Por George Berkeley
[257]1. É evidente para qualquer um que faça uma pesquisa dos objetos do conhecimento humano, que eles são, ou ideias efetivamente impressas nos sentidos, ou senão tal como são percebidas acompanhando as paixões e operações da mente; ou, finalmente, ideias formadas pela ajuda da memória e imaginação – quer compondo, dividindo ou escassamente representando aquelas originariamente percebidas nas maneiras acima mencionadas. Através da vista eu tenho as ideias de luz e cores, com seus vários graus e variações. Pelo toque eu percebo duro e macio, quente e frio, movimento e resistência; e de tudo isso mais ou menos, quer quanto à quantidade quer ao grau. O olfato suprimi-me de odores; o paladar, de gostos; e a audição transmite sons à mente em toda variedade de tom e composição deles1.
[258]Como se observa que várias dessas acompanham uma a outra, elas vem a ser marcadas por um nome e, assim, a ser consideradas como uma coisa. Dessa maneira, por exemplo, uma certa cor, gosto, cheiro, figura e consistência são consideradas ser uma coisa distinta, significada pelo nome de maçã; outras coleções de ideias constituem uma pedra, uma árvore, um livro e semelhantes coisas sensíveis; as quais, conforme elas sejam agradáveis ou desagradáveis, excitam as paixões de amor, ódio, alegria, tristeza e assim por diante2.
2. Mas, além de toda essa variedade sem fim de ideias ou objetos de conhecimento, há, da mesma forma, Alguma coisa que as conhece ou percebe e exercita diversas operações, tais como desejar, imaginar, lembrar, sobre elas. Esse ser percipiente, ativo, é o que eu chamo de mente, espírito, alma ou eu mesmo (myself). Palavras pelas quais eu não denoto nenhuma de minhas ideias, mas uma coisa inteiramente distinta delas, na qual elas existem, ou, o que é a mesma coisa, pela qual elas são percebidas; pois a existência de uma ideia consiste em ser percebida3.
3. Que nem nossos pensamentos, nem nossas paixões, nem nossas ideias formadas pela imaginação, existem sem a mente é o que todo o mundo admitirá. E para mim parece não menos evidente que as várias sensações ou ideias impressas no Sentido, por mais que misturadas ou combinadas (quer dizer, quaisquer objetos que elas componham), não podem existir de outra maneira do que na mente percebendo-as4. Eu penso que um conhecimento intuitivo pode ser obtido disso, por qualquer um que deverá atentar para o que se quer dizer pelo termo existe quando aplicado a [259]coisas sensíveis5. A mesa sobre a qual eu escrevo eu digo que existe; quer dizer, eu vejo e sinto-a; e, estivesse eu fora de meu escritório, eu deveria dizer que ela existia; significando por isso que, se eu estivesse em meu escritório eu poderia percebê-la, ou que algum outro espírito efetivamente a percebe. Havia um odor, quer dizer, foi cheirado; havia um som, quer dizer, foi ouvido; uma cor ou figura, e foi percebida pela vista ou toque. Isso é tudo que eu posso entender por essas expressões e semelhantes6. Pois, quanto ao que é dito da existência absoluta de coisas não pensantes, sem qualquer relação com o serem percebidas, isso para mim é perfeitamente ininteligível. Seu ser (esse) é ser percebido (percipi); nem é possível que elas devam ter alguma existência fora de mentes ou coisas pensantes que as percebam7.
4. De fato, é uma opinião estranhamente prevalente entre os homens que casas, montanhas, rios e, em uma palavra, todos os objetos sensíveis, tem uma existência, natural ou real8, distinta de serem percebidas pelo entendimento. Mas, com quão grande certeza e aquiescência de qualquer tipo esse Princípio possa ser acolhido no mundo, todavia, quem quer que seja deverá encontrar em seu coração colocá-lo em dúvida, [pois] pode, se eu não me engano, percebê-lo envolver uma contradição manifesta. Pois, o que são esses objetos supracitados senão as coisas que nós percebemos pelo sentido? E o que nós percebemos pelos sentidos além de nossas próprias9 ideias ou sensações? E não é plenamente repugnante para qualquer um desses, ou qualquer combinação deles, dever existir sem ser percebido?
