quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Um Tratado a respeito dos Princípios do Conhecimento Humano [34-59]

Por George Berkeley


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[275]34. Antes de prosseguirmos algo mais é necessário que despendamos algum tempo respondendo a Objeções1 que provavelmente podem ser feitas contra os Princípios que nós até agora estabelecemos. Ao fazer isso, se eu parecer muito prolixo àqueles de compreensões rápidas, eu desejo que possa ser desculpado, uma vez que todos os homens não igualmente apreendem as coisas dessa natureza; e eu estou desejando ser entendido por todo o mundo.

Primeiro, então, será objetado que, pelos princípios anteriormente mencionados, tudo que é real e substancial na natureza é banido do mundo e, em vez disso, um esquema quimérico de ideias prevalece. Todas as coisas existem apenas na mente; quer dizer, elas são puramente nocionais. Portanto, o que acontece com o sol, a lua e as estrelas? O que nós devemos pensar de casas, rios, montanhas, árvores, pedras; ou melhor, até de nossos próprios corpos? São todos esses apenas tantas [276]quimeras e ilusões na imaginação? - A tudo isso, e a qualquer outra coisa que possa ser objetada, eu respondo que pelos Princípios pressupostos nós não somos privados de qualquer coisa na natureza. Qualquer coisa que nós vemos, sentimos, ouvimos ou, de qualquer maneira, concebemos ou entendemos, permanece tão certa quanto sempre, e é tão real quanto sempre. Há uma rerum natura, e a distinção entre realidades e quimeras conservar sua completa força. Isso é evidente a partir das seções 29, 30 e 33, onde nós revelamos o que é significado por coisas reais, em oposição a quimeras ou ideias de nossa própria construção; mas então elas ambas existem igualmente na mente, e nesse sentido2 são semelhantemente ideias.

35. Eu não argumento contra a existência de qualquer coisa que nós possamos apreender, quer pelo sentido, quer pela reflexão. Que as coisas que eu vejo com meus olhos e toco com minhas mãos existem, realmente existem, eu não faço a mínima disputa. A única coisa cuja existência nós negamos é daquilo que os filósofos chamam de Matéria ou substância corporal. E, ao fazer isso, não há nenhum dano causado ao resto da humanidade, quem, eu atrevo-me a dizer, nunca sentirá falta dela. O Ateu, de fato, desejará a cor de um nome vazio para suportar sua impiedade; e os filósofos, possivelmente, podem considerar que eles perderam um grande pretexto para futilidade e disputa. [3Mas esse é todo o dano que eu posso ver ser causado.]

36. Se qualquer homem considerar que isso deprecia a existência ou realidade das coisas, ele está muito longe do entendimento do que tem sido pressuposto nos termos mais simples nos quais eu pude pensar. Tome aqui um resumo do que está sendo dito: - Há substâncias espirituais, mentes ou almas humanas, as quais desejam ou excitam ideias4 nelas mesmas à vontade; mas essas são fracas, débeis e instáveis com respeito às outras que elas percebem pelos sentidos: as quais, sendo impressas sobre elas de acordo com certas regras ou leis da natureza, declaram elas mesmas os efeitos de uma Mente mais poderosa e sábia do que os espíritos humanos5. Considera-se que essas últimas têm mais realidade6 [277]nelas do que as primeiras; - pela qual é significado que elas são mais afetantes, ordenadas e distintas, e que elas não são ficções da mentes percebendo-as7. E nesse sentido o sol que eu vejo é o sol real, e aquele que eu imagino pela noite é a ideia do primeiro. No sentido aqui dado de realidade, é evidente que todo vegetal, estrela, mineral e, em geral, cada parte do sistema mundano, é um ser tão real por nossos princípios quanto por quaisquer outros. Se outros querem dizer alguma coisa pelo termo realidade diferente do que eu digo, eu suplico-lhes para examinarem seus próprios pensamentos e compreenderem.

37. Será insistido que, pelo menos, este tanto é verdadeiro, a saber, que nós removemos todas as substâncias corporais. Para isso minha resposta é que, se a palavra substância for tomada no sentido vulgar, por uma combinação de qualidades sensíveis, tais como extensão, solidez, peso e semelhantes – isso nós não podemos ser acusados de remover; mas, se ela for tomada em um sentido filosófico, pelo suporte de acidentes ou qualidades fora da mente, então, de fato, eu reconheço que nós removemo-la, se de algo que nunca teve nenhuma existência pode ser dito foi removido, nem mesmo na imaginação8.

