por Benjamin Martin
Embora frequentemente se considere que a filosofia deva ser definida pelos tipos de questões ás quais ela tenta responder, na realidade, o seu assunto (subject matter) é igualmente definido por sua metodologia. Nesse sentido, ela não é diferente de outras áreas de pesquisa. Cada uma tem normas com respeito tanto aos tipos de questões que tenta responder quanto a como se ocupa respondendo a essas questões. Enquanto outras partes desta série de Introdução à Filosofia estão primariamente interessadas em prover a vocês um contexto (background) para as questões que os filósofos estão interessados em responder, esta parte sobre lógica fornecerá a vocês uma introdução às ferramentas que filósofos usam para responder a essas questões.
Como com qualquer área de pesquisa acadêmica, espera-se que os filósofos ofereçam razões para suas propostas, e, dentro da filosofia, essas razões predominantemente tomam a forma de argumentos. Então, engajar-se com filosofia é engajar-se com argumentação. E a fim de no tornar praticantes filosóficos efetivos é de grande importância que entendamos o que são argumentos, como os reconhecer e como os avaliar efetivamente. Portanto, dificilmente é surpreendente que nós temos um ramo inteiro da filosofia dedicado a responder exatamente a essas questões, chamado de lógica. O objetivo desta parte sobre lógica é fornecer a vocês tanto os conceitos necessários para identificar e avaliar argumentos, quanto iniciá-los na jornada sem fim de se tornarem excelentes praticantes filosóficos.
Além disso, os conceitos e ferramentas ressaltados ao longo dessa parte devem provar-se úteis em outras partes da sua vida, visto que argumentos desempenham um papel tanto na vida pública quanto na vida intelectual. Outros proporão argumentos em uma tentativa de nos persuadir de que o que eles dizem é verdadeiro, e é nossa responsabilidade avaliar se esses argumentos de fato fornecem-nos boas razões para endossarmos suas alegações. Portanto, aprender como avaliar apropriadamente argumentos é uma habilidade fundamental e, dessa maneira, ganhando em habilidade lógica, alguém ganha em habilidades para a vida. Essas habilidades podem evitar que nos tornemos enganados pelas alegações de outros, incluindo políticos e a mídia, e permitem-nos tornarmo-nos mais claros sobre as razões que nós temos para nossas próprias crenças. Elas são algumas das melhores ferramentas que nós temos disponíveis para salvaguardar nossas próprias crenças das técnicas de persuasão de outros.
Este livro é formado por cinco capítulos, cada um dos quais introduz novos conceitos fundamentais dos quais você precisará para se envolver com argumentos. O primeiro – O que é Lógica? – delineia em mais detalhes os objetivos da lógica e seu papel no interior da filosofia como um todo. Vocês serão introduzidos ao conceito de um argumento, como reconhecer quando alguma coisa é um argumento, e como se ocupar com a identificação de seu conteúdo. O segundo capítulo, Avaliando Argumentos, constrói a partir do primeiro. Uma vez que nós tenhamos identificado um argumento, nós temos começar com a atividade de descobrir se ele é bom. Contudo, torna-se aparente que nós não podemos julgar todos os argumentos pelos mesmos critérios, pois diferentes tipos de argumentos tentam suportar suas conclusões de diferentes maneiras. Esse capítulo segundo, então, delineia os diferentes tipos de argumentos encontrados tanto no interior da filosofia quanto em outros lugares, e fornece a vocês alguns artifícios sobre como detectar qual é o tipo particular de argumento e os critérios de como avaliar cada tipo.
Enquanto os capítulos 1 e 2 fornecem a vocês os conceitos necessários para identificar e avaliar argumentos, os capítulos 3 e 4 fornecem-lhes algumas habilidades práticas necessárias para reconhecer se um argumento é bom ou ruim. O capítulo 3, Lógica Formal na Filosofia, explica como reconhecer a forma subjacente pode ajudar-nos a avaliar um importante tipo de argumento encontrado no interior da filosofia, conhecido como argumentos dedutivos. Essa busca para identificar as formas subjacentes que alguns argumentos compartilham é um dos objetivos fundamentais de uma proeminente área de pesquisa no interior da lógica, conhecida como lógica formal. Como tal, o capítulo 3 age tanto como uma introdução para o que os lógicos formais objetivam fornecer quando como uma explicação de porque sua educação filosófica beneficiar-se-ia de um estudo adicional de lógica formal.
Erros sistemáticos no interior de argumentos são chamados de falácias, e o objetivo do capítulo 4 é fornecer a vocês alguns exemplos proeminentes desses erros. Se nós reconhecemos que um argumento é ruim, não é suficiente simplesmente dizê-lo; nós também queremos dizer porque ele é ruim. Este capítulo permitirá a você fazer exatamente isso, categorizar e identificar erros particulares feitos no interior de argumentos. Estando consciente desses erros comuns, o objetivo não é apenas ser capaz de reconhecer quando eles são cometidos por outros, mas garantir que nós mesmos não nos envolvamos com esses erros.
O capítulo final, Condições Necessárias e Suficientes, tem dois objetivos. Primeiro, ele explica os conceitos filosoficamente importantes de condições necessárias e suficientes, os quais desempenham um papel proeminente no interior de argumentos. Tornar-se confortável com esses conceitos não é apenas importante no entendimento de muitas alegações filosóficas feitas no interior de outros livros desta série de Introdução, mas também de alegações feitas no interior de outras disciplinas acadêmicas, tais como matemática e as ciências, e na vida cotidiana. Segundo, o capítulo delineia uma explicação tradicional e comum do que os filósofos têm por objetivos fazer quando eles consideram questões tais como conhecimento, justiça e moralidade. De acordo com essa explicação, filósofos estão simplesmente envolvidos em um processo de fornecer as condições necessárias e suficientes para o uso correto de um conceito. Se, no final das contas, nós concordamos ou não com essa explicação da metodologia filosófica, é importante que nós a entendamos se estamos para nos engajar apropriadamente com as teorias filosóficas apresentadas ao longo desta série de Introdução à Filosofia.
Também ao final deste livro está incluído um glossário, fornecendo a vocês algumas definições de conceitos importantes mencionados no interior dos capítulos. Se você está lendo o livro na web, encontrará os termos de glossário no texto com hiperlinks para as definições deles. Clique nos termos e a definição deve surgir na tela. Se você está lendo o livro em outra forma, você apenas vê os termos do glossário em negrito, e precisará ir ao glossário ao final do livro para encontrar as definições desses termos. O livro também inclui uma lista de sugestões para leitura adicional, a qual cobre importantes tópicos no interior da lógica em maior detalhe do que nós fomos capazes de fazer aqui.
Como com cada outro livro da série Introdução à Filosofia, este livro sobre lógica foi escrito com o novato em filosofia em mente. Então nós esperamos que vocês considerem sua linguagem e conteúdo acessíveis. No final das contas, entretanto, nós esperamos por mais do que isso. Nossa aspiração é que através da leitura deste livro você reconhecerá a importância de obter essas habilidades lógicas e tornar-se ainda mais motivado para continuar com sua educação filosófica.
ORIGINAL:
MARTIN, B. Introduction to the Book. In: MARTIN, B. Introduction to Philosophy: Logic, Rebus Community: 2020. Disponível em: <https://press.rebus.community/intro-to-phil-logic/front-matter/introduction/>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Mathesis
Licença: CC BY 4.0
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