sábado, 30 de julho de 2022

Uma Introdução à Epistemologia 2 Justificação Epistêmica

Uma Introdução à Epistemologia


Capítulo 1


2 Justificação Epistêmica


Por Todd R. Long


Resultados de Aprendizagem do Capítulo

Ao completar este capítulo, os leitores serão capazes de:

  1. Identificar o tipo distintamente epistêmico de justificação.

  2. Distinguir teorias internalistas de justificação epistêmica de teorias externalistas de justificação epistêmica.

  3. Explicar os traços característicos das teorias populares de justificação epistêmica.

  4. Reconhecer um desafio explanatório para cada teoria de justificação epistêmica.


A IDEIA BÁSICA DE JUSTIFICAÇÃO EPISTÊMICA


No Mênon de Platão, o antigo filósofo Sócrates (469-399 a.C.) levantou a questão mais importante na história da epistemologia: o que deve ser adicionado à crença verdadeira por uma pessoa para conhecer alguma coisa? Sócrates estava perguntando sobre o que os epistemólogos chamam de justificação epistêmica, a qual é amplamente considerada ser um requerimento para o conhecimento proposicional. E não é exatamente nenhum velho requerimento: a justificação epistêmica fornece uma crucial “ligação contribuidora de conhecimento (knowledge-contributing link)” entre uma pessoa e uma crença dessa pessoa de que uma proposição é verdadeira.1 Ao que essa ligação contribuidora de conhecimento equivale, é uma questão de alguma controvérsia: debates entre epistemólogos são algumas vezes estruturados em termos de quão corretamente interpretar o truísmo de que a justificação é “conducente à verdade (truth-conducive)” (quer dizer, a justificação torna a crença provável de ser verdadeira).2


Busto de Sócrates, por Norto Mendez, via Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0

Para apreciar sua importância, considere um exemplo: suponha que um oficial de polícia bata na porta de Kim e informe a Kim que o esposo dela esteve em um horrendo, massivo acidente automobilístico. Kim imediatamente se encontra acreditando na proposição p: “meu esposo escapou ileso.” Kim acredita em p unicamente porque ela quer muito que isso seja verdadeiro. Os epistemólogos concordam que uma crença baseada meramente em pensamento positivo (wishful thinking) não é conhecimento. No caso, Kim não conhece que p, mesmo se acontece de ser verdadeira. O que está faltando é uma justificação contribuidora de conhecimento (ou seja, epistêmica) para acreditar que p é verdadeira.

Mas o que exatamente é justificação epistêmica? No Mênon (98a) de Platão, Sócrates diz que conhecimento é crença verdadeira plus uma explicação da razão de porquê. A ideia de Sócrates ajuda-nos a ver que justificação epistêmica é considerada ser o que torna a crença racional (ou seja, relacionada com razões) de uma maneira que conta para o conhecimento. Quando você tem justificação epistêmica para acreditar em uma proposição p, você, por esse meio, tem uma prerrogativa (entitlement) contribuidora ao conhecimento ou direito ou garantia (warrant) ou boa razão para acreditar que p é verdadeira.

Esse foco em visar à (aiming at) ou chegar à verdade (getting at the truth) distingue a justificação epistêmica de outras formas de justificação. Talvez o conforto imediato que a crença de Kim proporciona a ela conceda uma justificação “psicológica” para ela acreditar em p. De fato, está em seu melhor interesse acreditar em p (caso no qual ela tem uma justificação “prudencial” para acreditar em p). De fato, podem haver muitas medidas de adequação (appropriateness) de crença. Cada medida tem o padrão (standard) particular para avaliação. O distinto padrão epistêmico relaciona-se com a racionalidade com respeito à verdade. Algumas abordagens notáveis (discutidas abaixo) para explicar esse padrão epistêmico incluem o evidencialismo, o fundacionalismo forte/modesto, o coerentismo, o explanacionismo, o infinitismo, o responsibilismo de virtude, o confiabilismo de virtude, o confiabilismo de processo e o funcionalismo adequado.

A justificação epistêmica (daqui em diante, “justificação”) vem em graus. Qual grau é requerido para o conhecimento? Embora não haja consenso, a maioria dos epistemólogos considera que a justificação ao nível de conhecimento tem um alto padrão, mas não tão alto que nós raramente tenhamos conhecimento. Afinal, muitos apontam, “conhecimento” é um termo no uso ordinário, e pessoas ordinárias pensam que nós frequentemente conhecemos coisas tais como “Isso é uma árvore” (via experiência visual semelhante a árvore), “dois mais três são igual a cinco”(pensando através da equação) e “Eu tomei café da manhã nesta manhã (via experiência vivida de memória).” Se esse sentido comum está correto, então ter justificação ao nível de conhecimento para acreditar em p não requer que p seja verdadeira. É por isso que nossa justificação para acreditar em muitas proposições da visão do senso comum diz que nós sabemos ser consistente com a falsidade daquelas proposições. Por exemplo, suponha que uma experiência visual semelhante a uma árvore (tree-ish) seja a fonte do conhecimento que p de Jane: “há uma árvore.” Porque uma alucinação realista poderia simular a experiência visual de Jane, o carácter da experiência semelhante à árvore (tree-ish) não garante a verdade de p. Portanto, a visão do senso comum implica falibilismo: é possível estar justificado em acreditar em uma falsa proposição.3


CAIXA 1 – Justificação & As Atitudes Doxásticas

Atitudes doxásticas (posturas sobre o valor de verdade de uma proposição) incluem crença, descrença e suspensão de julgamento. Discussões sobre justificação epistêmica frequentemente destacam as crenças, como faz este capítulo. Uma razão

Acreditar em p é considerar que p é verdadeira (ou seja, pensar que a realidade é como p diz que ela é.)