38. Mas depois de tudo, você diz, soa muito chocante dizer que nós comemos e bebemos ideias, e estamos vestidos com ideias. Eu reconheço que soa – a palavra ideia não sendo usada no discurso comum para significar as várias combinações de qualidades sensíveis que são chamadas de coisas; e é certo que qualquer expressão que varie do uso familiar da linguagem parecerá chocante e ridícula. Mas isso não diz respeito à verdade da proposição, a qual, em outras palavras, não é mais do que dizer, nós somos alimentados e vestidos com aquelas coisas que nós percebemos imediatamente por nossos sentidos9. A dureza ou maciez, a cor, o gosto, o calor, a figura e qualidades semelhantes, as quais combinadas juntas10 constituem os vários tipos de [278]mantimentos e vestuário, tem sido revelados existirem apenas na mente que as percebe: e isso é tudo que se quer dizer ao chamá-los de ideias; palavra que, se ela fosse tão ordinariamente usada quanto coisa, não soaria mais chocante ou ridícula do que ela. Eu não estou para disputar a propriedade, mas a verdade da expressão. Portanto, se você concorda comigo que nós comemos, bebemos e estamos vestidos com os objetos imediatos dos sentidos, os quais não podem existir sem ser percebidos ou fora mente, eu deverei prontamente conceder mais própria ou confortavelmente ao costume que eles devam ser chamados de coisas em vez de ideias.

39. Se for perguntado por que eu faço uso da palavra ideia e não antes, em conformidade com o costume, chamo-lhes de coisas; eu respondo, eu faço isso por duas razões: - Primeiro, porque o termo coisa, em oposição ao termo ideia, é geralmente suposto denotar alguma coisa existente fora da mente; Segundo, porque coisa tem uma significação mais compreensiva do que ideia, incluindo espíritos, ou coisas pensantes11, assim como ideias. Portanto, uma vez que os objetos do sentido existem apenas na mente e são, além disso, sem pensamento e inativos, eu escolhi marcá-los pelo termo de ideia; o qual implica essas propriedades12.

40. Mas, diga o que nós podemos dizer, talvez alguém possa estar apto a replicar: ele acreditará em seus sentidos, e nunca tolerará nenhum argumento, por mais plausível que seja, para prevalecer sobre a certeza deles. Assim seja; afirme a evidência do sentido tão alto quanto lhe agrade, nós estamos desejosos de fazer o mesmo. Isso que eu vejo, ouço e sinto, existe, quer dizer, é percebido por mim, eu não duvido mais disso do que eu duvido de meu próprio ser. Mas eu não vejo como o testemunho do sentido pode ser alegado como uma prova para a existência de qualquer coisa que não seja percebida pelo sentido. Nós não estamos para tornar qualquer homem cético e descrente de seus sentidos; pelo contrário, nós damos a eles todos o realce e garantia imagináveis; nem há [279]qualquer princípio mais oposto ao Ceticismo do que aqueles estabelecidos por nós, como daqui a diante deverá ser claramente demonstrado13.

41. Segundo, será objetado que, por exemplo, há uma grande diferença entre fogo real e a ideia de fogo, entre sonhar e imaginar-se queimado, e efetivamente estar queimado. [14Se você suspeita de ser apenas a ideia do fogo que você vê, coloque sua mão nela e você ficará convencido com um testemunho.] Isso e semelhantes podem ser argumentados contra nossos princípios. A tudo isso a resposta é evidente a partir do que já foi dito15; e neste lugar eu apenas deverei adicionar que, se o fogo real fosse muito diferente da ideia do fogo, assim também é a dor real que ele ocasiona muito diferente da ideia da mesma dor e, todavia, ninguém nunca pretenderá que ou a dor real é, ou pode possivelmente ser, uma coisa não percebida, ou fora da mente, algo mais do que sua ideia16.

42. Terceiro, será objetado que nós efetivamente vemos coisas à distância ou fora de nós, as quais, consequentemente, não existem na mente; sendo absurdo que aquelas coisas que são vistas à distância de várias milhas devam estar tão próximas de nós quanto nossos próprios pensamentos17. Em resposta a isso, eu desejo que seja considerado que, em um sonho, nós frequentemente percebemos coisas a grande distância e, todavia, por tudo isso, aquelas coisas são reconhecidas ter existência apenas na mente.

43. Mas, para a clarificação mais completa desse ponto, pode ser valioso considerar como é que nós percebemos a distância, e as coisas posicionadas à distância, pela vista. Pois, que nós devemos em verdade ver o espaço externo, e corpos efetivamente existindo nele, alguns mais próximos, outros mais distantes, parece comportar [280]alguma oposição ao que tem sido dito da existência deles em parte alguma fora da mente. A consideração dessa dificuldade foi o que deu origem ao meu Ensaio para uma nova Teoria da Visão, o qual foi publicado há pouco tempo18. No qual é revelado que a distância ou exterioridade (outness) não é nem imediatamente de si mesma percebida pela vista19, nem, contudo, apreendida ou julgada através de linhas e ângulos, ou qualquer coisa que tenha uma conexão necessária com ela20; mas que ela é apenas sugerida a nossos pensamentos por certas ideias visíveis e sensações auxiliando a visão, a qual, em sua própria natureza, não tem modo de semelhança ou relação quer com a distância que com coisas posicionadas à distância21; mas, por uma conexão ensinada a nós pela experiência, elas vem a significar e sugeri-las a nós, conforme a mesma maneira que as palavras de qualquer linguagem sugerem as ideias que elas são criadas para significar22. De tal modo que, um homem cego de nascença, e mais tarde feito enxergar, à primeira vista, não consideraria as coisas que ele vê estarem fora de sua mente, ou à qualquer distância dele. Ver seção 41 do tratado supracitado.

