A priori. Uma expressão latina significando literalmente “a partir do que veio antes (from what comes before).” Nesse contexto, o que é a priori é o que é pressuposto no início, antes mesmo que alguém examine a evidência. Por exemplo, coisas que são verdadeiras por definição ou simplesmente verdades da lógica ou da matemática básica normalmente seriam admitidas ser conhecidas a priori, ao passo que o que está no jornal de hoje somente poderia ser conhecido a posteriori (quer dizer, depois do exame da evidência).
Analogia. Uma comparação entre dois objetos, ou sistemas de objetos, que ressalta aspectos nos quais eles são considerados serem similares.
Análise. Decomposição de um conceito em suas partes mais simples.
Argumento cosmológico. Cosmológico – a partir do grego “cosmos,” significando mundo, especialmente o mundo considerado como um todo ordenado. Argumentos cosmológicos invocam Deus para explicar a existência do nosso mundo, frequentemente notando algumas características muito gerais do nosso mundo, tais como, que sua existência é contingente, ou que ele começou a existir.
Argumento de desacreditação (debunking argument). Um argumento que objetiva enfraquecer a racionalidade ou credibilidade de uma classe de crenças. Usualmente ele o faz mostrando que uma classe de crenças está baseada em falsa evidência ou está mal formada. Exemplos bem conhecidos de argumentos de desacreditação são argumentos contra teorias de conspiração.
Argumento ontológico. Ontológico – a partir do grego “ontos” significando ser. Argumentos ontológicos tentam provar a existência de Deus através da reflexão sobre o conceito de Deus.
Argumento teleológico. Teleológico – a partir do grego “telos,” significando propósito ou objetivo. Argumentos teleológicos sugerem que várias características do nosso mundo – organismos biológicos, as leis que o nosso mundo tem, ou o fato que de qualquer maneira nosso mundo tem leis – são explicadas melhor por um designer sobrenatural.
Ātman. Para algumas filosofias hindus, especialmente a Vedānta, o Ātman é o eu (self) interior ou alma, o qual não deve ser confundido com o eu corporal ou mental. Em algumas filosofias Vedānta, o Ātman é considerado ser idêntico à realidade última (Brahman); em outros casos, eles são considerados ser diferentes; e, ainda em outros casos, eles são considerados tanto similares quanto diferentes. De qualquer maneira, é o Ātman que sobrevive à morte do corpo, reincarna e, eventualmente, é liberado do ciclo de reincarnação.
Brahman. Para algumas filosofias hindus, especialmente a Vedānta, o Brahman é a realidade última e causa primeira do cosmos. Em algumas filosofias Vedānta, o Brahman é, em última análise, sem qualidades ou além da individualidade (personhood); em outras filosofias Vedānta, o Brahman tem qualidades e é identificado com um “Deus” pessoal.
Ciência Cognitiva da Religião. A disciplina que oferece explicações de como e porque os humanos formam crenças religiosas, têm experiências religiosas ou manifestam comportamentos religiosos em termos de processos cognitivos humanos ou processos evolucionários.
Contingente. Aquilo que poderia falhar em ser o caso, aquilo que poderia ou ser o caso ou não ser o caso, contrastado com o necessário.
Crença teísta. Crença sobre a existência ou natureza de Deus ou deuses.
Deficiência epistêmica. Qualquer qualidade de uma crença indicando que a crença sobre de algum defeito. Exemplo são: não ser racional, estar injustificada ou não ser suportada por evidência.
Entropia. O grau de desordem ou incerteza em um sistema: a degradação da matéria e energia no universo a um estado último de uniformidade inerte.
Experiência mística. A experiência mística é um subconjunto da experiência religiosa que comumente é caracterizado como envolvendo experiência direta, não mediada, de Deus ou de outros seres divinos. Experiências místicas são inefáveis, experiências suprarracionais que não podem ser colocadas em palavras, e elas são consideradas ser idênticas através das culturas. Portanto, experiências místicas foram alegadas por alguns como sendo o centro comum de todas as tradições religiosas.
Experiência religiosa. A experiência religiosa é simplesmente a experiência subjetiva que é interpretada religiosamente. A filosofia da religião tornou-se particularmente ocupada com o tópico de experiência religiosa nos séculos XIX e XX, como um meio de mostrar como a experiência de Deus ou de outros seres divinos poderia escapar das restrições da cognição humana ou das categorias da cultura humana.
Faculdade de formação de crenças (belief-forming faculty). Qualquer faculdade humana que dê origem a crenças. Exemplos são a percepção visual e o raciocínio.
Gnosticismo. Um movimento religioso frouxamente alinhavado (loosely-knit) originando-se nos séculos I ou II a.C., incorporando aspectos do judaísmo (especialmente a literatura apocalíptica judaica) e da filosofia platônica (e, posteriormente, também aspectos do Cristianismo).