Desacreditar em p é acreditar que p é falsa; dessa forma, descreditar em p é acreditar em não p. Assim, está justificado desacreditar em p quando está justificado acreditar que p é falsa. Por exemplo, dada a moderna evidência científica, está justificado desacreditar que o sol orbita a terra porque está justificado acreditar que o sol não orbita a terra (que o reverso é antes o caso).

Suspender (ou negar) o julgamento sobre p é considerar p, até o momento, nem acreditada nem desacreditada: é estar indeciso sobre se p é falsa ou verdadeira. Quando você suspende o julgamento sobre p, por esse meio, você suspende o julgamento sobre não p. Portanto, é justificado suspender o julgamento sobre p quando não se está justificado nem acreditar em p nem desacreditar em p.

A suspensão de julgamento levanta uma questão interessante sobre a justificação. Se alguém carece de razão para acreditar ou em p ou em não p, uma acima da outra, isso significa que essa pessoa tem duas opções igualmente racionais – em outras palavras, que está justificado para ela acreditar em p assim como justificada acreditar não p? Embora alguns considerem esse “permissivismo” tentador, há razões poderosas para o rejeita. Por exemplo, suponha que a investigação criminal do Detetive Derby revele dois suspeitos igualmente prováveis (Devin e Kevin) em um crime de uma pessoa (one-person crime), e que Derby declare Devin como culpado. Corretamente, nós consideraríamos que o julgamento de Derby está enviesado (biased), porque ele não tinha razão melhor para pensar que Devin é culpado do que para pensar que ele tinha para pensar que Kevin é culpado. A suspensão de julgamento parece ser a atitude unicamente racional a ter-se quando as escalas de justificação estão uniformemente equilibradas. Dessa forma, é digno de nota considerar o que qualquer outra teoria de justificação implica sobre suspensão de julgamento.


DUAS ABORDAGENS: INTERNALISMO E EXTERNALISMO


Entre epistemólogos, os termos internalismo e externalismo são usados em uma variedade de maneiras. Mais fundamentalmente, internalistas consideram fatores que tendem a resultar (make for) na justificação inteiramente dependentes do que está ocorrendo dentro da mente de uma pessoa. Em contraste, externalistas consideram que os fatos relevantes são determinados pelos estados mentais de uma pessoa plus fatores externos a mente da pessoa.4 O que está em jogo? Bem, usualmente, internalistas aceitam que a visão deles implica que, dado o estado mental de alguém em um momento, há um fato necessário determinando qual atitude doxástica (se alguma) essa pessoa está justificada em ter em direção a qualquer proposição naquele momento. Dessa forma, se duas pessoas fossem de alguma forma exatamente mentalmente semelhantes, então elas seriam exatamente justificadoramente semelhantes. Externalistas discordam, alegando que, se uma pessoa com um conjunto particular de estados mentais, justificadamente acredita que p, é contingente de fatores externos à mente dessa pessoa. Portanto, duas pessoas poderiam estar em exatamente os mesmos estados mentais e, todavia, a crença de uma pessoa de que p poderia estar justificada e a crença da outra de que p poderia estar injustificada. Abaixo, nós consideraremos alguns exemplos ilustrativos.


TEORIAS INTERNALISTAS


Os evidencialistas aceitam a visão tradicional de que a justificação é inteiramente uma questão da evidência de alguém, onde evidência significa uma indicação de verdade para uma pessoa. Evidencialistas tendem a ser internalistas porque a evidência em epistemologia consiste, aproximadamente, em informação que pode ser usado no pensamento. Mas, uma vez que alguém não pode usar no pensamento alguma coisa que está fora da mente de alguém, os evidencialistas usualmente consideram a evidência como interna à mente.

Porque é plausível que apenas uma indicação da verdade poderia produzir uma “boa razão epistêmica” para acreditar que uma proposição é verdadeira, os evidencialistas dizem que a visão deles plausivelmente explica o vínculo que se supõe que a justificação prove entre uma pessoa e a crença dela que uma proposição é verdadeira. Quando a evidência global de uma pessoa suporta a proposição p melhor do que a proposição não p, p é provável para essa pessoa (ou seja, p é mais provável de ser verdadeira do que falsa, dada a informação que a pessoa tem para prosseguir). E como os evidencialistas apontam, quando você está nessa situação, é epistemicamente racional para você acreditar que p é verdadeira. Então, evidencialistas tipicamente concordam que a justificação é propícia à verdade (truth-conducive) no sentido de que as crenças justificadas de uma pessoa provavelmente são verdadeiras, dada a evidência global da pessoa.5 Mesmo assim, os evidencialistas diferem sobre muitos detalhes, incluindo a estrutura de crenças justificadas.


A. Fundacionalismo Evidencialista

De acordo com fundacionalistas, as crenças justificadas de uma pessoa têm uma estrutura similar a uma casa ou pirâmide bem construídas e suportadas por uma fundação sólida. Portanto, qualquer um que tenha crenças justificadas tem crenças fundacionais que podem “suportar” outras crenças não fundacionais. Uma crença fundacional (ou crença básica) é uma crença que não é formada sobre a base de outras crenças. Uma crença não fundacional (ou crença não básica) é uma crença que é formada sobre a base de outras crenças. Dessa forma, qualquer crença não básica é suportada por, pelo menos, uma crença básica.

Figura 1 – A Estrutura Fundacional das Crenças

Fundacionalistas evidencialistas concordam que a justificação tem uma estrutura fundacionalista, e que todas as crenças justificadas são suportadas pela evidência de uma pessoa; contudo, eles diferem sobre como crenças básicas e não básicas obtêm suas respectivas justificações.