44. As ideias da vista e do tato formam duas espécies inteiramente distintas e heterogêneas23. As primeiras são marcas e prognósticos das segundas. Que os objetos próprios da vista nem existem fora da mente, nem são imagens de coisas externas, foi revelado mesmo naquele tratado24. Todavia, através do mesmo, o contrário é suposto ser verdadeiro dos objetos tangíveis; - não que supor esse erro vulgar fosse necessário para estabelecer a noção naquele lugar formulada, mas porque estava além de meu propósito examinar e refutá-lo, em um discurso relativo à Visão. De maneira que, na verdade estrita, as ideias da vista25, quando nós apreendemos por elas a distância, e as coisas posicionadas à distância, não sugerem ou distinguem coisas efetivamente existindo à distância, mas apenas nos avisam que ideias do toque26 serão impressas em nossas mentes em tal e tal distâncias de tempo, e em consequência de tais ou tais ações. Eu digo; é evidente, a partir do [281]que foi dito nas partes supracitadas deste Tratado, e na seção 147 e em outros lugares do Ensaio sobre a Visão, que as ideias visíveis são a Linguagem pela qual o Espírito Governante, do qual nós dependemos, informa-nos de quais ideias tangíveis ele está prestes a imprimir em nós, no caso de nós excitarmos este ou aquele movimento em nossos próprios corpos. Mas, para uma informação mais completa nessa questão, eu refiro ao Ensaio mesmo.

45. Quarto, será objetado que, a partir dos princípios acima mencionado, segue-se que as coisas são aniquiladas e criadas novamente a cada momento. Os objetos dos sentidos existem somente quando são percebidos: portanto, as árvores no jardim, ou as cadeiras no salão, não mais [existem] do que enquanto exista alguém para as perceber. Ao fechar meus olhos, toda a mobília na sala é reduzida a nada e, escassamente ao abri-los, ela é novamente criada27. - Para responder a tudo isso, eu refiro o leitor ao que foi dito nas seções 3, 4, etc.; e desejo que ele considere se ele significa alguma coisa pela existência atual de uma ideia distinta de ela ser percebida. De minha parte, após a mais exigente investigação que pude fazer, eu não sou capaz de descobrir nada mais que é significado por aquelas palavras; e, uma vez mais, eu rogo ao leitor procurar conhecer seus próprios pensamentos, e não sofra ele mesmo ser iludido por palavras. Se ele pode conceber ser possível ou para suas ideias ou os arquétipos delas existirem sem ser percebidos, então eu desisto da causa. Mas se ele não pode, ele reconhecerá ser irracional para ele levantar-se em defesa do que ele não sabe o que, e pretender acusar-me como uma absurdidade, o não assentimento àquelas proposições que, no fundo, não têm sentido nelas28.

[282]46. Não será impróprio observar quão longe os princípios recebidos de filosofia são eles mesmos imputáveis daquelas pretensas absurdidades. Considera-se estranhamente absurdo que, ao fechar minhas pálpebras, todos os objetos visíveis à minha volta devam ser reduzidos a nada; e todavia, não é isso que os filósofos comumente reconhecem, quando todos eles concordam que luz e cores, as quais apenas são os próprios e imediatos objetos da vista, são meras sensações que não mais existem além de quando elas são percebidas? Novamente, talvez possa parecer muito incrível para alguns que as coisas devam ser criadas a cada momento; todavia, essa noção mesma é comumente ensinada nas escolas. Pois os Escolásticos, embora eles reconheçam a existência da Matéria29, e que a inteira fábrica mundana é construída a partir dela, mesmo assim, são de opinião que ela não pode subsistir sem a conservação divina; a qual, para eles é interpretada ser uma criação contínua30.

