sábado, 21 de setembro de 2024

Misticismo e Lógica e Outros Ensaios VII Os Constituintes Últimos da Matéria

Misticismo e Logica e Outros Ensaios


Por Bertrand Russell


Ensaio anterior


[125]VII Os Constituintes Últimos da Matéria1


Eu gostaria de discutir neste artigo uma questão não menor do que a antiga investigação metafísica, “O que é a matéria?” Eu penso que a questão, “O que é a matéria?”, até onde ela diz respeito à filosofia, é capaz de uma resposta que, em princípio, será tão completa quanto uma resposta pode ter esperança de ser; quer dizer, nós podemos separar o problema em uma porção essencialmente solúvel e uma essencialmente insolúvel, e agora nós podemos ver como resolver a porção essencialmente solúvel, pelo menos com respeito aos seus contornos principais. São esses contornos que eu desejo sugerir no presente artigo. A minha posição principal, a qual é realista, não está, eu espero e acredito, distante daquela do professor Alexander, através dos escritos do qual sobre esse assunto eu tenho me beneficiado grandemente.2 Ela também está em acordo próximo com aquela do dr. Nunn.3

O senso comum está acostumado com a divisão do mundo em mente e matéria. É suposto por todos que nunca estudaram filosofia que a distinção entre mente e matéria é perfeitamente clara e fácil, que, em nenhum ponto, as duas sobrepõem-se, e que apenas um tolo ou um filósofo poderia estar em dúvida quanto a se qualquer entidade é mental ou material. Essa fé simples [126]sobrevive em Descartes e é um pouco modificada em Spinoza, mas com Leibniz ela começa a desaparecer, e, desde o dia dele até o nosso próprio, quase todo filósofo de nota tem criticado e rejeitado o dualismo do senso comum. Neste artigo, é minha intenção defender esse dualismo; mas antes de o defender, nós temos de despender alguns poucos momentos nas razões que têm incitado a rejeição dele.

O nosso conhecimento do mundo material é obtido através dos sentidos, da visão, do tato e assim por diante. Inicialmente se supõe que as coisas sejam exatamente como elas parecem, mas duas sofisticações opostas logo destroem essa crença ingênua. Por um lado, os físicos cortam a matéria em moléculas, átomos, corpúsculos, e muito mais de tais subdivisões, conforme as necessidades futuras deles podem levá-los a postular, e as unidades às quais eles chegam são incomumente diferentes dos objetos visíveis, tangíveis da vida cotidiana. Uma unidade de matéria tende mais e mais a ser alguma coisa como um campo eletromagnético enchendo todo o espaço, embora tendo a sua maior intensidade em uma pequena região. Matéria consistindo de tais elementos está tão distante da vida cotidiana quanto qualquer teoria metafísica. Ela difere das teorias dos metafísicos apenas no fato de que a sua eficácia prática prova que ela contém alguma medida de verdade e induz homens de negócios a investirem dinheiro na força dela; mas, a despeito da sua conexão com o mercado de dinheiro, ela permanece uma teoria metafísica mesmo assim.

O segundo tipo de sofisticação ao qual o mundo do senso comum tem sido sujeitado é derivada a partir de psicólogos e fisiologistas. Os fisiologistas assinalam que o que nós vemos depende do olho, que o que nós ouvimos depende do ouvido, e que todos os nossos sentidos são passíveis de serem afetados por qualquer coisa que afete o cérebro, como álcool ou haxixe. Os psicólogos assinalam como muito do que nós pensamos que vemos é fornecido por associação [127]ou inferência inconsciente, como muito é interpretação mental e quão duvidoso é o resíduo que pode ser considerado como dado cru. A partir desses fatos é argumentado pelos psicólogos que a noção de um dado passivamente recebido pela mente é uma ilusão, e é argumentado pelos fisiologistas que mesmo se um dado puro pudesse ser obtido através da análise da experiência, esse dado ainda não poderia pertencer, como o senso comum supõe, ao mundo exterior, uma vez que a sua inteira natureza é condicionada pelos nossos nervos e órgãos dos sentidos, mudando conforme eles mudam de maneiras que são consideradas impossíveis de conectar com qualquer mudança de matéria suposta ser percebida. Esse argumento do fisiologista está exposto à réplica, mas ilusória do que sólida, de que o nosso conhecimento da existência dos órgãos do sentido e dos nervos é obtido através daquele mesmo processo que o fisiologista tem estado engajado em desacreditar, uma vez que a existência de nervos e órgão dos sentidos apenas é conhecida através da evidência dos sentidos mesmos. Esse argumento pode provar que alguma reinterpretação dos resultados da fisiologia é necessário, antes que eles possam adquirir validade metafísica. Mas isso não perturba o argumento fisiológico, na medida que isso constitui meramente uma reductio ad absurdum do realismo ingênuo.