Fundacionalistas fortes consideram que todas as nossas crenças básicas justificadas são sobre nossos próprios estados mentais (por exemplo, “parece-me que há uma árvore”) ou simples questões lógicas (por exemplo, “2 + 3 = 5”) e são justificadas porque nós somos “infalíveis” sobre tais questões (ou seja, nós não podemos ser enganados sobre elas). Nós podemos dizer que elas são verdadeiras porque a evidência da verdade delas é dada a nós transparentemente nas experiências mesmas que elicitam crenças fundacionais.

Um desafio ao fundacionalismo forte vem a partir da psicologia terapêutica. Frequentemente, nós estamos corretos sobre nossos próprios estados mentais, mas os terapeutas contam-nos que nem sempre é assim (pense no homem quem, em uma sessão de terapia, declara “eu não estou com raiva!” enquanto causa apreensão (white-knuckling) em sua cadeira conforme seu rosto vermelho, distorcido, treme com, bem, raiva!). Porque nós podemos estar enganados sobre nossos atos mentais, fundacionalistas fortes necessitam de uma maneira baseada em princípios para distinguir os estados mentais sobre os quais nós não podemos estar enganados dos estados mentais sobre os quais nós podemos estar enganados.

Fundacionalistas modestos evitam esse problema alegando que nossas crenças básicas são quaisquer crenças que nós temos imediatamente em consequência de termos uma experiência não doxástica (por exemplo, experiência sensorial). Para apreciar esse ponto, note que, ordinariamente, enquanto nós estamos andando de um lado de para outro do lado de fora, nós formamos crenças tais como “há uma árvore” imediatamente em consequência de termos uma experiência visual particular de algo semelhante a uma árvore (tree-ish). Primeiramente, nós não pensamos, “parece-me que há uma árvore” e, em seguida, pensamos “se parece-me que há uma árvore, então há uma árvore,” e, em seguida, finalmente concluímos que “há uma árvore.” Fundacionalistas modestos dizem que uma tal crença é psicologicamente básica, porque alguém não a está inferindo a partir de outras crenças que tenha. Agora, a reflexão revela que nós certamente não somos infalíveis sobre proposições tais como “há uma árvore.” Afinal, você poderia ter um sonho realista ou alucinação que simule a percepção sensorial ordinária; assim, você poderia formar uma crença básica de que “há uma árvore” mesmo embora ela seja falsa.

Dessa forma, o fundacionalismo modesto depara-se com um desafio: se nós não somos infalíveis com respeito às nossas crenças básicas relativas a objetos externos tais como árvores, então o que torna nossas crenças básicas sobre objetos externos justificadas? Certamente nem todas as crenças formadas espontaneamente em consequência de uma experiência são justificadas, pois e quanto a uma pessoa que espontaneamente acredita que “Eu morrerei hoje à noite” imediatamente em consequência de uma experiência visual de um arranjo de folhas de chá no fundo de uma xícara? Essa crença não parece epistemicamente melhor do que parece a crença de Kim (ver acima) baseada em pensamento positivo. Então, os fundacionalistas modestos necessitam de uma maneira baseada em princípios para distinguir as respostas epistemicamente adequadas à experiência das epistemicamente inadequadas.


Retrato de René Descartes, por Frans Hals, via Wikimedia Commons. Essa obra está no domínio publico.

Resta a questão de como crenças não básicas obtêm sua justificação sobre a base de crenças básicas justificadas. O fundacionalismo cartesiano – nomeado a partir do filósofo do início da era moderna, René Descartes (1596-1650) – é uma visão fundacionalista forte de que crenças não básicas são justificadas apenas através de dedução a partir de crenças básicas justificadas (ver a tabela 1 abaixo, sobre a dedução e outras formas de raciocínio). Descartes insistia nesse requerimento rigoroso porque ele queria uma teoria do conhecimento implicando que, quando nós conhecemos que p, alguém está “epistemicamente certo” de que p é verdadeira (ou seja, a sua justificação é tão boa que você pode dizer que não poderia estar errado sobre p). Para manter esse requerimento firmemente na mente, Descartes construiu o que se tornou sua famosa hipótese do demônio maligno: suponha que devesse haver um demônio suficientemente poderoso para enganar você tanto quanto você pode ser enganado. Somente crenças que poderiam suportar o engano do demônio maligno seriam epistemicamente certas para você. Portanto, Descartes pensava, crenças não básicas somente podem ser justificadas sobre a base da dedução a partir de crenças básicas perfeitamente certas, porque a dedução apropriada é a única forma de raciocínio que infalivelmente garante uma conclusão verdadeira sobre a base de premissas verdadeiras.

Um problema sério para o fundacionalismo cartesiano é que proposições sobre objetos físicos externos (por exemplo, “isso é uma árvore”) não se seguem logicamente a partir de proposições sobre nossos estados mentais (por exemplo, “parece-me que isso é uma árvore”). Portanto, o fundacionalismo cartesiano é inadequado para explicar nossa visão de senso comum de que nós temos uma justa quantidade de conhecimento sobre objetos físicos externos.

Fundacionalistas contemporâneos (tanto fortes quanto modestos) evitam esse problema ao sustentarem que crenças não básicas podem ser justificadas não apenas por dedução, mas também por indução e abdução a partir das crenças básicas justificadas de alguém. Embora a indução ou abdução propriamente realizadas não garantam a verdade da crença não básica de alguém, plausivelmente, elas fornecem uma boa razão epistêmica para acreditar que a proposição é verdadeira. Por exemplo, um fundacionalista contemporâneo, forte (não cartesiano) poderia dizer que “há uma árvore” é, sob as circunstâncias usuais, provavelmente verdadeira quando você raciocina até ela a partir de uma crença sobre como as coisas parecem para você.6


Palavra de cautela: alguns filósofos usam o termo “indução” para abranger qualquer forma não dedutiva de raciocínio, incluindo a abdução.