47. Adicionalmente, um pouco de pensamento descobrirá para nós que, embora nós concedamos a existência da Matéria ou substância corporal, inevitavelmente se seguirá, a partir dos princípios que agora são geralmente admitidos, que os corpos particulares, de qualquer tipo que seja, nenhum deles existe enquanto eles não são percebidos. Pois, é evidente a partir da seção 11 e das seções seguintes, que a Matéria pela qual os filósofos contendem é Algo incompreensível, a qual [283]não tem nenhuma daquelas qualidades particulares pelas quais os corpos caindo sob nossos sentidos são distinguidos um do outro. Mas, para tornar isso mais claro, precisa ser comentado que a divisibilidade infinita da Matéria é agora universalmente concebida, pelo menos pelos mais aprovados e consideráveis filósofos, quem, a partir de princípios recebidos, demonstram-na além de toda exceção. Consequentemente, segue-se que há um número infinito de partes em cada partícula de Matéria que não são percebidas pelo sentido31. Portanto, a razão pela qual qualquer corpo particular parece ser de uma magnitude finita, ou exibe apenas um número finito de partes ao sentido, é, não porque ele não contenha mais, uma vez que em si mesmo ele contém um número infinito de partes, mas porque o sentido não é suficientemente aguçado para as perceber. Portanto, em proporção a quanto o sentido é tornado mais aguçado, percebe um número maior de partes no objeto, quer dizer, o objeto aparece maior; e suas partes variam, aquelas partes nas extremidades das quais antes eram imperceptíveis parecendo agora o confinar em linha e ângulos muito diferentes daqueles percebidos pelo sentido mais obtuso. E finalmente, após várias mudanças de tamanho e forma, quando o sentido torna-se infinitamente aguçado, o corpo deverá parecer infinito. Durante tudo isso, não há alteração no corpo, mas apenas no sentido. Portanto, cada corpo, considerado em si mesmo, é infinitamente extenso e, consequentemente, vazio de toda forma e figura. A partir disso segue-se que, embora nós devamos conceder que a existência da Matéria nunca é tão certa, todavia, é ao mesmo tempo como certo, [que] os materialistas mesmos são, pelos seus próprios princípios, forçados a reconhecer, que nem os corpos particulares percebidos pelos sentidos, nem qualquer coisa como eles, existem fora da mente. A Matéria, eu digo, e cada partícula dela, é, de acordo com eles, infinita e sem forma; e ela está na mente que concebe toda essa variedade de corpos que compõem o mundo visível, qualquer um dos quais não existe mais do que é percebido.

48. Mas, depois de tudo, se nós considerarmos, a objeção proposta na seção 45 não será razoavelmente responsabilizada dos Princípios que nós pressupomos, assim como, em verdade, fazer qualquer objeção de qualquer maneira contra nossas noções. Pois, embora nós sustentamos de fato que os objetos do sentido nada são senão apenas [284]ideias que não podem existir não percebidas, todavia, nós consequentemente não podemos concluir que eles não tenham existência exceto apenas enquanto eles são percebidos por nós; uma vez que pode haver algum outro espírito que os perceba embora nós não o façamos. Onde quer que se diga que corpos não têm existência fora da mente, eu não desejo ser entendido querer dizer desta ou daquela mente em particular, mas de todas as mentes, quaisquer que sejam. Portanto, não se segue a partir dos Princípios supramencionados que os corpos sejam aniquilados e criados a cada momento, ou não existam absolutamente durante os intervalos entre nossas percepções deles.

49. Quinta, talvez possa ser objetado que, se extensão e figura existem apenas na mente, segue-se que a mente é extensa e figurada; uma vez que a extensão é um modo ou atributo que (para falar com os Escolásticos) é predicado do sujeito no qual ela existe. - Eu respondo, aquelas qualidades estão na mente apenas enquanto elas são percebidas por ela; - quer dizer, não pela maneira de modo ou atributo, mas apenas pela maneira de ideia32. E não mais se segue que a alma ou mente seja extensa, porque a extensão existe apenas nela, do que se segue que ela seja vermelha ou azul, porque essas cores são por todos reconhecidas existirem nela e em nenhum outro lugar. Quanto ao que os filósofos dizem sobre sujeito e modo, isso parece muito sem fundamento e ininteligível. Por exemplo, nesta proposição ‘um dado é duro, extenso e quadrado,’ ele terão que a palavra dado denota um sujeito ou substância, distinto de dureza, extensão e figura, as quais são predicadas dele, e no qual elas existem. Isto não pode ser compreendido: para mim o dado não parece ser nada distinto daquelas coisas que são denominadas de seus modos ou acidentes. E, dizer que um dado é duro, extenso e [285]quadrado não é atribuir essas qualidades a um sujeito distinto de e suportando-as, mas apenas uma explicação do sentido da palavra dado.

50. Sexta, você dirá que tem havido muitas coisas grandes explicadas por matéria e movimento; remova-os e você destrói toda a filosofia corpuscular, e debilita todos aqueles princípios mecânicos que tem sido aplicados com não menos sucesso à explicação de fenômenos. Em resumo, quaisquer que sejam os progressos que tenham sido realizados, quer pelos filósofos antigos ou modernos, no estudo de toda a natureza todos procederam a partir da suposição de que a substância corporal ou Matéria realmente existia. A isso eu respondo que não há nenhum fenômeno explicado a partir dessa suposição que não possa ser explicado tão bem sem ela, tão facilmente poderia ser feito aparecer por uma indução de particulares. Para explicar um fenômeno, tudo que eu preciso mostrar é porque, sob tais e tais ocasiões, nós somos afetados por tais e tais ideias. Mas como a Matéria33 deveria operar sobre um Espírito, ou produzir qualquer ideia nele, é o que nenhum filósofo pretenderá explicar; portanto, é evidente que não pode haver uso da Matéria34 em filosofia natural. Além disso, eles quem tentam explicar as coisas fazem isso, não pela substância corporal, mas por figura, movimento e outras qualidades; as quais, na verdade, nada mais são do que meras ideias, e, portanto, não podem ser a causa de coisa alguma como já foi revelado. Ver seção 25.

51. Sétima, será perguntado se não é absurdo remover causas35 naturais, e atribuir tudo à operação imediata de espíritos? A partir desses princípios, nós não mais devemos dizer que o fogo esquenta, ou a água esfria, mas que um espírito aquece e assim por diante. Um homem que devesse falar dessa maneria não seria merecidamente objeto de riso? - Eu respondo, ele seria: em tais coisas nós devemos pensar como os instruídos e falar com os vulgares. Eles quem, para demonstração, estão convencidos da [286]verdade do sistema copernicano mesmo assim dizem que ‘o sol nasce,’ ‘o sol põe-se,’ ou ‘chega-se ao meridiano’; e se eles simulassem um estilo contrário na fala comum, sem dúvida, pareceria muito ridículo. Um pouco de reflexão sobre o que é dito aqui tornará manifesto que o uso comum da linguagem não receberia nenhuma forma de alteração ou distúrbio a partir da admissão de nossos princípios36.

52. Nos assuntos ordinários da vida, quaisquer frases podem ser retidas, enquanto elas excitarem em nós sentimentos apropriados, ou disposições para agir de uma tal maneira como for necessária para nosso bem-estar, por mais falsas que elas possam ser se tomadas em um sentido estrito e especulativo. Ou melhor, isso é inevitável, uma vez que, a propriedade sendo regulada por costume, a linguagem é adequada às opiniões recebidas, as quais nem sempre são as mais verdadeiras. Consequentemente é impossível – mesmo nos raciocínios mais rígidos, filosóficos – até aqui alterar a tendência e o gênio da língua que nós falamos para nunca dar um pretexto para os sofistas simularem dificuldades e inconsistências. Mas, um leitor justo e engenhoso coletará o sentido a partir do escopo, teor e conexão de um discurso, fazendo concessões para aqueles modos imprecisos de falar que o uso tornou inevitável.

53. Quanto à opinião de que não há substância corporal, ela tem sido até agora mantida por alguns dos Escolásticos, como ela é recentemente por outros em meio aos filósofos modernos; quem, embora eles permitam a Matéria existir, todavia, terão Deus apenas para ser a causa imediata eficiente de todas as coisas37. Esses homens viram que, em meio a todos os objetos dos sentidos, não haviam nenhum que tivesse qualquer poder ou atividade incluídos neles; e que, por consequência, isso era da mesma maneira verdadeiro de quaisquer corpos que [287]eles supunham existir fora a mente, como os objetos imediatos do sentido. Mas então, que eles devessem supor uma multitude inumerável de seres criados, a qual eles reconheciam ser incapazes de produzirem qualquer efeito na natureza, e que, portanto, são produzidos para nenhuma forma de propósito, uma vez que Deus podeira ter criado tudo tão bem sem elas – isso, eu digo, embora nós devamos concedê-lo possível, todavia, deve ser uma suposição38 muito incompreensível e extravagante.

54. No oitavo lugar, o assentimento universal simultâneo da humanidade pode ser considerado por alguns um argumento invencível em favor da Matéria, ou da existência de coisas externas39.Devemos nós supor o mundo todo estar enganados? E se sim, que causa pode ser atribuída a um erro tão difundido e predominante? - Eu respondo, primeiro, que, a partir de uma investigação minuciosa, talvez não sejam encontrados tantos como são imaginados que realmente acreditam na existência da Matéria ou de coisas fora da mente40. Falando estritamente, acreditar naquilo que envolve uma contradição, ou não tem sentido41, é impossível; e se as expressões anteriores não são daquele tipo, eu refiro-o à investigação imparcial do leitor. Em um sentido, de fato, pode ser dito que os homens acreditam que a Matéria existe; quer dizer, eles agem como se a causa imediata das sensações deles, a qual lhes afeta a todo momento, e tão de perto apresenta-se a eles, fosse algum ser insensível e não pensante. Mas, que eles claramente devam apreender qualquer sentido marcado por aquelas palavras, e formar a partir delas uma opinião especulativa estabelecida, é que eu não sou capaz de conceber. Essa não é a única instância na qual os homens impõem a si mesmos, ao imaginar que eles acreditam naquelas proposições que eles frequentemente tem ouvido, embora no fundo eles não tenham nenhum significado nelas.

[288]55. Mas, em segundo lugar, embora nós não devêssemos conceder uma noção ser tão universal e firmemente aderida, todavia, esse é apenas um argumento fraco de sua verdade para quem quer que considere que um vasto número de prejuízos e opiniões são em toda parte abraçados com a máxima tenacidade, pela parte irrefletida (a qual é muito maior) da humanidade. Houve um tempo quando as antípodas e o movimento da terra eram considerados como absurdidades monstruosas até pelos homens de conhecimento: e se deve ser considerada a pequena proporção que eles ocupam do resto da humanidade, nós deveremos descobrir que, neste dia, essas noções ganharam apenas uma posição não muito considerável no mundo.

