Por George Berkeley
[266]16. Mas examinemos um pouco a opinião recebida. É dito que a extensão é um modo ou acidente da Matéria, e que a Matéria é o substratum que a suporta. Agora eu desejo que você explique para mim o que significa a Matéria suportante da extensão. Você diz, eu não tenho nenhuma ideia de Matéria e, portanto, eu não posso explicá-la. Eu respondo, embora você não tenha nenhuma positiva, todavia, se você tem algum significado em absoluto, você deve pelo menos ter uma ideia relativa de Matéria; embora você não saiba o que ela é, contudo, supõe-se que você deva saber que relação ela comporta com os acidentes, e que significava ela suportando-os. É evidente que aqui suportar não pode ser tomado por seu sentido usual ou literal, como quando nós dizemos que os pilares suportam uma construção. Portanto, em que sentido eles deve ser tomado? [1Por minha parte, eu não sou capaz de descobrir absolutamente nenhum sentido que possa ser aplicável a ele.]
17. Se nós investigássemos o que os mais exatos filósofos declaram-se significar por substância material, nós devemos descobrir-lhes reconhecer que eles não têm outro sentido anexado àqueles sons senão a ideia de Ser em geral, junto com a noção relativa de seu suporte de acidentes. A ideia geral de Ser parece-me a mais abstrata e incompreensível de todas; e quanto a seu suportar de acidentes, isso, como nós há pouco observamos, não pode ser entendido no sentido comum dessas palavras: portanto, ele precisa ser tomado em algum outro sentido, mas, qual seja esse, eles não explicam. De modo que, quando eu considero as duas partes ou ramos que formam a significação das palavras substância material, eu estou convencido de que não há sentido distinto anexado a elas. Mas por que nós deveríamos inquietarmo-nos ainda mais, discutindo esse substratum material ou suporte de figura e movimento e outras qualidades sensíveis? Isso não supõe que elas tenham uma existência fora da mente? E não é isso uma repugnância direta e completamente inconcebível?
18. Mas, embora fosse impossível que substâncias sólidas, figuradas, móveis possam existir fora da mente, correspondendo às ideias que nós temos de corpos, todavia, como é possível para nós conhecer isso? Nós devemos conhecê-lo ou por Sentido ou por Razão2. Quanto aos nossos sentidos, por eles nós [267]temos o conhecimento apenas de nossas sensações, ideias ou outras coisas que são imediatamente percebidas pelo sentido, chame-as do que você quiser: mas elas não nos informam de coisas que existem fora da mente, ou não percebidas, como aquelas que são percebidas. Isso os materialistas mesmos reconhecem. - Portanto, resta que se nós tivéssemos absolutamente qualquer conhecimento de coisas exteriores, ele precisa ser através da razão inferindo a existência delas a partir do que é imediatamente percebido pelo sentido. Mas (3eu não vejo) que razão possa induzirmos a acreditar na existência de corpos fora da mente, a partir do que nós percebemos, uma vez que os patronos mesmos da Matéria não pretendem que haja qualquer conexão necessária entre eles e nossas ideias? Eu digo isto que é concedido por todos os lados (e o que acontece em sonhos, frenesis e semelhantes, coloca-o além de disputa) que é possível que nós possamos ser afetados com todas as ideias que nós temos agora, embora nenhum corpo exista assemelhando-se a elas4. Consequentemente é evidente que a suposição de corpos externos5 não é necessária para a produção de nossas ideias; uma vez que é concedido que elas algumas vezes são produzidas, e possivelmente poderiam ser sempre produzidas, na mesma ordem que nós vemo-las no presente, sem o concurso daqueles.
19. Mas, embora nós possivelmente pudéssemos ter todas as nossas sensações sem eles, todavia, talvez, possa ser considerado mais fácil conceber e explicar o modo de produção delas, supondo corpos exteriores à sua semelhança do que de outra maneira; e assim poderia ser pelo menos provável que haja coisas semelhantes a corpos que excitem as ideias deles em nossas mentes. Pois, embora nós concedamos aos materialistas seus corpos externos, eles, pela própria confissão deles, nunca ficarão mais próximos de conhecer como nossas ideias são produzidas; uma vez que eles próprios são incapazes de compreender de que maneira o corpo pode agir sobre o espírito, ou como é possível que ele deva imprimir qualquer ideia na mente6. Consequentemente [268]é evidente que a produção de ideias ou sensações em nossas mentes7, não pode ser razão nenhuma para supor a Matéria ou substâncias corporais8; uma vez que é reconhecido permanecer igualmente inexplicável com ou sem sua suposição. Portanto, se fosse possível para os corpos existirem fora da mente, todavia, considerá-los assim deveria ser uma opinião muito precária; uma vez que se supõe, sem absolutamente qualquer razão, que Deus tenha criado inumeráveis seres que são inteiramente inúteis e para não servem a nenhum uso de propósito.
