domingo, 4 de agosto de 2024

A Teoria dos Sentimentos Morais P2S1C4 Recapitulação dos Capítulos Anteriores

A Teoria dos Sentimentos Morais


Por Adam Smith


Parte II Do Mérito e Demérito; ou dos Objetos de Recompensa e Punição. Consistindo em Três Seções


Seção I Do Senso de Mérito e Demérito


Capítulo anterior


[121]Capítulo IV Recapitulação dos Capítulos Anteriores


1 Portanto, nós não simpatizamos completamente e de coração com a gratidão de um homem em relação a outro meramente porque esse outro foi a causa da sua boa fortuna, a menos que ele tenha sido a causa dela a partir de motivos que nós podemos acompanhar inteiramente. O nosso coração tem de adotar os princípios do agente e acompanhar todos os afetos que influenciaram a conduta dele, antes que ele possa simpatizar e acompanhar inteiramente a gratidão da pessoa que tenha sido beneficiada pelas ações ele. Se na conduta do benfeitor não parece ter havido nenhuma propriedade, por mais benéficos que sejam os efeitos dela, ela não parece demandar, ou necessariamente requerer, qualquer recompensa proporcional.

Mas, quando à tendência beneficente da ação é unida a propriedade do afeto [122]a partir do qual ela procede, quando nós simpatizamos inteiramente e acompanhamos os motivos do agente, o amor que nós concebemos por ele por sua própria conta, intensifica e anima a nossa simpatia com a gratidão daqueles que devem a sua prosperidade à boa conduta dele. As ações dele então parecem demandar e, se eu posso falar assim, gritar por uma recompensa proporcional. Nós então entramos inteiramente naquela gratidão, a qual nos incita a concedê-la. Então o benfeitor parece ser o objeto apropriado de recompensa, quando nós simpatizamos inteiramente dessa maneira com, ou aprovamos, esse sentimento que nos incita a recompensá-lo. Quando nós aprovamos e acompanhamos o afeto a partir do qual a ação procede, nós necessariamente temos de aprovar a ação, e considerar a pessoa em relação a qual ela é dirigida como o seu objeto apropriado e adequado.

2 Da mesma maneira, nós não podemos absolutamente simpatizar com o ressentimento de um homem contra outro meramente porque esse outro foi a causa do infortúnio dele, a menos que ele tenha sido a causa dele a partir de motivos nos quais nós não podemos entrar. Antes que nós possamos adotar o ressentimento do sofredor, nós temos de desaprovar os motivos do agente e sentir que o nosso coração renuncia a toda simpatia com os afetos que influenciaram a conduta dele. Se parecer não ter havido nenhuma impropriedade nesses, por mais fatal que a tendência da ação que procede a partir delas para aquele contra quem ela está dirigida, ela não [123]parece merecer nenhuma punição, ou de ser o objeto apropriado de nenhum ressentimento.

Mas quanto à prejudicialidade da ação é unida a impropriedade do afeto a partir de onde ela procede, quando o nosso coração rejeita com repugnância toda simpatia com os motivos do agente, então, nós simpatizamos de coração e inteiramente com o ressentimento do sofredor. Tais ações parecem então merecer e, se eu posso falar assim, gritar por uma punição proporcional; e nós entramos inteiramente em, e, por esse meio, aprovamos, aquele ressentimento que nos incitar a infligi-la. O ofensor então necessariamente parece ser o objeto apropriado de punição, quando nós simpatizamos inteiramente com e, por esse meio, aprovamos, aquele sentimento que nos incita a punir. Também nesse caso, quando nós aprovamos, e acompanhamos, o afeto a partir do qual a ação procede, e consideramos a pessoa contra quem ela está dirigida como o objeto apropriado e adequado dela.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

SMITH, A. The Theory of Moral Sentiments. IN:______. The Works of Adams Smith. In Five Volumes. Vol. I. London: Printed for T. Cadell and W. Davies … [at 16 others], 1812. pp. 121-123. Disponível em: <https://archive.org/details/worksofadamsmith01smituoft/worksofadamsmith01smituoft/page/121/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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