Eu penso que essas várias linhas de argumento provam que alguma parte das crenças do senso comum tem de ser abandonada. Elas provam que, se nós aceitarmos essas crenças como um todo, nós somos forçados a conclusões que são parcialmente autocontraditórias; mas tais argumentos não podem decidir por si mesmos qual porção das nossas crenças do senso comum está em necessidade de correção. O senso comum acredita que o nós vemos é físico, exterior à mente, e continua a existir se nós fecharmos nossos olhos ou virarmos em outra direção. Eu acredito que o senso comum está certo em [128]considerar o que nós vemos como físico e (em um dos vários sentidos possíveis) exterior à mente, mas provavelmente está errado em supor que isso continua a existir quando nós não mais estamos olhando para ele. Parece-me que a inteira discussão da matéria tem sido obscurecida por dois erros que suportam um ao outro. O primeiro desses é o erro de que o quê nós vemos, ou percebemos através de qualquer um dos nossos outros sentidos, é subjetivo: o segundo é a crença de que o quê é físico tem de ser persistente. Seja o que for que a física considere como os constituintes últimos da matéria, ela sempre supõem esses constituintes serem indestrutíveis. Uma vez que os dados imediatos do sentido não são indestrutíveis, mas estão em um estado de fluxo perpétuo, é argumentado que esses dados mesmos não podem estar entre os constituintes últimos da matéria. Eu acredito que isso é um puro equívoco. As partículas persistentes da física matemática eu considero como construções lógicas, ficções simbólicas possibilitando a nós expressarmos resumidamente coleções muito complicadas de fatos; e, por outro lado, eu acredito que os dados atuais na sensação, os objetos imediatos da visão ou tato ou audição, são extramentais, puramente físicos, e entre os últimos constituintes da matéria.

A minha intenção com respeito à impermanência das entidades físicas talvez possa ser tornada mais clara pelo uso da ilustração favorita de Bergson do cinematógrafo. Quando eu primeiramente li a afirmação de Bergson de que o matemático concebe o mundo segundo a analogia de um cinematógrafo, eu nunca tinha visto um cinematógrafo, e a minha primeira visita a um foi determinada pelo desejo de verificar a afirmação de Bergson, a qual eu considerei completamente verdadeira, pelo menos até onde eu estava interessado. Quando, em uma imagem de palácio, nós vemos um homem rolando colina abaixo, ou correndo para longe da polícia, ou caindo dentro de um rio, ou fazendo qualquer uma daquelas outras coisas nas quais homens em tais lugares estão viciados, nós sabemos [129]que não há realmente um homem movendo-se, mas uma sucessão de filmes, cada um com um homem momentâneo diferente. A ilusão de persistência surge apenas através da aproximação da continuidade nessas séries de homens momentâneos. Agora, o que eu desejo sugerir é que, nesse aspecto, o cinema é um metafísico melhor do que senso comum, física ou filosofia. Eu acredito que também o homem real, por mais que a polícia possa jurar a identidade dele, é realmente uma série de homens momentâneos, cada um diferente do outro, e reunidos não por uma identidade numérica, mas por continuidade e certas leis causais intrínsecas. E o quê se aplica aos homens aplica-se igualmente a mesas e cadeiras, ao sol, à lua e às estrelas. Cada um desses deve se considerado não como uma única entidade persistente, mas como uma série de entidades sucedendo umas às outras no tempo, cada uma durando por um período muito breve, embora, provavelmente, não por um mero instante matemático. Dizendo isso, eu apenas estou insistindo no mesmo tipo de divisão no tempo que nós estamos acostumados a reconhecer no caso do espaço. Um corpo que preencha um pé cúbico será admitido consistir de muitos corpos menores, cada um ocupando apenas um volume muito minúsculo; semelhantemente, uma coisa que persista apenas por uma hora deve ser considerada como composta de muitas coisas de duração menor. Uma teoria verdadeira da matéria requer uma divisão de coisas em corpúsculos-tempo assim como em corpúsculos-espaço.

O mundo pode ser concebido como consistindo em uma multidão de entidades arranjadas em um certo padrão. As entidades que são arranjadas eu deverei chamar de “particulares.” O arranjo ou padrão resulta a partir das relações entre os particulares. Classes ou séries de particulares, reunidas por conta de alguma propriedade que torna conveniente ser capaz de falar delas como todos, são o que eu chamo de construções lógicas ou ficções simbólicas. Os particulares devem ser concebidos não na analogia dos tijolos [130]em uma construção, mas antes na analogia das notas em uma sinfonia. Os constituintes últimos de uma sinfonia (além das relações) são as notas, cada uma das quais dura apenas por um tempo muito curto. Nós podemos juntar todas as notas tocadas por um instrumento: essas podem ser consideradas como analogias aos particulares sucessivos que o senso comum consideraria como estados sucessivos de uma “coisa.” Mas a “coisa” não deveria ser considerada como mais “real” ou “substancial” do que, por exemplo, a parte do trombone. Tão logo as “coisas” sejam concebidas dessa maneira, será descoberto que as dificuldades no modo de considerar os objetos imediatos do sentido como físicos largamente desapareceram.

