sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Perspectivas sobre o Humanismo Digital - Por que Você não faz Alguma Coisa para me ajudar? Humanismo Digital; Uma Convocação para as Cidades Agirem

 Perspectivas sobre o Humanismo Digital


Manifesto de Viena sobre o Humanismo Digital


Parte IX Sistemas e Sociedade


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[257]Por que Você não faz Alguma Coisa para me ajudar? Humanismo Digital; Uma Convocação para as Cidades Agirem


por Michael Stampfer


Resumo Cidades através do globo encaram o desafio de gerenciar massivos processos de digitalização para satisfazerem objetivos climáticos e transformarem aglomerações urbanas em lugares mais habitáveis. O humanismo digital ajuda-nos a ver e definir como tais transformações podem ser realizadas através do empoderamento de cidadãos e administrações, com uma forte agenda política demandando inclusão, qualidade de vida e objetivos sociais. Uma tal abordagem parece muito mais promissora do que fantasias tecnológicas de cima para baixo, como frequentemente providas por grandes companhias em campos tais como habitação, transporte, uso do espaço público ou atenção a saúde. O título refere-se a uma questão colocada para Stan Laurel por Oliver Hardy em filmes sem conta. Aqui o último representa uma cidade convocando a indústria por ajuda. A forma de falar, como nós sabemos, pode levar diretamente ao desastre, mas, na vida real, isso é menos engraçado do que com os dois grandes comediantes.


Cidades através do mundo encaram um número de desafios urgentes e de longo prazo, incluindo urbanização massiva, com crescimento em tamanho e densidade, assim como a necessidade para descarbonizar o inteiro metabolismo urbano. Isso inclui transporte, construção e consumo, assim como estratégias de mitigação climática. Além disso, e de muitas maneiras diferentes, as cidades desempenham um papel em áreas-chave da política, tais como coesão social, educação, habitação e saúde, com o objetivo de fornecerem uma acessível e elevada qualidade de vida. Finalmente, visto que a política mais real é a local, as cidades são fundamentais para desenvolver mais a democracia, originar o potencial criativo, estimular a inovação e aumentar a participação política dos seus habitantes.

Nas últimas décadas, a digitalização tem entrado através de todos os tipos de portas, com grandes promessas e poder massivo para transformar as formas tradicionais de coleta de evidência, modelos de negócio, estruturas de governo, padrões de comunicação e tomada de decisão. Sistemas sensores e ópticos ubíquos e redes de banda larga possibilitam que dados massivos e confiáveis possam ser analisados com métodos poderosos variando de aprendizagem de máquina a análise sistemas complexos. Em campos como saúde ou [258]transporte público, o poder para coletar, possuir, combinar e interpretar dados tornou-se tão importante quanto a propriedade de teatros em operação ou linhas de metrô. Portanto, as cidades através da Europa aceleram as políticas e ações digitais. Contudo, a velocidade é um termo relativo, visto que muitas cidades encaram obstáculos imensos com camadas sem sim de burocracia, leis cimentando o status quo, interesses conflitantes e orçamentos limitados.

Agora nós podemos fechar nossos olhos por um momento e pensar em um Oliver Hardy estressado, impaciente, virando-se para Stan Laurel, e discretamente colocando-se de pé ao lado: “Por que você não diz alguma coisa para me ajudar?” Isso é como muitas cidades têm agido: Muito convenientemente, a indústria acontece de esperar, já à porta, com soluções prontas (turnkey) lindamente renderizadas ou aplicativos movéis para solucionar os mais perversos problemas sociais. Infelizmente, para milagres como thumb-as-lighter, finger-wiggling e kneesy-earsy-nosey, a transferência de habilidades para a mente despreparada tem as suas consequências: nós ainda deixamos a nossa imaginação fluir por um momento, para transportar pianos morro acima, intensificar lutas de torta cremosa, ou o dinamismo doce de porcelana de cozinha destruida. No final, nós ouvimos um soluçante Stan Laurel alegando inocência e a famosa linha de Oliver Hardy: “Esta é outra bela confusão na qual você me colocou.” Contudo, Contrário a Stan, a indústria usualmente não termina no lado do perdedor.

Cidade inteligente (Smart City)” tornou-se um termo-chave para políticas urbanas lidando com soluções dirigidas por dados, frequentemente de grande escala, para melhor gerenciar aglomerações urbanas. Para as cidades, entrar nos próximos passos da digitalização significa encarar um número de um número de desafios; os cincos pontos seguintes podem ser visto como exemplos:

Um primeiro poderia ser apenas denominado de “prontas (turnkey)” – como suprir vizinhanças inteiras com suprimentos prontos (readymade) para produção e armazenamento descentralizados de energia com medidores e redes inteligentes (smart grids). Essa é uma ideia muito boa (seriamente, e, ao mesmo tempo, nós ouvimos novamente a voz de Oliver Hardy), uma grande tendência, e ela ajuda a transformar o sistema de energia, mas ela também é extremamente complicada e está em necessidade de codesenvolvimento longo e paciente entre atores privados e públicos.