20. Em resumo, se existissem quaisquer corpos exteriores9, é impossível que nós alguma vez venhamos a conhecê-los; e se não existissem, nos poderíamos ter as mesmas razões para pensar que existem que nós agora temos. Suponha – o que ninguém pode negar possível – uma inteligência, sem a ajuda de corpos exteriores10, ser afetada pelo mesmo cortejo de sensações ou ideias que você é [afetado], impressa na mesma ordem e com semelhante vividez em sua mente. Eu pergunto se essa inteligência não tem toda a razão para acreditar na existência de Substâncias Corporais, representadas por suas ideias, e excitando-as em sua mente, que você possivelmente tem para acreditar na mesma coisa? Quanto a isso não pode haver nenhuma questão. Consideração que seria suficiente para fazer qualquer pessoa razoável suspeitar a força de seja qual for argumento que ele possa pensar em ter para a existência de corpos fora da mente.
21. Fosse necessário adicionar qualquer prova a mais contra a existência de Matéria11, após o que foi dito, eu poderia exemplificar vários daqueles erros e dificuldades (para não mencionar as impiedades) que se originaram desse dogma. Ele ocasionou controvérsias e disputas sem número em filosofia, e não poucas de muito maior importância em religião. Mas eu não deverei entrar em detalhes sobre elas neste lugar, como eu penso que argumentos a posteriori sejam desnecessários para confirmar o que já foi, se eu não me engano, [269]suficientemente demonstrado a priori, tanto assim porque eu deverei daqui em diante falar um pouco deles.
22. Eu temo que possa ter dado causa para pensar que eu seja desnecessariamente prolixo ao lidar com esse assunto. Pois, para que propósito dilatar-se sobre o que pode ser demonstrado com a máxima evidência em uma linha ou duas, para qualquer um que seja capaz de reflexão mínima? É apenas olhar para seus próprios pensamentos, e assim experimentar se você pode conceber ser possível para um som, ou figura, ou movimento, ou cor existir fora da mente ou não percebido. Essa experiência12 fácil talvez possa fazer você perceber que isso pelo que você disputa é uma franca contradição. Tanto que eu estou contente de colocar tudo sobre esta questão: - se você apenas puder conceber ser possível para uma substância extensa móvel, ou, em geral, para qualquer ideia, ou qualquer coisa semelhante a uma ideia, existir de outra maneira que em uma mente percebendo-a13, eu prontamente deverei desistir da causa. E, quanto a todas aquelas estruturas de corpos externos pelas quais você disputa, eu deverei conceder-lhe a existência delas, embora eu não possa quer dar qualquer razão pela qual você acredita que elas existam, quer atribuir qualquer uso a elas quando se supõe que elas existam. Eu digo, a simples possibilidade de que suas opiniões sejam verdadeiras deverá ser suficiente para um argumento de que elas assim sejam.
23. Mas, diz você, certamente não há nada mais fácil do que imaginar árvores, por exemplo, em um parque, ou livros existindo em um escritório, e ninguém por perto para os perceber. Eu respondo, você pode, não há dificuldade nisso. Mas o que é tudo isso, eu imploro a você, mais do que formar em sua mente certas ideias que você chama de livros e árvores, e, ao mesmo tempo, omitir formar a ideia de qualquer um que possa percebê-las? Mas você mesmo não as percebe ou pensa nelas o tempo todo? Portanto, isso não é nada para o propósito: isso apenas revela que você tem o poder de imaginar, ou de formar, ideias em sua mente; mas isso não mostra que você pode conceber ser possível que os objetos em seu pensamento possam existir fora da mente14. Para conseguir isso, é necessário que [270]você conceba-os existindo não concebidos ou impensados; o que é uma repugnância manifesta. Quando nos fazemos o nosso máximo para conceber a existência de corpos externos15, nós estamos o tempo todo apenas contemplando nossas próprias ideias. Mas a mente, não observando a si mesma, é iludida para pensar que pode e que concebe corpos existindo impensados, ou fora da mente, embora, ao mesmo tempo, elas sejam apreendidos por, ou existem em, si mesmos. Um pouco de atenção descobrirá para qualquer um a verdade e evidência do que é dito aqui, e torna desnecessário insistir em quaisquer outras provas contra a existência da substância material.
