Introdução Animais & Ética: Pensando Criticamente sobre os Direitos dos Animais
Por Nathan Nobis
[37]Capítulo 4 Objeções às Defesas de Animais e Defendendo o Uso de Animais
Visão Geral
Este capítulo pesquisará as mais influentes teorias morais gerais às quais se tem recorrido para argumentar em defesa do uso de animais e/ou para objetar às teorias desenvolvidas em defesa de animais. Como nós veremos, essas teorias frequentemente são extensões ou desenvolvimentos das teorias morais que têm sido desenvolvidas para explicar como humanos deveriam tratar outros seres humanos. Esses escritores frequentemente argumetam que a teoria (ou teorias) moral que melhor explica a natureza e extensão de nossas obrigações morias com seres humanos (especialmente os vulneráveis, tais como bebês, crianças, os mentalmente debilitados, os idosos e assim por diante) não tem implicações positivas para animais. Dessa forma, eles argumentam que há diferenças relevantes entre os tipos de casos que justificam a proteção de todos os seres humanos, mas permitem agressões sérias aos animais.
Leituras
EMPTY CAGES – 4. Animal Rights (pp. 62-74)
ANIMAL LIBERATION – 5. Man’s Dominion … uma breve história do especismo (Ver especialmente a discussão sobre Aquinas, Descartes, Kant e os pensadores discutidos em The Enlightenment and After)
Tibor Machan, “Why Animal Rights Don’t Exist” em http://www.strike-the-root.com/4/machan/machan43.html e “The Myth of Animal Rights” http://www.lewrockwell.com/machan/machan52.html
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s1HOtggYuMQ
[38]Carl Cohen, “Why Animals Do Not Have Rights,” de Cohen e Regan, The Animal Rights Debate (Rowman & Littlefield, 2001) em http://ethicsandanimals.googlepages.com/cohen-ar-debate.pdf
Vídeo: Carl Cohen, "Why Animals Do Not Have Rights” em https://www.youtube.com/watch?v=kbk7xY9t-UQ
Ray Frey, “Animal Research: The Starting Point” (seleção de 1 página), a partir de Why Animal Experimentation Matters. http://ethicsandanimals.googlepages.com/frey-experimentation.pdf (esse arquivo precisa ser corrigido)
ANIMAL LIBERATION – 1. All Animals Are Equal – revisão das objeções que Singer discute
ANIMALS LIKE US – Capítulo. 2. The Moral Club – revisão das objeções que Rowlands discute
[39]Teorias Gerais e Casos Particulares
Como no último capítulo, nós queremos tentar focar naquelas teorias em si mesmas e em suas implicações para animais “no geral,” sem tanto focar no que elas implicam para usos particulares de animais, por exemplo, para comida, moda, experimentação, entretenimento e outros propósitos. Isso provavelmente será mais difícil do que no último capítulo porque muitas objeções a teorias pró-animais surgem a partir de argumentos como estes:
A experimentação animal é moralmente permissível, se não obrigatória.
Mas, se a teoria de Regan for verdadeira, então a experimentação animal é errada.
Portanto, a teoria de Regan dos direitos animais não é verdadeira.
E:
Não há nada errado em criar animais para os comer.
Mas, se não há nada errado em criar animais para os comer, então os interesses dos animais não merecem consideração igual.
Se os interesses dos animais não merecem consideração igual, então a teoria de Singer é falsa.
Portanto, a teoria de Singer é falsa.
É claro, nós queremos saber por quais razões nós deveríamos aceitar essas primeiras premissas, especialmente se nós estivermos familiarizados com a ética! Mas talvez uma maneira de evitar alguns desses casos particulares sobre animais, desta vez, seja focar no que as teorias dos críticos ao pensamento pró-animal pensar implicam para os seres humanos, especialmente os jovens, velhos, fracos e sem poder (powerless). Vários tipos de contratualistas suportam o tratamento ruim de animais, mas eles parecem suportar igualmente o tratamento ruim de humanos e, assim, os contratualistas frequentemente sentem a necessidade de se defenderem dessas objeções. Talvez essas teorias às vezes possam ser melhor avaliadas a partir do interesse mais neutro da ética humano para humano.
[40]Na avaliação de teorias morais e no pensamento sobre ética em geral, você quer acreditar que os seus princípios ou teorias tenham as corretas implicações para casos particulares e que tenham essas implicações pelas razões corretas. Infelizmente, não há fórmula exata para o fazer! A ética pode ser difícil.
Condições Necessárias para Levar os Interesses de Alguém a Série: Casos contra Animais
Enquanto que defensores de animais focam em condições suficientes para alguém estar em “O Clube Moral (The Moral Club)” (como Rowlands o coloca), teóricos antianimais tendem a forcar em condições necessárias, alegando que:
Nós temos de levar os interesses de um ser a sério, é errado prejudica-lo (exceto por razões muito boas), nós temos de o respeitar, etc., apenas se ele for como isto: ____.
Em seguidas, eles tipicamente preenchem o espaço em branco com habilidades bastante avançadas cognitivamente: raciocínio sofisticado, pensar sobre o pensamento de alguém, realização intelectual, adoração religiosa, e assim por diante. É claro, o desafio deles surge a partir do fato de que muitos seres humanos carecem de mentes tão sofisticadas, todavia nós consideramos que temos de levar os interesses deles a sério. Esse problema para os téoricos antianimais é conhecido como o “argumento a partir de casos marginais.” Para o evitarem, esses teóricos frequentemente tentam fazer alguma acrobácia intelectual, tentando relacionar seres humanos não mentalmente sofisticado (quem parecem carecer da condição necessária expressa para, por exemplo, ter direitos morais) a seres humanos sofisticados de manerias peculiares. Nós tentaremos identificar o raciocínio deles e ver se ele parece ser válido de modo geral ou se é desenvolvido como uma resposta ad hoc para esse problema, ou pior.
