A Influência do Poder Naval sobre a História 1660-1783
Por A. T. Mahan
[iii]Prefácio
O objeto definido proposto nesta obra é um exame da história geral da Europa e da América com referência particular ao efeito do poder naval sobre o curso dessa história. Geralmente os historiadores não têm estado familiarizados com as condições do mar, não tendo tanto interesse especial nem tanto conhecimento especial; e, consequentemente, a profunda influência determinante da força marítima sobre grandes questões tem sido menosprezada. Isso é ainda mais verdadeiro de ocasiões particulares do que da tendência geral do poder naval. É fácil dizer de uma maneira geral que o uso e controle do mar é e tem sido um grande fator na história do mundo; é mais problemático localizar e mostrar a influência exata em uma conjuntura particular. Todavia, a menos que isso seja feito, o reconhecimento da importância geral permanece vago e insubstancial, não se baseando, como deveria, sobre uma coleção de instâncias especiais nas quais o efeito preciso foi tornado claro através de uma análise das condições em momentos dados.
Uma exemplificação curiosa dessa tendência para aliviar a influência do poder marítimo sobre os eventos pode ser [iv]extraída a partir de dois escritores daquela nação inglesa, a qual, mais do que qualquer outra, deveu a sua grandeza ao mar. “Duas vezes,” diz Arnold em sua história de Roma, “tem sido testemunhado o conflito do mais elevado gênio individual contra os recursos e as instituições de uma grande nação, e, em ambos os casos, a nação foi vitoriosa. Por dezessete anos Aníbal lutou contra Roma, pois dezesseis anos Napoleão lutou contra a Inglaterra; os esforços do primeiro terminaram em Zama, aqueles do segundo, em Waterloo.” Sir Edward Creasy, citando isso, acrescenta: “Todavia, escassamente se demorou adequadamente em um ponto de similitude entre as duas guerras; quer dizer, o notável paralelo entre o general romano que finalmente derrotou o grande cartaginês, e o general inglês quem deu a última derrota mortal ao imperador francês. Cipião e Wellington por muitos anos mantiveram comandos de importância elevada, mas distantes dos teatros principais de guerra. O mesmo país foi a cena da principal carreira militar de cada um. Foi na Espanha que Cipião, como Wellington, sucessivamente encontrou e derrubou quase todos os generais subordinados do inimigo antes de se opor ao campeão principal e ao conquistador mesmo. Tanto Cipião quanto Wellington restauram a confiança nas armas dos seus concidadãos quando abaladas por uma série de reviravoltas, e cada um deles encerrou uma longa e perigosa guerra através de uma derrota completa e esmagadora do líder escolhido e dos veteranos escolhidos do inimigo.”
Nenhum desses ingleses menciona a coincidência ainda mais impressionante de que, em ambos os casos, o domínio do mar jazia com o vitorioso. O controle romano do [v]mar forçou Aníbal àquela marcha longa, perigosa, através da Gália, na qual mais da metade das suas tropas veteranas desperdiçaram-se; isso possibilitou ao velho Cipião, enquanto enviando seu exército do Ródano para a Espanha, a interceptar as comunicações de Aníbal, a retornar em pessoa e encarar o invasor em Trebbia. Por toda a guerra as legiões passaram pela água, não molestadas e não cansadas, entre a Espanha, a qual era a base de Aníbal, e a Itália, enquanto a questão da batalha decisiva do Metauro, pendendo como estava sobre a posição inferior dos exércitos romandos com referência às forças de Asdrúbal e Aníbal, foi em última instância devida ao fato de que o irmão mais novo não conseguiu trazer seus reforços de socorro por mar, mas apenas através da rota terrestre através da Gália. Consequentemente, no momento crítico, os dois exércitos cartagineses estavam separados pelo comprimento da Itália, e um foi destruído pela ação combinada dos generais romanos.
Por outro lado, os historiados navais pouco têm se preocupado com a conexão entre a história geral e o seu próprio tópico particular, geralmente se limitando ao dever de simples cronistas de ocorrências navais. Isso é menos verdadeiro na França do que na Inglaterra; o gênio e treinamento do primeiro povo conduzindo-os a investigação mais cuidadosa das causas de resultados particulares e da relação mútua de eventos.
