sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O Significado do Significado - Prefácios & Conteúdos

O Significado do Significado: Um Estudo da Linguagem sobre o Pensamento e da Ciência do Simbolismo


Por C. K. Ogden e I. A. Richards


[v]Prefácio à Primeira Edição


As páginas seguintes, algumas das quais estavam escritas desde de 1910, apareceram pela maior parte em forma periódica durante 1920-22, e surgiram a partir de uma tentativa de lidar diretamente com dificuldades levantadas pela influência da linguagem sobre o pensamento.

É alegado que, na ciência do simbolismo,1 o estudo dessa influência, uma nova avenida de abordagem para problemas tradicionais até agora considerados como reservados pelo filósofo e pelo metafísico, foi encontrada. E mais, que uma tal investigação desses problemas está de acordo com os métodos das ciências especiais, cujas contribuições têm possibilitado o novo estudo ser [vi]diferenciado de especulações vagas com as quais ele poderia parecer estar associado.

Entre os gramáticos, em particular, uma sensação de desconforto tem prevalecido. Tem sido sentido que o estudo da linguagem até agora conduzido pelos métodos tradicionais tem falhado em enfrentar questões fundamentais, a despeito da sua posição central com respeito a toda relação humana. Esforços para sanar a omissão têm sido frequentes por todo o século presente, mas volumes por filólogos diligentes, portando títulos tais como The Philosophy of Language, Principles de Linguistique Théorique and Voraussetzungen zur Grundlegung einer Kritik der allgemeinen Grammatik und Sprachphilosophie, como uma regra, têm sido destituídos de sugestão frutífera. Eles não descobriram nem problemas essenciais nem, com poucas exceções, tais como Semantics de Bréal, abriram interessantes campos subordinados de investigação. Largura de visão não é conspícua na linguística moderna,diz uma autoridade tão bem informada quanto Jespersen em sua última obra; e ele atribui essa perspectiva estreita a “o fato de que a linguística tem negligenciado todos os problemas conectados com a valoração da linguagem.” Infelizmente, as próprias recomendações de Jespersen, as três questões que ele urge aos filólogos para considerarem –


Qual é o critério através do qual uma palavra ou uma forma deveria ser preferida à outra?

Devem as mudanças que nós vemos ocorrendo gradualmente em linguagens ser consideradas no todo como benéficas ou o oposto?

Seria possível construir uma linguagem internacional? –


dificilmente tocam o problema central, ou as relações de pensamento e linguagem; nem podem elas ser proveitosamente discutidas por filólogos sem um exame completo desse preliminar negligenciado. E, como nós devemos ver no nosso décimo capítulo, filósofos e psicólogos, [vii]quem frequentemente se supõe estarem ocupados com tais pesquisas, lamentavelmente têm feito pouco para as ajudar.

Há alguns que encontram dificuldade em considerar qualquer questão a menos que eles possam reconhecê-la como pertencendo ao que é chamado de ‘um assunto (a subject)’ e reconhecerem um assunto como alguma coisa na qual, em algum lugar, pelo menos, professores fornecem instrução e submetem-se a exames. Eles apenas precisam ser lembrados de que em uma época não havia nenhum assunto e, até recentemente, apenas cinco. Mas o desconforto experienciado ao entrar em campos menos familiares de investigação é genuíno. Em tópicos mais frequentados, as estradas principais estão bem marcadas, se nos lugares certos ou não, o viajante mental está justamente bem seguro de chegar a algum ponto bem conhecido, se ou não digno de se visitar, e usualmente encontrará a si mesmo em companhia respeitável e acreditada. Mas com um assunto novo ou limítrofe, ele é requerido ser mais autossuficiente; a decidir por si mesmo onde estão o interesse e a importância maiores e quanto aos resultados a serem esperados. Ele está na posição de um prospector. Se aventura aqui registrada deve ser considerada auxiliar quaisquer outros no estudo dos símbolos, os autores considerá-la-ão justificada. Desnecessário dizer que eles a acreditam ser de importância maior do que essa.

Para não falharem no objetivo mais modesto de chamarem atenção para um grupo negligenciado de problemas, eles acrescentaram como um apêndice um número de passagens selecionadas indicativas das características principais de empreendimentos similares por outros autores no passado.

Das suas próprias contribuições em relação aos fundamentos de uma ciência do simbolismo, o seguinte parece-lhes ter mais valor:

(1) Uma explicação da interpretação em termos causais, pelos quais o tratamento da linguagem como um sistema de signos torna-se capaz de resultados, entre os quais pode ser notado o começo de uma divisão entre sobre o que não se pode falar inteligivelmente e o que se pode.