56. Mas é exigido que nós atribuamos uma causa a esse preconceito, e expliquemos sua obtenção no mundo. Para isso eu respondo, que os homens, sabendo que eles percebiam várias ideias, das quais eles mesmos não são autores42, como não sendo excitadas a partir de dentro, nem dependendo da operação das vontades deles, isso fez com que eles sustentassem que aquelas ideias ou objetos de percepção tivessem uma existência independente e fora da mente, sem alguma vez sonharem que uma contradição estava envolvida naquelas palavras. Mas filósofos tendo simplesmente visto que os objetos imediatos da percepção não existem fora da mente, eles, em algum grau, corrigiram o erro do vulgo43; mas, ao mesmo tempo, depararam-se com outro, o qual não parece menos absurdo, a saber, que há certos objetos que realmente existem fora da mente, ou tendo uma subsistência distinta de serem percebidos, dos quais nossas ideias são apenas imagens ou retratos, impressas por aqueles objetos na mente44. E essa noção dos filósofos deve sua origem à causa da anterior, a saber, deles estarem conscientes de que eles não eram os autores de suas próprias sensações; as quais [289]eles evidentemente sabiam ter sido impressas a partir de fora, e as quais, portanto, devem ter alguma causa, distinta das mentes nas quais elas estão impressas.

57. Mas porque eles deveriam supor as ideias do sentido serem excitadas em nós por coisas à sua semelhança, e não antes ter o recurso do Espírito, o qual apenas pode agir, pode ser explicado. Primeiro, porque eles não estavam conscientes da repugnância que existe, tanto ao supor coisas semelhantes às nossas ideias existindo exteriormente, como em atribuição de poder ou atividade a elas. Segundo, porque o Espírito Supremo que excita aquelas ideias em nossas mentes, não está marcado ou limitado a nossa visão por qualquer coleção finita de ideias sensíveis, como os agentes humanos estão por seu tamanho, compleição, membros e movimentos. E terceiro, porque as operações Dele são regulares e uniformes. Sempre que o curso da natureza é interrompido por um milagre, os homens estão prontos a atribuí-lo à presença de um Agente Superior. Mas, quando nós vemos as coisas prosseguirem no curso ordinário, elas não nos excitam qualquer reflexão; a ordem e concatenação delas, embora elas sejam um argumento da maior sabedoria, poder e bondade de seu Criador, todavia, são tão constantes e familiares para nós, que nós não as consideramos os efeitos imediatos de um Espírito Livre; especialmente visto que inconstância e mutabilidade na ação, embora sejam uma imperfeição, são considerados como uma marca de liberdade45.

58. Décimo, será objetado que as noções avançadas são inconsistentes com várias verdades corretas em filosofia e matemática. Por exemplo, o movimento da terra é agora universalmente admitido por astrônomos como uma verdade fundamentada nas mais claras e mais convincentes razões. Mas, a partir dos Princípios anteriormente mencionados, não pode haver semelhante coisa. Pois, o movimento sendo somente uma ideia, segue-se que, se não for percebido, ele não existe: mas o movimento da terra não é percebido pelo sentido. - Eu respondo, aquele princípio, se corretamente entendido, será considerado concordar com os Princípios que nós pressupomos: pois, a questão [290]de se a terra move-se ou não, na realidade, não equivale a nada mais do que isto, a saber, se nós temos razões para concluir, a partir do que tem sido observado pelos astrônomos, que, se nós estivéssemos posicionados em tais e tais circunstâncias, e tais ou tais posição e distância tanto da terra quanto do sol, nós deveríamos perceber a primeira mover-se em meio ao coro dos planetas, e aparecendo, em todos os aspectos, como um deles; e isso, pelas regras estabelecidas da natureza, das quais nós não temos razão para desconfiar, é razoavelmente coletado a partir da experiência.

59. Nós podemos, a partir da experiência que nós tivemos do cortejo e sucessão de ideias46 em nossas mentes, frequentemente fazer, eu não direi conjecturas incertas, mas predições certas e bem fundamentadas concernentes às ideias47 pelas quais nós devemos ser afetados nos termos de um grande cortejo de ações; e sermos capazes de passar um julgamento correto do que teria aparecido para nós, no caso em que nós fossemos posicionas em circunstâncias muito diferentes daquelas que nós estamos no presente. Nisso consiste o conhecimento da natureza, o qual pode preservar seu uso e certeza muito consistentemente com o que tem sido dito. Será fácil aplicar essa resposta para quaisquer objeções de semelhante tipo de possam ser extraídas a partir da magnitude das estrelas, ou quaisquer outas descobertas em astronomia ou natureza.


