Uma Introdução à Filosofia da Religião
Introdução ao Livro
Por Beau Branson
Este breve livro cobre principalmente alguns dos mais influentes, ou apenas interessantes, argumentos a favor e contra a crença em Deus. Há muitas outras questões interessantes que surgem no contexto de comprometimentos teológicos específicos (alguns filósofos caracterizariam esses argumentos sob a categoria de “teologia filosófica” antes que “filosofia da religião”). Por exemplo, a doutrina especificamente cristã da trindade (a qual diz que há um Deus, mas três pessoas divinas) é logicamente coerente? A visão especificamente islâmica da providência e controle de Deus sobre o universo é compatível com o livre-arbítrio (free will) e a responsabilidade moral junto com ele? A doutrina especificamente protestante de sola scriptura (“a Bíblia apenas”) autocontraditória, se a Bíblia mesma não a ensina? Nós podemos fazer sentido coerente da doutrina especificamente budista de que, após a morte, o arhat ou pessoa iluminada, não contínua a existir, não cessa de existir e não faz ambos ou nenhum? E muitas mais de semelhantes quebra-cabeças filosóficos sobre específicas doutrinas religiosas ou teológicas poderiam ser perguntados. Contudo, neste breve texto introdutório, nós estamos principalmente introduzindo alguns argumentos gerais sobre a crença em Deus, de maneira mais ampla antes que se aprofundando em outras, mais específicas, doutrinas religiosas. O primeiro capítulo aclara alguns equívocos sobre a relação entre filosofia e religião. O segundo e terceiro capítulos cobrem alguns argumentos influentes para a crença na existência de Deus, e o quarto e o quinto cobrem alguns argumentos influentes contra a crença na existência de Deus. O capítulo final, por outro lado, questiona quão bem essa abordagem “geral” para a filosofia da religião acomoda as várias religiões do mundo (world religions), e crítica a abordagem mesma que nós estamos adotando.
OS CAPÍTULOS
No capítulo 1, Beau Branson representa a história da filosofia e da religião desde os pré-socráticos aos dias de hoje. Ele alega que os filósofos obtiveram uma reputação de como, principalmente, adotarem um ateísmo de mente muito fechada. De fato, a história da filosofia mostra que, desde o seu início, ela tem estado vinculada a questões e ideias religiosas e que a maioria de suas figuras tiveram algum tipo de crenças religiosas. Apenas nós últimos dois séculos a filosofia tomou uma virada decididamente ateísta, e, mesmo então, muitos filósofos não religiosos ainda têm estado intrigados por questões e ideias religiosas, bem como frequentemente sido influenciados por pensadores religiosos. A reputação de mente fechada provavelmente deve ser censurada em um movimento particular no século XX, o positivismo lógico. Mas mesmo ali, a acusação de ser de mente fechada não é inteiramente justa, uma vez que os positivistas adotaram a atitude que eles adotaram por causa de visões técnicas sobre a filosofia da linguagem. Depois dessas visões terem sido colocadas em dúvida, na última parte do século XX e até os dias de hoje, tem havido uma explosão de filosofia da religião.
No capítulo 2, Marcus Hunt apresenta o que tradicionalmente são os mais influentes argumentos para a crença em Deus. O argumento teleológico, também chamado de o argumento do design, alega que o universo tem a aparência de alguma coisa que foi unida propositalmente e que isso nos concede razão para acreditar em um Designer Inteligente. O argumento cosmológico argumenta que o universo observável, consistindo inteiramente de seres contingentes, requer um ser necessariamente existente como uma “Primeira Causa.” E o argumento ontológico tenta mostrar que a suposição ateísta de que o maior ser concebível (Deus) não existe leva ao absurdo lógico. Adicionalmente a esses argumentos tradicionais, Hunt explica o que veio a ser a chamada epistemologia reformada (segundo a tradição teológica “reformada” associada a João Calvino). A epistemologia reformada faz um argumento forte, e um pouco surpreendente, de que pode ser perfeitamente racional para as pessoas acreditarem em Deus sem absolutamente nenhuma evidência ou argumento particulares.