Quando as pessoas perguntam, “O objeto é do sentido mental ou físico?” elas raramente têm qualquer ideia ou do que é significado por “mental” ou “físico,” ou de quais critérios são aplicados para decidir se uma dada entidade pertence a uma classe ou a outra. Eu não sei como fornecer uma definição precisa da palavra “mental,” mas alguma coisa pode ser realizada através da enumeração de ocorrências que são indubitavelmente mentais: acreditar, duvidar, desejar, querer, estar satisfeito ou dolorido, são certamente ocorrências mentais; assim são os que nós podemos chamar de experiências, ver, ouvir, cheirar, perceber de maneira geral. Mas não se segue a partir disso que o quê é visto, o quê é ouvido, o quê é cheirado, o quê é percebido, tenha de ser mental. Quando eu vejo um brilho de relâmpago, a minha visão dele é mental, mas o que eu vejo, embora não seja exatamente o mesmo que o quê qualquer um vê ao mesmo tempo, e embora ele pareça muito diferente do quê o que físico descreveria como um brilho de relâmpago, não é mental. De fato, eu sustento que se o físico pudesse descrever verdadeira e completamente tudo que ocorre no mundo físico quando há um brilho de relâmpago, ele conteria como constituinte o que eu vejo, e também o quê [131]é visto por qualquer um que comumente seria dito ver o mesmo brilho. O que eu quero dizer talvez possa ser tornado mais evidente dizendo que se o meu corpo pudesse permanecer no exato mesmo estado no qual ele está, embora minha mente tivesse cessado de existir, precisamente aquele objeto que eu agora vejo quando eu vejo o brilho existiria, embora, é claro, eu não mais devesse vê-lo, uma vez que a minha visão é mental. Eu penso que as razões principais que têm levado as pessoas a rejeitarem essa visão têm sido duas: que elas não distinguiram adequadamente entre a minha visão e o quê eu vejo; segundo, que a dependência causal do quê eu vejo do meu corpo tem feito as pessoas suporem que o quê eu vejo não pode estar “fora” de mim. A primeira dessas razões não precisa nos deter, uma vez que a confusão apenas tem de ser assinalada para ser atenuada; mas a segunda requer alguma discussão, uma vez que ela apenas pode ser respondida removendo-se concepções equivocadas correntes, por um lado, quanto à natureza do espaço, e por outro, quanto ao significado da dependência causal.

Por exemplo, quando as pessoas perguntam se as cores, ou outras qualidades secundárias, estão dentro ou fora da mente, elas parecem supor que o significado delas tem de ser claro, e que deveria ser possível dizer sim ou não sem qualquer discussão adicional dos termos envolvidos. Contudo, de fato, tais termos como “dentro” ou “fora” são muito ambíguos. O que se quis dizer ao perguntar se isto ou aquilo está “na” mente? A mente não é como uma sacola ou uma torta; ela não ocupa uma certa região no espaço, ou, se (em um sentido) ela o faz, o que é essa região é presumivelmente parte do cérebro, a qual não seria dita estar na mente. Quando as pessoas dizem que as qualidades sensíveis estão na mente, eles não querem dizer “espacialmente contidas na” no sentido no qual melros estão na torta. Nós poderíamos considerar a mente como uma coleção de particulares, a saber, o quê [132]seria chamado de “estados da mente,” os quais pertenceriam juntos em virtude de alguma qualidade comum específica. A qualidade comum de todos os estados da mente seria a qualidade designada pela palavra “mental”; e além disso, nós deveríamos ter suposto que os estados da mente de cada pessoa separada tem alguma característica comum distinguindo-os dos estados da mente de outras pessoas. Ignorando esse segundo ponto, perguntemos a nós mesmos se, como uma questão de observação, a qualidade designada pela palavra “mental” efetivamente pertence a objetos do sentido, tais como cores ou barulhos. Eu penso que qualquer pessoa cândida tem de responder que, por mais difícil que pode ser conhecer o que nós queremos dizer por “mental,” não é difícil ver que cores e barulhos não são mentais no sentido de terem aquela peculiaridade intrínseca que pertence a crenças e desejos e volições, mas não ao mundo físico. Sobre esse assunto, Berkeley propões um argumento plausível4, o qual me parece depender de uma ambiguidade na palavra “dor.” Ele argumenta que o realista supõe que o calor que ele sente ao aproximar-se do fogo é alguma coisa exterior à mente dele, mas que, conforme ele se aproxima mais e mais do fogo, a sensação de calor torna-se imperceptivelmente de dor, e que ninguém poderia considerar a dor como alguma coisa exterior à mente. Em resposta a esse argumento, deveria ser observado, em primeiro lugar, que o calor do qual nós estamos imediatamente cientes não está no fogo, mas no nosso próprio corpo. É apenas através de inferência que o fogo é julgado ser a causa do calor que nós sentimos no nosso corpo. Em segundo lugar (e esse é o ponto mais importante), quando nós falamos de dor, nós podemos querer dizer uma de duas coisas: nós podemos querer dizer o objeto da sensação ou outra experiência que tem a qualidade de ser dolorosa, [133]ou nós podemos querer dizer a qualidade de dor mesma. Quando um homem diz que ele tem uma dor no seu dedão do pé, o que ele quer dizer é que ele tem uma sensação associada com o dedão do pé e tem a qualidade de dor. A sensação mesma, como qualquer sensação, consiste em experienciar um objeto sensível, e a experiência tem essa qualidade de dor, a qual apenas ocorrências mentais podem ter, mas que podem pertencer a pensamentos ou desejos, assim como a sensações. Mas na linguagem comum nós falamos do objeto sensível experienciado em uma sensação dolorosa como uma dor, e é essa maneira de falar que causa a confusão da qual a plausibilidade do argumento de Berkeley depende. Seria absurdo atribuir a qualidade de dor a qualquer coisa não mental, e, consequentemente, chega-se a ser o pensamento de que o que nós chamamos de dor no dedo do pé tem de ser mental. Contudo, de fato, não é o objeto sensível em um tal caso que é doloroso, mas a sensação, quer dizer, a experiência do objeto sensível. Conforme o calor que nós experienciamos a partir do fogo cresce, a experiência gradualmente deixa de ser agradável para ser dolorosa, mas nem o prazer nem a dor são uma qualidade do objeto experienciado enquanto oposto à experiência, e, portanto, é uma falácia argumentar que esse objeto tem de ser mental sobre o fundamento da dor que apenas pode ser atribuída ao que é mental.

