segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Inferir e Explicar - Prefácio

 Inferir e Explicar


Por Jeffery L. Johnson


[vii]Prefácio


Como a filosofia é aprendida? Uma questão melhor é: como podem habilidades de pensamento ser aprendidas? O pensamento em questão envolve atenção às estruturas básicas do pensar. Isso pode ser feito bem ou mal, inteligente ou ineptamente. Mas fazê-lo bem não é primeiramente uma questão de adquisição de um corpo de conhecimento. É mais como tocar bem um piano. É tanto “saber como (knowing how)” quanto “saber isso (knowing that).”

Simon Blackburn1


Epistemologia Prática


Este é um livro sobre o que eu estou chamando de epistemologia prática. Ele reflete dois dos meus prejuízos mais profundamente sustentados como um professor. Eu acredito que questões abstratas de filosofia acadêmica são intrinsecamente interessantes não apenas para profissionais mas também para estudantes inteligentes e inquisitivos. Eu também acredito que refletir cuidadosamente sobre as grandes questões da filosofia ocidental (O que é o conhecimento? Ele é possível? Deus existe? Nós temos livre arbítrio (free will) genuíno? - para não dizer nada das igualmente importantes questões morais, políticas e legais que os filósofos colocaram e tentaram responder) melhora as habilidades gerais de pensamento crítico de alguém. Assim eu afirmaria que um bom curso de filosofia é bom para muito mais do que apenas créditos gerais em educação e será de valor não importa qual é sua especialização acadêmica (major) ou quais são suas aspirações de carreira.

O livro começa com três questões clássicas na teoria do conhecimento – Qual é o valor da verdade? Nós podemos conhecer alguma coisa? Em primeiro lugar, qual é a natureza do conhecimento? Em seguida, ele introduz um pouco de lógica e uma particular teoria da valoração – inferência à explicação melhor (inference to the best explanation). Essa visão da análise de argumentos é a base de minha inteira discussão do começo ao fim do [viii]livro. Então nós voltamos nossa atenção para algumas das questões na história e filosofia da ciência – o papel dos experimentos, a descoberta da febre puerperal por Semmelweis, a teoria de Darwin da descendência comum por seleção natural. O livro conclui com discussões sobre pena de morte, evidência como narrativa, e alguns pensamentos sobre evidência e verdade.


Pensamento Crítico


Isso traz-me a meu segundo, e até mesmo mais profundamente sustentado, prejuízo como um professor de filosofia. Eu estou comprometido com o valor do pensamento crítico – ou, como algumas vezes é chamado, da lógica prática ou informal – como uma ferramenta para sucesso na graduação e profissional. Eu alego pouca modéstia aqui. Eu ouvi de estudantes demais que as técnicas desenvolvidas entre os capítulos 4 e 12 provaram-se não apenas úteis mas essenciais em suas aulas na graduação e pós-graduação e, de fato, em suas vidas profissionais.

Onde eu reivindico alguma modéstia, contudo, é que eu tomo pouco crédito pela descoberta dessas técnicas. Elas todas primeiro foram articuladas por meu amigo e mentor, Larry Wright. Eu tive a honra de trabalhar com Larry como professor-assistente quanto ele estava compilando sua primeira articulação publicada da inferência à explicação melhor como um procedimento para análise de argumentos.2 Essa experiência na escola de pós-graduação fundamentalmente deu forma à minha percepção do que é ser um filósofo e do que é ser um efetivo professor de graduação. A inferência à explicação melhor continuou a dar forma a muito do que eu tenho feito em meu estudo acadêmico-profissional. Ela também guiou minha própria carreira de ensino. A Larry, eu tenho um débito de gratidão que realmente não pode ser expresso.

Se este livro não realizar nada mais, pelo menos eu espero que ele instigue os leitores a utilizarem o procedimento um pouco estruturado, quase ritualístico, que eu estou chamando de receita para inferência-à-explicação-melhor como um teste da qualidade da evidência apresentada em um argumento. Eu acredito que você ficará agradavelmente surpreso com quão frequentemente ela prova-se exitosa.


