domingo, 7 de novembro de 2021

Inferir e Explicar - Capítulo 10 Interpretação Textual

Inferir e Explicar


Por Jeffery L. Johnson


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[87]Capítulo 10

Interpretação Textual


É a tarefa do historiador da cultura explicar porque, durante as quatro últimas décadas, tem havido um pesado e amplamente vitorioso assalto à crença razoável de que o texto quer dizer o que o seu autor quis dizer.

E. D. Hirsh1


Sons, formas, Gestos, e Traços e Pontos


Minha geração cresceu com duas coisas das quais a maioria de vocês foi amplamente poupada. Rádios, jornais, televisões, romances e filmes, todos nos contavam que o mundo terminaria em guerra nuclear. E, provavelmente como um resultado de filmes retratando a Segunda Guerra Mundial, todos nós tínhamos uma ideia do telégrafo e código morse. Tudo isso interpretado em um maravilhoso, embora assustador, filme clássico, On the Beach. Uma guerra nuclear acidental aniquilou a maior parte do mundo, e apenas a Austrália tem sobreviventes, mas eles têm menos do que um ano para viver. Uma embarcação da marinha americana decide retornar à Costa Oeste, em parte porque eles querem morrer em casa e em parte porque a base australiana tem recebido linguagem sem nexo em código morse de uma localização em San Diego. O que nós deveríamos fazer desses traços e pontos aparentemente aleatórios?


e1. A base esteve recebendo linguagem sem nexo em seu telégrafo de uma fonte em San Diego.


Como nós devemos explicar isso? É um grito por ajuda? Um sobrevivente simplesmente desejando companhia à longa distância? Ou há alguma outra explicação?

Você está dirigindo na interestadual; você aproxima-se facilmente de um carro à frente, muda de faixa e passa. Enquanto você passa, a mão esquerda do motorista [88]emerge ao lado da cabeça dele. Ele acaba de dar a você um gesto de mão obsceno? Ou ele estava simplesmente coçando a orelha dele? Eu envio a você a mensagem de texto “Encontro você às 11” e recebo um “?” como uma resposta. Você está confuso sobre 11 (a.m.) ou 23 (11 p.m.) horas? Você quer enviar a mensagem de texto “k,” ou eu erroneamente enviei a mensagem de texto para minha sogra, e ela não tem ideia do que eu estou dizendo? Exatamente como nós precisamos explicar exames idênticos, o carro do lado de fora do bar do Joe, similaridades morfológicas nos membros anteriores dos mamíferos, nós frequentemente nos encontramos em contextos comunicativos onde nós precisamos explicar linguagem sem nexo em código morse, potenciais gestos de mão e “?” em um texto de resposta. Não deveria ser surpresa para nenhum de vocês que eu acredito que a inferência à explicação melhor será útil para vocês nessas últimas situações.


Inferência à Explicação Melhor e Interpretação Textual


Historiadores preocupam-se com textos, igualmente estudiosos do direito, e, de fato, todos nós dependemos da palavra falada e impressa como evidência para todos os tipos de hipóteses. Nós bem poderíamos voltarmo-nos para outras disciplinas tais como hermenêutica bíblica e crítica literária em busca de intuições metodológicas. Antes de começar com um estatuto legal complicado ou um conto enigmático, contudo, será mais claro, e mais divertido, ilustrar a natureza explanatória da interpretação textual com um exemplo que não requer o contexto de uma especialização acadêmica. Stanley Fish fornece um bom exemplo:


Eu tenho em mente um sinal que está afixado, em sua forma não pontuda, na porta do Clube da Universidade Johns Hopkins:

APENAS MEMBROS PRIVADOS (PRIVATE MEMBERS ONLY)

