Uma Introdução à Filosofia da Religião
5 Argumentos de Desacreditação contra a Crença Teísta
Por Hans van Eyghen
INTRODUÇÃO
A maioria dos argumentos contra a crença teísta argumenta em nível metafísico.1 Eles argumentam que um ou mais fenômenos (por exemplo, o mal, a ocultação de Deus, etc.) são incompatíveis ou muito difíceis de reconciliar com a existência de Deus (ver o capítulo 4 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/chapter/reasons-not-to-believe/)). Contudo, os argumentos que eu discuto abaixo são argumentos epistemológicos.2 Eles não concluem que Deus não existe, mas que a crença em Deus não é racional ou não está justificada. Em outras palavras, se um desses argumentos for exitoso, então, mesmo se Deus existir, ainda não seria racional para nós acreditarmos que ele existe. Como fazem todos os argumentos de desacreditação, os argumentos que eu discuto abaixo visam a mostrar que a crença religiosa (frequentemente) está baseada em evidência ou fundamentos ruins. Os argumentos que eu discuto se referem a novos desenvolvimentos científicos. A ciência pode ser entendida como revelando que há alguma coisa fundamentalmente errada em como as crenças teístas são formadas.
Abaixo, primeiro, eu explico alguns termos-chave. Na seção 3, eu explico o padrão geral de argumentos de desacreditação contra as crenças teístas seguem. Na seção 4, eu discuto a ciência à qual os argumentos de desacreditação se referem, ou seja, a Ciência Cognitiva da Religião (CCR). Na seção 5, eu discuto um número de maneiras através das quais os argumentos de desacreditação dão conteúdo ao argumento geral. Eu termino com algumas respostas possíveis na seção 6 e um sumário na seção 7.
TERMOS-CHAVE
Alguns termos-chave gerais que eu usarei abaixo são:
Faculdade formadora de crença (FFC): Qualquer mecanismo ou habilidade humanos que dão origem a crenças. Exemplos são a percepção visual ou o raciocínio.
Ciência Cognitiva da Religião (CCR): A disciplina que oferece explicações de como e porque humanos formam crenças religiosas, têm experiências religiosas ou manifestam comportamentos religiosos em termos de processos cognitivos ou processos evolucionários.
Argumento de desacreditação (Debunking argument): Um argumento que visa a enfraquecer a racionalidade ou credibilidade de uma classe de crenças. Usualmente isso é feito mostrando que uma classe de crenças é baseada em evidência falsa ou mal formada. Exemplos bem conhecidos de argumentos de desacreditação são argumentos contra teorias da conspiração.
Deficiência epistêmica: Qualquer qualidade de uma crença indicando que a crença sofre de algum defeito. Exemplo são: ser não racional, estar não justificada ou não ser suportada por evidência.
Crença teísta: Crença sobre a existência ou natureza de Deus ou deuses.
O PADRÃO DOS ARGUMENTOS DE DESACREDITAÇÃO
Como nós veremos abaixo, os argumentos de desacreditação atacam o status epistêmico das crenças teístas de um número de maneiras. Mas todos esses argumentos seguem aproximadamente o padrão seguinte de alegação de que as faculdades de formação de crença (FFCs) humanas estão propensas a erro ou crenças falsas. O padrão compartilhado é o seguinte:
(1) A ciência mostra que as crenças teístas são formadas por FFCs que estão propensas a erro.
(2) As crenças formadas por FFCs que estão propensas a erro sofrem de uma séria deficiência epistêmica.
(3) Portanto, as crenças teístas sofrem de uma séria deficiência epistêmica.
Eu discutirei a ciência à qual os argumentos de desacreditação se referem (na premissa (1) acima) na próxima seção. Aqui, eu dou uma olhada mais de perto na premissa (2) e na conclusão (3).
Todos os defensores de argumentos de desacreditação argumentam de alguma maneira que nossas FFCs não estão devidamente relacionadas com a realidade ou produzem muitas crenças falsas. Uma FFC que não está devidamente relacionada com a realidade é chamada de “insensitiva.” Uma FFC que produz muitas crenças falsas é chamada de “não confiável (unreliable).”
Jonathan Ichikawa e Matthias Steup definem “crença sensitiva (sensitive belief)” como se segue:
“a crença de S [de um sujeito] de que p é sensitiva se e somente se, se p fosse falsa, s não acreditaria que p.” (Ichikawa e Steup 2018)
Por exemplo, a minha crença de que a porta para o meu escritório está aberta exatamente agora é sensitiva porque, de fato, a porta está aberta e eu posso ver que ela está. Se, de fato, a porta não estivesse aberta, mas fechada, então eu não acreditaria que ela estava aberta. Contraste isso com, digamos, a crença de quase quaisquer pais de que o filho deles é o mais inteligente na classe dele. Apesar de que, para a maioria deles, isso não é verdadeiro, a crença deles provavelmente não mudará. A crença deles não é sensitiva à realidade.
