Uma Introdução aos Princípios da Moral e Legislação
Por Jeremy Bentham
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[97]X Dos Motivos
§1 Diferentes sentidos da palavra motivo1
I. É uma verdade reconhecida que todo tipo de ato que seja, e, consequentemente, todo tipo de ofensa, está apto a assumir um caráter diferente, e ser acompanhado por efeitos diferentes, de acordo com a natureza do motivo que dá origem a ele. Isso torna necessário dar uma olhada nos vários motivos pelos quais a conduta humano é passível de ser influenciada.
II. Por um motivo, no sentido mais extenso no qual a palavra sempre é usada com referência a um ser pensante, é significado qualquer coisa que pode contribuir para dar origem a, ou até evitar, qualquer tipo de ação. Agora, a ação de um ser pensante é o ato ou do corpo, ou apenas da mente: e um ato da mente é um ato ou da faculdade intelectual ou da vontade. Os atos da faculdade intelectual frequentemente dependem do entendimento meramente, sem exercerem nenhuma influência na produção de quaisquer atos da vontade. Os motivos que não são de uma natureza para influenciarem nenhum outro ato além desses podem ser denominados de motivos puramente especulativos, ou motivos dependentes de especulação. Mas, quanto a esses atos, nem eles exercem influência nenhuma sobre [98]atos externos, nem sobre as consequências deles, nem, consequentemente, sobre nenhuma dor ou nenhum prazer que possam estar no número de tais consequências. Agora, é apenas por conta da tendência deles para produzirem ou dor ou prazer que quaisquer atos podem ser considerados materiais. Portanto, em atos que dependem puramente do entendimento, nós não temos nenhum interesse aqui: nem, portanto, nem com qualquer objetivo, se houver algum desses, que, no caráter de um motivo, não possa ter nenhuma influência em quaisquer atos além desses.
III. Os motivos com os quais nós temos qualquer preocupação são apenas aqueles que são de uma natureza a agirem sobre a vontade. Então, por um motivo nesse sentido da palavra, deve ser entendido qualquer coisa que seja que, influenciando a vontade de um ser sensível, é suposta servir como um meio para o determinar agir, ou voluntariamente a abster-se de agir2, em qualquer ocasião. Motivos desse tipo, em contraste com os primeiros, podem ser denominados de práticos, ou motivos aplicando-se à prática.
IV. Devido à pobreza e ao estado incerto da linguagem, a palavra motivo é empregada indiscriminadamente para denotar dois tipos de objetos, os quais, para melhor entendimento do assunto, é necessário que devam ser distinguidos. Em algumas ocasiões, ela é empregada para denotar qualquer um daqueles incidentes realmente existentes a partir dos quais o ato em questões é suposto de ter se originado. O sentido que ela comporta nessas ocasiões pode ser denominado o seu sentido literal e não figurado. Em outras ocasiões ela é empregada para denotar uma certa entidade fictícia, uma paixão, um afeto da mente, um ser ideal que, em consequência de qualquer incidente semelhante, é considerado como operando sobre a mente e incitando-a a tomar esse curso, na direção do qual ela é impelida pela influência [99]de semelhante incidente. Motivos dessa classe são avareza, indolência, benevolência e assim por diante; como nós deveremos ver mais particularmente mais a frente. Isso pode ser denominado do sentido figurado do termo termo motivo.
V. Quanto aos incidentes reais aos quais o nome de motivo também é dado, esses também são de dois tipos muito diferentes. Eles podem ser ou, 1. A percepção interna de cada porção individual de prazer ou dor, a expectativa da qual é considerada como calculada para determinar você a agir de uma maneira tal ou tal; como o prazer de adquirir uma tal soma de dinheiro, a dor de se esforçar em uma ocasião semelhante, e assim por diante: ou, 2. Qualquer evento externo, o acontecimento do qual é considerado como tendo uma tendência a causar a percepção de um tal prazer ou uma tal dor; por exemplo, a revelação de um bilhete de loteria, pelo qual a posse do dinheiro é transferida a você; ou a irrupção de um incêndio na casa na qual você está, o que torna necessário a você abandoná-la. O primeiro dos motivos pode ser denominado de interior ou interno, o segundo, exterior ou externo.
VI. Dois outros tipos sentidos do termo motivo também necessitam ser distinguidos. O motivo refere-se necessariamente à ação. É um prazer, dor, ou outro evento, que incita à ação. Portanto, em um sentido da palavra, o motivo tem de ser anterior a um tal evento. Mas, para um homem governado por qualquer motivo, em cada caso ele tem de olhar além daquele evento que convocou a ação dele; ele tem de olhar para as consequências dele; e é apenas dessa maneira que a ideia de prazer, ou dor, ou qualquer outro evento, pode dar origem a ele. Portanto, em cada caso, ele tem olhar para algum evento posterior para agir em expectativa: um evento que, como ainda não existe, está apenas em perspectiva. Agora, como é em todos os casos difícil e, na maioria dos casos, desnecessário, distinguir entre objetos tão intimamente conectados, como o posterior objeto possível que é dessa maneira aguardada, e o presente objeto ou evento existente que ocorrer no aguardo de um homem pelo outro, fala-se sobre ambos sob a mesma denominação de motivo. Para os distinguir, o primeiro mencionado pode ser denominado de prospecto, o outro, um [100]motivo em esse: e sob cada uma dessas denominações serão classificados motivos exteriores assim como internos. Um incêndio irrompe na casa do vizinho: você fica sob a apreensão dele estender-se para a sua própria: você fica apreensivo de que se permanecer nela, você será queimado: portanto, você foge dela. Portanto, esse é o ato: os outros são todos motivos dele. O evento da irrupção do fogo na casa do vizinho é um motivo externo, e esse em esse: a ideia ou crença da probabilidade do fogo estendendo-se até a sua própria casa, de modo que você seja queimado se você continuar, e a dor que você sente diante do pensamento de uma tal catástrofe, são todos eventos internos, mas ainda em esse: o evento do fogo efetivamente se estendo até a sua própria casa, e aquele de você sendo efetivamente queimado por ele, motivos externos em prospecto: a dor que você sentiria ao ver a sua casa queimando, e a dor que você sentiria enquanto você mesmo estivesse queimando, motivos internos em prospecto: eventos que, de acordo com o que aconteça, podem vir a ser em esse: mas então, é claro, eles cessariam de agir como motivos.
VII. De todos esses motivos, o que está mais próximo do ato, para a produção do qual todos eles contribuem, é aquele motivo interno em esse que consiste na expectativa do motivo interno em prospecto: a dor ou desconforto que você sente diante de pensamentos de ser queimado3. Todos os outros motivos estão mais ou menos distantes: os motivos em prospecto, em proporção ao período no qual se espera que eles aconteçam, estão mais distantes do período no qual o ato ocorre, e, consequentemente, posteriores no ponto do tempo: os motivos em esse, em proporção a que eles também estejam mais distantes a partir desse período, e, consequentemente, anteriores no ponto do tempo4.
[101]VIII. Já foi observado que com motivos dos quais a influência termina completamente no entendimento nós não temos nada a ver aqui. Portanto, se, entre os objetos que são falados como motivos com referência ao entendimento, houver qualquer um que nos interesse aqui, é apenas enquanto tais objetos podem, através do meio do entendimento, exercer uma influência sobre a vontade. É dessa maneira, e apenas dessa maneira, que quaisquer objetos, em virtude de qualquer tendência que eles possam ter para influenciarem os sentimentos de crença, podem, em um sentido prático, agir no caráter de motivos. Quaisquer objetos, ao tenderem a induzir uma crença com respeito à existência, atual ou provável de um motivo prático; quer dizer, relativo à probabilidade de um motivo em prospecto, ou a existência de um motivo em esse; podem exercer uma influência sobre a vontade e classificarem-se com aqueles outros motivos que foram postos sob o nome de práticos. A indicação de motivos tais como esses é o quê nós frequentemente queremos dizer quando nós falamos em dar razões. A casa do seu vizinho está em chamas, como antes. Eu comento com você que a parte inferior da casa do seu vizinho é algum madeiramento, o qual se junta com a sua; que as chamas atingiram esse madeiramento, e assim por diante; o quê eu faço para dispor você a acreditar, como eu acredito, que se você permanecer na sua casa por mais tempo você se queimará. Ao fazer isso, então, eu sugiro motivos para o seu entendimento; motivos que, pela tendência que eles têm para dar origem, ou fortalecer, uma dor, os quais operam sobre você no caráter de um motivo interno em esse, juntam suas forças e agem como motivos sobre a vontade.
§2 Nenhum motivo nem constantemente bom, nem constantemente mau
IX. Em toda essa cadeia de motivos, o elo principal parece ser o último motivo interno em prospecto: é a esse [102]que todos os outros motivos em perspectiva devem a sua materialidade: e o motivo imediatamente atuante, a sua existência. Nós vemos que esse motivo em prospecto é sempre algum prazer, ou alguma dor; algum prazer, para o qual se espera que o ato em questão seja um meio de continuação ou produção: alguma dor, para a qual se espera ser um meio de descontinuação ou prevenção. Substancialmente, um motivo nada mais é do que prazer ou dor, operando de uma certa maneira.
X. Agora, o prazer em si mesmo é um bem: ou melhor, mesmo colocando de lado a imunidade à dor, o único bem: a dor em si mesma é um mal; e, de fato, sem exceção, o único mal; ou senão as palavras bem e mal não têm significado. E isso é semelhantemente verdadeiro de cada tipo de dor e de cada tipo de prazer. Portanto, segue-se imediata e incontestavelmente que não há tal coisa como qualquer tipo de motivo que seja em si mesmo algo mal5.
XI. Contudo, é comum falar de ações como procedendo a partir de motivos bons ou maus: caso no qual os motivos significados são aqueles que são internos. A expressão está longe de ser algo preciso; e, visto que ela é passível de ocorrer na consideração de todo ato de ofensa, será necessário estabelecer o significado preciso dela, e observar até onde ela corresponde à natureza das coisas.