Portanto, se quando nós dizemos que alguma coisa está na mente nós queremos dizer que ela tem uma certa característica reconhecível intrínseca, tal como pertencer a pensamentos e desejos, isso tem de ser sustentado sobre fundamentos de inspeção imediata daqueles objetos do sentido que não estão em nenhuma mente.

Contudo, um sentido diferente de “na mente” deve ser inferido a partir de argumentos propostos por aqueles que consideram os objetos sensíveis como estando na mente. No principal, os argumentos usados são aqueles que provariam a [134]dependência causal de objetos do sentido do percebedor. Agora, a noção de dependência causal é muito obscura e difícil, muito mais assim no fato do que é geralmente compreendido pelos filósofos. Eu deverei retornar a esse ponto em um momento. Além disso, pelo presente, a aceitação da noção de dependência causal sem crítica, eu desejo insistir que a dependência em questão é antes sobre os nossos corpos do que sobre as nossas mentes. A aparência visual de um objeto é alterada se nós fecharmos um olho, ou fecharmos rapidamente, ou olharmos anteriormente para alguma coisa brilhante; mas todos esses atos corporais, e as alterações que eles efetuam devem ser explicados pela fisiologia e ótica, não pela psicologia.5 De fato, elas são exatamente do mesmo tipo que as alterações efetuadas por óculos ou um microscópio. Portanto, eles pertencem à teoria do mundo físico, e não podem ter nenhuma influência sobre a questão de se o que nós vemos é causalmente dependente da mente. O que eles tendem a provar, e o que eu, pela maior parte, não tenho desejo de negar, é que o que nós vemos é causalmente dependente do nosso corpos e não, como o cru senso comum suporia, alguma coisa que existe igualmente se nossos olhos e nervos e cérebro estivessem ausentes, não mais do que a aparência visual apresentada por um objeto visto através de um microscópio permaneceria se o microscópio fosse removido. Enquanto for suposto que o mundo físico seja composto por constituintes mais ou menos permanentes, o fato de que o que nós vemos é mudado por mudanças nos nossos corpos parece propiciar razão para considerar o que nós vemos não como os constituintes últimos da matéria. Mas, se for reconhecido que os constituintes últimos da matéria estão tão circunscritos em duração quanto extensão espacial, o todo dessa dificuldade desaparece.

