Introdução Animais & Ética: Pensando Criticamente sobre os Direitos dos Animais
Por Nathan Nobis
[1]Capítulo 1 Introdução à Ética, Lógica e Ética & Animais
Esses capítulos intencionam fornecer um pano de fundo para as leituras, realçar questões importantes nas leituras, introduzir leituras e levantar questões. Este primeiro capítulo é mais longo do que o resto.
Visão geral
Discussões de ética animal são mais frutíferas quando abordadas após uma exposição ao pensamento geral sobre ética e métodos de análise de argumentos morais. Tipicamente, teorias de ética animal são extensões ou modificações de teorias desenvolvidas para tratar de questões mais familiares (e, frequentemente, menos controversas) sobre ética de humano-para-humano. Portanto, é importante ser familiar com essas teorias e métodos. Essas leituras online introduzirão os leitores às teorias e aos métodos mais influentes de análise de argumento moral, e nós leremos as introduções para nossos textos sobre ética animal.
Leituras
James Pryor (Filosofia NYU), Guidelines on Reading Philosophy:
http://www.jimpryor.net/teaching/guidelines/reading.html
Leituras sobre análise de argumento:
Uma vez que os argumentos a favor e contra os vários usos de animais frequentemente têm como uma premissa um princípio moral derivado a partir de uma teoria ética, nós primeiro aprenderemos alguns conceitos básicos sobre argumentos. Em seguida, nós analisaremos algumas teorias, alguns argumentos a favor de algumas delas (ou seja, razões para pensar que uma teoria é verdadeira), e alguns argumentos contra algumas delas (ou seja, razões dadas para pensar que uma teoria é falsa).
James Rachels, “Some Basic Points About Arguments,” a partir do [2]seu The Right Thing To Do: Basic Readings in Moral Philosophy, 4th Ed. (McGraw Hill, 2007) (Google).
James Pryor, “What Is an Argument?”
http://www.jimpryor.net/teaching/vocab/argument.html
Leituras que introduzem teorias morais comuns (e criticam algumas delas):
James Rachels, “A Short Introduction to Moral Philosophy,” a partir de The Right Thing To Do (Google)
Tom Regan, “The Case for Animal Rights,” a partir de, eds., In Defense of Animals (Blackwell, 1985), eds por Tom Regan e Peter Singer:
http://ethicsandanimals.googlepages.com/regancase_for_animal_rights.pdf; também disponível em: http://www.animal-rights-library.com/texts-m/regan03.htm
Curtos prefácios e introduções de nossos textos:
ANIMAL LIBERATION – Prefácio para a edição de 1975
ANIMAL LIBERATION – Prefácio para a edição de 1990
ANIMAL LIBERATION – Prefácio para a edição de 2002
EMPTY CAGES – PREFÁCIO por Jeffrey Moussaieff Masson
EMPTY CAGES – PRÓLOGO: The Cat
EMPTY CAGES – EPÍLOGO: The Cat
EMPTY CAGES – PART I NORMAL ROCKWELL AMERICANS
EMPTY CAGES – 1. Who Are You Animal Rights Advocates Anyway?
EMPTY CAGES – 2. How Did You Get That Way?
Parte I de Empty Cages discute a influência que a mídia e política de interesse especial têm sobre como questões de ética & animais [3]são tipicamente abordadas. Ela também explica algumas rotas diferentes que as pessoas poderiam tomar para se envolverem em questões animais e o relato de Regan de sua história pessoal de como ele tornou um defensor de direitos animais. Estritamente falando, essa parte do livro não é filosofia ou ética (mas, certamente, é relevante para ética) e é uma leitura interesante, fácil.
ANIMALS LIKE US – Introdução do Editor
ANIMALS LIKE US – Introdução
Opcional: Gruen, prefácio e matéria introdutória.