XII. Com respeito a bondade e maldade, como é com tudo o mais que não é em si mesmo dor ou prazer, assim é com os motivos. Se eles são bons ou maus, é apenas por causa dos seus efeitos: bons, por conta da tendência deles para produzir prazer ou evitar dor: maus, por conta da tendência deles para produzir dor ou evitar prazer. Agora, o caso é que, a partir de um e mesmo motivo, e a partir de cada tipo de motivo, podem proceder ações que são boas, outras que são más, e outras que [103]são indiferentes. Isso nós deveremos prosseguir para revelar com respeito a todos os tipos diferentes de motivos, como determinados pelos vários tipos de prazeres e dores.
XIII. Uma tal análise, útil como ela é, será considerada ser uma questão de não pequena dificuldade; em grande medida devido a uma certa perversidade que prevalece mais ou menos por todas as linguagens. Para falar de motivos, como de tudo o mais, alguém tem de os chamar pelos nomes dels. Mas o infortúnio é que é raro encontrar um motivo do qual o nome expresse isso e nada mais. Comumente, junto com o nome mesmo do motivo, está tacitamente envolvida uma proposição imputando a ele uma certa qualidade; uma qualidade que, em muitos casos, parecerá incluir aquela mesma bondade ou maldade, relativa às quais nós estamos investigando aqui se, apropriadamente falando, deve ser ou não imputável a motivos. Para usar a frase comum, na maioria dos casos, o nome do motivo é uma palavra que é empregada ou apenas em um bom sentido, ou senão, apenas em um mau sentido. Agora, quando uma palavra é falada como sendo usada em um bom sentido, tudo que necessariamente se quis dizer é isto: que em conjunção com a ideia do objeto que ela é aplicada para significar, ela transmite uma ideia de aprovação: quer dizer, de prazer ou satisfação, concebida pela pessoa que emprega o termo diante dos pensamentos de semelhante objeto. De maneira similar, quando uma palavra é falada como sendo usada em um mau sentido, tudo que necessariamente se quis dizer é isto: que, em conjunção com a ideia do objeto que ela é aplicada para significar, ela transmite uma ideia de desaprovação: quer dizer, de um desprazer concebido pela pessoa que emprega o termo diante dos pensamentos de semelhante objeto. Agora, a circunstância sobre a qual tal aprovação está fundamentada será, tão naturalmente quanto qualquer outra, a opinião da bondade do objeto em questão, como explicado acima: tal como, pelo menos, tem de ser em consequência do princípio de utilidade: assim, por outro lado, a circunstância sobre a qual qualquer desaprovação está fundamentada, será, tão naturalmente quanto qualquer outra, a opinião da maldade do objeto: tal como, pelo menos, tem de ser, enquanto o princípio de utilidade for tomado como padrão.
[104]Agora, há certos motivos que, a menos em uns poucos casos particulares, escassamente têm qualquer outro nome pelos quais serem expressos senão uma tal palavra como é usada apenas em um sentido comum. Por exemplo, esse é o caso com os motivos de piedade e honra. A consequência disso é, falando de um tal motivo, que se um homem devesse ter ocasião para aplicar o epiteto de mal a quaisquer ações que ele menciona como aptas a resultarem a partir dele, ele tem de parecer ser culpado de uma contradição em termos. Mas os nomes dos motivos escassamente ainda têm qualquer outro nome pelo qual serem expressos, exceto uma tal palavra como é usada apenas em um mau sentido6. Por exemplo, esse é o caso com motivos da luxuria e avareza. E portanto, se ao falar de um tal motivo, um homem deveria ter ocasião para aplicar os epítetos de bom ou indiferente a quaisquer ações que ele menciona como aptas a resultarem a partir dele, aqui ele também parece ser culpado de uma contradição similar7.
É evidente que essa associação perversa de ideias não pode senão lançar grandes dificuldades no caminho da investigação agora diante de nós. Confinando-se à língua mais em uso, um homem escassamente pode evitar deparar-se em contradições perpétuas, na aparência. Por um lado, as proposições dele parecerão repugnantes à verdade; e, por outro lado, avessas à utilidade. Como paradoxos, elas exitarão desdém: como paradoxos perniciosos, indignação. Pelas verdades que ele labora para transmitir, por mais que importantes, e por mais que salutares, o leitor dele nunca fica melhor, e ele mesmo fica muito pior. Para prevenir essa inconveniência, completamente, ele tem apenas este remédio desagradável; deixar de lado a antiga fraseologia e inventar uma nova. Feliz o homem cuja [105]linguagem seja suficientemente flexível para lhe permitir esse recurso. Para aliviar a inconveniência, onde o método de a prevenir for impraticável, ele não tem nada deixado para ele exceto entrar em uma longa discussão, para formular a matéria inteira de modo geral, para confessar, pelo bem da promoção dos propósitos, que ele violou as leis estabelecidas da linguagem, e lançar-se sob a misericórdia dos leitores dele8.
§3 Catálogo de motivos correspondente àquele de Prazeres e Dores
XIV. A partir dos prazeres dos sentidos, considerados no total, resulta o motivo que, em um sentido natural, pode ser denominado de desejo físico: em um mau sentido, ele é denominado de sensualidade. Ele não tem nenhum nome usado em um bom sentido. Disso nada pode ser determinado até que ele seja considerado separadamente, com referência às várias espécies de prazer aos quais ele corresponde.
XV. Portanto, em particular, aos prazeres do gosto ou paladar corresponde um motivo, o qual, em um sentido neutro, não tendo recebido nenhum nome que sirva para o expressar em todos os casos, apenas pode ser denominado, por circunlocução, do amor os prazeres do paladar. Em casos particulares ele é denominado de fome: em outros, de sede9. O amor a expressões de bom ânimo expressa esse motivo, mas parece ir além: [106]intimando que o prazer seja participado em companhia e envolvendo um tipo de simpatia. Em um sentido ruim, ele é denominado, em alguns casos de ganância, voracidade, glutonaria: em outros, principalmente quando aplicado a crianças, ansiedade para provar (lickerishness). Em alguns casos ele também pode ser representado pela palavra delicadeza. Ele não tem nenhum nome usado em um sentido neutro. 1. Um menino, quem não careça de comida, rouba um bolo de uma confeitaria e come-o: e se fosse perguntado o quê é, talvez poderia ser respondido ansiedade para provar. 2. Um menino compra um bolo de uma confeitaria e come-o. Nesse caso, escassamente o motivo dele pode ser considerada como bom ou mau, a menos que o mestre dele deva estar impaciente com ele; e então, talvez, ele possa chamá-lo de ansiedade para provar, como antes. Contudo, em ambos os casos, o motivo dele é o mesmo. Não é nem mais nem menos que o motivo correspondente aos prazeres do paladar10.
XVI. Aos prazeres do sentido sexual corresponde o motivo que, em um sentido natural, pode ser denominado de desejo sexual. Em um mau sentido, ele é falado sob o nome de lascividade, e uma variedade de outros nomes de reprovação. Nome usado em um bom sentido, ele não tem nenhum11.
I. Um homem violenta (ravishes) uma virgem. Sem hesitação, nesse caso o motivo é denominado pelo nome de luxúria, lascívia e assim por diante; e é universalmente considerado como algo ruim. 2. O mesmo homem exerce os direitos de casamento com a esposa dele. Nesse caso, o motivo é considerado, talvez, algo bom, ou, pelo menos, indiferente: e aqui as pessoas hesitariam para o chamar por quaisquer outros nomes. Contudo, nos dois casos, o [107]motivo pode ser precisamente o mesmo. Nós dois casos ele pode ser nada mais nada menos do que desejo sexual.
XVII. Aos prazeres da curiosidade corresponde o motivo corresponde o motivo conhecido pelo mesmo nome: e o qual pode ser de outro modo denominado de amor à novidade, ou amor ao experimento; e, em ocasiões particulares, esporte e, algumas vezes, jogo.
I. Um menino, para divertir a si mesmo, lê um livro de aperfeiçoamento: o motivo é considerado, talvez, algo bom: de qualquer maneira, não algo ruim. 2. Ele coloca sua cabeça para girar: o motivo é considerado, de qualquer maneira, não algo ruim. 3. Ele solta um touro enfurecido em meio a uma multidão; o motivo dele agora é denominado de algo abominável, talvez. Contudo, em todos os três casos, o motivo pode ser exatamente o mesmo: ele pode ser nada mais nem nada menos do que curiosidade.
XVIII. Quanto aos outros prazeres do sentido, eles são de consequência pequena demais terem sido dados denominações separadas aos motivos correspondentes.
XIX. Aos prazeres da riqueza corresponde o tipo de motivo que, em um sentido neutro, pode ser denominado de interesse pecuniário: em um mau sentido, ele é denominado, em alguns casos, avareza, cobiça, rapacidade ou lucro: em outros, mesquinharia: em um bom sentido, mas apenas em casos particulares, economia e frugalidade; e em alguns casos o termo indústria pode ser aplicado a ele: em um sentido quase indiferente, mas antes mau do que de outro modo, ele é denominado, embora apenas em casos particulares, de parcimônia.
I. Por dinheiro, você gratifica o ódio de um homem ao colocar o adversário dele à morte. 2. Por dinheiro você lavra o campo dele para ele. – No primeiro caso, o seu motivo é denominado de lucro, e é considerado corrupto e abominável; e no segundo caso, por falta denominação, ele é denominado de indústria; e é considerado como inocente, pelo menos, se não meritório. Contudo, o motivo nos dois casos é precisamente o mesmo: ele não é nem mais nem menos do que o interesse pecuniário.
XX. Os prazeres de habilidade não são nem suficientemente distintos nem de consequência suficiente para terem dados quaisquer nomes aos motivos correspondentes.
XXI. Aos prazeres de amizade corresponde o motivo que, [108]em um sentido natural, pode ser denominado do desejo de insinuar a si mesmo. Em um mau sentido, em certos casos, ele é denominado de servilidade: em um bom sentido, ele não tem nenhum nome que seja peculiar a ele: nos casos nos quais ele tenha sido considerado com um olho favorável, ele raramente tem sido distinguido do motivo da simpatia ou benevolência, com os quais, em tais casos, ele comumente está associado.