No capítulo 3, Sloan Lee discute três argumentos para a crença em Deus que abordam a questão a partir de ângulos muito diferentes comparados àqueles no capítulo 2. A aposta de Pascal é o mais conhecido dos três e não busca provar que Deus existe, apenas argumenta que é razoável acreditar que Deus existe, uma vez que a crença em Deus é análoga a uma aposta com recompensas (payoff) e perdas (loses) potencialmente infinitas. Em seguida, os argumentos a partir da experiência religiosa partem do fato de que algumas pessoas tiveram certas experiências que, pelo menos, parecem para elas ser experiências de Deus, e alegam que isso nos concede prima facie evidência da existência de Deus. Dessa maneira, na ausência de evidência derrogatória em contrário, nós estamos justificados em acreditar que as coisas são como elas parecem ser. Finalmente, Lee discute o que é, ao mesmo tempo, o mais fascinante e menos discutido dos argumentos nessa literatura, o argumento a partir do desejo, por C.S. Lewis. Lewis começa com a premissa de que as criaturas não nascem com desejos inatos que possivelmente não podem ser satisfeitos. E contudo, Lewis descreve o que ele chama de “o anseio inconsolável (the inconsolable longing),” um tipo de desejo nostálgico que natural e espontaneamente surge em certas ocasiões, mas que não pode ser satisfeito por qualquer coisa neste mundo. Segue-se que deve haver alguma coisa além deste mundo, na direção da qual alguns de nossos desejos (como o anseio inconsolável) naturalmente se dirigem.
No capítulo 4, Steven Steyl apresenta três dos tradicionalmente mais influentes argumentos (ou tipos de argumentos) contra a crença religiosa. Primeiro, ele discute um grupo de argumentos supondo mostrar a incoerência dos vários alegados atributos divinos, tais como aquele de que se Deus é onipotente, Ele presumivelmente pode fazer o mal, mas, se ele é onibenevolente, então ele não pode. O segundo provavelmente é o mais famoso e influente argumento contra a crença religiosa, o problema do mal. Porque qualquer dor e sofrimento desnecessários existiriam no mundo, se Deus é todo poderoso (e assim poderia eliminar qualquer dor e sofrimento, se ele desejasse) e todo-bom ou todo-amoroso (e assim, certamente, desejaria eliminar qualquer dor e sofrimento que não fossem absolutamente necessários)? Steyl também discute uma versão particularmente problemática do problema do mal chamada de o problema do inferno. O inferno apresenta uma dificuldade adicional já que se supõe envolver dor e sofrimento infligidos diretamente por Deus (não por nós, ou pelo mundo natural). O último é o problema da ocultabilidade (hiddenness) divina. O tipo de Deus imaginado especialmente pelo protestantismo evangélico nos séculos XX e XXI deseja entrar em um relacionamento pessoal conosco. Mas, para nós entrarmos em um tal relacionamento com Deus, nós temos de acreditar que Ele existe, o que (pelo menos para nós!) requer, pelo menos, uma certa quantidade de evidência. Então, porque Deus permanece “oculto (hidden)”? Quer dizer, por que Deus simplesmente não revela a Si mesmo para nós de alguma maneira suficientemente óbvia para convencer aqueles que estão cautelosamente céticos mas ainda de mente aberta? Portanto, o fato de que existam tais pessoas, quem estão de mente aberta mas ainda carecem de crença, é razão em si mesma para acreditar que nenhum Deus desse tipo existe.
No capítulo 5, Hans van Eyghen apresenta uma discussão estendida dos desafios recentes à crença religiosa que surgem a partir do campo de estudos recentes da Ciência Cognitiva da Religião. Em particular, a Ciência Cognitiva da Religião tenta explicar os mecanismos por trás da formação de crenças religiosas. Contudo, esses mecanismos parecem estar seriamente propensos a erro. Argumenta-se que eles surgem através de um processo de seleção natural por razões que têm pouco a ver com a verdade, mas simplesmente estão (ou, pelo menos, estiveram, em nosso passado evolucionário) conectadas com ter melhores chances de sobrevivência. Por exemplo, um argumento teoriza que uma população de pessoas que acredita em um ser onisciente (all-knowing) e onipotente (all-powerful), quem os punirá por seus atos malignos, será mais provável de cooperar umas com as outras e menos provável de prejudicarem umas as outras, aumentando as chances de sobrevivência para todos no grupo. Se nossas crenças realmente resultam a partir de não confiáveis mecanismos de formação de crença tais como esse, então, assim é argumentado, que aquelas crenças mesmas são injustificadas.