Contudo, há restos de outra dificuldade, conectada com o espaço. Quando nós olhamos para o sol, nós desejamos conhecer [135]alguma coisa sobre o sol mesmo, o qual está a noventa e três milhões de milhas de distância; mas o que nós vemos é dependente dos nossos olhos, e é difícil supor que os nossos olhos possam afetar o que acontece a uma distância de noventa e três milhões de milhas. Os físicos dizem-nos que certas ondas eletromagnéticas partem do sol e alcançam os nossos olhos aproximadamente em oito minutos. Ali elas produzem distúrbios nos bastonetes e cones, daí no nervo ótico, daí no cérebro. Ao final dessa série puramente física, por algum estranho milagre, surge a experiência que nós chamamos de “ver o sol,” e são tais experiências que formam a inteira e única razão para a nossa crença no nervo ótico, nos bastonetes e cones, nas noventa e três milhões de milhas, nas ondas eletromagnéticas e no sol mesmo. É a curiosa oposição de direção entre a ordem de causação como afirmada pela física, e a ordem de evidência como revelada pela teoria do conhecimento, que causa as mais sérias perplexidades com respeito à natureza da realidade física. Qualquer coisa que invalide a nossa visão como uma fonte de conhecimento relativa à realidade física também invalida a totalidade da física e fisiologia. E contudo, partindo da aceitação da nossa visão pelo senso comum, a física tem sido levada, passo a passo, à construção da cadeia causal na qual a nossa visão é último elo, e o objeto imediato que nós vemos não pode ser considerado como aquela causa inicial que nós acreditamos estar a noventa e três milhões de milhas de distância, e a qual nós ficamos inclinados para considerar como o sol “real.”

Eu formulei essa dificuldade tão forçadamente quanto eu posso, porque eu acredito que ela apenas pode ser respondida através de uma análise e reconstrução radicais de todas as concepções sobre as quais o seu emprego depende.

Espaço, tempo, matéria e causa, são as principais dessas concepções. Comecemos com a concepção de causa.

A dependência causal, como eu observei há um momento, é uma [136]concepção que é muito perigosa de aceitar ao seu valor nominal. Aí existe uma noção de que, com respeito a qualquer evento, há alguma coisa que pode ser chamada de a causa desse evento – alguma ocorrência definida, sem a qual o evento teria sido impossível e com a qual ele se torna necessário. Um evento é suposto ser dependente da sua causa de alguma maneira na qual ele não é dependente de outras coisas. Dessa forma, os homens insistirão que a mente é dependente do cérebro, ou, com igual plausibilidade, que o cérebro é dependente da mente. Parece improvável que se nós tivéssemos conhecimento suficiente nós poderíamos inferir o estado da mente de um homem a partir do estado do seu cérebro, ou o estado do seu cérebro a partir do estado da sua mente Enquanto a concepção usual de dependência causal for retida, esse estado de coisas pode ser usado pelo materialista para insistir em que o estado do nosso cérebro causa os nossos pensamentos, e pelo idealista, para insistir em que os nossos pensamentos causam o estado do nosso cérebro. Qualquer argumentação é igualmente válida ou igualmente inválida. O fato parece ser que há muitas correlações do tipo que pode ser chamado de causal, e que, por exemplo, ou um evento físico ou um mental pode ser predito, teoricamente, ou a partir de um número suficiente de antecedentes físicos ou a partir de um número suficiente de antecedentes mentais. Portanto, falar da causa de um evento é enganador. Qualquer conjunto de antecedentes a partir do qual um evento pode ser teoricamente inferido por meio de correlações poderia ser chamada de uma causa do evento. Mas falar da causa é implicar uma unicidade que não existe.

A relevância disso para a experiência que nós chamamos de “ver o sol” é óbvia. O fato de que existe uma cadeia de antecedentes que torna a nossa visão dependente dos olhos e nervos e cérebro nem mesmo tende a mostrar que não há outra cadeia de antecedentes na qual os olhos e nervos e cérebro como coisas físicas sejam ignorados. Se nós devemos escapar do dilema que [137]parecia surgir a partir da causação fisiológica do que nós vemos quando nós dizemos que vemos o sol, nós temos de descobrir, pelo menos em teoria, uma maneira de formular leis causais para o mundo físico nas quais as unidades não são coisas materiais, tais como os olhos e nervos e cérebro, mas particulares momentâneos do mesmo tipo que o nosso objeto visual momentâneo quando nós olhamos para o sol. O sol mesmo e os olhos e nervos e cérebro tem de ser considerados como coleções (assemblages) de particulares momentâneos. Em vez de supormos, como nós naturalmente fazemos quando nós partimos da aceitação acrítica do dito aparente dos físicos, que matéria é o que é “realmente real” no mundo físico, e que os objetos imediatos do sentido são meros fantasmas, nós temos de considerar a matéria como uma construção lógica, da qual os constituintes serão exatamente aqueles particulares evanescentes que podem, quando um observador acontece de estar presente, tornar-se dados dos sentidos para esse observador. O que o físico considera como o sol de oito minutos atrás será a inteira coleção de particulares, existindo a tempos diferentes, espalhando-se a partir de um centro com a velocidade da luz, e contendo entre os seus números todos aqueles dados visuais que são vistos por pessoas que agora estão olhando para o sol. Dessa forma, o sol de oito minutos atrás é uma classe de particulares, e o que eu vejo quanto eu olho para o sol é um membro dessa classe. Os vários particulares constituindo essa classes estarão correlacionados uns com os outros por uma certa continuidade e certas leis intrínsecas de variação conforme nós passamos para fora do centro, junto com certas modificações correlacionadas extrinsecamente com outros particulares, os quais não são membros dessa classe. São essas modificações extrínsecas que representam o tipo de dados que, em nossa explicação anterior, apareciam como a influência dos olhos e nervos na modificação da aparência do sol.6