Os leitores deveriam inscrever-se nessas listas de e-mail para se manterem atualizados sobre a cobertura da mídia tradicional de questões relativas a éticas e animais:
Dawnwatch News Service: http://dawnwatch.com
Vegan Outreach’s E-Newsletter: http://www.veganoutreach.org/enewsletter/index.html
Alguns dos links para as leituras podem estar incorreto. Por favor, pesquise o título no Goolge e é provável que você encontrará o arquivo online.
[5]Questões Morais
Neste livro nós tentaremos responder razoavelmente a questões morais ou éticas relativas ao tratamento e uso de animais.1 Algumas dessas questões são gerais,2 por exemplo:
Moralmente, como nós deveríamos tratar os animais?
Quais usos de animais, se alguns, são moralmente permissíveis e quais são moralmente errados?
Nós temos alguma obrigação moral em relação aos animais? Qual é a extensão dessas obrigações? Por que nós temos essas obrigações (se nós temos)? O que existe sobre (vários tipos de) animais que os tornam tais que como nós os tratamos moralmente importa?
Há diferentes obrigações em relação a diferentes animais? Poderiam certos usos de alguns animais serem moralmente permissíveis, ao passo que usar outros animais de maneiras similares seria moralmente errado? (Por exemplo, poderiam alguns experimentos serem errados se realizados em chimpanzés, enquanto que moralmente permissíveis, ou talvez “menos errados,” se realizados em ratos (mices)?)
Moralmente, nós deveríamos ficar preocupados apenas com certos tipos de animais, por exemplo, aqueles que são conscientes e têm sentimentos? E quanto aos insetos? E quanto aos organismos unicelulares? Sobre que base nós decidimos?
[6]Outras questões lidam com usos específicos de animais:
É moralmente permissível capturar com uma armadilha (trap) e esfolar (skin) animais devido a pele (fur) deles em nossa sociedade, onde alternativas a casacos de pele (fur coats) estão prontamente disponíveis? Se nós vivêssemos onde não houvesse nenhum meio “alternativo” semelhante para nos manter aquecidos, isso faria uma diferença para a moralidade do uso de animais devido a pele deles?
É moralmente permissível criar e matar animais para comer em nossa sociedade, onde alternativas nutritivas a alimentos animais estão prontamente disponíveis? Se nós estivéssemos onde houvesse alimentos não animais inadequados, isso faria uma diferença para a moralidade do uso de animais para comida?
Se nós pudêssemos saber, com certeza, que alguns experimentos com animais salvariam as vidas de muitos seres humanos (ou mesmo apenas um?), esse experimentos seriam moralmente pemissíveis? Se houvesse apenas uma leve chance de que esses experimentos levariam a semelhantes benefícios, ou nenhuma chance, isso faria uma diferença para a moralidade desses experimentos?
Embora todo mundo tenha respostas para essas questões, nós não estamos interessados nas meras “opiniões” ou “sentimentos” de alguém sobre como elas deveriam ser respondidas. Nós queremos descobrir quais respostas estão amparadas pelas melhores razões morais ou argumentos morais mais fortes, ou seja, os argumentos que nós temos as razões mais fortes para acreditar que são corretos (sound). Nós queremos saber porque nós deveríamos aceitar algumas respostas para essas questões e rejeitar outras. Para fazer isso nós tentaremos aperfeiçoar habilidades para raciocinar moralmente.3
[7]O que a Questão Não é: Não “Moralmente Correto,” mas Moralmente Permissível ou Moralmente Obrigatório
Alguém poderia pensar que as questões centrais na ética animal sejam se os vários usos de animais são moralmente corretos (morally right) ou moralmente errados (morally wrong). Isso não está muito correto. O raciocínio moral efetivo requer usos claros e precisos das palavras. Dessa maneira, quando uma palavra é ambígua (ou seja, tem mais de um sentido (meaning)), nós precisamos identificar esses sentidos e tornar claro que sentido nós estamos usando. Dessa maneira, qualquer um saberá que pensamento exato nós temos em mente quando nós fazemos alegações usando essa palavra: nós estamos de acordo (on the same page) e podemos comunicarmo-nos efetivamente. E nós podemos pensar sobre se o que nós estamos dizendo é verdadeiro ou falso e está suportado (ou é suportável) por razões e evidência ou não.