Encontrando Diferenças Relevantes a partir de Argumentos a partir de Casos Paradigmáticos: Inferência às Explicações Morais Melhores?
A respeito do acima, os pensadores antianimais têm de oferecer explicações para casos claros de erros para seres humanos e que essas explicações não tenham implicações positivas para animais.
[41]Comuns Argumentos Inválidos
Um argumento é inválido quando as premissas não conduzem logicamente à conclusão. Muitas objeções aos casos contra animais são de uma forma de argumento comum inválida chamada de “negação do antecedente (denying the antecedent),” onde as premissas não conduzem à conclusão ou a conclusão não se segue logicamente a partir das premissas. Este argumento é inválido:
Se animais conscientes, senscientes, têm direitos morais, então prejudica-los seriamente é tipicamente errado.
Mas animais não têm direitos morais.
Portanto, a experimentação animal é moralmente permissível.
Esse argumento é da mesma forma inválida que este argumento:
Se você (o leitor) fosse um jogador profissional de basketball, então você teria mais de um pé de altura. [VERDADEIRO!]
Mas você não é um jogador profissional de basketball. [VERDADEIRO?!]
Portanto, você não tem mais de um pé de altura. [FALSO]
Jogadores não profissionais de basketball deverão ver que essas premissas são verdadeiras mas a conclusão é falsa: isso significa que as premissas não conduzem à conclusão. O mesmo é verdadeiro sobre o primeiro argumento acima uma vez que o padrão é o mesmo. A ideia também se aplica a este argumento inválido:
Se animais são “iguais” a humanos, tão “importantes” quanto humanos, têm o mesmo “status moral” que humanos, então, prejudica-los seriamente é tipicamente errado.
Mas animais não são “iguais” a humanos, não tão “importante” quanto humanos, e não têm o mesmo “status moral” que humanos.
Portanto, prejudica-los seriamente não é tipicamente errado.
Adicionalmente, o que isso quer dizer é que essas coisas sobre “igualdade,” “importância” e “status moral” não são claras de qualquer maneira: muita explicação seria necessária para o tipo de entendimento [42]necessário para decidir se essa alegação é verdadeira ou falsa.
Tornando a Discussão Concreta
Novamente, as questões centrais em ética e animais são em quais categorias morais nós deveríamos considerar que os usos específicos de animais caem – moralmente permissível, moralmente obrigatório, ou moralmente inadmissível/errado – e as razões pelas quais nós deveríamos pensar assim. Neste capítulo nós devemos tentar encontrar as teorias mais fortes, mais importantes ou, pelo menos, mais comuns e influentes que pareceriam suportar que a maior parte (ou algum) dos usos rotineiros, prejudiciais de animais são apenas não moralmente errados.
Questões de Discussão
Para muitas questões éticas, um bom lugar para começar é refletir sobre as “visões comuns” sobre as questões. Suponha que vocâ pesquise uma variedade de pessoas e pergunte a elas que tipos de obrigações morais nós temos em relação aos animais (talvez você deva perguntar sobre específicos animais ou diferentes tipos de animais). Focando-se em possivelmente amplas respostas “antianimais” (as quais alguém poderia descrever como pró-humanas), quais são algumas das respostas mais comuns que você daria? São essas razões geralmente boas razões ou não? Por quê?
Quais são as mais fortes, mais importantes e/ou mais interessantes objeções que os críticos levantam aos casos morais em defesa dos animais? São essas objeções exitosas, ou seja, elas derrotam alguma das defesas dos animais (a partir do último capítulo)? São esses argumentos corretos? Por que, ou, por que não?
Para uma audiência que não leu os textos, explique os argumentos de Kant, de Cohen e de Machan contra animais. Que questões e objeções você tem para eles? Como eles poderiam responder? São esses argumentos corretos? Por que, ou, por que não?
Para uma audiência que não leu os textos, explique os argumentos “contra animais” a partir do contratualismo ou da teoria do contrato social (ver especialmente a discussão de [43]Carruthers por Taylor e de Narveson por Regan a partir do capítulo 1). Que questões e objeções você tem para eles? Como eles poderiam responder? São os argumentos deles corretos? Por que, ou, por que não?
Deveriam as pessoas considerar algum dos (ou todos) os casos “contra animais” serem persuasivos? Qual, se algum, é o mais forte em sua opinião, e por quê? Se você considera que as pessoas deveriam ficar persuadidas, por que elas frenquentemente não ficam? (Se as pessoas não deveriam ser persuadidas, por que algumas pessoas se convencem?) Quaisquer outras questões ou objeções a partir de qualqur coisa a partir dessa seção podem ser feitas aqui.
É claro, sempre se sinta livre para levantar quaisquer outras questões, observações, críticas e quaisquer outras respostas às leituras e questões do capítulo.
Opção de Artigo
Tarefa: Para uma audiência não familiar com ética, lógica e ética animal, explique o mais forte amplo caso moral a ser feito “contra” animais e/ou como uma resposta crítica à teorização ética pró-animal (isso poderia ser a abordagem de um único teórico, ou talvez, possa ser uma abordagem combinada). Explique o que esse caso implica no geral para os animais e como alguém defende ou suporta uma semelhante teoria sobre como os animais merecem ser tratados. Levante e responda a, pelo menos, três do que você considera serem as objeções mais fortes aos seus argumentos ou à sua posição. 4-6 páginas.
ORIGINAL:
NOBIS, N. Animals & Ethics 101: Thinking Critically About Animal Rights. Open Philosophy: 2018. Disponível em: <https://animalethics101.blogspot.com/p/lecture-4-against-animals.html>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
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