Alguns defensores de argumentos de desacreditação argumentam que as FFCs que produzem as crenças teístas são tais que elas produziriam crenças teístas quer essas crenças sejam verdadeiras ou não. Dessa maneira, FFCs para crença teísta não são sensitivas à realidade como FFCs adequadas deveriam ser, e as crenças que elas produzem não são sensitivas. Nos argumentos deles, “sensitividade” é considerada uma propriedade de FFCs em vez de crenças.
Uma crença é não confiavelmente formada se:
“O processo através do qual S forma uma crença de que p produz, na média, mais crenças falsas do que crenças verdadeiras.”3
Alguns argumentos de desacreditação declaram que FFCs que produzem crenças teístas produzem muito mais crenças falsas do que crenças verdadeiras. Portanto, as FFCs são não confiáveis.
As FFCs que são insensitivas ou não confiáveis são geralmente consideradas más guias para a verdade.4 Como um resultado, as crenças que elas produzem não estão em uma boa posição epistêmica. Aqueles que oferecem argumentos de desacreditação discordam sobre exatamente o que elas revelam e quão ruim é o resultado para as crenças teístas. Alguns argumentos concluem que crenças teístas estão desacreditadas (debunked)(reveladas como baseada em evidência ruim). Outros que elas são não garantidas (unwarranted)(significando, aproximadamente, apenas sorte). Ainda outros concluem que crenças teístas deveriam ser sustentadas (held) com menos confiança. Enquanto que os defensores diferem sobre quão severo é o impacto de argumentos de desacreditação (perder confiança é menos severo do que se desacreditado), eles concordam que o impacto é sério. Se exitosos, os crentes religiosos não poderiam continuar a julgar descuidadamente suas crenças tesítas como verdadeiras.
A CIÊNCIA DA DESACREDITAÇÃO: CIÊNCIA COGNITIVA DA RELIGIÃO
A maioria dos recentes argumentos de desacreditação refere-se a teorias da Ciência Cognitiva da Religião (CCR). A CCR consiste em um grande número de teorias bastante diferentes que examinam os mecanismos mentais ou cognitivos que produzem as crenças teístas e outras crenças religiosas. Mesmo assim, elas convergem em algumas alegações. Em particular, duas alegações são importantes para os argumentos de desacreditação. Elas são:
(i) FFCs para crença teísta foram selecionadas por seleção natural.
(ii) FFCs para crença teísta não são meras transmissoras de input, mas ativamente dão forma a crenças teístas.
Se uma particular teoria em CCR aceita ambas alegações, então ela pode ser usada como parte de um argumento de desacreditação.
Consideremos primeiro a alegação (i). A maioria das teorias em CCR concorda que as FFCs para crenças teístas foram transmitidas como uma resposta a desafios adaptativos. Dois campos devem ser distinguidos. O primeiro campo argumenta que as crenças teístas têm valor adaptativo em si mesmas. Um exemplo notável é a Teoria da Punição Sobrenatural Ampla (Bering e Johnson 2005). Defensores dessa visão argumentam que acreditar em deuses moralizantes, punidores, encorajou a cooperação entre indivíduos. Sujeitos que acreditam em um deus que (a) importa-se com o comportamento social humano e (b) pune ou recompensa as pessoas de acordo com o comportamento delas, são mais provavéis de agirem cooperativamente e menos provavéis de tirarem vantagem do trabalho de outros sem eles mesmos contribuírem com nada. Uma vez que cooperação é imensamente importante para a sobrevivência humana, ter uma crença teísta seria uma vantagem evolucionária.