Isso se aplica ao uso palavra ‘correto (right),’ como em moralmente correto porque a palavra é ambígua. Exemplos revelam isso. Suponha que você salve um bebê de se afogar puxando-o para fora da banheira. Isso foi fácil para você, não arriscado, e, você não tivesse estado lá, o bebê certamente teria se afogado. Se alguém diz, “Você salvar o bebê foi moramente correto (right),” essa pessoa provavelmente quer dizer que você salvar o bebê, nessas circunstâncias, foi moralmente obrigatório, moralmente requerido, ou um dever moral: se você não tivesse salvo o bebê, você [8]teria feito alguma coisa errada (wrong) ou moralmente inadmíssivel.4
Considere outro exemplo. Embora você seja uma pessoa de renda média, você envia $1000 por mês para organizações de socorro (relief organizations) para ajudar crianças famintas. Alguém diz, “Você fazer essas doações é moralmente correto (right).” Aqui essa pessoa provavelmente não quer dizer que você fazer essas doações é moralmente obrigatório, moralmente requerido, ou um dever moral. Diferentemente do caso da banheira, a visão comum (mas talvez equivocada5) é que você não doar não seria moralmente errado ou moralmente inadmissível. Assim, o que essa pessoa provavelmente intenciona dizer é que, pelo menos, o que você faz é moralmente permissível, ou seja, não errado ou não moralmente inadmíssivel. Ela também poderia querer dizer que isso não é meramente permíssivel, mas mais positivamente bom além disso, mas definitivamente não moralmente obrigatório.
Com essas distinções em mente, nós podemos parar de usar uma palavra ambígua – “moralmente correto” – e em vez dela usar estes termos/categorias mais preciso(a)s para avaliar moralmente as ações:
Moralmente permissível: moralmente OK; não moralmente errado, não moralmente inadmissível; “OK para fazer”;
Moralmente obrigatório: moralmente requerido, um dever moral; inadmissível de não fazer; errado de não fazer; “tem que fazer”;
Moralmente inadmissível: moralmente errado; não permissível; obrigatório de não fazer; um dever de não fazer.
Nós também poderíamos adicionar uma categoria “entre” o permissível e o [9]obrigatório para ações que são positivamente boas, virtuosas ou admiráveis e, portanto, moralmente permissíveis, mas não obrigatórias: por exemplo, alguns argumentam que o vegetarianismo está nessa categoria, e, se isso for correto, então argumentos a favor da conclusão de que o vegetarianismo é moralmente obrigatório são incorretos (unsound). Essa categoria poderia ser descrita como a “supererrogatória,” significando além do chamado do dever, ou do que é moralmente requerido.
Dessa forma, as questões centrais em ética e animais são em que categorias morais os usos específicos de animais são classificados – moralmente permissível, moralmente obrigatório, ou moralmente inadmíssivel ou errado – e, mais importante mente, porquê. Novamente, as razões dadas em favor de porque nós deveríamos pensar, por exemplo, que algum uso é permissível e outro uso é errado, ou quaisquer que sejam as conclusões pelas quais qualquer um pode advogar, são o nosso interesse principal.
O que a Questão Também Não é: Não (Necessariamente) “Direitos” dos Animais
Uma possível segunda interpretação das questões centrais em ética animal é que elas são sobre se os animais têm “direitos.” Nessa visão, perguntar se os vários usos de animais são moralmente permissíveis ou não é apenas perguntar se os animais têm direitos ou não. É muito comum para essas questões serem equiparadas, mas elas não deveraim, por uma variedade de razões.