Finalmente, no capítulo 6, Timothy Knepper, apresenta-nos um desafio para a estrutura mesma no interior da qual o resto do livro (e o campo de estudo corrente da filosofia da religião, tipicamente) funciona. Ele assinala que, aquilo que se passa como “filosofia da religião” em filosofia acadêmica não está realmente interessado na religião como tal, mas especificamente com a tradição ocidental teísta. De fato, os primeiros capítulos deste livro ilustram perfeitamente essa queixa. Em seguida, Knepper discute as razões histórias pelas quais a ideia de “filosofia da religião” foi construída durante o Iluminismo, e como e porque ela falha em se adequar a outras tradições religiosas, fornecendo exemplos extraídos de religiões no Sul da Ásia (Índia), Ásia Oriental (China), África Ocidental (Yorubalândia) e América do Norte (Lakota)(especificamente, as crenças religiosas do hinduísmo, budismo, jainismo, confucianismo, taoismo e dos Yorùbá e Lakota). Todas essas religiões específicas que ele discute apresentam dificuldades aparentemente insuperáveis para serem encaixadas no molde de “a filosofia da religião” (ou seja, a filosofia do (mono)teísmo). Ele apresenta a nós algumas propostas para melhores maneiras de pensar o que é “religião,” maneiras que poderiam ser tanto mais inclusivas quanto mais frutíferas, convidando religiões não ocidentais que, de outra maneira, são marginalizadas pelo paradigma do teísmo tradicional a entrarem em conversação.
GLOSSÁRIO
Há um glossário ao final do livro. Se você está lendo este livro na web, você encontrará os termos do glossário no texto com hiperlinks para as definições deles. Clique nos termos e a definição deverá aparecem em tela. Se você está lendo o livro em outra forma, você vê apenas os termos do glossário em negrito, e você terá de ir ao glossário ao final do livro para descobrir as definições desses termos.
UMA EXPLICAÇÃO DA ESTRUTURA DO LIVRO
Uma nota de despedida de explicação (ou de defesa!) pode estar em ordem, quanto a porque os primeiros capítulos do livro abordam a filosofia da religião exatamente da maneira que Knepper crítica, e, contudo, o capítulo final argumenta contra essa abordagem. Assim, por que incluir tanto o capítulo 6 quanto os capítulos 1 a 5? É isso uma contradição?
Para essa questão, há duas respostas simples. Mesmo que alguém considere que Knepper está exatamente certo na proposta dele para como repensar a filosofia da religião, esse alguém tem de reconhecer que a tarefa ainda não foi realizada, e que, nesse ínterim, há um problema prático de como melhor buscar o ensino da (e a aprendizagem sobre a) filosofia da religião. Segundo, embora muito da base do argumento de Knepper seja quase certamente verdadeira, ainda é possível concluir que o objetivo de repensar a filosofia da religião pode e deveria ser realizado de uma maneira menos radical, e o editor deste volume sustenta que deveriam ser apresentadas aos estudantes tanto a “tradicional” filosofia da religião quando a crítica de Knepper a ela, e que a eles seja permitido chegarem às suas próprias conclusões sobre com o que o futuro da filosofia da religião deveria parecer-se.
Quanto ao primeiro ponto, para tomar o exemplo mais extremo, considere a religião Yorùbá que Knepper discute. Antes da publicação de Olódúmare: God in Yorùbá Belief (1962), de E. Bolaji Idowu, a maioria do que estava escrito em inglês sobre a crença yorùbá era, parece, bastante impreciso. E mesmo Idowu tem sido criticado como interpretando mal a crença yorùbá em uma tentativa de a trazer mais perto de alguma coisa que pessoas, a partir de um contexto ocidental, predominantemente monoteísta, entenderiam. Talvez apenas na última década, ou aproximadamente, do século XX, com autores como Kola Abímbolá e outros, que aqueles não familiares com ela começaram a obter um retrato mais claro do que a crença yorùbá realmente é, em seus próprios termos. Dessa forma, enquanto que todos nós esperançosamente podemos concordar que os filósofos da religião devem começar a envolver-se com religiões tais como aquela dos yorùbá, que estão fora do tradicional cânon ocidental, eles dificilmente podem ser culpados de que ainda não tenham realizado essa tarefa, visto que ela inevitavelmente requererá tempo, tanto para o conteúdo mesmo da crença yorùbá torna-se mais amplamente conhecido, quanto para a filosofia da religião descobrir maneiras criativas de entrar em conversação com ela.
