domingo, 9 de junho de 2024

A Teoria dos Sentimentos Morais P1S2C5 Das Paixões Egoístas

A Teoria dos Sentimentos Morais


Por Adam Smith


Parte I Da Propriedade da Ação


Seção II Dos Graus das Paixões Diferentes que são Consistentes com Propriedade


Capítulo anterior


[62]Capítulo V Das Paixões Egoístas


Além daqueles dois conjuntos de paixões, as sociais e as antissociais, há outro, o qual mantém um tipo de lugar intermediário entre elas; ele nunca é ou tão gracioso como algumas vezes é um conjunto, nem é sempre tão odioso quanto algumas vezes [63]é o outro. Pesar e alegria, quando concebidos por causa do nosso próprio bem e mal privados, constituem esse terceiro conjunto de paixões. Mesmo quando excessivas, elas nunca são tão desagradáveis quanto o ressentimento excessivo, porque nenhuma simpatia oposta alguma vez pode nos interessar contra elas: e quando mais adequado aos seus objetos, elas nunca são tão agradáveis como humanidade imparcial e benevolência justa; porque nenhuma simpatia dupla alguma vez pode nos interessar por elas. Contudo, há esta diferença entre pesar e alegria, que nós geralmente estamos mais dispostos a simpatizar com pequenas alegrias e grandes sofrimentos. O homem quem, por alguma súbita revolução de fortuna, é erguido completamente de uma vez a uma condição de vida, muito acima da qual ele tinha anteriormente vivido, pode ficar certo de que as congratulações dos seus melhores amigos não são todas elas perfeitamente sinceras. Um novo-rico, embora do maior mérito, geralmente é desagradável, e um sentimento de inveja comumente evita que nós simpatizemos de coração com a alegria dele. Se ele tem algum julgamento, ele está ciente disso, e, em vez de parecer ficar exaltado com a sua boa fortuna, ele tenta, tanto quanto pode, abafar a sua alegria, e manter baixa a elevação de mente com a sua nova circunstância naturalmente o inspira. Ele simula a mesma simplicidade de vestimenta, e a mesma modéstia de comportamento, que lhe foram adequadas na sua antiga posição social. Ele redobra a sua atenção com seus antigos amigos, e tenta mais do que nunca ser humilde, assíduo [64]e complacente. E esse é o comportamento que, na situação dele, nós mais aprovamos; porque nós esperamos, parece, que ele deveria ter mais simpatia com a nossa inveja e aversão à sua felicidade, do que nós temos com a felicidade dele. É raramente que ele tenha sucesso com tudo isso. Nós suspeitamos da sinceridade da sua humildade, e ele cansa-se dessa restrição. Portanto, em pouco tempo, ele geralmente deixa todos os seus antigos amigos para trás, alguns dos mais mesquinhos deles, quem podem, talvez, condescender em se tornarem seus dependentes: nem ele sempre adquire alguns novos; o orgulho das suas novas conexões é muito afrontado diante do encontro do seu igual, como aquele dos seus antigos tinha sido por ele ter se tornado superior a eles: e ele requer a modéstia mais obstinada e perseverante para expiar essa mortificação de um e outro. Ele geralmente se cansa muito cedo, e é provocado, pelo orgulho carrancudo e suspeito de um, e pelo desdém atrevido do outro, para tratar o primeiro com negligência e o segundo com petulância, até que, por fim, ele torne-se habitualmente insolente e perde a estima de todos. Se a parte principal da felicidade humana surge a partir da consciência de ser amado, como eu acredito que ela o faz, essas mudanças súbitas de fortuna raramente contribuem para a felicidade. É mais feliz quem avança gradualmente à grandeza, a quem o público destina cada grau da sua preferência antes de ele chegar a ela, em quem, em consequência dessa consideração, quando ela chega, ela não pode excitar nenhuma alegria extravagante, e com respeito a quem ela não pode [65]razoavelmente criar quer qualquer ciúme naqueles que ele sobrepuja, quer qualquer inveja naqueles que ele deixa para trás.