Direitos Legais: Não é a Questão
Primeiro, o termo ‘direitos (rights)’ é multiplamente ambíguo. Um tipo de direitos são os direitos legais. Direitos legais são aqueles que, em teoria, se eles são violados, alguém pode ser punido pelo sistema criminal. Direitos legais são “criados pelo homem (man-made)” e variam de acordo com tempo e localização: os direitos legais que as mulheres têm nos EUA diferem dos direitos legais que, por exemplo, as mulheres têm no Afeganistão. Frequentemente, descobrir que direitos legais os animais têm é fácil: apenas verifique os livros de direito. Ali você descobrirá que há muito poucas leis que protegem animais de dano (harm): eles têm poucos direitos legais.
Contudo, direitos legais não são de muito interesse para nós como eticistas, porque o que é legalmente permitido não necessita ser moralmente permissível: por exemplo, a posse de escravos (slaveholding) no sul dos EUA há centenas de anos era legal, [10]contudo, imoral; e o que é legalmente requerido pode não ser moralmente permissível: por exemplo, o requerimento legal de que drogas sejam “testadas” em animais poderia ser um requerimento imoral. Embora padrões legais, algumas vezes, possam ser vistos como uma expressão altamente imperfeita das visões gerais de uma sociedade sobre o que é moral e imoral, nós geralmente não discutiremos a lei além das observações ocasionais de nossas leituras de que os animais têm poucos direitos legais.
Direitos Morais: Não Necessariamente é a Questão
Um segundo tipo possível de direito são os direitos morais. O que são direitos morais? Capítulos posteriores tratarão de equívocos comuns e confusões resultantes sobre direitos morais, mas a mais importante razão para não igualar as questões de quais usos de animais são permissíveis com se os animais têm direitos morais é esta: embora isso possa soar estranho para algumas pessoas, é possível que muitos usos de animais sejam errados mesmo se os animais não tenham direitos morais. Vários usos de animais poderiam ser errados por outras razões além deles terem direitos, assim, mesmo se animais não tenham direitos, não se segue imediatamente que o uso prejudicial de animais seja moralmente permissível. Igualar as duas questões oculta essa possibilidade.
Novamente, as questões centrais em ética e animais são em que categorias morais nós deveríamos pensar que usos específicos de animais são classificados – moralmente permissíveis, moralmente obrigatórios ou moralmente inadmissíveis / errados – e as razões de que porque nós deveríamos pensar assim. Pensar em termos de direitos morais pode tornar as questões mais confusas do que elas têm de ser.
Alguns Conceitos Básicos sobre Argumentos: Introdução à Lógica
Para tentar descobrir quais visões morais sobre animais são corretas, nós tentaremos descobrir quais visões são suportadas pelas melhores razões. Para fazer isso, desejamos identificar e avaliar argumentos. As leituras de James Rachels (“Some Basic Points About Arguments” (Google) e James Pryor (em http://www.jimpryor.net/teaching/vocab/index.html) fornecem excelentes visões gerais do que são argumentos e o que torna [11]os argumentos bons ou ruins.
Um argumento é uma conclusão que é suportada por premissas. As premissas devem conduzir à conclusão, formando uma “sequência” de raciocínio: isso torna o argumento “logicamente válido” (um termo técnico com um sentido preciso que difere de como não filósofos frequentemente usam o termo). Em um argumento válido, uma vez que as premissas conduzem à conclusão (e essa sequência de raciocínio é claramente identificável), se as premissas são verdadeiras, então a conclusão também tem de ser verdadeira. Quando um argumento é válido e as premissas são verdadeiras, então o argumento é correto (sound) (e, através disso, a conclusão é verdadeira, dada a definição de “válido” e o fato de que as premissas são verdadeiras). Se o argumento é válido e, com boas razões, você pensa que as premissas são verdadeiras, então você deveria pensar que o argumento é correto. Nós queremos descobrir argumentos corretos e rejeitar os incorretos (unsound).