[viii](2) Uma divisão das funções da linguagem em dois grupos, o simbólico e o emotivo. Acredita-se que muitas controvérsias notórias nas ciências podem ser mostradas derivarem a partir da confusão entre essas funções, as mesmas palavras sendo usadas ao mesmo tempo para fazerem afirmações e excitarem atitudes. Nenhuma fuga de diferenças fictícias assim produzidas é possível sem um entendimento das funções da linguagem. Com esse entendimento, acredita-se que controvérsias tais como aquelas entre vitalismo e mecanismo, materialismo e idealismo, religião e ciência, etc, caducariam, e mais as condições seriam restauradas sob as quais um renascimento geral da poesia seria possível.

(3) Uma dissecação e ventilação de ‘significado,’ o centro de obscurantismo, tanto na teoria do conhecimento quanto em toda discussão.

(4) Um exame do que são confusamente chamadas de ‘questões verbais.’ Nada é mais comum em discussões do que ouvir algum ponto da diferença descrito como puramente ou principalmente ‘verbal.’ Algumas vezes, os disputantes estão usando as mesmas palavras para coisas diferentes, algumas vezes, palavras diferentes para as mesmas coisas. Enquanto qualquer um desses for o caso, uma técnica livremente mobilizável de definição encontra a dificuldade. Mas frequentemente os disputantes estão usando as mesmas (ou diferentes) palavras para nada, e aqui maior modéstia devida a uma compreensão mais viva da linguagem é recomendável.

Até agora nenhuma ciência tem sido capaz de lidar diretamente com o problema, uma vez que o que está fundamentalmente envolvido é a teoria do signos no geral e a sua interpretação. O assunto é algo peculiarmente adequado para colaboração, e apenas dessa maneira há uma esperança razoável de tornar em uma questão prática um empreendimento que tinha sido abandonado ao desespero por tantos investigadores empreendedores mas isolados, e dispersar a excentricidade que o assunto tão frequentemente tem evocado. Pesquisa histórica mostra que desde a obra perdida de Antístenes e o Cratylus de Platão houve sete [ix]principais métodos de ataque – o gramatical (Aristóteles, Dionísio Trácio), o metafísico (os nominalistas, Meinong), o filológicos (Horne Tooke, Max Müller), o psicológico (Locke, Stout), o lógico (Leibniz, Russell), o sociológico (Steinthal, Wundt) e o terminológico (Baldwin, Husserl). A partir de todos esses, assim como tais estudos independentes como aqueles de lady Welby, Marty e C. S. Pierce, a partir de Kritir der Sprache, de Mauthner. Die Bedeutung des Wortes, de Erdmann, e De l’Intelligence, de Taine, os escritores têm derivado instrução e ocasionalmente entretenimento.

Ao dr. Malinowski os autores devem débito especial. O retorno dele à Inglaterra, enquanto o trabalho deles estava passando pela impressão, possibilitou a eles desfrutarem da vantagem dos seus muitos anos de reflexão como um trabalhador de campo em etnologia, nas fronteiras peculiarmente difíceis da linguística e psicologia. A combinação única por ele de experiência prática com uma compreensão profunda dos princípios teóricos torna a concordância dele em tantas das conclusões heterodoxas aqui alcançadas particularmente encorajadora. Os autores têm certeza de que a contribuição a partir da caneta dele com o estudo das linguagens primitivas será de valor não apenas para etnólogos, mas para todos que têm um interesse vivos nas palavras e nos seus modos.

A importância prática de uma ciência do simbolismo na sua presente forma subdesenvolvida necessita de pouca ênfase. Todas as formas mais elaboradas da vida intelectual são afetadas por mudanças na nossa atitude em relação às, e ao nosso uso das, palavras. Como as palavras funcionam é comumente considerado como uma questão puramente teórica, de pouco interesse para pessoas práticas. É verdadeiro que a investigação às vezes tem de tocar em questões um pouco abstratas, mas, mesmo assim, essa desconsideração por pessoas práticas é de vista curta. A visão de que a linguagem funciona suficientemente bem como ela está, apenas pode ser sustentada por aqueles quem a usam meramente em questões tais como poderiam ser conduzidas sem ela – a tarefa do entregador de jornal [x]ou do açougueiro, por exemplo, onde tudo que necessita ser referido pode ser igualmente bem apontado. Ninguém senão quem fecha seus olhos para a readaptação apressada a circunstâncias totalmente novas que a raça humana, durante o último século, tem estado cegamente tentando alcançar pode pretender que não há necessidade para examinar criticamente o mais importante de todos os instrumentos da civilização. Novos milhões de participantes no controle de questões gerais agora têm de tentar formar opiniões pessoais sobre questões que uma vez foram deixadas para poucos. Ao mesmo tempo, a complexidade dessas questões tem aumentado imensamente. A antiga visão de que o único acesso a um assunto é através do estudo prolongado dele, se ela for verdadeira, tem consequências para o futuro imediato que ainda não foram encaradas. A alternativa é elevar o nível de comunicação através de um estudo direto das suas condições, dos seus perigos e das suas dificuldades. O lado prático desse empreendimento, se a comunicação for tomada na sua acepção mais ampla, é a educação.