I. Para adquirir os afetos de uma mulher antes do casamento, para os preservar depois, você faz qualquer coisa, que seja consistente com outros deveres, para a fazer feliz: nesse caso, o seu motivo é considerado como louvável, embora não haja nome para ele. 2. Para o mesmo propósito, você envenena uma mulher com quem ela tem inimizade: nesse caso, o seu motivo é considerado como abominável, embora ainda não haja nenhum nome para ele. 3. Para adquirir ou preservar o favor de um homem quem é mais rico ou mais poderoso do que você mesmo, você torna a si mesmo subserviente aos prazeres deles. Que eles sejam até prazeres legais, se as pessoas escolhem atribuir o seu comportamento a esse motivo, você não conseguirá que elas encontrem nenhum outro nome além de servilidade. Contudo, em todos os três casos, o motivo é o mesmo: ele não é nem mais nem menos do que o desejo de insinuar a si mesmo.
XXII. Aos prazeres da sanção moral, ou, como eles podem de outra maneira ser chamados, os prazeres de um bom nome, corresponde um motivo que, em um sentido natural, escassamente ainda obteve qualquer denominação adequada. Ele pode ser denominado de o amor à reputação. Ele está quase relacionado ao último motivo anterior: não sendo nem mais nem menos do que o desejo de insinuar a si mesmo, ou, como nesse caso nós deveríamos dizer, de recomendar a si mesmo ao mundo no geral. Em um bom sentido, ele é denominado de honra, ou o senso de honra: ou antes, a palavra honra é introduzida de uma maneira ou de outra em consequência da ocasião dela ser trazida à vista: pois, estritamente, a palavra honra é colocada antes para significar aquele objeto imaginário que se fala que um homem possui em consequência da obtenção por ele de um quinhão conspícuo dos prazeres que estão em questão. Em casos particulares, ele é denominado de amor à glória. Em um mau sentido, ele é denominado, em alguns casos, de honra falsa; em outros, de orgulho; em outros, de vaidade. Em um sentido não decididamente [109]mau, mas antes mau do que de outro maneira, de ambição. Em um sentido indiferente, em alguns casos, o amor à fama: em outros, o sentido de vergonha. E, como os prazeres pertencentes à sanção moral tornam-se indistinguivelmente em dores derivadas a partir da mesma fonte12, ele também, em alguns casos, pode ser denominado do medo da desonra, o medo da desgraça, o medo da infâmia, o medo da ignominia, ou medo da vergonha.
I. Você recebeu uma afronta de um homem: de acordo com o costume do país, por um lado, para salvar a si mesmo da vergonha de ser considerado suportá-lo pacientemente13; por [110]outro lado, para obter a reputação de coragem; você desafio-o para lutar com armas mortais. Nesse caso, o seu motivo será considerado louvável por algumas pessoas, e denominado de honra: por outros, ele será considerado culpável, e esses, se eles chamam isso de honra prefixarão um epíteto de improbação a ele, e chamá-lo-ão de falsa honra. 2. Para obter uma posição de classe social e dignidade, e, portanto, aumentar os respeitos pagos a você pelo público, você suborna os eleitores que os devem conferir, ou o juiz diante de quem o título está em disputa. Nesse caso o seu motivo é comumente considerado corrupto e abominável, e é denominado, talvez, por nome tal como ambição desonesta ou corrupta. Visto que não há nome único para ela. 3. A fim de obter a boa vontade do público, você concede uma grande soma em obras de caridade privada ou utilidade pública. Nesse caso, as pessoas não estarão inclinadas a concordarem sobre o seu motivo. Os seus inimigos colocarão uma cor ruim sobre ele, e chamá-lo-ão de ostentação: os seus amigos, para salvar você dessa vergonha, escolherão imputar a sua conduta não a esse motivo, mas a algum outro: tal como aquele da caridade (neste caso, a denominação sendo concedida a simpatia privada) ou aquele do espírito público. 4. Um rei, pelo bem de ganhar a admiração anexada ao nome de conquistador (nós consideraremos poder e ressentimento fora de questão) engaja o reino dele em uma guerra sangrenta. O motivo dele é considerado algo admirável pela multidão (cuja simpatia por milhões é facilmente sobrecarregada pelo prazer que a imaginação deles encontra em se agarrar a qualquer novidade que eles observam na conduta de uma única pessoa). Homens de sentimento e reflexão, quem desaprovam o domínio exercido por esse motivo nessa ocasião, sem sempre perceberem que é o mesmo motivo que, em outras instâncias, encontra a aprovação deles, consideram-no algo abominável; e porque a multidão, que são as manufaturadores da linguagem, não o concederem nenhum nome pelo qual o chamar, eles o chamarão por algum nome composto como o amor à glória falsa ou falsa ambição. Contudo, em todos os quatro casos, o motivo é o mesmo: nem mais nem menos do que o amor à reputação.
XXIII. Aos prazeres do poder corresponde o motivo [111]que, em um sentido natural, pode ser denominado do amor ao poder. Algumas vezes pessoas que estão sem humor com isso chamam-no de gosto de poder. Em um bom sentido, escassamente se fornece um nome a ele. Em certos casos, esse motivo, assim como o amor à reputação, é confundido sob o mesmo nome, ambição. Não há surpresa nisso, considerando a conexão íntima que há entre os dois motivos em muitos casos: uma vez que comumente acontece que o mesmo objeto que proporciona um tipo de prazer proporciona o outro ao mesmo tempo: por exemplo, cargos públicos, os quais são, ao mesmo tempo, postos de honra e locais de confiança; e uma vez que, de qualquer maneira, a reputação é o caminho para o poder.
I. Se, a fim de obter um lugar na administração, você envenena o homem quem o ocupa. 2. Se, na mesma visão, você propõe um plano salutar para o avanço do bem-estar público; o seu motivo é o mesmo em ambos os casos. Contudo, no primeiro caro, ele é considerado criminoso e abominável: no segundo caso, admissível e mesmo louvável.
XXIV. Aos prazeres, assim como às dores, da sanção religiosa, corresponde um motivo que, estritamente falando, não tem nenhum nome perfeitamente aplicável a todos os casos, a menos que a palavra religião seja admitida neste caráter: embora a palavra religião, estritamente falando, não pareça tanto querer dizer o motivo mesmo, como um tipo de personagem fictício, por quem o motivo é suposto de ser criado, ou um conjunto de atos, supostos ser ditados por esse personagem: nem isso parece estar completamente resolvido em um sentido natural. No mesmo sentido, ele também é denominado de zelo religioso: em outros casos, o temor a Deus. O amor a Deus, embora comumente contrastado com o temor a Deus, não se classifica estritamente sob esta categoria. Ele coincide propriamente com um motivo de uma denominação diferente; a saber, um tipo de simpatia ou boa vontade, a qual tem a Divindade pelo seu objeto. Em um bom sentido, ele é denominada de devoção, piedade e zelo piedoso. Em um mau sentido, ele é denominado, em alguns casos, de superstição ou zelo supersticioso: em outros sentidos, fanatismo ou zelo fanático: em um sentido não decididamente mau, porque não apropriado para esse motivo, entusiasmo, ou zelo entusiástico.
[112]I. A fim de obter o favor do Ser Supremo, um homem assassina o seu soberano legitimo. Nesse caso, o seu motivo é agora quase universalmente considerado como abominável, e é denominado de fanatismo: antigamente, ele era, por grandes números, considerado louvável, e era por eles chamado de zelo piedoso. 2. Na mesma visão, um homem açoita-se com tiras de couro. Nesse caso, na casa acolá, o motivo é considerado louvável, e é chamado de zelo piedoso: na próxima casa, ele é considerado detestável, e chamado de superstição. 3. Na mesma visão, um homem come um pedaço de pão (ou, pelo menos, o que, para a aparência externa, é um pedaço de pão) com certas cerimônias. Nesse caso, na casa acolá, o motivo dele é considerado como louvável, e é denominado de piedade e devoção: na próxima casa, ele é considerado abominável, e denominado de superstição, como antes: talvez até ele seja absurdamente denominado de impiedade. 4. Na mesma visão, um homem segura uma vaca pela cauda enquanto ele está morrendo. Sobre o Tâmisa o motivo, nesse caso, seria considerado detestável, e chamado de superstição. No Ganges, ele é considerado meritório, e chamado de piedade. 5. Na mesma visão, um homem concede um larga soma em obras de caridade, ou utilidade pública. Nesse caso, o motivo é denominado de louvável, ou utilidade pública, pelo menos por aqueles a quem as obras em questão parecem classificar-se nesta descrição: e pelo menos por esses ela seria denominada de piedade. Contudo, em todos esses casos, o motivo é precisamente o mesmo: ele não é nada mais nem nada menos do que o motivo pertencente à sanção religiosa14.
XXV. Aos prazeres da simpatia corresponde o motivo que, em um sentido natural, é denominado de boa vontade. A palavra simpatia também pode ser usada nessa ocasião: embora o sentido dela pareça ser bastante mais extenso. Em um bom sentido, ele é denominado de benevolência; e, em certos sentidos, filantropia; e, de uma maneira figurada, amor fraternal; em outros, de humanidade; em outros, [113]de caridade; em outros, de piedade e compaixão; em outros, de misericórdia; em outros, de gratidão; em outros, de ternura; em outros, de patriotismo; em outros, de espírito público. Amor também é empregado neste e em tantos outros sentidos. Em um mau sentido, ele não tem nome aplicável a ele em todos os casos: em casos particulares, ele é denominado de parcialidade. A palavra zelo, com certos epítetos prefixados a ela, algumas vezes também poderia ser aplicada nessa ocasião, embora o sentido dela seja mais extenso; aplicando-se às vezes tanto à má vontade quanto à boa. É dessa maneira que nós falamos de zelo de partido, zelo nacional e zelo público. A palavra apego também é usada com os epítetos semelhantes: nós também dizemos apego à família. A expressão francesa, esprit de corps, para a qual até agora escassamente parece haver qualquer nome em inglês, poderia ser tornada, em alguns casos, embora antes inadequadamente, pelos temos de espírito de corporação, apego à corporação ou zelo de corporação.