Uma preocupação principal é descobrir os argumentos, entender quais conclusões exatas estão sendo defendidas e quais premissas exatas são dadas em seu favor. Nós temos de descobrir se as premissas conduzem à conclusão, ou seja, são válidas, ou se nós podemos “torcer (tweak)” o argumento adicionado premissas para o tornar válido. Em seguida, nós tentamos descobrir se ele é correto. Aqui estão três regras para identificar cuidadosamente argumentos:
Torne a(s) conclusão(ões) e premissa(s) expressas precisas em quantidade: se alguma coisa é dita ser verdadeira (ou falsa) de todas (all) as coisas (ou pessoas, ou animais, etc) ou apenas de algumas (some) delas (e se assim, de quais?)?
Clarifique o(s) sentido(s) intencionado(s) de palavras obscuras ou ambíguas nas conclusões ou premissas.
Expresse (qualquer) premissa pressumida de modo que o padrão completo de raciocínio em um argumento seja exibido e seja claro como a(s) premissa(s) logicamente conduzem à conclusão.
Outras importantes ferramentas lógicas são aquelas de condicões necessárias, condições suficientes, condições necessárias e suficientes e contraexemplos. (Ver Pryor, especialmente). A importância desses conceitos para a ética animal ficará aparente conforme nós trabalharmos através das questões.
[12]Princípios Morais como Premissas: Introdução à Ética
Argumentos morais frequentemente têm um princípio moral como uma premissa. Nós tentaremos descobrir se essas premissas são verdadeiras. Princípios morais frequentemente afirmam que [o fato de] uma ação ter alguma(s) característica(s) é condição suficiente para essa ação ser moralmente errada, permissível, ou o que quer que seja. Por exemplo, aqui estão dois possíveis princípios morais:
Se uma ação causa dor, então essa ação é moralmente errada.
Se uma ação beneficia a todos e não prejudica ninguém, então essa ação é moralmente permissível.
(O princípio A pode ser refutado, ou seja, mostrado falso, por contraexemplos, uma exceção para a regra proposta? O princípio B é verdadeiro? Como nós tentaríamos descobrir isso?). Princípios morais também podem alegar que [o fato de] uma ação ter alguma(s) característica(s) é uma condição necessária para essa ação ser moralmente errada, permissível ou o que quer que seja, por exemplo:
Um ser ter um “direito a não sofrer desnecessariamente” apenas se esse ser é capaz de raciocinar moralmente.
(O princípio C pode ser refutado, ou seja, mostrado falso, por contraexemplos?)
Princípios morais frequentemente são justificados através do apelo a teorias morais ou éticas. Uma teoria moral tenta responder a estes tipos de questões:
O que torna corretas ações moralmente corretas e erradas ações moralmente erradas? (Ou, o que torna permissíveis atos permissíveis, obrigatórias ações obrigatórias, etc?)? O que as ações têm que concede a elas o status moral (permissível, obrigatório, etc) que elas têm?
Qual é(são) a(s) diferença(s) essencial(is) básica(s), fundamental(is), essencial(is) entre ações permissíveis e inadmissíveis? Quais características das ações marcam essa divisão?
[13]Quais são as condições necessárias e suficientes para uma ação ser permissível, obrigatória, etc?