B. Coerentismo Puro

O coerentismo puro é a ideia de que a crença de alguém é justificada exatamente quando ela concorda bem com todas as outras crenças que esse alguém tem. Os coerentistas pensam na estrutura das crenças justificadas não como uma casa ou pirâmide sustentadas por uma fundação, mas como uma teia de aranha na qual os vários nós da teia são mutuamente suportados pela inteira estrutura da teia. Cada crença no conjunto de crenças de alguém depende para sua justificação das relações de coerência entre todas as crenças desse alguém. Portanto, a crença é uma parte de sua própria justificação.


Willard Van Orman Quine, um defensor proeminente do coerentismo. Fotografia de passaporte de 1975, via Wikimedia Commons. Essa obra está no domínio público.

Os coerentistas propõem vários fatores que formam a coerência entre crenças (por exemplo, consistência lógica entre as crenças, conexões probabilísticas entre as crenças ou uma falta de subsistemas desconectados de crenças). Uma proeminente ideia coerentista é que, dado o conjunto de crenças de uma pessoa, há algum fato sobre o valor global da coerência desse sistema de crença. Se acreditar na proposição p, quando adicionada ao conjunto de crenças da pessoa, elevaria o valor de coerência do sistema global de crenças da pessoa, então acreditar que p é justificado para essa pessoa; de outra forma, acreditar que p está injustificado.

Os coerentistas puros encaram vários problemas, incluindo explicar como uma crença poderia, de maneira não circular, ser parte de sua própria justificação e explicar precisamente o que são relações de coerência. Mas talvez o mais desafiador seja explicar como nossas experiências figuram na justificação. Lembre-se de que, para coerentistas puros, a justificação é inteiramente uma questão de relações coerentes em meio ao conjunto de crenças de uma pessoa. Contudo, parece possível ter um sistema altamente coerente de crenças mesmo embora algumas das crenças de alguém estejam fora de linha com as experiências de alguém. Suponha que eu esteja tendo uma experiência visual ordinária de árvore-diante-de-mim, mas eu acredite que não haja árvore diante de mim. Parece possível para eu ter um sistema de crenças que concordam bem com minha crença de que não há árvore diante mim; mas, nesse caso, no qual eu efetivamente estou tendo uma ordinária experiência visual de algo semelhante a uma árvore (tree-ish), parece-me que eu estou injustificado em acreditar que não há árvore diante de mim.


C. Explanacionismo

Explanacionistas consideram que a justificação é uma questão de quais proposições fornecem as melhores explicações para uma pessoa. Essa visão deixa em aberto como caracterizar a estrutura de justificação. Algumas versões implicam um híbrido de fundacionalismo e coerentismo. Uma versão proeminente sustenta que a justificação diz respeito a proposições que fornecem a melhor explicação disponível para a pessoa das experiências da pessoa. Suponha que eu seja um adulto normal tendo um tipo de experiência visual de árvore-diante-de-mim. Eu tenho o conceito de “árvore,” muitas vezes eu estive em situações muito similares à minha situação corrente, e a verdade das minhas crenças sobre a presença de árvores tem sido confirmada muitas vezes quando eu estive naquelas situações. É plausível que a melhor explicação disponível para mim de minhas experiências globais (incluindo minha experiência visual corrente) inclua a proposição p (“há uma árvore”), mas, por exemplo, não inclua q (“isso é um gato”). Dessa forma, eu estou justificado para acreditar em p mas não em q.

Os explanacionistas dizem que a explicação deles da justificação evita os problemas que nós observamos com as formas padrões de fundacionalismo e coerentismo puro, enquanto incorporando o que as tornas teoricamente atraentes. Diferentemente do coerentismo puro, o explanacionismo inclui experiências na constituição da justificação. Um explanacionista poderia dizer que a melhor explicação disponível para uma pessoa envolve a coerência, não apenas entre as crenças de alguém, mas entre a explicação relevante e as proposições afirmando a existência das experiências desse alguém. As experiências mesmas podem servir como fundações que param um regresso de justificação. O maior problema das explicações é fornecer uma explicação plausível, baseada em princípios, do que consiste a melhor explicação disponível para uma pessoa.


CAIXA 2 – O Problema do Regresso

O pensamento sobre a possível estrutura da justificação levou o filósofo do século I d.C. Agripa a um argumento famoso a favor do ceticismo global sobre a justificação (e, consequentemente, o conhecimento). Ele é conhecido como o problema do regresso ou o trilema de Agripa. Ele pode ser sumarizado como um argumento de processo de eliminação:

  1. Para uma crença B estar justificada, a cadeia de razões que, em última análise, conduz a B tem de ter uma das três possíveis estruturas:

    1. Ela é finita e linear.

    2. Ela circula de volta sobre si mesma.

    3. Ela é infinita.

  2. Nós podemos excluir (1.3), porque nós não temos um número infinito de razões.

  3. Nós podemos excluir (1.2), porque raciocínio circular é injustificado.

  4. Nós podemos excluir (1.1), porque a crença B*, que está localizada na base da cadeia de B, careceria de justificação e, portanto, seria incapaz de justificar o resto das crenças na cadeia, as quais dependem de B.

