segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Uma Introdução à Estética - Introdução ao Livro

Uma Introdução à Estética


Introdução ao Livro


Por Valery Vino


Sunshine, Melbourne, Agosto de 2019. Soreti Kadir, David Pattinson, Tamara Leacock, Valery Vino.


PREFÁCIO: SOBRE O PROJETO ESTÉTICO


Escrutinando tanto a teoria quanto a prática estética, nosso volume oferece novas perspectivas sobre tópicos canônicos e emergentes, assim como também traz à sua atenção um número de tópicos culturalmente sensitivos que, costumeiramente, são silenciados em introduções à estética filosófica. Nossos artigos são heterogêneos em termos de comprimento e graus de dificuldade, convidando o leitor ao estudo criativo da estética contemporânea, o qual se estende por uma vida.

O envolvimento com a estética implica uma investigação em três categorias-chave: “filosofia,” “filósofo,” e “estética.”

A estética é um ramo progressivo da filosofia. É concebível que, como uma disciplina e uma maneira de vida, a estética seja tão antiga quanto a filosofia.

Olhando para trás, Nietzsche ([1886] 2002) faz uma alegação lúdica e convincente de que, depois de tudo, qualquer filosofia é um “livro de memórias (memoir),” uma recordação crítica de um autor situado no mundo vasto. A filosofia é um projeto íntimo, e portanto, possivelmente, cada filósofo deveria completar seu próprio relato da atividade filosófica.

A filosofia é um processo contínuo, fascinante e arriscado.

Nós podemos seguir a tradição e rastrearmos as origens da filosofia ocidental ao século V a.C., quando Sócrates colocou a vida como um problema pessoal e coletivo: qual tipo de vida é digna de ser vivida? Uma vida bela, examinada, em uma cidade vicejante! Menos convencionalmente, esse momento no tempo pode ser empurrado para trás, para os antigos sofistas, céticos que exploraram a autoconsciência enquanto se libertando do pensamento dogmático; ou ainda mais, para os antigos filósofos naturalistas, como Demócrito, fazendo sentido de nosso lugar a partir do ponto de vantagem do cosmos infinitamente movente.

Nós também podemos lembrar que a filosofia pode ser o modo de vida de alguém, uma maneira pensativa, encarnada, de ser engajar com o cotidiano, o que quer que ele traga. Nesse sentido mais inclusivo, a filosofia equivale a qualquer busca por entendimento avaliativo da individualidade (selfhood) e humanidade emaranhadas com dinâmicos fenômenos naturais e culturais.

Nesse sentido, a aspiração socrática a uma boa e bela vida pode provar-se ser improvável, uma vez que qualquer um, em qualquer época, pode sentir-se obrigado e educado por circunstâncias terríveis. Por exemplo, nos Essays de Montaigne, o autor examina o seu elusivo eu (self) em um mundo destruído por pesar, tirania, guerras e fome sem fim: em semelhantes circunstâncias, alguém não tem outra escolha senão “viver apropriadamente,” cuidadosamente explorando a humanidade em buscas que valem a pena, “nossa grande e gloriosa obra-prima” (Montaigne [1580] 1991a).

Uma ideia antiga: o eu (self) é a humanidade mesma, visto que cada pessoa porta uma marca de toda a humanidade consigo. Todos nós somos inevitavelmente humanos! Portanto, exemplos terríveis, covardes e cruéis de inumanidade devem ser lembrados. Ao mesmo tempo, o eu é apenas uma fração da humanidade, um projeto coletivo sobre o qual a pessoa não tem controle, exceto por suas buscas individuais de vida. Dessa forma, o processo de autoentendimento jaz no coração da filosofia: esforçando-se por elucidar sua humanidade, para formar a individualidade, cada pessoa acessa o projeto da humanidade, realizado, através da cultura, na natureza, ou, simplesmente, em nosso mundo compartilhado.

A despeito da peculiar distância e tensão entre a humanidade individual de alguém e o projeto coletivo, ambos estão compreendidos na palavra agora (now). “Onde agora? Quem agora? Quando agora?” (Beckett [1953] 2010).

As origens da atividade filosófica podem estar enterradas em algum lugar em uma memória onde a natureza selvagem é afetada pela minha presença, provocando um anseio por questionamento, um sussurro. O sol deslumbrante e um grupo de cacatuas brancas estão interagindo através dos galhos de espectrais freixos (ghost ashes): estão eles interessados em mim? Claramente; então eu estou incluído ao longo das linhas do “dê uma olhada (check that out),” ou, talvez, que seja um objeto de preocupação? Eu pertenço aqui?