Eu tenho tido ocasião de perguntar a várias turmas o que o sinal significa, e eu tenho recebido uma variedade de respostas, a menos interessante das quais é, ‘Apenas aqueles que são secretamente, e não publicamente, membros deste clube podem entrar.’ Outras respostas caem dentro de uma estreita faixa previsível: ‘Apenas a genitália dos membros pode entrar’ (isso parece redundante), ou ‘Você pode trazer sua própria genitália,’ ou (e esta é a leitura mais popular, talvez por causa de seu antropomorfismo semelhante à Disney) ‘Apenas genitálias podem entrar.’ Em cada classe, contudo, algum positivista semelhante ao Dr. Johnson levanta-se para dizer, ‘Mas você está apenas jogando jogos; todo mundo sabe o que o sinal realmente quer dizer, “Apenas aqueles que pertencem a este clube podem entrar.”’ Ele está certo, é claro.2


Interpretar o sinal envolve fazer uma inferência sobre o que ele significa. Nós temos uma coleção de dados que é necessária explicar:


e1. O “texto” está em um sinal.

e2. O sinal está em uma porta.

e3. A porta é do Clube da Universidade de Johns Hopkins.

e4. O “texto” lê, “APENAS MEMBROS PRIVADOS.”


Uma semelhante caracterização dos dados implica que nós já fizemos uma certa quantidade de interpretação. Nós explicamos as formas “APENAS MEMBROS PRIVADOS” como uma tentativa de comunicação linguística; elas não apareceram acidentalmente quando o prédio estava sendo pintado, nem elas são arte moderna. Nossa questão explanatória foca-se em que essas palavras pretendem comunicar. Nós temos um número de hipóteses explanatórias:


[89]t0. Apenas aqueles que pertencem a este clube podem entrar.

t1. Apenas aqueles que são secretamente, e não publicamente, membros deste clube podem entrar.

t2. Apenas a genitália dos membros pode entrar.

t3. Você pode trazer sua própria genitália.

t4. Apenas genitálias podem entrar.

t5. O sinal foi intencionalmente projetado com duplo sentido por intelectuais espirituosos.


Como o estudante sem absurdos de Fish insiste, é perfeitamente óbvio qual é a explicação melhor das palavras na porta. Claramente, t0 é a explicação mais simples, mas completa, menos ad hoc, e mais plausível. A comunicação e interpretação linguísticas são processos inerentemente explanatórios. De conversas casuais e sinais divertidos em portas à interpretação de textos literários, constitucionais e bíblicos, o papel do leitor (ou ouvinte) é sempre o mesmo. Há formas, gestos e barulhos que necessitam ser explicados. Dada a explicação de primeira ordem que eles são tentativas de comunicação linguística, a questão agora se torna que hipótese explica melhor o sentido do contexto presente?


Intenção Autoral


Virtualmente cada uma das explicações às quais nós aludimos até agora compartilham de uma característica comum. A linguagem sem nexo talvez fossem um grito por ajuda (ou triste tentativa de encontrar companhia). O gesto bem poderia ter expresso o descontentamento dele com sua direção. O texto “?” provavelmente foi um pedido por mais informação. O sinal dizendo quem (ou o que) poderia ou não poderia entrar através da porta. O exemplo seguinte é tão natural que dificilmente nós pensamos sobre ele, e, de fato, essa é a mágica da comunicação linguística (ou simbólica). Autores desejam comunicar. Eles usam um meio – palavras faladas ou escritas, código morse, gestos de mão, imagens em movimento, ou mensagens de texto em smartfones – como seus meios para comunicação. No caso ideal, quando nós estamos incertos sobre o que eles estavam comunicando, nós simplesmente lhes perguntamos, O que você quer dizer? Se isso prova-se impossível, como em todos os casos anteriores, nós precisamos inferir o que eles queriam dizer. Como expressa-o na epígrafe deste capítulo, “Um texto quer dizer o que o seu autor quis dizer.”


e1. Há um texto.

e2. O texto tem um autor.

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t0. O texto diz o que o seu autor pretendia que ele dissesse.