O segundo campo argumenta que as crenças teístas não têm valor adaptativo nelas mesmas. Em vez disso, elas evoluíram como subproduto (by-product) de outros traços adaptativos. Por exemplo, Stewart Guthrie argumenta que humanos evoluiram com uma hipersensitividade para detectção de ação (Guthrie 1993). Pela maior parte da história humano, foi seguro ficar em guarda contra predadores ou outros humanos. Porque predadores constituíam uma grande ameaça, sujeitos que rapidamente tiram a conclusão precipitada (jump to the conclusion) de que um agente está lá fora terão melhores chances de sobrevivência do que sujeitos que não o fazem. Sujeitos que tiram a conclusão precipitada de que uma cobra está lá fora baseados em evidência muito limitada, como um galho encurvado que vagamente se assemelha a uma cobra, frequentemente pularão no ar sem nenhuma razão. Contudo, é muito menos provavél que eles deixem passar uma cobra real do que sujeitos que não são tão facilmente provocados (trigerred). Deixar passar uma cobra é tudo que é necessário para morrer e não ser capaz de trasmitir os genes de alguém. Por essa razão, a seleção natural teria favorecido pessoas que são hipersensitivas sobre pessoas que não o são. Por sua vez, a hipersensitividade para agentes teria favorecido as crenças teístas. Pessoas que frequentemente têm pressentimentos (hunches) de que algum agente está por perto (por causa da detecção de ação hipersensitiva adaptativa delas) facilmente poderiam chegar a acreditar que agentes invisíveis estão por perto. Por sua vez, isso pode conduzir à crença em espíritos e deuses. Em si mesma, essa tendência para formação de crenças em espíritos e deuses não é evolucionariamente benefíca, mas evoluiu junto com uma hipersensitividade para agentes.
Outro exemplo de uma teoria de subproduto considera as crenças teístas como um subproduto de “leitura de mentes (mind-reading)” (Bering 2002). Muitos psicólogos argumentam que humanos não podem ver diretamente os estados mentais de outros. Em vez disso, eles formam hipóteses sobre o que alguém poderia pensar ou sentir baseados em seu comportamento externo e expressões faciais como evidência. Essas hipóteses podem ser revisadas ou expandidas, se necessário.5 Ser capaz de construir hipóteses sobre os estados mentais de outras pessoas, em si mesmo, é adaptativo. As pessoas estão inclinadas a verem eventos significantes, como um desastre natural ou o nascimento de uma criança, como evidência para uma mente sobrenatural. Dessa forma, Bering argumenta que crenças teístas são formadas como um subproduto da leitura de mentes ordinária. Enquanto a leitura de mentes ordinária é adaptativa, a aplicação de leitura de mentes a coisas e eventos que, de fato, são inanimados não é. Se a seleção natural seleciona mentes capazes de leitura de mentes, contudo, ela também facilmente selecionará mentes que também aplicam leitura de mentes a coisas e eventos.
Nos dois casos – quer as crenças teístas sejam uma adaptação, quer um subproduto – FFCs para crenças teístas são o caminho pelo qual elas existem por causa de pressões seletivas. Em um caso, a seleção natural selecionou FFCs que produzem crenças teístas porque elas em si mesmas serviram para um propósito adaptativo. Em outro, a seleção natural selecionou algum outro traço adaptativo e as FFCs para crenças teístas surgiram como seu subproduto.
Em seguida, a alegação (ii) é (quase) universalmente aceita por teóricos da CCR. FFCs para crenças teístas seriam provocadas por input sensorial e ativamente construíriam uma representação do que o input poderia ser. Nós já vimos que, na teoria de Guthrie, algumas vezes, os sujeitos processariam inputs como barulhos, padrões e movimentos como causados por um agente invisível. Na teoria de Bering, eventos significantes são processados como sinais de uma mente sobrenatural. Muito da informação que a representação (ou seja, de um agente invisível ou uma mente sobrenatural) contém não está dada como input sensorial, mas é adicionada pelas operações da FFC.
VARIEDADES DE TENDÊNCIA A ERRO (ERROR-PRONENESS)
Agora nós temos um padrão geral para argumentos de desacreditação e algum conhecimento (grasp) da ciência ao qual eles se referem. Desacreditadores (Debunkers) diferem consideravelmente em como eles argumentam pela premissa (1), a alegação de que crenças teístas são formadas por FFCs que têm tendência a erro (error-prone). Nesta seção, eu discuto 3 maneiras pelas quais eles argumentam por essa alegação. A primeira (desacreditação evolucionária) argumenta que as FFCs para crença teísta são insensitivas à realidade. A segunda e a terceira (crenças falsas e atribuição errônea) argumentam que elas são não confiáveis (unreliable).
Desacreditação Evolucionária
Uma primeira maneira de argumentar pela premissa (1) faz referência à alegação (i) acima.6 Desacreditadores argumentam que a seleção natural teria selecionado as FFCs que produzem crenças verdadeiras ou não e, portanto, são insensitivas. Esse é o caso porque crenças teístas evoluíram como uma resposta para um problema adaptativo que não estava relacionado com a verdade.