A filosofia e sua história, como ela tem sobrevivido, sugerem que o que mais importa não é em que momento do tempo a filosofia começou como um empreendimento cultural, mas que o projeto filosófico continua com você e em sua própria maneira. “Cada nova geração, cada novo ser humano, conforme ele torna-se consciente de estar inserido entre um passado infinito e um futuro infinito, deve descobrir e previsivelmente pavimentar novamente o caminho do pensamento” (Arendt [1977] 1981).

Mas então, o que é filosofia nos dias de hoje – a atividade filosófica, eu quero dizer – se não o trabalho crítico que o pensamento traz para portar em si mesmo? No que ela consiste, se não na tentativa de conhecer como e em que extensão poderia ser possível pensar diferentemente, em vez de legitimar o que já é conhecido?” (Foucault [1984] 1990).

Nós não precisamos mais de escritores como heróis solitários. Nós precisamos de um heroico movimento de escritores: assertivo, militante e combativo” (Morrison 2008).

Possivelmente, a atividade filosófica encontre sua origem em um anseio (longing) por entendimento, como Platão argumenta, um anseio intencional e cego por significado que pode ser canalizado em ἔρως (eros), um desejo amoroso direcionado a um objeto de valor. O ἔρως filosófico excita, ele vitaliza, e pensadores ao redor do mundo, através de culturas e épocas, buscaram e avaliaram criticamente muitos de semelhantes objetos. Verdade e natureza, prazer e dúvida, certeza e inspiração, linguagem e riso, crueldade, revolução e repetição, saúde e poder, carreira e nudez, honestidade, generosidade e hospitalidade, supremas habilidades sociais, as artes da amizade, da paternidade e do sexo, deuses, beleza, morte e um caleidoscópio de outros tópicos estão livremente disponíveis para investigação apaixonada!

A transição do anseio (longing) para ἔρως é um momento estético. Primeiro, a busca pelos objetos de valor é um exercício que depende da imaginação: é uma busca criativa, cheia de surpresas, visto que ela é filosófica. Segundo, o ἔρως torna-se estado estético maduro na mediada em que alguém se torna consciente de que ele é sentido diferentemente. O amor sente diferentemente, dependendo de seu objeto, não é? Um artigo acadêmico, artes marciais ou crescimento de papolas – o ἔρως abastece todos os tipos de atividades e é apenas quando nós tentamos verificar e avaliar o significado de tais experiências diferentemente sentidas e discernidas que nos engajamos em prática estética apropriada.

Contudo, tradicionalmente o nascimento da tragédia como uma disciplina é marcado pela publicação da tese de mestrado (masters thesis) de A.G. Baumgarten em 1735, onde o termo receber sua primeira menção. Desde que o estudante de filosofia de 21 anos adotou a antiga palavra grega “aisthēsis” e inventou a “estética (aesthetics),” o estudo cresceu em uma extensa disciplina acadêmica que, é claro, não cobre o terreno completo do projeto estético.

A apropriação conceitual de Baumgarten não implica que os esforços humanos anteriores para filosofar sobre nosso mundo fossem esteticamente vazios, seja mais cedo na Renascença, ou muito antes, nas culturas mortas dos greco-romanos e persas, ou nas antigas culturas sobreviventes, tais como a nativa americana, a aborígene australiana, a cigana (roma), a hindu e a judaica, para nomear alguns. De uma maneira ou de outra, as narrativas filosóficas tocam nos inevitáveis traços estéticos examinados em nosso volume: os fenômenos naturais, espirituais, artísticos e cotidianos que animam nossos eus (selves) sensíveis e, portanto, ocasionam reflexão e, possivelmente, ação.

Como todos os ramos da filosofia, a estética lida com o problema do eu (self) inseparável do mundo. Contudo, historicamente, a estética é eclipsada pela epistemologia, lógica, metafísica, pelos discuros ético e político, uma vez que ela se centra em volta de uma – maravilhosa – aptidão humana para ocupar a si mesmo com a percepção sensorial ou, em outras palavras, a sensibilidade.