[138]As dificuldades prima facie no caminho dessa visão são principalmente derivadas a partir de uma teoria indevidamente convencional do espaço. À primeira vista poderia parecer como se nós tivéssemos empacotado o mundo muito mais cheio do que ele possivelmente poderia aguentar. Em qualquer lugar entre nós e o sol, nós dissemos, deve haver um particular que deve ser um membro do sol como ele era há poucos minutos. É claro, também terá de haver um particular que é membro de qualquer planeta ou estrela fixa que pode acontecer de ser visível a partir daquele lugar. No lugar onde eu estou haverá particulares que serão severamente membros de todas as “coisa” que eu agora sou dito ser percebido. Dessa maneira, por todo o mundo, em toda parte, haverá um número enorme de particulares coexistindo no mesmo lugar. Mas essas dificuldades resultam a partir de nos contentarmos muito prontamente com o espaço meramente tridimensional com o qual os professores de escola acostumaram-nos. O espaço do mundo real é um espaço de seis dimensões, e tão logo nós compreendamos isso, nós percebemos que há uma plenitude de espaço para todos os particulares para os quais nós queremos encontrar posições. Para compreendermos isso nós apenas temos de retornar por um momento do espaço polido da física para o espaço acidentado e desordenado da nossa experiência sensível imediata. O espaço dos objetos sensíveis de um homem é um espaço tridimensional. Não parece provável que dois homens alguma vez ambos percebam ao mesmo tempo qualquer objeto sensível; quando eles são ditos ver a mesma coisa ou ouvir o mesmo barulho, sempre haverá alguma diferença, por mais que leve, entre as formas atuais vistas e os sons atuais ouvidos. Se isso é assim, e se, como é geralmente assumido, a posição no espaço é puramente relativa, segue-se que o espaço dos objetos de um homem e o espaço dos objetos de outro homem não tem lugar em comum, que, de fato, eles são espaços diferentes, e não meramente partes diferentes de um espaço. Eu quero dizer com isso que aquelas relações espaciais imediatas que são percebidas valerem [139]entre as diferentes partes sensíveis do espaço percebido por um homem não valem entre as partes dos espaços sensíveis percebidas por homens diferentes. Portanto, há uma multitude de espaços tridimensionais no mundo: há todos aqueles percebidos por observadores e, presumivelmente, também aqueles que não são percebidos, meramente porque nenhum observador está apropriadamente situado para os perceber.

Mas embora esses espaços não tenham o mesmo tipo de relações espaciais uns com os outros como obtidas entre as partes de um deles, mesmo assim, é possível arranjar esses espaços mesmos em uma ordem tridimensional. Isso é feito por meio de particulares correlacionados que nós consideramos como membros (ou aspectos) de uma coisa física. Quando é dito que um número de pessoas vê o mesmo objeto, aqueles que seriam ditos estar próximos do objeto veem um particular ocupando uma parte maior do campo de visão deles do que é ocupada pelo particular correspondente visto por pessoas que seriam ditas estarem mais distantes da coisa. Por meio de semelhantes considerações é possível, de maneiras que agora não necessitam ser adicionalmente especificadas, arranjar todos os espaços diferentes em uma série tridimensional. Uma vez que cada um dos espaços é ele mesmo tridimensional, o mundo todo de particulares é arranjado dessa maneira em um espaço hexadimensional quer dizer, seis coordenadas serão requeridas para atribuir completamente a posição a qualquer particular dado, a saber, três para atribuir a sua posição no seu próprio espaço e mais três para atribuir a posição do seu espaço entre os outros espaços.

Há duas maneiras de classificar os particulares: nós podemos combinar todos aqueles que pertencem a uma dada “perspectiva,” ou todos aqueles que são, como o senso comum diria, diferentes “aspectos” da mesma “coisa.” Por exemplo, se eu (como se diz) estou vendo o sol, o que eu vejo pertence a duas coleções: (1) a coleção de todos os meus presentes objetos do sentido, a qual é o que eu chamo de uma “perspectiva”; [140](2) a coleção de todos os diferentes particulares que seriam chamados do sol de oito minutos atrás – essa coleção eu defino como o ser do sol de oito minutos atrás. Dessa forma, “perspectivas” e “coisas” são meramente duas maneiras diferentes de classificar particulares. Deve ser observado que não há necessidade a priori para os particulares serem suscetíveis a essa classificação dupla. Pode haver o que poderiam ser chamados de particulares “selvagens,” não tendo as relações usuais pelas quais a classificação é efetuada; talvez sonhos e alucinações sejam compostos por particulares que são “selvagens” nesse sentido.