24. [16Pudessem os homens apenas se absterem de se entreter com palavras, nós logo deveríamos, eu acredito, chegar a um acordo nesse ponto.] É muito óbvio, a partir da menor investigação em seus próprios pensamentos, saber se é possível para nós entendermos o que se quis dizer com a existência absoluta de objetos sensíveis neles mesmos, ou fora da mente17. Para mim, é evidente que aquelas palavras marcam ou uma contradição direta, ou, senão, nada em absoluto. E, para convencer outros disso, eu não conheço maneira mais justa ou mais apta do que suplicar que eles deveriam calmamente observar seus próprios pensamentos; e, se por essa atenção o vazio ou repugnância daquelas expressões aparecer, certamente nada mais é requisito para a convicção deles. Portanto, é nisto que eu insisto, a saber, que a existência absoluta de coisas impensadas são palavras sem sentidos, ou que incluem uma contradição. Isso é o que eu repito e inculco, e sinceramente recomendo aos pensamentos atentos do leitor.
25. Todas as nossas ideias, sensações, noções18, ou as coisas que nós percebemos, por quaisquer nomes que elas possam ser distinguídas, são visivelmente inativas: não há nada de poder ou atividade (agency) [271]incluída nelas. De maneira que nenhuma ideia ou objeto de pensamento pode produzir ou marcar qualquer alteração em outro19. Para ficar satisfeito com a verdade disso, não há nada mais como requisito senão a observação simples de nossas ideias. Pois, uma vez que eles, e cada parte deles, existem apenas na mente, segue-se que não há nada neles senão o que é percebido: mas, quem quer que deva atentar para suas próprias ideias, quer do sentido ou da reflexão, não perceberá nelas qualquer poder ou atividade; portanto, não há tal coisa contida nelas. Um pouco de atenção descobrirá em nós que o ser mesmo de uma ideia implica passividade e inatividade nela; tanto que é impossível para uma ideia fazer qualquer coisa, ou, falando estritamente, ser a causa de qualquer coisa: nem pode ela ser a semelhança ou o padrão de qualquer ser ativo, como é evidente a partir da seção 8. De onde se segue simplesmente que extensão, figura e movimento não podem ser a causa de nossas sensações. Portanto, dizer que eles são os efeitos de poderes resultantes da configuração, do número, do movimento e tamanhos de corpúsculo20, precisa ser certamente falso.
26. Nós percebemos uma sucessão contínua de ideias; algumas são excitadas mais uma vez, outas são mudadas ou desaparecem totalmente. Portanto, há alguma causa dessas ideias, da qual elas dependem, e a qual as produz e muda21. Que essa causa não pode ser qualquer qualidade ou ideia ou combinação de ideias, está claro a partir da seção precedente. Portanto, ela precisa ser uma substância; mas foi revelado que não há substância corporal ou material: portanto, resta que a causa das ideias seja uma incorpórea substância ativa ou Espírito22.