É claro, outros exemplos que Kneppe fornece, como o budismo e hinduísmo, deveriam ser um embaraço maior, uma vez que as pessoas em “o Ocidente” conheceram, pelo menos, alguma coisa sobre essas religiões desde os tempos antigos. (Embora nesses casos, pelo menos, alguma filosofia da religião tratou dessas tradições, mesmo se certamente não como alguém poderia antecipar ou ter esperança). Mas o ponto é que a tarefa que Knepper propôs simplesmente ainda não foi realizada. Deparam-se com problemas semelhantes muitas, se não todas as, áreas da filosofia ocidental em termos de se abrirem ulteriormente, não apenas para culturas não europeias, mas para mulheres, para pessoas de várias classes econômicas, orientações e identidades sexuais, e assim por diante. Uma escola de pensamento poderia ser radicalmente repensar todo o cânon ocidental “a partir da base (from the ground up),” como Knepper coloca. Mas fazer isso imediatamente pareceria ser uma tarefa hercúlea. Outros poderiam simplesmente buscar mudar gradualmente o cânon ocidental em uma direção de maior inclusividade. A opinião do editor desse volume é que a primeira abordagem é simplesmente ambiciosa demais, mas que vozes como a Knepper, mesmo assim, merecem ser ouvidas, e que, avançando, os filósofos da religião precisam levar a sério o resultado apresentado.
Quanto ao segundo ponto, o editor considera que os estudantes deveriam ser apresentados tanto à filosofia da religião como ela tipicamente é feita e a uma crítica bem argumentada como a Knepper e, em seguida, ser admitidos a chegarem às suas próprias conclusões. Knepper propõe que “se a filosofia da religião deve ser a filosofia das religiões e não apenas a filosofia do (mono)teísmo, ela deve ser repensada a partir da base (from the ground up), não meramente expandida ou alargada.” Em outras palavras, se nós alcançamos o objetivo imediata ou gradualmente, Knepper demanda de nós, em última análise, reconstruirmos a filosofia da religião de uma maneira bastante radical. Mas alguns poderiam argumentar que esse tipo de repensamento da filosofia da religião seria jogar o bebê fora junto com a água do banho, visto que há muito de valor na tradicional filosofia da religião, mesmo se o valor dela seja primariamente, ou mesmo exclusivamente, no interior de um paradigma amplamente monoteísta.1 Dessa maneira, mesmo dados os fatos que Knepper cita, alguns leitores poderiam concluir que nós deveríamos fazer o oposto do que Knepper recomenda. A saber, eles poderiam precisamente concluir que nós deveríamos encontrar uma maneira de expandir o que correntemente conta como filosofia da religião de uma maneira tal a incorporar o que Kneeper chama de filosofia do (mono)teísmo em alguma coisa maior, antes que simplesmente descartar a filosofia do (mono)teísmo em favor de alguma coisa diferente.
Por essas e outras razões, o editor deste volume tomou a decisão cuidadosa de selecionar e arranjar os capítulos de maneira que os leitores comecem com uma introdução à filosofia da religião como ela tem sido, e é, tipicamente ensinada hoje em dia e, em seguida, serem apresentados com uma crítica forte e bem argumentada desse paradigma, deixando-lhes espaço para chegarem às suas próprias conclusões.
COMO USAR ESTE LIVRO
Todos os livros da série de Introduction do Philosophy são escritos especificamente para uma audiência que tem de pouca a nenhuma exposição à filosofia. Nós tentamos afastarmo-nos do jargão tanto quanto possível e esperamos que você considerará a linguagem razoavelmente fácil de seguir e os argumentos explicados de maneiras que são tão fáceis de seguir quanto o assunto permite. Portanto, cada posição ou argumento apresentado neste livro é necessariamente apresentado em um nível básico, e, embora várias respostas, objeções e contra-argumentos sejam apresentados há, em quase qualquer instância, uma vasta literatura contendo ainda mais discussão em quase qualquer ponto. Portanto, cada capítulo termina com uma seleção de Leituras Adicionais que foram escolhidas como estando entre os lugares mais benéficos para novatos irem para mais informação. Portanto, use um capítulo deste livro como uma ferramenta para ajudar a orientar-se para os tópicos, a “grande figura” e as ideias básicas que estão em jogo e, em seguida, vá às Leituras Adicionais quando você estiver pronto para mergulhar mais profundamente em um tópico específico que irritou (piqued) seu interesse.