A sensibilidade tanto estimula quanto elude a natureza discursiva da investigação filosófica, predominantemente dependente do uso da lógica e da linguagem. Na estética filosófica, a sensibilidade é trazida à nossa atenção crítica como uma maneira essencial de apreciar nossa humanidade, atingindo o mundo exterior, compartilhado, quanto o interior, privado, cruzados (criss-crossed).

Embora a percepção sensorial seja um elemento-chave da estética, sem a considerar completa e criticamente, ela permanece apenas uma receptividade passiva. A vida estética requer interesse prático no nosso mundo, na percepção, nas sensações, nos sentimentos, nas emoções brutas e em todos os tipos de estados e sentimentos afetivos complexos, tais como admiração (awe), um sentimento misto de cautela e estima (por exemplo, ao ouvir uma balada de favela (slum ballad) de Esteen Nack e Eto) ou de devoção (por exemplo, o amor trágico da humanidade, sintetizado pelo Idiot de Dostoevsky).

Naturalmente, uma lacuna (gap) entre a experiência bruta e o pensamento não pode ter uma ponte construída sobre ela (be bridged) (ver Kant [1781] 2002, A 320/B 376). Sempre que eu avalio uma sensação ou um sentimento, ele torna-se alguma outra coisa, isso não quer dizer que a estética é um projeto fútil. Pelo contrário, embora convencionalmente explorando a mente, as artes e a natureza, a estética agora extrai a partir de todas as formas de vida, de várias tradições, sub e contraculturas e, mais amplamente, ela avalia a sensibilidade em relação com as experiências de alguém e um estilo de vida: os ambientes, as aspirações, as responsabilidades, a atividade e a individualidade de alguém – a visão estética desse alguém.

Mapeemos os parâmetros gerais da educação estética no século XXI, apresentados em nossa coleção de artigos, primeiro considerando os componentes básicos da investigação filosófica acima mencionados: individualidade (selfhood), humanidade e o mundo. A filosofia é uma ventura fascinante e arriscada porque os três eixos falham em se sincronizarem.

Nenhum projeto filosófico parece possível se o eu individual tem pouco entendimento crítico da humanidade além dele. Contrariamente, se um indivíduo alimenta-se de uma cultura sem testar as normas e os valores dela através de autorreflexão, as perspectivas dele de uma vida filosófica criativa são inibidas.

Alguém também poder considerar que há muitas culturas, muitas maneiras de enformar nossas vidas. Ademais, a perspectiva de uma vida satisfatória é enfraquecida quando as culturas humanas ignoram o mundo, o fato de que nossas culturas estão corporificadas no mundo, como uma parte do cosmos.

Crescentemente, as culturas modernas vicejam às expensas do mundo. O cosmos está ali – é onde nosso mundo existe – quer nós o valorizemos ou negligenciemos, e, como nosso mundo, ele pode ser retratado como uma consumidora força de maravilha, criatividade, vitalidade e profundidade enquanto que, outras vezes, como um abismo de tentadora indiferença, suficientemente poderoso para consumir qualquer coisa que pode ser recordada. Difícil de duelar com Emerson: “Nós devemos perceber que o mundo é duro e intratável, e não se importará de afogar um homem ou uma mulher [ou uma criança], mas engolirá seu navio como um grau de poeira” ([1860] 1944).

O projeto filosófico necessita do reconhecimento da diversidade, das várias maneiras de realizar a humanidade, através da cultura, na natureza, das várias culturas e estilos de vida, das maneiras sem limites para inspirar ou sufocar a humanidade. “E nunca houve no mundo duas opiniões similares, não mais do que dois cabelos, ou dois grãos: a qualidade mais universal deles é a diversidade”; é difícil não amar Montaigne ([1580] 1991b).

Em linha com essas razões, nossa coleção explora uma multiplicidade de tópicos em estética, de maneira a estimar o projeto estético contemporâneo em relação à tradição, às circunstâncias geopolíticas e culturais do século XXI.

Os capítulos são aproximadamente divididos em dois grupos, um tratando de tópicos canônicos, outro, dos desenvolvimentos mais recentes e significantes em estética. No primeiro grupo, os autores fornecem uma visão global e respostas críticas a tópicos-chave em estética, enquanto que o grupo posterior diversifica nosso esforço colaborativo considerando tópicos que ostensivamente desafiam os fundamentos da estética (e cultura) ocidental. Dito isso, é difícil traçar uma linha precisa entre os dois componentes visto que todos os capítulos adotam uma óptica de crítica ativa e frequentemente multicultural, um fenômeno metodológico significando uma das mais dramáticas mudanças culturais de nossa época.

Tomadas juntas, ambas as partes do volume enriquecem o nosso entendimento do papel da estética na realização do projeto filosófico. O que unifica essas diversas explicações, relativas à natureza, à vida cívica e às artes, é a convicção de a estética tem a força para reificar (reify) nossa humanidade compartilhada. O fato de que esse objetivo – o projeto estético – está muito longe da realidade – é uma questão das guerras culturais em travamento e da paz cocriadora.

O capítulo de abertura lida com o problema abrangente da estética: “O que é Estética?” Para tratar dessa questão difícil, Alexander Westenberg estabelece vários exemplos tomados a partir das artes e da natureza, das filosofias chinesa, indiana, japonesa, grega antiga e ocidental. Qual é uma resposta estética adequada, e como a desenvolver? O autor encontra uma solução situando a questão estética entre “subjetivo e objetivo, pessoal e universal.”

Gravitando na direção da política da estética, o segundo capítulo tem por objetivo enfrentar outra questão central: “O que é uma Obra de Arte?” Igualmente artistas e filósofos, Richard Hudson-Miles e Andrew Broadey consideram seis abordagens centrais para essa questão, “testando-as contra a complexidade irredutível das obras de arte contemporâneas.” Cada abordagem, eles concluem, é “mutável e historicamente contingente,” o que não quer dizer que essa tarefa filosófica não seja digna de nossa atenção cuidadosa.

O terceiro capítulo investiga outra aporia-chave em estética, a saber, a questão de uma relação entre “Obras de arte e Emoções.” As obras de arte expressam as emoções do artista? Ou as obras de arte expressam as emoções mesmas? E como semelhantes problemas filosóficos explicar nossas respostas às obras de arte? Como Pierre Fasula observa, o que a obra de arte expressa e o que nós experienciamos não são necessariamente o mesmo.

Em seguida, nós continuamos com nossa discussão da estética no reino da arte ao tratar das conexões entre “Obras de arte e Moralidade.” Pode uma peça moralmente repugnante, tal como o Saló de Pasolini, ainda ser considera como uma grandiosa realização artística? O valor estético permanece aqui não afetado por nossas preocupações morais, ou ele é de alguma maneira diminuído, ou talvez realçado? Uma questão difícil para responder decisivamente, mas Matteo Ravasio argumenta convincentemente que as obras de arte podem fortificar nossa capacidade para a vida moral.

Os dois últimos capítulos do primeiro grupo de artigos lidam com a categoria mais proeminente na estética transcendental: a beleza (beauty). O capítulo 5 abraça completamente uma lente multicultural ao examinar a questão “O que torna uma Obra de Arte Bela?” Desenvolvendo uma visão geral crítica das explicações ocidental e chinesa de beleza, Xiao Ouyang conclui que “o que quer que seja que torna uma obra de arte bela é improvável de ser alguma coisa homogênea e unitária.” Entretanto, o que é filosoficamente é que a beleza é “desejável,” e uma categoria filosófica “que verte luz sobre um entendimento mais profundo de humanidade.”

Correspondentemente, o capítulo seguinte está interessado no tópico “O que torna a Natureza Bela?” Elisabeth Scarbrough discute as duas explicações tradicionais ocidentais – a pitoresca e o sublime – explicando nossas respostas ao fenômeno natural, para, em seguida, considerar três perspectivas contemporâneas, conceitual, não conceitual e híbrida. Este capítulo importante argumenta em favor adoção de “um modelo pluralista,” um que pode nos equipar com habilidades para nos engajar com a natureza dependendo das circunstâncias da vida de alguém.

Movemo-nos para a segunda parte do volume com um capítulo curto e muito importante sobre “A Significância da Estética Ambiental.” Um fenômeno recente na investigação estética, a estética ambiental cobre “a natureza, as estruturas construídas, o ambiente urbano, o espaço doméstico, os vários objetos dentro e as nossas interações com outros.” Enfatizando a dimensão pragmática, Yuriko Saito argumenta que essa nova abordagem não apenas torna acessíveis “diversos tipos de coisas e fenômenos,” mas também é útil para o cultivo das “virtudes morais do respeito e humildade em relação aos outros.”