A definição exata do que é significado por uma perspectiva não é bastante fácil. Enquanto nós confinarmos a nós mesmos aos objetos visíveis ou aos objetos do tato nós poderíamos definir a perspectiva de um particular dado como “todos os particulares que têm uma relação espacial simples (direta) com o particular dado.” Entre dois trechos de cor que eu vejo agora, há uma relação espacial direta que eu igualmente vejo. Mas entre trechos de cor vistos por homens diferentes há apenas uma indireta relação espacial construída através do posicionamento de “coisas” no espaço físico (o qual é o mesmo espaço físico composto por perspectivas). Aqueles particulares que tiverem relações espaciais diretas com um particular dado pertencerão à mesma perspectiva. Mas se, por exemplo, os sons que eu ouço devem pertencer à mesma perspectiva que os trechos de cor que eu vejo, tem de haver particulares que não tenham relação espacial direta e, contudo, pertencem à mesma perspectiva. Nós não podemos definir uma perspectiva como todos os dados de um percebedor em um momento, porque nós desejamos permitir a possibilidade de perspectivas que não são percebidas por ninguém. Portanto, haverá a necessidade, na definição de uma perspectiva, de alguns princípios não derivados nem da psicologia nem do espaço.

Um semelhante princípio pode ser obtido a partir da consideração [141]do tempo. O tempo único onienglobante, como o espaço único onienglobante, é uma construção; não há relação-tempo direta entre particulares pertencentes à minha perspectiva e particulares pertencentes à de outro homem. Por outro lado, quaisquer dois particulares dos quais eu esteja ciente são ou simultâneos ou sucessivos, e a simultaneidade ou sucessão deles é algumas vezes ela mesma um dado para mim. Portanto, nós podemos definir a perspectiva à qual um dado particular pertence como “todos os particulares simultâneos a um particular dado,” onde “simultâneo” deve ser entendido como uma relação simples direta, não a relação construída derivada da física. Pode ser observado que a introdução de “tempo local” sugerida pelo princípio de relatividade tenha efetuado, por razões puramente científicas, muito da mesma multiplicação de tempos que há pouco nós estivemos defendendo.

A soma total de todos os particulares que são (diretamente) ou simultâneos com ou antes ou depois de um dado particular pode ser definida como a “biografia” à qual esse particular pertence. Será observado que, exatamente como uma perspectiva não necessita ser efetivamente percebida por ninguém, assim uma biografia não necessita ser efetivamente vivida por ninguém. Aquelas biografias que são vividas por ninguém são chamadas de “oficiais.”

A definição de uma “coisa” é efetuada através de continuidade e de correlações que têm uma certa independência diferencial de outras “coisas.” Quer dizer, dado um particular em uma perspectiva, usualmente haverá um particular muito similar em uma perspectiva vizinha, diferindo daquele particular dado, à primeira ordem de quantidades pequenas, de acordo com uma lei envolvendo apenas a diferença de posição das duas perspectivas no espaço perspectivo e não qualquer uma das outras “coisas” no universo. É essa continuidade e independência diferencial na lei da mudança, conforme nós passamos de uma [142]perspectiva para outra, que define a classe de particulares que deve ser chamada de “uma coisa.”

Falando de maneira geral, nós podemos dizer que o físico considera conveniente classificar os particulares em “coisas,” enquanto que o fisiologista considera conveniente classificá-las em “perspectivas” e “biografias,” uma vez que uma perspectiva pode constituir os dados momentâneos de um percebedor e uma biografia pode constituir a totalidade dos dados de um percebedor por toda a vida dele.

Agora nós podemos resumir a nossa discussão. O nosso objetivo tem sido, tanto quanto possível, descobrir a natureza dos constituintes últimos do mundo físico. Quando eu falo do “mundo físico,” eu quero dizer, para começar, o mundo lidado pela física. É óbvio que a física é uma ciência empírica, concedendo-nos certo montante de conhecimento, e baseada sobre evidência obtida através dos sentidos. Mas, parcialmente através do desenvolvimento da física mesma, em parte através de argumentos derivados a partir da fisiologia, psicologia ou metafísica, veio a ser pensado que os dados imediatos dos sentidos não poderiam eles mesmos formar parte dos constituintes últimos do mundo físico, mas eram, em algum sentido, “mentais,” “na mente,” ou “subjetivos.” Os fundamentos para essa visão, até onde eles dependem da física, apenas podem ser adequadamente lidados antes através de elaboradas construções lógicas dependendo da lógica simbólica, revelando que, a partir daqueles materiais que são fornecidos pelos sentidos, é possível construir classes e séries tendo as propriedades que os físicos atribuem à matéria. Uma vez que o argumento é difícil e técnico, eu não embarquei nele neste artigo. Mas, enquanto a visão de que os dados dos sentidos são “mentais” depende da fisiologia, psicologia ou metafísica, eu tenho tentado mostrar que ela depende de confusões e prejuízos – prejuízos em favor da permanência dos constituintes últimos da matéria, e [143]confusões derivadas a partir de noções indevidamente simples quanto ao espaço, a partir da correlação causal dos dados dos sentidos com os órgãos dos sentidos, e a partir da falha para distinguir entre dados dos sentidos e sensações. Se o que nós dissemos sobre esses assuntos for válido, a existência dos dados dos sentidos é logicamente independente da existência da mente, e é causalmente dependente do corpo do percebedor antes que da mente. Nós descobrimos que a dependência causal do corpo do percebedor é uma questão mais complicada do que ela parece ser, e, como toda dependência causal, está apta a dar origem a crenças errôneas através de concepções equivocadas quanto à natureza da correlação causal. Se nós fomos corretos em nossas argumentações, os dados dos sentidos são aquelas meramente entre os constituintes últimos do mundo físico do qual acontece de nós estarmos imediatamente cientes; eles mesmos são puramente físicos, e tudo que é mental em conexão com eles é a nossa consciência deles, a qual é irrelevante para a natureza deles e para o lugar deles na física.