5. Se nós examinarmos esse dogma10 minuciosamente talvez ele [260]seja descoberto, no fundo, depender da doutrina das ideias abstratas. Pois pode haver um esforço mais sútil de abstração do que distinguir a existência dos objetos sensíveis de seu ser percebido, assim como a concebê-los existindo não percebidos11? Luz e cores, calor e frio, extensão e figuras – em uma palavra, as coisas que nós vemos e sentimos – o que elas são senão apenas tantas sensações, noções12, ideias ou impressões no sentido? De minha parte, eu poderia tão facilmente separar uma coisa de si mesma. De fato, eu posso dividir em meus pensamentos, ou conceber separadas uma da outra, aquelas coisas que talvez eu nunca percebi pelo sentido assim divididas. Dessa maneira, eu imagino o torso de um corpo humano sem os membros, ou concebo o cheiro de uma rosa sem pensar na rosa mesma. Até aqui, eu não negarei, eu posso abstrair; se isso pode ser propriamente chamado de abstração, a qual se estende somente para conceber separadamente objetos tais que é possível poder existir ou ser realmente percebidos separadamente. Mas meu poder de concepção ou imaginação não se estende além da possibilidade de existência ou percepção reais. Consequentemente, como é impossível para eu ver ou sentir qualquer coisa sem uma sensação real dessa coisa, assim é impossível para mim conceber em meus pensamentos qualquer coisa ou objeto sensível distinto da sensação ou percepção dele. [13Verdadeiramente, o objeto e a sensação são a mesma coisa e, portanto, não podem ser abstraídos um do outro.]
6. Algumas verdades são tão próximas e óbvias para a mente que um homem necessita apenas abrir seus olhos para as ver. Dessa maneira eu aceito esta ser importante, a saber, que todo o coro do céu e a mobília da terra, em uma palavra, todos aqueles corpos que compõem o poderoso corpo do mundo, não têm nenhuma subsistência sem uma mente; que o ser deles é ser percebido ou conhecido; que, consequentemente, contanto eles não sejam atualmente percebidos por mim, ou não existam em minha mente, ou que naquela de qualquer outro espírito criado, eles precisam ou [261]não ter existência de maneira nenhuma, ou senão, subsistir na mente de algum Espírito Eterno: sendo perfeitamente ininteligível, e envolvendo toda a absurdidade de abstração, atribuir a qualquer parte deles uma existência independente de um espírito. [14Para ficar convencido disso, o leitor apenas precisará refletir, e tentar separar em seus próprios pensamentos o ser de uma coisa sensível de seu ser percebida.]
7. A partir do que tem sido dito, é evidente que não há nenhuma outra Substância senão o Espírito, ou aquilo que percebe15. Mas, para a prova16 mais completa desse ponto, sejam consideradas as qualidades sensíveis [que] são cor, figura, movimento, cheiro, gosto e semelhantes, quer dizer, as ideias percebidas pelo sentido. Agora, para uma ideia existir em uma coisa não percebida é uma contradição manifesta; pois, ter uma ideia é inteiramente uma coisa com perceber: que, portanto, onde quer que cor, figura e qualidades semelhantes existam é necessário percebê-las. Consequentemente, é claro que não pode haver substância ou substratum daquelas ideias.
8. Mas, você diz, embora as ideias mesmas17 não existam fora da mente, todavia, podem haver coisas semelhantes a elas, de onde elas são cópias ou semelhanças; coisas que existam fora da mente, em uma substância não pensante18. Eu respondo, uma ideia não pode ser semelhante a nada, salvo a uma ideia; uma cor ou figura não pode ser semelhante a nada, salvo a outra cor ou figura. Se nós nunca examinássemos tão pouco nossos pensamentos, nós deveríamos descobrir [ser] impossível para nós conceber uma semelhança exceto apenas entre nossas ideias. Novamente, eu pergunto se aqueles supostos originais, ou coisas externas, das quais nossas ideias são imagens ou representações, são elas perceptíveis ou [262]não? Se elas são, então elas são ideias, e nós ganhamos nosso ponto: mas se você diz que elas não são, eu apelo para qualquer um se faz sentido afirmar que uma cor é semelhante a alguma coisa que é invisível; duro ou macio, semelhante a alguma coisa que é intangível, e assim quanto ao resto.