Todavia, não há, dentro do conhecimento do autor, nenhuma obra que professe o objeto particular aqui buscado; a saber, uma estimativa do efeito do poder naval sobre o curso da história e a prosperidade das [vi]nações. Enquanto outras histórias lidam com as condições de guerras, políticas, sociais e econômicas dos países, tocando em questões marítimas apenas incidentalmente e geralmente de maneira não simpática, assim a obra presente objetiva a colocar os interesses marítimos no primeiro plano, sem, contudo, divorciá-los dos seus contornos de causa e efeito na história geral, mas buscando mostrar como eles modificaram os últimos e foram modificados por eles.
O período abrangido é de 1660, quando a era do veleiro, com suas características distintivas, tinha justamente começado, a 1783, o fim da Revolução Americana. Embora o fio da história geral sobre o qual os sucessivos eventos marítimos está estendido seja intencionalmente leve, o esforço tem sido apresentar um contorno claro assim como preciso. Escrevendo como um oficial naval em simpatia completa com a sua profissão, o autor não hesitou em digredir livremente em questões sobre política, estratégia e táctica navais; mas, visto que a linguagem técnica foi evitada, espera-se que essas questões, simplesmente apresentadas, serão consideradas de interesse para o leitor não profissional.
A. T. MAHAN
Dezembro de 1889.
[vii]Conteúdos
Introductory. → 1
I. Discussion of the Elements of Sea Power. → 25
II. State of Europe in 1660.- Second Anglo-Dutch War, 1665-1667. Sea Battles of Lowestoft and of The Four Days. → 90
III. War of England and France in Alliance against the United Provinces, 1672-1674.- Finally, of France against Combined Europe, 1674-1678.- Sea Battles of Solebay, the Texel, and Stromboli. → 139
IV. English Revolution.- War of the League of Augsburg, 1688-1697.- Sea Battles of Beachy Head and La Hougue. → 173
V. War of the Spanish Succession, 1702-1713.- Sea Battle of Malaga. → 201
VI. The Regency in France.- Alberoni in Spain.- Policies of Walpole and Fleuri.- War of the Polish Succession.- English Contraband Trade in Spanish Amercia.- Great Britain declares War agains Spain.- 1715-1739. → 232
VII. War between Great Britain and Spain, 1739.- War of the Austrian Sucession, 1740.- France joins Spain against Great Britain, 1744.- Sea Battles of Matthews, Anson, and Hawke.- Peace of Aix-la-Chapelle, 1748. → 254
VIII. Seven Years' War, 1756-1763.- England's Overwhelming Power and Conquests on the Seas, in North America, Europe, and East and West Indies.- Sea Battles: Byng off Minorca; Hawke and Conflans; Pocock and D'Aché in East Indies. → 281
IX. Course of Evnets from the Peace of Paris to 1778.- Maritime War consequent upon the American Revolution.- Sea Battle off Ushant. → 330
X. Maritime War in Norht America and West Indies, 1778-1781.- Its Influence upon the course of the American Revolution.- Fleet Actions off Grenada, Dominica, and Chesapeake Bay. → 359
XI. Maritime War in Europe, 1779-1782. → 401
XII. Events in the East Indies, 1778-1781.- Suffren sails form Brest, 1781.- His Brilliant Naval Campaign in the Indian Seas, 1782, 1783. → 419
XIII. Events in the West Indies after the surrender of Yorktown.- Encounters of De Grasse with Hood.- The Sea Battle of the Saints.- 1781, 1782. → 468
XIV. Critical Discussion of the Maritime War of 1778. → 505
ORIGINAL:
MAHAN, A. T. The Influence of Sea Power upon History 1660-1783. 12ª Ed. Boston: Little, Brown and Company, 1918. p. iii-xxii. Disponível em: <https://archive.org/details/influenceofseapo00mahauoft/page/n6/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
Nenhum comentário:
Postar um comentário