Um segundo desafio é “você pode ficar com o hardware,” como a rede de carros elétricos (tram network) ou paradas de frota de ônibus com as utilidades públicas, mas o gerenciamento das soluções da interface de usuário está sendo servido por provedores privados. Isso poderia não ser uma ideia tão boa, visto que dados hoje definem estratégias e direcionam fluxos de renda. Portanto, as cidades tentam estabelecer as suas próprias estruturas de gerenciamento de dados.

Um terceiro pode ser denominado de “melhorado, eletrificado, sem condutor, nenhuma mudança de atitude requerida,” o que é uma bela combinação dos hábitos correntes de usuário e lucros futuros da indústria. Tomado como um exemplo, o esforço para ajudar as cidades a livrarem-se da pandemia de carros … fornecendo carros tecnicamente aperfeiçoados: visto que, sem condutores, eles certamente desaparecerão miraculosamente para algum lugar. Uma ideia melhor poderia ser estabelecer processos de cocriação com os cidadãos baseados em demanda sobre como redefinir e reconquistar o espaço urbano e alargar conceitos de mobilidade.

Um quarto desafio é a “economia derrogatória do direito por plataformas,” exitosamente ignorando impostos, leis trabalhistas ou regulações de setor, apenas por que elas podem. Quando cidades ou regiões revidam com os seus instrumentos ainda poderosos do mundo antigo como artilharias de licença de táxi, regulamentos para acomodação turística ou padrões trabalhistas, elas podem afastar as gigantes da tecnologia por um tempo, embora ao preço de dificultar a inovação e o pagamento de alugueis para os incumbentes.

[259]Um quinto exemplo é “dê-nos a sua cidade e faça-nos feliz,” novamente com as gigantes da tecnologia coletando e sugando todos os tipos de dados sem deixar lucros sustentáveis para a cidade e os seus habitantes. Muitos exemplos começam com as baixas capacidades dos atores da cidade para estruturar, organizar, gerenciar e capitalizar plataformas e serviços digitais, portanto, entregando para os atores industriais. Então, eles fornecem a visão de rua, a diagnose da saúde ou vigilância panopticana, sem dizer o que eles fazem com o dados coletados e como eles os reusam e vendem.

Tais exemplos felizmente revelam quão importante é para as cidades desenvolverem e implementarem uma abordagem política ativa em relação a dados e políticas de dados. Isso começa com foco na proteção de dados e questões de privacidade, assim como na construção de competências domésticas, estendendo-se à criação e estímulo de redes locais e eixos de conhecimento, assim como cooperação com a academia e sociedade civil. Estratégias são importantes, e mais ainda são as vintenas de projetos individuais, variando de suportadas pequenas iniciativas de cidadãos até esforços de mudança em larga escala em saúde, transporte, energia ou participação.

A abordagem de baixo para cima é especificamente importante: as cidades têm de se tornar mais ativas e experimentar, por três razões: primeiro, em muitos campos conectados com coleta de dados em larga escala, as economias de plataforma e suas estratégias de influência digitalmente dirigidas sobre o nosso comportamento futuro, nós vemos a regulação nacional, europeia ou global ainda em um estágio infante, com grandes companhias exitosamente batalhando esforços legislativos. Segundo, por mudanças na maneira que as cidades funcionam e os recursos estão sendo usados, as ideias e necessidades dos cidadãos frequentemente são as melhores maneiras de reclamar espaço público, soberania digital e neutralidade de carbono. A soberania de dados é de importância específica aqui, visto que as administrações de cidade também estão famintas por dados e não deveriam os usar mal. Terceiro, laboratórios vivos e tentativa e erros frequentemente são mais adequados para inovação duradoura do que soluções de baixo para cima, prontas. É claro, visto que nós também necessitamos de leis e regulamentos gerais, uma tal abordagem pode servir como um valioso espaço de aprendizagem.

O humanismo digital desempenha um papel central em dar forma ao quê as cidades fazem e como elas o fazem, como um estado de mente e um princípio orientador. A política e administração da cidade não têm de reinventar a roda, visto que há muitos exemplos bem sucedidos na história de como criar bens públicos em áreas tais como habitação ou transporte público. A questão sobre “estado da mente (state of mind)” parece ser de importância específica como é a questão: Quem deverá prosperar? Como incluir todos – ou, pelo menos, a maior parte dos – os habitantes na tomada de decisão e tê-los compartilhar os benefícios? O que é a boa vida em cidades em elementos-chave como interação social, saúde, consumo de recursos ou espaço para viver?