I. Um homem quem incendiou uma cidade é apreendido e condenado: por causa de consideração ou compaixão por ele, você o ajuda a fugir da prisão. Nesse caso, a generalidade das pessoas escassamente provavelmente saberão se condenar o seu motivo ou aplaudi-lo: aqueles que condenam a sua conduta, estarão antes dispostos a imputá-la a algum outro motivo: se eles o chamarem de benevolência ou compaixão, eles serão favoráveis a prefixá-lo um epíteto, e chamá-lo de falsa benevolência ou falsa compaixão15. 2. O homem é capturado novamente, e é colocado em julgamento: para o salvar, você jura falsamente em favor dele. As pessoas, quem antes não chamariam o seu motivo de algo ruim, agora, talvez, chamá-lo-ão assim. 3. Um homem está no direito com você sobre uma propriedade: ele não tem direito a ela: o juiz sabe disso, contudo, tendo uma estima ou um afeto pelo seu adversário, [114]julga-a em favor dele. Nesse caso, o motivo é considerado abominável por todos, e é denominado de injustiça e parcialidade. 4. Você detecta um estadista recebendo propinas: por consideração com o interesse público, você dá informação disso e processa-o. Nesse caso, por todos quem reconhecem a sua conduta ter origem a partir desse motivo, o seu motivo será considerado algo louvável e denominado de espírito público. Mas os amigos e aderentes dele não escolheram explicar a sua conduta de uma maneira similar: eles antes a atribuirão à inimizade de partido. 5. Você encontra um homem no ponto de passar fome: você alivia-o e salva a vida dele. Nesse caso, o seu motivo será considerado louvável por todos e será denominado de compaixão, piedade, caridade, benevolência. Contudo, em todos esses casos, o motivo é o mesmo: ele não é nada mais nem nada menos do que o motivo da boa vontade.
XXVI. Aos prazeres de malevolência, ou antipatia, corresponde o motivo que, em um sentido natural, é denominado de antipatia ou desprazer: e, em casos particulares, desgosto, aversão, repugnância e indignação: em um sentido neutro, ou talvez em sentido tendendo um pouco para o lado ruim, má vontade: e, em casos particulares, raiva, ira e inimizade. Em um mau sentido, em casos diferentes, ele é denominado de ira, mau temperamento, mau humor, ódio, malícia, rancor, furor, fúria, crueldade, tirania, inveja, ciúmes, vingança, misantropia, e muitos outros nomes, os quis dificilmente vale a pena tentar coletar16. Como a boa vontade, ele é usado com epítetos expressivos da pessoa quem é o objeto do afeto. Consequentemente, nós em parte ouvimos inimizade, em parte, furor e assim por diante. Em um bom sentido não parece haver um único nome para ele. Em expressões compostas ele pode ser falado em um tal sentido, por epítetos, tais como justo e louvável, prefixados por palavras que são usadas em um sentido neutro ou quase neutro.
I. Você rouba um homem: ele processa você e consegue que você seja punido: [115]por ressentimento, você ataca-, e enforca-o com suas próprias mãos. Nesse caso, o seu mau motivo será universalmente considerado detestável, e será chamado de malícia, crueldade, vingança e assim por diante. 2. Um homem roubou um pouco de dinheiro de você: por ressentimento, você o processa, e consegue que ele seja enforcado pelo curso da lei. Nesse caso, as pessoas provavelmente ficarão um pouco divididas em suas opiniões sobre o seu motivo: os seus amigos o considerarão algo louvável, e chamá-lo-ão de um ressentimento justo ou louvável: os seus inimigos talvez ficarão dispostos a considerá-lo culpável, e chamá-lo de crueldade, malícia, vingança e assim por diante: o que, para evitar, seus amigos talvez tentarão mudar o motivo, chamá-lo de espírito público. 3. Um homem assassinou o seu pai: por ressentimento você o processo, e consegue que ele seja condenado à morte no curso da lei. Nesse caso, o seu motivo será universalmente considerado algo louvável, e denominado, como antes de um ressentimento justo ou louvável: e os seus amigos, para destacar o princípio mais amigável a partir do malevolente, o qual foi o seu motivo imediato, serão favoráveis a manter o segundo fora de vista, falando apenas do primeiro, sob algum nome tal como piedade filial. Contudo, em todos esses casos, o motivo é o mesmo: ele não é nada mais nada menos do que o motivo da má vontade.
XXVII. Aos vários tipos de dores, ou, pelos menos, a todos aqueles deles que são conhecidos subsistirem em um grau intenso, e à morte, a qual, até onde nós podemos conceber, é o termino de todos os prazeres, assim como de todas as dores, com os quais nós estamos familiarizados, corresponde o motivo, o qual é denominado em um sentido neutro, em geral, autopreservação: o desejo de preservar a si mesmo da dor ou do mal em questão. Agora, em muitas instâncias o desejo de prazer e o sentido de dor transformam-se um no outro indistinguivelmente. Portanto, a autopreservação, onde o grau de dor ao qual ela corresponde é apenas leve escassamente será distinguível, por qualquer linha precisa, dos motivos correspondendo aos vários tipos de prazeres. Dessa forma, no caso das dores de fome e sede: a carência física em muitos casos escassamente será distinguível do desejo físico. Em alguns casos, ele é denominado, ainda em um sentido neutro, autodefesa. Entre os [116]prazeres e as dores das sanções moral e religiosa e, consequentemente, dos motivos que correspondem a eles, como, da mesma maneira, entre os prazeres da amizade e as dores da inimizade, essa falta de fronteiras já foi observada17. O caso é o mesmo entre os prazeres da riqueza e as dores de privação correspondendo àqueles prazeres. Portanto, há muitos casos nos quais será difícil distinguir o motivo da autopreservação do motivo do interesse pecuniário, do desejo de insinuar a si mesmo, do amor à reputação, e da esperança religiosa: casos nos quais, aqueles nomes mais específicos e explícitos naturalmente serão preferidos a esse geral e inexplícito. Também há uma multidão de nomes compostos, os quais ou já estão em uso, ou poderiam ser concebidos para distinguir os ramos específicos do motivo da autopreservação daqueles vários motivos de uma origem agradável: tal como o medo da pobreza, o medo de perder a importância tal e tal de um homem, o medo da vergonha e o medo de Deus. Além disso, ao medo da morte corresponde, em um sentido neutro, o amor à vida; em um sentido mau, covardia; os quais também correspondem às dores dos sentidos, pelo menos quando considerado como subsistindo em um grau preciso. Não parece haver nenhum nome para o amor à vida que tenha um bom sentido; a menos que seja o nome vago e geral de prudência.
I. Para salvar a si mesmo de se enforcado, exposto no pelourinho, aprisionado ou multado, você envenena a única pessoa que pode fornecer evidência contra você. Nesse caso, o seu motivo será universalmente denominado de abominável: mas como o termo autopreservação não tem sentido ruim, as pessoas não se importarão de fazer uso dele: antes elas estarão inclinadas a mudarem o motivo e chamarem-no de malícia. 2. Uma mulher, tendo há pouco dado à luz uma criança ilegitima, a fim de salvar a si mesma da vergonha, destrói a criança ou abandona-a. Também nesse caso as pessoas chamarão o motivo de algo ruim, e não se importando em falar nele sob um nome neutro, elas estarão inclinadas a mudarem o motivo, e chamá-lo por algum nome tal como crueldade. 3. Para poupar a despesa de um meio centavo, você tolera que um homem, a quem [117]você poderia preservar mediante essa despesa, pereça por carência, diante dos seus olhos. Nesse caso, o seu motivo será universalmente considerado algo abominável; e, para evitar chamá-lo por um nome tão indulgente como autopreservação, as pessoas estarão inclinadas a chamarem de avareza e mesquinharia, com os quais, de fato, ele indistinguivelmente coincide: pelo bem de descobrir uma denominação mais respeitosa, da mesma maneira, eles estarão inclinados a mudarem o motivo, e denominá-lo de crueldade. 4. Para dar um fim à dor da fome, você rouba uma fatia de pão. Nesse caso, talvez, o seu motivo escassamente será considerado um muito mau; e, a fim de expressarem mais indulgência por ele, as pessoas estarão inclinadas a encontrarem um nome mais forte para ele do que autopreservação, denominando-o de necessidade. 5. Para salvar a si mesmo de afogamento, você bate em um inocente quem tinha se agarrado na mesma tábua. Nesse caso, no geral, o seu motivo não será considerado nem bom nem mau, e será denominado de autopreservação, ou necessidade ou o amor à vida. 6. Para salvar a sua vida contra uma gangue de ladrões, você mata-os no conflito. Nesse caso, talvez, o motivo possa ser considerado antes louvável do que de outra maneira, e, além disso, autopreservação, é denominado também de autodefesa. 7. Um soldado é enviado em um grupo contra um grupo mais fraco do inimigo: antes que ele os alcance, para salvar sua vida, ele foge. Nesse caso, o motivo será universalmente considerado algo desprezível, e será chamado de covardia. Contudo, em todos esses vários casos, o motivo ainda é o mesmo. Ele não nada mais nada menos que autopreservação.
XXVIII. Em particular, às dores do esforço corresponde o motivo que, em um sentido neutro, pode ser denominado do amor ao conforto, ou, através de uma longa circunlocução, o desejo de evitar problema. Em um mau sentido, ele é denominado de indolência18. Ele parece não ter nenhum nome que porte consigo um bom sentido.
