História dos Sistemas Planetários de Tales a Kepler
Por John Louis Emil Dreyer
[vii]Prefácio
Neste livro foi realizada uma tentativa para rastrear a história da concepção do universo pelo homem desde as épocas históricas mais antigas à completude do sistema copernicano por Kepler no século XVII. Entre os vários ramos da ciência física, não há outro que em seu desenvolvimento histórico reflita tão estritamente o progresso geral da civilização quanto a doutrina da posição da Terra no espaço e a sua relação com o sistema planetário. Nisso nós podemos seguir a emancipação gradual do homem de ideias primitivas na ascensão da filosofia e ciência gregas, sua recaída nelas durante as épocas seguintes à destruição das bases da cultura grega e o rápido avanço do conhecimento após o renascimento do conhecimento ao fim da idade média.
O que principalmente me induziu a escrever este livro foi a circunstância de que um número de lendas sobre assuntos conectadas com a história dos sistemas cósmicos têm sido repetidas vez após vez, não apenas em obras sobre a história geral da ciência e literatura, como aquelas de Hallam e Draper, mas também em livros lidando especialmente com a astronomia. Entre os erros há muito refutados, mas ainda frequentemente exibidos impressos, podem ser mencionados: que Tales sabia que a Terra é uma esfera; que Pitágoras e sua escola ensinavam o movimento da Terra ao redor do Sol; que Platão ensinava a rotação diária da terra e, em sua velhice, inclinou-se para o sistema heliocêntrico; que os egípcios sabiam que Mercúrio e Vênus moviam-se em volta do Sol; que a variação lunar foi descoberta por Abu’l Wefa; que o rei Alfonso X de Castela descobriu que a órbita de Mercúrio [viii]é uma elipse (o que não foi refutado anteriormente, até onde eu sei), e que Cusa e Regiomontanus anteciparam Copérnico. Por outro lado, alguns escritores estão inclinados a depreciar o conhecimento dos antigos, fazendo com que Platão imaginasse que a Terra fosse um cubo e que as esferas de Eudóxio e os sistemas ptolomaico e ticônico são impossíveis e absurdas.
Para possibilitar ao leitor verificar cada afirmação feita e formar a sua própria opinião sobre cada ponto discutível, eu forneci referências completas para as autoridades originais. Geralmente as edições mais recentes e melhores foram usadas, embora no caso de alguns escritores patrísticos eu apenas fui capaz de consultar edições antigas.
J. L. E. DREYER.
Observatório de Armagh,
Dezembro de 1905.
[ix]Conteúdos
Introduction. The Earliest Cosmological Ideas.
Chapter I. The Early Greek Philosophers.
Chapter II. The Pythagorean School.
Chapter III. Plato.
Chapter IV. The Homocentric Spheres of Eudoxus.
Chapter V. Aristotle.
Chapter VI. Herakleides and Aristarchus.
Chapter VII. The Theory of Epicycles.
Chapter VIII. The Dimensions of the World.
Chapter IX. The Ptolomaic System.
Chapter X. Medieval Cosmology.
Chapter XI. Oriental Astronomers.
Chapter XII. The Revival of Astronomy in Europe.
Chapter XIII. Copernicus.
Chapter XIV. Tycho Brahe and his Contemporaries.
Chapter XV. Kepler.
Chapter XVI. Conclusion.
ORIGINAL:
DREYER, J. L. E. History of the Planetary Systems from Thales to Kepler. Cambridge: At the University Press, 1906. p. vii-xi. Disponível em: <https://archive.org/details/historyofplaneta0000unse/page/n8/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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