Próxima parte


ORIGINAL:

BERKELEY, G. A Treatise concerning the Principles of Human Knowledge [Part I]. First published in 1710. IN:______. The Works of George Berkeley. Oxford: Clarendon Press, 1901. p.275-290. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofberkeley01berkuoft/page/275/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1 [275]As seções 34-84 contêm as respostas de Berkeley às supostas objeções aos Princípios supracitados relativos à Matéria e ao Espírito em suas relações mútuas.

2 [276]Ser uma ‘ideia’ é, para Berkeley, ser uma objeto imaginável de um espírito percipiente. Mas ele não define precisamente a relação das ideais com a mente. ‘Existência na mente’ é existência nessa relação. A questão dele (a qual ele determina na negativa) é: a possibilidade de fenômenos concretos, naturalmente apresentados ao sentido, todavia fora de toda relação com uma mente vivente.

3 Omitido na segunda edição.

4 Ou seja, da imaginação. Cf. seções 28-30.

5 Cf. seção 29.

6 ‘mais realidade.’ Novamente isso implica que a realidade admite graus. [277]O que é percebido no sentido é mais real do que o que é imaginado, e realidades eternas são mais profundamente reais do que as cosias transitórias do sentido.

7 Cf. seção 33. ‘Não ficções,’ ou seja, elas são representativas e, portanto, não podem falsear.

8 Para Berkeley, substância é, ou (a) razão ativa, ou seja, espírito – substância própria, ou (b) um agregado de fenômenos sensíveis, chamados de uma ‘coisa sensível’ – substância convencional ou superficialmente.

9 E as quais, porque compreendidas em percepção vivente, são chamadas de ideias – para nos lembrar que a realidade é alcançada em e através da mente percipiente.

10 ‘combinadas juntas,’ ou seja, na [278]forma de ‘coisas sensíveis,’ de acordo com leis naturais. Cf. seção 33.

11 ‘coisas pensantes’ – mais apropriadamente chamadas de pessoas.

12 Berkeley usa a palavra ideia para marcar o fato de que coisas sensíveis são reais apenas enquanto elas manifestam-se na forma de objetos passivos, apresentados à mente sensivelmente percipiente; mas ele não considera, como popularmente se supõe, as ‘coisas sensíveis’ como criadas e reguladas pela atividade de sua própria mente individual. Elas são percebidas, mas não são nem criadas, nem reguladas, pelo percipiente individual, e são, dessa maneira, praticamente externas a cada pessoa.

13 [279]Cf. seções 87-91, contra o ceticismo que se origina na alegada falácia do sentido.

14 Omitido na segunda edição.

15 Deve ser sempre lembrado que, para Berkeley, ideias ou fenômenos apresentados aos sentidos são eles mesmos as coisas reais, enquanto que as ideias de imaginação são representativas (ou falsas (misrepresentative)).

16 Aqui os sentimentos de prazer ou dor são indicados, sem qualificação, enquanto estão em relação semelhante com a mente vivente como coisas ou ideias sensíveis.

17 Que as ideias do sentido devam ser vistas ‘à distância de várias milhas’ não parece inconsistente como elas serem dependentes de um percipiente, se o espaço ambiente é ele mesmo (como Berkeley afirma) dependente da experiência percipiente. Cf. seção 67.

18 [280]No ano anterior.

19 Ensaio, seção 2.

20 Ibid. Seções 11-15.

21 Ibid. Seções 16-28.

22 Ibid. Seção 51.

23 Ibid. Seções 47-49, 121-141.

24 Ibid. Seção 43.

25 Ou seja, das quais nós somos imediatamente percipientes na visão.

26 Aqui e em outros lugares, o toque é tomado em seu sentido amplo, e inclui nossa experiência muscular e locomotiva, tudo o que Berkeley inclui na significa ‘tátil’ de distância.

27 [281]Explicar a condição das coisas sensíveis durante os intervalos de nossa percepção delas, de maneira consistente com a crença de todas as pessoas sãs relativas ao mundo material, é um desafio que tem sido frequentemente encarado pelos defensores do Realismo. De acordo com Berkeley, não há intervalos na existência de coisas sensíveis. Elas são permanentemente percebíveis, sob as leis da natureza, embora não sempre percebidas por este, aquele ou outro percipiente individual. Além disso, elas sempre existem realmente na Ideia Divina, e potencialmente, em relação às mentes finitas, na Vontade Divina.

28 Berkeley admite corpos não percebidoa por mim como existência potencial, mas não real (para mim). Quando eu digo que um corpo existe condicionalmente dessa maneira, eu quero dizer que, se na luz eu abro meus olhos, eu deverei vê-lo, e que, se eu mover minha mão, eu devo senti-lo.

29 [282]Ou seja, substância material não percebida.