I. Para poupar o problema de toma conta disso, um pai deixa o filho dele perecer. Nesse caso, o motivo será considerado [118]algo abominável, e, porque indolência parecerá um nome suave demais para ele, talvez, o motivo será mudado, e será falado sob um termo tal como crueldade. 2. Para salvar a si mesmo de escravidão ilegal, você foge. Nesse caso, o motivo certamente não será considerado algo mau: e, porque indolência, ou até amor ao conforto, será considerado um nome desfavorável demais para ele, talvez, ele será denominado de amor à liberdade. 3. Um mecânico, a fim de poupar o seu trabalho, produz um aperfeiçoamento no seu maquinário. Nesse caso, as pessoas considerarão o motivo dele como algo bom; e não encontrando nenhum para ele que porte um bom sentido, eles estarão dispostos a manterem o motivo fora de vista: antes eles falarão da ingenuidade dele do que do motivo que foi o meio da manifestação dessa qualidade. Contudo, em todos esses casos, o motivo é mesmo: ele não nem mais nem menos do que o amor ao conforto.
XXIX. Então, parece que não há tal coisa como qualquer tipo de motivo que seja ruim em si mesmo: nem, consequentemente, qualquer coisa como um tipo de motivo que, em si mesmo, seja exclusivamente algo bom. E, quanto aos seus efeitos, também parece que esses algumas vezes são maus, outras vezes, ou indiferentes ou bons: e esse parece ser o caso com todo tipo de motivo. Então, se qualquer motivo é ou bom ou mau na pontuação dos seus efeitos, esse é o caso apenas em ocasiões individuais, e com motivos individuais; e esse é o caso com um tipo de motivo assim como com o outro. Então, se qualquer tipo de motivo pode, na consideração dos seus efeitos, ser denominado com propriedade de algo ruim, ele apenas pode ser com referência à balança de todos os efeitos que ele pode ter tido de ambos os tipos dentro de um período breve, quer dizer, da sua tendência mais usual.
XXX. Como então? (será dito) não são luxúria, crueldade, avareza, motivos maus? Há pelo menos uma ocasião individual na qual motivos como esse podem ser de outro modo que não maus? Não, certamente: e contudo a proposição de que não há nenhum tipo de motivo senão que, em muitas ocasiões, será algo bom, é, mesmo assim, verdadeira. O fato é que esses são nomes que, se apropriadamente aplicados, nunca são aplicados exceto nos casos onde os [119]motivos que eles significam acontecem de ser maus. Os nomes desses motivos, considerados separados dos seus efeitos, são desejo sexual, desprazer e interesse pecuniário. Ao desejo sexual, quando os efeitos deles são considerados como maus, é dado o nome de luxúria. Agora, a luxúria é sempre um mau motivo. Por quê? Porque se o caso fosse tal que os efeitos do motivo não fossem maus, ele não combina, ou, pelo menos não deveria combinar, com o nome de luxúria. Portanto, o caso é que quando eu digo “luxúria é um motivo mau,” isso é uma proposição que meramente diz respeito à importância da palavra luxúria; e a qual seria falsa se transferida para a outra palavra usada para o mesmo motivo, desejo sexual. Consequentemente o vazio de todas aquelas rapsódias de moralidade de lugar comum, as quais consistem em tomar nomes tais como luxúria, crueldade e avareza e marcá-los com marcas de reprovação: aplicados à coisa, eles são falsos; aplicado ao nome, eles são verdadeiros, de fato, mas ineficazes. Você faria algum serviço real para o gênero humano, mostrar-lhes os casos nos quais o desejo sexual merece o nome de luxúria; desprazer, aquele de crueldade; e interesse pecuniário, aquele de avareza.
XXXI. Se fosse necessário aplicar denominações tais como bons, maus e indiferentes aos motivos, eles poderiam ser classificados da seguinte maneira, em consideração à mais frequente compleição dos seus efeitos. Na classe dos bons motivos poderiam ser colocados os artigos de 1. Boa vontade. 2. Amor à reputação. 3. Desejo de amizade. E, 4. Religião. Na classe dos maus motivos, 5. Desprazer. Na classe dos motivos neutros ou indiferentes, 6. Desejo físico. 7. Interesse pecuniário. 8. Amor ao poder. 9. Autopreservação; enquanto incluindo o medo das dores dos sentido, o amor ao conforto e o amor à vida.
XXXII. Contudo, esse método de arranjo não pode ser senão imperfeito; e a nomenclatura pertencente a ele está em perigo de ser falaciosa. Pois, por qual método de investigação pode um homem estar certo de que, com respeito aos motivos classificados sob o nome de bons, os bons efeitos que eles têm tido, desde o começo do mundo, têm, em cada uma das quatro espécies incluídas sob esse nome, sido superiores ao maus? Ainda mais difícil um homem consideraria certificar-se de que, com respeito [120]àqueles que são classificados sob o nome de neutros ou indiferentes, os efeitos que eles têm tido têm exatamente equilibrados uns aos outros, o valor do bem não sendo nem maior nem menor do que do mal. Deve ser considerado que os interesses da pessoa mesma não podem mais ser deixados fora da estimativa do que aqueles do resto da comunidade. Pois o que aconteceria com a espécie, se não fosse pelos motivos de fome e sede, desejo sexual, o medo da dor e o amor à vida? Nem na atual constituição da natureza humana o motivo do desprazer é menos necessário, talvez, do que quaisquer outros: embora um sistema, no as atividades da vida pudessem ser levadas a cabo sem ele, possivelmente poderia ser concebido. Portanto, parece que eles escassamente poderiam, sem grande perigo de equívocos, ser distinguidos dessa maneira, mesmo com referência um ao outro.
XXXIII. Deveria parecer que a única maneira na qual um motivo poderia, com segurança e propriedade, ser denominado de bom ou mu, é com referência aos seus efeitos em cada caso individual; e principalmente a partir da intenção à qual ele dá origem: a partir da qual surge, como será mostrado depois, a parte mais material dos seus efeitos. Um motivo é bom quando a intenção à qual dá origem é boa; mau, quando a intenção é má: e uma intenção é boa ou má de acordo com as consequências materiais que são os objetos dela. Está muito longe da bondade da do ser da intenção ser conhecida apenas a partir da espécie do motivo. Mas a partir de um e mesmo motivo, como nós vimos, podem resultar intenções de todo tipo de compleição que seja. Portanto, essa circunstância não pode propiciar nenhuma pista para o arranjo dos vários tipos de motivos.
XXXIV. Portanto, deveria parecer que um método mais cômodo seria distribui-los de acordo com a influência que eles parecem ter sobre os interesses dos outros membros da comunidade, jazendo aqueles da parte mesma fora da questão: a saber, de acordo com a tendência que eles parecem ter para unir, ou desunir os interesses dele e deles. Nesse plano eles podem ser distinguidos em sociais, dissociais e autoconsideração. Na classe social pode ser reconhecidos, 1. Boa vontade. 2. Amor [121]à reputação. 3. Desejo de amizade. 4. Religião. Na dissocial podem ser colocados, 5. Desprazer. Na classe da autoconsideração, 6. Desejo físico. 7. Interesse pecuniário. 8. Amor ao poder. Autopreservação; enquanto incluindo o temor das dores dos sentidos, o amor ao conforto e o amor à vida.
XXXV. Com respeito aos motivos que foram denominados de sociais, se qualquer distinção adicional devesse ser de uso, àquela da boa vontade apenas pode ser aplicado o epíteto de puramente social; enquanto o amor à reputação, o desejo de amizade, e o motivo da religião, pode ser incluídos juntos sob a divisão de semissocial: a tendência social sendo muito mais contante e inequívoca no primeiro do que em qualquer outro dos três posteriores. De fato, esses últimos, sociais como eles possam ser denominados, são de autoconsideração ao mesmo tempo19.
§4 Ordem de preeminência entre motivos
XXXVI. De todos aqueles tipos de motivos, a boa vontade é aquela da qual os ditames20, tomados em uma visão geral, são os mais certos de coincidirem com aqueles do princípio de utilidade. Pois os ditames da utilidade não são nem mais nem menos do que os ditames da benevolência mais extensa21 e iluminada (quer dizer, bem-aconselhada22). Os ditames dos outros motivos podem ser conformáveis com aqueles da utilidade, ou repugnantes, como pode acontecer.
XXXVII. Contudo, nisso é aceito como certo que, no caso em questão, os ditames da benevolência não são contraditos por aqueles de uma benevolência mais extensa, quer dizer, alargada. Agora, quando os ditames da benevolência, enquanto dizendo respeito aos interesses de um certo conjunto de pessoas, são repugnantes aos ditames [122]do mesmo motivo, enquanto dizendo respeito aos interesses mais importantes23 de outro conjunto de pessoas, é evidente que, por assim dizer, os ditames anteriores são revogados pelos posteriores; e um homem, fosse ele governado pelos primeiros, escassamente poderia, com propriedade, ser dito ser governado pelos ditames da benevolência. Nessa consideração, fossem os motivos de ambos lados certos de estarem igualmente presentes para a mente de um homem, o caso de uma repugnância tão grande dificilmente seria digno de distinguir, uma vez que a benevolência parcial poderia ser considerada como engolida pela mais extensa: se a primeira prevalecesse, e governasse a ação, isso tem de ser considerado como não devendo a sua origem à benevolência, mas a algum outro motivo: se a segunda prevalecesse, a primeira poderia ser considerada como não tendo efeito nenhum. Mas o caso é que uma benevolência parcial pode governar a ação sem entrar em nenhuma competição direta com a benevolência mais extensa, a qual a proibiria; porque os interesses da reunião mais numerosa de pessoas podem estar presentes na mente de um homem, em um momento quando aqueles mais numerosos ou não estão presentes, ou, se presentes, não produzem impressão. É dessa maneira que os ditames desse motivo podem ser repugnantes à utilidade, contudo, ainda serem os ditames da benevolência. O quê torna aqueles da benevolência privada conformáveis no todo com o princípio de utilidade é que, em geral, eles erguem-se não opostos por aqueles do público: se eles são repugnantes a eles, é apenas por acidente. O que os torna mais conformáveis é que, em uma sociedade civilizada, na maioria dos casos nos quais eles mesmos estariam aptos a correrem contrários àqueles da benevolência pública, eles encontram a si mesmos opostos por motivos mais fortes da classe da autoconsideração, a qual é jogada contra eles pelas leis; e isso é apenas nos casos onde eles erguem-se não opostos pelos outros ditames mais salutares, que eles são deixados livres. Um ato de injustiça ou crueldade, cometido por um homem pelo bem do pai ou filho dele, é punido, e com razão, tanto quanto se ele fosse cometido pelo seu próprio.
