terça-feira, 24 de agosto de 2021

AC, Antes dos Computadores Epílogo (FINAL)

AC, Antes dos Computadores: Sobre a Tecnologia da Informação, da Escrita à Era do Dado Digital


Por Stephen Robertson


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[143]Epílogo


Nós vimos uma confusão de diferentes ideias, desenvolvendo-se através do curso da história, interagindo umas com as outras, alimentando-se umas das outras, organizadas por pessoas com uma ampla variedade de motivações diferentes. Nós vimos a noção de dados emergir gradualmente e gradualmente absorvem muitos outros conceitos. A informação, a qual poderia ser vista como uma abstração como matéria e energia, é em certo sentido “transportada” pelos dados, ou talvez pode ser extraída deles. Números são dados, texto são dados, imagens são dados, música são dados. Mas isso é apenas o começo – agora, tudo o que nós fazemos, cada interação que nós temos com qualquer parte do mundo em torno de nós, são dados.

É claro, tudo isso é absurdo. A música (apenas para tomar um exemplo) é uma experiência humana, ou melhor, um grande número de experiências humanas, e considerá-la como dados é ignorar ou colocar de lado tanto a natureza quando a validade da experiência, quer de composição ou de performance ou de audição. Mesmo assim, é conveniente fingir que música são dados, porque há muito o que nós podemos fazer com isso como um resultado desse fingimento. Não somente nós podemos gravar, armazenar, recuperar, transmitir, broadcast música como dados, nós também podemos fazer uso de qualquer número de ferramentas digitais (bem como de eletrônicas analógicas um pouco mais velhas) como parte do processo de criação tanto em composição quanto em performance.

No século XXI, dados, processamento e manipulação de dados e todo o grande número de tecnologias em torno de dados, são centrais para como nós vemos o mundo. Nesses dias de proteção e privacidade de dados, de leis e regulamentos em torno desse domínio, de mineração de dados, de roubo de dados, de pessoas e organização que implacavelmente coletam dados sobre nós e que nos manipulam ao manipularem nossos dados, e assim por diante – nesses dias, é difícil reimaginar o mundo como ele era antes que a noção de dados tomasse de conta. O computador digital – junto com todas as outras tecnologias de informação e comunicação – é claro, está no núcleo desse mundo centrado em dados. E é por isso que é tentador falar da invenção do computador como tendo proclamado uma [144]revolução.

Então, foi uma revolução? A chegada dos computadores resultou em uma derrubada da existente ordem das coisas e sua substituição por alguma fundamentalmente nova?

Certamente, o efeito em nossas vidas dos desenvolvimentos no domínio das tecnologias da informação e comunicação, subsequente a e, ao menos e até certo ponto consequente da invenção dos computadores nos anos de 1940, tem sido imenso, possivelmente revolucionário. O mundo do e-mail, da internet, compras online, gerenciamento online de contas bancárias, celulares passando-se câmeras, rádio e televisão digitais, som e filmes gravados baixados, navegação por satélite, e-books, Google, Wikipedia, mídias sociais – tudo isso teria sido completamente extraordinário, alguma coisa como no reino da fantasia, para meus pais na época que eu nasci.

No entanto, a ordem existente raramente é posta de lado tão facilmente. O que este livro demonstrou, eu espero, é a extraordinária quantidade de coisas – de conhecimento, entendimento, invenção, maneiras de pensar e fazer, ideias, métodos e técnicas – que nós trouxemos conosco através dessa jornada. De muitas maneiras significantes, o mundo da TI não apenas extrai do passado, mas está enraizado nele. Esse passado não é apenas (embora ele inclui muito) a dupla de séculos seguindo-se à Revolução Industrial, mas ele volta muito atrás – à Renascença, à invenção da imprensa, aos matemáticos árabes do século IX e hindus do século VII, ao império romano, aos gregos e aos fenícios, à invenção da escrita mesma.


ORIGINAL:

Robertson, Stephen, B C, Before Computers: On Information Technology from Writing to the Age of Digital Data. Cambridge, UK: Open Book Publishers, 2020. p.143-144. Disponível em: <https://doi.org/10.11647/OBP.0225>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0

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