Antes de examinarmos teorias influentes, desenvolvidas e refinadas por filósofos, é útil começarmos desenvolvendo nossa própria teoria (ou teorias) moral. Aqui está um método para fazer isso:
Faça um gráfico (chart) com três colunas. Na coluna da esquerda, faça uma longa lista de ações (e nós podemos usar também traços de caráter, se você quiser) que você pode pensar que a maioria das pessoas consideraria que são obviamente erradas ou más. Na coluna da direita, faça uma longa lista de ações ou traços de caráter que você pensa que a maioria das pessoas consideraria que são obviamente moralmente permissíveis, obrigatórios ou, de outra maneira, bons. No meio, liste quaisquer ações que surgem em sua mente mas não se classificam em qualquer categoria. Compartilhe a sua lista com outros para comparar, mudar, revisar, etc.6
Agora pergunte, o que há com as ações erradas em nossa lista que as torna erradas? Por que elas estão na lista de “erradas”? O que há com ações corretas / boas que as torna corretas ou boas? Por que elas pertencem àquela lista? Quais hipóteses morais explicam melhor isso? As suas respostas aqui poderão resultar em você revisar os seus julgamentos iniciais se você perceber que alguns princípios morais são inconsistents com qualquer julgamento inicial.
Uma abordagem complementar é está:
Descreva como os animais são tratados, por exemplo, na indústria alimentícia, na indústria de peles, em experimentação, etc. Seria o tratamento (qualquer um?) de seres humanos moralmente permissível, ou seria [14]errado? Quais hipóteses morais – sobre o que torna erradas ações erradas – explicam melhor porque isso é assim, por exemplo, por que seria errado tratar humanos dessas maneiras?
Esses exercícios poderiam resultar em você desenvolvendo teorias básicas que são similares a muitas teorias morias influentes que têm sido desenvolvidas através dos últimos poucos séculos, se não por mais tempo. Pensar por si mesmo pode conduzir a muitas das mesmas intuições morais que muitos dos “grandes” filósofos tiveram.
James Rachels, em “A Short Introduction to Moral Philosophy” (Google) e Tom Regan (“The Case for Animal Rights” o artigo, não o livro; Google) discutem as teorias morais (possivelmente) mais plausíveis após eles discutirem e, algumas vezes, argumentarem contra as teorias (possivelmente) inferiores. Aqui estão as teorias que eles discutem:
Relativismo e Ceticismo Moral (“Short Introduction” 2-3, de Rachels; “Basic Points About Arguments” 22-27, [também] de rachels)
Rachels argumenta que o relativismo e o ceticismo são falsos.
Teoria do Comando Divino (“Short Introduction” 3-5, de Rachels)
Rachels argumenta que a teoria do comando divino é falsa e que até crentes religiosos não deveriam aceitá-la. (Ver abaixo sobre religião e ética).
Teoria da Virtude (“Short Introduction” 5-6, de Rachels); “Cruelty-Kindness” (Regan, 217)
Regan argumenta que um tipo de teoria da virtude, a qual ele chama de a visão de crueldade-gentileza (cruelty-kindness), está errada.
Lei Natural (“Short Introduction” 6-8, de Rachels). Não é mais uma teoria muito popular fora de alguns contextos católicos.
Contratualismo / o Contrato Social (“Short Introduction” 8-10, de Rachels); Regan (214-216). (Regan também discute a versão aperfeiçoada do contratualismo, por Rawls; Mark Rowlands modificou essa teroria para argumentar em defesa dos animais.)
Regan argumenta que alguns contratualismos são falsos.
[15]Utilitarismo (“Short Introduction” 11-14, por Rachels; Regan 217-220)
Regan argumenta que o utilitarismo é falso.
A Ética de Immanuel Kant (“Short Introduction” 17-19); “The Rights View” (Regan 220-223), a qual é desenvolvida a partir do 2ª imperativo categórico de Kant; Regan tem uma visão mais ampla de quem deveria ser tratado como “fins em si mesmos.”
Aqui estão duas categorais para teorias éticas:
Teorias Éticas Altruístas (“Short Introduction” 10-11, de Rachels): uma categoria ampla de teorias éticas; elas contrastam-se com teorias “egoístas” onde a única preocupação moral intrínseca é por você mesmo e como as suas ações afetam o seu próprio interesse.
Teorias Ética que requerem Imparcialidade (“Short Introduction” 14-16, de Rachels): uma ampla categoria de teorias éticas; contrastam-se com teorias “parcialistas” que admitem preferência especial para família e amigos.