[272]27. Um Espírito é um ser simples, indiviso, ativo – enquanto ele percebe ideias ele é chamado de entendimento, e enquanto ele produz ou, de outro modo, opera sobre elas ele é chamado de vontade. Consequentemente, não pode haver ideia formada de uma alma ou espírito; pois todas as ideias, sejam quais forem, sendo passivas e inertes (veja a seção 25), elas não podem representar para nós, por meio de imagem ou semelhança, aquilo que age. Um pouco de atenção tornará isto claro para qualquer um, que ter uma ideia que deverá ser semelhante àquele Princípio de movimento e mudança de ideias é absolutamente impossível. Tal é a natureza do Espírito, ou daquilo que age, que ele não pode ser percebido por si mesmo, mas apenas pelos efeitos que ele produz23. Se qualquer homem duvidar da verdade do que aqui é proferido, que ele deva apenas refletir e experimentar se ele pode formar a ideia de qualquer poder ou ser ativo; e se ele tem ideias dos dois principais poderes, marcados pelos nomes de vontade e entendimento, distintos um do outro, assim como de uma terceira ideia de Substância ou Ser em geral, com uma noção relativa de seu suportar ou ser o sujeito dos poderes supracitados – a qual é significado pelo nome de alma ou espírito. Isso é o que alguns sustentam; mais até onde eu posso ver, as palavras vontade, [24entendimento, mente,] alma, espírito, não significam ideias diferentes, ou, em verdade, não significam nenhuma ideia de maneira nenhuma, mas alguma coisa que é muito diferente de ideias, e que, sendo um agente, não pode ser semelhante a, ou ser representado por, qualquer ideia de jeito nenhum. [25Embora deva ao mesmo tempo ser confessado, que nós temos uma noção de alma, espírito, e das operações da mente, tais como desejar, amar, odiar – visto que nós conhecemos ou entendemos o significado dessas palavras.]
28. Eu considero que eu posso excitar ideias26 em minha mente à vontade, e variar e mudar a cena tão frequentemente eu considerar adequado. Não é mais do que desejar, e, imediatamente, essa ou aquela ideia surge em minha imaginação; e pelo mesmo poder ela é obliterada e [273]abre caminho para outra. Essa produção e destruição de ideias muito apropriadamente denominam a mente de ativa. Tanto assim é certo e fundamentado na experiência: mas quando nós falamos de agentes não pensantes, ou ideias excitantes exclusivas de volição, nós apenas nos divertimos com palavras27.
29. Mas, qualquer que seja o poder que eu possa ter sobre meus próprios pensamentos, eu descubro que as ideias efetivamente percebidas pelo Sentido não têm uma dependência semelhante da minha vontade. Quando, em plena luz do dia, eu abro meus olhos, não está em meu poder escolher se eu deverei ver ou não, ou determinar que objetos particulares deverão apresentar à minha visão: e assim, da mesma maneira, para a audição e outros sentidos; as ideias impressas neles não são criaturas da minha vontade28. Portanto, há alguma outra Vontade ou Espírito que as produz.
30. As ideias do Sentido são mais fortes, vívidas e distintas do que aquelas da Imaginação29; da mesma maneira, elas têm uma firmeza, ordem e coerência que não são excitadas aleatoriamente, como aquelas que são os efeitos das vontades humanas frequentemente são, mas em um fluxo ou série regular – a conexão admirável da qual suficientemente testemunha a sabedoria e benevolência de seu Autor. Agora, as regras, ou métodos, estabelecidos, pelos quais a Mente da qual nós dependemos excita em nós as ideias do Sentido, são chamadas de as Leis da Natureza; e essas nós aprendemos por experiência, a qual nos ensina que tais e tais ideias são acompanhadas de tais e tais outras ideias, no curso ordinário das coisas.
31. Isso concede-nos um tipo de previsão, a qual nos capacita a regular nossas ações em benefício da vida. E sem isso nós deveríamos ficar eternamente perdidos: nós não poderíamos saber [274]como representar coisa alguma que pudesse obter-nos o menor prazer, ou remover a menor dor do sentido. Que a comida nutre, o sono revigora, e o fogo aquece-nos; que semear na época da semeadura é maneira de colher na colheita; e, em geral, que, para obter tais e tais fins, tais e tais meios são propícios – tudo isso nós conhecemos, não pela descoberta de qualquer conexão necessária entre nossas ideias, mas apenas pela observação das leis estabelecidas da natureza; sem as quais nós deveríamos estar completamente em incerteza e confusão, e um homem crescido não mais saberia como conduzir a si mesmo nos assuntos da vida do que um infante recém-nascido30.
32. E todavia, esse consistente funcionamento uniforme, que tão evidentemente exibe a bondade e a Sabedoria do Espírito Governante cuja Vontade constitui as leis da natureza, está tão longe de conduzir nossos pensamentos a Ele, que antes os envia atrás de causas segundas31. Pois, quando nós percebemos certas ideias do Sentido constantemente seguidas por outras ideias, e nós sabemos que isso não é obra nossa, nós sem demora atribuímos poder e atividade às ideias mesmas, e fazemos de uma causa de outra, do que nada pode ser mais absurdo e ininteligível. Dessa maneira, por exemplo, tendo observado que, quando nós percebemos pela vista uma certa figura luminosa circular, nós, ao mesmo tempo, percebemos pelo toque a ideia ou sensação chamada de calor, nós, consequentemente concluímos ser o sol a causa do calor. E, de maneira semelhante percebendo o movimento e a colisão de corpos ser acompanhada de som, nós estamos inclinados a pensar o segundo ser o efeito dos primeiros32.