Noções indevidamente simples sobre o espaço têm sido uma grande pedra no caminho para realistas. Quando dois homens olham para a mesma mesa, supõem-se que o quê um vê e o quê o outro vê estejam no mesmo lugar. Uma vez que forma e cor não são exatamente as mesmas para os dois homens, isso levanta uma dificuldade, apressadamente resolvida, ou antes encoberta, declarando o quê cada um vê ser puramente “subjetivo” – embora confundiria aqueles que usam essa palavra simplista para dizer o que eles querem dizer por ela. A verdade parece ser que o espaço – e também o tempo – é muito mais complicado do que pareceria ser a partir da estrutura acabada da física, e que o espaço tridimensional onienglobante é uma construção lógica, obtida através de correlações a partir do espaço cru de seis dimensões. Os particulares ocupando esse espaço hexadimensional, classificado de uma maneira, formam “coisas,” a partir das quais, com certas manipulações adicionais nós podemos obter o que os físicos podem [144]considerar como matéria; classificado de outra maneira, eles formam “perspectivas” e “biografias,” as quais podem, se um percebedor adequado acontece de existir, formar respectivamente os dados dos sentidos de uma experiência momentânea ou de uma total. É apenas quando “coisas” físicas foram dissecadas em séries de classes de particulares, como nós temos feito, que o conflito entre o ponto de vista da física e o ponto de vista da psicologia pode ser superado. Esse conflito, se o que tem sido dito não está equivocado, flui a partir de métodos diferentes de classificação, e desaparece tão logo a fonte dele é descoberta.

Em favor da teoria que eu esbocei brevemente, eu não alego que ela seja certamente verdadeira. Ao lado da probabilidade de erros, muito dela é declaradamente hipotético. O que eu reivindico para a teoria é que ela pode ser verdadeira, e que isso é mais do que pode ser dito para qualquer outra teoria, exceto a teoria estritamente análoga de Leibniz. As dificuldades assediando o realismo, as confusões obstruindo qualquer consideração filosófica da física, o dilema resultante a partir do descrédito dos dados dos sentidos, os quais ainda permanecem a única fonte do nosso conhecimento do mundo exterior – tudo isso é evitado pela teoria que eu defendo. Isso não prova a teoria ser verdadeira, uma vez que provavelmente muitas outras teorias poderiam ser inventadas que teriam os mesmos méritos. Mas isso prova que a teoria tem uma chance melhor de ser verdadeira do que qualquer uma das suas competidoras presentes, e ela sugere que o quê pode ser conhecido com certeza é provável de descobrível tomando-se a nossa teoria como um ponto de partida, e gradualmente a libertando de todas aquelas suposições que parecem irrelevantes, desnecessárias ou infundadas. Sobre esses fundamentos, eu recomendo-a à atenção como uma hipótese ou base para trabalho futuro, embora não ela mesma como uma solução acabada e adequada do problema com o qual ela lida.


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ORIGINAL:

RUSSELL, B. The Ultimate Contituints of Matter. IN:______. Mysticism and Logic and Other Essays. London; Longmans, Green and Co. 1918. pp. 125-144. Disponível em: <https://archive.org/details/mysticismlogicot00russuoft/page/125/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[125]Um discurso comunicado à Sociedade Filosófica de Manchester em fevereiro de 1915. Reimpresso de The Monist, julho de 1915.

2Cf. especialmente, Samuel Alexander, “The Basis of Realism,” British Academy, Vol. VI.

3“Are Secondary Qualities Independent of Perception?” Proc. Arist. Soc. 1909-10, pp. 191-218.

4[132]First dialogue between Hylas and Philonous, Works (Edição de Fraser de 1901), I, p. 384.

5[134]Esse ponto tem sido bem insistido pelos realistas americanos.

6[137]Cf. T. P. Nunn, “Are Secondary Qualities Independent of Perception?” Proc. Arist. Soc. 1909-1910. 

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