  5. Portanto, nenhuma estrutura possível pode produzir justificação.

Algumas das teorias de justificação podem ser vistas como soluções propostas para o regresso. Os fundacionalistas defendem (1.1), argumentando que crenças básicas podem ser justificadas por experiências antes que por crenças adicionais. Coerentistas defendem alguma coisa semelhante a (1.2), negando que ela requeira raciocínio circular defeituoso. Infinitistas (ver “Teorias Não convencionais”, abaixo) defendem (1.3), sugerindo que nossas podem ser potencialmente (se não, efetivamente) infinitas.


Pirro de Elis (ca. 360-270 a.C.), fundador da escola pirrônica de ceticismo, à qual Agripa pertenceu. Imagem por Thomas Stanley, via Wikimedia Commons. Essa foto está no domínio público.

TEORIAS EXTERNALISTAS


Lembre-se de que os externalistas consideram que a justificação depende não apenas de fatos sobre os estados mentais de uma pessoa, mas também de fatores externos à mente de uma pessoa. Portanto, os externalistas consideram a justificação em termos de causas, processos ou funções que tendem a introduzir uma pessoa à verdade. Tais casos, processos ou funções não precisam ter suas origens na mente de uma pessoa, nem elas necessitam incluir evidência que a pessoa tem de adotar no pensamento (mesmo se a pessoa usualmente tem evidência quando elas satisfazem os requerimentos externalistas para justificação). Os externalistas dizem que suas teorias estão bem ajustadas para explicar a utilidade para a verdade (truth-conduciveness) da justificação (ou seja, o vínculo que se supõe que a justificação prove entre uma pessoa e a crença da pessoa de que a proposição é verdadeira). Em típicas teorias externalistas, as crenças justificadas de uma pessoa são objetivamente prováveis de ser verdadeiras no sentido de que crenças justificadas são mais frequentemente verdadeiras do que falsas.7


A. Confiabilismo (Realiabilism)

Confiabilismo é a ideia de que crenças justificadas são confiavelmente produzidas. Embora existam múltiplas espécies de confiabilismo, incluindo o “confiabilismo de virtude,”8 o mais popular é o confiabilismo de processo, o qual sustenta que a justificação é uma questão de ter uma crença produzida por um tipo confiável de processo (ou seja, um tipo de processo que produz crenças verdadeiras mais frequentemente do que crenças falsas). A visão é um tipo geral de processo resultando em muitas crenças individuais entre muitas pessoas diferentes. Se mais crenças produzidas pela visão são verdadeiras do que falsas através de todos os tempos e lugares, então “a visão”, plausivelmente, conta como um tipo de processo confiável. A ideia básica do confiabilismo de processo é que uma crença produzida por um tipo de processo confiável está justificada; caso contrário, ela é injustificada.


Alvin I. Goldman, quem primeiro introduziu o confiabilismo de processo. University of Michigan News and Information Services Photographs, Bentley Historical Library, University of Michigan. Licença: CC BY 4.0

Nós podemos apreciar porque o confiabilismo de processo é externalista ao considerarmos um exemplo estranho. Suponha que Pat e Nat acontecem de ter os mesmos estados mentais. Pat é um ser humano ordinário vivendo em um mundo ocupado por objetos físicos, exatamente como nós consideramos a nós mesmos, mas Nat é radicalmente enganado por um poderoso demônio maligno (ver a hipótese do demônio maligno de Descartes, acima). Parece para Nat que eles estão vivendo uma um mundo ocupado por objetos físicos, mas, na realidade, não é esse o caso. Agora, porque Pat e Nat têm exatamente os mesmos estados mentais e, dessa forma, são “introspectivamente idênticos,” uma típica teoria internalista implica que Pat e Nat estão justificados em acreditarem nas mesmas proposições. Contudo, de acordo com o confiabilismo de processo como descrito acima, a crença de Pat de que p (“há uma árvore”) está justificada, porque ela é produzida por um tipo confiável de processo (a visão), ao passo que a crença de Nat de que p é injustificada, porque ela é produzida por um tipo não confiável de processo (o engano pelo demônio maligno). Então, para confiabilistas de processo, se a crença de uma pessoa está justificada depende de fatores contingentes à mente da pessoa.

Esse exemplo também ilustra uma popular objeção de “novo demônio maligno” ao confiabilismo de processo. Parece que, se Pat está justificado para acreditar que “há uma árvore,” então, da mesma forma, Nat está; afinal, as coisas parecem exatamente para Nat como elas parecem para Pat. Acreditando que “há uma árvore,” Pat e Nat estão dependendo exatamente da mesma informação. Assim, se as razões de Pat são suficientemente boas para justificação, então, da mesma forma, são as de Nat.9

Outro desafio para o confiabilismo de processo é conhecido como o problema da generalidade. A crença de Pat de que “há uma árvore” é uma instância de muitos tipos diferentes de processo, tais como (a) experiência sensorial, (b) experiência visual, (c) experiência visual de jardas (yards) de distância. Esses tipos de processo variam em confiabilidade. Qual tipo de processo é o relevante que resolve se a crença de Pat está justificada? O problema generaliza-se para todas as crenças. Sem uma maneira baseada em princípios para determinar qual tipo de processo é o relevante, nós efetivamente não podemos dizer o que o confiabilismo de processo implica sobre qualquer instância de crença.


B. Funcionalismo Apropriado

De acordo com o funcionalismo apropriado, justificação é uma questão de ter uma crença resultante de uma função cognitiva apropriada. Quando um coração funciona apropriadamente, ele bombeia sangue; de maneira similar, de acordo com os funcionalistas apropriados, quando nossas faculdades cognitivas funcionam apropriadamente, elas produzem crenças justificadas. Mas a história epistêmica não pode ser tão simples, pois alguma coisa poderia funcionar apropriadamente (como projetada) mas não funcionar bem. Assim, funcionalistas apropriados necessitam da noção de “boa função epistêmica.” A solução deles é adicionar condições relativas à obtenção da verdade (getting at truth). O resultado é uma teoria como esta: a crença C de uma pessoa S está justificada se e somente se as faculdades cognitivas produtoras de C estão (a) funcionando apropriadamente, (b) visando à verdade e (c) são confiáveis nos ambientes para os quais elas foram projetadas.