33. As ideias impressas nos sentidos pelo Autor da natureza são chamadas de coisas reais: e aquelas excitadas na imaginação, sendo menos regulares, vívidas e constantes, são mais propriamente denominadas de ideias ou imagens de coisas, as quais [275]elas copiam ou representam. Mas então nossas sensações, sejam elas nunca tão vívidas e distintas são, mesmo assim, ideias33: quer dizer, elas existem na mente, ou são percebidas por ela, tão verdadeiramente como as ideias de sua própria formação. As ideias do Sentido são reconhecidas ter mais realidade34 nelas, quer dizer, ser mais fortes, ordenadas e coerentes do que as criaturas da mente; mas isso não é argumento para que elas existam fora da mente. Também elas são menos dependentes do espírito ou substância que as percebe, no que elas são excitadas pela vontade de outro e mais poderoso Espírito: todavia, elas ainda são ideias: e certamente nenhuma ideia, quer fraca ou forte, pode existir de outra maneira que em uma mente percebendo35.
ORIGINAL:
BERKELEY, G. A Treatise concerning the Principles of Human Knowledge [Part I]. First published in 1710. IN:______. The Works of George Berkeley. Oxford: Clarendon Press, 1901. p.266-275. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofberkeley01berkuoft/page/266/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1 [266]Esta sentença está omitida na segunda edição.
2 ‘razão,’ ou seja, raciocínio. Argumenta-se, nesta e na seção seguinte, que uma realidade não realizada na experiência percipiente não pode ser provada, [267]quer por nossos sentidos, quer por nosso raciocínio.
3 Omitida na segunda edição, e a sentença convertida em uma questão.
4 Mas as ideias das quais nós somos conhecedores em sonhos acordados, e sonhos de sono, diferenciam-se em importantes características das ideias externas das quais nós somos percipientes no sentido. Cf. seções 29, 33.
5 ‘corpos externos,’ ou seja, corpos que se supõem serem reais independentemente de todos os percipientes no universo.
6 Ou seja, eles não podem revelar como sua hipótese ininteligível de [268]Matéria explica a experiência que nós temos, ou esperamos ter; ou a qual nós acreditamos que outras pessoas têm, ou estão prestes a ter.
7 ‘a produção,’ etc, ou seja, o fato de que nós e outros temos experiência percipiente.
8 Matéria dependente da mente ele não apenas admite existir, mas sustenta a realidade dela ser intuitivamente evidente.
9 Ou seja, corpos existindo em abstração de vivos espíritos percipientes.
10 [Nota do Tradutor: o conteúdo desta nota é o mesmo da nota anterior]
11 ‘Matéria,’ ou seja, Matéria abstrata, não percebida em inteligência senciente.
12 [269]O apelo aqui e em outros lugares é à consciência – diretamente, a cada experiência pessoal, e indiretamente, àquela de outros.
13 Ou seja, de outra maneira que não na forma de uma ideia ou aparência atual apresentada a nossos sentidos.
14 Isso implica que o mundo material pode ser percebido na imaginação assim como na percepção sensível, mas em um grau menor de realidade; pois realidade, ele assume, admite em graus.
15 [270]‘conceber a existência de corpos externos,’ ou seja, conceber corpos que não são concebidos – que não são ideias de maneira alguma, mas que existem em abstração. Supor que nós concebamos ser não concebido, é supor uma contradição.
16 Esta sentença está omitida na segunda edição.
17 ‘A existência de coisas fora da mente,’ ou em ausência de toda a vida espiritual e percepção, é contra o que argumenta Berkeley, como sem sentido, se não contraditório; não a existência de um mundo material, quando isso significa a ordem percebida da natureza, regulada independentemente de vontade individual, e à qual nossas ações precisam conformar-se se nós devemos evitar dor física.
