Por EderNB do Blog Mathesis
Assim como as revoluções tecnológicas anteriores, a assim chamada Quarta Revolução Industrial (4RI) constitui-se como um processo de alteração radical do modo como os seres humanos produzem as condições materiais de suas existências. O que foi bem demonstrado por Penprase no texto A Quarta Revolução Industrial e a Educação Superior (2018). Semelhantes desenvolvimentos consequentemente fornecem material a articulação filosófica em múltiplos núcleos de problemas:
Teórico (ou do conhecimento pelo conhecimento). Na dimensão teórica a 4RI industrial provoca questões tais como: 1) Qual a natureza de um objeto que seja parte informacional, parte físico, parte biológico? (Ontologia) Se tradicionalmente essas três esferas eram concebidas como distintas e exclusivas, a convergência acelerada de áreas tecnológicas diversas tem atenuado essas fronteiras de um modo cada vez mais intenso (Conferir 4RI+ES em [215]). 2) Como a mudança pode ser determinável num ambiente onde ela é a condição predominante e a estabilidade é a exceção? (Filosofia da História) Esta é uma questão que emerge da constatação de que a estabilidade temporal das coisas está cada vez mais reduzida em extensão e multiplicada em seus referentes (poder-se-ia dizer “fragmentada”), assim, como se falar de algo que muda com um parâmetro de comparação tão atenuado? 3) Como se estrutura o processo de desenvolvimento de artefatos tecnológicos quando o mesmo vai do material ao virtual e vice-versa em loops contínuos? (Filosofia da Tecnologia) Essa última questão situa-se no limite entre a teoria e a técnica e possui essa propriedade devido ao núcleo unificante da 4RI: a digitalização computacional de todas as coisas. Desse modo, por exemplo, o estudo teórico (tempo x) de um conteúdo digitalizado não está muito longe do desenvolvimento de uma solução técnica (tempo ×+1) a ser aplicada no equivalente material daquele mesmo conteúdo. Verdadeiramente, a depender do contexto considerado, os dois processos são momentos contínuos e alternantes de um mesmo loop.
Prático (ou do conhecimento para a ação). Já na dimensão ativa, a universal mediação tecnológica da condição humana gera questões tais como: 1) Como uma ação pode ser compreendida se ela depende de “agentes não humanos (ANH)” (IAs embarcadas ou não, redes físico-informacionais com propriedades emergentes)? (Ética) Claramente o que é necessário para alcançar-se esse tipo de compreensão é um conhecimento operativo desses ANHs. Mas até que ponto esse saber poderia ser obtenível e em que medida ele seria gerenciável praticamente? 2) Como a ação livre é possibilitada ao maior número possível quando as condições (informacionais e materiais) dessa mesma ação são de propriedade (intelectual e real) de um número cada vez menor? (Política) Esta questão em parte pode ser interpretada como um desdobramento da anterior, já que os ANHs pertenceriam a outros (a si mesmos, em certa altura?) na maioria das vezes, mas também ressalta a dependência entre a materialidade da ação de alguém e a propriedade intelectual de outro. 3) Um elemento da natureza, restaurado ou constituído de modo artificial, ainda poderia ser considerado natural? (Ecologia) Isso poderia implicar situações tais como; um componente biológico construído (Conferir 4RI+ES em [216]) para ser uma parte de um sistema natural, um elemento idêntico em funcionamento e em aparência aos demais que desempenham as mesmas funções. Deveria esse componente novo ser considerado parte natural do sistema?
REFERÊNCIAS:
PENPRASE, B.E. A Quarta Revolução Industrial e a Educação Superior. 2018. (4RI+ES)
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