9. Há alguns que fazem uma distinção entre qualidades primárias e secundárias19. Pela primeira eles entendem extensão, figura, movimento, repouso, solidez ou impenetrabilidade e número; pela segunda eles denotam todas as qualidades sensíveis, como cores, sons, gostos e assim por diante. As ideias que nós temos dessas últimas, eles reconhecem, não se assemelham a nada existente fora da mente, ou não percebido; mas eles aceitarão nossas ideias das qualidades primárias ser padrões ou imagens das coisas que existem fora da mente, em uma substância não pensantes que eles chamam de Matéria. Por matéria, portanto, nós devemos entender uma substância inerte20, insensível, na qual extensão, figura e movimento subsistem. Mas é evidente, a partir do que nós já revelamos, que extensão, figura e movimento são apenas ideias existentes na mente21, e que uma ideia não pode ser semelhante a nada senão a outra ideia; e que, consequentemente, nem elas, nem os arquétipos delas, podem existir em uma substância não percebida. Consequentemente, é simples que a noção mesma do que é chamado de Matéria ou substância corporal, envolve uma contradição nela. [22De tal maneira que eu não deveria considerar ser necessário despender mais tempo em expor sua absurdidade. Mas, porque o dogma da existência da Matéria23 parece ter enraizado-se tão profundamente nas mentes dos filósofos, e extrair a partir dai tantas consequências ruins, eu escolho antes ser considerado prolixo e tedioso do que omitir qualquer coisa que poderia conduzir a descoberta e extirpação completa desse prejuízo.]
10. Aqueles que afirmam que figura, movimento e o resto das [263]qualidades primárias ou originais24 existem fora da mente, em substâncias não pensantes, ao mesmo tempo reconhecem que cores, sons, calor, frio e semelhantes qualidades secundárias, não [existem dessa maneira]; as quais, eles explicam-nos, são sensações, existindo apenas na mente, que dependem de e são ocasionadas pelos diferentes tamanhos, texturas e movimento das minúsculas partículas de matéria25. Isso eles aceitam por ser verdade indubitável, a qual eles podem demonstrar além de toda exceção. Agora, se for certo que aquelas qualidades originais estão inseparavelmente unidas com outras qualidades sensíveis, e não, até em pensamento, [são] capazes de ser abstraídas delas, simplesmente se segue que elas existem apenas na mente. Mas eu desejo que qualquer um reflita, e experimente se ele pode, por qualquer abstração de pensamento, conceber a extensão e o movimento de um corpo sem todas as qualidades sensíveis. De minha própria parte, eu vejo evidentemente, que não está em meu poder formar uma ideia de um corpo extenso e movente, mas que eu preciso, ao mesmo tempo, dar-lhe alguma cor ou outra qualidade sensível, a qual é reconhecida existir apenas na mente. Em resumo, extensão, figura e movimento, abstraídas de todas as outras qualidades, são inconcebíveis. Portanto, onde as outras qualidades sensíveis estão, também elas precisam estar, na mente e em nenhum outro lugar26.
11. Novamente, grande e pequeno, rápido e lento, [não] são aceitas existir em nenhum outro lugar fora da mente27; sendo inteiramente relativas e mudando conforme a estrutura ou posição dos órgão de sentido variam. Portanto, a extensão que existe fora da mente não é nem grande nem pequena, o movimento, nem rápido nem lento; quer dizer, eles não são coisa nenhuma. Mas, você diz, eles são extensão em geral e movimento em geral. Dessa maneira, nós vemos quanto do dogma das substâncias móveis extensas existentes fora da mente28 depende daquela estranha doutrina das ideias abstratas. E aqui eu não posso senão observar quão de perto a vaga e indeterminada descrição [264]da Matéria, ou substância corporal, na qual os filósofos modernos incorrer por seus princípios, assemelha-se àquela antiquada e tão ridicularizada noção de matéria prima, a ser encontrada em Aristóteles e seus seguidores. Sem extensão a solidez não pode ser concebida: portanto, uma que foi revelado que a extensão não existe em uma substância não pensante, o mesmo também precisa ser verdadeiro da solidez.29
12. Que o número seja inteiramente a criatura da mente30, mesmo embora as outras qualidades sejam reconhecidas existir fora dela, ficará evidente a qualquer um que considere que a mesma coisa porta uma denominação diferente de número conforme a mente vê-la sob diferentes aspectos. Dessa maneira, a mesma extensão é uma, ou três, ou trinta e seis, conforme a mente considera-a uma jarda, um pé ou uma polegada. O número é tão visivelmente relativo, e dependente do entendimento do homem, que é estranho pensar como qualquer um deveria conceder-lhe uma existência absoluta fora da mente. Nós dizemos um livro, uma página, uma linha, etc.; todas essas são igualmente unidades, embora algumas contenham várias das outras. E em cada instância, é simples, a unidade relaciona-se a alguma combinação particular de ideias combinadas arbitrariamente pela mente31.
13. A unidade, eu conheço, alguns32 aceitarão ser uma ideia simples e não composta, acompanhando todas as outras ideias dentro da mente. Que eu tenha qualquer ideia semelhante respondendo pela palavra unidade eu não encontro; e se eu tivesse-a, parece-me que eu não poderia deixar de encontrá-la; pelo contrário, ela deveria ser a mais familiar ao meu entendimento, uma vez que se diz acompanhar todas as outras ideias, e ser percebida por todos os modos de [265]sensação e reflexão. Para não dizer mais nada, ela é uma ideia abstrata.