Defendores dos animais frequentmente argumentam que a(s) teoria(s) moral(is) que melhor explicam como nós deveríamos tratar seres humanos (especialmente seres humanos vulneráveis: os muito jovens e muito velhos) tem implicações positivas para animais. Se os argumentos deles estão corretos, nós deveremos ver.
Religião e Ética: Um Breve Comentário
Questões éticas algumas vezes são tratadas no contexto da religião; de fato, frequentemente se assume que as duas são inseparáveis. Para este livro, nós rejeitaremos essa suposição, largamente pelas razões que Rachels apresenta, seguindo Sócrates. O raciocínio deles é este:
Se algum texto religioso, autoridade, ou até Deus faz um julgamento moral (por exemplo, sobre se algum uso de animais é moralmente permissível ou não, ou qualquer outro tópico moral), então, ou há [16]razões que justificam esse julgamento ou não. Se não há razões suportando esse julgamento, então ele é abitrário e não deveria ser aceito. Contudo, se há razões, então essas razões são o que justificam o argumento, não o fato de que algumas autoridades falaram assim, e nós deveríamos ser capazes de identificar e avaliar essas razões diretamente.
Em suma, “Porque eu disse!” não é uma boa razão para acreditar em alguma coisa, a menos que, o que quer que seja dito, seja suportado por razões. Mesmo assim, há muitas organizações e pensadores defensores de animais religiosamente motivados, e as leituras sugeridas e páginas web fazem referência a elas.
Introdução à Ética de Animais
Finalmente, nós leremos os prefácios e as introduções para os nossos textos principais. Todos eles são interessantes. Os de Singer são especialmente relevantes para o desenvolvimento histórico do movimento animal. Nós podemos usar o “caso do gato,” de Regan, como tema unificador para a investigação. Nós tentaremos determinar qual visão ampla abaixo é suportada pelas melhores razões morais.
Qualquer (ou quase qualquer) uso de animais é moralmente permissível; não há obrigações morais com animais.
Machucar seriamente animais (ou seja, causar-lhes dor e sofrimento) é moralmente permissível, contanto que eles sejam abrigados em jaulas confortáveis.
Machucar seriamente animais é moralmente permissível, contanto que eles sejam abrigados em jaulas confortáveis, tratados gentilmente e mortos sem dor.
Machucar seriamente animais é tipicamente moralmente errado, mesmo se eles forem abrigados em jaulas confortáveis, tratados gentilmente e mortos sem dor.
Questão de Discussão
Para muitas questtões éticas, um bom lugar para começar é refletir [17]sobre as “visões comuns” sobre as questões. Suponha que você analisou uma variedade de pessoas sobre as questões morais com as quais estes capítulos abrem. Quais são algumas das respostas mais comuns que seriam dadas? Quais razões você frequentemente ouviria em favor dessas respostas? São essas razões boas razões ou não? Por quê?
Baseado nas leituras sobre lógica e argumentos, explique (i) o que é um argumento, (ii) o que torna argumentos bons ou maus (por exemplo, explique os conceitos de validade e correção (soundness)), e (iii) o que alguém faz para tentar mostrar que um argumento é correto ou incorreto (por exemplo, explique o conceito de um contraexemplo). Se você tiver quaisquer outras questões sobre o que são argumentos e como os identificar e avaliar, pergunte-as aqui. Nós praticaremos indentificação e avaliação de argumentos do começo ao fim do curso.
Complete o exercício acima de construção de teorias morais. Como a sua teoria (ou teorias) moral se parece? De acordo com a(s) sua(s) teoria(s), o que há sobre ações erradas que as torna erradas e o que há sobre ações moralmente permissíveis/obrigatórias/boas que as torna assim? O que se segue a partir de sua teoria (ou teorias) para como seres humanos deveriam ser tratados? O que se segue para animais (e quais animais)?