Iluminismo europeu. A partir de uma perspectiva filosófica, o Iluminismo europeu estende-se mais ou menos a partir da filosofia de René Descartes (1596-1650) para aquela de Immanuel Kant (1724-1804) ou Georg Wilhelm Hegel (1770-1831). Filosoficamente, esse período é caracterizado por uma preocupação com questões epistemológicas (o que nós podemos conhecer e como). Para a filosofia da religião, isso envolve um interesse nas provas (proofs) e refutações (disproofs) da existência de Deus, acima de todos os outros tópicos.
Midrash. Antigos comentários, interpretações ou explicações judaicas de um texto bíblico.
Males morais. Males pelos quais algum agente é moralmente responsável ou culpável.
Males naturais. Males pelos quais nenhum agente é moralmente responsável ou culpável.
Natureza do Buda (Buddha-nature (佛性)). Derivado a partir do termo sânscrito buddhadhātu, o termo chinês fóxing e o termo japonês busshō ambos se referem à natureza original dos humanos como iluminados, assim como à causa ou semente da iluminação neles. Portanto, a natureza do Buda está relacionado a dois conceitos budistas adicionais: dharmakāya, o “corpo verdadeiro” ou “corpo realidade” do Buda, o qual é uma harmonia interpenetrativa que está além de todas as distinções; e tathāgatagarbha, o ventre ou embrião do Buda.
Pluralismo religioso. Para os filósofos da religião, o pluralismo religioso é geralmente admitido ser um problema necessitando de uma solução. Esse problema, para resumir, é que diferentes tradições religiosas fazem diferentes alegações sobre o que é real, verdadeiro e bom. Tipos de soluções para o pluralismo religioso incluem, exclusivismo (apenas uma religião é verdadeira, as outras, falsas), inclusivismo (uma religião é verdadeira, as outras, igualmente o são em virtude de serem variações da única religião verdadeira), pluralismo (de alguma maneira, todas as religiões são verdadeiras), ceticismo (nenhuma religião é verdadeira) e perenialismo (todas as religiões são verdadeiras em virtude de compartilharem um núcleo invariante, comum).
Predicados. As propriedades, as qualidades, os atributos ou as relações que alguma coisa ou conceito tem.
Prima facie. Uma frase latina significando “em sua face (on its face)” ou “à primeira vista (at first sight).” Dizer que uma alegação é verdadeira ou está justificada “prima facie” é dizer que ela parece ser verdadeira ou estar justificada em um exame inicial, mas que ainda é possível que ela possa se revelar ser falsa ou estar injustificada à luz de evidência adicional.
Tao (Dao (道)). Significando “caminho (way)” ou “curso (path),” o Tao é para taoistas a fonte original e a força transformativa de todas as coisas. O Tao é a maneira (way) pela qual as coisas operam, especialmente na harmonia dinâmica dela. O “caminho” ideal dos humanos é estar em harmonia com o “caminho” do Tao.
Teísmo clássico. A visão de que Deus é simples, imutável (não mutável), eterno e impassível (quer dizer, incapaz de sofrimento ou de ser machucado ou, de outra maneira, ser afetado por qualquer outra coisa).
Teurgia. Um tipo de ritual religioso, algumas vezes considerado uma forma de “magia branca,” na qual uma ou mais divindades são invocadas com a intenção de beneficiar a si mesmo de alguma maneira, frequentemente com o objetivo de aperfeiçoar a si mesmo através da obtenção de um tipo de “união” com a divindade ou divindade particulares invocadas.
Tian (天). Significando “paraíso,” “céu,” ou “céu acima,” Tian serviu como o Deus da dinastia Zhou na China (1046-256 a.C.), assim como para muita religião de estado subsequentemente. Contudo, para confucionistas, Tian geralmente foi considerado mais impessoalmente como natureza, especialmente com respeito à ordem natural do cosmos e ordem moral dos humanos.
Tomismo. O sistema filosófico e teológico de São Tomás de Aquino. O “neotomismo” é uma renovação do pensamento tomista começando na segunda metade do século XIX que foi altamente influente na Igreja Católica Romana até o tempo do Conselho Vaticano Segundo.
Vedānta. Uma das seis escolas assim chamadas de “ortodoxas” (āstika) da filosofia hindu que aceitam a autoridade dos Vedas. Significando literalmente “fim dos Vedas,” os ensinamentos filosóficos da Vedānta objetivam interpretar corretamente a última seção dos Vedas, os Upanishads. Contudo, essa interpretação difere entre as três principais da Vedānta: Advaita (não dual), na qual não há diferença entre Ātman e Brahman; Dvaita (dual), na qual Ātman e Brahman são distintamente diferentes; e Vishishtadvaita (qualificadamente não dual), na qual o Ātman temporariamente existe separadamente do Brahman.
ORIGINAL:
Introduction to the Book. In. BRANSON, B. Introduction to Philosophy: Philosophy of Religion. Rebus Community: 2020. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/back-matter/64/>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário