sexta-feira, 15 de maio de 2020

Nota 14: Ficção Científica e 4RI

Por EderNB do Blog Mathesis


A assim chamada Quarta Revolução Industrial (4RI) caracteriza-se como um período de: a) aceleração exponencial do ritmo de desenvolvimento; e b) convergência de diferentes tecnologias (Conf. 4RI+ES em [215]); ambas em torno da esfera do digital (ES+4RI – Intro em [2-3]). A ficção científica sempre manteve uma relação íntima com o desenvolvimento científico e tecnológico (Como um exemplo disso, ver Nota 3), às vezes o antecedendo, outras vezes o sucedendo. Dentre algumas interfaces entre tecnologia em efetivo desenvolvimento na 4RI e ficção, podem ser destacados:

  1. Invisibilidade da condição. Uma tendência comum a essas tecnologias é a miniaturização, uma vez que os instrumentos tornam-se menores (numa escala nanométrica ou menor) e mais poderosos. Desse modo a percepção de seus componentes e, consequentemente, o acesso ao controle e configuração dos mesmos torna-se cada vez mais distanciado do sujeito comum. Uma tecnologia serve como uma mediação para outra e, consequentemente, tornam-se ambas mais complexas do que modalidades anteriores. A ficção científica há muito tem considerado essas temáticas de novos materiais (especialmente com referências à nanotecnologia) com propriedades avançadas em relação à natureza.

  2. Visibilidade do condicionado. Por outro lado, os efeitos dessa tecnologia invisível serão bem perceptíveis e efetivos. Eles trarão funcionalidades anteriormente impossíveis, de certo modo ampliando a acessibilidade de um indivíduo a seu ambiente por meio de sensores sofisticados. Consequentemente, avanços em robótica e áreas afins fornecerão meios de atuação igualmente aprimorados. Na esfera da ficção este ponto é refletido na imaginação das mais diversas construções e veículos, os quais, logicamente, não possuem as mesmas limitações dos reais.

  3. Conectividade universal. Tanto visível (o nível de uso – 2) quanto invisivelmente (o nível nanoscópico – 1) essas diversas camadas de tecnologias serão integráveis, com informações sendo trocadas de modo contínuo entre elas. Isso trará comodidade crescente bem como problemas cada vez maiores de segurança e privacidade. Logicamente ambos os problemas, bem como outros na mesma área, possuem amplo espaço de imaginação no âmbito da ficção, a qual tem privilégio de poder abordá-los de um modo livre.

  4. Condição humana 2.0. Grande será o impacto desses desenvolvimentos tecnológicos sobre as capacidades e limites humanos. O que pode levar em alguns casos a questionar-se o que deve ser considerado ou não “humano”. Com a tecnologia atual, com elementos artificiais (membros, marcapassos, etc) claramente distinguíveis dos naturais, a questão não se coloca com muita intensidade. Mas, num cenário de possibilidade do cultivo e engenharia de órgãos a partir de material biológico, a coisa já muda de figura. Como é de público conhecimento muitas ficções científicas imaginam a condição existencial do ser humano dos modos mais diversos, seja imaginando seres que deixaram de poder ser vistos como normais (Com alguns exemplos discutidos em Nota 9, Nota 11) ou que nunca puderam sê-lo (Nota 13).

  5. Planeta 2.0. O desenvolvimento e a interconexão de tecnologias relacionadas ao ambiente artificial e natural igualmente possui o potencial de alterar radicalmente o modo como a natureza é concebida. Do mesmo que com a condição humana, mas numa escala ampliada, um ambiente natural massivamente restaurado ainda poderia ser considerado natural (uma extrapolação de Nota 6, Prático-3). Uma representação ficcional particularmente significativa deste último ponto encontra-se no jogo (2017) Horizon Zero Dawn. Nesse cenário ficcional, através de um desastre envolvendo inteligências artificiais, durante o século XXI, toda a biosfera da Terra destruída; a aniquilação da vida em todas as suas formas. Séculos depois, por obra de uma sofisticadíssima inteligência artificial de “proporções divinas” (Gaia), a vida retornou ao planeta em todas as suas formas (vegetal, animal e humana). De certo modo, Horizon fornece um exemplo de ficção científica envolvendo todos os pontos anteriores, pois a tecnologia ficcional utilizada para “reiniciar” a vida (mencionada neste ponto) envolve, entre várias coisas, massivo uso de robôs (ponto 2), construídos com propriedades materiais únicas (ponto 1) e conectados entre si, a IAs (ponto 3) e a um sistema que trabalhou por séculos para gerar uma nova humanidade (ponto 4)!


Referências

GLEASON, N. W. O Ensino Superior na Era da Quarta Revolução Industrial – Introdução. 2018. (ES+4RI – Intro)

PENPRASE, B.E. A Quarta Revolução Industrial e a Educação Superior. 2018. (4RI+ES)

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