Alvin Platinga, quem introduziu o funcionalismo apropriado (inicialmente sobre garantia (warrant) antes que justificação). Fotografia por WhiteKnight138 via Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0

Para apreciar porque o funcionalismo apropriado é externalistas, considere Cal e Mal. Suponha que o sistema cognitivo de Cal seja projetado por um deus para produzir a crença C1 (“Eu estou segurando um pequeno objeto redondo”) quando Cal está no estado mental M1 (uma sensação táctil como nós temos quando segurando uma bola de bilhar), mas não quando ele estado no estado M2 (uma sensação olfativa como nós temos quando cheirando uma rosa). Em contraste, uma poderosa raça alienígena projetou o sistema cognitivo de Mal para não produzir C1 quando ele está em M1, mas antes quando ele está em M2. Agora, suponha que Cal e Mal têm os mesmos estados mentais, ambos têm a crença C1 e ambos estão em M2, mas nenhum está em M1. Embora Cal e Mal tenham exatamente os mesmos estados mentais, o funcionalismo apropriado implica que a crença C1 de Cal está injustificada (porque ela não é o resultado da função própria dado seu projeto), mas a crença C1 está justificada (porque ela é o resultado da função própria dado seu projeto, e, nós podemos supor, as faculdades cognitivas de Mal estão visando à verdade e são confiáveis.) Dessa forma, o funcionalismo apropriado implica que a justificação é contingente de fatos sobre o projetos do sistema cognitivo de alguém, os quais são externos à mente desse alguém. Nessa visão, como a tabela abaixo mostra, duplicatas mentais podem diferir em justificação – uma característica do externalismo, geralmente.


Um desafio pode ser apreciado ao ser adicionado a nosso exemplo. Suponha que os projetistas do sistema cognitivo de Mal descobriram uma falha nas consequências de seu projeto: seus conhecedores (cognizers) funcionariam de acordo com o projeto, raciocinando como se segue sempre que eles estivessem em M2:

  1. Eu estou segurando um pequeno objeto redondo.”

  2. Se eu estou segurando um pequeno objeto redondo, então duendes (goblins) estão vivendo sob a superfície de meu planeta.”

  3. Dessa forma, “duendes (goblins) estão vivendo sob a superfície de meu planeta.”

Importando-se grandemente sobre a formação de crenças confiáveis (reliable-belief) mas não querendo consertar a falha (glitch) de design, os projetistas alienígenas alteraram as características do planeta de Mal de modo que, quando os conhecedores estão em M2, duendes usualmente estão vivendo sob a superfície do planeta. Consequentemente, quando Mal raciocina a partir de (a) e (b) para (c), a crença dele de que “duendes (goblins) estão vivendo sob a superfície de meu planeta” é produzida por faculdades cognitivas que estão funcionando como projetadas, visando à verdade (truth-aimed) e confiáveis em ambientes para os quais elas foram projetadas. Então, de acordo com o funcionalismo adequado, o processo de raciocínio de Mal é epistemicamente bom, e as crenças dele de que (b) e (c) estão justificadas, mesmo embora, como nós podemos supor, ele não tem nenhuma razão para acreditar em (b) e (c). Nessa situação, parece que Mal envolveu-se em raciocínio objetivamente ruim, mesmo embora todas as condições do funcionalismo adequado estão satisfeitas.


CAIXA 3 – Derrotadores de Justificação

Alguns epistemólogos aumentam suas teorias de justificação com uma cláusula de não derrotadores (no-defeaters clause), a qual diz que, para a crença de uma pessoa ser justificada, não deve existir nenhum “derrotador de justificação” para a crença. Por definição, um derrotador de justificação (justification defeater) (daqui em diante, “derrotador (defeater)”) é alguma coisa que impede uma crença de ser justificada. Em outras palavras, deixando de lado todos os derrotadores para a crença de uma pessoa, o que resta é suficientemente bom para justificação. Quer dizer, a crença esta “justificada, ausentes derrotadores.” Isso é o que os epistemólogos chamam de justificação prima facie (do latim para “à primeira vista” ou “em consequência de primeira inspeção”). Quando uma crença esta prima facie justificada (justificada sobre a suposição de que não existem derrotadores) bem como, de fato, não existem derrotadores, o resultado é justificação ultima facie – ou, justificação todas as coisas epistemicamente consideradas. Isso é o que nos normalmente queremos dizer com “justificado.”

Justificação prima facie plus nenhum derrotador (requerido pela cláusula de não derrotadores) = justificação ultima facie.

Algumas vezes os epistemólogos distinguem entre “derrotadores de refutação” e “derrotadores de subcotação.” Um derrotador de refutação (rebutting defeater) é ilustrado no exemplo seguinte. Suponha que você está em um pet shop, onde, em visão clara, uma das ofertas da loja captura sua atenção. “Conte-me sobre aquele cão vermelho,” você diz para o vendedor, quem responde, “Oh, aquele é o nosso novo animal robô. É tão realista que engana todo mundo!” O testemunho do vendedor é um derrotador de refutação de sua justificação prima facie para acreditar que p (“Aquela coisa para a qual eu estou olhando é um cão de pelo vermelho”): quer dizer, o testemunho do vendedor concede a você uma boa razão para considerar que p é falsa. Dessa forma, você carece de justificação de ultima facie para acreditar que p.

