A Teoria dos Sentimentos Morais
Por Adam Smith
Parte II Do Mérito e Demérito; ou dos Objetos de Recompensa e Punição. Consistindo em Três Seções
Seção I Do Senso de Mérito e Demérito
[118]Capítulo III Que, onde não há Aprovação da Conduta da Pessoa que confere o Benefício, há pouca Simpatia com a Gratidão de quem o recebe: e que, pelo contrário, onde não há Desaprovação dos Motivos da Pessoa quem causa a Injúria, não há nenhum Tipo de Simpatia com o Ressentimento de quem a sofre.
Contudo, deve ser observado que, por um lado, por mais benéficas ou, por outro lado, por perniciosas, que as ações ou intenções da pessoa que age tenham sido para a pessoa que, se eu posso falar assim, sofreu a ação, contudo, se no caso não parece haver nenhuma propriedade nos motivos do agente, se nós não podemos entrar nos afetos que influenciaram a conduta da primeira, nós temos pouca simpatia com a gratidão da pessoa quem recebe o benefício: ou se, em outro caso, não parece ter havido nenhuma impropriedade nos motivos do agente, se, pelo contrário, os afetos que influenciaram a sua conduta são tais que nós necessariamente temos de entrar neles, nós não podemos ter nenhum tipo de simpatia com o ressentimento da pessoa que sofre. Pouca gratidão parece ser devida, em um caso, e todo tipo de ressentimento parece injusto, no outro. A primeira ação parece merecer pouca recompensa, a outra, não merecer nenhuma punição.
[119]1 Primeiro, eu digo que, sempre que nós não podemos simpatizar com os afetos do agente, sempre que não parece haver nenhuma propriedade nos motivos que influenciaram a conduta dele, nós ficamos menos dispostos a entrar na gratidão da pessoa quem recede o benefício das ações dele. Um retorno muito pequeno parece ser devido àquela generosidade tola e profusa que confere os maiores benefícios a partir dos motivos mais triviais, e concede um patrimônio meramente porque o seu nome e sobrenome acontecem de ser os mesmos que aqueles do doador. Tais serviços não parecem demandar nenhuma recompensa proporcional. O nosso desdém pela loucura do agente impedi-nos de entrar completamente na gratidão da pessoa a quem o bom serviço foi feito. O seu benfeitor parece indigno disso. Como quando nós colocamos a nos mesmos na situação da pessoa obrigada, nós sentimos que nós não poderíamos conceber grande reverência por um semelhante benfeitor, nós facilmente a absolvemos de uma grande quantidade daquela veneração e estima submissas que nós deveríamos considerar devidas a um caráter mais respeitável; e, com a condição de que ele sempre trate o seu amigo fraco com gentileza e humanidade, nós estamos dispostos a desculpá-lo de muitas atenções e considerações que nós deveríamos demandar para um patrono mais digno. Aqueles príncipes quem têm empilhado, com a maior profusão, riqueza, poder e honras sobre os seus favoritos, raramente têm excitado aquele grau de apego em relação às pessoas deles que frequentemente têm sido experienciado por aqueles que foram mais frugais em seus favores. A prodigalidade de boa natureza, mas [120]pouco sensata de James I da Grã Bretanha não parece ter apegado ninguém à pessoa dela; e esse príncipe, a despeito da sua disposição social e inofensiva, parece ter vivido e morrido sem um amigo. A classe privilegiada e a nobreza inteiras da Inglaterra expuseram suas vidas e fortunas na causa do seu filho mais frugal e distinto, a despeito da frieza e severidade distante do seu comportamento ordinário.
2 Segundo, eu digo que, sempre que a conduta do agente parecer ter sido inteiramente dirigida por motivos e afetos nos quais nós podemos entrar e aprovar completamente, nós não podemos ter nenhum tipo de simpatia com o ressentimento do sofredor, por maior que seja o prejuízo que tenha sido feito a ele. Quando duas pessoas disputam, se nós tomamos a parte de uma, e adotamos inteiramente o ressentimento de uma delas, é impossível que nós devamos entrar naquele do outra. A nossa simpatia com a pessoa cujos motivos nós acompanhamos, e portanto, a quem nós consideramos como no direito, não pode senão endurecermos contra toda a simpatia com a outra, a quem nós necessariamente consideramos como no erro. Portanto, seja o que for que essa última possa ter sofrido, enquanto isso não for mais do que o quê nós mesmos deveríamos ter desejado que ela sofresse, enquanto isso não for mais do que a nossa própria indignação simpática teria nos incitado a infligir sobre ela, isso não pode nem nos desagradar nem nos provocar. Quando um assassino desumano é trazido ao cadafalso, embora nós tenhamos alguma compaixão pela miséria dele, nós não temos nenhum tipo [121]de simpatia com o ressentimento dele, se ele devesse ser tão absurdo para expressar qualquer coisa ou contra do seu acusador quanto contra o seu juiz. De fato, a tendência natural da justa indignação deles contra um criminoso tão vil é o mais fatal e ruinoso para ele. Mas é impossível que nós devamos ficar tão insatisfeitos com a tendência de um sentimento que, quando nós nos familiarizamos com o caso, nós sentimos que nós não podemos evitar de adotar.
ORIGINAL:
SMITH, A. The Theory of Moral Sentiments. IN:______. The Works of Adams Smith. In Five Volumes. Vol. I. London: Printed for T. Cadell and W. Davies … [at 16 others], 1812. pp. 118-121. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofadamsmith01smituoft/worksofadamsmith01smituoft/page/118/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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