Proponentes de argumentos de desacreditação evolucionária notam que a seleção natural acima de tudo seleciona pela adaptação (fitness) e não por ter crenças verdadeiras. Para FFCs, isso significa que elas são selecionados porque as crenças que elas produzem e aumentam as chances de sobrevivência ou reprodução de um sujeito. Isso não significa que ter crenças verdadeiras seja irrelevante para a seleção natural. Por exemplo, sujeitos com a crença verdadeira de que humanos não podem caminhar sobre a água têm melhores chances de sobreviver do que sujeitos com a crença de que eles podem. Essa lógica se aplica à maioria de nossas crenças do senso comum, porque ter crenças do senso comum (aproximadamente) verdadeiras ajuda humanos a melhor navegarem por seus ambientes. Ser capaz de melhor navegar pelo ambiente de alguém aumenta as chances de sobrevivência desse alguém. Dessa maneira, ter crenças do senso comum (aproximadamente) verdadeiras é uma vantagem evolucionária.
De acordo com os proponentes de argumentos de desacreditação evolucionária, ter (aproximadamente) crenças teístas verdadeiras não aumenta as chances de sobreviver de alguém. A maioria das teorias da CCR alega que as FFCs para crenças teístas foram selecionados por causa de outras razões que a verdade. Em algumas teorias, elas foram selecionados porque auxiliavam a cooperação (ver a seção 3). Se a teoria é verdadeira, a seleção natural teria selecionado as FFCs para crença teísta se elas fossem verdadeiras ou não. Isso é suficiente para mostrar que as FFCs para crenças teístas não são sensitivas à verdade e, consequentemente, tendentes a erro.
Uma alegação similar pode ser feita se as teorias do subproduto forem levadas em consideração. Aqui, as FFCs para crenças teístas surgem como um subproduto de outro traço adaptativo. Possivelmente, a seleção natural teria selecionado esse traço adaptativo independentemente de se seu subproduto, ou seja, as FFCs para crenças teístas, visassem à verdade ou não. Para uma resposta a essa alegação de desacreditação, ver a seção 6.2.
Desacreditação por Crença Falsa
Uma segunda maneira de argumentar pela premissa (1) é argumentando que as FFCs para crenças teístas produzem muitas crenças falsas. Porque elas o fazem, elas provaram-se guias não confiáveis para a verdade. Eu discuto duas maneiras de argumentar por essa alegação.7
A primeira maneira argumenta que as FFCs para crenças teístas produzem muitas crenças falsas a partir de perspectivas diferentes. Defensores desta visão notam que FFCs para crenças teístas produzem igualmente crenças monoteístas e politeístas. Pela maior parte da história humana, as crenças politeístas foram dominantes.8 Todas as religiões do antigo Oriente Próximo, da Roma antiga, da Índia antiga e da antiga Mesoamérica tinham um grande panteão de deuses. Com a ascensão das religiões abraâmicas, o monoteísmo tornou-se dominante. Hoje em dia, a maioria dos crentes religiosos aderem a uma religião monoteísta (Hackett, et al. 2012).
Monoteístas acreditam que há apenas um deus. Politeístas acreditam que há múltiplos deus. Naturalistas acreditam que apenas fenômenos naturais existem e nada sobrenatural como deuses existe. Assim, a partir da perspectiva do monoteísmo, as crenças politeístas são julgadas como falsas. A partir de uma perspectiva politeísta, todas as crenças monoteístas são julgadas como falsas. A partir de uma pespectiva naturalista, tanto as crenças monoteístas quanto as politeístas são julgadas como falsas. Portanto, todos (monoteístas, politeístas e naturalistas, de modo idêntico) deveriam julgar que as FFCs para crenças teístas produzem muitas crenças teístas falsas e, portanto, são não confiáveis.
Uma segunda maneira não tem de adotar nenhuma perspectiva (religiosa ou naturalista). Notando que elas produzem igualmente crenças monoteístas e politeístas, é claro que as FFCs para crenças teístas produzem crenças mutuamente incompatíveis. Se crenças monoteístas são verdadeiras, crenças politeístas são falsas, e vice-versa. Uma vez que, entre crenças mutuamente incompatíveis, pelo menos uma pode ser verdadeira, uma FFC que produza muitas crenças mutuamente incompatíveis produzirá muitas crenças falsas. Portanto, isso também deveria ser julgado como não confiável. Para uma resposta contra ambos argumentos de deuses falsos, ver a seção 6.3.