Convencidos como eles estão da urgência de um exame mais estrito da linguagem a partir de um ponto de vista que, no presente, não está recebendo nenhuma atenção, os autores preferiram publicar esse ensaio em sua forma presente em vez de esperar, talvez indefinidamente, até que, em vidas de outra maneira suficientemente ocupadas, momentos suficientes de lazer tivessem se acumulado para ele se reescrito em uma forma mais completa e sistematizada. Eles acreditam que estão melhor cientes das suas falhas do que a maioria dos críticos suporá, e especialmente daquelas devidas às dificuldades peculiares que uma crítica fundamental da linguagem inevitavelmente levanta para os expositores dela.

Por duas razões o momento parece ter chegado, quando um esforço para atrair atenção para o significado pode encontrar suporte. Em primeiro lugar, há uma prontidão crescente entre os psicólogos para admitirem a importância do problema. “Se a descoberta da natureza psicológica do significado for completamente exitosa,” escreve o professor Pear (Remembering and Forgeting, 1923, [xi]p.59), “isso poderia colocar um fim à psicologia de modo geral.” Segundo, a compreensão de que homens de conhecimento e sinceridade estão lamentavelmente à mercê de formas de linguagem não pode mais afastada, quando, por exemplo, nós descobrimos lorde Hugh Cecil concluindo uma afirmação raciocinada da sua atitude em relação do divórcio com as palavras “A única coisa, como me parece, à qual os cristãos estão obrigados, como cristãos, a resistir, é qualquer proposta para dizer que o casamento, de acordo com a revelação de Cristo, é adultério” (The Times, 2 de janeiro de 1923). Os itálicos são nossos.

Em uma tal obra é inevitável que ênfase devesse ser colocada no que para alguém pode parecer ser óbvio, e, por outro lado, que termos devessem ser publicados que tornarão porções da investigação menos fácil do que outras, devido à alteração do ângulo a partir do qual o assunto deve ser visto. Ao mesmo tempo, é esperado que mesmo aqueles que não tenham familiaridade prévia com os tópicos cobertos, com um pouco de paciência, possam ser capazes de seguir a discussão inteira, embora condensada ela ocasionalmente tenha sido, para manter a exposição dentro de escopo razoável. Portanto, uma lista completa de conteúdos, projetada para se lida como parte do livro, foi fornecida.

Um sumário, umas poucas referências sobre problemas especiais, e muitas referências cruzadas foram acrescentadas para o benefício dos leitores, quem não têm a oportunidade de dedicar atenção igual a cada parte do campo, ou quem desejam seguir o estudo ulteriormente.


C. K. O.

I. A. R.


Magdalene College,

Cambridge,

Janeiro de 1923.


[xii]Prefácio à Segunda Edição


A recepção peculiar da primeira edição da presente obra por pessoas das mais diversas predileções, o fato de que dentro de dois anos da sua publicação ela foi usada oficialmente em um número de universidades, incluindo Colúmbia, e, em particular, o interesse marcado que ela excitou na América, levou os autores a encontrarem-se, em Nova Iorque, na primavera de 1926, para propósitos de discussão e revisão. Como um resultado, foi possível levar em conta os requerimentos de uma audiência mais ampla do que aquela à qual o livro foi primariamente endereçado. Não apenas algumas alusões locais foram modificadas, mas é esperado que vários aperfeiçoamentos em ênfase e estrutura terão aliviado a tarefa do leitor.