Uma Notória Interpretação de Hamlet


De fato, foi um ano ruim para Hamlet. Ele deixou a escola e retornou à Dinamarca para comparecer ao funeral do antigo rei, de seu pai. Quando chega, ele descobre que a mãe dele apressadamente se casou novamente com o irmão do pai dele, Claudius, quem se instalara como o novo rei, a despeito do fato de que Hamlet era o herdeiro do trono. Se isso não fosse suficientemente ruim, o fantasma do pai dele visita-lhe e conta que Claudius, de fato, assassinou o antigo rei. Exatamente como você pode ir para uma comédia romântica ou um filme de super-herói e saber muito bem o que esperar, frequentadores de teatro da época de Shakespeare sabiam que eles deviam estar preparados para uma tragédia [90]de vingança. Certamente, Hamlet despenderia o restante da peça vingando-se do assassinato de seu pai. Hamlet eventualmente mata Claudius, mas mais por acidente do que por ação de vingança. Enquanto isso, por umas boas quatro horas da peça, Hamlet principalmente hesita, palpita a si mesmo e bagunça seriamente seu amor com Ophelia. Por que, os críticos têm perguntado por três séculos, Hamlet não anda logo com isso e mata o tio dele, como o gênero dita?

Diligente, Jones começa sua análise da peça com um sumário muito geral das respostas críticas:


As hipóteses mais importantes que tem sido propostas para consideração são variações de três pontos de vista principais. A primeira delas vê a dificuldade na realização da tarefa no temperamento de Hamlet, o qual não é adequado para ação efetiva de nenhum tipo; a segunda vê isso na natureza da tarefa, a qual é quase impossível de realização por qualquer um; e a terceira, em alguma característica especial na natureza da tarefa que a torna particularmente difícil ou repugnante para Hamlet.3


Além de sua fama, ou talvez infâmia, o ensaio de Jones oferece o complexo de Édipo como uma interpretação de “a causa da hesitação de Hamlet em buscar obter vingança para o assassinato de seu pai”4 mereceria alguma discussão simplesmente por causa de seu título – “The Oedipus-Complex as an Explanation of Hamlet’s Mystery: A Study in Motive.”5 A interpretação de Jones explicitamente apela para noção de explicação em dois níveis distintos. Um, é claro, está na inação de Hamlet. Por que toda a hesitação? Jones argumenta que Hamlet está sofrendo de um complexo de Édipo e oferece como evidência em suporte dessa hipótese vários fragmentos de dados textuais. A inferência à explicação melhor (IEM) estruturaria esse argumento da seguinte maneira:


e1. O que nós conhecemos do texto sobre o comportamento de Hamlet – sua inação, sua relação peculiar com Gertrude, seu tratamento misógino de Ophelia e assim por diante.

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t0. Hamlet estava sofrendo de um complexo de Édipo.


A diagnose psicoanalítica explica todo esse comportamento enigmático. O óbvio problema crítico para essa interpretação é o fato constrangedor de que Shakespeare escreveu Hamlet quase três séculos antes que Freud identificasse o complexo de Édipo. Jones sabiamente antecipa o problema e oferece uma explicação do estado mental de Shakespeare ao escrever a peça.


Nós finalmente retornamos ao assunto com o qual começamos, a saber, a criação poética, e nessa conexão investigar a relação do conflito interno de Hamlet com o funcionamento interno da [sic] mente de Shakespeare. Sustenta-se aqui que esse conflito é um eco de um semelhante em Shakespeare mesmo, assim como, em uma extensão maior ou menos, está em todos os homens. Portanto, é tanto junto à questão de investigar a intenção consciente de Shakespeare, moral ou diferente, na peça, quanto é o caso da maioria dos trabalhos de gênio. A peça é a forma pela qual os seus sentimentos encontram sua expressão espontânea, sem qualquer investigação ser possível da parte dele quanto à natureza ou fonte essencial desse sentimento.”6


Assim, agora nós somos apresentados a uma explicação não apenas dos eventos na peça, mas também de seu autor. [91]Novamente, Jones oferece evidência. Ele assinala que a história de Hamlet era amplamente conhecida no tempo de Shakespeare, que a famosa versão de Thomas Kyd estava na cena contemporânea, e que “Shakespeare em 1585 batizou seu próprio filho como Hamnet, uma variação frequente do nome.”7 Contudo, a chave para Jones é o próprio pai de Shakespeare.