Desacreditação por Atribuição Errônea
Um terceiro argumento pela premissa (1) faz referência à alegação (ii). Muitas teorias argumentam que as FFCs ativamente dão forma a como o input é registrado quando elas produzem crenças teístas. Portanto, este argumento acrescenta a alegação de que o input é registrado erradamente. Em particular, o input sobre o qual as FFCs para crenças teístas operam seria natural, mas, erroneamente, as FFCs para crenças teístas registram-no como sobrenatural.9
Defensores de argumentos de atribuição errônea, algumas vezes, referem-se à teoria da detecção hipersensitiva da ação, por Stewart Guthrie (ver seção 3). Guthrie inequivocamente alega que a detecção de agentes invisíveis resulta a partir de falsos positivos. Falsos positivos (algumas vezes chamados de “erros de tipo 1”) são erros em dados relatados quando um teste erradamente indica a presença de alguma coisa quando, de fato, ela não está presente. Exemplos bem conhecidos são encontrados em triagem médica (medical screening). Por exemplo, um resultado positivo em um teste de mamografia significa que um paciente tem aproximadamente 10% de chance de câncer de mama. Isso implica que 9 de 10 pacientes com resultados positivos não têm câncer de mama. Os resultados positivos deles são falsos positivos. De acordo com Guthrie, as crenças teístas são formadas quando os sujeitos identificam padrões vagos ou barulhos como a atividade de um agente invisível. Ele alega que esses padrões ou barulhos, de fato, são causados por fenômenos naturais como o vento ou a erosão. Porque os sujeitos são altamente sensitivos a sinais (cues) de ação, eles equivocamente consideram os padrões ou barulhos como causados por um agente invisível, sobrenatural.
Uma FFC que identifique errôneamente o input é claramente não confiável. Ela produz uma representação imprecisa da realidade e, portanto, produz crenças falsas. Portanto, as crenças teístas brotam a partir de repesentações injustificadas (wrongful) da realidade. Se as FFCs para crenças teístas sofrem desse defeito, elas não apenas produzem muitas crenças falsas, elas não produzem nada exceto crenças falsas. Isso mostra que as FFCs para crença teísta são vastamente não confiáveis. Ver a seção 6.4 para uma resposta contra este argumento.
QUESTÕES A CONSIDERAR
A verdade sempre deveria ter um papel na evolução das FFCs para elas serem confiáveis? Por quê?
Alguém, às vezes, pode depender de uma FFC que produz muitas crenças falsas? Por quê?
Quando um sujeito (ou sua FFC) está identificando erroneamente um input?
RESPOSTAS
Um número de respostas têm sido declaradas contra os argumentos de desacreditação. Nós podemos distinguir duas amplas estratégias.10 Uma estratégia mais ou menos aceita o argumento de desacreditação e sua conclusão, mas acrescenta que crenças teístas podem recuperar um status epistêmico positivo através da adição de razões adicionais. A segunda estratégia não aceita os argumentos de desacreditação e argumenta que o caso pela insensitividade ou não confiabilidade não é suficientemente forte.
Razões Adicionais
Uma resposta em termos de razões adicionais é a resposta mais popular. Jonathan Jong e Aku Visala argumentam que os argumentos de desacreditação fundem o contexto de descoberta com o contexto de justificação.11 O contexto de descoberta diz respeito a como um sujeito chega a sustentar uma crença (através de FFCs), e o contexto de justificação diz respeito a como um sujeito justifica as suas crenças (através de evidência ou razões). Se crenças teístas merecem um status epistêmico positivo ou negativo depende largamente de como eles procedem no contexto de justificação para Jong e Visala. Eles acrescentam que uma explicação da crença teísta que apenas leva em consideração o caminho através do qual ela é formada (por uma FFC) não faz justiça ao papel que as razões desempenham. Portanto, FFCs como discutidas por teorias da CCR não explicam completamente a crença teísta.
Como exemplos de razões adicionais, Jong e Visala referem-se a argumentos a partir da teologia natural como o argumento do ajuste fino (fine-tuning) (ver o capítulo 2 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/chapter/reasons-to-believe-theoretical-arguments/)).12 Contudo, eles concedem que a resposta deles não auxilia igualmente todas as crenças teístas. Para um sujeito religioso que não tenha razões adicionais disponivéis, a crença teísta dele está completamente explicada pelas operações de suas FFCs para crenças teístas. Se as FFCs provam-se ser insensitivas ou não confiavéis, as crenças teístas dele não terão um status epistêmico positivo (Jong e Visala 2014).
A concessão mostra quão vulnerável essa resposta é. É provavél que uma maioria de crentes religiosos não saibam sobre a maioria das razões para crença teísta que Jong e Visala citam – como o argumento do ajuste fino (fine-tuning argument) – ou tenham estudado seriamente as mesmas.13 Uma vez que suas crenças teístas não sejam recuperadas por razões, um argumento de desacreditação pode prejudicar seriamente a maioria das crenças teístas. A discussão filosófica sobre os argumentos da existência de Deus está longe de decidida, e outras razões, como dependência de autoridade ou experiência religiosa também têm sido disputadas (ver o capítulo 2 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/chapter/reasons-to-believe-theoretical-arguments/) e o capítulo 3 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/chapter/non-standard-arguments-for-gods-existence/)).