Um derrotador de subcotação (undercutting defeater) e ilustrado alterando-se a história levemente. Suponha que o vendedor conte a você que existe uma forte luz vermelha brilhando no objeto para o qual você está olhando. O testemunho do vendedor é um derrotador de subcotação para a sua justificação prima facie para acreditar que p. Isso porque o vendedor concede-lhe uma boa razão para pensar que o objeto pareceria vermelho mesmo se ele não fosse vermelho. Mesmo se o testemunho não conceder a você uma boa razão para pensar que p é falso, ele concede a você uma boa razão para pensar que a fonte de sua crença (a experiência visual) não é, nessa situação, suficientemente boa para justificação ultima facie.

Teorias externalistas estão em necessidade especial de uma cláusula de não derrotadores, sem a qual elas ficam suscetíveis a contraexemplos. Por exemplo, suponha que sua crença que p seja produzida por um tipo confiável de processo, mas que você não tenha uma boa razão ou para pensar que p é falsa ou para pensar que o processo de produção de sua crença é não confiável. Sem uma cláusula de não derrotadores, o confiabilismo de processo, implausivelmente implicaria que sua crença está justificada. Teorias evidencialistas internalistas não necessitam de uma cláusula de não derrotadores, porque a evidência total de uma pessoa em um dado momento influencia em qualquer derrotador. Mesmo assim, a noção de derrotador algumas vezes é empregada por internalistas como uma ferramenta útil para pensar sobre o que a evidência total de uma pessoa indica.


TEORIAS NÃO CONVENCIONAIS


Algumas teorias não convencionais têm ganho adeptos em anos recentes. O infinitismo é a ideia de que a estrutura de justificação não é nem fundacionalista nem coerentista (nem um híbrido). Antes, os infinitistas argumentam que a justificação consiste em número infinito de razões disponíveis, apropriadamente estruturadas, sobre as quais qualquer crença descansa. Um desafio maior é explicar como um humano poderia ter uma série infinita de razões disponíveis. Um afastamento ainda mais radical das teorias convencionais é o responsabilismo de virtude (virtue responsibilism), o qual argumenta que crenças justificadas são o resultado de traços de carácter intelectualmente virtuosos. Os criticos queixam-se de que, porque tais crenças não necessitam ser prováveis para serem verdadeiras ou baseadas em evidência, o responsabilismo de virtude foca-se em justificativa moral ou pragmática antes que em justificativa epistêmica.


PENSAMENTO DE PARTIDA


Todas as teorias de justificação epistêmica deparam-se com objeções razoáveis ou desafios de dificuldade. Assim, qual teoria nos devemos aceitar como a correta, e por quê? A questão pode não parecer urgente, mas sua resposta é importante para aqueles dentre nos que desejam viver vidas completamente reflexivas de sabedoria. O entendimento da justificação epistêmica poderia ajudar-nos a (a) encontrar falhas nos argumentos céticos, (b) resolver casos complicados sobre quais crenças sustentar quando há um desacordo substancial (como em religião, ética e política) e (c) determinar o que torna o conhecimento mais valioso do que a crença verdadeira. Conhecer a verdade sobre a natureza da justificação epistêmica pode não ser fácil, mas as leituras adicionais abaixo fornecem excelentes maneiras de descobrir mais sobre as nuances das visões discutidas neste capítulo, assim como respostas possíveis aos desafios que cada teoria encara.


Questões para Reflexão

  1. Como notado na Caixa 1 deste capítulo, as teorias de justificação epistêmica frequentemente se focam sobre as condições sob as quais a crença está justificada. O que deveria uma teoria da crença justificada dizer sobre cada uma das outras atitudes doxásticas?

  2. Teorias internalistas ou externalistas explicam melhor a suposição muito difundida de que a justificação epistêmica fornece uma razão epistêmica para alguém acreditar que uma proposição é verdadeira? Por quê?

  3. Teorias internalistas ou externalistas explicam melhor a suposição muito difundida de que a justificação é propícia à verdade (truth-conducive)? Por quê?

  4. Quais teorias da justificação explicam melhor no que uma epistemicamente resposta apropriada à experiência consiste? Por quê?

  5. Que razão, se alguma, há para favorecer um retrato fundacionalista da estrutura de justificação sobre um retrato coerentista, e vice-versa?

  6. Há uma maneira para uma teoria da justificação incorporar elementos tanto do fundacionalismo quanto do coerentismo? Qual teoria da justificação, entre aquelas discutidas neste capítulo, é melhor adequada para um tal projeto? Por quê?

  7. Revisite o problema do regresso (o Trilema de Agripa) na Caixa 2. Qual teoria de justificação, se alguma, fornecer a resposta mais adequada? Por quê?

  8. Considere a visão conhecida como “conservadorismo fenomênico” (CF): Se parece para alguém que p, então, está prima facie justificado para alguém acreditar que p. primeiro, para demonstrar a importância da frase “prima facie,” explique como ela ajuda os proponentes do CF responder à objeção de que “as coisas nem sempre são o que elas parecem.” Segundo, use o que você aprendeu neste capítulo para construir e avaliar algumas outras objeções potenciais ao CF.


LEITURA ADICIONAL


Justificação Epistêmica

Feldman, Richard. 2003. Epistemology (Chapters 4–5). Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall.

Watson, Jamie Carlin. n.d. “Epistemic Justification.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy.

https://www.iep.utm.edu/epi-just/.


Internalismo e Externalismo

Poston, Ted. n.d. “Internalism and Externalism in Epistemology.” In The Internet Encyclopedia of

Philosophy. https://www.iep.utm.edu/int-ext/.