Essas não são questões realmente novas; tome-se o exemplo de uma cidade como Viena em tempos pré-digitais: poderosas infraestruturas públicas, um imenso programa comunitário de habitação, saúde de primeira classe para todos e fortes redes sociais foram as prioridades políticas por mais de 100 anos. Como uma consequência, Viena na última década pôde exitosamente dar o próximo passo e tornar-se uma das principais Cidades Inteligentes ao redor do globo, combinando objetivos e medidas para inclusão social, inovação e redução em consumo de recursos e emissões de carbono.

O próximo e continuo passo é estruturar politicamente a digitalização e, em todas as políticas, para responder à questão número do humanismo digital: como nós podemos preservar e construtivamente transformar o melhor da nossa atual civilização no mundo digital? [260]Nós temos de construir leis, normas, estruturas e bases de conhecimento para permitir a nossas intituições-chave também vicejarem no futuro: isso é a democracia representativa, o estado de bem-estar, o governo da lei e a economia social de mercado. Todas elas podem se desenvolver até melhor em um mundo fortemente digitalizado. Conduto, deixando essa transformação sem forte ação política, nós convidamos os grandes atores do mercado a sugarem nossos dados, não pagar impostos, ou a manipular eleições e as nossas ações individuais. Sem tais estruturas, nós escrevemos uma carta-convite para a democracia iliberal e para o estado de vigilância, como, infelizmente, a equação libertária de maior liberdade através de interações digitais desreguladas provou ser uma espada de dois gumes, na melhor das hipóteses.

Portanto, o humanismo digital significa políticas ativas e estruturas regulatórias em adição a ética, bases de conhecimento e infraestruturas. As cidades podem fazer muito em todos esses aspectos:

  • Política ativa é sobre estabelecer uma agenda, encontrar maiorias e tornar problemas visíveis através do estabelecimento de prioridades e, algumas vezes, declarações ousadas, altas. Prefeitos e cidades são mais poderosos do que alguém poderia estar ciente. Eles podem mobilizar um eleitorado e estão encarregados de grandes decisões no desenvolvimento da cidade. Um número de cidades como Barcelona ou Amsterdam já implementaram políticas de que certos conjuntos de dados coletados por grandes companhias têm de ser disponibilizados para os cidadãos, pequenas companhias e iniciativas. As cidades podem desempenhar um papel importante garantindo a soberania de dados individual e coletiva e ajudar a tornar os dados um recursos para propósitos econômicos e sociais em um âmbito local. As cidades podem formar coalizões e grupos de pressão, como com o Ato de Serviços Digitais no âmbito europeu.

  • Como em revoluções industriais anteriores, estruturas regulatórias de muitas maneiras ainda esperam para ser desenvolvidas. Entrementes, legisladores também no âmbito da cidade têm de responder através de mudança de objetivo: como já afirmado, tais regulações poderiam nem sempre estar enraizadas na digitalização como tal. Em vez disso, nós as descobrimos em antigas boas leis de trabalho, licenças de transporte ou regras de acomodação. Como uma consequência, o transporte no estilo Uber poderia chegar a uma parada abrupta; e anfitriões Airbnb encontrar obstáculos inesperados. Tais medidas poderiam ajudar a parar a erosão de padrões justificados em relações de trabalho ou competição justa. Ao mesmo tempo, elas também poderiam dificultar a competição, alimentar incumbentes preguiçosos e impedir o valor do consumidor de se materializar. Portanto, nós necessitamos de novas formas de regulação, e as cidades podem ser atores fortes entre uma Caríbdis chamada de bons velhos tempos e a Cila de plataformas globais não regulamentadas devorando vintenas de trabalhadores e negócios.

  • Sobre a base de forte vontade política e regulatória, as questões éticas entram através de muitas portas. Uma primeira porta é a educação, com novos currículos para ajudar com a lacuna entre a abordagem de “muita ética, mas nenhuma ideia sobre tecnologia,” em faculdades mais humanistas, e a ideologia “dê-nos pontos para conectar e gratificações e processo sob qualquer preço” da educação técnica. Uma tal integração deveria começar cedo, e autoridades regionais podem desempenhar um papel, visto que frequentemente elas administram a educação mais básica. Uma próxima parte é o poder de compra das cidades, exigindo elevados padrões éticos em todos os tipos de bens e serviços digitais. Uma terceira é o suporte de atores fundamentais e da sociedade civil preocupados com privacidade, soberania de dados ou trabalho criativo; as cidades podem subsidiar e promover movimentos, festivais, iniciativas de vizinhanças, [261]e uma vintena de outras atividades. Aqui um ponto vai na mesma direção, suportando o discurso crítico, onde a parte ética é sobre tomar o lado da parte menos afortunada da população ao contrariar uma narrativa como: “todos nós temos de ser tecno-otimistas,” sem afirmar que, sem cuidado, principalmente o forte e poderoso coletará os benefícios quando essa narrativa se materializar.

