quarta-feira, 6 de agosto de 2025

A Análise da Mente - Prefácio & Conteúdos

A Análise da Mente


Por Betrand Russell


[5]Prefácio


Este livro cresceu a partir de uma tentativa de harmonizar duas tendências diferentes, uma na psicologia, a outra na física, com ambas as quais eu me encontro em simpatia, embora, à primeira vista, elas poderiam parecer inconsistentes. Por um lado, muitos psicólogos, especialmente aqueles da escola behaviorista, tendem a adotar o que é essencialmente uma posição materialista, como uma questão de método, se não de metafísica. Eles tornam a psicologia crescentemente dependente da fisiologia e da observação externa, e tendem a pensar na matéria como alguma coisa muito mais sólida e indubitável do que a mente. Entrementes, os físicos, especialmente Einstein e outros expoentes da teoria da relatividade, estiveram tornado a “matéria” cada vez menos material. O mundo deles consiste em “eventos,” a partir dos quais a “matéria” é derivada através de uma construção lógica. Por exemplo, quem quer que leia Space, Time and Gravitation (Cambridge University Press, 1920) do professor Eddington, verá que um materialismo antiquado não pode receber suporte a partir da física moderna. Eu penso que o que tem valor permanente na perspectiva dos behavioristas é o sentimento de que a física é a ciência mais fundamental existente no presente. Mas essa posição não pode ser chamada de materialista, [6]se, como parece ser o caso, a física não assume a existência da matéria.

A visão que me parece reconciliar a tendência materialista da psicologia com a tendência antimaterialista da física é a visão de William James e dos novos realistas americanos, de acordo com a qual a “coisa (stuff)” do mundo não é nem mental nem material, mas uma “coisa neutral (neutral stuff),” a partir da qual ambas são construídas. Nesta obra eu tentei desenvolver essa visão em algum detalhe, com respeito aos fenômenos com os quais a psicologia está interessada.

Meus agradecimentos são devidos ao professor John B. Watson e ao dr. T. P. Nunn por lerem meus manuscritos em um estágio inicial e por me ajudarem com muitas sugestões valiosas; também ao sr. A. Wohlgemuth por muita informação muito útil com respeito a literatura importante. Eu também tenho de reconhecer a ajuda do editor desta Biblioteca de Filosofia, professor Muirhead, por várias sugestões das quais eu tive benefício.

O trabalho foi dado na forma de preleções tanto em Londres quanto em Pequim, e uma preleção, aquela sobre desejo, foi publicada na Athenaeum.

Há algumas alusões a China neste livro, todas as quais foram escritas antes que eu tivesse estado na China e não foram intencionadas para serem tomadas como geograficamente precisas. Eu usei “China” meramente como um sinônimo para “um país distante,” quando eu queria ilustrar coisas não familiares.


Pequim,

Janeiro de 1921.


[7]Conteúdos


Lecture I. Recent Criticisms of “Consciousness.” 9

Lecture II. Instinct and Habit. 41

Lecture III. Desire and Feeling. 58

Lecture IV. Influence of Past History on Present Occurrences in Living Organisms. 77

Lecture V. Psychological and Physical Causal Laws. 93

Lecture VI. Introspection. 108

Lecture VII. The Definition of Perception. 124

Lecture VIII. Sensations and Images. 137

Lecture IX. Memory. 157

Lecture X. Words and Meaning. 188

Lecture XI. General Ideas and Thought. 213

Lecture XII. Belief. 231

Lecture XIII. Truth and Falsehood. 253

Lecture XIV. Emotions and Will. 279

Lecture XV. Characteristics of Mental Phenomena. 287


ORIGINAL:

RUSSELL, B. The Analysis of Mind. London: George Allen & Unwin Ltd; New York: The Macmillan Company, 1924. p. 5-7. Disponível em: <https://archive.org/details/analysisofmind00russ/page/5/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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