XXXVIII. Depois da boa vontade, o motivo do qual os ditames parecem ter a segunda melhor chance de coincidirem com aqueles da [123]utilidade são aqueles do amor à reputação. Há apenas uma circunstância que impede os ditames desse motivo de coincidirem em todos os casos com aqueles do primeiro. É que os homens, em seus gostos e desgostos, na disposição que eles manifestam para anexarem a qualquer modo de conduta a aprovação ou desaprovação deles, e, em consequência, para a pessoa quem parecem os praticar, a boa ou má vontade deles, não governam a si mesmos exclusivamente pelo princípio de utilidade. Algumas vezes é pelo princípio de ascetismo que eles são guiados: algumas vezes, o princípio de simpatia e antipatia. Há outra circunstância que diminui, não a conformidade deles com o princípio de utilidade, mas apenas a eficácia deles na comparação com os ditames do motivo da benevolência. Os ditames desse motivo operarão tão fortemente em segredo quanto em público: se pareça provável que a conduta que eles recomendam será conhecida ou não: aqueles do amor à reputação coincidirão com aqueles da benevolência apenas em proporção a como a conduta de um homem pareça provável de ser conhecida. Contudo, essa circunstância não faz tanta diferença como, à primeira vista, poderia parece. Os atos, na proporção que eles são materiais, estão aptos a tornarem-se conhecidos24: e, no ponto de reputação, a mais leve suspeita serve como prova. Além disso, se um ato for algo disputável, não é nenhuma segurança que um homem pode ter do segredo do ato particular em questão que, é claro, irá sobrepujar as objeções que ele pode ter contra engajar-se nele. Embora o ato em questão deva permanecer secreto, ele combinará com a direção da formação de um hábito, o qual pode dar origem a outros hábitos, que podem não encontrar a mesma boa fortuna. Talvez não haja nenhum ser humano, quem, diante de anos de discrição, sobre quem considerações desse tipo não têm nenhum peso: e elas têm mais peso sobre um homem em proporção à força dos seus poderes intelectuais e à firmeza da sua mente25. Acrescente-se a isso a influência do hábito mesmo, quando uma vez formada, tem na restrição de um homem dos atos em relação aos quais, a partir da visão do descrédito anexado a eles, assim como a partir de qualquer [124]outra causa, ele contraiu uma aversão. A influência do hábito, em tais casos, é uma questão de fato, a qual, embora não prontamente considerada, é reconhecida e indubitável26.
XXXIX. Depois dos ditames do amor à reputação, como deveria parecer, vêm aqueles do desejo de amizade. Os primeiros estão dispostos a coincidirem com aqueles da utilidade, na medida que eles estão dispostos a coincidirem com aqueles da benevolência. Agora, aqueles do desejo de amizade também estão aptos a coincidirem, em um certo tipo, com aqueles da benevolência. Mas o tipo de benevolência com os ditames dos quais o amor de reputação coincide, é o mais extenso; aquele com o qual o desejo de amizade coincide, o menos extenso. Contudo, aqueles do amor de amizade ainda têm a vantagem daqueles motivos de autoestima. Os primeiros, em um período ou outro da vida dele, dispõem um homem a contribuir para a felicidade de um número considerável de pessoas: os últimos, desde o começo da vida até o fim dela, confinam-se ao cuidado daquele indivíduo singular. É evidente que os ditames do desejo de amizade aproximar-se-ão mais de coincidirem com aqueles do amor à reputação e, a partir dai, com aqueles da utilidade, em proporção, caeteris paribus, ao número de pessoas cuja amizade um homem tem ocasião de desejar: e, por exemplo, é consequentemente que um membro inglês do parlamento, com toda a sua fraqueza própria, e todas as loucuras das pessoas cuja amizade ele tem de cultivar, é provavelmente, no geral, um caráter melhor do que o secretário de um vizir em Constantinopla ou de um naib no Indostão.
XL. Os ditames da religião são, sob a diversidade infinita de religiões, tão extremamente variáveis, que é difícil saber que explicação geral fornecer deles, ou em qual posição colocar o motivo ao qual eles pertencem. Diante da menção de religião, os primeiros pensamentos das pessoas voltam-se naturalmente para a religião que eles mesmos professam. [125]Isso é uma grande fonte de erro de cálculo, e tem uma tendência para colocar esse tipo de motivo em um grau mais elevado do que ele merece. Os ditames da religião coincidiriam, em todos os casos, com aqueles da utilidade, fosse o Ser, quem é o objeto da religião, universalmente suposto ser tão benevolente quanto ele é suposto de ser sábio e poderoso; e fossem as noções concebidas da sua benevolência, ao mesmo tempo, tão corretas quanto aquelas que são concebidas da sua sabedoria e do seu poder. Contudo, infelizmente, nenhum desses é o caso. Ele é universalmente suposto ser todo poderoso: pois, pela Divindade, o quê mais qualquer homem quer dizer do que o Ser, qualquer que ele seja, por quem tudo foi produzido? E quanto ao conhecimento, pela mesma regra que ele deveria conhecer uma coisa, ele deveria conhecer outra. Essas noções parecem estar corretas, para todos os propósitos materiais, conforme elas são universais. Mas em meio aos devotos de religião (número dos quais a fraternidade multifária dos cristão é apenas uma pequena parte) parece haver apenas poucos (eu não direi quão poucos) quem são crentes reais na benevolência dele. Eles chamam-no de benevolente em palavras, mas eles não querem dizer que ele seja assim na realidade. Eles não querem dizer que ele é benevolente como o homem é concebido ser benevolente: eles não querem dizer que ele seja benevolente no único sentido no qual a benevolência tem um significado. Pois, se eles o fizessem, ele reconheceriam que os ditames da religião não poderiam ser mais nem menos que os ditames da utilidade: nem um pouco diferentes: nem um pouco mais, nem menos. Mas o caso é que, em mil ocasiões, eles viram sua costas para o princípio de utilidade. Eles perdem-se em busca dos estranhos princípios seus antagonistas: algumas vezes é o princípio de ascetismo: algumas vezes, o princípio de simpatia e antipatia27. Portanto, a ideia que eles portam nas mentes deles, em semelhantes ocasiões, é apenas muito frequentemente a ideia de malevolência; ideia à qual, despindo-a do seu próprio nome, eles concedem a denominação especiosa de motivo social28. Para resumir, os ditames da religião, não são outros [126]senão os ditames daquele princípio que já foi mencionado sob o nome do princípio teológico29. Esses, como tem sido observado, são exatamente como podem acontecer, de acordo com os vieses da pessoa em questão, cópias dos ditames de um ou outro dos três princípios originais: algumas vezes, de fato, dos ditames da utilidade; mas frequentemente daqueles do ascetismo, ou daqueles da simpatia e antipatia. Nesse aspecto, eles estão apenas em par com os ditames do amor à reputação: em outro, eles estão abaixo dele. Os ditames da religião estão, em todos locais, misturados mais ou menos com ditames inconformáveis com aqueles da utilidade, deduzidos a partir de textos, bem ou mal interpretados, dos escritos considerados sagrados por cada secto: inconformáveis, através da imposição de práticas algumas vezes inconvenientes para o eu de um homem, algumas vezes perniciosas para o resto da comunidade. Os sofrimentos de mártires não convocados, as calamidades de guerras sagradas e perseguições religiosas, os prejuízos de leis intolerantes, (objetos que aqui podem apenas ser vislumbrados, não detalhados) são tantos prejuízos adicionais acima e além do número daqueles que alguma vez foram trazidos ao mundo pelo amor à reputação. Por outro lado, é manifesto que, com respeito ao poder de operação em segredo, os ditames da religião têm a mesma vantagem sobre aqueles do amor à reputação, e o desejo de amizade, como é possuído pelos ditames da benevolência.
XLI. Felizmente, os ditames da religião parecem aproximar-se mais e mais de uma coincidência com aquelas da utilidade a cada dia. Mas por quê? Porque os ditames da sanção moral fazem-no: e aqueles coincidem ou são influenciados por esses. Homens das piores religiões, influenciados pela voz e prática do mundo circundante, tomam continuamente emprestadas novas folhas do livro da utilidade: e com essas, a fim de não romperem com sua [127]religião, eles tentam, algumas vezes com violência suficiente remendar e adornar o repositório da fé deles.
XLII. Quanto aos motivos de autoconsideração e dissociais, a ordem que ocorre entre esses, e o precedente, no ponto de influência de consideração extra, é evidente demais para necessitar se insistir. Quanto à ordem que ocorre entre os motivos da classe da autoconsideração, considerados em comparação uns com os outros, parece não haver nenhuma diferença que, nessa ocasião, valeria a pena mencionar. Com respeito ao motivo dissocial, ele faz uma diferença (com respeito aos seus efeitos de extraconsideração) a partir da qual duas fontes se originam; se a partir de autoestima ou a partir de considerações sociais. O desprazer que você concebe contra um homem pode estar fundamentado ou em algum ato que ofenda você no primeiro caso ou em um ato que não ofenda você de nenhuma outra maneira exceto porque você o considera como sendo prejudicial a alguma outra parte em nome da qual você se interessa: outra parte a qual pode ser, é claro, ou um indivíduo determinado, ou qualquer reunião de indivíduos, determinados ou indeterminados30. É suficientemente óbvio que um motivo, embora em si mesmo dissocial, pode, ao provir de uma origem social, possui uma tendência social; e que a tendência dele, nesse caso, é provável de ser mais social, quão mais alargada for a descrição das pessoas cujos interesses você adota. O desprazer, dando vazão a si mesmo contra um homem, por conta de suposto um prejuízo a ser realizado por ele para o público, pode ser mais social em seus efeitos do que qualquer boa vontade, os exercícios da qual ficam confinados a um indivíduo31.
