A Descendência do Homem e a Seleção com Relação ao Sexo
por Charles Darwin
[vii]Prefácio à Segunda Edição
Durante as sucessivas reimpressões da primeira edição desta obra, publicada em 1871, eu fui capaz de introduzir várias correções importantes; e agora que mais tempo passou, eu tentei beneficiar-me do ordálio feroz através do qual o livro passou e tirei proveito de todas as críticas que parecem ser corretas. Eu também estou grandemente em débito com um grande número de correspondentes pela comunicação de um número surpreendente de novos fatos e observações. Esses têm sido tão numerosos que eu apenas fui capaz de usar apenas os mais importantes; e desses, assim como das correções mais importantes, eu acrescentarei uma lista. Algumas novas ilustrações foram introduzidas, e quatro desenhos antigos foram substituídos por novos, realizados a partir da vida pelo sr. T. W. Wood. Eu tenho especialmente de chamar atenção para algumas observações que eu devo à gentileza do prof. Huxley (dadas como um suplemento no fim da parte I), sobre a natureza das diferenças entre os cérebros do homem e dos macacos superiores. Eu fiquei particularmente feliz de conceder essas observações, porque durante os últimos poucos anos várias memórias sobre o assunto têm aparecido no continente, e, em alguns casos, a importância delas têm sido grandemente exagerada por escritores populares.
[viii]Eu posso aproveitar essa oportunidade para observar que meus críticos frequentemente presumem que eu atribua todas as mudanças de estrutura corporal e poder mental exclusivamente à seleção natural daquelas variações que são frequentemente chamadas espontâneas; ao passo que, mesmo na primeira edição da ‘Origin of Species,’ eu distintamente afirmei que grande peso tem de ser atribuído aos efeitos herdados de uso e desuso, igualmente com respeito ao corpo e à mente. Eu também atribui alguma quantidade de modificação à ação direta e prolongada de condições mudadas de vida. Também alguma concessão tem de ser feita sobre reversões ocasionais de estrutura; nem nós devemos ter esquecido do que eu chamei de crescimento “correlacionado,” significando através disso que várias partes do organismo estão tão conectadas de alguma maneira desconhecida que, quando uma das partes várias, assim fazem as outras; e, se variações de uma são acumuladas por seleção, outras partes serão modificadas. Novamente, tem sido dito por vários críticos que, quando eu considerei que muitos detalhes da estrutura no homem não poderiam ser explicadas através da seleção natural, eu inventei a seleção sexual; contudo, eu forneci um esboço toleravelmente claro desse princípio na primeira edição da “Origin of Species,” e ali afirmei que ela era aplicável ao homem. Esse assunto da seleção sexual foi tratado em extensão completa na obra presente simplesmente porque uma oportunidade foi primeiramente propiciada a mim aqui. Eu fiquei impressionado com a semelhança de críticas meio favoráveis sobre a seleção sexual com aquelas que inicialmente apareceram sobre a seleção natural; tais como, que ela explicaria alguns poucos detalhes, mas certamente não era aplicável à extensão à qual eu a tinha empregado. Minha convicção do poder da seleção sexual permanece firme; mas [ix]é provável, ou quase certo, que várias de minhas conclusões serão doravante consideradas errôneas; isso dificilmente pode deixar de ser o caso no tratamento inicial de um assunto. Como eu acredito, quando naturalistas se tornarem familiares com a ideia de seleção sexual, ela será muito mais largamente aceita; e ela já tem sido completa e favoravelmente recebida por vários juízes capazes.
Down, Beckenham, Kent,
Setembro, 1874
Primeira Edição, 24 de fevereiro de 1871
Segunda Edição, setembro de 1874
[xi]Conteúdos
Part I. The Descent or Origin of Man.
Chapter I. The Evidence of the Descent of Man from some Lower Form. 6
Chapter II. On the Manner of Development of Man from some Lower Form. 38
Chapter III. Comparison of the Mental Powers of Man and the Lower Animals. 98
Chapter IV. Comparison of the Mental Powers of Man and the Lower Animals—continued. 148
Chapter V. On the Development of the Intellectual and Moral Faculties during Primeval and Civilised Times. 195
Chapter VI. On the Affinities and Genealogy of Man. 225
Chapter VII. On the Races of Man. 257
Part II. Sexual Selection.
Chapter VIII. Principles of Sexual Selection. 319
Chapter IX. Secondary Sexual Characters in the Lower Classes of the Animal Kingdom. 400
Chapter X. Secondary Sexual Characters of Insects. 422
Chapter XI. Insects, continued.—Order Lepidoptera. (butterflies and moths.) 470
Chapter XII. Secondary Sexual Characters of Fishes, Amphibians, and Reptiles. 507
Chapter XIII. Secondary Sexual Characters of Birds. 549
Chapter XIV. Birds—continued. 616
Chapter XV. Birds—continued. 676
Chapter XVI. Birds—concluded. 707
Chapter XVII. Secondary Sexual Characters of Mammals. 763
Chapter XVIII. Secondary Sexual Characters of Mammals—continued. 802
Part III. Sexual Selection in Relation to Man, and Conclusion.
Chapter XIX. Secondary Sexual Characters of Man. 846
Chapter XX. Secondary Sexual Characters of Man—continued. 892
Chapter XXI. General Summary and Conclusion. 926
Supplemental Note. 948
ORIGINAL:
DARWIN, C. The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex. London; John Murray, Albermarle Street, W.: 1922. p. vii-xix. Disponível em: <https://archive.org/details/descentofmansele00darw_0/page/n8/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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