18 Novamente aqui, noção não é distinguida de ideia.
19 [271]Esta e as três seções seguintes argumentam pela essencial impotência da matéria, e que, até onde nos diz respeito, as assim chamadas ‘causas naturais’ são apenas sinais que predizem o aparecimento de seus assim chamados efeitos. O mundo material é apresentado a nossos sentidos como um cortejo de ordenados, e portanto interpretáveis, todavia em si mesmos impotentes, ideias ou fenômenos; o movimento é sempre um efeito, nunca uma causa originante ativa.
20 Como Locke sugere.
21 Isso tacitamente pressupõe a necessidade na razão do Princípio de Causalidade, ou a necessidade derradeira de uma causa eficiente para cada mudança. Determinar o tipo de Causação que constitui e permeia o universo é o objetivo de sua filosofia.
22 Em outras palavras, o mundo material não é apenas real em e através de um espírito percipiente, mas as formas mutantes que seus fenômenos assumem, na evolução natural, são a questão da atividade perpétua do Espírito permanentemente presente (in-dwelling). O argumento desta seção requer uma crítica mais profunda de suas premissas.
23 [272]Em outras palavras, um agente não pode, como tal, ser percebido ou imaginado, embora seus efeitos possam. O termo espiritual agente não é sem sentido; todavia nós não temos ideia sensível de seu significado.
24 Omitido na segunda edição.
25 Esta sentença não está contida na primeira edição. É notável para a primeira introdução do termo noção, significar significado sem ideia, como nas palavras alma, poder ativo, etc. Aqui ele diz que ‘as operações da mente’ pertencem a noções, enquanto, na seção 1, ele fala de ‘ideias percebidas pelo acompanhamento de “operações” da mente.’
26 ‘ideias,’ ou seja, fantasias da imaginação; enquanto distintas das ideias ou fenômenos mais reais que se apresentam objetivamente a nossos sentidos.
27 [273]Com Berkeley o mundo de ideias externas é distinguido do Espírito por sua passividade essencial. O poder ativo está com ela, a essência da Mente, distinguindo-me das ideias mutantes das quais eu sou percipiente. Nós não devemos atribuir ação livre aos fenômenos apresentados a nossos sentidos.
28 Nesta e nas quatro seções seguintes, Berkeley menciona as marcas pelas quais as ideias ou fenômenos que se apresentam aos sentidos podem ser distinguidas de todas as outras ideias, em consequência das quais elas podem ser denominadas ‘externas,’ enquanto aquelas da sensação e imaginação são inteiramente subjetivas ou individuais.
29 Esta marca – a força e vivacidade superiores das ideias ou fenômenos que se apresentam aos sentidos – foi depois notada por Hume. Ver Inquiry concerning Human Understanding, seção II.
30 [274]Berkeley aqui e sempre insiste na característica arbitrária das ‘leis estabelecidas’ de mudança no mundo, enquanto contrastadas com as ‘conexões necessárias’ descoberta na matemática. Dessa maneira, o mundo material é virtualmente uma linguagem natural interpretada, constituída pelo que, em nosso ponto de vista, é arbitrariedade ou contingência.
31 Sob essa concepção do universo, ‘causas segundas’ são sinais divinamente estabelecidos de mudanças iminentes e são apenas metaforicamente chamadas de ‘causas.’
32 Assim como Schiller, em Don Carlos, Ato III, onde ele representa os céticos como falhando em ver o Deus que Se oculta em leis eternas. Mas, em verdade, Deus é lei ou ordem eterna vitalizada e moralizada.
33 [275]‘sensações,’ com Berkeley, não são meros sentimentos, mas, em um sentido, aparências externas.
34 ‘mais realidade.’ Isso implica que a realidade admite graus, e que a diferença entre os fenômenos apresentados aos sentidos e aqueles que são apenas imaginados é uma diferença em graus de realidade.
35 Nas seções precedentes, duas relações deveriam ser cuidadosamente distinguidas – aquela do mundo material para a mente percipiente, na qual ele torna-se real; e aquela entre mudanças no mundo e ação espiritual. Esses são os dois princípios condutores de Berkeley. O primeiro conduz a e justifica o segundo – inadequadamente, contudo, à parte da explicação de sua raiz na razão moral. O primeiro dá uma relação sui generis. O segundo dá nosso único exemplo de causalidade ativa – a ordem natural de fenômenos sendo o resultado da energia causal da Vontade planejante.
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