FFC para Crença Teísta são Sensitivas a Alguma Coisa
Outra resposta é dirigida contra a alegação de insensitividade em argumentos de desacreditação evolucionários. Ela argumenta que as crenças teístas não são insensitivas à realidade mas que, em vez disso, elas parecem ser formadas pelo contato com alguma realidade. Porque as crenças teístas parecem ser formadas por alguma realidade, ter FFCs para crenças teístas poderia ter sido selecionado por seleção natural.14
A resposta faz referência a uma alegação empírica sobre crenças teístas. Se as FFCs para crenças teístas fossem insensitivas nós esperaríamos que as crenças teístas fossem diferentes do que elas são. Crenças produzidas por FFCs insensitivas podem ser esperadas serem bastante rígidas. Um claro exemplo de uma FFC insensitiva é o viés de autoconveniência (self-serving bias). O viés de autoconveniência produz a crença de que o sucesso pode ser atribuído a si mesmo enquanto que a falha pode ser atribuída a outros. O viés de autoconveniência auxiliaria na preservação do senso de mérito (worth) e valor de um indivíduo. Porque o viés não visa à verdade (frequentemente o sucesso deveria ser atribuido a outros e falha a si mesmo), ele tem um resultado bastante fixo. Na maioria das situações, ele produzirá a crença de que um sujeito é responsável pelo sucesso dele mesmo. Essa crença não estará sujeita a muita mudança, uma vez que, usualmente, é fácil encontrar uma maneira de atribuir as falhas de alguém à interferência de outros.
Muitas crenças teístas não se assemelham a crenças produzidas por uma FFC insensitiva (como o viés de autoconveniência). Crenças teístas mudam ao longo da vida de um sujeito. Em casos extremos, crentes adotam novas crenças teístas. Mais frequentemente, crentes experienciam pequenas mudanças no que eles acreditam. Frequentemente, crentes atribuem essas mudanças a alguma suposta experiência religiosa. Por exemplo, alguns crentes relatam uma mudança de perspectiva religiosa após participarem de festivais religiosos ou após passarem por práticas religiosas como oração ou meditação.
Portanto, FFC para crenças teístas parecem responder a alguma realidade. Frequentemente, crentes religiosos alegam que essa realidade é Deus ou outro ser sobrenatural. Um desacreditador poderia responder que essa realidade que altera os outputs das FFCs para crenças teístas, de fato, não é Deus ou nada de sobrenatural. Contudo, isso requer argumentação adicional.
A resposta também pode ir um passo adiante e argumentar que FFCs para crenças teístas também poderiam ser selecionadas por seleção natural porque elas respondem a alguma realidade. Nós vimos como se poderia esperar que a seleção natural selecionasse FFCs perceptivas confiáveis. A resposta argumenta que uma FFC para crenças teístas sensitivas também produz um benefício evolucionário sobre FFCs para crenças teístas insensitivas. Esse benefício é o florescimento aumentado. Na maioria das tradições religiosas, o envolvimento com Deus ou outros seres sobrenaturais tem consequências principalmente boas para humanos.15 O envolvimento com seres sobrenaturais (benevolentes) levaria a comportamento melhor, menores níveis se estresse e maior segurança existencial no aqui e no agora.16 Ter esses benefícios aumenta as chances da sobrevivência humana.
Ter uma FFC que é sensitiva a uma realidade sobrenatural, provavelmente, conduzirá a mais florescimento humano do que uma FFC que não é. Se existe um Deus, ser capaz de engajar-se com Deus conduz a benefícios para humanos. Portanto, a seleção natural poderia ter selecionado FFCs que são sensitivas àquela realidade sobrenatural.
Ampliando FFCs para Crença Teísta
Uma resposta adicional pode servir para responder aos argumentos de desacreditação por deus falso, os quais alegam que FFCs para crenças teístas são não confiáveis porque eles produzem muitas crenças politeístas e de deuses finitos. Esta resposta argumenta que os argumentos de desacreditação têm uma concepção estreita demais de FFCs para crenças teístas. O argumento de desacreditação enfatiza excessivamente como as operações dessa arquitetura cognitiva podem ser adaptadas ou emendadas por outros processos como educação (upbringing) ou cultura. Dessa maneira, defensores de crença monoteísta poderiam aceitar que FFCs para crenças teístas produziram muitas crenças politeístas no passado e em algumas culturas dos dias de hoje, mas argumentarem que, por causa de mudanças culturais, as FFCs mudaram.