14. Além disso, eu deverei adicionar que, segundo a mesma maneira que os filósofos modernos provam certas qualidades sensíveis não terem existência na Matéria, ou fora da mente, a mesma coisa pode ser provada da mesma maneira de todas as outras qualidades sensíveis, quaisquer que sejam. Desse modo, por exemplo, diz-se que calor e frio são afeções apenas da mente e, de maneira alguma, padrões de coisas reais, existindo nas substâncias corporais que as excitam; pois o mesmo corpo que parece frio para uma mão parece quente para outra. Agora, por que nós não podemos também argumentar que figura e extensão não são padrões ou semelhanças de qualidades existentes na Matéria; porque para o mesmo olho, em diferentes posições, ou para olhos de uma textura diferente em uma mesma posição, elas aparecem variadas e, portanto, não podem ser as imagens de qualquer coisa estabelecida e determinada fora da mente? Novamente, está provado que a doçura realmente não está na coisa sápida; porque, a coisa permanecendo inalterada, a doçura muda-se em amargura, como no caso de uma febre ou um paladar de outra maneira viciado. Não é razoável dizer que o movimento não está fora da mente; uma vez que se, a sucessão de ideias na mente torna-se mais rápida, o movimento, é reconhecido, deverá aparecer mais lento, sem qualquer alteração em qualquer objeto externo33?
15. Em resumo, que qualquer um considere esses argumentos que são considerados provarem manifestamente que cores e sabores existem apenas na mente, e ele deverá descobrir que eles podem, com igual força, ser alegados para provar a mesma coisa da extensão, figura e movimento. Embora precise ser confessado que esse método de argumentação não prova tanto que não haja extensão ou cor em um objeto exterior, quanto que nós não conhecemos pela sensação qual é a verdadeira extensão ou cor do objeto. Mas os argumentos acima expostos34 revelam claramente ser impossível que, de qualquer maneira, qualquer cor ou extensão, ou outra qualidade sensível seja qual for, deva existir em um sujeito não pensante fora da mente, ou, em verdade, que deva haver uma coisa tal como um objeto exterior35.
ORIGINAL:
BERKELEY, G. A Treatise concerning the Principles of Human Knowledge [Part I]. First published in 1710. IN:______. The Works of George Berkeley. Oxford: Clarendon Press, 1901. p.257-265. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofberkeley01berkuoft/page/257/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1 [257]Isso assemelha-se à explicação, por Locke, das ideias com as quais o conhecimento humano está interessado. Todas elas originariamente apresentadas aos sentidos, ou recebidas através de reflexão sobre as paixões e atos das mente; e os materiais contribuídos nessa experiência externa e interna são, com a ajuda da memória e imaginação, elaborados pelo entendimento humano de maneiras inumeráveis, verdadeiras e falsas. Ver o Essay, Bk. II, ch. I, §§1-5; ch. 10, 11, 12; por Locke.
2 [258]As ideias ou fenômenos dos quais nós somos percipientes em nossos cinco sentidos aparecem, não isolados, mas em massas individuais, constituindo as coisas, que ocupam seus respectivos lugares em espaços ambientes percebidos. São como qualidades de coisas que as ideias ou fenômenos dos sentidos surgem na experiência humana.
3 Isso é uma avanço em relação à linguagem do Commonplace Book, na qual ‘mente’ é expressa como apenas ‘amontoados de percepções.’ Aqui ela é alguma coisa ‘inteiramente distinta’ das ideias ou percepções, na qual elas existem e são percebidas e da qual, em última análise, elas dependem. O Espírito, inteligente e ativo, com isso pressuposto, implica as ideias e, dessa maneira, torna-se a base da filosofia de Berkeley. Isso é apenas idealismo subjetivo? Locke aparece na seção 1, Descartes, se não Kant por antecipação, na seção 2.
4 Essa sentença expressa o Novo Princípio de Berkeley, o qual ocupava os pensamentos dele no Commonplace Book. Observe ‘em uma mente,’ não necessariamente em minha mente.
5 [259]Quer dizer, alguém apenas tem de colocar sentido concreto nos termos existência e realidade, para ter ‘um conhecimento intuitivo’ de que a matéria depende, para sua existência real, do espírito percipiente.
6 Em outras palavras, as coisas dos sentidos tornam-se reais apenas na experiência concreta da mente vivente, a qual lhes dá a única realidade que nós podemos conceber ou com a qual ter qualquer tipo de preocupação. Extinto o Espírito, o mundo material necessariamente cessa de ser real.