Portanto, altamente sugestivo da origem subjetiva do conflito físico na peça é o fato de que foi em setembro de 1601 que o pai de Shakespeare morreu, um evento que bem poderia ter tido o mesmo efeito de despertar as memórias ‘reprimidas’ que a morte do pai de Hamlet teve com Hamlet; a mãe dele viveu até uns sete anos depois. Há muitas indicações de que a disposição do pai de Shakespeare era aquela de um tipo dominador e autoritário tão apto a provocar rebelião, particularmente em um primogênito.”8


Dessa maneira nós conseguimos um argumento reminiscente vinculado ao raciocínio do giz na mão de Waton para a decisão de não investir ou às inferências de dois passos nos casos de testemunhos.


e1. O que nós conhecemos do texto sobre o comportamento de Hamlet – sua inação, sua relação peculiar com Gertrude, seu tratamento misógino de Ophelia, e assim por diante.

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0. Hamlet estava sofrendo de um complexo de Édipo.

e2. A familiaridade de Shakespeare com a lenda de Hamlet e a versão de Kyd da peça.

e3. O nome do filho de Shakespeare.

e4. O temperamento do pai de Shakespeare.

e5. A morte do pai de Shakespeare em 1601.

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t´´0. Shakespeare mesmo sofreu de complexo de Édipo e inconscientemente transferiu traços de caráter de si mesmo para Hamlet.


As questões de milhões de dólares são, é claro, se t´0 e t´´0 são as explicações melhores dos dados textuais e autorais. Eu acho que nós teríamos dificuldades para encontrarmos muitos defensores das hipóteses de Jones. O problema não é tanto a qualidade do raciocínio de Jones, mas o paradigma freudiano no qual ele tão candida e entusiasticamente acredita. Se alguém é cético de que uma tal coisa como complexo de Édipo exista, ele considerá muito difícil explicar as ações e criações de personagens literários e autores em termos dele.


Uma Contemporânea Interpretação Psicológica de Hamlet


É interessante considerar nessa conexão uma explicação psicológica mais contemporânea de Hamlet. A. B. Shaw recentemente argumentou que Hamlet sofria de doença depressiva e que esse diagnóstico explica a falha dele em exigir vingança.


Hamlet é uma criatura da imaginação de Shakespeare… ele não é um paciente real. Portanto, diagnósticos clínicos precisam ser tentativos, mas há uma boa evidência na peça para doença depressiva. A doença depressiva é caracterizada por humor baixo, anedonia, crenças negativas e energia reduzida. Hamlet efetivamente chama a si mesmo de melancólico e a exata primeira falar que ele faz na peça é devotada à declaração pública de sua melancolia.”9


[92]Shaw agora prossegue para mostrar como o texto claramente mostra Hamlet manifestando esses indicadores clínicos:


e1. Hamlet exibe anedonia – por exemplo, “Ele fala detalhadamente para Rosencrantz e Guildenstern, dizendo que ele perdeu toda alegria e que o homem não lhe alegra.”10

e2. Hamlet expressa crenças negativas – por exemplo, “Ele chama a Dinamarca de uma prisão. Seus comentários para Ophelia sobre mulheres são cruéis.”11

e3. Hamlet “alude a distúrbio de sono ‘não fosse isso eu não teria sonhos ruins.’”12

e4. Hamlet “experienciou eventos prováveis de precipitarem depressão: a súbita morte de seu pai, o casamento apressado da mãe dele, e seu desapontamento na sucessão.”13

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t0. Hamlet sofria de doença depressiva.