Para meus Leitores Estudantes


Eu quero que este livro seja divertido, interessante, e útil para você. Dependendo de sua personalidade acadêmica e intelectual, pode comprovar-se impossível alcançar todos esses objetivos. Mas, mesmo se eu falhar em transmitir o interesse intrínseco em questões filosóficas e intelectuais, e até se você considerar meu estilo enfadonho e pedante, eu espero que você descubra a utilidade no estudo e análise cuidadosos e sistemáticos de argumentos. A inferência à explicação melhor não é a única abordagem para análise de argumentos (embora eu permaneço confiante em que seja a mais valiosa), mas é uma que encoraja ampla aplicação aos tipos de argumentos que nós encontramos em nossas vidas diárias e profissionais e, é claro, e nas ciências naturais e na maior parte do tipo currículo de graduação.

Se eu tiver quaisquer leitores que não estejam em cursos formais de filosofia ou que não estejam usando este livro como uma fonte suplementar, eu gostaria de estender um convite sincero. Cada capítulo conclui com alguns exercícios e com o que eu estou chamado de um questionário. Se você quiser uma resposta (feedback) em algum ou em todos esses, eu estaria feliz em o fornecer. Eu sempre estarei disponível no seguinte endereço de e-mail: jjohnson@oeu.edu.

Por favor, sinta-se livre para me contatar com quaisquer questões ou pedidos de resposta. E, é claro, eu daria boas vindas a ouvir sobre quaisquer enganos, [ix]erros de digitação, e semelhantes. Uma das alegrias deste tipo de publicação é que erros podem ser corrigidos com relativa facilidade.


Para meus Companheiros Instrutores de Filosofia


Eu usei rascunhos iniciais deste manuscrito em dois cursos muito diferentes. Os mais simples desses são cursos em pensamento crítico. Embora eu gostaria de pensar que todo o material seria útil em tais contextos, bem posso imaginar instrutores que escolheriam usar apenas os capítulos 1 e de 4 a 12 ou talvez o capítulo 13. Esse é o material no qual eu tenho focado a maior parte do meu ensino de pensamento crítico pelos últimos quarenta anos.

Contudo, o curso para o qual este livro foi originalmente projetado foi um curso de introdução à filosofia. Na Eastern Oregon University, o curso que eu criei era chamado de Eu, Mundo, e Deus (Self, World, and God). A parte relativa a Deus, é claro, eram questões em filosofia da religião, e a parte sobre o eu eram questões em psicologia filosófica e ciência cognitiva. Mundo (World) era um categoria geral (catchall) para epistemologia, filosofia da ciência, e uma metodologia geral para análise argumentos em termos de inferência à explicação melhor – o material esboçado neste livro.


Dois Débitos Adicionais


Todos os autores precisam reconhecer a ajuda e o suporte de seus parceiros de vida. O entendimento e amparo daqueles que alguém ama são quase pré-condições para escrita de sucesso. Em meu caso, eu tenho tido a incrível boa fortuna de ter uma brilhante, talentosa e inacreditavelmente encorajadora esposa por agora quase cinquenta anos. Coleen não é apenas uma linda senhora que eu amo mais do que posso expressar, mas, por quase trinta anos, ela foi minha colega mais próxima durante exatamente o tempo em que este livro esteve sendo testado em meus cursos e quanto eu comecei a compor os primeiros esboços dos capítulos aqui contidos. Nós ensinamos juntos e discutimos a inferência à explicação melhor tão frequentemente que é quase tão difícil separar meus pensamentos sobre essas questões dos dela como separar os de Larry Wrigght. Obrigado, Colly.

Finalmente, eu preciso reconhecer e agradecer à Biblioteca da Portland State University por me conceder uma bolsa para completar este livro como parte de sua iniciativa PDXOpen: Open Access Textbooks. Em particular, eu devo a Srta. Karen Bjork, líder das iniciativas digitais, um grande agradecimento e congratulação. Karen não somente defendeu meu projeto desde o começo mas me preparou e persuadiu-me ao caminho certo em minha escrita e financeiramente assegurou fundos adicionais para edição (copyediting) profissional. Muito obrigado, Karen.


Primeiro capítulo


ORIGINAL

Johnson, Jeffery L., "Inferring and Explaining" (2019). PDXOpen: Open Educational Resources. 23. p. vii-ix. Disponível em :<https://pdxscholar.library.pdx.edu/pdxopen/23>.


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


Notas

1Simon Blackburn, Think (Oxford: Oxford University Press, 1999), 5.

2Larry Wright, Better Reasoning (New York: Holt, Rinehart, Winston, 1982).

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