Defensores desta resposta argumentam que FFCs para crenças teístas nunca operam em um vácuo cultural. Embora a arquitetura cognitiva de humanos possa torná-los mais inclinados a formarem igualmente crenças politeístas e monoteístas, os sujeitos formarão mais crentes monoteístas em uma cultura onde o monoteísmo é dominante e mais crenças politeístas onde o politeísmo é dominante. Através de educação e socialização adequadas, as operações de FFCs são alteradas para somente (ou principalmente) produzirem crenças monoteístas ou politeístas.
O papel da cultura é considerado como constitutivo para as operações de FFCs para crenças teístas. O cenário cultural é uma parte intrínseca de uma FFC. Quando a FFC é avaliada globalmente através das culturas, os desacreditadores estão, de fato, avaliando múltiplas FFCs diferentes. Nós podemos aplicar isso à teoria evolucionária que nós discutimos na seção 3. Nós vimos como uma teoria argumenta que a seleção natural favoreceu a crença em deuses moralizantes porque ela fomentava a cooperação. Se a teoria é verdadeira, humanos evoluíram uma FFC para crença teísta que os torna propensos a formarem a crença de que um ou mais deuses moralizantes existem para observar cada movimento deles. Na América do Norte ou no Oriente Médio, provavelmente, essa FFC produzirá a crença de que há um Deus moralizante. Na África Subsaariana ou Polinésia, provavelmente, a FFC produzirá a crença de que há múltiplos deuses moralizantes. De acordo com essa resposta, as pessoas na América do Norte e no Oriente Médio têm uma FFC diferente das pessoas na África Subsaariana e na Polinésia. Por causa da grande impacto do cenário cultural sobre que crenças as pessoas formam, o cenário cultural não pode ser separado da arquitetura cognitiva. Portanto, a confiabilidade (reliability) de ambas FFCs deveria ser avaliada separadamente.
Naturalismo Metodológico
Uma resposta final é dirigida principalmente contra argumento de atribuição errônea (argumentos que alegam que a crença teísta resulta de se identificar erroneamente o input natural como input sobrenatural). Ela argumenta que o caso para atribuição errônea está subdeterminado por causa de certas pressuposições na evidência científica. O estudo científico de FFCs para crenças teístas assumiria que elas produzem atribuições errôneas porque sua metodologia não permite nenhuma referência a entidades sobrenaturais. Como um resultado, os cientistas não levam a sério a possibilidade de input sobrenatural, e os desacreditadores têm apenas um caso fraco para alegações de atribuição errônea.
Quando discutindo argumentos de atribuição errônea, nós vimos que Stewart Guthrie vê as crenças teístas como o resultado de falsos positivos em atribuição de ação. Os defensores desta resposta argumentam que Guthrie (e outros que fazem argumentos similares) não fornecem evidência suficiente para mostrar que FFCs para crenças teístas fazem referência ao mero input natural. Guthrie fornece alguns exemplos de input natural (padrões, barulhos) que poderiam provocar a detecção de ação mas não considera se a detecção de ação também poderia ser provocada por agentes invisíveis reais. Bering também não considera se os eventos significantes poderiam ser causados por uma mente sobrenatural real.
Em geral, as teorias científicas não se referem a nenhuma coisa sobrenatural para explicar os fenômenos. Essa prática é frequentemente chamada de “naturalismo metodológico,” a visão de que o método ou prática científicos não permite nenhuma referência a nada sobrenatural. Os filosófos diferem quanto a se o naturalismo metodológico é uma limitação a priori da prática científica, ou é o resultado do poder explanatório superior de explicações naturais sobre explicações sobrenaturais. Em qualquer caso, a alegação de que FFCs produzem crenças teístas através de identificação errônea de input natural não é suportada pela evidência. Se o naturalismo metodológico impede os cientistas de levarem a sério a possibilidade de input sobrenatural, eles precisam fornecer um caso mais forte de que a crença teísta é provocada por input natural.
QUESTÕES A CONSIDERAR
Quando dar razões adicionais é uma boa resposta para um argumento de desacreditação?
Há outras maneiras de conectar FFCs com a verdade? Quando uma semelhante conexão é mais forte?
Como poderia um argumento de atribuição errônea evitar a acusação de naturalismo metodológico?
CONCLUSÃO
Neste capítulo eu estabeleceu o que são argumentos de desacreditação e quais as características comuns que eles compartilham. Eu também discuti três argumentos de desacreditação contra a crença teísta baseada em CCR e quatro respostas potenciais.
REFERÊNCIAS
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Van Eyghen, Hans. 2018. “Is Supernatural Belief Unreliably Formed?” International Journal for Philosophy of Religion, May: 1-24.
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LEITURA ADICIONAL
Visões gerais sobre Ciência Cognitiva da Religião
Barrett, Justin L. 2011. “Cognitive Science of Religion: Looking Back, Looking Forward,” Journal for the Scientific Study of Religion 50(2): 229-39.