Contudo, o gênero humano mais prontamente simpatiza com aquelas pequenas alegrias que fluem a partir de causas menos importantes. É decente ser humilde em meio a grande prosperidade; mas nós escassamente podemos expressar satisfação demais em todas as pequenas ocorrências da vida comum, na companhia com a qual nós despendemos a noite na última noite, no entretenimento que foi colocado diante de nós, no que foi dito e no que foi feito, em todos os pequenos incidentes da conversação presente, e todos aqueles nada frívolos que enchem o vazio da vida humana. Nada é mais gracioso do que alegria habitual, a qual é sempre encontrado em um alívio peculiar de todos os pequenos prazeres que as ocorrências comuns proporcionam. Nós prontamente simpatizamos com isso: ela inspira-nos com a mesma alegria, e torna cada pequena virada insignificante para nós no mesmo aspecto agradável no qual ela apresenta-se para a pessoa dotada com essa disposição feliz. Consequentemente é que a juventude, a temporada da alegria, tão facilmente engaja as nossas afeições. Essa propensão à alegria que parece até animar o florescimento, e brilhar a partir dos olhos do jovem e belo, embora, em uma pessoa do mesmo sexo, exalte, até o idoso, a um humor mais alegre do que o ordinário. Por um tempo, eles esquecem-se das suas enfermidades e abandonam a si mesmos aquelas ideias e emoções agradáveis às quais eles tinham sido estranhos por tanto tempo, mas que, quando a presença de tanta felicidade chama-as de volta [66]para o peito deles, toma seu lugar lá, como velho conhecido, de quem eles estão tristes por terem sido separados, e a quem eles abraçam mais de coração por conta dessa longa separação.

É bastante de outra maneira com o pesar. Pequenas vexações não excitam nenhuma simpatia, mas aflição profunda provoca a maior. O homem que é tornado desconfortável por cada pequeno incidente desagradável, quem é injuriado se ou o cozinheiro ou o mordomo falharam no menor artigo do seu dever, quem sente cada defeito no cerimonial mais elevado da polidez, se ele for mostrado para si mesmo ou para qualquer outra pessoa, quem considera falha que o seus amigo íntimo não lhe desejou boa manhã quando eles se encontraram pela manhã, e quem o seu irmão cantarolava um tom toda vez que ele mesmo estava contando uma história; quem é tirado de humor pela ruindade do clima quando no campo, pela ruindade das estradas quando em uma viagem, e pela falta de companhia e monotonia de todas as diversões públicas quando na cidade; eu digo que uma tal pessoa, embora ela devesse ter alguma razão, raramente encontrará muita simpatia. A alegria é uma emoção agradável, e nós alegremente nos abandonamos a ela na mais leve ocasião. Portanto, nós prontamente simpatizamos com ela em outros, sempre que nós não estamos prejudicados por inveja. Mas o pesar é doloroso, e a mente, mesmo quando ela está em seu próprio infortúnio, naturalmente resiste a e recua diante dele. Nós tentaríamos ou não o conceber de qualquer maneira ou sacudi-lo tão logo o tenhamos concebido. De fato, a nossa aversão ao pesar nem sempre nos impedirá de o conceber [67]em nosso próprio caso, em ocasiões muito insignificantes, mas ela constantemente nos impede de simpatizar com ele em outros quando excitados por semelhantes causas frívolas: pois as nossas paixões simpáticas são sempre menos irresistíveis do que as nossas originais. Além disso, há uma malícia no gênero humano, a qual não apenas impede toda simpatia com pouco desconforto, mas torna-a, em alguma medida, divertida. Consequentemente, o deleite que nós tomamos em zombaria, e na pequena vexação que nós observamos em nossa companhia, quando ela é empurrada, urgida e provocada por todos os lados. Homens da mais ordinária boa criação dissimulam a dor que qualquer pequeno incidente pode dar a eles; e aqueles que são mais completamente formados para sociedade, tornam, do seu próprio acordo, todos esses incidentes em zombaria, como eles sabem que seus companheiros farão por eles. O hábito que um homem que vive no mundo adquiriu de considerar como cada coisa que lhe interessa parecerá para outros, faz aquelas calamidades frívolas transformarem-se na mesma luz ridícula para ele, na qual ele saber que elas certamente serão consideradas por eles.

Pelo contrário, a nossa simpatia com sofrimento profundo é muito forte e muito sincera. É desnecessário dar um exemplo. Nós choramos mesmo da representação simulada de uma tragédia. Portanto, se você labora sob qualquer calamidade real, se, por algum infortúnio extraordinário, você cai na pobreza, em doenças, na desgraça e desapontamento; mesmo se a sua própria falta pode ter sido, em parte, a ocasião, contudo, [68]você geralmente pode depender da simpatia mais sincera de todos os seus amigos, e, até onde interesse e honra permitirão, também da sua assistência mais amável. Mas, se o seu infortúnio não for desse tipo terrível, se você for apenas um pouco impedido em sua ambição, se você apenas tiver sido rejeitado por sua amante, ou apenas importunado por sua esposa, coloque o seu relato com a brincadeira de todos os seus conhecidos.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

SMITH, A. The Theory of Moral Sentiments. IN:______. The Works of Adams Smith. In Five Volumes. Vol. I. London: Printed for T. Cadell and W. Davies … [at 16 others], 1812. pp. 62-68. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofadamsmith01smituoft/worksofadamsmith01smituoft/page/62/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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