30 Berkeley observa, em uma carta para o americano Samuel Johnson, que ‘aqueles que tem contendido por um mundo material ainda têm de reconhecer que natura naturans (para usar a linguagem do Escolástico) é Deus; e que a Divina conservação das coisas é equivalente a, e de fato é a mesma coisa que, uma continuada criação repetida; - em uma palavra, que conservação e criação diferem apenas como o terminus a quo. Essas são as opiniões comuns dos Escolásticos; e Durandus, quem sustentava que o mundo é uma máquina, como um relógio construído e colocado em movimento por Deus, mas que depois continuava a prosseguir por si mesmo, era particular ali, e tinha poucos seguidores. Os poetas mesmos ensinam uma doutrina não diferente da das Escolas – mens agitar molem (Virgílio, Eneida, VI). Os Estoicos e Platônicos estão por toda parte cheios da mesma noção. Portanto, eu não sou peculiar nesse ponto mesmo, tanto quanto na minha maneira de o provar.’ Cf. Alciphron, Dial. IV. Sect. 14; Vindication of New Theory of Vision, sect. 8, 17, etc; Siris, passim, mas especialmente na última parte. Ver também Correspondence between Clarke and Leibniz (1717). Não é possível que o universo de coisas e pessoas esteja em contínua criação natural, sem começo e sem fim?

31 [283]Cf. seções 123-132.

32 [284]Ele distingue ‘ideia’ de ‘modo ou atributo.’ Para Berkeley, a ‘substância’ da matéria (se o termo ainda deve ser aplicado a coisas sensíveis) é o naturalmente constituído agregado de fenômenos no qual cada coisa particular consiste. Agora, a extensão, e as outras qualidades das coisas sensíveis, Berkeley argumenta, não estão ‘na mente’ nem (a) de acordo com a relação abstrata de substância e atributo da qual os filósofos falam; nem (b) como uma ideia ou fenômeno está relacionado a outra ideia ou fenômeno, na agregação natural de fenômenos sensoriais que constituem, para ele, a substância de uma coisa material. A mente e suas ‘ideias’ estão, pelo contrário, relacionadas como o percipiente ao percebido – em qualquer que seja a ‘exterioridade (otherness)’ que essa relação completamente sui generis implica.

33 [285]‘Matéria,’ ou seja, Substância material abstrata, enquanto distinguida das coisas concretas que são compreendidas em percepções viventes.

34 [Nota do tradutor: o conteúdo desta nota é o mesmo da anterior]

35 ‘remover causas naturais,’ ou seja, esvaziar o mundo material de todo poder produtivo, e referir os supostos poderes dos corpos à ação constante e onipotente de Deus.

36 [286]Alguns filósofos trataram a relação da Matéria com a Mente na percepção como uma de causa e efeito. Isso, de acordo com Berkeley, é uma análise ilegítima, a qual cria uma dualidade fictícia. Sobre seus Novos Princípios, a filosofia é baseada no reconhecimento do fato, de que a percepção não é nem a causa nem o efeito de seu objeto, mas [está] em uma relação com ele que é completamente sui generis.

37 Ele refere-se a Descartes, e talvez a Geulinx e Malebranche, quem, embora eles argumentassem por uma substância material, negavam a eficiência causal das coisas sensíveis. Os novos Princípios de Berkeley são apresentados como a fundação na razão para essa negação, e para a espiritualidade essencial de todo o poder ativo no universo.

38 [287]Por meio do princípio, ‘Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem.’

39 ‘coisas externas,’ ou seja, coisas no abstrato.

40 Que a parte irrefletida da humanidade deveria ter uma concepção confusa do que deveria querer ser dito pela realidade externa da matéria não é espantoso. É ocupação da filosofia aperfeiçoar a concepção deles, tornando-a mais profunda e verdadeira, e essa é a tarefa preliminar de Berkeley; como um meio para a revelação da impotência das cosias do sentido, e evidência conclusiva da onipresente atividade espiritual.

41 Cf. seções 4, 9, 15, 17, 22, 24.

42 [288]Ou seja, de suas ideias sensoriais. - Embora as ideias sensoriais, ou seja, as aparências apresentadas aos sentidos, sejam independentes da vontade do indivíduo percipiente, não se segue que elas sejam independentes de toda percepção, de maneira que elas possam ser reais na ausência de experiência percipiente compreensiva. Cf. seções 29-33.

43 Ao revelar que isso do que nós somos percipientes no sentido deve ser ideia, ou que é imediatamente conhecido por nós como aparência sensorial.

44 Ou seja, ‘impressas’ por Matéria não percebida, a qual, sobre esse dogma de uma percepção sensorial representativa, foi assumida existir atrás das ideias percebidas, e ser a causa da aparência dela. Cf. Third Dialogue between Hylas and Philonous.

45 [289]Consequentemente a dificuldade que os homens têm em reconhecer que a Razão e Vontade Divinas, e a Lei na Natureza, são coincidentes. Mas o avanço da descoberta científica das leis que expressam a Vontade Divina na natureza, em vez de estreitar, estende nosso conhecimento de Deus. E a ‘arbitrariedade’ divina ou absolutamente razoável não é capricho.

46 [290]‘ideias,’ ou seja, ideias do sentido. Essa experiência implica uma associação de ideias sensíveis, de acordo com a ordem divina ou razoável da natureza.

47 [Nota do tradutor: o conteúdo desta nota é o mesmo da anterior]

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