De Cruz, Helen e Johan De Smedt. 2015. A Natural History of Natural Theology. The Cognitive Science of Theology and Philosophy of Religion. Cambridge/London: MIT Press.
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Defesas de Vários Argumentos de Desacreditação
Braddock, Matthew. 2016. “Debunking Arguments and the Cognitive Science of Religion.” Theology and Science 14: 268-287.
Galen, Luke. 2017. “Overlapping Mental Magisteria: Implications of Experimental Psychology for a
Theory of Religious Belief as Misattribution.” Method & Theory in the Study of Religion 29: 221-67.
Goodnick, Liz. 2016. “A De Jure Criticism of Theism.” Open Theology 2.
Law, Stephen. 2016. “The X-Claim Argument Against Religious Belief.” Religious Studies 54(1): 1-21.
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Respostas
Jong, Jonathan e Aku Visala. 2014. “Evolutionary Debunking Arguments Against Theism, Reconsidered.” International Journal for Philosophy of Religion 76: 243-58.
McBrayer, Justin P. 2018. “The Epistemology of Genealogies.” In New Developments in the Cognitive Science of Religion: The Rationality of Religious Belief, eds. Hans van Eyghen, Rik Peels e Gijsbert van den Brink, 157-169. Cham: Springer International Publishing.
Murray, Michael J. 2008. “Four Arguments That the Cognitive Psychology of Religion Undermines the Justification of Religious Belief.” In The Evolution of Religion: Studies, Theories, and Critiques, eds. Joseph Bulbulia, Richard Sosis, Russell Genet, Cheryl Genet, Erica Harris e Karen Wyman, 393-398. Santa Margarita: Collins Foundation Press.
Van Eyghen, Hans. 2019. “Is Supernatural Belief Unreliably Formed?” International Journal for Philosophy of Religion 85(2): 125-48.
ORIGINAL:
EYGHEN, H.V. Debunking Arguments against Theistic Belief. In. BRANSON, B. Introduction to Philosophy: Philosophy of Religion. Rebus Community: 2020. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/chapter/debunking-arguments-against-theistic-belief/>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1 Argumentos metafísicos lidam com se alguma coisa efetivamente existe.
2 Argumentos epistemológicos lidam com se uma crença é racional ou justificada.
3 Minha definição é extraida de Goldman e Beddor (2015).
4 Alguns têm argumentado que há crenças insensitivas ou não confiavelmente formadas que não sofrem de nenhuma deficiência epistêmica séria. Fornecer uma visão geral completa estende-se além do escopo deste capítulo. No geral, parece como se as respostas somente pudessem salvar um número muito limitado de crenças insensitivas ou não confiavelmente formadas. Portanto, não está claro se as respostas podem salvar crenças teístas.
5 Essa teoria é conhecida como a “teoria-teoria (theory-theory).”
6 Um argumento similar foi defendido por John S. Wilkins e Paul E. Griffiths (2013). W&G não usam o termo “insensitivo,” mas argumentam que a CCR mostra que as crenças teístas são “não constrangidas pela realidade.”
7 O argumento foi produzido por Matthew Braddock, quem discute as duas maneiras (2016).
8 Defensores desse argumento extraem suporte para isso a partir da arqueologia e dos registros escritos.
9 Argumentos desse tipo foram propostos por Robert Nola e Stephen Law (Law 2016; Nola 2018).
10 A distinção foi extraida de Lari Launonen (2017). Launonen chama a primeira estratégia de uma “resposta de razões” e a segunda, de uma “resposta confiabilista.”
11 Os filósofos da ciência frequentemente fazem a distinção entre o contexto de descoberta e o contexto de justificação. O primeiro refere-se a como os cientistas formulam teorias. O segundo refere-se aos argumentos que eles fornecem para as teorias.
12 O argumento do ajuste fino declara que a atividade de Deus é a melhor explicação para o ajuste fino preciso das constantes cósmicas que foram necessárias para a vida emergir.
13 Sujeitos também podem ter outras razões para a crença teísta, as quais não são extraidas da teologia natural, tais como o testemunho religioso ou a evidência a partir de textos sagrados. Possivelmente, razões como essas estão muito mais difundidas.
14 Essa resposta foi proposta por mim mesmo em outro lugar (Van Eyghen 2018).
15 Algumas tradições também acreditam em seres sobrenaturais malévolo. O contato com esses é considerado desantajoso.
16 Algumas tradições religiosas também alegam que o engajamento com seres sobrenaturais tem efeitos benefícos na vida após a morte. Obviamente, isso não tem efeito sobre a capacidade evolucionária.
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