Ao mesmo tempo, nenhuma mudança nas posições sustentadas foi considerada necessária. Contudo, os autores não estiveram desocupados, e alguma referência a livros suplementares, pelos quais eles foram responsáveis, pode não estar fora de lugar. Principles of Literary Criticism (I. A. R.) tenta fornecer para a função emotiva da linguagem o mesmo fundamento crítico que aqui é tentado para a simbólica. Word Magic (C. K. O.) apresentará o aparato histórico e filológico apenas através do qual os hábitos linguísticos correntes podem ser explicados – e foi possível reduzir a extensão desordenada de um original capítulo II à vista desse estudo independente. Uma introdução geral aos problemas psicológicos do estudo da linguagem será encontrada em The Meaning of Psychology (C. K. O.) enquanto Science and Poetry (I. A. R.) discute o lugar e o futuro da literatura na nossa civilização.

[xiii]Mas essas adições ainda deixam muito do novo terreno aberto por O Significado do Significado a ser explorado. Principal entre esses desideratos são o desenvolvimento de uma técnica educacional através da qual tanto a criança quanto o adulto possam ser auxiliados para um melhor uso da linguagem, a investigação dos princípios gerais de notação com a sua influência sobre o problema de uma linguagem científica universal e a tarefa analítica de descobrir uma gramática através da qual a tradução de uma sistema-símbolo para outro poderia ser controlado. Esses são projetos que demandam um Instituto de Pesquisa Linguística com quartéis-generais em Genebra, Nova Iorque e Pequim.


C. K. O.

I. A. R.


Cambridge,

Junho de 1926.


Prefácio à Terceira Edição


A demanda por uma terceira edição propiciou-nos uma corrigir um número de erros menores e discrepâncias. Dos desideratos aos quais a referência acima é feita, o segundo e o terceiro foram o objeto de atenção em Basic English (C. K. O.), um sistema de inglês adaptado aos requerimentos de uma linguagem universal, e descrito nos volumes IX e X de Psyche (1928-30); com o primeiro, Practical Criticism (I. A. R.), uma aplicação educacional do capítulo X é de interesse, e a experiência obtida pelo seu autor como professor visitante em Pequim (1929-30) torna a necessidade de trabalho adicional sobre todas parecer ainda mais urgente.


C. K. O.

I. A. R.


Cambridge,

Janeiro de 1930.


[xiv]Prefácio à Quarta Edição


Nesta edição nós removemos umas poucas inconsistências e obscuridades observadas durante uma correspondência com o dr. Ishibashi, quem traduziu a obra para o japonês (1936).

Desde o aparecimento da terceira edição, Bentham’s Theory of Fictions (C. K. O.) tem focado sobre uma contribuição negligenciada ao assunto que é de mais do que interesse histórico. Mencius on the Mind (I. A. R.) examina as dificuldades que cercam o tradutor e explora a técnica de definição múltipla, a qual é adicionalmente elucidada em Basic Rules of Reason (I. A. R.). Coleridge on Imagination (I. A. R.) oferece uma nova estimativa sobre a teoria de Coleridge à luz de uma avaliação mais adequada da linguagem emotiva. Opposition (C. K. O.) é uma análise de um aspecto da definição que é de importância particular para simplificação linguística.


C. K. O.

I. A. R.


Cambridge,

Maio de 1936.


Prefácio à Sexta Edição


A curiosidade excitada por referências a esta obra em um número de aplicações populares dos princípios de terapia linguística aqui defendidos, e pela adoção difundida do inglês básico como um método educacional, tornaram impressões adicionais necessárias. Na quinta e sexta edições nós fizemos algumas mudanças adicionais e expandimos certas partes dos capítulos II e X em publicações separadas – Psyche, vols. XVI-XVIII (C. K. O.) e Interpretation in Teaching e How to Read a Page (I. A. R.).


C. K. O.

I. A. R.


Cambridge,

Setembro de 1943.


[xv]Conteúdos


Chapter I. Thoughts, Words and Things. 1

Chapter II. The Power of Words. 24

Chapter III. Sign-situations. 48

Chapter IV. Signs in Perception. 77

Chapter V. The Canons of Symbolism. 87

Chapter VI. The Theory of Definition. 109

Chapter VII. The Meaning of Beauty. 139

Chapter VIII. The Meaning of Philosophers. 160

Chapter IX. The Meaning of Meaning. 185

Chapter X. Symbol Situations. 209

Summary. 243

Appendix A. On Grammar. 251

Appendix B. On Contexts. 263

Appendix C. Aenedesimus’ Theory of Signs. 266

Appendix D. Some Moderns. 269

Appendix E. On Negative Facts. 261

Supplement I. The Problem of Meaning in Primitive Languages, by Bronislaw Malinowski. 261

Supplement II. The Importance of a Theory of Signs and a Critique of Language in the Study of Medicine, by F. G. Crookshank. 337


[xxiv]Toda visa retorna à questão do nosso discurso – o meio através do qual nos comunicamos.” – Henry James.

