo é um tônico para os males das câmaras de eco digitais nas quais cada lado de uma controvérsia parece desatento (oblivious) do outro – porque os filtros digitais, não a qualidade da evidência, dá a aparência de acordo em cada lado. Qualquer um que não consiga encontrar um par discordante (ou alguém suficientemente próximo) para suas crenças políticas, filosóficas e religiosas mais estimadas – faria bem em sair dos confins estreitos de tais círculos sociais epistemicamente limitadores. Empenhe-se, e não demorará muito para os encontrar.
Questões para Reflexão
Como o termo “testemunho,” como usado em epistemologia, difere de seu uso na vida cotidiana?
Uma atitude difundida é que há uma grande classe de testemunho que nós deveríamos estar dispostos a dispensar (por exemplo, fofoca, rumores, manchetes de tabloide e teorias da conspiração). Dado que o testemunho é uma importante fonte de nossa justificação e conhecimento, como essa atitude pode ser defendida? Há alguma coisa diferente sobre essa classe de testemunho enquanto oposta a, digamos, acreditar no estranho mediano na rua a quem você pergunta pelas direções?
Há uma forte ênfase em sociedades liberais, democráticas em aprendermos a pensar por nós mesmos e formularmos nossas próprias crenças. Ademais, tal autonomia epistêmica é protegida por um “direito a nossa própria opinião.” Isso seria um bom argumento contra depender epistemicamente de testemunho? Como alguém poderia responder a esse argumento?
É o reducionismo ou o não reducionismo a teoria mais plausível de justificação testemunhal? Por quê?
Nem todos os desacordos aparentes são genuínos. Algumas vezes parece que duas pessoas discordam porque elas estão falando de coisas diferentes uma para a outra (“talking past” one another). A diferença delas é “meramente verbal.” Você consegue pensar em um exemplo onde você mesmo experienciou isso? Quais, se alguma, são as ramificações epistêmicas desse fenômeno?
Como um “par epistêmico (epistemic peer)” difere de um “par (peer)” no sentido ordinário do termo? Dada uma mediana aula de introdução à filosofia, determine se cada uso do termo plausivelmente se aplica a todos os colegas de aula com respeito a questões em epistemologia, política, ciência e assim por diante.
A maioria dos cientistas acreditam que a mudança climática induzida pelo homem é tanto real quanto urgente. Considere um cético climático não especialista, quem se encontra com essa concordância (agreement). Baseando-se em suas visões sobre a epistemologia do testemunho, desacordo e semelhante, qual é a posição epistêmica apropriada para essa pessoa em consequência de um tal encontro.
O conciliacionismo realmente requer conciliação repetida com pares aparentes que se recusam a conciliar? Talvez a conciliação possa ser interpretada de maneira que, após a primeira instância, ficar ai (staying put) é uma maneira de sustentar a conciliação que alguém já conseguiu. Nenhum ajuste adicional é necessário. Essa é uma visão plausível? Se sim, ela seria outra maneira de parar a ladeira escorregadia (slippery slope) para o ceticismo?
Considere duas pessoas que “concordam em discordar” sobre algum assunto. É possível, dado o conciliacionismo, para ele reconhecerem uma a outra como parece razoáveis?
LEITURA ADICIONAL
Epistemologia Social
Goldman, Alvin e Cailin O’Connor. 2019. “Social Epistemology.” In The Stanford Encyclopedia of Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/fall2019/entries/epistemology-social/
Goldman, Alvin e Dennis Whitcomb, eds. 2011. Social Epistemology: Essential Readings. New York: Oxford University Press.
Testemunho
Adler, Jonathan. 2017. “Epistemological Problems of Testimony.” In The Stanford Encyclopedia of
Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/win2017/entries/testimony-episprob/
Gelfert, Axel. 2014. A Critical Introduction to Testimony. New York: Bloomsbury Academic.
Green, Christopher. “Epistemology of Testimony.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy. https://www.iep.utm.edu/ep-testi/
Lackey, Jennifer e Ernest Sosa, eds. 2006. The Epistemology of Testimony. New York: Oxford University Press.
Desacordo
Christensen, David e Jennifer Lackey, eds. 2016. The Epistemology of Disagreement: New Essays. New York: Oxford University Press.
Feldman, Richard e Ted A. Warfield, eds. 2010. Disagreement. New York: Oxford University Press.
Matheson, Jonathan e Brian Frances. 2018. “Disagreement.” In The Stanford Encyclopedia of
Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/win2019/entries/disagreement/
REFERÊNCIAS
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ORIGINAL:
ROWLEY, D. R. Social Epistemology. In. BARNETT, B.C. Introduction to Philosophy: Epistemology. Rebus Community: 2021. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/social-epistemology/>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1 Eu estou fazendo a suposição comum de que, para conhecer que p, alguém precisa estar justificado em acreditar que p. Ver o capítulo 1 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/the-analysis-of-knowledge/) deste volume, por Brian C. Barnett.
2 Alguns incluem a análise da crença de grupo mesma sob a categoria da ES (Goldman e O’Connor 2019). Embora relacionada à ES, eu classificaria a análise da crença de grupo como um tópico em metafísica.
3 Ver Lackey (2014).
4 Ver Proctor e Schiebinger (2008).
5 Para aqueles interessados em injustiça epistêmica, ver o capítulo 8 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/feminist-epistemologies/) deste volume, por Monica C. Poole.
6 Ver Goldman e O’Connor (2019).
7 Por exemplo, a crítica da religião grega por Sócrates (469-399 a.C.) foi uma das razões porque ele foi julgado pelos atenienses (Platão [ca. 390 a.C.] 2009).
8 Por exemplo, os trabalhos epistemológicos de René Descartes (1596-1650) e John Locke (1632-1704) podem ser vistos ambos como respostas ao desacordo generalizado sobre os fundamentos da crença religiosa. Para uma visão geral da epistemologia cartesiana e lockeana, ver o capítulo 3 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/sources-of-knowledge-rationalism-empiricism-and-the-kantian-synthesis/) deste volume, por K.S. Sangeetha.
9 Para uma visão geral, ver Phillips (2019) e Matilal e Chakrabarti (1994).
10 Para uma versão inicial e acessível desse argumento, ver Anscombe ([1979] 2008). Para uma versão mais recente e influente, ver Coady (1992), especialmente o capítulo 4 dessa obra.
11 Ver Rowley (2012).
12 Ver Lackey (2005) e Goldberg (2008).
13 Alguns proponentes representativos de versões de não reducionismo incluem Reid (1764), Coady (1992), Weiner (2003), Graham (2006) e Goldberg (2008).
14 Deveria ser observado que há muita variação na maneira em que os termos “reducionista” e “não reducionista” são usados em filosofia. Reconhecendo isso, eu optei por uma formulação simplificada das duas visões. Uma discussão construtiva das formulações de reducionismo e não reducionismo pode ser encontrada em Greco (2012).
15 Eu digo “algum grau” porque alguém pode ter alguma justificação para acreditar que p sem ter justificação em equilíbrio para acreditar que p. Um não reducionista poderia sustentar que p é verdadeiro sempre que há alguma razão para acreditar que p, mesmo se não for necessário haver evidência suficiente para acreditar que p. Uma visão desse tipo é proposta por Graham (2006). Contudo, por simplicidade, eu tratarei o não reducionismo como se ele fornecesse justificação para crença na ausência de quaisquer derrotadores.
16 Ver Burge (1993) e o capítulo 9 em Coady (1992) para exemplos de tais tentativas. Uma discussão crítica pode ser encontrada em Malmgren (2006).
17 Para uma defesa do reducionismo que faz uso da inferência à explicação melhor, ver Lyons (1997) e Fricker (2017). para uma crítica desse tipo de defesa, ver Malmgren (2006). Para discussão do papel da inferência à explicação melhor na justificação epistêmica, ver o capítulo 2 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/epistemic-justification/) deste volume, por Todd R. Long. Para discussão da relação entre explicação melhor e probabilidade, ver o capítulo 6 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/epistemology-probability-and-science/), por Jonathan Lopez.
18 Poderia ser considerado que a epistemologia do desacordo simplesmente é uma subquestão no interior da epistemologia do testemunho. Todavia, enquanto o testemunho frequentemente é evidência de que alguém discorda de nós, nem toda evidência do desacordo é testemunhal. Eu posso inferir que nós discordamos ao observar o seu comportamento. Suponha que eu coma os últimos biscoitos no pote e, portanto, acredite que o pote de biscoitos está vazio. Quando eu observo você aproximar-se do pote como se para o abrir, eu posso ter evidência de que você acredita que ele não está vazio.
19 Para uma discussão da analogia do termômetro, ver White (2009).
20 Também ver Matheson e Frances (2018) para uma discussão adicional de conciliação e respostas firmes ao desacordo.
21 Para uma discussão da potencial força cética do desacordo meramente possível (em vez do efetivo), ver (2011).
22 Para aqueles interessados em argumentos céticos tradicionais, ver o capítulo 4 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/skepticism/) deste volume, por Daniel Massey.
23 Observe que a verdade da visão firme pode não ser suficiente para evitar o ceticismo. Não costuma ser suficiente que às vezes nós estamos justificados em sustentar nossa visão original em face do desacordo. Nós precisamos estar justificados em o fazer em muitos daqueles casos do mundo real nos quais crenças científicas, políticas, filosóficas e religiosas estão ameaçadas pela conciliação. Defensores da visão firme incluem Kelly (2005), Kelly (2010). Lackey (2010) e Huemer (2011).
24 Para uma discussão, ver King (2012).
25 Lembre-se de que verdade e justificação podem divergir, assumindo o falibilismo. Ver os capítulos 1 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/the-analysis-of-knowledge/), capítulo 2 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/epistemic-justification/), capítulo 4 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/skepticism/) e capítulo 6 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/skepticism/) deste volume para discussão desse ponto.
26 Ver a caixa 1 no capítulo 2 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/epistemic-justification/) deste volume, para outro argumento em favor da suspensão do julgamento em casos nos quais a evidência favorece igualmente a p e a não p.





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