Quando se chega à religião, alguns leitores começaram como crentes firmes em alguma religião, outros, oponentes convictos de alguma religião, ou de muitas, ou de todas, religiões. Alguns podem estar indecisos, mas curiosos para aprenderem mais. E, após lerem sobre alguns dos argumentos neste livro, alguns leitores podem mudar suas mentes, enquanto outros podem se tornar mais firmemente convencidos do que eles já suspeitam ser verdadeiro. Mas, independentemente do que você acredita quando começa seu estudo da filosofia da religião ou quando o termina, uma coisa é certa: você terá uma vida mais rica, e um melhor entendimento dos outros à sua volta, por ter considerado as coisas através de vários lados das questões.
E nesse tom, nós terminamos esta introdução com palavras que soam estranhamente religiosas de um dos mais famosos ateus de todos os tempos, Bertrand Russell:
“A filosofia deve ser estudada, não por causa de quaisquer respostas definitivas para suas questões, uma vez que nenhuma resposta definitiva pode, como uma regra, ser conhecida ser verdadeira, mas em consideração às questões mesmas; porque essas questões alargam nossa concepção do que é possível, enriquecem nossa imaginação intelectual, e diminuem a certeza dogmática que fecha a mente contra a especulação; mas, acima de tudo, porque através da grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também é tornada grande, e torna-se capaz daquela união com o universo que constitui seu mais elevado bem.” (Russell [1912] 2004, 113)
REFERÊNCIAS
Russell, Bertrand. (1912) 2004. The Problems of Philosophy. Barnes & Noble.
ORIGINAL:
BRANSON, B. Introduction to the Book. In. BRANSON, B. Introduction to Philosophy: Philosophy of Religion. Rebus Community: 2020. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-of-religion/front-matter/introduction-2/>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1 Dada a história emaranhada tanto da filosofia quanto da religião na cultura ocidental, esboçada no primeiro capítulo do livro, obviamente há uma grande quantidade de valor no conhecimento sobre a tradição monoteísta, se por nenhuma outra razão do que melhor entender o desenvolvimento do pensamento e da cultura ocidental. De fato, como o primeiro capítulo felizmente torna claro, muito desse emaranhamento está não apreciado / subapreciado. E, além de sua importância meramente histórica, esse tipo tradicional de filosofia da religião tem relevância permanente para a maior parte da população mundial. Alguns dados demográficos são dignos de serem mencionados aqui. Os cristãos (a partir de 2020) formam aproximadamente 2.3 bilhões ou 31.2% da população mundial; muçulmanos, aproximadamente 1.8 bilhão, ou 24.1% da população mundial; e judeus, aproximadamente 14 milhões, ou 0.2% da população. Dessa forma, mais de 4.1 bilhões ou 55.5% da população mundial cai no interior de um paradigma amplamente monoteísta em suas crenças religiosas. E possivelmente, a maior parte dos ateus e agnósticos no interior das culturas ocidentais, tendem a pensar sobre religião no interior de categorias que eles herdaram a partir dessa tradição, quer eles sejam ou não conhecedores dessa influência, e assim poderiam ser adicionados ao número total para quem as categorias de teísmo são importantes (mesmo se eles estejam rejeitando-as, antes que adotando-as). E, embora a porcentagem da população consistindo de cristãos e judeus seja projetada para permanecer estável, por 2050 projeta-se que o Islã cresça até aproximadamente 29.7 da população mundial, dando-nos, pelo menos, 61.1 % da população mundial encaixando-se no interior do paradigma monoteísta. (Após 2050, há menos certeza, mas, se as coisas continuarem ao longo da mesma trajetória, o Islã deverá superar o Cristianismo como a maior religião do mundo por volta de 2070, dando-nos um total de 62.6% da população mundial no interior do paradigma monoteísta por 2070). Assim, embora alguém certamente possa ser simpático à outra metade (e mesmo no futuro ainda mais de um terço) da população mundial, esse alguém também conclui que nós tampouco podemos simplesmente ignorar a inteira tradição de pensar profundamente sobre questões no interior do paradigma monoteísta. (Para os dados sobre a demografia da religião citados nesta nota, ver “Christians Remain World’s Largest Religious Group, but They are Declining in Europe,” (https://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/04/05/christians-remain-worlds-largest-religious-group-but-they-are-declining-in-europe/) Pew Research Center [2017], e “7 Key Changes in the Global Religious Landscape,” (https://www.pewresearch.org/fact-tank/2015/04/02/7-key-changes-in-the-global-religious-landscape/) Pew Research Center [2015].))
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