  • Bases de conhecimento – além de escolas – incluem universidades fortes e provedores de pesquisas. Muitas cidades empregam políticas ativas para suportarem sua base de pesquisa local. Cidades como Berlim criaram centros interdisciplinares, enquanto que, em Viena, nós encontramos um programa de financiamento de pesquisa chamado de Humanismo Digital para ligar ciências da computação com ciências social e as humanidades. Aqui a ideia é colaborativamente criar teorias, métodos, abordagens e práticas, assim como encontrar um entendimento comum dos novos fenômenos tecnológicos e sociais. Tais iniciativas deverão ajudar a despertar as ciências suaves (soft sciences) para o desafio da revolução digital, enquanto deverá munir os engenheiros com uma estrutura de como um bem, a sociedade inclusive, deverá desenvolver-se mais com a ajuda dos seus modelos e artefatos. Uma indicação para tais atividades é o Manifesto de Viena para o Humanismo Digital, que foi codesenvolvido por pesquisadores locais e internacionais de várias origens com suporte dos legisladores de Viena.

  • Infraestruturas são outro tópico amplo onde as cidades podem desempenhar um papel importante: primeiro, ajudando a fornecer redes de banda larga de primeira classe; segundo, suportando fortemente os seus próprios departamentos e instalações, assim como através de indústrias privadas a proporem soluções atualizadas, tanto tecnica quanto não tecnicamente. Terceiro, e talvez mais importante, é a habilidade do setor público para lidar efetivamente como seus dados. Correntemente os atores públicos coletam montes de dados, mas, frequentemente, sem políticas e práticas adequadas de como melhor os armazenar, validar, conectar e compartilhar. Dentro da estrutura das recentes regulações europeias de proteção de dados há muitas maneiras para melhor conduzir a política, entregar resultados e permitir pesquisa para acessar os dados. Infelizmente, muitos atores públicos, incluindo as cidades, encaram um dilema: visto que elas nem sempre podem efetivamente transformar padrões tradicionalmente elevados de serviço dentro da esfera digital, elas têm de dar carta branca a todos os tipos de companhias, incluindo as firmas de plataformas globais, permitindo que elas coletem, analisem, e capitalizem os dados. Exemplos dos setores da saúde e do transporte público mostram que uma tal abordagem pode ser perigosa: atores públicos deveriam ter pelo menos a competência para governar os dados em domínio público, sendo capazes de decidirem o que deveria permanecer em domínio público e o que poderia ser passado para o setor privado.

Como nós vemos, o humanismo digital é uma mentalidade (mindset) e uma ferramenta para as cidades, uma mentalidade na emergência e uma ferramenta na produção. Todos nós podemos ser parte nesse processo. Por que você não faz alguma coisa para nos ajudar? Agora como uma questão séria.


[262]Leitura Adicional


Bria, F., https://www.youtube.com/watch?v=9i2dZgbsagY. (Francesca Bria falando sobre o que está acontecendo em Barcelona e em outras cidades a respeito de soberania de dados (data sovereignty) e a devolução do valor dos dados às pessoas)

City of Vienna, https://smartcity.wien.gv.at/en/approach/framework-strategy/ (A estratégia e abordagem Viena Cidade Inteligente (Vienna Smart City) podem ser encontradas aqui)

Digital Humanism Initiative Vienna, https://dighum.ec.tuwien.ac.at/dighum-manifesto/ (Este é Manifesto de Vienna sobre o Humanismo Digital (Vienna Manifesto on Digital Humanism))

Hal Roach Productions, https://www.youtube.com/watch?v=DiFEFL6ThRI (Stan Laurel mostrando o kneesy-earsy-nosey de Oliver Hardy, do filme Fra Diavolo)

Vienna Science and Technology Fund (WWTF), https://www.wwtf.at/digital_humanism/index.php?lang=EN (Atividades de financiamento do WWTF)

Weizenbaum Institute, https://www.weizenbaum-institut.de/en/ (O Instituo Weizenbaum Institute, em Berlim, apresenta a si mesmo)

Weizenbaum Institute, https://www.youtube.com/watch?v=B9_EeHjNcVE (vídeo com apresentações de grupos de pesquisa)

Zuboff, S., https://www.youtube.com/watch?v=fJ0josfRzp4 (Uma longa preleção de Shoshana Zuboff sobre Capitalismo de Vigilância (Surveillance Capitalism))


Próximo ensaio


ORIGINAL:

STAMPFER, M. Why Don’t You Do Something to Help Me? Digital Humanism: A Call for Cities to Act. In: GHEZZI, C. et al. (eds.). Perspective on Digital Humanism. Springer Cham: 2022. p. 257-262. Disponível em: <https://link.springer.com/book/10.1007/978-3-030-86144-5>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0

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