Qual teoria (ou teorias) moral que Rachels e Regan discutem que parece ser melhor, ou seja, a mais provável de identificar a verdade (aproximada) sobre a natureza de ações moralmente permissíveis e obrigatórias? Qual parece pior, ou seja, falsa? Por quê?
Que observações você tem sobre os prefácios, introduções e prólogos de cada um dos livros sobre ética animal? O que atinge você como interessante, provocativo, controverso e, de outra maneira, digno de comentário e reflexão?
É claro, sempre se sinta livre para levantar quaisquer outras questões, observações, críticas e quaisquer outras respostas às leituras e questões do capítulo.
ORIGINAL:
NOBIS, N. Animals & Ethics 101: Thinking Critically About Animal Rights. Open Philosophy: 2018. Disponível em: <https://animalethics101.blogspot.com/p/lecture-1.html>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
1 [5]Os termos ‘ética’ e ‘moral’ serão usados sinonimamente do começo ao fim deste curso.
2 Essas questões poderiam ser descritas como sendo sobre o “status moral” de animais. Contudo, eu não usarei esse termo, uma vez que é melhor apenas fazer questões diretas sobre se algum tratamento ou uso é moralmente permissível ou não (e porque), se algum tratamento de algum ser (por exemplo, algum animal) de uma maneira seria melhor ou pior do que tratar outro ser (por exemplo, algum ser humano) de uma maneira similar, e assim por diante.
3 [6]Nós desafiaremos as nossas próprias respostas a questões como essas acima, e os argumentos a favor delas, considerando respostas contrárias para essas questões (ou seja, respostas que contradizem a sua, e, talvez, as nossas, respostas). Se nós cuidadosamente identificarmos e avaliarmos os argumentos dados pelas pessoas das quais nós discordamos, nós podemos descobrir que os argumentos deles são mais fortes do que os nossos próprios e, dessa maneira, nós deveríamos mudar de ideia! Outra possibilidade é que as crenças deles sobre como animais deveriam ser tratados [7]é que deveriam mudar e, talvez, os comportamentos deles em relação aos animais também deveria mudar. Embora mudança – na crença, na atitude, no sentimento, na ação e na política – seja um foco deste curso, ele não é sobre persuasão da maneira que um curso sobre publicidade, marketing, propaganda e relações público/mídia poderia ser. Contudo, ele é sobre persuasão no que nós tentando identificar quais visões as pessoas deveríamos ser persuadidas a aceitar, se nós desejamos pensar critica e cuidadosamente sobre o que nós moralmente deveríamos fazer. Se nós somos capazes de tal pensamento moral crítico (e, se assim, como isso é feito) será discutido abaixo e nas leituras sobre lógica e análise de argumento e praticado do começo ao fim do curso.
4 [8]É claro, se a história é que você não salvou o bebê porque você não podia, pois você está paralisado, ou porque você já estava esgotado salvando 12 outros bebês que se afogavam, então você não estava moralmente obrigado a salvar este bebê.
5 Talvez, contudo, o “senso comum” esteja equivocado e pessoas afluentes estejam moralmente obrigadas a fazer doações como essas. Para argumentos em favor dessa conclusão, ver (entre outras fontes) “Famine, Affluence and Morality” Philosophy and Public Affairs, vol. 1, no. 1 (Verão de 1972), pp. 229-243, de Peter Singer, (Google) e o seu “The Singer Solution to World Poverty,” New York Times, 1999 (Google).
6 [13]A partir de “Teaching The Virtues,” por Christina Hoff-Sommers, (Google): “É errado maltratar uma criança, humilhar alguém, atormentar um animal. Pensar apenas em você, roubar, mentir, quebrar promessa. Torturar uma criança. Fazer alguém passar fome até a morte. Humilhar um inválido em uma casa de repouso. Do lado positivo: é correto ser atencioso e respeitoso com outros, ser caridoso e generoso.”
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