Shaw adicionalmente argumenta que não é constrangimento de qualquer tipo que a doença depressiva somente entrou no paradigma clínico séculos após a peça ter sido escrita. Nós certamente admitimos que as pessoas sofriam dessa condição devastadora muito antes que a psicologia e a medicina catalogassem e começassem a tratá-la. Shakespeare era um excelente estudante da condição humana. Exatamente como um autor perceptivo pode reconhecer personagens excessivamente ambiciosos, amantes ciumentos e líderes loucos por poder, Shakespeare pode reconhecer uma pessoa exibindo o comportamento causado pela doença depressiva – a qual os seus contemporâneos teriam chamado de melancolia. Adicionalmente, ele pode instalar seu depressivo personagem principal em uma peça com talvez motivos maiores e diferentes.

Nós apenas podemos avaliar a qualidade da interpretação de doença depressiva por Shaw, é claro, ao comparar sua explicação de partes-chave da peça a muitas interpretações rivais que têm sido oferecidas nos últimos três séculos. Eu não afirmo que a explicação de Shaw seja a explicação melhor por duas razões. Uma é que eu não sou um qualificado erudito crítico, não em análise crítico shakespeariano. A segunda é um tipo de confissão intelectual. Eu considero a peça tanto estética quanto intelectualmente fascinante. Cada vez que eu leio uma interpretação séria de Hamlet, eu encontro-me vencido por aquele ponto de vista do crítico. É claro, eu reconheço que todos esses críticos não podem estar certos, uma vez que muitos conscientemente escrevem para refutarem uns aos outros.

Eu suspeito que meu problema esteja na inteira noção de verdade – verdade em ciência, verdade em análise literária, e verdade em interpretação constitucional, um tópico ao qual eu retornarei em capítulos posteriores.


[93]Exercícios e Questionário dez


(a) Obtido de: <https://www.flickr.com/photos/mastababa/2354567815/>; (b) Obtido de: <https://www.flickr.com/photos/mstabbycat/3127520409/>


Aqui estão três imagens de sinais que eu encontrei na Web. A quarta imagem, a qual estava protegida por copyright, mostrava pedestres caminhando em uma rua com um sinal em primeiro plano que lê, “VÁ DEVAGAR: ÁREA DE ACIDENTE PORNOGRÁFICO.”

Você pode escolher qualquer uma que você quiser para o questionário deste capítulo. As outras podem ser usadas para exercícios práticos.

As regras para o questionário e os exercícios práticos são as mesmas. O que o sinal está dizendo – o que ele quer dizer? Defenda sua interpretação do sinal usando as ferramentas que nós desenvolvemos neste capítulo. A diversão, eu acredito, será inventar suas explicações rivais.


Próximo capítulo


ORIGINAL

Johnson, Jeffery L., “Inferring and Explaining” (2019). PDXOpen: Open Educational Resources. 23. p. 87-93. Disponível em:<https://pdxscholar.library.pdx.edu/pdxopen/23>.


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


Notas


1 E.D. Hirsch, “In Defense of the Author,” Validity in Interpretation (New Haven, CT: Yale University Press, 1967), 1.

2 Stanley Fish, Is There a Text in This Class? (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1982), 274-275.

3 E. Jones, “The Oedipus-Complex as an Explanation of Hamlet’s Mystery: A Study in Motive,American Journal of Psychology 21, nº 1 (1910): 75.

4 Jones, 74.

5 Jones, 74.

6 Jones, 102-3.

7 Jones, 103.

8 Jones, 103.

9 A. B. Shaw, “Depressive Illness Delayed Hamlet’s Revenge,” Medical Humanities 28, nº 2 (2002): 92-96.

10 Shaw, 92.

11 Shaw, 92.

12 Shaw, 92.

13 Shaw, 93.

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