Evidencialismo (Evidentialism)

Conee, Earl, and Richard Feldman. 2004. Evidentialism: Essays in Epistemology. New York: Oxford University Press.

Mittag, Daniel M. n.d. “Evidentialism.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy. https://www.iep.utm.edu/evidenti/.


Fundacionalismo

Hasan, Ali, and Richard Fumerton. 2016. “Foundationalist Theories of Epistemic Justification.” In The Stanford Encyclopedia of Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/fall2018/entries/justep-foundational/.


Coerentismo

Murphy, Peter. n.d. “Coherentism in Epistemology.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy. https://www.iep.utm.edu/coherent/.

Olsson, Erik. 2017. “Coherentist Theories of Epistemic Justification.” In The Stanford Encyclopedia of Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/spr2017/entries/justep-coherence.


Explanacionismo (Explanationism)

McCain, Kevin. 2014. Evidentialism and Epistemic Justification. New York: Routledge.

Poston, Ted. 2014. Reason and Explanation: A Defense of Explanatory Coherentism. London: Palgrave Macmillan.


Derrotadores de Justificação (Justification Defeaters)

Senor, Thomas D. 1996. “The Prima/Ultima Facie Justification Distinction in Epistemology.” Philosophy and Phenomenological Research 56 (3): 551–66. https://doi.org/10.2307/2108382.

Sudduth, Michael. n.d. “Defeaters in Epistemology.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy.

https://iep.utm.edu/ep-defea/.


Confiabilismo (Reliabilism)

Goldman, Alvin, and Bob Beddor. 2015. “Reliabilist Epistemology.” In The Stanford Encyclopedia of Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/entries/reliabilism/.


Funcionalismo Adequado (Proper Funcionalismo)

Bergmann, Michael. 2006. Justification Without Awareness: A Defense of Epistemic Externalism. Oxford: Oxford University Press.

Boyce, Kenneth. n.d. “Proper Functionalism.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy. https://www.iep.utm.edu/prop-fun/.


Infinitismo

Klein, Peter D., and John Turri. n.d. “Infinitism in Epistemology.” In The Internet Encyclopedia of

Philosophy. https://www.iep.utm.edu/inf-epis/.


Epistemologia de Virtude

Baehr, Jason S. n.d. “Virtue Epistemology.” In The Internet Encyclopedia of Philosophy. https://www.iep.utm.edu/virtueep/#SH2a.

Battaly, Heather. 2015. Virtue. Cambridge: Polity Press.

Turri, John, Mark Alfano, and John Greco. 2017. “Virtue Epistemology.” In The Stanford Encyclopedia of Philosophy, editada por Edward N. Zalta. https://plato.stanford.edu/archives/sum2018/entries/epistemology-virtue/.


Capítulo 3


ORIGINAL:

LONG, T. R. Epistemic Justification. In. BARNETT, B.C. Introduction to Philosophy: Epistemology. Rebus Community: 2021. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/epistemic-justification/>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Mathesis

Licença: CC BY 4.0


1 Contudo, o problema de Gettier mostra-nos que crença verdadeira epistemicamente justificada não é inteiramente suficiente para o conhecimento. Para informação sobre o problema de Gettier, assim como os vários tipos de conhecimento, ver capítulo 1 (https://press.rebus.community/intro-to-phil-epistemology/chapter/the-analysis-of-knowledge/) deste volume, “A Análise do Conhecimento”, por Brian C. Barnett.

2 Internalistas tipicamente dizem que crenças epistemicamente justificadas são, em algum sentido, subjetivamente prováveis de ser verdadeiras, ao passo que externalistas dizem que tais crenças são, em algum sentido, objetivamente prováveis de ser verdadeiras. Para mais sobre essa distinção, ver a segunda seção deste capítulo, “Duas Abordagens: Internalismo e Externalismo.”

3 Esse ponto não implica que alguém possa saber que uma proposição é verdadeira quando essa proposição é falsa. A verdade é um requerimento para o conhecimento, mas é um requerimento diferente da justificação.

4 Alguns epistemólogos usam esses termos para distinguir se uma teoria requer que uma pessoa cognitivamente acesse (ou esteja consciente de) os fatores mesmos que tornam a crença de uma pessoa justificada: teorias requerendo semelhante acesso são consideradas “internalistas,” ao passo que aquelas que não o fazem, são consideradas “externalistas.”

5 Externalistas queixam-se de que esse entendimento da utilidade para a verdade (truth-conduciveness) da justificação é muito fraco, porque ele permite a maioria das crenças justificadas serem falsas.

6 Um desafio remanescente para o fundacionalismo contemporâneo: pessoas ordinários têm crenças suficientes de sobre como as coisas parecem para elas para servirem como os fundamentos para todas as coisas que a visão do senso comum diz que as pessoas comumente conhecem?

7 Internalistas queixam-se de que esse entendimento da utilidade para a verdade (truth-condiciveness) da justificação é forte demais, pois as crenças de alguém poderiam objetivamente ser prováveis de serem verdadeiras mesmo se esse alguém nada tivesse que pudesse fornecer uma boa razão para acreditar na proposição relevante; mas, nessa situação, os internalistas dizem, é epistemicamente irracional para alguém acreditar.

8 Confiabilismo de virtude é a visão de que crenças justificadas são produzidas por faculdades confiáveis das pessoas, tais como, percepção, memória, intuição e introspecção.

9 Isso é meramente uma objeção partidário em nome do internalismo? Possivelmente, não: muitos confiabilistas têm sido relutantes em dizem que o seu gêmeo introspectivamente idêntico no mundo do demônio tem crenças injustificadas que são justificadas para você. O desafio deles é fornecer uma explicação plausível, centrada no confiabilismo, disso que não conceda demais ao internalismo.

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