7 Este ser (esse) é ser percebido (percipi) é o Princípio inicial de Berkeley, chamado de ‘intuitivo’ ou autoevidente.
8 Note que é a ‘existência natural ou real’ do mundo material, na ausência de todo Espírito percipiente, que Berkeley insiste que é impossível – sem sentido.
9 ‘nossas próprias’ – contudo, não exclusivamente minhas. Elas dependem, para a realidade delas, de um percipiente, não da minha percepção.
10 ‘esse dogma,’ ou seja, que o mundo natural concreto ainda poderia ser uma realidade após a aniquilação de toda vida espiritual percipiente no universo – divina ou outra.
11 [260]‘existindo não percebidos,’ ou seja, existindo sem ser percebido em qualquer experiência vivente percipiente – existindo em uma existência totalmente abstrata, seja o que for que isso possa significar.
12 ‘noções’ – um termo em outros lugares (ver seções 27, 89, 142) restrito, que aqui é aplicado aos dados imediatos dos sentidos – as ideias da sensação.
13 Essa sentença está omitida na segunda edição.
14 [261]Na primeira edição, no lugar dessa sentença, nós temos a seguinte: ‘Para fazer isso aparecer com toda a luz e evidência de um Axioma, parece suficiente se eu apenas puder despertar a reflexão do leitor, para que ele possa usar uma visão imparcial de seu próprio significado, voltar seus pensamentos sobre si mesmo; livre e desengajado de todo embaraço de palavras e predisposição a favor de erros recebidos.’
15 Em outras palavras, o Espírito ativo percipiente está na raiz de toda experiência inteligível digna de confiança.
16 ‘prova’ – ‘demonstração’ na primeira edição; contudo ele chama-a de ‘intuitiva.’
17 ‘as ideias mesmas,’ ou seja, os fenômenos imediatamente apresentados no sentido, e que dessa maneria são percebidos em e através da experiência percipiente da mente vivente, como seu fator.
18 Como dizem aqueles que assumem que a percepção é, em última, instância representativa da realidade material; as coisas mesmas não aparecem para nós de maneira alguma.
19 [262]Ele refere-se especialmente a Locke, de quem a explicação da Matéria é portanto acusada de ser incoerente.
20 ‘inerte.’ Ver o De Motu.
21 ‘ideias existentes na mente,’ ou seja, fenômenos dos quais alguma mente é percipiente; os quais são percebidos na experiência senciente de um espírito vivente, humano ou outro.
22 O que se segue até o final da seção está omitido na segunda edição.
23 ‘a existência da matéria,’ ou seja, a existência do mundo material, considerado como alguma coisa que não precisa ser percebido para ser real.
24 [263]Algumas vezes chamada de qualidades objetivas, porque se supõe serem realizadas em uma objetividade abstrata, a qual Berkeley insiste que é sem sentido.
25 Ver o Essay, Bk. II, ch. 8, §§ 13, 18; ch. 23, § 11; Bk. IV, ch. 3, § 24-26, por Locke. Locke sugere essa relação entre as qualidades primárias e secundárias da matéria apenas hipoteticamente.
26 ‘na mente e em nenhum outro lugar,’ ou seja, percebidas ou concebidas, mas de nenhuma outra maneira elas podem ser reais ou concretas.
27 ‘sem a mente,’ ou seja, independentemente de toda experiência percipiente.
28 [Nota do Tradutor: o conteúdo desta nota é o mesmo da nota anterior]
29 [264]Dessa maneira, a extensão é a característica distintiva do mundo material. Solidez geométrica e material, bem como movimento, implicam extensão.
30 ‘o número é a criatura da mente,’ ou seja, é dependente de ser percebido na experiência percipiente. Essa dependência é aqui ilustrada pela relação do número concreto com o ponto de vista de cada mente; assim como a dependência das outras qualidades primárias foi ilustrada pela dependência delas da organização do percipiente. Nessa, a precedente, e nas seções seguintes, Berkeley argumenta sobre a inconsistência da realidade abstrata para as qualidades primárias com a reconhecida dependência delas das condições necessárias experiência sensorial.
31 Cf. New Theory of Vision, seção 109
32 Por exemplo, Essay, Bk. II, ch. 7, §7; ch. 16, §1, por Locke.
33 [265]‘sem qualquer alteração em qualquer objeto externo’ – ‘sem qualquer alteração’ – na primeira edição.
34 Esses argumentos, fundados na natureza dependente de todas as qualidades da matéria, são expandidos no First Dialogue between Hylas and Philonous.
35 ‘um objeto externo,’ ou seja, um objeto inteiramente abstraído de Mente vivente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário