quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Introdução Animais & Ética 5 Usando e Comendo Animais

Introdução Animais & Ética: Pensando Criticamente sobre os Direitos dos Animais


Por Nathan Nobis


Capítulo anterior


[45]Capítulo 5 Usando e Comendo Animais


Visão Geral


A organização de defesa animal Vegan Outreach observa que “O número de animais mortos a cada ano por causa do pelo nos EUA é aproximadamente igual à população de Illinois. O número de animais mortos a cada ano em experimentação nos EUA é aproximadamente igual à população do Texas. O número de mamíferos e pássaros que são criados e abatidos a cada ano nos EUA é aproximadamente igual a um e dois terços a inteira população humano da Terra. Mais de 99% dos animais mortos nos EUA a cada ano morrem para ser comidos.”1 Este capítulo se focará em argumentos morais favoráveis e contrários ao uso de animais por causa da pele e como comida (assim como em diferentes tipo da produção de comida animal, por exemplo, “confinamento (factory farm)” versus “pecuária tradicional (traditional animal husbandry)”) assim como as relações entre esses argumentos: o que alguém pensa sobre a moralidade da indústria do pelo poderia ter implicações para a moralidade das indústrias da carne, dos laticínios (dairy) e do ovo.


Leituras


Sobre a Indústria de Peles:

EMPTY CAGES – PART III SAYING AND DOING

EMPTY CAGES – 5. What We Learn from Alice

EMPTY CAGES – PART IV THE METAMORPHOSES

EMPTY CAGES – 7. Turning Animals into Clothes


OPCIONAL Para Ler & Assistir sobre a Indústria de Pelos:

Representantes da indústria de pelos:

Críticos da indústria de pelo:


Sobre as Indústrias de Pecuária (Animal Agriculture):

EMPTY CAGES – 6. Turning Animals into Food

ANIMAL LIBERATION – 3. Down on the Factory Farm … Ou o que aconteceu com o seu jantar quando ele ainda era um animal

ANIMAL LIBERATION – 4. Becoming a Vegetarian … Ou como produzir menos sofrimento e mais comida a um custo reduzido para o meio ambiente

ANIMALS LIKE US – Ch. 5. Using Animals for Food


Gruen: 3. Eating animals (opcional)


Jan Narveson, “A Defense of Meat Eating” (2 páginas): http://ethicsandanimals.googlepages.com/narveson.pdf (Ver as discussões sobre o contratualismo ou o contrato social, por Rachels e Regan, na semana um).


Temple Grandin, “Thinking Like Animals” (3 páginas; a última meia página é onde a “ética” é oferecida): http://ethicsandanimals.googlepages.com/grandin.pdf


[47]Ray Frey, “Utilitarianism and Vegetarianism Again: Protest or Effectiveness?”:

http://ethicsandanimals.googlepages.com/frey-veg.pdf


Opcional: Peter Singer & Jim Mason, Ch. 17, “The Ethics of Eating Meat,” pp. 241- 273, de The Way We Eat: Why Our Food Choices Matter (Rodale 2006): http://ethicsandanimals.googlepages.com/way-we-eat.pdf


Opcional: As seguintes fontes, entre outras, são discutidos neste capítulo:


Recomendações para Ler & Assistir:

Alguns defensores da pecuária:


National Chicken Council: http://www.nationalchickencouncil.com/

US Poultry and Egg Association: http://poultryegg.org

United Egg Producers: http://www.uepcertified.com/


Contém VÍDEO: The Veal Farm: http://www.vealfarm.com

Contém VÍDEO: “Dairy Farming Today”: http://www.dairyfarmingtoday.org


[48]National Pork Producers Council: http://www.nppc.org/public_policy/animal_health.html

National Pork Board: http://www.pork.org, http://pork4kids.com/


National Cattleman’s Association: http://beef.org e http://www.beeffrompasturetoplate.org/animalwelfare.aspx


Defendores do não confinamento/pecuária intensiva:


Alguns críticos da pecuária:


Sobre vegetarianismo e veganismo:


Compassionate Eating as Care of Creation,” por Matthew Halteman, sobre a intersecção de ética animal e questões de fé (a partir de uma perspectiva cristã): http://www.hsus.org/religion/resources/compassionate_eating_as_care_.html

Christian Vegetarian Association: http://www.all-creatures.org/cva/

Jewish Vegetarians: http://www.jewishveg.com/


[51]Pele e Comida


Filósofos frequentemente não discutem a indústria de peles. Contudo, a indústria de peles é imensa. E muitas pessoas que não se consideram fortes defensores dos animais alegam opor-se a ela. Contudo, se nós perguntarmos a elas porque elas se opõem a ela, elas frequentemente dão razões que parecem implicar que o assassinato de animais para comida também é errado. Contudo, essas mesmas pessoas resistem a essa conclusão. Portano, a escolha delas, se elas desejarem permanecer consistentes, é revisar sua visão sobre a indústria de peles, revisar sua visão sobre as indústrias da carne, de laticínios e do ovo, ou descobrir uma diferença relevante entre as indústrias da pele e pecuária, de maneira que uma seja errada e a outra não. Elas podem fazer isso?


Desafios Pessoais e Lógica


Em meus 15 anos ou algo assim de experiência ensinando cursos de ética, eu descobri que nenhum tópico evoca o melhor e o pior racional e emocional nas pessoas do que questões éticas sobre usar e comer animais. Isso não é uma surpresa, uma vez que, diferentemente de questões [sobre] o que outras pessoas deveriam fazer, questões morais sobre animais são pessoais. Como o filósofo Peter Singer observou, “Para a maior parte dos seres humanos, especialmente nas modernas comunidades urbanas e sub-urbanas, a forma mais direta de contato com animais não humanos é nas horas de refeição: nós comemos eles”2 (e usamos eles). Portanto, para a maioria de nós, o nosso comportamento é desafiado quando nós refletimos sobre as razões dadas para pensarmos que a mudança é necessária em nosso tratamento de, e em nossas atitudes em relação a, os animais. Que a questão é pessoal apresenta desafios únicos, e grandes oportunidades, para progresso intelectual e moral.

Neste capítulo nós examinaremos a suposição comum de que não há nada errado em machucar animais – causa-lhes dor, sofrimento e uma morte prematura – de maneira que eles possam ser comidos e usados. O nosso método, útil para o melhor entendimento de todos os debates éticos, é [52]identificar as conclusões morais não ambíguas e precisas e tornar explícita todas as razões em favor da conclusão, não deixando nenhuma suposição não expressa. Especialmente importante será a terceira das três regras (introduzidas no capítulo 1) para a identificação e avaliação de argumentos:

  1. Torne a(s) conclusão(ões) e premissa(s) expressas precisas em quantidade: se alguma coisa é dita ser verdadeira (ou falsa) de todas (all) as coisas (ou pessoas, ou animais, etc) ou apenas de algumas (some) delas (e se assim, de quais?)?

  2. Clarifique o(s) sentido(s) intencionado(s) de palavras obscuras ou ambíguas nas conclusões ou premissas.

  3. Expresse (qualquer) premissa pressumida de modo que o padrão completo de raciocínio em um argumento seja exibido e seja claro como a(s) premissa(s) logicamente conduzem à conclusão.

As pessoas frequentemente tentam argumentar que matar animais para comer é moralmente permissível oferecendo uma premissa rápida como, “Carne tem gosto bom,” ou “Eu sempre comi carne.” Elas não parecem compreender que elas parecem assumir as premissas de que se alguma coisa tem gosto bom então é permissível matá-la para a comer (e se bebês tivessem gosto bom?!) e de que se você sempre realizou alguma ação então realizar essa ação é moralmente permissível, outra premissa possivelmente falsa.


Danos a Animais (e Humanos): os Fatos


Por que o tratamente de animais é uma questão moral? A resposta simples é que animais são machucados (harmed) por práticas requeridas para os trazer aos nossos pratos e colocá-los em nossas costas, e danos (harms) necessitam de defesa moral. Esta unidade analisa o caso a favor dessas indústrias sendo extremamente prejudiciais (harmful) a animais e examina as respostas das indústrias a essas mudanças. Danos a humanos ao comerem animais (ou comerem excessivamente animais) também são detalhados. Considere a declaração de posição sobre vegetarianismo de uma autoridade líder sobre nutrição, baseada na América do Norte, sobre análise dela, em dezesseis páginas, da recente pesquisa nutricional:


[53]“É a posição da Associação Dietética Americana que dietas vegetarianas apropriadamente planejadas, incluindo dietas totalmente vegetarianas ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas, e podem fornecer benefícios de saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças. Dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para indivíduos durante todos os estágios do ciclo de vida, incluindo gravidez, lactação, primeira infância (infancy), infância (childhood), e adolescência, e para atletas. … uma análise baseada em evidência mostrou que dietas vegetarianas podem ser nutricionalmente adequadas na gravidez e resultar em positivos resultados de saúde maternos e para o infante. Os resultados de uma análise baseada em evidência mostraram que uma dieta vegetariana está associada com um menor risco de morte a partir de doença cardíaca isquêmica. Os vegetarianos também parecem ter níveis mais baixos de colesterol de lipoproteína de baixa densidade, pressão sanguínea mais baixa, e taxas mais baixas de hipertensão e diabetes tipo 2 do que não vegetarianos. Adicionalemente, os vegetarianos tendem a ter índice de massa corporal mais baixos e menores taxas de cancêr no geral. Características de uma dieta vegetariana que podem reduzir o risco de doença crônica incluem ingestões menores de gordura saturada e colesterol e ingestões maiores de frutas, vegetais, cereais integrais, castanhas, produtos de soja, fibras e fitoquímicos.”3

O comportamente ético pode requerer autosacrifício; contudo, essa pesquisa científica sugere que o comportamente ético – ou seja, se matar para os comer é errado – pode levar a benefícios pessoais de saúde.


Confinamento versus Vegetarianismo versus Veganismo versus Pecuária “Humana” versus .??


Para retornamos ao primeiro capítulo, nós podemos imaginar o “caso do gato (cat case)” de Regan transformado em um animal de pele valiosa (fur-bearer) e um animal criado (farmed) para comida. Aqui estão alguns exemplos:

  1. [54]Qualquer (ou quase qualquer) uso de animais é moralmente permissível; não há obrigações morais com animais.

  2. Machucar seriamente animais (ou seja, causar-lhes dor e sofrimento) é moralmente permissível, contanto que eles sejam abrigados em jaulas confortáveis.

  3. Machucar seriamente animais é moralmente permissível, contanto que eles sejam abrigados em jaulas confortáveis, tratados gentilmente e mortos sem dor.

  4. Machucar seriamente animais é tipicamente moralmente errado, mesmo se eles forem abrigados em jaulas confortáveis, tratados gentilmente e mortos sem dor.

A opção (C) é projetada para ser análoga à assim chamada criação (farming) e abate animal “humano.” Enquanto todos concordam que isso é melhor para animais do que o confinamento (factory farming), a questão permanece: esse tratamento de animais é moralmente permissível ou não? Se alguma coisa como a opção (D) é a opção mais eticamente defensável, então (C) não é.


Assassinato “Indolor” e “Humano”


A opção (C) inclui a alegação frequentemente ouvida de que “se animais forem mortos sem dor, então isso é moralmente Ok.” Essa suposição poderia ser verdadeira, mas vale a pena notar que nós rejeitamos isso sobre nós mesmos. Na maioria dos casos, se nós fôssemos mortos, mesmo “sem dor,” nós seríamos privados de nossos (esperançosamente valiosos) futuros: tudo que nós teríamos experienciado é tirado de nós. Na medida em que animais têm futuros, e matá-los impede que eles experienciem esses futuros (e quaisquer boas experiências que ele teriam tido), parece que as mesmas razões básicas de porque é errado nos matar poderiam aplicar-se a muitos animais. Assim a suposição de que “matar sem dor é automaticamente moralmente permissível” deveria ser, pelo menos, fortemente duvidada: boas razões teriam de ser fornecidas em seu favor.


[55]Questões de Discussão


  1. Para muitas questões éticas, um bom lugar para começar é refletir sobre as “visões comuns” sobre as questões. Suponha que você pesquisou uma variedade de pessoas e perguntou a elas se é moralmente permissível usar e/ou comer animais e por quê? Quais são algumas das respostas mais comuns que seriam dadas? Quais razões vocês frequentemene ouviria em favor dessas respostas? Essas razões geralmente são boas razões ou não? Por quê?

  2. Descreva como os animais são tratados pelas indústrias de agronegócio animal e de peles: o que acontece aos animais quando usados para esses propósitos? Quais são os fatos? Como essas indústrias descrevem como ela tratam animais? Elas estão corretas nas descrições desses fatos por elas?

  3. Explique os mais fortes argumentos morais para as conclusões de que (a) é errado matar animais por causa do pelo e/ou a indústria de pelos é inadmissível e (b) é errado criar e matar animais por causa da carne, do leite, e dos ovos e/ou indústria da pecúaria – ou seja, o confinamento – é moralmente inadmissível. Esses argumentos estão corretos ou não? Explique e defenda suas visões.

  4. Explique os mais fortes ou mais comuns argumentos morais para as conclusões de que (a) é errado matar animais por causa da pele e/ou (b) não é errado criar e matar animais por causa da carne, do leite e dos ovos. Estão esses argumentos corretos ou não? Explique e defenda suas visões?

  5. Deveriam as pessoas (ou, pelo menos, nas sociedades “modernas,” industrializadas) ser vegetarianas? Ou elas deveriam ser veganas? Ou elas deveriam suportar a criação e o abate de animais, em escala menor, não industrial, o assim chamado de “humano”? Ou elas deveriam suportar o confinamento? Explique qual resposta melhor apreende as nossas obrigações morais e porquê?

É claro, sempre se sinta livre para levantar quaisquer outras questões, observações, críticas e quaisquer outras respostas às leituras e questões deste capítulo.


[56]Opção de Artigo


Escreva um ensaio argumentativo de 4-6 páginas que trate de todas estas questões e defenda suas respostas contra as mais fortes ou mais comuns objeções:

  • Na nossa sociedade, os animais deveriam ser criados e mortos para serem comidos? Que tipo de tratamento de animais criados (farmed) é moralmente permissível? Há quaisquer mudanças que nós devemos ser moralmente obrigados a fazer a respeito de como galinhas, porcos e outros animais (atualmente) criados são tratados? Defenda as suas respostas com razões.

  • Na nossa sociedade, os animais deveriam ser criados para terem a pele cortada (fur-trimmed) e por causa de casacos de pele? Que tipo de tratamento de animais com pele valiosas (fur-bearer) é moralmente permissível? Há quaisquer mudanças que nós devemos ser moralmente obrigados a fazer com respeito a como os animais com pele valiosa (fur-bearer) devem ser tratados? Defenda suas respostas com razões.

  • Quais são as relações entre as suas respostas sobre as questões de animais para pele e para comida, e as suas razões em favor dessas respostas?

Qual deveria ser a sua resposta pessoal a essas questões? Você deveria comprar ou usar pele? Você deveria comprar ou comer carne, ovos e/ou laticínios (dairy products)? Se sim, a partir de onde? Se não, por que não?


Próximo capítulo


ORIGINAL:

NOBIS, N. Animals & Ethics 101: Thinking Critically About Animal Rights. Open Philosophy: 2018. Disponível em: <https://animalethics101.blogspot.com/p/lecture-5-wearing-eating-animals.html>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


1 [45]Matt Ball, “Activism and Veganism,” em http://www.veganoutreach.org/advocacy/path.html

2 [51]Peter Singer, Animal Liberation, 3ª Ed. (New York: HarperCollins Publishers, 2002), p. 95.

3 [53]“Position of the American Dietetic Association: Vegetarian Diets,” Journal of the American Dietetic Association, 2009 Jul;109(7): 1266-82. http://www.eatrightpro.org/resource/practice/position-and-practice-papers/position-papers/vegetarian-diets

Nenhum comentário:

Postar um comentário