O erro nunca é tão difícil de ser destruído como quando ele tem sua raiz na linguagem.” – Bentham.

Nós temos de fazer uso da linguagem, a qual é necessariamente formada de ideias preconcebidas. Essas ideias inconscientemente sustentadas são as mais perigosas de todas.” – Poincaré.

Através da estrutura gramatical de um grupo de linguagens tudo flui suavemente para um tipo de sistema filosófico, enquanto o cominho está, por assim dizer, barrado para certas outras possibilidades.” – Nietzsche.

Um inglês, um francês, um alemão e um italiano de maneira nenhuma podem trazerem a si mesmos a pensarem completamente iguais, pelo menos em assuntos que envolvem qualquer profundidade de sentimento: eles não têm os meios verbais.” – Prof. J. S. Mackenzie.

No Pensamento Primitivo o nome e o objeto nomeado estão associados de tal maneira que um é considerado como uma parte do outro. A separação imperfeita entre palavras e coisas caracteriza a especulação grega de modo geral.” – Herbert Spencer.

A tendência sempre tem sido forte para acreditar que seja o que for que recebe um nome tem de ser uma entidade, tendo uma existência independente por si mesmo: e se nenhuma entidade real correspondendo a esse nome pôde ser encontrada, por essa razão os homens não supunham que nada existisse, mas imaginavam que era alguma peculiarmente obscura e misteriosa, elevada demais para ser um objeto do sentido.” – J. S. Mill.

Nada é mais usual para filósofos do que invadirem a província dos gramáticos, e engajaram-se em disputas de palavras, enquanto eles imaginam que estão lidando com controvérsias da importância e do interesse mais profundos.” – Hume.

Os homens contentam-se com as mesmas palavras que as outras pessoas usam, como se exatamente o mesmo som necessariamente transmitisse o mesmo significado.” – Locke.

Uma discussão verbal pode ser importante ou desimportante, mas, pelo menos, é desejável saber que ela é verbal.” – Sir G. Cornewall Lewis.

Controvérsias científicas frequentemente resolvem a si mesmas em diferenças sobre o significado das palavras.” – Prof. A. Schuster.


ORIGINAL:

OGDEN, C. K; e RICHARDS, I. A. The Meaning of Meaning. A Study of The Influence of Language upon Thought and of The Science of Symbolism. With Supplementary Essays by B. Malinowsky and F. G. Crookshank. 7th Ed. New York: Harcourt, Brace and Company; London: Kegan Paul, Trench, Trubner & Co. Ltd., 1945. p. v-xxiv. Disponível em: <https://archive.org/details/meaningofmeaning00ogde/page/n8/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[v]A palavra simbolismo tem certas associações históricas através dos vários significados de dicionário de ‘símbolo,’ os quais são dignos de nota. Em adição à sua acepção subjacente constante de um signo ou sinal (token) (alguma coisa ‘colocada junta (put together)’) o termo já desfrutou de duas floruits distintos. O primeiro, rastreável a Cipriano, aplica-se ao Credo como considerado como o ‘signo’ de um cristão enquanto distinto de um pagão, como quando Henrique VIII fala sobre “os três credos ou símbolos.” Uma perversão mitológica da derivação (1450-1550, Myrr. Our Ladye III, 312) afirma que “Este credo é chamado de Simbolum, quer dizer, uma reunião de bocados (morselles), pois cada um dos xii apóstolos colocou nele um bocado (morsel).” Outros detalhes históricos serão encontrados em Geschichte des Symbols (1923), por Schlesinger.

Segundo, há um uso difundido do adjetivo simbolista nos anos noventa para caracterizar aqueles poetas franceses que estavam em revolta contra todas as formas de escrita literal e descritiva, e quem acrescentavam significados simbólicos ou esotéricos a objetos, palavras e sons particulares. Similarmente, críticos de arte referem-se vagamente a pintores cujo objeto é ‘sugestão,’ em vez de ‘representação’ ou “construção,” como simbolistas.

Contudo, nas páginas seguintes, um ponto de vista é indicado a partir do qual a esses dois títulos vagos podem ser atribuídos o seu lugar no sistema de signo e símbolos; e ênfase é colocada sobre aqueles aspectos do simbolismo cuja negligência tem dado origem a tantos problemas falsos, tanto em estética quanto em filosofia.

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