O enfático capítulo sobre “Estética e Política” avança adicionalmente o nosso entendimento do escopo e da significância cultural da estética contemporânea. Ruth Sonderegger e Ines Kleesatterl questionam a origem oficial da estética ocidental e argumentam que, como alternativa, ela deveria ser vista como a origem de “o regime estético,” uma afirmação de “a supremacia do burguês, do sujeito liberal e, em primeiro lugar, o sujeito masculino.” Dessa forma, as autoras estão profundamente interessadas na questão de “uma melhor explicação de mundo” e demandam nossa atenção para [uma] “estética relacional,” “uma estética integrada, explicação epistêmica e ética que permanecer ligada à terra (earth-bound),” e que nunca permanece gravada em pedra.

Os fundamentos para “Engajar-se Esteticamente com as Artes Indígenas” são uma questão central no capítulo seguinte, de autoria de Elizabeth Coleman. Talvez a peça mais humilhante em nossa coleção, ela extrai inspiração a partir do reconhecimento da autonomia das culturas indígenas. Tradicionalmente consideradas primitivas e, consequentemente, inferiores à cultura ocidental, junto com suas concepções das artes, as culturas aborígenes cobrem com um véu um rico mundo artístico. Possivelmente, é uma das tarefas daqueles não familiares com eles aprender a partir de tais tradições, como “um sinal de respeito pela cultura de outros povos.”

O penúltimo capítulo está interessado em um problema que emerge como um resultado da expansão da disciplina e um sentido correspondente de um significante e ainda nascente nicho cultural. Para determinar os limites da educação estética contemporânea, o capítulo dá uma visão geral de dois fenômenos principais em estética contemporânea: estética do cotidiano (everyday aesthetics) e somatoestética (somaesthetics). Ambas pragmáticas teorias que promovem filosofias do “cuidado” pelas dimensões negligenciadas do ordinário e o corpo humano, e consideram se uma inclusão da natureza selvagem na discussão pode facilitar uma mudança cultural no reconhecimento do poder da estética como um meio de autoentendimento radical.

Nosso capítulo final examina outro campo de investigação tradicionalmente negligenciado em estética. Estranhamente, no geral, a estética ocidental ignora as considerações estéticas encontradas no berço mesmo da tradição filosófica ocidental – a antiguidade clássica. Matthew Sharpe preenche essa lacuna e considera a “Estética Antiga” como um modelo para aprender o “sentido maior de ordem e beleza,” sobre a figura do filósofo “que conquistou completamente seus medos, prejuízos e desejos,” e quem “pôde ‘ver (see)’ e saborear (savour) completamente o mundo.” Em outras palavras, a antiguidade pode ensinar-nos sobre as maneiras de acessar uma dimensão interpretativa que “o mundo moderno precisa urgentemente redescobrir, conforme as grandes, ecológicas e políticas crises acenam novamente.”

A verdadeira filosofia, amado [ἔρωτι] expulsa todo desejo (longing) ansioso e doloroso,” as raízes do sofrimento desnecessário (Epicuro, frag. 457).


OBRAS CITADAS


Arendt, Hannah. (1977) 1981. The Life of the Mind. New York: A Harvest Book.

Beckett, Samuel. (1953) 2010. The Unnamable. London: Faber and Faber.

Emerson, Waldo Ralph. (1860) 1944. “Fate.” The Essays of Ralph Waldo Emerson. New York: Random House.

Foucault, Michel. (1984) 1990. The History of Sexuality Vol. II: The Use of Pleasure. Traduzido por Robert Hurley. New York: Vintage Books.

Kant, Immanuel. (1781) 2002. Critique of Pure Reason. Traduzido e editado por Paul Guyer e Allen W. Wood. New York: Cambridge University Press.

Montaigne, Michel. (1580) 1991a. “On Experience.” The Complete Essays. London: The Penguin Press.

Montaigne, Michel. (1580) 1991b. “On the Resemblance of Children to Their Fathers.” The Complete Essays. London: The Penguin Press.

Morrison, Toni. 2008. What Moves at the Margin: Selected Non-Fiction. Jackson: University Press of Mississippi.

Nietzsche, Friedrich. (1886) 2002. Beyond Good and Evil. Editado por Rolf-Peter Horstmann e Judith Norman. Traduzido por Judith Norman. Cambridge: Cambridge University Press.


Capítulo 1


ORIGINAL:

VINO, V. Introduction to the Book. In. VINO, V. Introduction to Philosophy: Aesthetic Theory and Practice. Rebus Community: 2021. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-aesthetics/front-matter/introduction-to-the-book/>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0

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