§5 Conflito entre motivos
XLIII. Quando um homem tem em expectativa se engajar em qualquer ação, ele frequentemente sofre a ação da força de diversos motivos ao mesmo tempo: um motivo, ou conjunto de motivos, agindo em uma direção; outro motivo, ou conjunto de motivos, agindo, por assim dizer, na direção oposta. Os motivos de um lado dispondo-o a engajar-se na ação: aqueles do outro o dispondo a não [128]se engajar nela. Agora, qualquer motivo, a influência do qual tenda a dispô-lo a engajar-se na ação em questão, pode ser denominado de motivo impulsor: qualquer motivo, a influência do qual tenda a dispô-lo a não se engajar nela, um motivo restritor. Mas é claro, essas denominações podem ser trocadas, de acordo a como o ato seja do tipo positivo, ou do negativo32.
XLIV. Foi revelado que não há tipo de motivo senão que possa dar origem a qualquer tipo de ação. Portanto, segue-se que não há dois motivos senão que possam vir a serem opostos um ao outro. Onde a tendência do ato seja má, o caso mais comum é para que ele tenha sido ditado por um motivo ou de autoconsideração ou da classe dissocial. Em tal caso, o motivo da benevolência esteve comumente agindo, embora inefetivamente, no caráter de um motivo restritor.
XLV. Um exemplo pode ser de uso para revelar a variedade de motivos competidores que podem agir sobre um homem ao mesmo tempo. Crillon, um católico (em um tempo quando geralmente era considerado meritório entre católicos exterminar protestantes), foi ordenado pelo rei dele, Carlos IX da França, a cair em segredo sobre Coligny, um protestante, e assassiná-lo: a resposta dele foi ‘Com licença, Senhor; mas eu lutarei com ele com todo o meu coração33.’ Aqui, portanto, estavam todas as forças acima mencionadas, incluindo aquela da sanção política, agindo sobre ele de uma vez. Pela sanção política, ou pelo menos tanto da força dela conforme um semelhante mandato, a partir de um soberano semelhante, emitido em uma ocasião semelhante, poderia ser suposto de portar consigo, ele estava ordenado a colocar Coligny à morte através de assassinato: pela sanção religiosa, quer dizer, pelos ditames do zelo religioso, eles estava ordenado a colocá-lo à morte dessa maneira; pela sanção moral, ou, em outras palavras, pelos ditames da honra, quer dizer, o amor à reputação, ele estava permitido (com permissão, quando junto com os mandatos do soberano dele, operado, ele concebia, como uma injunção) a lutar com o adversário em termos iguais: pelos [129]ditames de benevolência alargada (supondo-se o mandato se injustificável) ele estava ordenado a não arriscar a vida dele de modo nenhum, mas a permanecer em paz com ele: supondo-se o mandato se injustificável, pelos ditames da benevolência privada, eles estava obrigado a não se intrometer com ele de maneira nenhuma. Parece que, dentre essa confusão de ditames repugnantes, Crillon deu preferência, em primeiro lugar, àqueles da honra: em próximo lugar, àqueles da benevolência. Ele teria lutado, tivesse a oferta dele sido aceita; como ela não foi, ele permaneceu em paz.
Uma multidão de questões podem surgir aqui. Supondo-se os ditames da sanção política seguirem-se a partir do mandato do soberano, de quais tipos foram os motivos que eles lhe propiciaram para obediência? A resposta é, do tipo de autoconsideração, de qualquer maneira: na medida que, por suposição, estava no poder do soberano puni-lo por não obediência e recompensá-lo por obediência. Eles propiciaram-lhe o motivo da religião? (Eu quero dizer, independentemente da circunstância de hereia acima mencionada) a resposta é, Sim, se a noção dele fosse, que era o prazer de Deus que ele devesse obedecê-las; Não, se não era. Eles propiciaram-lhe o motivo do amor à reputação? Sim, se fosse a noção deles que o mundo esperaria e requereria que ele deveria obedecê-los: Não, se não fosse. Eles propiciaram-lhe aquele da benevolência? Sim, se fosse a noção dele que no todo a comunidade ficaria melhor se ele obedecesse-os: não, se não fosse. Mas, no caso em questão, os ditames da sanção política efetivamente se seguiram dos mandatos do soberano: em outras palavras, um tal mandato era legal? Nós vemos que isso é uma mera questão de jurisprudência local, completamente estrangeira ao propósito presente.
XLVI. O que está dito aqui sobre a bondade e maldade de motivos está longe de ser uma mera questão de palavras. Posteriormente haverá ocasião para fazer uso delas para vários propósitos importantes. Eu deverei ter necessidade delas por causa da dissipação de vários prejuízos, os quais são um desserviço para a comunidade, algumas vezes valorizando a chama de dissenções civis34, em outras [130]vezes, obstruindo o curso da justiça. Será revelado que, no caso de muitas ofensas35, a consideração dos motivos é algo mais material: porque, em primeiro lugar, ela produz uma diferença muito material na magnitude do prejuízo36: em segundo lugar, que ela é muito fácil de ser determinada; e, a partir daí, ser tornada um fundamento para uma diferença na demanda de punição: mas que, em outros casos, ela é completamente incapaz de ser determinada; e que, fosse ela sempre capaz de ser tão bem determinada, boa ou má, ela poderia não produzir diferença na demanda de punição: que, em todos os casos, o motivo pode acontecer de governar um promotor, é uma consideração totalmente imaterial: dai pode ser visto que a perniciosidade do prejuízo é tão apta de ser entretida contra informantes; e a consequência é que o juiz, em particular, deveria ser prova contra a influência de tais ilusões.
Por último, o tema dos motivos é um com o qual é necessário estar familiarizado, a fim de passar julgamento sobre quaisquer meios que possam ser propostos para combater ofensas em sua fonte37.
Mas antes que a fundação teórica para essas observações práticas possa ser completamente estabelecida, é necessário que nós devamos dizer alguma coisa sobre o tema da disposição: o qual, portanto, fornecerá a questão para o capítulo seguinte.
ORIGINAL:
BENTHAM, J. An Introduction to the Principles of Morals and Legislation. Oxford: At the Clarendon Pressa, 1907. pp. 97-130. Disponível em: <https://archive.org/details/introductiontoth033476mbp/page/n134/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1[97]Nota pelo autor, julho de 1822.
Para uma visão tabula simultânea da inteira lista de motivos, em conjunção com os correspondentes prazeres e dores, interesses e desejos, ver, pelo mesmo autor, Table of the Springs of Action, &c. With Explanatory Notes and Observations. London: 1817, St. Paul’s Church Yard, 8vo. pp. 32.
A palavra induzimento (inducement) apresentou-se recentemente como sendo em sua significação mais compreensiva do que a palavra motivo (motive) e, em algumas ocasiões, mais apropriada.
2[98]Quando o efeito ou a tendência de um motivo é determinar um homem a abster-se de agir, pode ser impróprio usar o motivo; uma vez que motivo, propriamente falando, significa aquele que dispõe um objeto a mover-se. Contudo, nós temos de usar esse termo impróprio, ou um termo que embora suficientemente próprio, escassamente está em uso, a palavra determinativo (determinative). Como forma de justificação, ou, pelo menos, de apologia, para o uso popular em seu nome, pode ser observado que até a abstenção de agir, ou a negação de movimento (quer dizer, de movimento corporal), supõe um ato realizado, quando tal abstenção é voluntária. Ela supõe, a saber, um ato da vontade, o qual é tanto um ato positivo, tanto um movimento, como qualquer ato da substância pensante.
3[100]Se é a expectativa de ser queimado, ou a dor que acompanha essa expectativa, que é o motivo interno imediato falado, pode ser difícil de determinar. Talvez até possa ser questionado se eles são entidades diferentes. Contudo, as duas questões parecem ser meras questões de palavras, e a solução delas completamente imaterial. Até os outros tipos de motivos, embora, para alguns propósitos eles demandem uma consideração separada, estão, contudo tão intimamente aliados que frequentemente será escassamente praticável, e nem sempre material, evitar confundi-los, como até agora eles sempre têm sido confundidos.
4Sob o termo esse tem de ser incluído também a existência passada, com [101]referência a um dado período, como presente. Eles são igualmente reais, em comparação com o quê, até agora, é apenas futuro. A linguagem é materialmente deficiente, ao não nos capacitar a distinguir entre existência enquanto oposta à irrealidade e existência presente enquanto oposta à passada. A palavra existência (existence), em inglês, e esse, adotado do latim por advogados, têm a inconveniência de parecerem confinar a existência em questão a algum único período considerado como sendo presente.
5[102]Que o motivo de um homem seja a má vontade; chame-o até de malícia, inveja, crueldade; ainda é um tipo de prazer que é o motivo dele: o prazer que ele tem diante do pensamento da dor que ele vê, ou espera ver, o adversário dele sofrer. Agora, até esse prazer miserável, tomado por si mesmo, é bom: ele pode ser fraco, ele pode ser breve: ele tem de ser impuro de qualquer maneira: todavia, enquanto ele dura, e antes que qualquer má consequência surja, ele é tão bom quanto qualquer outro que não é
6[104]Para essa razão, ver cap. xi. [Disposições], par. xvii. Nota.
7A essa imperfeição da linguagem, e nada mais, devem ser atribuídos, em grande medida, os clamores violentos que, de tempos em tempos, têm sido erguidos contra aqueles moralistas engenhosos, quem, viajando do tratado batido da especulação, têm encontrado mais ou menos dificuldade em se desemaranharem das amarras da linguagem ordinária: tais como Rochefoucault, Mandeville e Helvetius. À insalubridade das opiniões deles, e com injustiça ainda maior, à corrupção dos corações deles, foi frequentemente imputada ao quê era mais comumente devido ou a uma falta de habilidade, em questões de linguagem da parte do autor, ou uma falta de discernimento, possivelmente agora e então em algumas instâncias uma falta de probidade, da parte do com[…]
8[105]Felizmente a linguagem nem sempre é tão intratável, mas que, fazendo uso de duas palavras em vez de uma, um homem pode evitar a inconveniência da fabricação de palavras que são absolutamente novas. Dessa maneira, em vez da palavra luxúria (lust), combinando duas palavras em uso comum, ele pode formar a expressão neutra, desejo sexual: em vez da palavra avareza (avarice), combinando duas palavras também em uso comum, ele pode formar a expressão neutra, interesse pecuniário. Portanto, esse é o curso que eu tomei. De fato, nessas instâncias, mesmo a combinação não é nova: a única novidade que há aqui consiste na aderência firme a uma expressão neutra, rejeitando completamente os termos dos quais o significado (import) está infectado por ideias acidentais e inadequadas.
No catálogo dos motivos correspondendo aos vários tipos de dores e prazeres, eu inseri aquelas que me ocorreram. Eu não posso pretender garanti-lo completo. Para certificar de o tornar assim, a única maneira seria virar o dicionário do começo ao fim: uma operação que, em uma visão de perfeição, seria necessária para mais propósitos do que este. Ver. B. I. tit. [Defamation] e Append. tit. [Composition]
9Fome (Hunger) e sede (thirst), consideradas à luz de motivos, não significam tanto o desejo de um tipo particular de prazer, quando o desejo de remoção de um tipo positivo de dor. Eles não se estendem àquele tipo de prazer que depende da escolha de comidas e licores.
10[106]Não valerá a pena, em cada caso, fornecer uma instância na qual a ação pode ser indiferente: se ações boas assim como más podem resultar a partir do mesmo motivo, é fácil conceber que também podem as indiferentes.
11De fato, às vezes, o amor inclui essa ideia: mas então ele nunca pode responder ao propósito de exibi-la separadamente: uma vez que há três motivos, pelo menos, todos eles que podem ser incluídos nele, além deste: o amor à beleza correspondendo aos prazeres do olho, e os motivos correspondendo àqueles de amizade e benevolência. Nós falamos de amor às crianças, do amor aos pais, do amor a Deus. Esses usos pios protegem a denominação, e preservam-na da ignomínia vertida sobre suas associações profanas. Mesmo o amor sensual não responderia a esse propósito; uma vez que ele incluiria o amor à beleza.
12[109]Ver cap. vi. [Prazeres e Dores], par. xxiv. Nota.
13Um homem suportando pacientemente uma afronta, quer dizer, sem adotar esse método de realizar o que é chamado de a limpar, é considerado significar uma ou outra de duas coisas: ou ele não possui aquela sensibilidade aos prazeres e dores da sanção moral, a qual, a fim de tornar a si mesmo um membro respeitável da sociedade, um homem deveria possuir: ou, que ele não possui coragem suficiente para arriscar a vida dele pela chance de gratificar aquele ressentimento que, considera-se, um senso adequado do valor daqueles prazeres e daquelas dore não falharia em inspirar. A verdade é que há diversos outros motivos, por qualquer um dos quais a mesma conduta igualmente poderia ser produzida: os motivos correspondendo à sanção religiosa, e os motivos que se classificam sob a categoria da benevolência. Piedade em relação a Deus, a prática em questão sendo geralmente considerada como repugnante aos ditames da sanção religiosa: simpatia pelo seu antagonista mesmo, cuja vida seria colocada em perigo ao mesmo tempo que a sua própria; simpatia pelas suas conexões; as pessoas que são dependentes dele em relação ao suporte, ou conectadas com ele em relação à simpatia: simpatia pelas suas próprias conexões: e mesmo simpatia pelo público, em casos onde o homem é tal que o público parece ter um interesse material pela vida dele. Mas em comparação como o amor à vida, a influência da sanção religiosa é conhecida ser, no geral, bastante fraca: especialmente entre as pessoas daquelas classes que estão em questão aqui uma prova certa do que é predominante nesse costume mesmo. Onde ela é tão forte quanto a preponderar, ela também é tão rara que, talvez, conceda a um homem um lugar no calendário: e, de qualquer maneira, exalta-o à posição de mártir. Além disso, as instâncias nas quais ou a benevolência privada ou o espírito público predominam sobre o amor à vida, também serão bastante raras: e, devido à propensão geral para detratação, também será muito mais raro para eles serem considerados agir assim. Agora, quando três ou mais motivos, qualquer um deles capaz de produzir um dado modo de conduta, aplicam-se de uma vez, aquele que parece ser o mais poderoso, é claro, é aquele que será considerado ter efetivamente realizado mais: e, como a parte geral do gênero humano, nesta como em outras ocasiões, está disposta a decidir peremptoriamente em consequência de estimativas superficiais, ele geralmente será considerado como tendo feito tudo.
A consequência é que, quando um homem de uma certa posição se abstém de tomar sua chance de vingar uma afronta, a conduta dele será, pela maioria das pessoas, imputada ao amor à vida; o qual, quando ele predomina sobre o amor à reputação, é, por uma associação não salutar de ideias, estigmatizado com o nome odioso de covardia.
14[112]Eu estou ciente de, ou pelo menos, eu espero, que as pessoas no geral, quando elas veem a questão formulada dessa maneira, estarão prontas a reconhecer que o motivo nesses casos, seja qual for a tendência dos atos que ele produz, não é algo mau: mas isso não tornará mais verdadeiro que, até agora, no discurso popular, tem sido comum para os homens falarem de atos, os quais eles não poderiam senão reconhecer terem se originado a partir dessa fonte como procedendo a partir de um motivo ruim. A mesma observação aplicar-se-á a muitos outros casos.
15[113]Entre os gregos, talvez o motivo, e a conduta à qual ele deu origem, em um tal caso, teriam sido antes aprovados que desaprovados. Parece ter sido considerado um ato de heroísmo da parte Hércules ter salvo o amigo dele Teseu do inferno: embora a justiça divina, a qual o mantinha lá, devesse naturalmente ter sido considerada como pelo menos estando ao mesmo nível que a justiça humana. Mas à justiça divina, mesmo quando reconhecida sob esse caráter, o respeito pago àquela hora do dia não parece ter sido muito profundo, ou bem estabelecido: no presente, o respeito pago a ela é suficientemente profundo e estabelecido, embora o nome dele seja frequentemente demais aplicado a ditames que não poderiam ter nenhuma origem que o pior tipo de capricho humano.
16[114]Aqui, como em outros lugares, pode ser observado que as mesmas palavras que são mencionadas como nomes de motivos, também são, muitas delas, nomes de paixões, apetites e afeto: entidades fictícias, as quais são formadas apenas pela consideração de prazeres ou dores em algum ponto de vista particular. Algumas delas também são nomes de qualidades morais. Esse ramo de nomenclatura é notavelmente emaranhado: desembaraçá-lo completamente tomaria um volume inteiro; nem uma sílaba do qual pertenceria propriamente ao presente desígnio.
17[116]Ver cap. v. [Prazeres e Dores], par. xxiv, xxv.
18[117]À primeira vista pode parecer estranho falar do amor ao conforto como dando origem à ação: mas o esforço é um efeito tão natural do amor ao conforto quanto é a inação, quando um grau menor de esforço prometer liberar um homem de um maior.
19[121]‘A religião,’ diz o pio Addison, em algum ponto de o Espectador, ‘é a espécie mais elevada de amor-próprio.’
20Quando se supõe que um homem é incitado por qualquer motivo a engajar-se, ou a não se engajar, em uma ação tal ou tal, pode ser útil, pela conveniência do discurso, falar desse motivo como dando origem a um tipo imaginário de lei ou ditame, injungindo-o a engajar-se, ou a não se engajar, nele [Ver cap. i.].
21Ver cap. iv. [Valor] e cap. vi. [Sensibilidade], par. xxi.
22Ver cap. ix. [Consciência].
23[122]Ou valiosos. Ver cap. iv. [Valor].
24[123]Ver B. II. tit. [Evidence].
25Ver cap. vi. [Sensibilidade], par. xii, xiii.
26[124]Estritamente falando, o hábito, sendo apenas uma entidade fictícia, e não realmente nenhuma coisa distinta dos atos ou percepções pelas quais eles são ditos serem formados, não pode ser a causa de nada. Contudo, o enigma pode ser satisfatoriamente resolvido em consequência do princípio de associação, da natureza e força do qual uma consideração muito satisfatória pode ser vista na edição de Hartley on Man do dr. Priestley.
27[125]Cap. ii. [Princípios Adversos], par. xviii.
28Algumas vezes, a fim de melhor ocultar a trapaça (a partir dos seus próprios olhos sem dúvida assim como a partir de outros) eles estabelecem um fantasma próprio, o qual eles chamam de Justiça: cujos ditames devem modificar (o qual, sendo explicado, significa opor-se) os ditames da benevolência. Mas a justiça, no [126]único sentido no qual ela tem um significado, é um personagem imaginário, simulado pela conveniência de discurso, cujos ditames são os ditames da utilidade aplicados a certos casos particulares. Portanto, a justiça nada mais é do que um instrumento imaginário, empregado para fomentar, em certas ocasiões e através de certos meios, os propósitos da benevolência. Os ditames da justiça são nada mais do que uma parte dos ditames da benevolência, os quais, em certas ocasiões, são aplicados a certos assuntos; a saber, a certas ações.
29Ver cap. ii. [Princípios Adversos, etc.]
30[127]Ver cap. vi. [Sensibilidade], par. xxi.
31Ver supra, par. xxxvii.
32[128]Ver cap. vii. [Ações], par. viii.
33A ideia do caso suposto aqui é tomada de uma anedota na história real, mas distancia-se dela em vários particulares.
34[129]Ver B. I. tit. [Rebelião].
35[130]Ver B. I. tit. [Simp. corp. injuries]. Ib. tit. [Homicide].
36Ver cap. xi. [Disposições].
37Ver Append. tit. [Preventive Institutions].
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